segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Há vida sem Reus?

A última rodada da Bundesliga trouxe uma desesperadora notícia para o torcedor do Borussia Dortmund: mais uma vez, Reus lesionou-se e, neste turno, ficará de fora dos gramados até o mês de fevereiro, segundo as previsões médicas. Em tempos em que o clube contava com Robert Lewandowski ou Mario Götze a perda poderia não ser tão crucial para a forma da equipe, afinal as responsabilidades eram repartidas. Todavia, o atual momento e as estatísticas atestam: a perda do craque poderá ser devastadora para os anseios da equipe.




Neste ponto da temporada, o Borussia registra a negativa marca de sete derrotas. Dentre elas, em três ocasiões o time foi batido sem a presença do craque da camisa 11, uma delas em casa para o atual 15º colocado – que tem flertado com o rebaixamento –, Hamburgo. Poder-se-ia dizer que esse não é um dado importante, levando em conta que, nos outros quatro insucessos aurinegros, Reus estava em campo. Entretanto, também não se deve desconsiderar que dois desses maus resultados foram contra o Bayer Leverkusen, que vive bom momento, e o poderoso Bayern de Munique. Além disso, em sua ausência, o time só venceu uma partida (de cinco) na Bundesliga.

Por outro lado, com ele na cancha, o clube venceu duas vezes, uma delas contra o surpreendente Borussia Mönchengladbach, atual terceiro colocado. Quando esteve em campo na Bundesliga, Reus, vice-artilheiro do time na temporada, foi responsável por três gols e duas assistências. Além disso, na UEFA Champions League, esteve presente nas duas goleadas frente o Galatasaray (4x0 na Turquia e 4x1 na Alemanha), marcando em ambos os encontros.

Ademais, outros dados confirmam a dependência dos aurinegros do futebol de Reus. Tendo atuado em apenas sete das doze partidas do time, é o segundo que mais finalizou, com 29 tentativas, atrás apenas de Pierre-Emerick Aubameyang, com 35 – em 12 jogos. Dentre os jogadores que atuam em semelhante faixa do campo (Shinji Kagawa, Henrikh Mkhitaryan, Kevin Grosskreutz e Aubameyang) apenas o japonês tem maior percentual de acerto de passes 83% contra 81%. Além disso, nenhum jogador proveu mais passes chave do que o alemão, com 18.

Na zona de repescagem, ocupando a incômoda e surpreendente 16ª colocação, o Borussia Dortmund terá que aprender a lidar com a ausência de sua grande referência de refino técnico. Outros atletas terão que assumir um papel mais importante do que o atualmente exercido. Kagawa (foto), por exemplo, é um dos atletas que terão a responsabilidade de conduzir o time à frente. Ulteriormente, a direção do time deveria analisar a possibilidade da contratação de, ao menos, um reforço de peso na janela de transferências europeias de inverno.

Provavelmente, o time não contará com Reus entre sete e onze rodadas da Bundesliga e ao menos em dois jogos da Champions League, encontros cruciais para seu destino na temporada. Para a sorte do clube, o campeonato alemão fica parado quase um mês entre os finais de dezembro e janeiro, diminuindo um pouco o impacto da ausência do maestro aurinegro.

Reus vive um momento particular muito azarado, tendo perdido a chance de participar do tetracampeonato mundial da Seleção Alemã, ficado de fora de oito jogos na atual temporada e estando, novamente, privado de atuar em função de lesões de complexidade relevante. Após sofrer um pisão no último jogo, contra o Paderborn – que se confirmaria uma ruptura dos ligamentos externos do tornozelo –, a feição de dor e desilusão do craque resumia o momento pelo qual passa sua carreira. Pior para o Dortmund, que ainda sofreu o empate na partida e, como demonstrado, vive uma “Reus-dependência”.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Contra hegemonia do Ajax, PSV cresce

Depois de fracassar retumbantemente no ano de seu centenário, tendo ficado apenas com a quarta colocação na Eredivisie e, mesmo assim, em função de um belo trabalho de recuperação desempenhado no segundo turno do Campeonato, quando, entre as rodadas 17 e 29, conquistou 11 vitórias e sofreu apenas duas derrotas, o PSV arranca nesta primeira metade da temporada como o grande favorito ao título.



O curioso é que ocorreram poucas alterações na equipe do ano passado para este. Ex-jogador do Barcelona e do próprio clube, Phillip Cocu é o treinador da equipe, que segue, como é tradição na Holanda, com uma média de idade muito baixa, 22,2 anos.

