O Futebólogo | O futebol como arte, história e memória

quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Bayern: Construindo a maior hegemonia da Europa

O futebol alemão se divide em dois períodos, um anterior e outro, posterior, à fundação da Bundesliga — o campeonato nacional nos moldes atuais. Tal fato aconteceu em 1962, com a primeira edição se iniciando no ano seguinte. Até então, havia futebol do país, mas não existia uma competição unificada. Eram disputados torneios regionais e, ao final, os melhores colocados de cada um deles se digladiavam pelo posto de campeão.

Nessa época, o Bayern de Munique era só mais um clube no cenário alemão. Ainda que tivesse chegado ao lugar mais alto no pódio em 1931-32, tal fato se mostrou isolado. No país, as forças mandantes eram Nürnberg (com oito glórias) e Schalke 04 (sete) — com Borussia Dortmund, Hamburgo, Lokomotiv Leipzig e Greuther Fürth mais atrás, com três conquistas cada. Os bávaros sequer disputaram a duas primeiras edições da Bundesliga, ficando à sombra de seu rival local, o Munique 1860.

Bayern 1974
Foto: Reprodução FC Bayern/Arte: O Futebólogo

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Uma Santa campanha em 1975

Fazia pouco mais de 60 anos desde que um grupo de estudantes, todos menores de idade, tomara a decisão de formar um clube de futebol, nas cercanias da Igreja da Santa Cruz, ali no bairro da Boa Vista, no Recife. Três anos antes, em 1972, aquele mesmo time recebera uma casa. Era sete de dezembro e o Brasileirão se aproximava de seu fim. No Arruda, o Santa Cruz carregava o orgulho de seu estado e região; fazia festa para um elenco que pararia ali, mas não perderia seu lugar no rol dos mais importantes do país. Vivia-se o ano de 1975.

Santa Cruz 1975
Foto: Arquivo DP/DA Press/Arte: O Futebólogo

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Obilic: Quando futebol e crime foram um só

Não é mistério para ninguém o fato de que, na Sérvia, o futebol é dominado por duas grandes potências. Mesmo quando o campeonato local ainda abarcava clubes de outros países eslavos, nos tempos em que a Iugoslávia os unia, os dois gigantes de Belgrado já se destacavam. Estrela Vermelha e Partizan são, historicamente, as equipes mais poderosas da região. Em 1997-98, porém, um nanico subjugou os gigantes. Valendo-se de todos os artifícios possíveis, o FK Obilić promoveu um hiato na habitual história do futebol local.

Obilic 1997-98
Foto: Desconhecido/Arte: O Futebólogo

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Coisas que só acontecem com o Tottenham

Não chega a ser um ritual, mas, no futebol, as massas são a classe de alimento mais escolhida pelas comissões técnicas antes de uma partida — o macarrão sendo, talvez, a opção mais comum. Embora importante, esse não deve ter sido um assunto discutido quando o Tottenham se preparou para a 38ª rodada da Premier League 2005-06. O derby londrino contra um West Ham que nada aspirava na competição não era o jogo mais difícil do mundo. E bastava vencer. Somando três pontos, o time consolidaria a quarta colocação e disputaria sua primeira Liga dos Campeões, após a reformulação da competição no início da década de 1990. Mas não é por acaso que o Tottenham é tido como um dos times mais azarados do planeta. Typical Tottenham é a expressão utilizada a cada vez em que os Spurs projetam sucessos, fazem por onde obtê-los, mas morrem na praia na hora H. Como naquele 7 de maio de 2006.

Defoe Carrick Tottenham
Foto: Roy Beardsworth/Offside/Arte: O Futebólogo
* Este texto apareceu primeiro na revista Relvado #12

quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Promessa hoje, realidade amanhã? — Versão 2020

O ano de 2020 foi o mais estranho que poderia ser. É claro, dificilmente seria diferente, tendo em vista a pandemia que assola o mundo. O futebol não permaneceu imune a isso, tendo passado por um período de paralisação e, dentre outras questões, presenciando a diminuição da margem para investimentos, quando comparada a dos últimos tempos. Para alguns garotos, tal acabou significando maiores oportunidades em suas equipes. E isso é uma questão que não muda, independentemente do que aconteça: o futebol sempre apresenta promessas. Com todas as suas peculiaridades, 2020 não foi diferente. Aqui, você conhece alguns dos garotos que despontaram, ou se afirmaram no futebol, mundo afora, no último ano.

