O Futebólogo | Refletindo o futebol sob prismas não convencionais

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Como Otto Rehhagel e Werder Bremen cresceram juntos e alcançaram o topo

Tudo começou em 1981. Naquele ano, o treinador Otto Rehhagel assumira um Werder Bremen recém-saído da segunda divisão. Embora fosse uma competidora habitual na Bundesliga, a equipe do noroeste da Alemanha só tinha levantado a Salva de Prata uma vez, no longínquo ano de 1964-65. Naquela época, não era vista como uma grande força. Mas foi se tornando. Levantou taças e até viveu um milagre na Liga dos Campeões de 1993-94, em um jogo contra o Anderlecht.

Otto Rehhagel Werder Bremen Pokal
Foto: imago/Arte: O Futebólogo

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

A ira de Zvonimir Boban e a Guerra de Independência da Croácia

O mito conta que foi durante um dérbi entre Dinamo Zagreb e Estrela Vermelha, em 1990, que tudo começou. Em que pese o fato de a Guerra de Independência da Croácia ter se iniciado apenas no ano seguinte, a situação na Iugoslávia já se mostrava insustentável desde a década anterior — sobretudo após o falecimento do Marechal Tito, o líder político-militar da supernação e principal artífice de um forçado senso de unidade nacional. Ante a profusão de grupos paramilitares e o desenvolvimento de relações intrincadas com as torcidas organizadas locais, aquele clássico ganhou ares de guerra, foi palco de selvageria dentro e fora das quatro linhas e elevou Zvonimir Boban ao patamar de ídolo nacional na Croácia.


Boban Zvonimir Dinamo Zagreb Red Star 1991 Maksmir
Foto: Desconhecido/ Arte: O Futebólogo

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Minuto 78: quando um gol extrapola os limites das quatro linhas

Hamburgo, 22 de junho de 1974. Em campo, a Alemanha enfrentava a Alemanha. Comunismo e capitalismo, amadorismo e profissionalismo, abertura e fechamento, divisões familiares, progresso e estagnação econômicos. Tudo isso esteve em disputa na batalha de 90 minutos. 

West East Germany World Cup 1974 Franz Beckenbauer
Foto: Allsport UK/Arte: O Futebólogo

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Como Roberto Mancini resgatou David Platt e forjou uma amizade duradoura

Na história do futebol italiano, não foram muitos os jogadores ingleses a atuar no Bel Paese. E a lista fica ainda mais escassa quando passada pelo filtro daqueles que, efetivamente, entregaram bom futebol. No entanto, a relação anglo-italiana deu o que falar nos anos 1990, sobretudo porque nas Ilhas Britânicas os locais viviam um choque de realidade oferecido pelo Channel Four. Não eram os jogos da Premier League que provocam furor no público, mas as partidas da Serie A. Além da diferença de qualidade — afinal, a Itália era uma espécie de “Eldorado do futebol” —, a presença de ingleses na elite italiana fortaleceu o apelo junto às telinhas. 

David Platt Sampdoria
Foto: Getty Images/ Arte: O Futebólogo

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

O final incomum de Marcell Jansen

Aposentadoria é um dos temas mais delicados do mundo do esporte. Pelas mais diversas razões, dentre as quais lesões e o avançar da idade são as principais, não existe momento determinado, não há regra que delimite o tempo certo. Outrora, a notícia da vontade de Carlos Tévez, ainda jogando o fino da bola, querer se aposentar aos 32 anos arqueou sobrancelhas mundo afora. E acabou não acontecendo. Por outro lado, quando trajetórias vão se prolongando indefinidamente para além dos 40 anos, como no caso de Rogério Ceni, fala-se em exagero. Vem da Alemanha uma das histórias mais peculiares sobre o tema. O protagonista, Marcell Jansen, não convivia com lesões graves ou era velho, não era, tampouco, futebolista de baixa qualidade, apenas não se via vestindo outra camisa.

