quarta-feira, 28 de julho de 2021

Copa do Brasil 1999: A façanha que completou uma década histórica para o Juventude

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Na história do Juventude, nenhuma década foi tão movimentada como a de 1990. Então, o futebol gaúcho vivia hegemonia incontestável de seus gigantes, Internacional e Grêmio. No entanto, uma inesperada injeção de capital, somada a um esforço de organização, levou o time de Caxias do Sul a temperar essa situação. O Ju não chegou a se transformar em uma potência, mas alçou voos até então impensáveis. Aqueles foram anos para se registrar em livro.

Juventude Copa do Brasil 1999
Foto: Juventude/Arte: O Futebólogo


Chega a Parmalat


Desce a neblina. Sendo o assunto o futebol, não há dúvidas: a referência é ao estádio Alfredo Jaconi, casa do Juventude, preparado para uma partida num fim de tarde qualquer. Não se sabe, contudo, se essa ligação seria tão rápida e óbvia sem a chegada da Parmalat ao clube. Em 1993, a empresa italiana decidiu investir no futebol brasileiro. Embora o carro-chefe tenha sido o Palmeiras, o Ju também foi contemplado por uma parceria.

Por que o Juventude? Um dos motivos teria sido sua ligação com a colônia italiana no sul do país. Entretanto, a conclusão do negócio teria sido mais difícil sem a intervenção de Marcos Cunha Lima, à época presidente do clube jaconero. Ao descobrir que a empresa do ramo alimentício pretendia colocar dinheiro em clubes brasileiros, apresentou seu time aos italianos. A realidade não era das mais favoráveis. Em 1993, o alviverde estava na Série C.

No entanto, Caxias do Sul era uma cidade de médio porte, com potencial de expansão. Além disso, em um cenário estadual em que apenas dois times se revelavam, de fato, forças relevantes, não parecia um devaneio investir na ascensão de uma terceira via. A assinatura de um contrato de cogestão não demorou a ser efetivada. De uma hora para outra, o Juventude passou a ter recursos para reforçar seu time e renovar sua estrutura. Para se ter uma ideia, o Alfredo Jaconi não tinha sequer banheiros femininos nos idos de 1993.

“Era um inverno ‘brabo’. Nos cederam um clube em Caxias para fazermos a apresentação e assinatura do contrato. Vieram os dirigentes da Parmalat, do Palmeiras, reunimos todos os conselheiros do clube, autoridades do município e imprensa do estado. Foi maravilhoso. Nos deu ânimo, de que o Juventude iria buscar um lugar no cenário nacional, buscar títulos”, contou o dirigente, em entrevista ao ge.

Galeano Juventude 1994
Foto: Gazeta Press/Arte: O Futebólogo

Além de receber afluxo de capital da empresa, o Ju também se transformou em uma espécie de irmão mais novo do Palmeiras. O clube paulistano não tardou a ceder vários jogadores aos caxienses. Quem estivesse sem espaço no Verdão podia receber uma chance no sul do país. Foram os casos de Galeano, Odair, Dorival Júnior e do goleiro César, em um primeiro momento. Havia, também, a ideia de que os palmeirenses poderiam contratar os destaques do Juventude com preferência e facilidades. Aconteceu pouco. Um dos casos famosos foi o do zagueiro Sandro Blum. 

Os resultados não demoraram a se materializar, com o Juventude galgando muitos degraus em um curto espaço de tempo.

Crescimento rápido


O Brasileirão Série C de 1993 foi um torneio com fórmula curiosa — algo que não era, de todo, incomum à época. Em 1992, a segundona promoveu o acesso de 12 times à elite, reduzindo drasticamente o número de equipes para a próxima Série B. A solução foi a seguinte: quem não subiu, disputou uma competição equivalente a um terceiro escalão. Não houve Série B em 1993.

Dividida em grupos regionais, a terceirona garantiu 16 vagas na segundona de 1994; os oito lugares faltantes foram destinados aos rebaixados da Série A de 1993. Contudo, uma suspensão de competições nacionais imposta ao América Mineiro aumentou para 17 o número de vagas para egressos da Série C. O Democrata de Governador Valadares foi o contemplado com o lugar extra.

