segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Carlos Soler, a joia de um Valencia que se reinventa

As duas últimas temporadas do Valencia registraram os piores resultados dos Che desde a temporada 1987/88. Nesse período, o clube viveu de tudo, foi campeão espanhol duas vezes, levantou duas taças da Copa del Rey, conquistou uma UEFA Cup e foi duas vezes vice-campeão da UEFA Champions League. Diante disso, nota-se quão decepcionantes foram os citados últimos anos. No entanto, o time buscou uma solução rápida. Ainda antes do final da campanha de 2016/17 fechou contrato com o treinador Marcelino Toral, o responsável pelo ressurgimento do Villarreal. Além disso, naquele momento, já havia no mínimo um motivo para se acreditar no renascimento valenciano, o despontar do meia Carlos Soler.



É conhecida a capacidade do Valencia de produzir bons jogadores, basta que se citem nomes como Isco e David Silva para afirmar essa realidade. Esse é o patamar de qualidade que, aos 20 anos, Soler aspira chegar. Qualidade técnica para tanto já se nota no garoto que desde os sete anos defende a camisa blanquinegra. Curiosamente, em seu início, tratava-se de um atacante de velocidade, faro de gol e qualidade para dar o último passe, como é bem descrito pelo próprio clube em seu site oficial. Hoje, afirmado como meio-campista, vai revelando qualidade para fazer história com a camisa de seu time.

Carlos ascendeu aos profissionais em momento complicado. O Valencia viveu completa desordem na última temporada e a oportunidade acabou vindo em meio ao caos. Mostrando a maturidade de um veterano, Soler foi conquistando seu espaço no time rapidamente. Fez 23 partidas em seu ano de debute, 19 delas como titular. Não precisou de tempo para se adaptar, embora tenha entrado em uma verdadeira fogueira. Os Che tiveram três treinadores na última campanha e decepcionaram. O jovem foi a centelha de esperança em dias melhores que surgiu em tão difícil contexto.

Seu desempenho foi, por isso, recompensado com a convocação para a Euro Sub-21 de 2017, ao final da temporada europeia. Era o quarto mais moço da relação do treinador Albert Celades e um dos dois que nunca havia representado a Seleção Espanhola em tal escalão. Diante desse quadro, foi naturalmente reserva, mas, convenhamos, não há desprestígio algum em ser suplente de uma Fúria que alinhou, em seu meio-campo Marcos Llorente, Saúl Ñíguéz, Dani Ceballos e Marco Asensio, e ainda tinha disponíveis peças como Mikel Merino ou Denis Suárez.

Na própria época do chamado, o comandante hispânico falou que era, sim, uma surpresa a inclusão de Soler, mas se tratava de um prêmio por sua forte arrancada como profissional:

“É o único jogador que não esteve conosco até agora. É a maior novidade, mas gostamos muito dele e gostamos há muitos anos, pelo que faz em seu clube. Pensamos que pode nos ajudar e confirmar as expectativas sobre ele. Não podemos ignorar a realidade do dia a dia e Soler é um desses casos”, disse Celades em entrevista coletiva após a convocação.

Facilidade na condução de bola, corrida com a cabeça erguida e acurácia nos passes, tanto longos quanto curtos, são algumas das marcas do novo xodó da torcida do Valencia. Na atual temporada, em oito jogos, já colaborou com quatro assistências e anotou um tento. Isso tudo não sendo um jogador tão ofensivo, expondo na qualidade para organizar o jogo o que tem de melhor. É mais um meia marcado pelas qualidades que consagraram o futebol espanhol nos últimos tempos.

Curiosamente, com a chegada de Marcelino Toral e de reforços como Gonçalo Guedes e Geoffrey Kondogbia, Soler tem atuado, com frequência, como meia pelo lado direito. Só atuou pelo miolo da meia-cancha quando o comandante não pôde contar com o mencionado Kondogbia, o qual forjou parceria importante com o capitão Dani Parejo. Esse é outro ponto que conta a favor de Soler. Dos primeiros passos como atacante à afirmação como pivote e uso alternativo pelo flanco destro, o valenciano tem oferecido um vasto leque de possibilidades, o qual tem sido muito bem utilizado.

A expectativa no desenvolvimento e futuro de Soler é grande. Como haveria de ser diferente? O garoto entrou no time em momento de profunda necessidade, correspondeu e hoje é titular absoluto de uma equipe que se acertou. Sim: o Valencia de Marcelino é um time que funciona e prova maior não há do que os próprios resultados.

Nesse momento, em que o brilho de Simone Zaza, Parejo, Guedes e Rodrigo tem sido visto, o time já balançou as redes 21 vezes em oito jogos, número que torna o clube o segundo melhor ataque da competição. Aliás, os Che são justamente os vice-líderes do Campeonato Espanhol até o momento e, junto a Barcelona e Atlético de Madrid, o único time invicto. Soler entrou em momento de dificuldade, foi bem e colhe os frutos hoje, jogando em um time acertado e ganhando ainda mais holofotes.

A forma como Carlos se adaptou bem ao futebol profissional foi tão impressionante que até rivais passaram a o elogiar. Em março último, quando se adentrava a fase final do Campeonato Espanhol de 2016/17, Diego Simeone, treinador do Atleti, não conseguiu não enaltecer o futebol do garoto:

“Gosto muito do menino Soler, no meio, é um jogador com juventude, valentia, desenvoltura, que deu jogo e muita chegada de segunda linha ao time”, disse em entrevista coletiva que antecedeu o segundo jogo entre os madrilenos e o Valencia, na campanha 2016/17.

Soler apareceu como surpresa positiva em momento duro, conquistou espaço e hoje é uma joia de brilho raro e intenso a cintilar em meio a um grupo que vem se destacando e fazendo o torcedor valenciano sonhar grande - como outrora, em um tempo não tão distante, fizeram times comandados pela qualidade de gente da estirpe de Pablo Aimar, Silva e David Villa.

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