Foto: Reuters/ Arte: O Futebólogo

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

A agonia de Doha

O futebol japonês vem conquistando uma reputação desde o início da década de 1990. Nesse período, os nipônicos apostaram muitas fichas na contratação de craques, sobretudo brasileiros. Gente da estirpe de Amoroso, Leonardo ou Edílson passou pela Terra do Sol Nascente. No entanto, é Zico o personagem mais ligado ao desenvolvimento do futebol no país. O Galinho de Quintino chegou ao Japão e levou consigo holofotes; era veterano mas ainda teve tempo de dar contributo inestimável, ajudando, inclusive, na formação da J. League, o que ocorreu em 1992. Foi nesse momento, contudo, que a Seleção Japonesa sofreu um dos mais duros reveses da história do futebol. O palco? Doha.

Japan Iraq Qualifiers Doha World Cup 1994
Foto: Desconhecido/ Arte: O Futebólogo

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Promessa hoje, realidade amanhã? — Versão 2019

Desde 2012, O Futebólogo lança uma lista com jovens jogadores que se destacaram no ano que se aproxima de seu fim. Em 2019, não será diferente. As escolhas feitas se pautam em alguns critérios: o atleta deve ter um limite máximo de 23 anos e ter se destacado a partir do último ano, o que deixa de contemplar grandes desempenhos como o de jogadores como James Maddison ou Donny van de Beek. Como ficará claro, alguns analisados até atuaram em outras temporadas, mas com pouco destaque, de modo irregular ou em uma liga de poderio técnico inferior, tendo obtido êxito quando do salto a uma competição mais forte. Sem mais delongas, avancemos aos escolhidos.

João Felix Nicolo Zaniolo Ansu Fati Erling Haland Talles Magno
Arte: O Futebólogo

quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

O Boxing Day que levou o Manchester United ao primeiro título inglês com Alex Ferguson

Mais de 25 anos haviam se passado desde que o Manchester United conquistara seu último título inglês. Depois de viver anos 1960 memoráveis, os Red Devils sofreram durante as duas décadas seguintes. Alguns títulos da FA Cup — além da conquista da Recopa Europeia de 1990-91 — diminuíram o vazio do torcedor, mas não aplacaram a dor da longa espera, sobretudo em um período de domínio de seu maior rival, o Liverpool. Apesar disso, o futebol, com seu caráter cíclico, reservou emoções aos mancunianos de vermelho, a começar em 1992-93; logo após o Natal, na rodada de Boxing Day.

Foto: John Giles/PA Archives/ Arte: O Futebólogo

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

Como Ravelli superou a desconfiança e se tornou ícone no Mundial de 1994

Goste ou não: o Mundial de 1994 foi um dos mais marcantes da história do futebol. Ele expôs os melhores do planeta a um país que não tinha o soccer em alta conta, lançando-os a um calor escaldante, mas foi palco de uma série de eventos inesperados. Lideradas por jogadores magistrais, equipes como Romênia e Bulgária brilharam. Apostando em uma ideia estranha a sua história, o Brasil levantou o caneco, ao mesmo tempo em que a Argentina, tal como em um tango, viu o drama permear sua participação — com o afastamento de Diego Maradona, que testou positivo no exame antidoping. Foi esse o contexto da reafirmação de um goleiro um tanto excêntrico e que protagonizou uma das cenas mais icônicas daquela competição: Thomas Ravelli.

Ravelli Sweden
Foto: Getty Images/ Arte: O Futebólogo

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Ser campeão, sair da fila e honrar os seus: a façanha do Benfica em 2004-05

Há países em que o jejum de títulos nacionais pode perdurar sem que isso se torne uma verdadeira tragédia. Nações como Brasil e Argentina, em que existem muitos clubes grandes, a alternância de poder é constante e muitos se sentam à mesa dos campeões. Contudo, essa não é a realidade de uma nação em que a disputa se centra em três partes. Viver uma década à sombra de rivais deixa marcas, que o Benfica conseguiu superar. Na hora mais difícil. Quando o mundo estava aos pés do Porto e havia uma promessa póstuma a ser cumprida.

Benfica Sporting 2005
Foto: SLBenfica.pt/ Arte: O Futebólogo

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