Promessas 2020 Veron Kulusevski Saka Bellingham Doku
Arte: O Futebólogo

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

1969-70: Quando o Cagliari levou o Scudetto e fez a festa na Sardenha

A história do futebol italiano indica o domínio absoluto de uma região sobre as demais. O norte do país, representado por Juventus, Internazionale e Milan, concentra uma maioria suprema de conquistas. Essa situação contrasta, frontalmente, com a vivida no outro extremo do mapa, refletindo o desenvolvimento econômico da nação. Ao sul, somadas as ilhas que compõem o território do Bel Paese, três títulos italianos são tudo o que se encontra. Dois deles por obra de um Napoli impulsionado por Diego Maradona. O outro, anos antes, colocou a Sardenha em festa.

Cagliari 1969 1970
Foto: Desconhecido/Arte: O Futebólogo

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

A revolução promovida por Jägermeister e Eintracht Braunschweig

A exceção que se transformou na regra. Até os anos 1970, camisas de futebol e propagandas não tinham quase nenhuma relação de afinidade, e o que existia se restringia, essencialmente, às empresas fornecedoras de material esportivo. Marcas de outros ramos não tinham espaço. Os fardamentos das equipes não eram vistos como um espaço potencialmente explorável por publicitários. Até que a necessidade de promoção de uma nova bebida se uniu à crise de um time; até que Jägermeister e Eintracht Braunschweig firmaram um pacto.

Eintracht Braunschweig Jagermeisteir
Foto: Imago/Arte: O Futebólogo

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Quando o Dinamo Tbilisi orgulhou a Geórgia e conquistou a Europa

No mínimo, soa curioso falar em uma grande equipe de futebol vinda da Geórgia. Sobretudo após a desfragmentação da União Soviética, os clubes de outras nações que não a Rússia e a Ucrânia acabaram marginalizados. A falta de um campeonato competitivo, além da perda de apoio financeiro de instituições públicas, ocasionou um enfraquecimento que parece incontornável, conforme os anos passam. Nem sempre foi assim. Nos anos 1970 e 80, o Dinamo Tbilisi foi um dos suprassumos do futebol soviético, dando-se a conhecer também continentalmente.

Dinamo Tbilisi Winners' Cup 1981
Foto: Sakinformi Photo Collection/ Arte: O Futebólogo

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Como o Wolverhampton influenciou a criação da Copa dos Campeões da Europa

Boa parte dos grandes eventos de todos os tempos teve seu início impulsionado por alguma circunstância extraordinária. Basta ir aos livros de História para confirmar ser esta uma realidade. Nesse sentido, o futebol registra uma dívida importante com o Wolverhampton. Não fossem os Wolves, talvez a Copa dos Campeões da Europa nunca tivesse sido criada. Com otimismo, pode-se pensar que sua gênese teria demorado mais. Eram os anos 1950, e os ingleses inauguravam os holofotes do estádio Molineux.

Wolves Honved 1954
Foto: Desconhecido/Arte: O Futebólogo

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

1978: O ano em que o Brasil se rendeu ao Guarani

Eram épocas de vacas magras. Embora o Guarani viesse disputando a primeira divisão brasileira desde 1973, a margem para investimentos era minúscula. Não era possível fazer grandes contratações, nem, tampouco, assegurar os préstimos de um treinador de ponta. Também não se podia negar que o Bugre vinha mal nos confrontos ante a rival Ponte Preta, vice-campeã estadual no ano anterior. Entretanto, em 1978, havia o que explorar nas categorias de base. Com sorte e precisão, as coisas poderiam dar certo. Foi exatamente o que aconteceu.

Guarani 1978
Foto: Guarani/Arte: O Futebólogo