De diferente, em relação à última temporada, o clube apresentou o centroavante Luuk de Jong, para o lugar de Tim Matavz, que partiu para o Augsburg. Os meias Park Ji-Sung e Bryan Ruíz, o primeiro em função de sua aposentadoria o segundo devido ao fim de seu empréstimo, também partiram. Como reforços relevantes, chegaram Andrés Guardado (foto), que tem desempenhado função nova, mais centralizado no meio-campo, e o zagueiro Nicolas Isimat-Mirin, pertencente ao Monaco.

Se os nomes pouco mudaram, a postura da equipe evoluiu. Jogadores muito jovens como Retro Willems, Karim Rekik e, mormente, Adam Maher (foto abaixo) e Memphis Depay estão mais prontos e vivem bom momento. Depay, uma das gratas surpresas da Copa do Mundo, já soma 12 gols e cinco assistências em 13 jogos na temporada. Maher, por sua vez, está começando a mostrar seu potencial de fato. Nesta temporada, é quem mais cria jogadas ofensivas para o time, com 26, duas delas tendo se transformado em assistências.

Outro jogador de passado recente irregular que vive bom momento é Luciano Narsingh, winger que já proferiu seis assistências na temporada.

Líder da Eredivisie com 30 pontos, quatro a mais do que o rival Ajax (atual tetracampeão), tem o melhor ataque, com 33 gols (média de 2,75 por jogo) e a segunda melhor defesa, com nove gols concedidos, pior apenas que a do Feyenoord, que sofreu sete. Na Europa League, o time também vai bem, figurando na segunda colocação do Grupo E (que conta com Dinamo Moscow, Estoril e Panathinaikos), com sete pontos.

Atualmente, o time apresenta um estilo de jogo muito direto e veloz. Apesar da média de 82% de acerto de passes na Eredivisie, a terceira melhor, o clube é apenas o sétimo time que mais trocou passes, com mais de 1000 toques a menos que o Vitesse, líder da estatística. Em compensação, é o terceiro time que mais finaliza ao gol, com 201 chutes, média de 16,75 por jogo.

Como é um time leve, que muitas vezes tem jogado sem um volante de contenção, o PSV tem baixo índice de desarmes, o que não se mostra um dado negativo, justificando-se em função da alta pressão exercida sobre seus adversários, forçando-os a errar e devolver a bola. Um dos resultados disso é o baixo número de faltas cometidas pela equipe 133 (média de 11 por jogo), que configura o time como o terceiro que menos cometeu infrações e o segundo que menos sofreu cartões amarelos. Outro quesito que vale ressaltar é o aproveitamento da bola aérea da equipe, o melhor da competição, com 53% de sucesso.

O PSV 2014-2015 mostra que alguns trabalhos não podem ser desperdiçados em função de um ano turbulento. Hoje, com um estilo de muita pressão e velocidade os jogadores têm conseguido encontrar uma forma de explorarem melhor o seu potencial, o que não conseguiam na temporada passada. Cocu e seus meninos fazem excelente temporada, o que é bom para o futebol holandês, que vê como real possibilidade do final da hegemonia do Ajax. Quem ganha é o torcedor, que vê o sucesso de uma equipe impulsionar a melhora dos demais.

*Estatísticas providas pelo site Squawka

sábado, 15 de novembro de 2014

A renovação hispânica

Não há como negar. A Espanha fracassou no mundial deste ano. O controle de meio-campo esperado por parte do escrete de Xavi Hernández, Xabi Alonso, Andrés Iniesta e companhia não foi visto. Por outro lado, um estilo de jogo extremamente apático tomou conta da equipe. O ataque, que outrora contou com a boa fase de Fernando Torres e David Villa, foi inoperante com Diego Costa, que muito lutou, mas poucas bolas recebeu. Assim, o time, que segue comandado por Vicente Del Bosque, tem apresentado novas peças.



No gol, o ídolo e capitão Iker Casillas ainda está sendo convocado, mas vê David de Gea, titular em duas das quatro partidas no pós-Copa, ganhar espaço. Pepe Reina e Victor Valdés, machucados, estão perdendo espaço para Kiko Casilla, arqueiro do Espanyol, que desempenhou ótimo papel na última temporada e cuja inclusão no elenco que disputou a Copa do Mundo foi pedida.

