quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Influenciado por Jorge Mendes, Wolverhampton tenta voltar à Premier League

Na atualidade, é difícil que o fã do futebol inglês reconheça no Wolverhampton Wanderers um importante time da Terra da Rainha. No entanto, os Wolves já conquistaram o título da primeira divisão em três ocasiões, a FA Cup em quatro turnos e a League Cup duas vezes. O clube das West Midlands chegou até mesmo a uma final da UEFA Cup, perdendo-a, em 1972, para o Tottenham. É claro: tudo isso faz muito tempo e há cinco anos não se vê o famoso uniforme negro-alaranjado na disputa da Premier League. Porém, com o toque do megaempresário Jorge Mendes, já se vislumbra o retorno da equipe à elite do futebol bretão.



O português já pode ser visto como o segundo idioma da esquadra inglesa. Do Porto chegaram o treinador Nuno Espírito Santo, o jovem volante Rúben Neves, o zagueiro Willy Boly, e o atacante Diogo Jota – que pertence ao Atlético de Madrid, mas representou os Dragões no último ano. Já em seu desembarque, esses encontraram duas crias da base do Benfica, Hélder Costa e Ivan Cavaleiro, ambos também com passagem pelo Monaco. Do Rio Ave, chegou o beque Roderick Miranda, outro Encarnado em sua formação, e, do Al-Hilal, o brasileiro Léo Bonatini, outrora destaque no Estoril.

Nas palavras de Laurie Dalrymple, diretor dos Wolves, Jorge Mendes é apenas um “parceiro conhecido [...] alguém de quem, devido à amizade com os donos, ouvimos opiniões e pegamos conselhos”, como reiterou ao Guardian. No entanto, a mesma reportagem indicou que o empresário português e o grupo Fosun International, que comprou o clube inglês, têm negócios em comum e que Mendes foi o grande responsável pelo ingresso do referido conglomerado no futebol.

O periódico revela, ainda, que outra empresa controlada pelo presidente da Fosun comprou ações da Gestifute, de Jorge Mendes. Não é preciso falar muito mais para concluir que hoje há enorme influência do lusitano no Wolverhampton, certo?

A despeito disso, é provável que os torcedores do clube não estejam ligando nem um pouco para o mistério e a obscuridade que rondam essa parceria. Isso porque, controvérsia a parte, o time vem jogando o fino da bola, despontando como um dos fortes candidatos ao acesso. Segundo publica o jornal O Jogo, já existe até mesmo um canto para o treinador Nuno Espírito Santo vindo das bancadas do Molineux Stadium. Em 12 jogos, o time soma 26 pontos e lidera a Championship, com oito vitórias, dois empates e duas derrotas.

No topo da artilharia da competição já aparece o nome de Jota. O ponta esquerda formado no Paços de Ferreira já foi às redes sete vezes. Pouco abaixo, Bonatini também se destaca, com cinco tentos anotados, além de ter construído mais quatro assistências. Nesse quesito, aliás, o líder da competição é Cavaleiro, com cinco. Os Wolves têm o segundo melhor ataque do certame e a terceira melhor defesa, dados que os levam a ter o melhor saldo de gols do torneio. Não há margem para dúvidas de que o momento vivido pelo clube é especial.

Para alcançar tais êxitos, Nuno Espírito Santo entrou na onda percebida na Premier League e tem alinhado sua equipe no esquema tático 3-4-3, oferecendo liberdade para seus talentosos e rápidos atacantes. Pelo caminho, já deixou importantes rivais, como o Aston Villa. É de se ressaltar, todavia, que quando enfrentou Cardiff e Sheffield United, os dois times que o perseguem na tabela, perdeu. Apesar disso, como é fácil perceber pelo prelúdio deste texto, trata-se de uma equipe em formação, que incorporou atletas novos, e tem agradado o treinador português:

“Foi um resultado muito bom e um desempenho fantástico – parabéns aos garotos! Penso que jogamos um futebol muito bom – estivemos totalmente em controle do jogo [...] Todos estão evoluindo, quem entra no time está aproveitando sua chance e estamos crescendo juntos”, disse o comandante ao site oficial do clube, após o triunfo contra o Aston Villa.



Alguns dados ajudam a entender como o time tem jogado. Agressivo, é o segundo com maior número de desarmes por jogo, o sexto que mais interceptações faz e o sexto que menos faltas comete. Ou seja: tem índices de aproveitamento na recuperação da bola elevados. Além disso, é o quarto com melhor aproveitamento de passes, com 80,8%, também o quarto com mais passes curtos ofertados, em média, e o quinto que menos aposta nas bolas longas.

É fácil perceber diante desse quadro que o Wolverhampton procura recuperar a bola a todo custo e trabalhá-la com cuidado e volume de jogo, sem precipitações e buscando evitar a prática do famigerado jogo de chutões, que ainda hoje caracteriza o futebol inglês nas divisões inferiores. O time também aposta na rapidez de seus atacantes, sendo responsável pelo maior número de gols marcados em contragolpes, até o momento. É, em síntese, uma equipe, que pressiona muito seus rivais e gere a bola conforme a situação: contra defesas fechadas, trabalha-a e cria o espaço; quando tem terreno para correr, promove contragolpes em velocidade.



Com jogadores jovens e habilidosos, que ainda precisam se provar no cenário do futebol mundial, o Wolverhampton larga bem na temporada e se lança como um candidato ao acesso à Premier League. A influência de Jorge Mendes é indiscutível, percebe-se seu toque em várias negociações concluídas pelo clube, o que inclui o treinador (que foi seu primeiro cliente da carreira). Entretanto, até agora, vem se obtendo êxito. Na esteira, do sucesso não se questiona muito o que é feito nos bastidores. Certo ou errado, no momento, o torcedor dos Wolves só quer comemorar, pois a cada rodada vai se tornando mais concreta a chance de sair do ostracismo.

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