sexta-feira, 24 de março de 2017

Fase de Leroy Sané é consolo no City

A temporada atual começou cercada de grandes expectativas para o torcedor do Manchester City. A chegada de Pep Guardiola e de outros reforços não permitia que se fizesse outra análise. No entanto, rapidamente, ficou claro que pela primeira vez em sua carreira o treinador espanhol teria vida duríssima. Praticamente fora da disputa pelo título inglês, eliminado da UEFA Champions League, da EFL Cup e ainda vivo na FA Cup, o time ainda não encontrou sua melhor formação. Contudo, há algo que não se pode discutir: o alemão Leroy Sané vive momento excelente.



Após dar seus primeiros e promissores passos no futebol profissional com a camisa do Schalke 04, equipe que nos últimos anos tem sido referência na revelação de jovens de muito talento, Sané chegou ao Manchester City no início da presente temporada.

Com histórico respeitável, sendo selecionável alemão desde o final de 2015 e contando com quase 60 jogos pelos Azuis Reais em praticamente duas temporadas apenas, o garoto de 21 anos não se intimidou diante dos €50 milhões investidos pelos Citizens em sua contratação e, após breve adaptação (que incluiu período de lesões), logo se encaixou nas ideias de Guardiola.

Ocupando, normalmente, a faixa esquerda do meio-campo ofensivo dos Sky Blues, com a velocidade de um raio, o jogador entendeu o que precisaria fazer para ter sucesso no futebol inglês. Incansável, Sané tem feito de tudo um pouco na equipe inglesa. O alemão impõe muito ritmo à equipe, sempre se oferece como alternativa de passe para seus companheiros (sobretudo para o lateral que atuar próximo a si e para o espanhol David Silva) e o mais importante: é objetivo.

“Os primeiros seis meses correram como esperado, ele não estava em seu melhor. Mas desde o jogo contra o Arsenal tudo mudou (...) Ele me lembra um pouco Gareth Bale. Ele é forte, poderoso e com a bola pode ser decisivo, com gols e assistências”, disse o lateral esquerdo do City Gael Clichy, em entrevista concedida no início de março.

Conquanto disponha de muita habilidade, o winger da camisa 19 do City raramente a usa em vão. É muito mais comum o ver correndo em altíssima velocidade em direção à linha de fundo para cruzar do que propriamente driblando. Sua capacidade para se posicionar bem na área e marcar gols também chama atenção. Em sua campanha de estreia no novo clube, já balançou as redes sete vezes em 27 jogos.

Mais importante do que analisar os dados friamente, é perceber que o jogador tem anotado tentos em partidas importantes, como o empate, por 2x2, contra o Tottenham, seu concorrente direto na Premier League, na vitória magra frente ao Arsenal, 2x1, e nas duas partidas das oitavas de finais da UEFA Champions League, contra o Monaco (o City acabou eliminado). Sané foi titular em quase todas as partidas dos Citizens em 2017 e sua forma só tem melhorado.

O momento é tão bom que o alemão esteve no onze inicial na última partida amistosa da Seleção Alemã, contra a Inglaterra; o garoto só não tem atuado mais pela Mannschaft porque ainda representa a Seleção Sub-21 na maior parte das Datas Fifa.

O potencial do explosivo winger do City é assustador. Com menos de uma temporada em Manchester já comprova ter sido um investimento válido e que promete ser altamente rentável. Sua contratação foi caríssima, mas a expectativa de sua contribuição a longo prazo (tem contrato até 2021) é enorme. 

“Ele está jogando bem, mas temos mostrado a ele muitos lances – as coisas ruins que ele tem feito e o que ele pode melhorar. Vocês, como jornalistas, dão muito crédito aos treinadores. Mas seria impossível [o sucesso de Sané], sem suas qualidades e habilidades, seu desejo de melhorar. Sané tem boas ações como winger, mas ainda tem que atuar mais durante os 90 minutos dos jogos. Ele ainda desaparece um pouco”, disse Guardiola antes da partida do City contra o Stoke City.

O desenvolvimento de sua parceria com David Silva é extremamente animador, uma vez que o alemão tem se mostrado a peça perfeita para receber os magistrais passes do meia espanhol. Além disso, há esperança de que quando Gabriel Jesus retornar de lesão, o clube mancuniano encontre ainda mais fluidez em seu jogo, com os passes e movimentações inteligentes de Silva e Kevin De Bruyne conjugados com a habilidade, velocidade e constante movimentação de Sané, Sterling e do brasileiro.

