quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Nabil Fekir, o protagonista do sonho do Lyon

Já faz algum tempo que o Lyon revelou ao mundo o talento do franco-argelino Nabil Fekir. De lá para cá, o camisa 18 sofreu lesões graves, perdeu seu parceiro de frente, Alexandre Lacazette, e também a chance de conquistar alguns títulos. Maior ainda é o período de seca vivido pelo clube. O último troféu foi levantado em 2012 e o derradeiro título francês está próximo de completar uma década, ficando reservado à memória gloriosa dos tempos em que Juninho Pernambucano brilhava no Stade Gerland, hoje substituído pelo moderno Parc Olympique Lyonnais. Apesar disso, contra os prognósticos, os milhões e estrelas do Paris Saint-Germain, Fekir tenta inspirar seus companheiros a uma conquista improvável, dificílima, mas não impossível.


Foto: Getty Images

Duvidar do fato de que 2017/18 projetou o melhor do jogador é tarefa inglória e nada recomendável. Não só pela qualidade de seu futebol, cada dia maior e mais completa, ou por seus números, que já são os mais representativos de sua carreira. Diante das adversidades, da perda de três referências vitais à equipe, o meia-atacante colocou a bola debaixo de um de seus braços, estendeu o outro para acomodar a faixa de capitão e tomou as rédeas do time. Sem Lacazette, Maxime Gonalons e Corentin Tolisso, coube ao atleta liderar o Lyon.


O 1,73m e a marra com a qual se comporta em alguns momentos (como no derby contra o Saint-Étienne, em novembro último, em que anotou dois tentos, conduzindo o time a uma goleada histórica, por 5 a 0, tirando a camisa e mostrando seu nome à torcida adversária) até poderiam desviar o foco do imenso talento de Fekir para outras questões. Contudo, sua forma atual tem tornado incrivelmente difícil tecer quaisquer argumentos negativos a respeito do francês. Na Ligue 1, passadas 22 rodadas, só ficou de fora de três encontros, sendo que dos 19 em que atuou, foi às redes em 12, somando quatro doppiettas.


Pinçadas algumas estatísticas, desenha-se um quadro que mostra um total de 19 gols, cinco assistências e 13 prêmios de melhor em campo*, em 26 jogos. Em um time com média de idade de 23,7 anos, o “experiente” Fekir, que disputa sua quinta temporada seguida, passou a ser referência indiscutível. Detalhe: aos 24 anos apenas. O Lyon, de quem não se esperava nada melhor do que a luta por uma vaga em competições europeias, acabou se transformando em grande incômodo para seus rivais.

É bem verdade que perdeu para o PSG, no primeiro turno, fora de casa. Apesar disso, vendeu cara a derrota. Em um campeonato marcado por goleadas impiedosas dos parisienses, que somam 68 tentos em 22 jogos, o Lyon perdeu por apenas 2 a 0. É bom que se diga, que nos confrontos contra Monaco e Olympique de Marselha, os outros perseguidores do PSG, o time saiu vitorioso. Ademais, na hora de receber o poderoso líder, mostrou que em seu novo estádio é ele quem tem mandado: venceu por 2 a 1. Um dos gols foi em uma cobrança de falta de Fekir, que deve ter acendido a chama do espírito de qualquer torcedor que ainda se lembra dos tempos de Juninho.

“Ele está fisicamente bem, melhor em sua cabeça e recuperou seu melhor nível. Desde o início da temporada, sinto que ele tem estado completamente focado no time. Confiei a ele a braçadeira de capitão, porque ele tem sido exemplar no campo com seu comportamento”, disse seu treinador, Bruno Genesio, em coletiva antes do último encontro frente o PSG.

A canhotinha infernal, os dribles em velocidade, e a personalidade forte (que em outros tempos o prejudicou) acabaram tornando o meia-atacante um dos grandes nomes da Ligue 1. Assim, retomou seu posto de selecionável na França, em meio a um respeitável grupo de jogadores de frente, que conta, por exemplo, com Antoine Griezmann, Kylian Mbappé e seu antigo companheiro Lacazette. A confiança atual é tanta que, na 3ª rodada, de perna direita marcou um gol soberbo do meio de campo. Apenas Edinson Cavani e Neymar têm mais participações diretas em gols no Campeonato Francês.



É evidente que a importância de Fekir para o Lyon é maior do que a dos expoentes sul-americanos para o PSG. Desempenho à parte, liderar um grupo de talentosos meninos, não é tarefa fácil. Bertrand Traoré, Maxwel Cornet, Houssem Aouar são apenas alguns dos jovens que se destacam no momento. Mariano Díaz, outro nome desse grupo, até já tem 24 anos, mas passou anos sem competir em alto nível, deixado de lado pelo Real Madrid.

No momento, são oito os pontos que separam o Lyon do PSG. Restam 16 rodadas por disputar. É difícil alcançar os parisienses? Sim, mas não é impossível. Certeza mesmo é que tudo o que os Gones alcançarem em 2017/18 passará pelos pés de Fekir. Hoje, não é mais apenas um bom jogador, sua temporada o coloca no rol dos melhores jogadores da França e, porque não, de toda a Europa. A versão atual do camisa 18 tem tudo: carisma, polêmica, responsabilidades, atitude, assistências e gols, muitos gols.

*Dados retirados do portal Whoscored

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