Times de que Gostamos: Deportivo La Coruña 1999-2000

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Times de que Gostamos: Deportivo La Coruña 1999-2000

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Depois de lembrar o timaço do Porto da temporada 2003-2004, recordo o esquadrão do Deportivo La Coruña, da temporada 1999-2000.

Em pé: Roy Makaay, Mauro Silva, Romero, Jokanovic, Naybet, Songo'o. Agachados: Manuel Pablo, Victor, Fran, Donato e Djalminha.

Time: Deportivo La Coruña

Período: 1999-2000

Time base: Jacques Songo’o; Manuel Pablo, Naybet, Donato, Romero; Mauro Silva, Flávio Conceição; Victor, Djalminha, Fran; Makaay. Téc. Javier Irureta.

Conquista: Campeonato Espanhol

Donato Deportivo La Liga 2000
Foto: Diario AS
Na transição entre os séculos XX e XXI, um dos dois intrusos no duopólio que Barcelona e Real Madrid exercem na Espanha, junto com o Valencia, foi o Deportivo La Coruña. Desde o princípio dos anos 1990, impulsionado por novos investimentos — muitos deles em jogadores brasileiros —, o Dépor ganhou importância no cenário nacional. Quando se desenhou a campanha de 1999-00, os galegos já haviam sentido o gosto de um primeiro título de grande importância, com a Copa do Rei, de 1994-95. Além disso, tinham ficado com dois vice-campeonatos espanhóis, em 1993-94 (em que dependeu apenas de suas forças para levantar o caneco e falhou na hora H) e 1994-95. 

No final dos anos 1990, já calejado, o time treinado por Javier Irureta finalmente encontrou a consagração nacional máxima. Aquele time confirmou a força de uma defesa bem montada e um ataque eficiente. O Deportivo teve a quinta melhor defesa de La Liga, concedendo 44 gols, em 38 rodadas, e ficando atrás apenas de Valencia, do Zaragoza, do Alavés e do Celta. Entretanto, a equipe não se resumia a defender, apresentando também um futebol ofensivo e, com 66 bolas nas redes rivais, sagrando-se o segundo melhor ataque do certame, atrás do Barcelona.

É necessário ressaltar, também, que o La Coruña se destacou sobremaneira na temporada por ter ido muito bem nas partidas em seus domínios, em sua fortaleza: o estádio Riazor. Em 19 jogos como mandante, foram 16 vitórias, incluindo jogos contra o Barcelona, Valencia, Real Madrid e Atlético de Madrid, um empate e duas derrotas apenas.

Grande parte de toda a solidez da retaguarda blanquiazul se deveu ao que Mauro Silva, que se tornaria o segundo jogador a mais vezes vestir a capisa do Deportivo, e Flávio Conceição faziam, constituindo um muro à frente da defesa galega. Os dois brasileiros, juntos, fechavam os espaços e marcavam implacavelmente seus adversários, o que facilitava muito o trabalho dos bons zagueiros Noureddine Naybet, marroquino, e Donato, hispano-brasileiro. Isso sem falar no veteraníssimo goleiro camaronês Jacques Songo'o. Aos 36 anos, o arqueiro, que chegara ao clube em 1996 e logo seria suplantado por José Francisco Molina, finalmente teve a chance de fazer de suas defesas algo maior.

Manuel Pablo, lenda absoluta da lateral direita do Dépor e terceiro homem que mais vezes representou os galegos, era a personificação de um pulmão no pico de suas forças, atacando e defendendo constantemente e com qualidade. Com um pouco menos de destaque individual, pela lateral esquerda, atuava Enrique Romero, jogador que entrou em campo em mais de 200 partidas pela equipe.

Mauro Silva Deportivo
Foto: Folha Vitória
Do meio para frente, a equipe era só talento. Pela direita, Victor Sanchez, jogador agudo formado no Real Madrid, era certeza de bons cruzamentos por seu flanco. Sua habilidade e velocidade tornavam-o um jogador muito difícil de ser marcado e crucial no fomento do atacante de área. Do outro lado, a estrela era Fran, jogador que escreveu um capítulo particular na história do Dépor. O meia-esquerda, que defendeu a equipe da Coruña por 550 ocasiões, sendo quem mais o fez, tinha como trunfos pessoais uma ótima visão de jogo e capacidade de condução de bola. Podia decidir um jogo tanto com um drible quanto assistindo a um companheiro.

Fazendo a ligação entre defesa e ataque, no coração criativo do time galego, atuava um dos grandes gênios brasileiros: Djalminha, filho do ex-jogador Djalma Dias. Um exemplar bem acabado de camisa 10, meio-campista de rara habilidade, dribles desconcertantes e com uma fortíssima bola parada, o canhotinho foi a cabeça pensante do time na trajetória para o título. Apesar disso, em função de seu temperamento difícil, foi descartado por Felipão, às vésperas da Copa de 2002, por ter dado uma cabeçada em seu técnico.

