quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Artilharia pesada com Nicolás Blandi

A trajetória de Nicolás Blandi não é o que se possa chamar de um conto de fadas. Admirador de Hernán Crespo e Gabriel Batistuta, iniciou sua carreira no Boca Juniors, mas precisou logo sair para ganhar espaço. Naquela altura, a temporada 2010/11, o elenco xeneize ainda contava com a experiência de Martín Palermo, além dos gols de Lucas Viatri. Nico foi ao Argentino Juniors e mesmo lá não conseguiu o desempenho esperado, marcando só seis vezes em 27 jogos. Voltou e não se firmou. Precisou de tempo e de uma transferência para o San Lorenzo para desencantar.


Foto: Telam



Adaptação difícil e passagem frustrante pelo futebol francês

Depois de marcar 20 gols em 61 jogos pelo clube de La Boca, Blandi foi vendido ao San Lorenzo, na metade da temporada 2013/14. Reserva na maior parte do tempo, seguiu para o bairro de Boedo para tentar recomeçar. Claro, era ainda jovem (24 anos), mas, tendo aspirações na carreira, não poderia mais esquentar o banco de reservas. O pior foi que sua contribuição inicial também passou longe daquilo que se esperava.

O atacante até fez parte do elenco que conquistou a Copa Libertadores da América em 2014, mas seu impacto foi diminuto. Marcou apenas um gol e sequer atuou nos jogos finais. Naquela altura, a titularidade cabia ao veterano Mauro Matos. Depois de viver um jejum assustador no início da temporada 2014/15, passando em branco em 14 partidas consecutivas e ficando na reserva no Mundial de Clubes, acabou emprestado ao Evian.

Foto: Diário Olé


Na França, continuou a viver seu inferno astral. É claro que a fase do time, rebaixado ao final do Campeonato Francês, não ajudou. Mas a verdade é que seu desempenho seguiu pífio, além de ter tido problemas físicos. Em seis jogos, anotou um tento solitário e acabou voltando ao clube para a disputa da fase final do Campeonato Argentino de 2015.

O desempenho deu leves sinais de melhora, com o jogador encerrando a temporada com gols nas duas rodadas finais, contra os modestos Temperley e Atlético Rafaela. 

“Ter ido à França me ajudou muito a entender algumas coisas, especialmente a valorizar o lugar em que estava. Estar em um grande clube como o San Lorenzo, que me dá a chance de disputar os torneios e atuar com jogadores de muita qualidade, estando a meia hora de casa, é algo importantíssimo”, revelou o jogador ao Clarín, em setembro de 2017.

Uma trajetória sólida que começa em 2016

Embora não tenha conseguido ajudar o San Lorenzo a fazer uma boa campanha na Copa Libertadores de 2016, caindo ainda na fase de grupos, Blandi finalmente teve o que comemorar com a camisa do Ciclón.

Em um daqueles campeonatos com fórmulas estranhas comuns ao futebol argentino, o San Lorenzo foi excelente na primeira metade do ano em solo doméstico. Líder do Grupo A, fez a final do Campeonato Argentino com o Lanús. Perdeu por 4 a 0, mas viu aquele jogador contratado para fazer gols balançar as redes rivais oito vezes, em 13 jogos.

Foto: Evian
Outra vez, o campeonato nacional mudou de fórmula, adotando um calendário semelhante ao do futebol europeu. E em 2016/17 ficou claro do que se tratava Nicolás Blandi.

Ele viveu um início de temporada perfeito, anotando quatro gols em suas quatro primeiras partidas. Além disso, teve boa prestação na Copa Sul-Americana, marcando cinco gols em oito jogos e ajudando o time a chegar às semifinais, perdendo para a heroica Chapecoense do saudoso goleiro Danilo.

Daí em diante, Blandi tem tido sempre bons números. No todo da campanha de 2016/17, treinado por Diego Aguirre, fez 11 gols em 23 jogos, aos quais se somaram mais cinco, em 10 encontros, pela Copa Libertadores de 2017.

Titular absoluto, manteve a boa forma no Campeonato Argentino 2017/18, balançando as redes nove vezes em 22 jogos e ajudando o San Lorenzo a terminar o certame na terceira posição, mais uma vez classificado para a Copa Libertadores.

O início brilhante no Campeonato Argentino 2018/19

Ainda vivo na Copa Sul-Americana corrente, em que Nico já fez três gols em quatro jogos, o San Lorenzo vive um momento instável no início do atual Campeonato Argentino. Mas só o clube, porque seu artilheiro — e agora também capitão — está on fire. São quatro jogos disputados, quatro empates e três tentos na conta do goleador. Após a última partida, contra o River Plate, o zagueiro millonário Jonathan Maidana afirmou: “Ele se antecipou bem no primeiro pau e não o paramos. Blandi é difícil [de marcar]”.

Hoje, os Cuervos têm várias referências, gente como Fabricio Collocini, Gonzalo Rodríguez ou Fernando Belluschi. Mas a maior delas, indiscutivelmente, tem sido Blandi. “Sempre trabalho para marcar e jogar a partida concentrado, com convicção”, disse o atacante após a referida partida contra o River.


Ele esteve perto de deixar o estádio Nuevo Gasómetro, inclusive especulado no Santos, mas ficou e dá continuidade a uma boa fase que já vive há um bom período. Nico demorou a engrenar, mas quando o fez…

Um tipo peculiar fora dos campos, praticante da leitura, culinária e pesca, interessado em psicologia e na advocacia, como já relatou aos periódicos Clarín e La Nación, Blandi precisou de tempo, mas encarnou as grandes qualidades dos bons centroavantes argentinos. Bom no pivô, poderoso na bola aérea e extremamente goleador — isso sem mencionar sua garra — Nico se confirmou um artilheiro formidável.

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