Embora o City não tenha correspondido às expectativas criadas no início dessa temporada, a juventude de seus expoentes projeta um futuro promissor. Pep Guardiola conta hoje com muitos diamantes brutos para lapidar. Nesse contexto, Sané, que já se mostra um jogador consistente e preparado para atuar no mais alto nível, só tende a crescer. 

Há questões que merecem ser vistas com otimismo no City. Embora as conquistas tenham ficado distantes do Etihad Stadium nessa temporada (resta a FA Cup como esperança real), é justo pensá-la como uma campanha de adaptação, diante da evidente mudança de paradigmas imposta pelo treinador catalão. Nesse contexto, a forma com que Sané vem se apresentando enche os olhos de seu torcedor de lágrimas de alegria e o coração de esperança em um futuro de vitórias.

quarta-feira, 22 de março de 2017

A justa convocação de Timo Werner

Não é novidade para ninguém o fato de que o RB Leipzig surpreende na Alemanha. Se a luta pelo título parece ter ficado para trás e o clube perdeu parte do fôlego que mostrou nas primeiras rodadas da Bundesliga, uma vaga na UEFA Champions League ainda é provável e alguns de seus jogadores seguem se destacando. Nesse contexto, finalmente desabrochou o talento do garoto Timo Werner, que desde os tempos de Stuttgart revelava qualidade técnica acima da média, mas não conseguia grande brilho. Diante do que vem mostrando com a camisa dos Bullen, é mais do que justo seu primeiro chamado à Seleção Alemã.



O histórico do jogador já indicava que em algum momento a ocasião perfeita se apresentaria ao treinador germânico, Joachim Löw, e ele teria que convocar Werner. Subindo degrau por degrau a escadinha da Nationalelf, começando no Sub-15 e passando por Sub-16, 17, 19 e 21, o garoto mostra diferenciais técnicos há tempos. No entanto, sua vida no Stuttgart não era fácil e retardou o inevitável.

Profissional dos Roten desde a temporada 2013/14, Werner foi sempre tratado como uma joia pelo clube. Como tal, foi pouquíssimas vezes chamado a atuar durante os 90 minutos em sua primeira campanha. É justo dizer que àquela altura o jovem tinha apenas 17 para 18 anos. Ainda assim, conseguiu ter impacto na luta contra o rebaixamento a qual seu clube foi submetido. Foram quatro gols e cinco assistências, ou seja, participação direta em nove dos 49 gols que o clube marcou.

Então, o garoto não tinha espaço fixo na equipe, tendo sido utilizado por ambos os flancos do ataque e como referência.

Embora tenha ganhado mais minutos na temporada 2014/15, Werner seguiu sofrendo com a incapacidade do Stuttgart de fazer uma campanha minimamente segura. Ainda que tenha atuado mais em relação ao ano de sua estreia, o jovem mostrou ainda mais irregularidade e seu desempenho piorou. Continuando a ser substituído ou a ingressar nas partidas vindo do banco de reservas, marcou apenas três gols e construiu uma assistência, ainda sem ser alocado em definitivo em algum setor do ataque.

Nesse tempo, é bom que se diga, o jogador seguia mostrando excelente desempenho com a camisa da Seleção Alemã. Pelo escalão Sub-19, que representou entre maio de 2013 e julho de 2015, disputou 14 partidas e marcou 10 vezes, sempre utilizado como referência ofensiva. Por sua vez, com a equipe sub-21, que passou a representar em setembro de 2015, já são sete jogos disputados e três tentos anotados.

No entanto, o que estava anunciado aconteceu; nada que Timo tenha podido fazer evitou o inevitável. Em 2015/16, o Stuttgart foi rebaixado à segunda divisão, naquela que foi a campanha mais goleadora do garoto. Agora afirmado como referência de ataque, foi às redes seis vezes e construiu três assistências. Ainda assim, seguiu sendo substituído na maior parte das partidas.

Não havia mais como continuar em um clube que, por mais que o tenha recebido no longínquo ano de 2002 e proporcionado todas as condições para seu desenvolvimento, seguia atrasando sua evolução. A disputa da 2.Bundesliga certamente não seria o melhor para o jogador, que, enfim, foi vendido; por €10 milhões, o jovem acertou com o RB Leipzig, confiando em seu projeto, baseado no talento de atletas de pouca idade.

