terça-feira, 23 de agosto de 2016

Marquinhos precisa pensar seu futuro com carinho

Acabou uma espera que carregou consigo um peso imensurável: o Brasil finalmente conquistou o ouro olímpico no futebol. A despeito de a Canarinho ter tido grande parte de seu sucesso baseado na qualidade de seu setor ofensivo, não há como não aplaudir o desempenho dos defensores, que concederam apenas um gol durante toda a competição. Seguindo esse raciocínio, é preciso destacar uma figura em especial: Marquinhos, um dos pilares da inédita glória.



Transparecendo grande segurança e até mesmo certa liderança, o beque do Paris Saint-Germain fez de tudo um pouco nos Jogos Olímpicos Rio 2016. Desarmes de rara beleza, cortes importantíssimos e até mesmo um gol, na goleada contra Honduras, compuseram o seu portfólio na competição. Justamente por isso, acentua-se um questionamento há tempos pendente: faz sentido Marquinhos seguir no PSG, onde é reserva da dupla formada por David Luiz e Thiago Silva, sendo muitas vezes improvisado como lateral direito?

É claro, essa não é uma pergunta de fácil resposta. Hoje, o time parisiense figura no rol dos maiores do planeta e é hegemônico em seu país. Jogar no PSG está muito longe de ser algo de que o brasileiro possa se queixar. Não obstante, janela após janela de transferências, seu nome é vividamente especulado em outras agremiações importantes. Outrora, Barcelona, Manchester United e Chelsea já foram apontados como destinos possíveis para o beque de 22 anos.

Não existe dúvida de que o rápido e seguro zagueiro tem mercado no Velho Continente. Não obstante, eventual transferência para um desses clubes poderia terminar sendo inócua para a carreira do zagueiro. O porquê? Para dar sequência a sua evolução, buscando se tornar um dos melhores defensores do mundo, Marquinhos precisa ser titular. Da mesma forma que não o é na capital francesa, poderia não sê-lo na Catalunha ou na Inglaterra. Isso é algo que deve ser considerado.

Até por isso, a “solução” pode não ser nada simples. Marquinhos é hoje um jogador caro e contratá-lo exigiria muito esforço financeiro do clube pretendente. Segundo o site Transfermarkt, especialista em análises do mercado do futebol, o brasileiro vale hoje aproximadamente £25,5 milhões. Assim, embora pudesse ser uma ótima estratégia, uma transferência para um clube de médio-grande porte, em que pudesse ser titular absoluto, é difícil de ser operacionalizada.

E o que dizer de um empréstimo? Caso o PSG aceitasse tal condição, essa seria uma excelente solução, contudo, aparenta ser totalmente inviável. O mercado simplesmente não tem presenciado situações em que um jogador tão valorizado se muda por empréstimo e, além disso, hoje, além da dupla de brasileiros titular da zaga, Les Parisiens contam apenas com o garoto Presnel Kimpembe como alternativa para o setor. A não ser que encontre retorno financeiro, dificilmente o PSG prescindirá de seu jovem talento.

Em razão de lesões de David Luiz, Marquinhos até atuou bastante na temporada passada, mas na maior parte das vezes por necessidade. Conquanto tenha disputado 43 jogos, contra 40 de David, este conseguiu mais minutos em campo, valendo destacar que em aproximadamente um quarto de suas oportunidades, o jovem foi lateral direito.

Por mais que a versatilidade seja um ponto favorável ao beque, seu lugar é na zaga central, setor em que precisa atuar com regularidade para seguir se desenvolvendo. Embora seja muitas vezes titular, claramente não é visto com tal em sua equipe.

