segunda-feira, 21 de abril de 2014

Elas vêm aí: México e Nigéria

Depois de contar um pouco do que Itália e Japão, dos craques Andrea Pirlo e Keisuke Honda,  trarão à Copa do Mundo, falo dos selecionados mexicano e nigeriano.




MÉXICO

Time base: Ochoa (Muñoz); Aguilar, Rafa Márquez, D. Reyes (F. Rodríguez), H. Moreno (Valenzuela), Layún (Guardado); Luís Montes, Medina, H. Herrera (Peña); Chicharito e O. Peralta (G. dos Santos). Téc. Miguel Herrera

Grupo: A. Com Brasil, Camarões e Croácia.

Expectativa: Briga com a Croácia pela segunda vaga.

Histórico: Participou de 14 Copas do Mundo. 14ª colocada no último mundial.

Em 1986, os mexicanos ficaram em 6ºlugar
Seleção que tem sido uma pedra no sapato da Seleção Brasileira nos últimos tempos, o México só se deu bem em Copas quando sediou-as. Tanto em 1970, quanto em 1986, os mexicanos terminaram a competição na sexta posição.

Hoje, a Seleção aposta seu sucesso em uma base formada por jogadores nacionais e azeitada pelos destaques mexicanos que atuam fora do país. Bons jogadores como o meia-atacante Giovani dos Santos e o lateral/meia-esquerda Andrés Guardado, podem acabar ficando de fora do time titular, que segue capitaneado pelo experiente Rafa Márquez, ex-Barcelona.

No gol há indefinição. Guillermo Ochoa, do Ajaccio, é quem mais vezes defendeu o selecionado Tricolor e, hoje, disputa a condição de titular com dois goleiros mais experientes, que, no entanto, não jogaram tantas vezes pela Seleção. Moisés Muñoz, do América, seria uma alternativa ligada ao entrosamento, uma vez que boa parte da defesa mexicana deverá ser composta por jogadores de seu clube. Correm por fora, mas com chances, José Corona, do Cruz Azul e, em último caso, Alfredo Talavera, do Toluca.

Nas laterais há uma certeza e uma dúvida. Pelo lado direito, há a confiança de que Paul Aguilar, do América, será o titular e só uma lesão o tomará o posto. Já o lado esquerdo não está fechado. Miguel Layún, também do América, é o favorito à posição, tendo disputado a grande maioria dos últimos jogos do México, mas a experiência e grande qualidade técnica de Andrés Guardado, hoje no Bayer Leverkusen, não pode ser descartada. Todos estes laterais tem como principal característica o ataque, avançando sempre e muito, uma vez que, como veremos, a tendência é que o treinador Miguel Herrera escale a equipe com três zagueiros.

Última escalação do México
Como dito, a zaga deve ser composta por três atletas. Das três vagas só uma está preenchida, a do capitão Rafa Marquez, zagueiro de reconhecida qualidade técnica e liderança. Quatro outros defensores disputam as duas vagas restantes, os beques do América Juan Carlos Valenzuela e Francisco Rodríguez e os “estrangeiros” Diego Reyes, do Porto, e Héctor Moreno, do Espanyol. A favor dos defensores do América há o já ressaltado entrosamento. Moreno é, contudo, o mais capacitado tecnicamente e Reyes o mais jovem e rápido.

Nas últimas partidas, o meio-campo afirmou dois titulares e consagrou uma dúvida. Luis Montes e Juan Carlos Medina, jogadores de León e América, respectivamente, solidificaram seus lugares no time titular. A dúvida é sobre o terceiro elemento, que pode ser Carlos Peña ou Hector Herrera. O primeiro, jogador do León, embora não tenha a qualidade de seu “rival”, vive um momento extremamente superior e traz consigo o entrosamento com Luis Montes. Já Herrera, que chegou ao Porto como a grande esperança para o lugar de João Moutinho, vive uma temporada muito instável. Todas as opções tem atuado mais ao centro, permitindo os avanços dos laterais da equipe.

No ataque parece não haver dúvida e a equipe deve ir a campo com os artilheiros Chicharito Hernández, do Manchester United, e Oribe Peralta, do León. Pela seleção, a dupla soma 51 gols em 88 jogos, boa média.

