segunda-feira, 22 de julho de 2013

Internazionale x Milan: o Derby della Madonnina

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Dando mais um passo na empreitada que busca explicar a origem das rivalidades dos Clássicos do Mundo, apresento o encontro entre Internazionale x Milan, o Derby della Madonnina.

Arte: O Futebólogo

Internazionale e Milan, rivais locais da cidade de Milão, começaram a se enfrentar oficialmente em 1909, um ano após a fundação da Inter, em 9 de março de 1908. A equipe Nerazzurri foi criada por um grupo de dissidentes vindos do Milan, formado por italianos e suíços. Naquela altura, a divergência se irritou com o fato de jogadores estrangeiros serem preteridos, com os Rossoneri privilegiando atletas italianos. Assim, o novo nome, Internazionale, fez completo sentido: tratava-se de uma equipe para todos: italianos e estrangeiros. A rivalidade nasceu ali mesmo. O Milan, por sua vez, surgira em 1899 e, além de futebol, possuía uma equipe de críquete. 

O Derby dela Madonnina faz referência à famosa estátua de bronze da Virgem Maria, localizada na Catedral de Milão.

Milano Madoninna

Nos primórdios, ainda no princípio do século XX, houve divisão entre a população de Milão. De um lado, as zonas mais populares da cidade adotaram o Milan; do outro, as classes média e alta passaram a alentar a Inter. Contudo, passados vários anos, essas diferenças se dissiparam. Mesmo antes da virada do século, já não cabia mencionar esse tipo de divisão — que, não obstante, foi mais um fator de cisão histórica entre as equipes.

É impossível falar no dérbi de Milão sem mencionar importantes presenças. A primeira delas, indubitavelmente, será a de Giuseppe Meazza. O craque foi um símbolo para os Nerazzurri. Embora tenha atuado um pouco no Milan, em período de guerra, il Balilla tem seu nome impresso na história interista. Pela equipe, anotaria 243 gols, em 365 partidas; somaria três títulos nacionais, além de um da Coppa Italia. Todavia, também seria um nome de importância nacional. Representando a Azzurra, conquistaria duas Copas do Mundo, em 1934 e 38. 

Onde entra sua importância para a rivalidade? Durante anos, o principal estádio de Milão se chamava Nuovo Stadio Calcistico San Siro. Porém, após o falecimento de Meazza, em 1979, a cancha foi rebatizada, passando a homenagear o herói finado. A alteração causou polêmica. Então... Quando o Milan joga, fala-se em San Siro; quando a Inter é quem recebe seus adversários, Giuseppe Meazza.

Giuseppe Meazza

Sandro Mazzola, ídolo da Inter, e Gianni Rivera, seu equivalente milanista, são outros dois personagens que merecem destaque. Protagonistas dos anos de maior equilíbrio do clássico milanês, e grandes amigos fora das quatro linhas, conduziram suas equipes a uma série de sucessos, em um período em que um rival puxava o outro, com as equipes sendo, ainda, lideradas por treinadores históricos. Na casamata interista, estava Helenio Herrera; na milanista, Nereo Rocco.

A saga triunfal se iniciou com o sucesso do Milan na Liga dos Campeões, em 1962-63. A conquista do rival, porém, impulsionou o bicampeonato da Inter, nos exatos dois anos seguintes, entre 1963 e 65. Em terreno nacional, o título italiano alcançado pelos milanistas em 1961-62 estimulou as glórias obtidas por sua antagonista entre 1962-63, 64-65 e 65-66. Se a rivalidade, pelo fator local, já era grande, no momento em que os homens de azul e preto e de vermelho e preto se tornaram hegemônicos nacionalmente, ela subiu de patamar.

Entrando na máquina do tempo, chega-se anos 1980, quando Paolo Maldini e Giuseppe Bergomi assumiram a condição de bandeiras dos rivais. Com mais de 20 anos de serviços futebolísticos prestados única e exclusivamente para Milan e Inter, respectivamente, os zagueiros viveram de tudo. Ao final de suas trajetórias, Maldini registraria 902 jogos pelo rossonero, e Bergomi 756 pelo nerazurro. Outro destaque para o milanista é o fato de ser quem mais disputou o Derby della Madonina na história: foram 56 participações. Bergomi figura em terceiro com 44, atrás de Javier Zanetti, outro ícone interista.

Gianni Rivera Sandro Mazzola

O dérbi também foi perpassado por uma série de brasileiros de primeira linha. José Altafini, Kaká, Serginho, Thiago Silva, Cafu, Dida, Leonardo, e também Ronaldo, Robinho e Ronaldinho, tiveram grande importância em campanhas de sucesso do Milan. Pelo lado da Inter, Júlio César, Lúcio, Maicon, Zé Elias, o próprio Ronaldo (apesar de suas sucessivas lesões) e Adriano deixaram sua marca.

Embora tenha havido muito equilíbrio no clássico durante todos os tempos, até a década de 1950 a Inter teve superioridade em relação ao Milan. Houve, então, um período que durou até os anos 1980 e que ficou marcado por imenso equilíbrio. Todavia, a partir do momento em que o Milan se tornou propriedade do controverso Silvio Berlusconi, em 1986, a equipe Rossonera assumiu a dianteira, dominando o encontro e conquistando mais títulos do que sua antagonista.


Até a data deste texto, os rivais milaneses haviam se enfrentado 279 vezes, totalizando 108 triunfos do Milan, 73 empates e 98 vitórias da Inter. Em suas salas de troféus, ambas as equipes possuíam 18 títulos da Serie A. Além disso, eram sete edições de Coppa Italia na conta interista, contra cinco milanistas. Continentalmente falando, os Rossoneri apresentavam um registrou superior, detendo sete conquistas da Liga dos Campeões, contra três dos Nerazzurri. Haviam sido conquistados ainda quatro Mundiais de Clubes pelo Milan e três pela Inter.

Em outros registros importantes, tem-se que o maior artilheiro da história do encontro é o ucraniano Andriy Shevchenko, ex-jogador do Milan, autor de 14 gols. Já a maior goleada do embate aconteceu em 1918, quando os homens de vermelho e preto venceram por 8 a 1. São dignas de nota, ainda, duas ocasiões em que o clássico transcendeu as fronteiras italianas. Nas temporadas 2002-03 e 2004-05, o Milan eliminou a Inter da Liga dos Campeões — na primeira ocasião, o Milan acabaria com o caneco de campeão.


Ao todo, 34 jogadores haviam atuado pelos rivais, destacando-se as figuras emblemáticas de craques como Roberto Baggio, Edgar Davids, Patrick Vieira, Meazza, Clarence Seedorf, Hernán Crespo, Christian Vieri, Zlatan Ibrahimovic, Mario Balotelli e dos brasileiros Ronaldo e Mancini.

Em tempos recentes, nenhuma das equipes vive fase favorável. Após alguns sucessos recentes, passam por um período de reestruturação. Hoje, o Milan, terceiro colocado na última temporada está mais pronto que o rival, que aposta em atletas sul-americanos. A expectativa é a de que a Inter, que terminou em nono lugar no último campeonato, lute pelo menos por uma vaga em competições europeias. Contudo, a história ensina que o futebol é cíclico. Quando menos se esperar, o Derby della Madonnina pode reclamar o espaço que mais de um século de futebol lhe conferiu.

Abaixo as escalações recentes das equipes:

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