Após alcançar grande destaque nos Jogos Olímpicos, Marquinhos poderá voltar a ver seu nome estampado em manchetes de periódicos europeus nestes dias finais de janela de transferências no Velho Continente. Apesar disso, possível mudança pelo mero propósito de mudar não seria sábia. Marquinhos tem muito talento e margem para progressão, porém precisa atuar em um time capaz de extrair seu melhor. Por isso, seu momento e perspectivas precisam ser estudados com muito carinho.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

André Silva, a aposta de ataque Portista

Na última temporada, após a negociação de jogadores importantes, o Porto sofreu e não conseguiu acompanhar seus rivais na disputa pelo título português. Dentre as baixas esteve a do centroavante colombiano Jackson Martínez, até então a referência do ataque da equipe e um de seus capitães. Sem seu goleador, o time teve dificuldades, uma vez que seu substituto, Vincent Aboubakar, não conseguiu alcançar o desempenho de seu antecessor. Para a presente campanha, buscando novos caminhos, o Porto aposta suas fichas em talento feito em casa: André Silva, de 20 anos.



Na última temporada, o jogador já havia conquistado suas primeiras oportunidades, indo bem desde o princípio. Já no apagar das luzes da campanha de 2015-2016, na final da Taça de Portugal, André Silva tirou o Porto do sufoco. Com o placar sinalizando desvantagem de dois gols em favor do Braga, anotou dois tentos e levou a disputa aos pênaltis. Após o apito final, o título não veio. A certeza de novas oportunidades, contudo, mostrou-se real. Dos 15 jogos em que atuou no ano mencionado, em pouco mais da metade o jogador foi titular, e foi justamente nesses que mais se destacou, marcando três vezes e criando três assistências.

Mostrando qualidades e bom desempenho, já no início de 2016-2017, após se destacar na pré-temporada, André foi titular da primeira partida do Campeonato Português e na fase preliminar da UEFA Champions League e fez o que mais sabe: gols, um em cada encontro.

Após passar com muito êxito pelas equipes de base do Porto e da Seleção Portuguesa (representou-a nos escalões sub-16, 17, 18, 19, 20 e 21), o jogador se prepara para a afirmação como futebolista profissional, sob o comando de Nuno Espírito Santo. Mas, afinal, quem é e como joga esse prodigioso atacante, que já enverga a camisa 10 dos Dragões?

Fruto das categorias de base do próprio Porto, André chegou ao clube em 2011, após passagens por outros clubes da região, casos dos modestos Salgueiros e Padroense e do rival dos Dragões, o Boavista. Usualmente utilizado como centroavante, mas sempre tendo demonstrado capacidade para circular pelo ataque, construir ocasiões de gol e dar opções a seus companheiros, o jogador foi galgando degraus nas camadas jovens azuis e brancas.

Leia também: André Gomes e o desafio de ser um meia Culé

Todavia, sua versatilidade foi posta à prova quando o jogador chegou ao time sub-19, que já possuía Gonçalo Paciência como referência. A partir de então, André Silva passou a ser opção pelas pontas em muitas ocasiões e não decepcionou. Não obstante, sempre ficou claro que seu melhor futebol é visto quando o jogador atua como centroavante, posição em que a combinação da força e velocidade que o caracterizam tem mais espaço para se expressar.

Embora não seja um jogador com facilidade para o drible, não revela dificuldade para se sobressair em situações de um contra um, abusando de sua explosão e físico privilegiado, e sempre buscando a finalização. Além disso, mostra determinação incomum para jogadores de sua idade, dando demonstrações impressionantes de dedicação e entrega. Outra prova de sua maturidade foi a assunção da tarefa de cobrar as penalidades do clube neste início de temporada.

Parece claro que o jogador está destinado à grandeza com a camisa do Porto e, brevemente, da Seleção das Quinas, que sofre há anos para encontrar um centroavante cuja qualidade esteja à altura da dos demais jogadores (por mais que Éder tem marcado o gol do inédito e fantástico título luso na Euro 2016).