“Apesar de sua juventude, Timo Werner tem muita experiência na Bundesliga e já provou sua qualidade nesse nível. Ele é um jogador muito ambicioso, que está sempre buscando melhorar e pode impor problemas a qualquer adversário com sua velocidade. Sua contratação dará mais ainda mais qualidade e opções ao nosso ataque, disse o diretor esportivo do Leipzig, Ralf Raignick, na apresentação de Werner ao clube.

No clube novato, que tem apenas sete anos, a vida de Werner mudou completamente. Basta dizer que, com apenas 25 partidas disputadas, já marcou pelo clube o mesmo número de gols que anotou pelo Stuttgart em 103 encontros, 14.

Na companhia do excepcional assistente Emil Forsberg e do multifuncional Naby Keita, o garoto, hoje com 21 anos, finalmente conseguiu a necessária tranquilidade para poder desfrutar de seu futebol. A invencibilidade de 13 jogos que marcou o início da temporada do Leipzig deu confiança ao grupo, que mesmo tendo sofrido importante queda e ficado distante do título alemão ainda faz muito mais do que se esperava.

Veloz, persistente, dono de ótimo técnica e sempre preparado para oferecer alternativas a seus companheiros, Werner tem sido um homem de gelo à frente das balizas rivais. Sua capacidade para estar no lugar certo na hora certa, antecipar-se a seus marcadores, infiltrar em meio a eles e fuzilar os goleiros adversários tem estado em evidência; Joachim Löw, que tantos jovens já lançou na Seleção Alemã, não fechou seus olhos a tamanha qualidade.

Além disso, o garoto tem capacidade para, a longo prazo, encaixar-se com perfeição no esquema de Löw, pois embora seja referência, cai pelos dois flancos, movimenta-se intensamente e dá muitas alternativas a seus companheiros.

“Werner é um jogador jovem e interessante, com boa percepção. Ele é adaptável e, nessa temporada, tem jogado consistentemente no mais alto nível. Estou ansioso para o apresentar ao grupo e poder o observar de perto”, disse Joachim Löw, após a convocação do garoto.

Por sua técnica, ritmo, momento e pelo que oferece à Seleção Alemã, o chamado de Timo é quase óbvio, mas, acima de tudo, é justo; foi conquistado com os méritos de um jogador que é um dos protagonistas de uma das histórias mais impressionantes do futebol europeu nessa temporada e que finalmente tem entregado no profissional a capacidade que já se conhecia nas categorias de base.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Duplas históricas: Gilberto Silva e Patrick Vieira

O último texto da coluna “Duplas Históricas” trouxe à memória os gols do matador Guilherme e as assistências de Marques, jogadores que marcaram seu nome na história do Atlético Mineiro. Dessa vez, rememoro a força de uma das melhores duplas de volantes da história do futebol inglês e do Arsenal, formada pelo brasileiro Gilberto Silva e pelo francês Patrick Vieira.



Após ganhar destaque com as camisas mineiras de América e Atlético, o volante Gilberto Silva conquistou suas primeiras oportunidades na Seleção Brasileira em 2001, com a Copa do Mundo de 2002 batendo à porta. Então, mal sabia que o infortúnio de um colega mudaria sua carreira para sempre. Por outro lado, o francês Patrick Vieira já era uma estrela do futebol mundial no início do século XXI, tendo se tornado titular absoluto da Seleção Francesa após a Copa do Mundo de 1998. Faltava-lhe, contudo, um grande parceiro para que pudesse, enfim, mostrar seu melhor futebol.

Embora tenha vestido a camisa da Canarinho já em cima da hora para a conquista de uma vaga dentre os 23 nomes que representariam o país no Japão e na Coreia, Gilberto aproveitou muito bem suas chances. Em seus primeiros cinco jogos pelo Brasil, o mineiro de Lagoa da Prata marcou três gols (dois contra a Bolívia e um contra Islândia) e conquistou a preferência do treinador Luiz Felipe Scolari, barrando Vampeta.

Todavia, não foi só isso que elevou o status do volante. Às vésperas da estreia da equipe na Copa do Mundo de 2002, o volante Emerson, que seria o capitão brasileiro, lesionou-se, foi cortado e tal fato rendeu a titularidade a Gilberto Silva.

É curioso pensar, igualmente, que naquele momento o Mundial também marcava a carreira de Vieira. Após participar das conquistas francesas da Copa do Mundo de 1998, Euro 2000 e Copa das Confederações de 2001, o jogador fez parte de um dos maiores fracassos da história do futebol: com duas derrotas e um empate, a França deixou a Ásia com a última colocação do Grupo 1, sem sequer marcar um gol.

Apesar disso, no Arsenal a carreira do volante ia de vento em popa.

