sexta-feira, 3 de agosto de 2018

O que o Fulham traz em sua volta à Premier League?

Os charmosos dias de futebol no estádio Craven Cottage estão de volta à Premier League. Após quatro temporadas difíceis na segunda divisão do futebol inglês, o Fulham conseguiu o retorno à elite em 2017/18. Sob a direção do sérvio Slavisa Jokanovic, o sólido time do acesso vai ganhando ainda mais corpo. Com algumas contratações de nível respeitável, sonhar com algo mais do que a permanência vai parecendo palpável.


Foto: Fulham FC


Seri: a contratação que confirmou as intenções do clube

Na janela de transferências do verão europeu de 2017, o Barcelona dividiu as manchetes de jornais com a figura do meio-campista Jean Michaël Seri. O jogador, então no Nice, foi durante um tempo uma espécie de sonho de consumo do clube catalão. As tratativas viraram novela e, no fim das contas, o marfinense acabou permanecendo na França. Sabia-se, entretanto, que isso não duraria muito.

Qual não foi a surpresa, todavia, quando o Fulham anunciou a contratação do jogador. Claro, ocorreu alguma desvalorização na última temporada. O Nice, que havia sido o terceiro colocado da Ligue 1 em 2016/17, ficou somente com o oitavo lugar em 2017/18. Entretanto, o atleta continuou sendo visto como bom investimento. Foi realmente inesperada sua negociação com o Fulham.

Foto: Premier League
A despeito disso, a contratação, concluída ao custo de £27 milhões, revelou a força que o time londrino quer mostrar em seu retorno. Deu a demonstração clara do que Jokanovic comentou, logo após o final da campanha do acesso:

“A Premier League é a liga mais competitiva e precisamos ser inteligentes [...] Precisamos mostrar ambição para ser um time de Premier League, também com dinheiro [em transferências]. Acredito que podemos jogar assim, mas precisamos saber o tipo de jogadores que necessitamos. Precisamos tentar dominar os times que podemos dominar”, disse ao Daily Times.

Seri leva consigo algumas qualidades ao Fulham. Embora tenha tido uma queda de forma no último ano — em parte, como o próprio assumiu, em decorrência da frustração proveniente do insucesso de sua transferência —, já revelou um poder para dominar as ações no meio-campo que impressiona. 

Ainda que não seja um ball winner, como um N’Golo Kanté, o marfinense tem capacidade para percorrer longas distâncias, recuperar bolas e auxiliar o time na construção das jogadas. Ele tem a fisicalidade que a Premier League exige e, mesmo abaixo no último ano, mostrou boa técnica: construiu cinco assistências e acertou, em média, 90,4% de seus passes. 

Deverá ser importante também para dar mais liberdade ao capitão Tom Carney, que poderá avançar mais vezes ao ataque e terá menos responsabilidades defensivas. Além de um ótimo reforço, Seri foi um aviso: o Fulham volta para ficar.

Schürrle volta à Inglaterra para recuperar prestígio

Quem também retorna à Premier League é um velho conhecido do Fulham. Outrora algoz, vestindo a camisa do rival Chelsea, o alemão André Schürrle fechou com o clube e busca recolocar sua carreira nos trilhos. Nas duas vezes em que enfrentou os Cottagers, o jogador marcou três gols. 

Foto: Fulham FC
Seu período com a camisa dos Blues foi irregular. Alternou entre a reserva e a titularidade, fez uma série de funções diferentes — cobrindo as pontas direita e esquerda e atuando até mesmo como falso 9 —, mas nunca alcançou o potencial que se esperava quando foi contratado. Ainda assim, tinha mercado. Em tempos de fortuna, o Wolfsburg pagou £29 milhões por seus serviços.

Apesar de ter se mantido uma opção regular do treinador Joachim Löw na seleção alemã, Schürrle também não se firmou com a camisa dos Lobos. Foi negociado com o Borussia Dortmund e, outra vez, não impressionou. Agora, todavia, já anda bastante desprestigiado. Na reta final das eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018 deixou de ser chamado e não foi convocado para o certame. Desde 2017 está fora dos planos da Mannschaft.

A necessidade de retomar sua carreira certamente pesou na decisão de Schürrle, que também admitiu que o estilo de jogo implantado por Jokanovic (e que será tentado em nível de competitividade mais alto) o influenciou: “Quando eu pensei em assinar com o clube e soube que poderia acontecer, vi alguns jogos na internet e alguns treinamentos e estive observando o estilo de jogo. Me identifiquei 100% com ele, porque gosto de posse bola, ataques, velocidade e intensidade”.

Mais força física: Mitrovic fica e Mawson reforça a zaga

Além de Schürrle e Seri, o Fulham também anunciou a contratação em definitivo do centroavante Aleksandar Mitrovic, que havia sido emprestado ao clube pelo Newcastle na última temporada, e do zagueiro Alfie Mawson, ex-Swansea. Em comum, os atletas trazem muita força física ao time. 

Durante a Copa do Mundo de 2018, apenas o artilheiro russo Artem Dzyuba venceu mais duelos aéreos do que Mitrovic. Por jogo, o atacante sérvio ganhou em média 7,3 bolas pelo ar. Fez também 1,7 desarmes e 1,7 faltas (o que é bastante, considerando ser o atleta um centroavante). O jogador não é uma novidade para o torcedor do Fulham, mas sua permanência para a disputa da Premier League certamente será um trunfo para o clube em alguns momentos. Jogo apertado? Bola na área para Mitrovic.

Outro jogador fisicamente brutal, e, apesar disso, rápido, Mawson conseguiu o prodígio de ser o grande destaque do rebaixado Swansea. Ele esteve presente em cada minuto da campanha do time na última temporada. Apesar de ter sido rebaixado, o clube galês ainda sofreu menos gols do que outras sete equipes, muito disse em razão da solidez do zagueiro, que chegou a ser convocado para a seleção inglesa — embora ainda não tenha estreado

O jogador foi outro que ressaltou a importância do trabalho que vem sendo desenvolvido em Craven Cottage: “Estou empolgado com o projeto que está sendo trabalhado aqui. O futebol jogado na última temporada foi bonito de se ver e eficiente. Mal posso esperar para fazer parte disso”.


O saldo

Além dos citados, compõem agora o elenco dos Cottagers também o goleiro argentino Fabri, ex-Besiktas, e o lateral esquerdo Maxime Le Marchand, outro ex-Nice.

Se o time de Jokanovic mostrou enorme força ofensiva na última temporada, obtendo o segundo melhor ataque da Championship (79 gols marcados), ciente da diferença de nível entre a segunda e a primeira divisão, buscou ganhar corpo. 

Seri é um reforço de primeiro nível para o meio-campo; Mawson é jovem, tem experiência de Premier League e vem, individualmente, em ótimo momento; Schürrle traz alguma imprevisibilidade ao ataque e precisa retomar a carreira; e a permanência de Mitrovic garante enorme presença de área ao time. 

Assim, Carney tende a manter um papel importante na equipe e o prodígio Ryan Sessegnon passa a ter melhores condições para dar continuidade a sua evolução. O trabalho de Jokanovic, que começou em dezembro de 2015, vai tendo continuidade e não será surpresa alguma se o Fulham conquistar, sem sofrer muito, uma posição confortável na tabela da Premier League 2018/19.

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