segunda-feira, 27 de julho de 2015

A nova reconstrução dos Saints

O Southampton viveu dias muito duros na primeira década do presente século. Da primeira à terceira divisão, o alvirrubro só voltou a respirar aliviado ao final da temporada 2011-2012, quando retornou à Premier League. Após um ano de reestreia que começou conturbado mas, com a contratação de Mauricio Pochettino, se ajeitou, o time fez uma campanha excelente em 2013-2014. Com o grande desempenho, veio o êxodo de seus destaques e o clube teve de se reinventar. Após outra temporada de qualidade, em 2014-2015, o clube vai, novamente, se reconstruindo.



As mudanças do passado recente

Com o final da temporada 2013-2014, o Southampton vendeu Luke Shaw (foto), Adam Lallana, Dejan Lovren, Calum Chambers, Rickie Lambert e Jack Cork, lucrando mais de £80 milhões. Além deles, Pochettino deixou o clube, rumando para o Tottenham. Com a contratação do treinador Ronald Koeman, que havia se destacado no trabalho com jovens no Feyenoord – revelando um grande número de bons jogadores –, o clube investiu pesado e gastou pouco mais de £60 milhões em muitos reforços.

Para a disputa da temporada 2014-2015 desembarcaram no clube, em definitivo, Sadio Mané, Shane Long, Dusan Tadic, Fraser Forster, Graziano Pellè e Florin Gardos. Por empréstimo, chegaram Ryan Bertrand (que foi adquirido em definitivo no decorrer da temporada), Toby Alderweireld, Eljero Elia e Filip Djuricic – estes dois últimos no meio da temporada.

Mesmo sem contar com Jay Rodríguez, que sofreu lesão gravíssima ainda na temporada 2013-2014 e não foi opção em 2014-2015, o clube se reinventou e conseguiu uma posição ainda melhor na Premier League. De oitavo em 2013-2014, o clube subiu um degrau em 2014-2015, terminando em sétimo lugar, ou seja, novamente em evidência.

As novidades para 2015-2016

Dessa forma, o clube não resistiu e voltou a perder dois de seus maiores destaques na temporada, os selecionáveis Nathaniel Clyne, lateral-direito que ganhou posição e confiança na Seleção Inglesa, partindo para o Liverpool, e Morgan Schneiderlin, volante e presença constante na Seleção Francesa, que agora representa o Manchester United. Para a ala, Koeman trouxe duas novas apostas Cuco Martina, do Twente, e Cédric Soares, do Sporting CP.

Martina, nascido em Roterdã e internacional de Curaçao tem 25 anos e no último ano disputou 39 jogos, provendo apenas duas assistências. Por vezes capitão de seu time, é opção para a defesa central também. Por outro lado, Cédric tem 23 anos e ganhou recentemente suas primeiras oportunidades com a Seleção Portuguesa. Dono de boa condição física, é opção para atuar na meia direta ou, até mesmo, como winger. No último ano, disputou 35 partidas e proveu três assistências

- Leia também: As curiosas carreiras de Ronald Koeman

Para a vaga de Schneiderlin chegou um jogador de grande talento e que recentemente chegou a ser disputado por muitas equipes, dentre elas o Manchester United e o Porto: Jordy Clasie (foto), ex-Feyenoord. Volante holandês de 24 anos, disputou a Copa do Mundo de 2014, e fez boa temporada em 2014-2015. Mesmo ainda muito jovem, Clasie era o capitão do time e um jogador muito influente. Em 46 jogos, marcou dois gols e proveu seis assistências. Na Eredivisie, teve um percentual de 83% de acerto de passes (com média de 21m de extensão), tendo oferecido 35 passes para gols para seus companheiros. Para mais, é um velho conhecido de Koeman.

Ele (Clasie) é o substituto perfeito para o Morgan (Schneiderlin) naquela posição. Sei disso porque trabalhei três temporadas com Jordy. É claro que ele ainda não é Schneiderlin, mas ele ainda é jovem, e tem que se desenvolver e se adaptar à Premier League, à intensidade que você precisa. É uma ótima contratação”, disse Koeman, após concluir a negociação com o Feyenoord.

Os emprestados Alderweireld, Djuricic e Elia não retornaram ao clube inglês, não obstante a intenção e as negociações para assegurar a permanência de Elia, que tem vínculo com o Werder Bremen e que, com a camisa dos Saints, disputou 17 partidas e anotou dois tentos. Para todos os efeitos, os alvirrubros asseguraram a contratação de Juanmi, jovem atacante espanhol capaz de desempenhar todas as funções de frente (como winger ou centroavante), que já recebeu sua primeira oportunidade com a camisa da Fúria e, em 2014-2015, jogou 38 jogos e balançou as redes oito vezes.