Em Londres desde 1996, após passagem complicada pelo Milan, Vieira era, então, campeão inglês. Contudo, o clube sentia que o ciclo de Roy Parlour na equipe começava a terminar e os Gunners precisariam de um novo parceiro para Patrick; quem melhor do que um campeão mundial?

Se Vieira fracassara retumbantemente com a França, Gilberto Silva participou de todos os minutos da conquista do pentacampeonato brasileiro e se credenciou a uma transferência para o futebol europeu. Foi quando o Arsenal apareceu.

Enfim, o encontro entre Gilberto Silva e Patrick Vieira se deu na temporada 2002/03. Com a aposentadoria do ídolo Gunner Tony Adams, o francês se tornara o capitão da equipe e ganhara ainda mais influência no clube. Por sua vez, mineiramente, o brasileiro chegou de fininho e logo se tornou titular. Ao todo, foram apenas três as temporadas em que a dupla atuou junta: o suficiente para marcar indelevelmente seu nome na história do clube londrino.

É interessante notar também que a chegada do volante mineiro garantiu mais liberdade para que a referência francesa pudesse desenvolver melhor sua boa técnica. Antes, tendo em Parlour e no brasileiro Edu seus principais companheiros, precisava guardar mais sua posição, avançando menos. Com Gilberto Silva, no entanto, ganhou um companheiro em quem podia confiar para ir à frente com maior frequência.

Apelidado de Invisible Wall (muro invisível) na Inglaterra, o brasileiro foi aos poucos se tornando uma das maiores referências do Arsenal. Sempre bem postado à frente da defesa, passou a impressionar pela facilidade que demonstrava para neutralizar os ataques adversários de forma limpa. Em todo o seu período no Arsenal (242 partidas) recebeu apenas 16 cartões amarelos, tendo sido expulso duas vezes (uma por acúmulo de cartões amarelos e outra com o vermelho direto).

E foi o contraste entre Gilberto e Patrick que fez a dupla tão eficiente.

Enquanto Silva buscava a máxima discrição, com jogo limpo, tranquilidade para sair jogando e desarmar, Vieira era o contrário. Para começar, com 1,93m era impossível ignorar sua presença na cancha. Além disso, seu estilo agressivo e energético o tornava um atleta que chamava atenção. Fisicamente poderoso, tinha a perfeita noção do campo, muita classe para distribuir bolas e avançar no campo, mas também sabia destruir como poucos – e muitas vezes exagerava no uso de sua força (recebeu 95 cartões amarelos e nove vermelhos, duas expulsões diretas e sete por acúmulo de cartões, em 378 jogos pelo Arsenal). Sua capacidade nas bolas aéreas também era impressionante.

“Foi com quem eu joguei mais tempo junto, fizemos uma parceria boa e aprendi bastante, tinha qualidade técnica e chegava forte no ataque”, disse Gilberto Silva com relação a Patrick Vieira, em reportagem veiculada no Lance!, em 2015.

Com equilíbrio, Gilberto e Patrick foram absolutos em Highbury no período em que estiveram juntos. Em razão do excelente desempenho e entendimento que possuíam, o talento de figuras como Thierry Henry, Dennis Bergkamp e Robert Pirès pode ser revelado sem reservas; eles sabiam que em caso de insucesso sua dupla de volantes asseguraria que maiores consequências não viriam de seus erros.

A dupla se conheceu em 2002/03 e logo já se entendia com perfeição. O Arsenal havia sido campeão inglês na temporada anterior e nesta ficou com o vice, cinco pontos atrás do Manchester United. Ao menos, conquistou a FA Cup e a Community Shield (com gol de quem? Gilberto Silva, em sua estreia pelo clube). Era o aquecimento para aquele que para muitos é o maior feito da história da Premier League.

Em 2003/04 os deuses do futebol concentraram suas forças e pensamentos no time do Arsenal; tudo deu certo. Com a mesma base de jogadores da temporada anterior, praticamente com apenas uma mudança no time titular – a saída de David Seaman e a chegada de Jens Lehmann – o clube foi brilhante.

Melhor ataque (73 gols marcados) e melhor defesa (26 tentos sofridos) da Premier League, o Arsenal conquistou o título nacional sem sofrer uma derrota sequer. Os Invencibles venceram 26 partidas e empataram 12, somando 11 pontos a mais que o Chelsea, vice-campeão. Grande parte disso só foi possível porque havia dois meio-campistas prontos a fazer de tudo um pouco na meia-cancha alvirrubra.

