segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Rodri, um volante moldado para o Cholismo

A temporada 2018/19 começou um pouquinho diferente das últimas para o torcedor do Atlético de Madrid. Pela primeira vez, desde a chegada do treinador Diego Simeone em 2011, os rojiblancos não têm mais a experiência de seu capitão. Aos 35 anos, Gabi decidiu se juntar a Xavi no Al-Sadd, do Catar. Apesar disso, o clube não perdeu tempo e contratou um jovem com todas as credenciais que o técnico argentino esperava. Rodri chegou, vestiu a camisa e já é destaque. 


Foto: Divulgação/ Atlético de Madrid


Ascensão em meio às dificuldades

Embora tenha conquistado suas primeiras oportunidades enquanto jogador profissional no ano de 2015, aos 19 anos, Rodri demorou um pouco a se firmar. Curiosamente, começou a sua formação justamente no Atlético, mas completou-a em La Cerámica, vestido de amarelo. Ele viveu de perto o processo de renascimento do Villarreal. Sob o comando de Marcelino Toral — responsável por seu debute — o time voltou a ser uma força importante no futebol espanhol.

O jovem volante nunca teve que lidar com a pressão de luta contra o rebaixamento. Ainda assim, no ano de seu surgimento, pouco jogou. Mesmo em 2016/17, quando ganhou minutos, foi uma mera alternativa ao par de meio-campistas formado pelo capitão Bruno Soriano e por Manu Trigueros. A situação começou a mudar mesmo no ano seguinte e por um motivo nada bom. 

Na pré-temporada, Bruno passou por uma intervenção cirúrgica para corrigir um problema na tíbia da perna esquerda. Era para a recuperação ter sido rápida, mas o líder seguiu sentindo dores por um longo tempo. Ele esteve para retornar aos gramados por várias vezes durante a temporada, mas acabou ficando fora da campanha completa. Rodri assumiu o rojão de substituí-lo e fez um grande ano em 2017/18.

O garoto conseguiu obter êxito na missão que se lhe apresentou. Foi o homem base do meio-campo de um time que atuou quase sempre no esquema tático 4-4-2, com peças muito mais voltadas para o ataque. Foi organizador, qualificou saída de bola e deu ordem à construção do jogo do Submarino Amarelo. Em média, considerando jogos do Campeonato Espanhol, fez 2,8 desarmes e 1,4 interceptações durante a temporada. Isso tudo mantendo uma média superior a 90% de acerto em seus passes. Houve ainda um plus: tendo 1,90m, também se destacou na bola aérea; no período referido, venceu 2,7 duelos.

Foto: Divulgação/ Villarreal


Se havia alguma dúvida de que o jogador estava pronto, essa acabou. Rodri substituiu com excelência o jogador mais regular dos últimos muitos anos do Villarreal. Perdeu apenas um jogo durante todo o campeonato espanhol e só ficou no banco uma vez (sendo utilizado). Provou-se uma força da natureza, do tipo que faz a diferença em qualquer time em que atue.

Com esse desempenho, conquistou seus primeiros chamados à Seleção Espanhola e surgiu como o herdeiro perfeito de Gabi. Atento a isso, Cholo Simeone não perdeu tempo: buscou logo o garoto. Este recebeu a histórica camisa 14 do antigo capitão e que também foi de Simeone, em seus tempos de volante do Atleti.

Adaptação imediata na volta ao clube e grandes jogos

Desde que retornou à capital espanhola, Rodri não precisou lutar por um espaço no time titular. Com um elenco curto, Simeone logo mostrou a cara que desejava dar ao time colchonero. O característico 4-4-2 foi mantido. Centralizado, Saúl Ñíguez ganhou a parceria do novo contratado, tendo ainda as companhias de Thomas Lemar — outro recém-chegado — pela esquerda e de Koke pela direita. 

Rodri já havia impressionado o treinador atleticano na última vez em que o Villarreal enfrentou os rojiblancos. E isso continuou acontecendo. Em sua estreia pelo novo time, na final da Supercopa da Europa, foi titular contra o rival Real Madrid e não decepcionou, muito pelo contrário, foi elogiado. Sua saga continuou com titularidade na maior parte das vezes, e ele seguiu chamando a atenção. 

Presente em alguns minutos da imensa goleada da Espanha contra a Croácia, em partida amistosa que terminou 6 a 0, fez um jogo soberbo contra o Eibar, na volta. Melhor em campo nos critérios determinados pelo site Whoscored, foi quem mais desarmou, cinco vezes, e acertou impressionantes 97% de seus passes (56/58). Não cometeu uma falta sequer. 

Foto: Divulgação/ Atlético de Madrid/ Alberto Molina
Na sétima rodada de La Liga, no empate sem gols contra o Real Madrid, voltou a ser extremamente eficaz, como relatou o diário Marca

“Mais uma vez em sua primeira temporada como rojiblanco, Rodri fez uma grande partida. Voltou a dar aula de como dar oxigênio à equipe com seu jogo [...] durante os primeiros 45 minutos, acertou 25 passes… de 25 tentados [...] não abaixou o nível na segunda parte [...] Rodrigo terminou a partida com cem por cento de acerto de seus passes: 48 de 48 [...]
Só aconteceram sete rodadas do campeonato espanhol e uma partida da Champions [...] mas este tempo foi suficiente para que aquele canterano que saiu em busca de minutos tenha ganhado seu lugar no Atlético”.

Importante também é perceber a grande zona de influência de Rodri na partida, que fica evidenciada pelo mapa de seus passes. Quando retornou ao Atleti, o volante disse que provavelmente precisaria de um tempo para se adaptar às exigências táticas de Simeone. Parece não ter sido necessário esse período. No campo, o jovem de 22 anos nada tem deixado a desejar em relação ao seu antecessor. Rodri dá ordem ao meio-campo colchonero, é o principal ladrão de bolas e um jogador em quem seus companheiros têm podido confiar. Rodri é o futuro.

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