No início da pré-temporada que antecedeu o início da época atual, Nuno Espírito Santo elogiou o garoto, em programa transmitido pela RTP, corroborando os aplausos de Manuel Fernandes, ex-atacante do Sporting:

“O André tem essas qualidades [noção de movimentação e boa técnica] e agora tem de fazer o seu trabalho e continuar a crescer. E esse seu trabalho passa pelo clube. Tem essas qualidades, sem dúvida, e tem de começar a demonstrá-las”.

Diante disso, como já ressaltado, começou a temporada como titular e vai aproveitando as chances que lhe têm sido concedidas. Artilheiro do clube nos amistosos preparatórios para a campanha de 2016-2017, começou-a como titular – mesmo diante de forte concorrência, o que inclui o recém-chegado Laurent Depoitre, belga ex-Gent –, marcando gols e se destacando. Dito isso, fica dado o recado: vale a pena acompanhar o desenvolvimento de André Silva, hoje a grande esperança de um futuro recheado de gols para o Porto e a Seleção Portuguesa.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

André Gomes e o desafio de ser um meia Culé

Mesmo antes da chegada de Pep Guardiola ao Barcelona, o clube catalão já era conhecido pela capacidade que seus meio-campistas possuíam para passar a bola. Na última temporada, todas as principais alternativas do meio Culé conseguiram mais de 85% de aproveitamento neste fundamento. Essa é a realidade que André Gomes, recém-chegado ao Barça, terá pela frente em 2016-2017. Embora seja reconhecidamente talentoso, o médio português terá muito o que aprimorar para disputar posição no Camp Nou.



Dos jogadores de maior destaque do Valencia na última temporada, André Gomes chegou a Barcelona após fazer uma Euro 2016 apenas regular, a despeito do título. Embora tenha feito bom ano com seu antigo clube, não é fácil entender o que os catalães viram em seu novo contratado, que terá que se provar. Mesmo nos Valencianistes, o jogador já mostrava que seu aproveitamento nos passes, algo extremamente cobrado no Barça, não é tão preciso.

Em 30 partidas, André ofereceu 1278 passes, com acerto de apenas 80,7%. O desempenho não é bom nem quando comparado com o de outros de seus companheiros. Enzo Pérez (87%), Dani Parejo (85%) e Javi Fuego (85%), obtiveram melhores números. Sequer é possível dizer que o jogador errou muito porque tentou muitas vezes toques arriscados – foram apenas 23 passes-chave e três assistências.

Defensivamente, o desempenho de André Gomes também não chama atenção. O meia conseguiu apenas 24% de aproveitamento nas recuperações de bola. Até mesmo Arda Turan, meio-campista turco do Barça que, visivelmente, não se adaptou ao clube catalão se superiorizou nesse atributo na última temporada, com 45% de aproveitamento.


Na Euro 2016, seu desempenho estatístico até foi mais interessante, mas não muito. André alcançou 82% de aproveitamento nos passes, ao passo que Danilo (90%), Willian Carvalho (89%), João Moutinho (87%), Adrien Silva (86%), João Mário (86%) e Renato Sanches (85%), todos jogadores do meio luso, obtiveram melhor aproveitamento nos passes. Embora tenha começado a competição como titular, perdeu a posição em razão de um pequeno problema físico na partida contra a Polônia e foi reserva nos jogos decisivos contra País de Gales e França, possivelmente as melhores partidas de seu selecionado no torneio.

Parece evidente que André Gomes não chega para disputar a titularidade. Neste momento, seu desempenho está muito distante do de seus concorrentes em atributos determinantes para o bom andamento coletivo blaugrano. Apesar disso, o luso já mostrou lampejos de genialidade em muitas ocasiões, com muita qualidade na condução de bola, visão de jogo e nas finalizações, provavelmente a razão que levou o clube a contratá-lo. Aos 23 anos, ainda é jovem, mas precisará de maior regularidade para se tornar opção realmente útil ao treinador Luis Enrique.