Em 2004/05, a última campanha em que a dupla atuou junto, ainda conquistariam mais uma Community Shield e outra FA Cup. Com um total de três temporadas e cinco títulos, Gilberto Silva e Patrick Vieira foram imensos quando atuaram juntos no Arsenal. Foram os melhores momentos para ambos. Àquela altura, o brasileiro contava com a parceria de jogadores extremamente qualificados e Vieira se tornava um jogador mais maduro.

Após a saída do francês, Gilberto Silva ainda atuou mais três temporadas no Arsenal, perdendo muito espaço em sua última e partindo para uma aventura de três campanhas no Panathinaikos. Depois disso, retornou ao Brasil: vestiu a camisa do Grêmio e se reencontrou com o Atlético, já como zagueiro desde seu tempo no clube gaúcho.

Por sua vez, Vieira passou pela Juventus, clube em que permaneceu por apenas uma temporada (saiu após o escândalo do Calciopoli, que conduziu a equipe ao rebaixamento), passou mais três temporadas e meia sem protagonismo com a camisa da Internazionale e mais uma e meia no Manchester City.

De belas carreiras, Gilberto Silva e Patrick Vieira sempre serão lembrados com mais detalhamento por suas trajetórias com a camisa do Arsenal, especialmente pela temporada 2003/04, em que se viu o melhor da dupla e de todo o time. Esse foi o ano em que o silêncio do brasileiro e o vigor do francês estiveram em maior evidência.

Gilberto Silva – Gilberto Aparecido da Silva – 07 de outubro de 1976

Carreira: América Mineiro (1997/2000), Atlético Mineiro (2000/2002; 2013), Arsenal (2002/2008), Panathinaikos (2008/2011), Grêmio (2011/2013)

Títulos: Campeonato Brasileiro da Série B (1997), Copa Sul-Minas (2000), Campeonato Mineiro (2000, 2013), Copa Libertadores da América (2013), Premier League (2003/04), FA Cup (2002/03, 2004/05), Community Shield (2002, 2004), Campeonato Grego (2010), Copa da Grécia (2010), Copa do Mundo (2002), Copa das Confederações (2005, 2009), Copa América (2007)

Patrick Vieira – Patrick Vieira – 23 de junho de 1976

Carreira: Cannes (1994/1995), Milan (1995/1996), Arsenal (1996/2005), Juventus (2005/2006), Inter (2006/2010), Manchester City (2010/2011)

Títulos: Premier League (1997/98, 2001/02, 2003/04), FA Cup (1997/98, 2001/02, 2002/03, 2004/05, 2010/11), Community Shield (1998, 1999, 2002, 2004), Serie A (2006/07, 2007/08, 2008/09), Supercoppa Italiana (2006, 2008), Copa do Mundo (1998), Euro (2000), Copa das Confederações (2001)

sexta-feira, 17 de março de 2017

No Monaco, Fabinho é cada vez mais protagonista

Muitos no Brasil ainda não conhecem ou desconfiam do futebol do brasileiro Fabinho. É natural. O polivalente jogador do Monaco deixou o Brasil muito cedo e poucas foram até hoje suas oportunidades com a camisa da Seleção Brasileira. Contudo, a cada temporada que passa, o atleta comprova se tratar de um nome destinado aos grandes palcos do futebol europeu, com talento, consistência e muita personalidade. Absoluto no Principado, vem jogando futebol de primeira qualidade.



Formado na base do modesto Paulínia, clube em que se destacou na disputa da Copa São Paulo de Futebol Júnior, em 2011, e com rápida passagem pelos juniores do Fluminense, Fabinho nunca chegou a disputar uma partida como profissional no Brasil. Logo, em 2012, ganhou suas primeiras convocações à Seleção Brasileira Sub-20 e rapidamente foi vendido ao Rio Ave, de Portugal. Como no Flu, Fabinho não chegou a atuar em Portugal, partindo imediatamente para o Real Madrid Castilla.

Na Espanha, continuou chamando a atenção. Na temporada 2012/13 foi titular do Castilla e se destacou. Ao final da campanha, foi, inclusive, agraciado com alguns minutos com a camisa do time principal dos Merengues, lançado por José Mourinho, aos 19 anos. De cara, assistiu Ángel Di María, na goleada do Real por 6x2 frente ao Málaga. No entanto, o brasileiro não voltaria a vestir o uniforme alvo mais famoso do mundo.

De volta ao Rio Ave, Fabinho foi novamente emprestado, desta vez ao Monaco, clube em que de fato se afirmou no futebol europeu.

