segunda-feira, 23 de março de 2015

Desprezado pelo Chelsea, pretendido pelo mundo

Quando José Mourinho retornou ao Chelsea, no início da temporada 2013-2014, as esperanças do torcedor dos Blues se renovaram. Com um currículo ainda mais vitorioso do que aquele que havia construído até deixar Stamford Bridge (em 2007), o português era certeza de sucesso. Prometendo glórias só na temporada seguinte (a atual), o comandante também demonstrou a particular intenção de aproveitar um garoto cujo recorde recente havia sido excelente: Kevin De Bruyne.




Um dos maiores destaques da famigerada e promissora “Geração Belga”, De Bruyne havia feito brilhante temporada em 2012-2013. Na ocasião, aos 21 anos o garoto representava, emprestado, as cores do Werder Bremen. 34 jogos, 10 gols e 10 assistências foram sua marca, prova mais do que suficiente de que o talento do garoto era inegável e de que a hora de ser aproveitado em Londres havia chegado.

Contratado junto ao Genk, em 2012, após dois empréstimos (o primeiro ao clube de sua origem), o belga estava pronto para dar o salto de qualidade. Não obstante, não foi isso o que aconteceu.

Presente em apenas nove jogos, contabilizando um total aproximado de 43 minutos por partida, o jogador viu-se criticado por José Mourinho, sem espaço e preferiu sair – após partida contra o Swindon, pela Capital One Cup, chegou a ser relegado ao treinamento com o time sub-21. Não bastasse sua pouca utilização, De Bruyne quase sempre foi aproveitado pelos flancos do meio-campo, possibilidade que, embora lhe seja familiar, não lhe permite o melhor desenvolvimento de seu jogo.

“A próxima vez em que Kevin estiver no campo, ele tem que pensar que está jogando pela sua próxima aparição. No Werder Bremen, ele jogava todos os jogos. Aqui, ele não está jogando todos os jogos. Em Bremen, ele não tinha que se provar tanto. Essa é uma realidade diferente. Aqui ele está competindo com jogadores muito bons, então cada minuto que ele passa no campo ele tem que trabalhar muito duro,” disse Mourinho ao Independent, em setembro de 2013.

Preterido pelo Chelsea, De Bruyne foi vendido ao Wolfsburg, em janeiro de 2014. Na oportunidade, demonstrou insatisfação com seu estágio em Stamford Bridge, explanando não entender, de forma alguma, o porquê de sua subutilização.

"A minha pré-temporada foi boa, o meu primeiro jogo também. Mas continuo sem saber por que perdi o meu lugar depois do duelo contra o Man. United. Também nunca perguntei a Mourinho e ele nunca me disse: 'Kevin, não estás a treinar bem'. Lamento que ele tenha dito numa conferência de imprensa que eu não estava a treinar bem. Eu não sou assim, dou sempre 100% nos treinos.

Essas declarações criaram uma imagem errada a meu respeito. Depois da entrevista, comecei a trabalhar ainda mais, até nas minhas folgas. Perdi três quilos e 2% de gordura, ainda que tivéssemos à disposição no clube Coca-Cola e chocolate. Depois, em dezembro, falei com o Mourinho. Ele disse que haveria sempre a possibilidade de me utilizar e que não estava interessado em me deixar sair, nem por empréstimo. Disse que eu era bom jogador. Mas, a minha situação nunca se alterou. Foi por isso que pedi de forma amigável para me deixarem sair, " falou o belga em sua apresentação ao Wolfsburg.

De volta à Bundesliga, demorou três jogos para dar sua primeira assistência. A despeito disso, teve tempo para dar mais seis e marcar três gols. Sua performance só não foi melhor porque o Wolfsburg viveu uma temporada muito instável, tendo um final positivo, justamente quando a forma do belga cresceu. Seus três tentos foram marcados nas últimas quatro rodadas do Campeonato Alemão e, quando De Bruyne marcou, os Wölfe venceram.

