segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Errar é o Mano. Cinco razões para o fracasso olímpico


Revolta. Este foi o sentimento comum entre todos os brasileiros que acompanharam no último sábado (11) ao jogo entre Brasil e México, o qual valia a inédita medalha dourada para ambas as seleções. Talvez a mais talentosa geração de jogadores jovens brasileiros de todos os tempos também falhou, a exemplo de outras grandes gerações como as de Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho ou Romário. Nessa análise procurei - à luz dos fatos - indicar algumas razões para o novo insucesso, todas elas passando pelo técnico Mano Menezes. Desde sua escolha para dirigir a seleção olímpica até os 90 derradeiros minutos.






Francamente, quem melhor que Ney (Franco)?

Ney Franco e Neymar na seleção no mundial sub-20
Até quando não lhe cabe escolher Mano está errado. A nomeação do técnico para comandar o time olímpico definitivamente não foi correta. O Brasil vinha de expressivos sucessos nas categorias de base da seleção, havia entrosamento entre jóias como Oscar, Neymar e Lucas e o clima era favorável. Ney Franco soube lidar com esses craques como ninguém. Jogo coletivo e técnica coexistiam no solto time sub-20 campeão mundial em 2011. O técnico entende como ninguém como deve ser feito o trabalho nas categorias de base. Sabe trabalhar com jovens. Diferentemente de outros foi criado nesse ramo. Trabalhou longamente na base de Atlético e Cruzeiro. Saberia gerir melhor o jovem elenco. Indubitavelmente.

Ganso, o camisa 10 com o número 16.

Ganso
O Brasil já começou errando na escolha dos números. Claramente Paulo Henrique Ganso esteve insatisfeito com a reserva da seleção. Não questiono esse fato. Oscar de fato apresentava um futebol muito melhor. Mas há que se saber administrar esse tipo de situação. Há egos em jogo. Um jogador com uma ascensão meteórica como a do meia santista não pode ser desprezado como feito por Mano Menezes. Ganso entrou apenas nos dois jogos iniciais, contundiu-se e foi medicado pelos médicos da seleção – foi tirado do jogo contra a Nova Zelândia por risco de Doping, fato duvidoso – e não teve sequer chances de ajudar a seleção. Houve momentos em que o Brasil precisava melhorar a gestão da bola e não tinha um jogador com tais características, ou melhor, o que tinha foi posto de lado. Se não usaria o atleta, porque o convocou, Sr. Mano Menezes?

Jogo coletivo aplicado e talento escanteado.

Neymar
Outro ponto em que penso que o treinador da seleção errou foi quesito estilo de jogo. Mano Menezes ainda não compreendeu que está treinando a Seleção Brasileira e não mais Corinthians ou Grêmio. Talento não pode ser suplantado por aplicação tática. Craques não podem se limitar a exercer funções táticas pré-determinadas. Impor que Neymar jogasse sempre pela esquerda, Hulk pela direita e Oscar pelo meio transformou grandes jogadores em atletas normais. E o Brasil de fato só foi Brasil em sua essência quando tais atletas se deslocaram entre si, confundiram as marcações e destilaram talento. E isso só ocorreu alguns em alguns momentos. Final de jogo contra a Bielorrússia foi um exemplo. Se o time tivesse tido maior liberdade, quem sabe não estaríamos exaltando um feito inédito?

Quem é o 1?

Goleiro Gabriel
A contusão do goleiro Rafael foi um problema gravíssimo sem dúvida. A partir desse momento, por uma questão lógica Gabriel entraria na convocação e Neto assumiria a meta brasileira não é mesmo? Titular machucado, reserva vai pro jogo e segundo reserva vai para o banco. Mano não seguiu a lógica. Começou o torneio com Neto debaixo das traves. O ex-goleiro do Atlético Paranaense e atualmente na Fiorentina, não fez nada espetacular, mas não falhou. No terceiro jogo da primeira fase contra a fraca Nova Zelândia Mano resolveu dar ritmo aos atletas que vinham ficando no banco. Gabriel foi para o gol. Tal como Neto não prometeu. Foi mantido. Nos jogos seguintes começou a falhar. A cada falha sentia mais os erros e piorava seu desempenho. Sentiu a pressão, Mano não deveria ter colocado na tensão de uma Olimpíada um jogador com zero jogo como profissional na carreira.

Invenção, e insistência no erro, a gota d’água.

Hulk
O Brasil, sem apresentar um grande futebol foi avançando. Na disputa da semifinal contra a Coréia do Sul Mano Menezes surpreendeu e improvisou o lateral esquerdo Alex Sandro no meio campo canarinho. Sua intenção ao que parece era de fortalecer o lado esquerdo com as investidas de Marcelo, Neymar e do próprio improvisado Alex. Não funcionou, o jogador ficou deslocado na nova posição. Não ajudou nem na saída de bola da defesa nem nas investidas pelo flanco esquerdo. De quebra ainda enfraqueceu o ataque pelo lado direito com a ausência de Hulk. Na semifinal ficou claro que isso foi um erro. Não é que o treinador insistiu e levou a mesma formação para a final? Gol sofrido aos 30 seg. de jogo e substituição ainda no primeiro tempo, Hulk em campo Alex Sandro fora. Sabia-se da ineficiência desse improviso, por que insistir? Levar um atleta maior de 23 anos e deixá-lo no banco na final? Erros como esse culminaram com a perda da medalha de ouro, para a aplicadíssima seleção mexicana.


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