Ivan Rakitic, por exemplo, até não mostrava percentual de acerto de passes tão alto quando chegou ao Barça vindo do Sevilla, 80% nas temporadas 2012-2013 e 2013-2014, mas isso se justificava. Na primeira destas campanhas, o croata criou 100 oportunidades de gol (10 assistências) e na segunda 78 (novamente 10 assistências).

A postura de André, contudo, deve ter animado os torcedores. Além de ter optado pelo Barça em detrimento do Real Madrid, mostrou humildade em sua apresentação:

"Quero continuar a crescer, quero aprender. Há muitos jogadores de referência. Tenho perto de 23 anos e tenho tempo para tornar-me um jogador melhor, é o que espero (...) Cada clube tem a sua personalidade e penso que o FC Barcelona é mais parecido comigo”.

A contratação não é ruim para os catalães, mas é um negócio que dificilmente trará impacto no curto prazo. Todavia, considerando o valor pago ao Valencia (€35 MI), é possível que se encontrasse negócios mais interessantes no mercado. Em um time que já conta com jogadores absurdamente talentosos no ataque, a margem para o risco no meio-campo não é grande. Lionel Messi, Neymar e Luis Suárez são os grandes criadores de oportunidades do time e portanto as peças a quem se dá maior possibilidade de erros de passe.

Por isso, André Gomes precisará evoluir. De seu talento ninguém duvida, mas seu nível de concentração terá de ter uma melhora significativa. Só assim, arriscará menos e quando o fizer nos veremos diante de ocasiões calculadas e provavelmente acertadas. Fundamentalmente, na troca de passes e nas movimentações comuns e constantes, o português precisará mostrar maior acurácia: este é seu maior desafio.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Times de que Gostamos: Newcastle 1995-1997

Após trazer à memória o time do Nacional de Montevidéu que pôs fim à descrença e conquistou sua primeira Copa Libertadores da América, em 1971, falo sobre o esquadrão do Newcastle de meados da década de 90, que bateu na trave duas vezes seguidas na Premier League.


Time: Newcastle

Período: 1995-1997

Time base: Snircek (Hislop); Watson (Barton), Peacock, Howey (Albert), Beresford; Beardsley, Batty, Lee, Ginola; Alan Shearer (Gillispie) e Les Ferdinand. Téc.: Kevin Keegan

Conquista: Nada

O Newcastle United é reconhecido como um dos clubes que possui uma das torcidas mais fieis da Inglaterra. Ano após ano, mesmo diante da ausência de conquistas, os torcedores dos Magpies superlotam o estádio St. James Park, apoiando a equipe na alegria e na tristeza. Mesmo atualmente, tempo em que o clube não vive bons momentos, com dois rebaixamentos em menos de uma década, os torcedores resistem. Na década de 90, todavia, esse amante do clube tinha motivos para sorrir.

Comandado por Kevin Keegan, o clube do nordeste da Inglaterra chegou perto do posto mais alto do futebol inglês em duas ocasiões. Um trabalho que começou em 1992, com a conquista da segunda divisão, viveu seu ápice entre 1995 e 1997, quando o Newcastle chegou perto de vencer a Premier League, mas foi batido pelo Manchester United de Eric Cantona e Sir Alex Ferguson, sendo vice-campeão duas vezes.

Tudo isso foi resultado da paciência e do planejamento, uma vez que o clube permitiu a seu treinador tempo para gradualmente construir uma identidade e um time capaz de bater de frente com os mais fortes do país. O período também coincidiu com a chegada de Sir John Hall à presidência do clube e logo este passou a ter mais capacidade financeira para fazer investimentos e contratar bons jogadores. 

Com o estilo ofensivo, os Magpies arrebataram o coração dos amantes do futebol, que viram o clube alcançar o terceiro maior número de gols marcados da competição em 1995-1996 (66) e o segundo em 1996-1997 (73). No período, também protagonizou feitos imensos, como uma vitória por 7x1 frente o Tottenham e outra de 5x0 contra o Manchester United, encantando.