Terminando bem a temporada passada, o jovem conseguiu um novo início de época interessante e uma sequência fantástica, em 2014-2015. Plenamente ambientado, atuando com liberdade e circulando por toda as faixas do ataque germânico, De Bruyne já marcou 14 gols na temporada e proveu impressionantes e inigualáveis 24 assistências, recorde absoluto no futebol europeu. Seu momento mais memorável foi o impressionante jogo contra o Bayern de Munique. Na ocasião – vitória por 4x1 –, De Bruyne marcou dois gols e proveu uma assistência.

“Nós voltamos ao jogo rapidamente e depois foi fácil ver que podemos jogar um futebol muito bom – especialmente Kevin De Bruyne, que é excepcional,” disse seu treinador, Dieter Hecking, em coletiva após a vitória contra os bávaros.


Especial nos passes e nos gols, Kevin De Bruyne virou objeto de desejo de uma infinidade de grandes equipes mundo afora. Manchester City, Manchester United, Arsenal e Bayern de Munique já demonstraram interesse em contar com seu futebol na próxima temporada. Será mesmo que o belga não servia para o Chelsea? Ou houve um erro de avaliação da parte do clube londrino – em especial do treinador José Mourinho?

A certeza é que, quando De Bruyne está bem, o Wolfsburg também está e isso tem acontecido com impressionante frequência. Segundo os critérios do site Whoscored, o belga tem a segunda melhor avaliação geral na Bundesliga, atrás apenas de Arjen Robben. Não à toa, os Lobos são os vice-líderes da Bundesliga e seguem vivíssimos na Europa League, após eliminar com propriedade a Internazionale de Milão. Desprezado pelo Chelsea, De Bruyne reassumiu protagonismo no futebol alemão e, com inúmeros interessados em seu futebol, tem o céu como limite.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Times que Gostamos: Portsmouth 2007-2008

Após lembrar o exitoso time do Club Brugge, treinado pelo famoso Ernst Happel, trato do interessante time do Portsmouth, que, em 2007-2008, sob o comando de Harry Redknapp, conquistou a FA Cup, chegando à UEFA Cup do ano seguinte.





Time: Portsmouth

Período: 2007-2008

Time Base: David James; Glen Johnson, Sol Campbell, Distin, Hreiðarsson; Papa Bouba Diop (Lass Diarra), Pedro Mendes, Muntari, Kranjcar; Utaka e Kanu (Defoe). Téc.: Harry Redknapp

Conquista: FA Cup

Atualmente na quarta divisão inglesa, distante dos holofotes que o cercaram em meados da última década, o Portsmouth vive sob as sombras de seus sucessos. Mas o que aconteceu, exatamente? Elevado à Premier League pelo treinador Harry Redknapp, o clube fez, entre 2003-2004 e 2005-2006, campanhas ruins, mas conseguiu se manter na elite.

Eis que, no início de janeiro de 2006, o magnata Alexandre Gaydamak chegou ao clube com intenções ambiciosas. Dono do time, o empresário passou a emprestar dinheiro à equipe, financiando contratações caras e o pagamento de vultuosos salários. Foi assim que o clube conseguiu alçar voos altos e o título da FA Cup. Não obstante, veio a crise mundial e, se dizendo em complicações financeiras geradas com a recessão, decidiu vender o clube, atolado em dívidas de empréstimos e impostos (que seriam posteriormente descobertas).

Apesar de todo esse panorama, o torcedor do Pompey, viveu dias inesquecíveis em meio aos anos 2000, mormente, entre as temporadas 2006-2007 e 2008-2009. Em meio a esses anos, veio o título da FA Cup, muito lembrado pelo fato de o Portsmouth ter eliminado o Manchester United, de Cristiano Ronaldo, Wayne Rooney e Carlos Tévez, em um jogo maluco, que contou com lesão de Edwin van der Sar, expulsão de Tomasz Kuszczak – seu reserva –, terminando com Rio Ferdinand no gol.

Na Premier League, a equipe também fez boa campanha, ficando em 8º lugar.

A meta do time era defendida pelo experiente David James (foto). Embora não fosse um goleiro espetacular, era considerado por muitos o melhor goleiro inglês da época. Contratado junto ao Manchester City, chegou ao clube com 36 anos, mas ainda conseguiu destaque, defendendo a Seleção Inglesa na Copa do Mundo de 2010. Na campanha da FA Cup, em seis jogos, ajudou a equipe a manter cinco clean sheets, sofrendo um único gol, contra o Plymouth Angle.