Na ocasião, o Juventude disputou o Grupo C, ao lado de Brasil de Farroupilha, Figueirense, Joinville, Londrina, Marcílio Dias, Matsubara, Operário de Ponta Grossa e União Bandeirante. Esse grupo foi repartido em três partes: a dos gaúchos, dos catarinenses e dos paranaenses. Como o único conterrâneo do Ju era o Brasil de Farroupilha, o alviverde teve apenas o rubro-verde como adversário. Em três jogos, triunfou. 

Os campeões de cada subdivisão se enfrentaram em um triangular, que garantiu duas vagas na Série B. Então, o Juventude teve como opositores Londrina e Figueirense. Superado pelo Tubarão, mas melhor que o Figueira, o time caxiense subiu e pegou um elevador rápido. Em 1994, fez campanha brilhante na segundona. E, em um primeiro momento, não parecia que seria assim. 

Juventude 1994
Foto: Juventude/Arte: O Futebólogo

Terceiro colocado do Grupo D, disputado com Ponte Preta, Mogi Mirim, Coritiba, Bangu e Tiradentes, o Juventude avançou à segunda fase com alguma dificuldade. Adiante, pareado com Athletico Paranaense, Goiatuba, e Ponte Preta, o time voou. Invicto, venceu quatro jogos e empatou dois. Assim, avançou às semifinais. Com duas vitórias simples, 1 a 0, eliminou o Americano de Campos. E, na final, uma vitória e uma derrota, ambas por 2 a 1, contra o Goiás, garantiram o título ao Ju, que detinha a melhor campanha geral do certame.

“Era um time que tocava bem a bola, jogava fácil. Um grupo muito unido e de qualidade. Foi um ano mágico. Fiz gol de todo jeito. Todos que eu havia sonhado”, disse o atacante Mário Maguila, um dos artilheiros da Série B de 1994, ao lado de Baltazar, do Goiás, ao Zero Hora.


Agora um time de Série A, o Juventude não decepcionou. Em 1995, alcançou o décimo lugar na classificação geral. Um posto seguro e que permitiu ao clube a continuidade de seu sonho de se estabelecer como terceira força do Rio Grande do Sul. A campanha no Brasileirão de 1996 seria pior, mas o clube acabaria se sustentando na elite (até mesmo porque, devido a uma virada de mesa, não houve rebaixamento naquele ano).

Já em 1997, o Ju mostraria definitivamente as suas credenciais. Com a melhor defesa da fase inicial do campeonato, concedendo apenas 20 gols, em 25 jogos, alcançou o oitavo lugar e se qualificou à segunda fase. Porém, teve de enfrentar obstáculos duros demais. O primeiro foram os times de seu grupo: o Vasco da Gama, de um endemoniado Edmundo, o Flamengo e a Portuguesa; o segundo foi a proibição de atuar no Alfredo Jaconi, por ter capacidade inferior a 40 mil lugares. 

Sem seu caldeirão, o alviverde atuou em Porto Alegre e não foi adiante. “A fase final foi terrível financeiramente para nós”, diria o então presidente do Ju, Carlito Chies, à Folha. Ainda assim, estava claro que o Juventude deveria ser levado a sério. Paralelamente às campanhas nacionais, o time de Caxias do Sul alcançou o vice-campeonato do Gauchão em 1994 e 1996.


Cafu no Juventude?


Um capítulo curioso na saga jaconera nos anos 1990 é o que protagonizou o lateral direito Cafu. Era vivido o ano de 1995 e o jogador, que vencera a Copa do Mundo de 1994, estava atuando no Zaragoza. O Palmeiras, que montava um esquadrão, tinha interesse em repatriar o defensor. Havia um entrave a ser solucionado: ao negociar Cafu com o time aragonês, o São Paulo exigira uma cláusula contratual. Caso o atleta fosse negociado com algum clube paulista antes de janeiro de 1996, o Tricolor teria de ser indenizado.

Em junho de 1995, Cafu desembarcou em Caxias do Sul. Para fugir da multa, estipulada em US$ 3,6 milhões, a Parmalat explorou suas conexões brasileiras. Comprou o passe do lateral tetracampeão do mundo e definiu que ele teria uma breve passagem pelo Alfredo Jaconi. Assim, não se poderia dizer que o Zaragoza vendeu o brasileiro a um rival são-paulino. Nesse contexto, o jogador acabou representando o Ju. 