Apesar dessa tendência nacional, muitos jogadores foram testados no último ano e novidades podem aparecer. Certa mesma é a ausência do excelente atacante Carlos Vela, da Real Sociedad, como já afirmado pelo próprio jogador. Resta saber como e se haverá o encaixe de bons jogadores como Giovani dos Santos, atualmente no Villarreal.

Entrosada e comprometida, a seleção mexicana tem condições de avançar de fase na Copa. Tudo dependerá, sobretudo, do que fizer na partida contra os croatas.


NIGÉRIA

Time base: Enyeama (Ejide); Ambrose, Oboabona, Egwuekwe (Omeruo), Elderson; Mikel, Onazi (Mba); Musa, Moses, Oduamadi; Emenike. Téc. Stephen Keshi

Grupo: F. Com Argentina, Bósnia e Irã.

Expectativa: Briga pela classificação às Oitavas de Finais.

Histórico: Disputou quatro Copas. 27ª colocada no último mundial.


Em 1998, Jay Jay Okocha era um dos
grandes destaques.
Renovado, o selecionado nigeriano está passando por um processo de reconstrução. Desde o fracasso na Copa Africana de Nações de 2012 – quando sequer se classificou para a disputa –, o técnico Stephen Keshi tem testado muitos jogadores. Os principais destaques da seleção são ainda muito jovens e talvez não estejam prontos para o grande desafio que representa a Copa do Mundo. Apesar disso, os africanos já obtiveram êxitos. Na Copa Africana de Nações de 2013, a Nigéria conquistou seu terceiro título do torneio.

Como sempre, os nigerianos trarão um jogo de muita velocidade e luta, mas, certamente, alguns jogadores ainda estarão “verdes”. Victor Moses, Ahmed Musa, Ogenyi Onazi e Oboabona, são exemplos  de jogadores ainda muito jovens (todos com no máximo 23 anos).  

Para o gol a equipe vem com uma dúvida. Vincent Enyeama ou Austin Ejide? Os dois arqueiros tem se revezado na posição e o titular só será definido às vésperas da Copa. Enyeama, goleiro do Lille, é mais experiente e tem melhores reflexos, mas é relativamente baixo (1,82m). Já Ejide, que atua no futebol israelita, tem alguns centímetros a seu favor (1,90m). O terceiro goleiro deverá ser Chigozie Agbin, do Gombe United, da própria Nigéria.

As laterais deverão ser compostas pelo zagueiro do Celtic Efe Ambrose, do lado direito, e pelo ala do Monaco, Elderson Echiéjilé. O primeiro é um defensor, ficando restrito às funções de resguardo, sendo, na prática um zagueiro direito. Já Elderson é muito ofensivo, sendo útil na saída de bola da equipe, na aproximação com meias e atacantes. Caso opte por um lateral direito de ofício, Keshi poderá escalar Kenneth Omeruo, jovem de 20 anos que pertence ao Chelsea, mas está emprestado ao Middlesbrough.

A zaga, a princípio será formada por outros dois jogadores de pouca experiência. Godfrey Oboabona, do Rizespor da Turquia – e que foi alvo de Arsenal e Newcastle na última janela de verão –, e Azubuike Egwuekwe, que atua no futebol local tem sido as escolhas preferidas do treinador. O primeiro tem mais velocidade e mobilidade, já o segundo mais posicionamento e um forte jogo aéreo (possui  1,95m). Entretanto, se Omeruo for o escolhido para jogar na lateral direita, Ambrose pode ser deslocado para a defesa, ganhando a vaga de Egwuekwe.

Última escalação da Nigéria
Iniciando as jogadas ofensivas da equipe e destruindo as adversárias, a Nigéria conta com uma dupla de muita força e vitalidade. Apesar dos 26 anos, John Obi Mikel, do Chelsea, é um dos jogadores mais experientes da equipe e uma das grandes referências. Volante alto, impõe-se no meio-campo, tendo boa qualidade nos desarmes. A seu lado deve jogar Ogenyi Onazi, da Lazio. Mais móvel que Mikel, o jovem de 21 anos, tem qualidade na transição do meio-campo para o ataque e muita disposição. Contudo é, às vezes, violento. A principal alternativa para o setor é Sunday Mba do CA Bastia, da segunda divisão francesa.