Por último, por empréstimo e, provavelmente, para compor elenco, o clube trouxe o goleiro holandês Maarten Stekelenburg.

As especulações e expectativas

Já no início da pré-temporada, o Southampton soube da perda do zagueiro romeno Gardos, que passará aproximadamente seis meses fora de combate, o que reduz as possibilidades para o setor para apenas José Fonte e Maya Yoshida – além dos garotos Jack Stephens e Jordan Turnbull. Assim, Koeman definiu que sua prioridade é a contratação de um novo jogador para a posição. Um nome especulado foi o de Ron Vlaar, experiente defensor neerlandês. Todavia, o atleta sofreu uma lesão, diminuindo o interesse dos Saints. Outro nome ventilado é o de James Chester, do Hull City.

Além da provável contratação de um novo zagueiro, o alvirrubro gera expectativa em relação ao aproveitamento de novos garotos. Peça útil na última temporada, o jovem lateral-esquerdo Matt Targett deve ganhar mais espaço e maturidade, aumentando sua utilidade no elenco (até mesmo porque também atua como meia-esquerda). Além dele, o talentoso porém irregular James Ward-Prowse (foto), de 20 anos e profissional desde 2011, deve ganhar ainda mais protagonismo no time.

Outros nomes que poderão ganhar oportunidades são o dos já citados zagueiros Stephens e Turnbull e o dos meio-campistas Harrison Reed, que disputou dez partidas na última temporada, e Lloyd Isgrove, que voltou de empréstimo.

Apesar disso tudo, a grande expectativa é pelo retorno de Jay Rodríguez, que começou a pré-temporada com tudo, já tendo marcado um hat-trick na assombrosa goleada por 10x0 contra o amador KVV Quick 1920, da Holanda. Antes de começar a se lesionar, o atleta era o artilheiro do time e figurinha carimbada na Seleção Inglesa. Com a contusão, além de prejudicar o Southampton, o atacante perdeu a oportunidade de disputar a Copa do Mundo de 2014.

O balanço entre entradas e saídas do Southampton mostra-se, até o momento, equilibrado e semelhante ao do último ano, quando o clube se reinventou e aumentou seu brilho na Premier League. Não obstante, novas apostas demandam tempo e observação, de forma que é difícil precisar como será seu impacto na nova equipe. Conhecendo o histórico dos Saints e de seu treinador, não é difícil imaginar que os novos contratados desempenharão bom papel. Não obstante, isso ainda é especulação. Certo é o fato de que novamente o alvirrubro é um clube para ser observado com atenção.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

O planejado Atlético de 2015

2014 terminou da melhor forma para o Atlético Mineiro. Comandado por Levir Culpi, que retornara às Minas Gerais após sete anos, para sua quarta passagem no alvinegro, o Galo conquistou a inédita Copa do Brasil batendo o rival Cruzeiro nas finais. Com Diego Tardelli em grande forma, o time brilhou em viradas emocionantes e terminou o ano vivendo um grande momento. Todavia, logo após o clube perdeu Tardelli e teve que se reinventar, uma vez que o jogador era a grande referência do time. Não obstante, com planejamento e equilíbrio, o clube está vivendo, novamente, boa forma.



Equilíbrio entre entradas e saídas

Sabendo que perderia Diego Tardelli, o Galo rapidamente foi atrás de um substituto. Enfrentando a concorrência de outras equipes e, inclusive, do rival Cruzeiro, o alvinegro conseguiu fechar com Lucas Pratto (foto), argentino que havia sido eleito o melhor jogador da última edição do campeonato nacional de seu país. Apesar de ter características distintas das de DT9, o hermano saiu-se muito bem até o momento, sendo peça-chave no ano alvinegro.

Além dele, chegaram apenas o volante Danilo Pires e o meia colombiano Sherman Cárdenas, que até agora não convenceram, e o atacante Thiago Ribeiro, contratado junto ao Santos e que vem desempenhando bom papel. Diferentemente de outros anos, o clube contratou muito pouco e foi bem metódico. Ribeiro, por exemplo, chegou para a vaga de Cesinha, cujo empréstimo findou-se sem que o atleta tenha mostrado qualidades. Pouco após a chegada de Danilo, Pierre mudou-se para o Fluminense e por maior desagrado que essa “troca” tenha provocado na torcida, em termos de elenco, a decisão mostrou-se equilibrada.