Na defesa da meta da equipe houve alternância. Inicialmente, a titularidade cabia ao tcheco Pavel Snírcek (foto), arqueiro que defendeu o clube entre 1991 e 1998. Todavia, após ser punido com suspensão em 1995, perdeu espaço para o trinitário Shaka Hislop, que foi o titular até se lesionar, perdendo a condição para seu concorrente que, daí em diante, foi a opção habitual. Com desempenho fulgurante, o europeu foi uma das peças-chave das campanhas do clube, sendo eleito em muitas ocasiões Man of the Match e assegurando preciosos pontos para o Newcastle. Curiosamente, os goleiros voltariam a se encontrar anos mais tarde, no West Ham.

A lateral direita era defendida por um dos jogadores mais queridos dos torcedores dos Magpies. Steven Watson, defensor versátil, era cria da casa e já defendia as cores da equipe profissional desde 1990, ocasião em que se tornou o jogador mais jovem a vestir a camisa do clube. Por sua vez, capitão da equipe, John Beresford era o responsável pela lateral esquerda. Um míssil pelo flanco, era ofensivo e uma das peças cruciais ao funcionamento do time. Sua qualidade técnica era tão grande que muitas vezes o atleta atuava no meio-campo. Outra peça que atuou pelas laterais foi o polivalente Warren Barton, que, por nutrir uma veia ofensiva forte, muitas vezes ficava no banco.
Na zaga a principal referência era o inglês Darren Peacock (foto). Alto e forte no jogo aéreo, ficou eternizado por ter anotado o primeiro gol da famosa goleada do Newcastle frente o Manchester United.

Habitualmente, seu companheiro de defesa era o belga Philippe Albert, que teve parte de sua trajetória interrompida por muitas lesões, mas ficou eternizado como um defensor que possuía especial apreço para sair jogando e avançar no campo. Em decorrência de suas ausências, quem ganhou muito espaço no período foi Steve Howey, outro prata da casa, e que, curiosamente, atuava no ataque nas categorias de base.

Como o time era formatado em um esquema tático 4-4-2 tradicional, havia dois meio-campistas pelos lados e outros dois mais centralizados. Pelo miolo, sendo vital nos desarmes e distribuição de bola dos Magpies, havia a presença importante de David Batty (foto), um dos melhores meio-campistas ingleses dos anos 90 e dono de uma entrega coletiva ímpar. Campeão inglês com o Blackburn, era um dos membros mais experientes do time, um verdadeiro ponto de equilíbrio.

Seu companheiro era Rob Lee, outro ídolo do Newcastle e que também integrou a Seleção Inglesa no período. Embora tenha atuado parte da carreira pelo lado direito, era melhor pelo centro, por onde fez história no clube, entre 1992 e 2002. Tanto Lee quanto Batty disputaram a Copa do Mundo de 1998.

Quem também atuou pelo setor em muitas ocasiões no setor foi Lee Clark, jogador formado no clube e que, em 1997, protagonizou uma das transferências mais controversas da história alvinegra, mudando-se para o Sunderland. Era jogador mais ligado à marcação forte e viril do que seus companheiros, ficando marcado pelo impressionante comprometimento que transparecia. Mesmo tendo atuado no maior rival dos Magpies ainda retornou ao clube ao final de sua carreira.

Na criação, mais pelo lado direito, atuou aquele que para muitos é o maior jogador da história do Newcastle: Peter Beardsley (foto). Por vezes atacante, após a chegada de Alan Shearer passou a atuar mais recuado e se destacou. Pequeno, esguio, veloz e driblador foi um grande ídolo, um jogador extremamente criativo e também capaz de marcar gols. Ao todo, entre 1983-1987 e 1993-1997, disputou 321 jogos pelo clube, anotando 119 gols. É outra figura que marcou seu nome no English Team, com mais de 50 convocações.