Cafu Juventude
Foto: Desconhecido/Arte: O Futebólogo

A passagem foi realmente breve. Sua estreia foi em uma vitória ante o Ypiranga, 3 a 2, em que o lateral participou diretamente do gol da vitória, assistindo o meia Cuca. Apenas mais um jogo seria disputado por Cafu com a camisa do Ju. Logo, desembarcou no Parque Antártica, juntando-se a um timaço palmeirense. Parecia que a Parmalat tinha dado o chapéu perfeito no São Paulo. Mas não foi bem assim.

“A Parmalat comprou ele de lá, ele jogou aqui e foi para o Palmeiras. Vínculo foi registrado no Juventude. Depois demos o liberatório para o Palmeiras. A Parmalat pagou a multa, depositaram para nós, de nós para Fifa, da Fifa para o São Paulo. Queria ter ficado mais com ele, mas fazer o quê?”, relatou Marcos Cunha Lima, o presidente do clube na época.

Alegando que o negócio entre Zaragoza e Juventude tinha sido uma mera transferência de fachada, intermediada pela Parmalat, o São Paulo recorreu à FIFA. E conseguiu uma vitória pequena, recebendo indenização de US$ 1 milhão. Um prêmio de consolação que não muda uma realidade inusitada: Cafu passou por Caxias do Sul. Se alguém duvidar da informação, fotos, vídeos, jornais antigos e a memória de quem viveu esse momento podem confirmar sua veracidade.

Fim de alguns jejuns


A saga do Juventude começou mesmo a se tornar épica em 1998. Ali, o zagueiro Capone, o meia Sandro Fonseca, e os atacantes Sandro Sotilli e Rodrigo Gral, ex-Inter e Grêmio, se juntaram a um time que já tinha referências importantes como os volantes Flávio (o capitão) e Lauro, além do meia Mabília. O treinador era Lori Sandri, que vinha de um trabalho na seleção dos Emirados Árabes. E havia dois jejuns enormes por quebrar. 

Fazia 44 anos que o Campeonato Gaúcho era conquistado apenas por Inter e Grêmio; 59 desde o último título de um time do interior do Rio Grande do Sul — o Riograndense, em 1939. A missão do time da Serra Gaúcha era dificílima, mesmo que os gigantes de Porto Alegre vivessem um momento de entressafra. A seu favor, o Ju teve a dispensa da disputa da primeira fase do certame, algo que contemplou também colorados e tricolores.

Com um time organizado defensivamente e forte em contragolpes, o Juventude foi conseguindo bons resultados. Na disputa do Grupo F, com Brasil de Pelotas, São José e Brasil de Farroupilha, venceu três vezes e empatou outras três partidas. Líder e invicto, o alviverde avançou às quartas de finais do Gauchão. Sem dificuldades, despachou o Glória. Depois, precisou se aplicar para eliminar o Brasil de Pelotas, com um 2 a 1 no agregado, chegando a mais uma decisão naquela década.

O adversário da vez era o Internacional, favorito e que tinha no goleiro André, no jovem zagueiro Lúcio, e no centroavante Christian destaques. Seu técnico era Celso Roth. Na partida de ida, no Alfredo Jaconi, bastaram cinco minutos para Christian colocar o Colorado em vantagem. Mais um título ia se encaminhando para Porto Alegre? Flávio tinha outros planos.


“Estávamos atrás no placar. Não tinha outra coisa a fazer senão chutar aquela bola. O gramado do Jaconi era excelente, ela veio deslizando de um jeito que não era para dominar. Eu tinha que bater, não havia ninguém por perto. Felizmente, foi no ângulo”, contou Flávio ao ge. O capitão alviverde empatou e virou o jogo. Depois, Lauro consolidou um imponente triunfo por 3 a 1. 

Na volta, nem toda a pressão do Inter rompeu a solidez jaconera. Com o 0 a 0 assegurado, o Juventude conquistou o Gauchão; um título inédito, invicto, e que pôs fim a um período enorme de domínio dos times da capital. 

Juventude Gauchão 1998
Foto: Porthus Junior/Agência RBS/ Arte: O Futebólogo 

Começa a luta na Copa do Brasil


O restante do ano de 1998 não foi tão positivo para o Juventude. Foram apenas três os pontos que separaram o clube caxiense do rebaixamento à Série B. O 18º lugar acendeu uma luz de alerta, por mais que aquele fosse um ano festivo. Para 1999, Lori Sandri deixou o clube. Foi substituído por Valmir Louruz, que vinha de uma passagem pelos japoneses do Jubilo Iwata. Era um nome conhecido na Serra Gaúcha, havia atuado no Ju e se formara como técnico nas categorias de base dele.