Comandado pelo italiano Claudio Ranieri, tornou-se titular da lateral direita imediatamente. Naquele momento, o clube monegasco vivia época de vacas gordas, tendo desembarcado no Principado nomes de peso como Falcao García, James Rodríguez, Jérémy Toulalan, João Moutinho, Eric Abidal e Ricardo Carvalho (além de promessas, como foram os casos de Geoffrey Kondogbia e Anthony Martial).

O fato é que o brasileiro nunca se intimidou diante de sua falta de experiência no futebol profissional e já em sua temporada inicial deu as primeiras mostras de sua versatilidade, sendo alternativa também para a meia-direita. Apesar disso, é ao treinador Leonardo Jardim que Fabinho deve os créditos de sua afirmação como jogador de ponta.

O ex-treinador do Sporting CP chegou ao clube em 2014/15 e logo teve que lidar com o final do sonho monegasco; James Rodríguez e Falcao García deixaram o clube e, como reforços, o português só pôde contar com jogadores inexperientes – mas de enorme qualidade, é bom que se diga. Já nessa temporada, Fabinho se tornou uma das grandes referências da equipe.

Leia também: Kylian Mbappé, o novo diamante monegasco

Com futebol consciente e taticamente evoluído, começou a ser redescoberto por Jardim. A forma como lê o jogo, suas qualidades técnicas (bom passe, visão de jogo, aptidão para os desarmes e interceptações) e atributos físicos (estatura, 1,88m, e resistência) poderiam ser igualmente bem aproveitados na condição de volante. Logo, Fabinho já estava atuando por esse setor, tendo a partida contra o Arsenal, em Londres (vitória monegasca por 3x1, válida pela UEFA Champions League), confirmado inapelavelmente a capacidade do brasileiro para atuar no meio-campo.

Em 2015/16 (temporada em que foi comprado em definitivo pelo Monaco junto ao Rio Ave), Fabinho seguiu alternando entre a lateral e a contenção e viveu sua temporada mais goleadora da carreira até então: em 47 partidas, marcou oito gols e criou cinco assistências. Estava ficando cada vez mais maduro e, no período, ganhou seus primeiros chamados à Seleção Brasileira principal (àquela altura representava o time sub-23 que se preparava para a disputa dos Jogos Olímpicos Rio 2016).

Até o momento, Fabinho tem apenas quatro partidas disputadas pela Canarinho, todas como lateral direito, e apesar de ter participado de todo o período pré-olímpico, não foi liberado pelo Monaco para participar das Olimpíadas, o que o manteve distante dos olhares do público brasileiro.

Não obstante, não há mais como ignorar o que o polivalente brasileiro vem jogando. Fabinho vive hoje momento espetacular. Com o Monaco classificado às quartas de finais da UEFA Champions League, liderando a Ligue 1 e seguindo vivo na disputa da Copa da França e da Copa da Liga, o brasileiro vai vivendo temporada dos sonhos, como volante, é importante afirmar. Seu desempenho individual também aponta nesse sentido – tem 43 partidas disputadas, 10 gols marcados e cinco assistências.

“O segredo é que estamos jogando ofensivamente, com pressão muito forte na bola e com uma transição com muita velocidade e muita gente (...) Pelo momento do Monaco e por estar jogando bem, com versatilidade para jogar de lateral e de volante, espero voltar à Seleção com o Tite”, disse o atleta em entrevista à Folha de S. Paulo, em 02 de março deste ano.

Afirmado na meia-cancha, o jogador tem demonstrado ser capaz de conduzir o time. Com boa saída de bola, apresenta média de 85% de aproveitamento de passes na Ligue 1 e de 87% na UEFA Champions League; e tenta 3,1 desarmes e 1,7 interceptações por partida no Campeonato Nacional, tendo 3,6 e 2,3 como marcas respectivas na disputa continental.

Fabinho se tornou um jogador completo e decisivo, prova disso é sua participação em três gols do clube nas Oitavas de Finais da Champions (um gol e duas assistências). Aos 23 anos, apresenta a maturidade de um veterano, tem na multifuncionalidade um diferencial e vive momento estupendo. Ainda que não seja um absurdo a falta de oportunidades na Seleção Brasileira, tem ficado cada vez mais claro que seu destino é envergar a Canarinho por anos a fio. Sempre precoce e destemido, o lateral/volante é uma das principais referências de um Monaco que encanta pelo futebol ofensivo e vive grande momento.

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