Mais à frente jogará um tridente que combina velocidade, habilidade e muita movimentação, mas é, por vezes, excessivamente individualista e peca muito nas finalizações. Pela direita há a presença de Nnamdi Oduamadi, jogador do Milan e que está emprestado para o Varese. Pelo centro, Victor Moses, jogador do Chelsea, emprestado ao Liverpool, que viveu altos e baixos no clube londrino e é agora reserva na terra dos Beatles. Pela esquerda atua o mais promissor dos três, Ahmed Musa, atacante do CSKA, que anotou sete gols na atual edição do Campeonato Russo. Outros jogadores que podem aparecer nessas funções são Brown Ideye, do Dynamo de Kiev, e o experiente Victor Obinna, atualmente no Chievo.

No centro do ataque, a não ser que ocorra alguma lesão, o titular será Emanuel Emenike, centroavante do Fenerbahçe, que atuou no Spartak Moscou. Forte como um tanque, o atacante vive bom momento. Na temporada, em 34 jogos, marcou 15 gols e criou oito assistências. Quem ganhou oportunidades recentemente e pode ocupar o lugar de Emenike, caso este não possa jogar, foi o experiente atacante do Newcastle, Shola Ameobi.

Em evolução, é difícil determinar o que se poderá esperar do time nigeriano. Como dito, velocidade e força não faltarão. Num grupo com equipes, de certa forma, imprevisíveis – Bósnia e Irã – tudo é possível.


sexta-feira, 18 de abril de 2014

Agora vai, Vélez?

Desde o final da primeira década do século XXI, muito se espera do Vélez Sarsfield. O título do Torneio Clausura de 2009, consagrou uma equipe que apostou fortemente nas categorias de base e colheu frutos. Naquele ano, o clube contava em seu elenco com jogadores do nível de Nicolás Otamendi, Fernando Tobio, Marco Torsiglieri, Iván Bella, Ricky Álvarez e Jonathan Cristaldo. Todos formados no Estádio José Amalfitani.




Então, o Vélez já era comandado por Ricardo Gareca (foto), que treinou a equipe entre 2009 e 2013 e
que também traria para o time outros jovens de valor como o lateral direito Gino Peruzzi, o volante Lucas Romero, os meias Federico Freire e Agustín Allione, e os atacantes Ezequiel Rescaldani e Ramiro Cáseres. Estes, com o suporte de jogadores experimentados, como o zagueiro Sebá Domínguez, os laterais Fabián Cubero e Emiliano Papa, o volante Leandro Somoza e o meio-campista Federico Insúa e de outras contratações pontuais, como Juan Martínez e Maxi Morález, ajudaram o clube a voltar a figurar entre os gigantes na Argentina. Contudo, na Copa Libertadores tem deixado a desejar.

Em 2010, liderou um grupo que tinha Cruzeiro, Colo-Colo e Deportivo Italia e foi eliminado já nas oitavas de finais para o Chivas Guadalajara que seria vice-campeão, perdendo a final para o Internacional. Em 2011, passou em segundo lugar em um grupo com Universidad Católica, Caracas e Unión Española, destruiu a LDU (5x0 no placar agregado), nas oitavas de finais e o Libertad nas quartas (7x2), mas caiu no gol fora de casa para o Peñarol, vice-campeão.

Em 2012, passou em primeiro enfrentando Deportivo Quito, Defensor e Chivas Guadalajara, bateu o Atlético Nacional nas oitavas de finais e foi eliminado na fase seguinte pelo Santos, nos pênaltis. Já no ano passado, quando firmou-se como um dos favoritos – com a contratação do volante Fernando Gago – também passou em primeiro em seu grupo, cujos adversários foram o Emelec, Peñarol e Deportivo Iquique. Mas, nas oitavas deu azar e enfrentou o ótimo time do Newell’s Old Boys (foto), sendo novamente eliminado.