Na lateral direita, após fracassar no Chelsea, o jovem Glen Johnson (foto) finalmente despontava como a referência inglesa de sua posição. Na temporada, o ala disputou 39 jogos, marcou um gol e proveu cinco assistências. Pelo flanco contrário, o titular foi o islandês Hermann Hreiðarsson. Mais afeito às funções de defesa, era muito importante para o balanço defensivo da equipe, que, habitualmente, tendia a atuar mais pelo lado destro. Era também peça importante no elenco, uma vez que podia atuar como zagueiro.

A zaga era um dos pontos mais fortes da sexta melhor defesa da Premier League 2006-2007. Do lado direto, havia toda a experiência de Sol Campbell (foto), ídolo do Arsenal e capitão da equipe. Se já não tinha a explosão física do auge de sua carreira, o beque ainda conservava um senso de posicionamento apuradíssimo e importante força nas bolas aéreas. Do lado esquerdo, o titular era Sylvain Distin. Zagueiro de enorme força física, o francês detinha, à época, velocidade, encaixando-se bem com Campbell e ajudando-o no jogo aéreo.  

Lembrado por ter marcado o primeiro gol da Copa do Mundo de 2002, o senegalês Papa Bouba Diop era o primeiro jogador do meio-campo do Portsmouth. Atleta de enorme força, era conhecido como The Wardrobe (“O Armário”) e também era opção para a zaga. Apesar de sua enorme força defensiva, também tinha como um de seus trunfos potentes finalizações de média distância. Quem atuou muitas vezes em sua ausência foi Lass Diarra, ex-Chelsea e que mais tarde defenderia o Real Madrid.

Em geral, à frente do africano, atuavam o português Pedro Mendes, mais à direita, e o ganense Sulley Muntari (foto), pelo lado esquerdo. Bom construtor de jogo e passador, o primeiro era quem melhor cadenciava e distribuía o jogo. Por outro lado, com enorme vitalidade, Muntari era o “motorzinho” do time. Se não tinha a calma de Pedro Mendes, tinha muita velocidade e uma capacidade pulmonar absurda.


Pensando o jogo e municiando os atacantes, o talentoso meio-campo croata Niko Kranjcar (foto) era o maestro do time. Com grande visão de jogo e jogando sempre com elegância, o atleta era o jogador de maiores qualidades do time. Em 42 jogos, marcou cinco gols e proveu seis assistências. Embora fosse muito técnico, tinha um grande problema: a instabilidade, que o fazia passar, por vezes, despercebido.
O ataque, que tinha muitas opções de qualidade, foi normalmente composto por uma dupla de nigerianos. Por um lado, havia a velocidade e grande movimentação de John Utaka, que muito contribuía para o brilho da maior estrela da equipe, o centroavante Nwankwo Kanu (foto). Apesar da idade avançada e da falta de condições físicas ideais (sofreu, inclusive, um problema cardíaco durante a carreira), o atacante ainda tinha total conhecimento da grande área adversária.

Apesar disso, o time tinha outras opções de grande qualidade, sobretudo Milan Baros, que sofreu o pênalti responsável pela vitória do Portsmouth contra o Manchester United e deu a assistência para o gol de Kanu, na semifinal, e Jermain Defoe, que não pôde disputar a FA Cup (já havia disputado pelo Tottenham, mas marcou gols importantes na Premier League).

Acima da qualidade dos jogadores estava a identificação do treinador Harry Redknapp (foto), que chegou ao clube como diretor de futebol, mas, rapidamente, assumiu o comando da equipe, conduziu-a à Premier League e – excetuando um brevíssimo período em que foi dispensado – realizou um trabalho de seis anos. Além dos jogadores já citados, o time contou, ainda, com a qualidade do polivalente Lauren, ex-Arsenal, dos meio-campistas Sean Davis e Richard Hughes e do atacante David Nugent

Ficha técnica de alguns jogos importantes nesse período:

Quartas de Finais da FA Cup: Manchester United 0x1 Portsmouth

Estádio Old Trafford, Manchester

Árbitro: Martin Atkinson

Público 75.463

Gol: ’78 Muntari (Portsmouth)