Buscando aumentar ainda mais a sintonia do time, diminuir seu inchaço e aliviar a folha de salários, o Galo vendeu o irregular e muitas vezes indisciplinado ao Al-Shabab, emprestou André ao Sport, Neto Berola ao Santos e Emerson ao Avaí. Além disso, ao invés de investir em reforços, o clube preocupou-se primeiramente em assegurar a permanência dos emprestados e vitais Douglas Santos e Rafael Carioca, algo em que foi bem sucedido. Douglas teve 100% de seus direitos comprados junto a Udinese e Rafael 50% junto ao Spartak Moscou.

Mesmo agora que o clube emprestou Maicosuel, que vinha em uma crescente, por um valor altíssimo (especula-se que o clube tenha recebido entre € 1,5 e 2 Milhões por um ano de empréstimo) Levir Culpi segue afirmando que não precisa de reforços. Além de não perturbar a coesão do elenco, isso aumenta a confiança recíproca entre jogadores e treinador e deixa o elenco ainda mais forte. Aliás, se tem algo que se pode afirmar hoje sobre o Galo é que há confiança entre atletas e comandante, uma vez que não existe mais concentração prévia aos jogos do clube em Belo Horizonte.

Outro ponto que mostra a seriedade do trabalho atleticano foi o reaproveitamento de Patric e Giovanni Augusto, que retornaram ao clube sem custos e, enquanto estiveram com suas situações contratuais em ordem, foram opção. Giovanni renovou com o Galo após imbróglio judicial e ganhou lugar no time titular, já Patric havia ganhado boas chances, mas acertou contrato com o Osmanlispor da Turquia e, por isso, perdeu seu espaço no time, em razão da alegada perda de foco.

Aliás, foco é uma das palavras chave de Culpi, que tem deixado Guilherme um pouco de lado em função de o treinador demonstrar algumas dúvidas acerca do quão concentrado no clube o meia-atacante está. Nos últimos dias, o jogador chegou a seguir para o Cruz Azul, mas, sem acerto, retornou à Cidade do Galo.

Variações e possibilidades táticas

Com boas peças e alternativas em todas as posições, o treinador Levir Culpi tem modificado um pouco o estilo de jogo de seu time, conforme as necessidades, utilizando, basicamente, um sistema com quatro defensores, três meio-campistas e três atacantes. Até agora, o comandante alternou times com um ou dois volantes e com atacantes mais agudos ou com outros com maior capacidade de marcação, tudo variando conforme a necessidade.

No ataque, Lucas Pratto adaptou-se plenamente e não é aquele centroavante de área que foi pensado por muitos quando de sua contratação. Uma das razões do sucesso da marcação atleticana é, sem dúvida, a aplicação tática do argentino, que pressiona e atormenta a vida dos zagueiros durante toda a partida.

Embora concorram às mesmas posições, no meio-campo, Jesús Dátolo, Giovanni Augusto, Leandro Donizete e Guilherme têm características absolutamente distintas, o que só beneficia o time, que tem alternativas para usar contra as mais variadas propostas de jogo. De forma semelhante, no ataque, Luan (foto), Thiago Ribeiro, Carlos (e Maicosuel, anteriormente), trazem distintos tipos de jogo, ainda que se possa questionar a eficiência de alguns desses nomes.

Apesar do sucesso, Levir Culpi não engessou o Atlético e segue buscando possibilidades específicas para os diferentes jogos. Além de deixar o time mais imprevisível, isso mantém a motivação e a forma da maior parte dos jogadores do elenco.

Evolução técnica de alguns jogadores

Assim, o resultado do trabalho e do planejamento vem aparecendo na forma individual de alguns jogadores. Dentre todos do elenco é impossível não notar a enorme evolução de jogadores como o jovem Jemerson (foto), de Rafael Carioca ou Douglas Santos. Outro nome que vem em uma crescente é Giovanni Augusto.

Confiantes em sua própria técnica, os atletas vem representando ótimo futebol e chamando a atenção. Segundo o site footstats, Carioca é quem mais acertou passes no Brasileirão, com 716; Lucas Pratto é quem mais acertou finalizações no torneio; Giovanni é o segundo jogador que mais assiste seus companheiros, tendo ofertado 34 passes para gol (o que não quer dizer que as chances tenham sido efetivadas); Patric é o líder de assistências; Thiago Ribeiro é o vice-artilheiro do campeonato; e Jemerson é o quinto atleta que mais bolas afastou.