Neste ano, o clube fez a melhor campanha da primeira fase da competição e enfrentará o Nacional do Paraguai na próxima fase. No Campeonato Argentino é o sétimo colocado, mas apenas quatro pontos distante do líder.

Apesar de não contar mais com o comando de Gareca, o time está, novamente, fortíssimo. O novo comandante não tem “nada de novo”. José “Turu” Flores, que foi o assistente técnico de Ricardo Gareca, assumiu o comando da equipe. A defesa segue a mesma dos últimos anos. O ótimo lateral esquerdo Emiliano Papa perdura como um dos destaques da equipe.

O meio-campo está renovado. Em relação ao time da última competição continental, deixaram o clube os volantes Fernando Gago e Francisco Cerro, o armador Federico Insúa e o meia Iván Bella. As soluções para o setor foram buscadas na própria equipe. Na cabeça de área o jovem Lucas Romero (foto) assumiu de vez a titularidade. Auxiliando-o, o clube tem atuado com Ariel Cabral – que já era peça importante na última temporada – e Hector Canteros, que retornou ao clube depois de uma temporada de empréstimo ao Villarreal. Outro que se firmou foi o habilidoso Agustín Allione, meia pela direita que começou a ser introduzido na equipe em 2013.

Já o ataque perdeu Facundo Ferreyra para o Shakhtar Donetsk, mas contou com a volta de Mauro Zárate, veloz atacante formado no próprio clube e que estava na Lazio.  Quem também retornou, foi o grandalhão Roberto Nanni, que, depois de se destacar no Cerro Porteño, estava no Atlante do México. A referência do setor segue sendo Lucas Pratto, centroavante que, apesar de grandalhão, tem boa mobilidade e faro de gol apurado.

Revigorado, o Vélez tentará, enfim, o sucesso que dele se espera há, no mínimo, cinco anos. Ainda há figuras experientes e emblemáticas na equipe, mas também há novidades. O clube tem demonstrado mais movimentação que em outras temporadas e, ao menos na primeira fase da Libertadores, foi avassalador. Em seis jogos conquistou cinco vitórias, perdendo, apenas, para os bolivianos do The Strongest, na altitude. Além disso, teve a segunda melhor defesa, concedendo apenas três gols.

Com uma defesa experiente, um meio-campo renovado e um ataque eficiente e poderoso, o Vélez voltou a ser um dos favoritos à conquista da América. Agora vai, Vélez?

Time base: S. Sosa; Cubero, Sebá Domínguez, Fernando Tobio (Cardozo), E. Papa; Lucas Romero, Ariel Cabral, Agustín Allione, Hector Canteros (Jorge Correa); Mauro Zárate e Lucas Pratto (R. Nanni). Téc. José Flores               

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Times que Gostamos: Benfica 1960-1962

Após lembrar o recente time do Monaco finalista da UEFA Champions League na temporada 2003-2004, falo um pouco sobre o fantástico time do Benfica da década de 60, com ênfase no triênio 1960-1962.


Em pé: Angelo, Cruz, João, Cavém, Germano e Costa Pereira.
Agachados: Augusto, Eusébio, Águas, Coluna e Simões.
Time: Benfica

Período: 1960-1962

Time base: Costa Pereira; Mario João, Germano, Ângelo; Cruz, Cavém; Coluna, Eusébio, José Augusto (Santana), Simões e Águas. Téc. Béla Guttmann

Conquistas: Campeonato Português, Taça de Portugal e Bicampeonato da UEFA Champions League.


Um time eternizado por seus feitos. A equipe que bateu o Barcelona, dos craques húngaros Sándor Kócsis e Zoltán Czibor, do “multinacional” László Kubala (defendeu as seleções Tchecoslovaca, Húngara, Espanhola e Catalã) e do brasileiro Evaristo de Macedo, e o Real Madrid, de Di Stéfano e Ferenc Puskas, jamais poderá ser esquecida. O esquadrão, que quebrou a hegemonia Merengue na UEFA Champions League e esboçou a Seleção Portuguesa terceira colocada na Copa do Mundo de 1966, merece toda a glória possível.