Portsmouth: James; Johnson, Campbell, Distin, Hreiðarsson; Lass Diarra, Papa Bouba Diop, Muntari, Kranjcar (Hughes); Utaka (Lauren) e Kanu (Baros). Téc.: Harry Redknapp

Manchester United: van der Sar (Kuszczak); Brown, Vidic, Ferdinand, Evra; Hargreaves (Anderson), Scholes, Nani, Cristiano Ronaldo; Rooney e Tévez (Carrick). Téc.: Alex Ferguson

Semifinal da FA Cup: West Bromwich Albion 0x1 Portsmouth

Estádio Wembley, Londres

Árbitro: Howard Webb

Público 83.584

Gol: ’54 Kanu (Portsmouth)

Portsmouth: James; Johnson, Campbell, Distin, Hreiðarsson; Lass Diarra, Papa Bouba Diop, Muntari, Kranjcar; Baros (Nugent), Kanu (Davis). Téc: Harry Redknapp

West Bromwich: Kiely; Clement, Hoefkens, Albrechtsen, Robinson; Greening, Koren, Morrison (Brunt), Gera (Do-heon Kim); Bednar (Miller), Phillips. Téc.: Tony Mowbray

Final da FA Cup: Portsmouth 1x0 Cardiff City

Estádio Wembley, Londres

Árbitro: Mike Dean

Público 89.874

Gol: ’37 Kanu (Portsmouth)

Portsmouth: James, Johnson, Campbell, Distin, Hreiðarsson; Diarra, Pedro Mendes (Papa Bouba Diop), Muntari, Kranjcar (Baros); Utaka (Nugent) e Kanu. Téc.: Harry Redknapp

Cardiff City: Enckelman; McNaughton, Johnson, Loovens, Capaldi; Ledley, Rae (Trevor Sinclair), McPhail, Wittingham (Aaron Ramsey); Hasselbaink (Thompson), Parry. Téc.: Dave Jones

quarta-feira, 11 de março de 2015

Times que Gostamos: Club Brugge 1975-1978

Depois de rememorar o grande time do Estudiantes do final da década de 60 e início de 70, tricampeão da Copa Libertadores da América, trato do forte e bem sucedido time do Club Brugge, dos anos 70, que, treinado pelo mítico Ernst Happel, conquistou títulos nacionais e quase levou o continente.


Em pé: Jensen, Bastjins, Volders, De Cubber, Leekens, Vandereycken.
Agachados: Sorensen, Cools, Lambert, Sanders, Courant


Time: Club Brugge

Período: 1975-1978

Time Base: Jensen; Bastijns, Leekens, Krieger, Volders; Vandereycken, Cools, de Cubber; van Gool (Davies), Lambert (Simoen), le Fevre (Sorensen). Téc.: Ernst Happel

Conquistas: Tricampeonato Belga e Copa da Bélgica

Treinado pelo vitorioso Ernst Happel, que no início da década havia conquistado a UEFA Champions League com o Feyenoord, o Club Brugge chegou muito perto de vários êxitos internacionais e foi o grande campeão no domínio doméstico, conquistando o tricampeonato belga e uma Copa da Bélgica.

Com uma defesa muito sólida, meio-campistas talentosos e atacantes eficientes, os Blauw-Zwart tiveram pelo caminho um enorme obstáculo: o Liverpool de Bob Paisley. Primeiro na final da UEFA Cup da temporada de 1975-1976 e depois na UEFA Champions League 1977-1978, os Reds acabaram com os sonhos do esquadrão belga, vencendo ambas as competições.

No entre temporadas, na UEFA Champions League de 1976-1977, o Brugge chegou a eliminar o Real Madrid de Paul Breitner, mas sucumbiu nas quartas de finais, contra o Borussia Mönchengladbach, do craque Juup Heynckes.

Um dos maiores ídolos de toda a história do Club Brugge, o dinamarquês Birger Jensen (foto) atuou por 14 anos no time. Selecionável entre 1974 e 1979, não teve tanto sucesso defendendo seu país, o que fez em 19 ocasiões. Tendo disputado 390 partidas pelo clube, curiosamente, chamava atenção por sua afeição por bater pênaltis. Na ausência de Raoul Lambert, o principal batedor, era um dos candidatos às cobranças, sempre aparecendo entre os cinco primeiros cobradores nas ocasiões de disputas de pênaltis. Tendo defendido o clube entre 1974 e 1988, ao final de sua carreira, escolheu a cidade de Bruges como moradia.