Pelo outro flanco havia ainda mais talento: David Ginola. Conhecido como El Magnifico, era rápido, driblador e finalizava muito bem, tendo obtido encaixe perfeito na equipe, que defendeu apenas entre 1995 e 1997. Ainda hoje há quem se pergunte qual teria sido a razão que impediu o jogador de brilhar com a camisa da Seleção Francesa, sendo o fracasso nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 1994 um dos fatores usualmente apontados.

Antes da chegada de Shearer, que condicionou o recuo de Beardsley, quem atuava na meia-direita era Keith Gillespie, cria do Manchester United, clube em que não obteve oportunidades. Também era talentoso e seguiu sendo membro importante da equipe, apesar de perder a titularidade.

O ataque é o setor mais fácil de descrever com apenas um adjetivo: letal, para muitos o mais prolífico da história do clube. De um lado, Les Ferdinand, do outro Alan Shearer (foto). O primeiro era forte, alto e bom finalizador com os pés e de cabeça. Em 83 partidas pelo clube, anotou 50 gols. Por sua vez, o último é considerado um dos maiores centroavantes ingleses de todos os tempos. Com posicionamento perfeito e capacidade de finalização soberba, Shearer se tornou símbolo do Newcastle, tendo disputado um total de 404 jogos e anotando 206 tentos.

Regendo toda a equipe, como ressaltado, estava a figura de Kevin Keegan, o mentor de um dos mais brilhantes, atrativos e ofensivos times de futebol que já pisaram em solo inglês.

Ficha técnica de alguns jogos importantes nesse período:

12ª rodada da Premier League 1995-1996: Newcastle 2x1 Liverpool 

Estádio St. James Park, Newcastle 

Árbitro: Michael Reed 

Público 36.547 

Gols: ‘2 Ferdinand e ’89 Watson (Newcastle); ’10 Rush (Liverpool) 

Newcastle: Hislop; Watson, Peacock, Howey, Beresford; Gillespie (Albert), Lee, Barton, Ginola; Ferdinand e Beardsley. Téc.: Kevin Keegan 

Liverpool: James; Scales, Jones, Wright, Babb, Harkness; McManaman, Barnes, Redknapp; Rush (Collymore) e Fowler. Téc.: Roy Evans

10ª rodada da Premier League 1996-1997: Newcastle 5x0 Manchester United 

Estádio St. James Park, Newcastle 

Árbitro: Steve Dunn

Público 36.579

Gols: ’12 Peacock, ’30 Ginola, ’63 Ferdinand, ’75 Shearer e ’83 Albert (Newcastle) 

Newcastle: Srnicek; Watson (Barton), Peacock, Albert, Beresford; Beardsley, Lee (Clark), Batty, Ginola; Shearer, Ferdinand. Téc.: Kevin Keegan 

Manchester United: Schmeichel; Gary Neville, Johnsen (McClair), May, Pallister, Irwin; Butt, Beckham, Poborsky (Scholes); Cantona e Solskjaer (Cruyff). Téc.: Sir Alex Ferguson

21ª rodada da Premier League 1996-1997: Newcastle 7x1 Tottenham 

Estádio St. James Park, Newcastle 

Árbitro: Gerald Ashby 

Público 36.308 

Gols: ’20 e ’82 Shearer, ’22 e ’59 Ferdinand, ’61 e ’88 Lee, ’79 Albert (Newcastle); ’89 Nielsen (Tottenham) 

Newcastle: Hislop; Watson, Peacock, Albert, Beresford; Beardsley, Lee, Batty, Gillespie (Clark); Shearer e Ferdinand. Téc.: Kevin Keegan 

Tottenham: Walker; Carr, Wilson, Campbell, Calderwood; Sinton (Dozzell/Rosenthal), Howells, Nielsen, Iversen; Fox e Sheringham. Téc.: Gerry Francis
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