Trabalhada para jogar como os húngaros de 1954, a equipe do Benfica do início da década de 60 assustou pela beleza e ousadia de seu futebol. Treinado por Béla Guttmann – treinador húngaro que “criou” Ferenc Puskas e Jószef Bozsik, no modesto Kispesti AC, e passou, dentre outros clubes pelo Milan, São Paulo e seleção húngara –, o escrete adotou o famoso esquema tático WM. Traduzindo-o para a atualidade seria uma espécie de 3-2-5. Impensável nos dias atuais? Talvez. Mas revolucionário à época.

Com intensa movimentação e a presença, sobretudo, de dois cracaços de bola, os moçambicanos Eusébio e Mário Coluna, o Benfica, à exemplo dos magiares de 54, trouxe ataque massivo e impressionante capacidade de confundir os adversários. Não fosse o Peñarol de Luis Cubilla e o Santos de Pelé, poderia ter sido ainda maior.

A meta Encarnada tinha o goleiro Costa Pereira (foto). Outro jogador nascido em Moçambique – ainda colônia lusa – defendeu o Benfica por treze anos (entre 1954 e 1967), sendo titular em 10 deles. Conquanto tenha se tornado uma figura extremamente representativa no clube, ficou notabilizado por alguns frangos históricos e clamorosos. O mais famoso deles é, provavelmente, o sofrido na final da UEFA Champions League de 1963, contra a Internazionale. Pela seleção portuguesa atuou 22 vezes. É corriqueiramente escolhido o melhor goleiro da história do clube.

A linha de defesa, composta pelo zagueiro direito Mario João, pelo zagueiro central Germano de Figueiredo (foto) e pelo zagueiro esquerdo Ângelo Martins apresentava uma qualidade impressionante – o que era imprescindível, dada a “ousadia” do esquema tático. Mário João começou sua empreitada no Benfica como meia-esquerda, treinado, então, pelo brasileiro Otto Glória. Com a chegada de Guttmann, foi colocado no lado da defesa Encarnada. Polivalente, podia jogar na direita ou na esquerda.

Germano de Figueiredo, um dos portugueses que figuraram  em uma lista de 60 melhores jogadores europeus dos últimos 50 anos, feita pela UEFA em 2004, ficou conhecido por seu primor técnico e classe, chegando a atuar no meio-campo e no ataque em várias ocasiões. Já Ângelo Martins, que é lembrado como “O Sarrafeiro”, era o menos sutil da defesa. Para os Benfiquistas o apelido é retrato de sua dedicação e de seu brio.

Como a defesa não era tão protegida, cabia a Fernando Cruz uma atenção especial ao setor. Mais um jogador conhecido pela polivalência, podia atuar na lateral esquerda ou ainda mais recuado na defesa central. É difícil explicar o que seria no futebol atual. Um volante? Talvez.

Falando em versatilidade, ao lado de Cruz atuou um dos jogadores mais híbridos da história. Domiciano Cavém, era aquele atleta que todo técnico deseja. Atuava no meio-campo, ofensivo ou defensivo, no ataque, ao centro ou pelas pontas, e, ainda, na lateral direita – sempre com qualidade. Em mais de 400 jogos marcou mais de 100 tentos. Conta-se que era supersticioso. Certa vez sonhou que, se mantivesse a barba, venceria a partida seguinte. Até sua morte teria se arrependido de não ter atuado na final da UEFA Champions League, de 1963, com barba.

Mais à frente, havia um apoteótico quinteto difícil de explicar. Mario Coluna (foto à direita), “o monstro sagrado” seria o regente da ópera Encarnada. Capitão português em 1966, foi o motor do Benfica. O jogo elegante e os passes precisos marcaram o atleta que, além de tudo, é ainda lembrado por sua força no vestiário, exercendo notável liderança.

Pelos lados do ataque jogaram José Augusto, pela direita, e António Simões, pela esquerda. O primeiro jogava muito aberto, tendo como características principais o bom cruzamento e a forte bola aérea. Do outro lado, Simões – que foi apelido de “Rato Mickey” – notabilizou-ser por ser um grande driblador e o principal assistente do time.