Pelo lado direito da defesa, Fons Bastijns (foto), outro grande ídolo do clube e, à época capitão, era a grande referência. Insolitamente, quando foi contratado, em 1967, o defensor atuava como atacante, sendo rapidamente recuado, muito em função da prematura morte do inglês Brian Hill, em 1968. Ao todo, o Gentleman, como é lembrado, disputou 502 jogos pela equipe, entre 1967 e 1981.

Pelo flanco contrário, Jos Volders era o titular. Outro atleta de longa trajetória no clube (defendeu-o entre 1974 e 1982), o lateral esquerdo foi criado no rival Anderlecht, onde atuou por sete anos. Todavia, sua história se consagrou azul e negra, tendo o ala atuado em 232 jogos pelo Club Brugge. Diferentemente da maioria dos laterais da época, Bastijns e Volders tinha vocação ofensiva e estilo de jogo voltado para o ataque.

Na defesa central, havia muita segurança. De um lado, Georges Leekens (foto) representava a força e a imposição física, tendo ficado marcado por seus carrinhos precisos e imponentes, que lhe renderam o apelido de Mac the Knife. O belga, que atualmente é treinador, é outro jogador que marcou seu nome na história do Club Brugge, com 351 jogos em nove anos de clube. Do outro lado, Eddy Krieger, contratado já aos 29 anos, era talentoso, tendo atuado grande parte da carreira no meio-campo e em outros turnos como líbero. Austríaco, chegou em 1975 e partiu em 1978.

O meio-campo foi formado, mormente, por três peças, sendo a primeira delas René Vandereycken (foto). Conhecido por seu estilo irritante de jogo, sempre provocando seus rivais, era, entretanto, dono de muita qualidade técnica, traduzida por seu bom posicionamento, passe e finalização (em 294 jogos, marcou 87 vezes). Principal protetor da defesa dos Blauw-Zwart, envergou a camisa 7 do time entre 1974 e 1981, tendo também representado a Seleção Belga 50 vezes.

Mais à direita, Julien Cools era o responsável pela ligação entre defesa e ataque. Eleito o melhor jogador do Campeonato Belga em 1977, tinha habilidade e aproximava-se muito bem do ataque. Pelo time de Bruges, jogou 261 jogos e marcou 44 gols. Pelo outro lado, coube a Daniël de Cubber semelhante papel, provendo, com seu ótimo passe, uma eficaz saída de bola. Quem também realizou essa função em alguns turnos foi o habilidoso camisa 10 Paul Courant, que, não obstante, sofreu com muitas lesões e não atuou tanto.

Na frente, o ataque começou o vitorioso período formado pela trinca Roger van Gool, pela direita, Raoul Lambert (foto), no centro, e Ulrik le Fevre, pela esquerda. Habilidoso, driblador e grande assistente, van Gool deixou o clube em 1976. Vendido ao Köln, se transformou na primeira transferência milionária da história da Bundesliga. Em 1977, foi a vez do veloz dinamarquês le Fevre deixar a equipe, optando por retornar ao seu país, que defendeu em 37 ocasiões.

Durante todo o período vitorioso do clube quem se manteve foi Lambert, possivelmente, o maior ícone da história do time. Criado na base do Club Brugge, defendeu-o entre 1962 e 1980, vestindo a camisa azul e preta em 458 jogos e balançando as redes 270 vezes. Lotte, como ficou conhecido, estreou pelo time aos 17 anos e se despediu aos 35, sendo lembrado por seus tentos e também por sua categoria. Em toda a sua carreira, foi admoestado apenas duas vezes com cartões amarelos.

Com as saídas de van Gool e le Fevre, Lotte jogou muitas vezes com a companhia do inglês Roger Davies, que era grandalhão (1,91m) e forçava o belga a se deslocar mais no ataque e do ótimo ponta esquerda dinamarquês Jan Sorensen, que chegou ao clube em 1977 e permaneceu até 1983.

