terça-feira, 28 de agosto de 2018

Um novo começo para Jack Rodwell

É vivida a temporada 2007/08 e um jovem volante começa a despontar com a camisa do Everton. Ele tem 16 anos e representa uma grande esperança para os Toffees e a Seleção Inglesa, que já representou nos escalões sub-16 e 17. Na campanha seguinte, inicia os trabalhos como titular e se destacando, protegido pela experiência de Mikel Arteta e Leon Osman. Em 2011, dá mais um passo rumo ao topo, com a estreia por seu selecionado e o recebimento de elogios do treinador Fabio Capello. Porém, com o passar dos anos, a vida começa a ficar difícil e a queda começa implacável. Aos 27 anos, poucos lembram seu nome. Mas sempre é tempo de recomeçar, Jack Rodwell.


Foto: rovers.co.uk


Ascensão e queda meteóricos

Apesar de ter tido um passado nas categorias de base como zagueiro, Rodwell apareceu em Merseyside como um volante — alto, forte, maduro, e também possuidor de desenvoltura para ir à frente. Em 2009, então uma jovem promessa falou sobre si, em entrevista ao Guardian: "gosto de jogar a partir da defesa, provavelmente é por isso que estão me usando no meio-campo, porque fico confortável com a bola nos pés”.

Foto: Action Images
A partir da temporada 2009/10, Jack assumiu o comando do meio do Everton e só largou o osso para dar um salto bem alto.

O Manchester City já havia sido vendido e recebido a injeção de dinheiro árabe que o permitiu mudar de patamar. Além disso, acabara de colocar fim a uma espera de mais de 40 anos pelo título do Campeonato Inglês. Esse foi o cenário que acolheu o garoto em 2012, vendido por €15 milhões, depois de fazer 109 jogos pelos Toffees.

Para parte da torcida do que o clube o formou, suas ambições estavam mais ligadas ao lado financeiro do negócio do que ao esportivo. E o jogador não conseguiu seu espaço.

Concorrendo com jogadores como Javi García, Gareth Barry, Nigel de Jong e Yaya Touré, Rodwell se escondeu. Na primeira temporada atuando pelos Citizens, só jogou 15 partidas (atuando em média só por 40 minutos em cada uma delas). Poder-se-ia pensar que se tratava de um período de adaptação, mas o ano que se seguiu provou o contrário: dessa vez foram apenas 10 jogos disputados.

É bem verdade que sua trajetória foi extremamente atrapalhada por contusões musculares, mas ao final daquele ano ficou claro que não seria no Manchester City que ele continuaria seu desenvolvimento. Em 2014/15 acabou vendido ao Sunderland por €12,6 milhões.

A sorte, contudo, não o acompanhou. Ele até teve a titularidade na maior parte do tempo — digo, na maior parte do tempo em que não estava no departamento médico.

Foto: Getty Images
Além disso, a fase do Sunderland também não ajudou. Depois de anos de luta contra o rebaixamento, caiu, por fim, em 2016/17. E não ficou por aí, porque o rebaixamento à terceira divisão se seguiu na campanha seguinte.

Aliás, nesse último ano, em determinada parte da temporada seu treinador de então, o galês Chris Coleman, chegou a levantar uma questão importante: “para ser sincero, eu não sei sequer onde Jack está [mentalmente]”.

Alegadamente, Rodwell queria deixar os Black Cats, o que acabou conseguindo, com o clube terminando seu contrato um ano antes do final.

Ele só tem 27 anos e uma chance de ouro

Mas há mais questões em jogo. Outrora considerado uma grande esperança nacional, Jack tem apenas 27 anos, um longo histórico de lesões e, recentemente, gerou controvérsias extracampo. Quem, em sã consciência, apostaria em um jogador com esse perfil? Um time que está há anos tentando se reerguer, o Blackburn Rovers. Depois de passar um período de testes no Watford, sem custos, o inglês acertou um contrato de uma temporada com os alviazuis, recém-promovidos da terceirona e distantes da Premier League desde 2011/12.

Ao menos o discurso de clube e jogador está afinado: ambos precisam dar a volta em suas trajetórias, recolocá-las nos trilhos. Se os dias de Seleção Inglesa estão lá, num passado bem distante, sua carreira precisa estar focada no hoje. Há tempo para uma reviravolta. Porém, uma série de fatores influenciam esse caminho.
Foto: Sunderland AFC/Ian Horrocks

Física e mentalmente, Rodwell terá de estar preparado. Só assim conseguirá a sequência necessária. Além disso, o desempenho coletivo do Blackburn será fundamental, sobretudo porque o time carece de referências e haverá muita expectativa ao seu redor. Caso o clube não consiga bons resultados, o volante certamente será um dos mais cobrados. Para já, o início de campanha é regular e invicto: são três empates e duas vitórias, em cinco jogos.

A fala do jogador parece madura, transparecendo a exata noção do momento em que sua carreira se encontra:

“É importante para mim entrar lá e voltar a jogar futebol. Houve altos e baixos durante os anos, mas isso está no passado e agora só estou olhando para frente, focado em meu futuro”.

Depois de viver uma temporada em que disputou apenas três jogos, viveu conflitos extracampo, se desmotivou e acabou rebaixado, Rodwell tem mais uma oportunidade em sua carreira. Dessa vez, entretanto, começa vindo de baixo e ninguém sabe bem o que esperar do volante. Embora tenha só 27 anos, Jack tem agora a oportunidade de ouro. Indo bem, pode recuperar o tempo perdido, indo mal...

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