terça-feira, 27 de novembro de 2018

A afirmação de Philip Billing, em meio à dura missão do Huddersfield Town

Desde que chegou à Premier League, o Huddersfield Town tem tido uma só tarefa: manter-se na elite do futebol inglês. Passaram-se mais de 40 anos até que, liderado pelo treinador alemão David Wagner, o clube conseguiu retornar ao mais alto nível. E se foi difícil voltar, mais ainda é permanecer. Em 2017/18, tal tarefa foi alcançada. Na temporada atual, as dificuldades têm sido semelhantes, mas o clube confia na evolução de uma joia. Enfim, parece ter chegado a hora de Philip Billing.


Foto: PA Sport


Um jogador essencialmente diferente

Apesar da origem nigeriana, Philip Billing é um jogador dinamarquês, que chegou ao Huddersfield ainda em tenra idade, com 16 para 17 anos. Descoberto por um dos olheiros do clube, deixou a tranquilidade de Esbjerg, onde atuava no clube homônimo, para passar por testes em uma equipe que confessa: não fazia ideia da existência até então. Mas era a Inglaterra, e se tratava de um time de segunda divisão, não podia ser uma escolha tão ruim. Não foi.

Foto: Divulgação/Huddersfield
Com 1,93m é impossível não percebê-lo em campo. Um de seus primeiros treinadores, Toni Carss, hoje responsável pelas categorias de base do Blackburn Rovers, ressalta que o tamanho e a cabeleira, em um primeiro momento, chamaram logo a atenção, mas também relata que era impossível ignorar as coisas que ele era capaz de fazer com sua perna esquerda, a tranquilidade com a qual procedia e, além disso, sua elegância. Ele sabia que estava diante de um jogador destinado a assumir as rédeas do meio-campo do time de Yorkshire. 

Foi necessário, entretanto, algum tempo para que o jogador se afirmasse — algo absolutamente normal. Incomum foi sua estreia como profissional em um contexto de intensa competitividade, como é o da Championship, ter acontecido logo aos 17 anos.

Era a última rodada da competição de 2013/14 e, enquanto o Leicester City comemorava o título, o Huddersfield cumpria tabela. Então, o treinador Mark Robins chamou Billing, faltando 14 minutos para o fim do jogo. Ele entrou na vaga de Jonathan Hogg, um de seus atuais companheiros de meia-cancha.

Alguns problemas físicos e certa falta de postura que o próprio jogador assume como “indolência” acabaram o deixando de fora da integralidade da temporada seguinte. A lição foi aprendida, mesmo porque estava claro para o próprio atleta que seu afastamento não se deveu a critérios técnicos.

A afirmação aos 22 anos

Billing reapareceu no time em 2015/16 (marcando seu primeiro gol como profissional, em um tirambaço contra o Nottingham Forest), mas só ganhou verdadeiras chances em 2016/17. E seu sucesso foi equivalente ao do time. Embora não tenha sido titular durante a maior parte da campanha, alcançou essa condição em 13 das 24 partidas em que atuou, já sob o comando de Wagner. Lesionado nas partidas dos playoffs, viu de longe seus companheiros garantirem a vaga na Premier League.

Quando tudo indicava sua afirmação, já na elite, com a titularidade nas quatro primeiras partidas da competição, o dinamarquês sofreu grave lesão no tornozelo — ficou fora do time entre as rodadas nove e 24. Reapareceu na fase final da campanha, mas passou por um período de recuperação e não retomou, de imediato, a condição de titular.


Foi na temporada em curso que o grandalhão conquistou seu lugar fixo no onze inicial dos Terriers. Compondo o meio-campo com Aaron Mooy e Hogg, integrou o time em todos os jogos até o momento. Seu desempenho vem confirmando o que seus treinadores de base já sabiam: seu talento é indiscutível, mas não é apenas a qualidade do dinamarquês que tem fornecido as credenciais para se falar que esta tem sido sua temporada de afirmação, mas sua regularidade. 

Billing é grande esperança atuando em um meio-campo forte

Embora o Huddersfield atue às vezes no esquema tático 4-2-3-1, o mais normal é David Wagner optar pelo 3-5-2. Essa realidade tem colocado Billing, Mooy e Hogg juntos com frequência. Se o segundo é quem mais cria oportunidades de gol por jogo (1,6 por partida) e o último é o grande cão de guarda, o líder da estatística de roubadas de bola (três por jogo em média), o garoto dinamarquês tem se mostrado um híbrido, que faz de tudo um pouco.

Sua estatura o torna alguém competente na recuperação de bola pelo ar, tanto nas bolas paradas quanto na primeira e segunda bola vindas de tiros de meta e lançamentos longos. Isso dá uma enorme vantagem ao Huddersfield, que é o terceiro time que mais vence duelos aéreos. Só Billing ganha 2,8 em média por encontro. Além disso, ele é o segundo atleta com mais desarmes da equipe, também com média de 2,8 por jogo.

O dinamarquês também já anotou um gol (o que é representativo, dado o fato de que o clube tem apenas oito), arrisca uma média de 1,5 chutes por jogo, mantendo uma registro razoável de 82,3% de aproveitamento dos passes. Traduzindo em palavras, Billing é fundamental na retomada da bola, pelo chão e pelo ar, é a mola que liga a defesa ao ataque e ainda cria ocasiões de gol para sua equipe; com elegância, destreza e refino técnico com a perna canhota.



“Ele [Billings] tem jogado muito bem. Desde que cheguei pude ver que tinha muita habilidade. Essa temporada ele está focado e jogando com consistência”, disse Mooy, em entrevista coletiva em outubro último. Após o empate contra o Everton, um pouco antes, em setembro, o garoto já havia sido elogiado por seu treinador: “Ele jogou muito bem com Aaron [Mooy] no meio. Eles realmente fecharam espaços e trabalharam duro, e não foi fácil para Phil [Billing], porque recebeu um cartão amarelo cedo”.

Outra consequência de seu bom momento deverá ser o recebimento de uma convocação, sua primeira, à Seleção Dinamarquesa principal (atualmente defende a sub-21). Ao menos é o que pensa seu companheiro de clube e também dinamarquês, o zagueiro Mathias Jørgensen: "Ele tem, definitivamente, o nível para jogar pela seleção nacional e já pode fazê-lo agora", disse em coletiva, ainda em 2017.

Certo é que a luta do Huddersfield está apenas começando e deve durar toda a campanha. Seu orçamento pequeno e o elenco limitado não permitem uma análise diferente — ainda que o trabalho de David Wagner seja elogiável. Para tanto, aposta na força de seu meio-campo (fundamental na vitória recente contra o Wolverhampton), que tem o auge de Hogg (29 anos) e Mooy (28), mas conta com a juventude de alguém que está em plena evolução, conhece os erros de seu passado e só pensa em garantir, de uma vez por todas, a titularidade.

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