"Sobraram" dois: Eusébio (foto à esquerda) e José Águas (foto à direita). O gênio e o artilheiro. Os dois maiores artilheiros da história das Águias. Águas, artilheiro por essência, fazia gols de todos os tipos. Pelo Benfica foram 377 em 379 jogos. Já Eusébio, maior jogador português de todos os tempos, era a verdadeira magia. O “Pantera Negra” é lenda. Era rápido, driblador, forte e artilheiro. Entretanto, tudo isso junto não descreve com precisão o maior de todos os lusos.  Em 440 jogos marcou 473 gols. Eusébio, que faleceu neste ano, é mito.

No banco de reservas, além do inovador e interessantíssimo treinador Béla Guttmann (foto) haviam alguns jogadores muito importantes. Para a defesa, José Neto, para o meio-campo, Joaquim Santana e para o ataque, José Torres (estes dois últimos ganhariam a titularidade nos anos seguintes), um verdadeiro poste de 1,91m que, ao fim de sua passagem no Benfica, confirmou-se um dos maiores artilheiros da história do clube com 226 gols em 259 jogos.



Ficha técnica de alguns jogos importantes nesse período:

Final da UEFA Champions League de 1960-1961: Benfica 3x2 Barcelona

Estádio Wandkorf, Berna

Árbitro: Gottfried Dienst

Público 26.732

Gols: ’31 Águas, ’32 Rammalets (contra), ’55 Coluna (Benfica); ’21 Kocsis e ’75 Czibor (Barcelona)

Benfica: Costa Pereira; Mário João, Germano, Ângelo; Cruz, Neto; Santana, Coluna, Eusébio, Cavém,  José Augusto, Águas. Téc. Béla Guttmann

Barcelona: Ramallets; Foncho, Gensana, Grácia; Verges, Garay; Luis Suárez, Kocsis, Kubala, Czibor e Evaristo. Téc. Enrique Orizaola

Replay do Mundial de Clubes de 1961: Peñarol 2x1 Benfica

Estádio Centenario, Montevidéu

Árbitro: José Praddaude

Público 60.241

Gols: ’35 Eusébio (Benfica); ‘5 e ’40 José Sasía (Peñarol)

Peñarol: Luis Maidana; W. Martínez, Cano, Gonçalves, Walter Aguerre; E. González, Cubilla; Ernesto Ledesma, Juan Joya, Alberto Spencer, José Sasía. Téc. Roberto Scarone

Benfica: Costa Pereira; Ângelo, José Neto, Humberto Fernandes; Cruz, Cavém; Coluna, Simões, José Augusto, Eusébio, Águas. Téc. Béla Guttmann

Quartas de finais da UEFA Champions League de 1961-1962: Benfica 6x0 Nuremberg

Estádio da Luz, Lisboa

Árbitro: Gino Rigato

Público 55.000

Gols: ‘3 Águas, ‘4 e ’55 Eusébio, ’21 Coluna, ’63 e ’78 José Augusto (Benfica)

Benfica: Costa Pereira; Mário João, Germano, Ângelo; Cruz, Coluna; Cavém, Simões, José Augusto, Eusébio e Águas. Téc. Béla Guttmann.

Nuremberg: Strick; Wenauer, Hilpert, Derbfuss; Wild, Reisch, Müller; Zenger, Strehl, Morlock, Flachenecker. Téc. Herbert Widmayer

Final da UEFA Champions League de 1961-1962: Benfica 5x3 Real Madrid

Estádio Olímpico, Amsterdã

Árbitro: Leo Horn

Público: 61.257

Gols: ’25 Águas, ’33 Cavém, ’50 Coluna, ’63 e ’69 Eusébio (Benfica); ’18, ’23, ’40 Puskas (Real Madrid)

Benfica: Costa Pereira; Mário João, Germano, Ângelo; Cruz, Cavém; Coluna, José Augusto, Simões, Eusébio e Águas. Téc. Béla Guttmann

Real Madrid: Araquistáin; Casado, Santamaría, Miera; Felo, Pachín; Di Stéfano, Del Sol, Tejada, Gento, Puskas. Téc. Miguel Muñoz