Também chegaram contratações importantes. O goleiro Emerson, então no Bragantino e formado no Grêmio, foi um dos mais importantes, ao lado dos atacantes Maurílio (que retornou ao clube, depois de uma passagem ruim pelo Grêmio) e Márcio Mixirica. Já veterano, Mário Tilico foi outra aposta alviverde. Por outro lado, Sotilli e Gral já não estavam na equipe. As mudanças foram importantes, mas o time alterou pouco sua forma de jogar.

Se não fez um grande Gauchão, o Juventude começou a Copa do Brasil com tudo. Na primeira fase, acabou com o Guará, do Distrito Federal: 5 a 1. Não foi necessário um jogo de volta. Adiante, o clube jaconero enfrentou o primeiro gigante da campanha. Tudo bem, o Fluminense estava na Série C na altura. Ainda assim, surpreendeu na partida de ida, vencendo por 3 a 1. Contudo, a fase era mesmo péssima.


“Explica-se uma derrota por 1 a 0, 2 a 1, 3 a 2. O que falar de um 6 a 0? O Fluminense não é um time de perder de 6 a 0. Deu tudo certo para eles, que brilharam”, comentou Carlos Alberto Parreira, então técnico do Flu, após o massacre do Juventude na partida de volta. Isso mesmo, foi 6 a 0. O pior é que a vitória superlativa parecia sinalizar um ponto final. Adiante, os gaúchos teriam pela frente o Corinthians, campeão brasileiro.

Davi supera Golias, no plural


“Foi o detalhe que provocou a derrota. Mas, com respeito ao Juventude, dá para reverter”, comentou o volante Amaral, após perder a primeira mão das oitavas de finais, 2 a 0 para o Ju. Na decisão, o alviverde voltou a mostrar força; venceu por 1 a 0, obrigando a Folha a contar que a “eliminação acirra a crise no Corinthians”. Se o Timão estava em crise, o Juventude não estava nem aí. Além disso, provara mais uma vez que podia superar qualquer um.

Veio o Bahia. O 2 a 2 se repetiu nos dois confrontos. Agora, foram as penalidades que confirmaram o avanço caxiense, com brilho do goleiro Emerson. Como que em um sonho, o time que no início da década sequer disputava a segunda divisão brasileira, estava na semifinal da Copa do Brasil. O problema é que teria que bater o Inter, que vinha cheio de vontade de vingança. Bem, a retribuição do Colorado ficou para outra hora. 

Se o empate sem gols no Alfredo Jaconi sugeria que, quando o Ju viajasse ao Beira Rio estaria tudo acabado, a realidade mostrou algo bastante distinto. Diante de mais de 60 mil pessoas, o Internacional começou o jogo se impondo e pressionando. 


Além dos destaques da final do Gauchão de 1998, o clube agora tinha mais nomes famosos, como Gonçalves, Dunga e Elivelton. No final do primeiro tempo, Marcos Teixeira abriu a contagem para o Ju. Desvio de percurso, certo? Não, porque Mixirica, Mabília e Capone fizeram mais um cada. Em plena Porto Alegre: Juventude na final 4, Inter 0. Das arquibancadas, os visitantes entoavam: “Í, í, acorda Colorado, teu sonho acabou”.

Nem um Maracanã abarrotado tirou o título do Ju


A celebração da demolição do Inter foi grande, mas rápida. Duas semanas depois, o alviverde teve sua primeira decisão. Depois de eliminar o Palmeiras, o Botafogo, que vinha em crise e se superando, aguardava-o na final. Embora não estivesse em um bom momento nos bastidores, o Bota ainda contava com jogadores da estirpe de Válber, Sérgio Manoel e Bebeto, além da juventude de Rodrigo Beckham.

A primeira partida da decisão foi um verdadeiro teste para cardíacos. O Juventude venceu por 2 a 1, gols de Fernando e Mixirica. Porém, os cariocas tiveram dois gols anulados, ambos marcados por Rodrigo. “O jogo de Caxias do Sul foi duríssimo, o Botafogo fez uma grande partida e eu nunca vou esquecer, porque eu fiz dois gols legítimos naquela decisão que foram muito mal anulados. Existem correntes por aí que têm convicção desses gols terem sido anulados de forma muito esquisita”, comentou o antigo meia ao Terra

Nota: o jogo foi conduzido por Márcio Rezende de Freitas, o mesmo árbitro acusado de favorecer o Fogão na conquista do Brasileirão de 1995.