Controverso mas, sem dúvidas, competente, Ernst Happel elevou o estatuto do Club Brugge, tornando-o conhecido internacionalmente e aumentando sua importância nacional. Antes de sua passagem, o clube só havia conquistado o Campeonato Belga duas vezes. Após sua chegada, o clube conquistou mais onze torneios. Sua filosofia era a de que os jogadores deviam ganhar um salário não muito alto, mas terem a possibilidade de conquistar prêmios pelo alcance de objetivos, incentivando-os a sempre almejar o topo, o que mostrou-se extremamente eficiente.

Ficha técnica de alguns jogos importantes:

Final da UEFA Cup de 1975-1976: Club Brugge 1x1 Liverpool

Estádio Olímpico, Brugges

Árbitro: Rudi Glöckner

Público 32.000

Gols: ’11 Lambert (Club Brugge); ’15 Keegan (Liverpool)

Club Brugge: Jensen; Bastjins, Leekens, Krieger, Volders; Vandereycken, Cools, de Cubber (Hinderyckx); van Gool, Lambert (Sanders), le Favre. Téc.: Ernst Happel

Liverpool: Clemence; Phil Neal, Thompson, Hughes, Tommy Smith; Ray Kennedy, Steve Heighway, Jimmy Case; Josh Toshack (Fairclough), Kevin Keegan, Ian Callaghan. Téc.: Bob Paisley

Quartas de finais da UEFA Champions League de 1976-1977: Club Brugge 2x0 Real Madrid

Estádio Olímpico, Brugges

Árbitro: Ken Burns
Público 32.000

Gols: ’17 le Fevre e ’45 Rubiñan (contra) (Club Brugge)

Club Brugge: Jensen, Bastjins, Leekens, Krieger, Volders; Vandereycken, Courant, Cools; Roger Davies, Lambert e le Fevre. Téc.: Ernst Happel

Real Madrid: Miguel Ángel; Uría, Benito, Sol, Camacho; Rubiñan, Manuel Velázquez (Vicente del Bosque), Paul Breitner; Santillana, Jensen, Guerini (Roberto Martínez). Téc.: Miljan Milijanic

Final da UEFA Champions League de 1977-1978: Liverpool 1x0 Club Brugge

Estádio Wembley, Londres

Árbitro: Charles Corver

Público 92.500

Gol: ’64 Dalglish (Liverpool)

Liverpool: Ray Clemence; Phil Neal, Phil Thompson, Emlyn Hughes, Alan Hansen; Graeme Souness, Jimmy Case (Steve Heighway), Terry McDermott, Ray Kennedy; Kenny Dalglish e David Fairclough. Téc. Bob Paisley

Club Brugge: Birger Jensen; Fons Bastijns, Edi Krieger, Georges Leekens, Gino Maes (Jos Volders); Julien Cools, René Vandereycken, De Cubber, Jan Simoen; Lajos Ku (Dirk Sanders) e Jan Sorensen. Téc. Ernst Happel 

sexta-feira, 6 de março de 2015

A linha de produção roxa e branca

Um clichê dominou as bocas dos amantes do futebol mundial às vésperas da Copa do Mundo de 2014. “A geração belga surpreenderá,” disseram torcedores e analistas. Com uma geração de jogadores realmente talentosos, cujo destaque maior era Eden Hazard, craque do Chelsea, os belgas realmente prometiam, entretanto, decepcionaram. A despeito disso, a esperança do torcedor do país não para de se renovar e um dos fatores para isso são as categorias de base do Anderlecht.




Responsável por revelar jogadores da qualidade do zagueiro Vincent Kompany e do atacante Romelu Lukaku, o clube de Bruxelas apresenta, regularmente, uma ótima fornada de jovens, não só de nacionalidade belga, mas também europeus de outras partes e africanos. Além disso, como não dispõe de um orçamento vultuoso, o clube se mantém investindo em jovens jogadores de mercados periféricos. Assim, os Mauves et blancs conquistaram os últimos três títulos nacionais e criaram uma enorme distância para o segundo maior campeão do país (o Anderlecht tem 33 títulos nacionais contra 13 do Club Brugge).