As laterais têm peças muito bem definidas, e algumas possíveis novidades. Pelo lado direito, três jogadores disputam a posição: Cesar Azpilicueta, Juanfran e Daniel Carvajal. O tempo de Álvaro Arbeloa, antiga opção para o setor, passou e o jogador aposentou-se da Seleção. Azpilicueta vive ótimo momento no Chelsea e é opção para a lateral esquerda, motivo pelo qual é presença certa nesse novo momento. Juanfran também vive excelente forma no Atlético de Madrid, mas tem contra si a idade, já possuindo 29 anos. Carvajal, por sua vez, não tem tido tanto destaque no Real Madrid, mas é jovem.

Do lado esquerdo, é muito difícil que Jordi Alba perca sua condição de titular, uma vez que é extremamente estável, ainda é jovem e está ambientado à Seleção. Para compor o setor, duas figuras apresentam-se como opções, Alberto Moreno, que ficou entre os 30 convocados para a Copa do Mundo e vive período de adaptação no Liverpool, e Juan Bernat (foto) que, surpreendentemente, assumiu a titularidade no Bayern de Munique e que, com rara felicidade, marcou em sua estreia pela Seleção.

A zaga é o setor que menos deverá se alterar no futuro breve. Gerard Piqué e Sergio Ramos devem seguir sendo os titulares, muito em função das poucas opções. Na mesma esteira, Raúl Albiol tem sua convocação praticamente certa nos próximos tempos. A novidade recente é Marc Bartra, defensor muito irregular e contestado do Barcelona. Outras figuras que podem aparecer são Mikel San José, recentemente convocado para o encontro contra a Macedônia, e Iñigo Martínez, promissor defensor da Real Sociedad.

No meio-campo, que não mais conta com Xavi e Xabi Alonso, aposentados, e, de momento, também tem ausentes Javi Martínez (opção para a zaga), Thiago Alcântara, David Silva, Cesc Fàbregas e Andrés Iniesta, lesionados, três jogadores se apresentam como novas e reais possibilidades para o time titular, Raúl García (foto) e Koke, do Atlético de Madrid, e Isco Alarcón, que tem reconhecido talento e ganhou oportunidades no Real Madrid com a recente lesão de Gareth Bale. Ander Herrera também espera uma chance. 

Opções mais defensivas, Ander Iturraspe e Ignacio Camacho são novas alternativas, mas não devem ganhar a posição de Sergio Busquets. Outro (re)convocado recente, Bruno Soriano já possui 30 anos e não deve ter futuro na FúriaAsier Illaramendi é outra possibilidade que deve ser testada no futuro próximo.

O ataque, que vê em Diego Costa sua principal referência, tem novas e reais opções. Vivendo péssimo momento em sua carreira, Fernando Torres não deve voltar aos planos e David Villa aposentou-se. Opções como Álvaro Negredo e Roberto Soldado também vivem mau momento em suas carreiras. Assim, Paco Alcácer (foto), Rodrigo Moreno e Álvaro Morata, que vivem boa fase em seus clubes, estão ganhando oportunidades. Destes, Alcácer é quem vive melhor momento, tendo sido autor de três das quatro partidas que disputou pela Espanha.

Alternativas de lado de campo, José Callejón e Nolito, surpresa do Celta de Vigo, foram convocados em função de seu grande momento e terão que desempenhar bom papel para permanecem selecionáveis, afinal já possuem 27 anos e uma concorrência forte. Remanescente, Pedro Rodríguez deve manter-se, pois tem em sua versatilidade uma qualidade importante. Jogadores jovens que podem ganhar espaço nessa posição são Munir El Haddadi nova promessa entusiasmante do Barcelona e Gerard Deulofeu, que há tempos promete. Denís Suárez, que vive excelente momento no Sevilla, e Jesé Rodríguez, que está retornando de lesão, também pleiteiam uma oportunidade.

Neste momento, del Bosque faz um laboratório em sua Seleção. Jogadores que vivem bom momento em suas carreiras estão ganhando oportunidades e uma continuidade dependerá de seu desempenho. Algumas figuras, obviamente, seguem na equipe, mas não há como negar que uma renovação profunda – em termo de nomes – está sendo tentada. O estilo de jogo, contudo, não deve sofrer mudanças substanciais. Conseguirá reviver o sucesso dos últimos anos? O trabalho está sendo feito nesse sentido.
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