A imprensa fluminense não se importou muito com a derrota do Botafogo no jogo de ida. Pensava que, no Maracanã, o time se recuperaria. O Juventude viajou ao Rio de Janeiro ciente das dificuldades que enfrentaria. A primeira delas foi a falta de uma boa noite de sono, já que seu hotel foi descoberto por torcedores botafoguenses que soltaram fogos de artifício por toda a noite.

“Não esperávamos o Maracanã daquele jeito. Chegamos duas horas antes da partida como estratégia para reconhecer o gramado. E isso já foi impressionante, impactante, porque, duas horas antes do jogo, o Maracanã estava tomado. E com isso eu tremia”, contou Emerson ao portal Torcedores. De fato, o cenário era impressionante. Aquela foi a última vez que o Maraca foi preenchido por mais de 100 mil pessoas, 101.581, para ser exato. Aproximadamente duas mil delas apoiavam os caxienses. Também foi o maior público da história da Copa do Brasil.

A bola rolou e rolou e rolou. E não aconteceu muito mais do que isso, embora o Botafogo não tenha medido esforços para furar o bloqueio do Juventude. Ao final do encontro, o tomba gigantes havia batido em mais um: o Ju era o campeão da Copa do Brasil. “É muito melhor ganhar por um time do interior”, disse Emerson à Folha, após o título.


Acabou o dinheiro


Imediatamente após as finais, a Estrela Solitária começou a se desmanchar. No dia seguinte à decisão, a Folha noticiou que Bebeto estava próximo de deixar o clube; era o único jogador que recebia salário além do teto de R$35 mil estabelecido. Além dele, o treinador Gilson Nunes, criticado pelos próprios jogadores, saiu. Válber foi outro que pediu as contas. Para o Juventude, a tensão demorou só um pouco mais a chegar. Com uma campanha péssima no Brasileirão, o time foi rebaixado à Série B.

Folha Juventude Copa do Brasil

Ainda assim, havia curiosidade quanto ao futuro do clube. Em 2000, disputaria a Copa Libertadores da América. Sorteado para um grupo duro, com Palmeiras, os equatorianos do El Nacional, e os bolivianos do The Strongest, não teve vez. Foi eliminado com duas vitórias, um empate e três derrotas. Apesar disso, ainda se pode dizer que o Ju teve sorte. 

As polêmicas relativas à participação irregular do atacante Sandro Hiroshi pelo São Paulo no Brasileirão de 1999 conduziram à criação da Copa João Havelange, mantendo o Juventude na elite em 2000. O clube caxiense fez mais uma aparição ruim, mas conseguiu permanecer na primeira divisão. Até o rebaixamento em 2007, que iniciou uma espiral negativa para o clube, houve oscilação entre campanhas médias e fracas. Mas ali o clube já fazia um esforço tremendo para se manter.


No dia 5 de junho de 2000, a Parmalat deixou o Juventude. Então, o clube parou de receber uma verba mensal de R$144 mil, fundamental para o bom andamento do time, que tinha folha salarial próxima dos R$250 mil. Dali em diante, o time andou na corda bamba por anos.

“Estávamos na Série A, mas naquela época a receita não era tão grande como hoje. Pagamos um preço muito alto para tentar nos manter na elite. Gastamos mais do que deveríamos e não tínhamos a estrutura de Série A [...] o clube não aguentou mais e caiu. Na Série B tivemos outro grande erro porque achávamos que nosso lugar era a Série A. De novo tentamos voltar e não conseguimos”, explicou Roberto Tonietto, presidente do clube entre 2015 e 2018, à ESPN.

O fim da parceria com a Parmalat diminuiu drasticamente as pretensões do Juventude, que viveu anos infernais após o rebaixamento de 2007. Entretanto, o período de vitórias vivido nos anos 1990 avançou à história como a era mais gloriosa do Ju. Não há como discutir isso. Muitas coisas que começam bem não terminam bem. Mas isso não quer dizer que não valha a pena serem vividas.

Um comentário:

  1. Meu Bahia poderia ter eliminado o Juve.... tava ganhando de 2x1 e não soube administrar o placar

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