Contando com um elenco cuja média de idade é de apenas 23,3 anos, o clube luta pelo tetracampeonato nacional (atualmente é o segundo colocado, atrás do Club Brugge), mas já vê a aproximação de um possível desmanche em sua equipe, uma vez que o clube dispõe de muito e jovem talento. Apesar disso, essa tem sido a tônica da equipe, que ano após ano perde destaques e cria novos jovens prodígios, conseguindo manter uma linearidade em seu desempenho e mantendo-se no topo em seu país.

Parte do futuro belga passa pelo Anderlecht

Se nessa temporada o clube perdeu o ótimo volante Cheikhou Kouyaté, que rumou para o West Ham, também viu o jovem Leander Dendoncker (foto), de 19 anos, aparecer. Versátil, o garoto é opção para a lateral direita e também para a defesa central. Seu bom posicionamento e saída de bola o colocam como um jogador muito interessante para o mercado e, tendo passado por todos os escalões jovens da Seleção Belga, desde o sub-16, certamente ganhará em breve oportunidade no selecionado principal. Já teve seu nome ventilado dentre as pretensões do Milan.

Se Dendoncker tem impressionado, o que dizer de Youri Tielemans? Profissional desde os 16 anos, ganhando espaço com a venda de Lucas Biglia, o garoto (hoje com 17 anos) assusta pela maturidade e calma. Já tendo disputado mais de 70 jogos pelo Anderlecht, é o belga mais jovem a disputar uma partida da UEFA Champions League. Seu excelente passe e visão de jogo apurada fazem do garoto um excelente controlador de meio-campo e seu talento tem sido observado de perto por Liverpool, Chelsea e Barcelona.

Completando a lista de meio-campistas de grande talento apresentada pelo Anderlecht, Dennis Praet, de 20 anos, tem sido o maior expoente da equipe na temporada, ganhando um chamado para Seleção Principal, estreando com a camisa belga e passando a ser observado de perto por Manchester City, Manchester United, Arsenal e Liverpool. Além de ter grande habilidade e talento individual, o garoto destaca-se nas assistências. Na temporada, em 26 jogos, já deu nove passes para gol e marcou sete vezes. Foi eleito, em 2014, o melhor jogador do ano, dentre os atletas que atuam no futebol belga.

Talento congolês e sérvio na Premier League?

Nem só de talento nacional vive o Anderlecht, que vê em Chancel Mbemba, zagueiro de 20 anos, um dos mais impressionantes talentos jovens de sua posição. Taxado como o “novo Kompany”, o defensor tem de fato características semelhantes às do capitão do Manchester City. Sua imposição física, tranquilidade e precisão tanto na bola aérea quando no terreno não passam despercebidos e, já na última janela de transferências europeias (no inverno do Velho Continente), seu nome esteve ligado à uma mudança para a Premier League, sendo o Arsenal e o Newcastle os destinos apontados. Não obstante sua juventude, é internacional congolês desde 2012.

Passando ao ataque, o terceiro maior goleador da Jupiler League é outra peça que tem sido sondada por clubes ingleses. Aleksandar Mitrovic (foto), diferentemente dos demais citados, não foi criado no clube belga, mas foi contratado junto ao Partizan com apenas 18 anos e com a dura missão de substituir o poderoso Dieumerci Mbokani (sua transferência custou aproximadamente £ 4MI, um recorde no clube à época).


Além da grande força física, imponente estatura (possui 1,89m) e boa técnica, o centroavante sérvio chama muita atenção pela frieza e capacidade de fazer o “pivô”, jogada cada dia mais rara no futebol moderno. Sua presença de área também é um de seus diferenciais e certamente é uma das causas do interesse de Arsenal, Newcastle e Swansea. Na temporada atual, em 35 jogos, Mitrovic marcou 17 gols (dois deles em partidas da UEFA Champions League, contra Arsenal e Borussia Dortmund) e proveu cinco assistências.

Não restam dúvidas de que a sustentabilidade com a qual opera o Anderlecht deveria ser usada como exemplo para muitas equipes de porte semelhante. É evidente que o clube não consegue competir com equipes maiores, mas, mesmo assim, consegue seguir operacional. Trabalhando sempre com produto “tipo exportação”, o clube mantém-se viável e vencedor.
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