Deve-se destacar que o brilho de Djalma se deu a despeito de suas diferenças com o treinador Javier Irureta, como contou em entrevista ao UOL: "Eu não concordava com as ideias futebolísticas dele. Eu jogava, mas não concordava. Achava que nosso time poderia ser mais ofensivo, tinha jogadores para isso. Para ele, como era um treinador de mentalidade pequena, chegar em quarto, quinto ou terceiro, estava excelente...".

Djalminha Deportivo
Foto: AllsportUK/Getty Images
Seja como for, à frente um matador implacável ostentava a camisa 7 do clube e garantia que não faltassem motivos para a torcida comemorar. Roy Makaay, centroavante holandês frio e calculista, dono de um cabeceio de impressionante aproveitamento e capaz de marcar gols de todas as formas possíveis era a referência na ponta final daquela equipe. Até mesmo o apelido que ganhou no curso de sua carreira remete à impressionante capacidade para fuzilar as metas adversárias: “The Phantom” (O Fantasma). Isso devido à sua capacidade de fazer gols aparecendo nas condições mais improváveis possíveis. 

O holandês tinha uma missão: matador. E a exerceu com maestria. Ele foi o quarto colocado na artilharia de La Liga, com 22 gols, ficando atrás de Salva, Jimmy Floyd Hasselbaink e do hispano-brasileiro Catanha. Na temporada completa, foram 29 gols.

Roy Makaay Deportivo
Foto: Andreas Rentz/Bongarts/Getty Images
O clube contava, ainda, com bons jogadores entre os reservas. Atletas famosos como o goleador português Pauleta, os argentinos Lionel Scaloni e Toro Flores, além do sérvio Slavisa Jokanovic, que mais tarde se transferiria para o Chelsea, compunham o elenco do Deportivo. Ou seja, além da ótima equipe titular, o treinador Javier Irureta tinha opções no banco de reservas.

Ficha técnica dos jogos importantes da campanha do clube no Campeonato Espanhol:


8ª rodada do Campeonato Espanhol: Deportivo 4 x 1 Málaga


Estádio Riazor, La Coruña

Gols: Catanha ’14 (Málaga), Donato ’36, Djalminha 57’ e 73’, Víctor ’66 (Deportivo)

Deportivo: Songo’o; Scaloni (Manuel Pablo), Naybet, Donato, Romero; Flávio Conceição, Jokanovic, Djalminha (Toro Flores) e Victor; Pauleta (Fernando) e Makaay. Téc. Irureta.

Málaga: Contreras; Larrainzar, López Bravo, Rojas (Luque), Valcarce; Fernando Sanz (Movilla), Rufete, G. de Los Santos, Sandro; Catanha e Edgar. Téc. Peirò.

10ª rodada do Campeonato Espanhol: Deportivo 2 x 1 Barcelona


Estádio Riazor, La Coruña

Gols: Roy Makaay ‘1 e ’15 (Deportivo) e Rivaldo ‘66

Deportivo: Songo’o; Manuel Pablo, Naybet, Donato e Romero; Mauro Silva, Jokanovic, Victor (Scaloni) e Djalminha; Roy Makaay (Pauleta) e Toro Flores (Fernando). Téc. Irureta.

Barcelona: Arnau; Reiziger, Dehu (Puyol), Abelardo (Simão), Sergi; Guardiola, Cocu, Gabri (Ronald de Boer) e Figo; Rivaldo e Dani. Téc. Van Gaal.

23ª rodada do Campeonato Espanhol: Deportivo 5 x 2 Real Madrid


Estádio Riazor, La Coruña

Gols: Roy Makaay ‘6, Djalminha ’17, Victor 48’, Toro Flores ’74 e 84’ (Deportivo) e Morientes ’36 e Hierro 88’ (Real Madrid)

Deportivo:  Songo’o; Manuel Pablo, Donato, Schürrer e Romero; Mauro Silva, Jaime; Victor, Djalminha (Toro Flores), Fran (Fernando); Roy Makaay (Pauleta). Téc. Irureta

Real Madrid: Casillas; Michel Salgado, Hierro, Sanchís e Roberto Carlos; Helguera (Meca), Karanka, Redondo e Guti (McManaman); Raúl e Morientes (Ognjenovic). Téc. Vicente Del Bosque

28ª rodada do Campeonato Espanhol: Deportivo 2 x 0 Valencia


Estádio Riazor, La Coruña

Gols: Fran ’24 e Flávio Conceição ’50 (Deportivo)

Deportivo: Songo’o; Manuel Pablo, Donato, Schürrer e Romero; Flávio Conceição, Jokanovic; Victor, Djalminha (Scaloni) e Fran (Fernando); Roy Makaay (Pauleta). Téc. Irureta

Valencia: Cañizares; Bjorklund, Dukic, Carboni e Angloma; Gerard, Mendieta, Farinós, Kily González (Angulo) ; Cláudio López (Óscar) e Adrian Ilie (Juan Sanchez). Téc. Héctor Cúper.

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