O planejamento alvinegro fez do time um forte candidato aos títulos que se apresentam em 2015, criando possibilidades, aumentando a confiança no time e melhorando a forma técnica dos atletas. Dessa forma, Levir ganhou o time e a torcida e mostra que, quando pensado devidamente, um ano pode ser muito bom e até mesmo superar as expectativas.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Times de que Gostamos: Leeds United 1973-1974

Após contar um pouco do fantástico ano de 1994 do Vélez Sarsfield, que sob o comando de Carlos Bianchi conquistou o mundo, trato de um time polêmico, mas vencedor: o Leeds United, da temporada 1973-1974, treinado por Don Revie.


Em pé: Madeley, Hunter, Cherry, Jordan, McQueen, Stewart, Harvey, Eddie Gray, Clarke, Reaney;
Sentados: Lorimer, Giles, Bremner, Cooper, Bates, Frank Gray, Yorath.


Time: Leeds United

Período: 1973-1974

Time Base: David Harvey; Paul Reaney, Gordon McQueen, Norman Hunter (Trevor Cherry), Terry Cooper (Frank Gray); Billy Bremner, Paul Medeley (Terry Yorath), Mick Bates (John Giles); Peter Lorimer, Allan Clarke (Mick Jones), Eddie Gray. Téc.: Don Revie

Conquistas: Campeonato Inglês

Quando pensamos em acontecimentos inesperados no futebol inglês na década de 70, rapidamente nossa mente se volta para os feitos do treinador Brian Clough, primeiramente com o Derby County e após no Nottingham Forest, equipe em que foi bicampeão europeu. Não obstante, o que não é tão divulgado é a rixa existente entre Clough e Don Revie, antigo treinador do Leeds United.

A passagem de Clough pelo Derby County foi concomitante, em quase todo o tempo, com a de Revie pelo Leeds e os dois disputaram a ferro e fogo o poder na Terra da Rainha – com intromissões de Arsenal e Liverpool. Desde o retorno do Derby à primeira divisão, na temporada 1969-1970, os clubes passaram a rivalizar. E um ponto, especificamente, diferenciava as equipes. Enquanto o time de Clough era aclamado pelo bom futebol praticado, a esquadra de Revie era pelas vitórias, o que independia de bom ou justo futebol. Com o tempo, Don Revie angariou a fama de estimular o time a praticar o jogo sujo, se necessário às vitórias.


Não obstante ambos foram extremamente bem-sucedidos em suas carreiras e Clough chegou, até mesmo a substituir Revie no Leeds, algo que durou 44 dias, uma vez que os jogadores recusavam-se a atuar em bom nível com o ex-treinador do Derby County. A despeito disso, o Leeds United conquistou glórias com essa postura e merece lembrança por isso. Embora tenha levado o título da temporada 1968-1969, em razão da maior competitividade da campanha, em si, o de 1973-1974 é mais lembrado. Na ocasião, o time chegou a ficar 29 rodadas do Campeonato Inglês invicto.

Na proteção da meta, os Peacocks tinham David Harvey (foto), arqueiro que dedicou mais de 15 anos de carreira ao Leeds e representou em muitas ocasiões a Seleção Escocesa. A despeito disso, Harvey foi reserva no início e no final de suas trajetórias, vivendo seu auge justamente na temporada 1973-1974. No clube, o goleiro sucedeu Gary Sprake e foi sucedido por David Stewart, após sofrer um acidente de carro em 1975. Harvey não tinha grandes deficiências, mas também não era um goleiro que muito se destacasse.
Pela lateral direita, havia a presença de Paul Reaney (foto), jogador que envergou a camisa do clube por 16 anos e que é o 3º jogador que mais vezes entrou em campo pelos Peacocks, com 748 jogos. Era um atleta de muita regularidade e mais afeito ao trabalho ofensivo, sendo lembrado como um dos primeiros exemplares de lateral capaz de chegar à linha de fundo e, com qualidade, cruzar a bola na área adversária. Certa vez, George Best afirmou que Reaney era um dos jogadores mais difíceis de enfrentar.

Pelo lado contrário, atuou outra lenda do clube, Terry Cooper atleta que começou a carreira como ponta-esquerda e que tinha, portanto, mais aptidões ofensivas e de velocidade. Atuou por 13 anos no Leeds. Como já era experiente à época, Cooper começou a dividir espaço com o jovem Frank Gray. Igualmente dado ao ataque, o atleta substituiu Cooper ao longo dos anos e em 1979 foi vendido ao Nottingham Forest, pelo valor recorde de £ 500.000,00.

A zaga foi composta, na maior parte das vezes, por Gordon McQueen e Norman Hunter. O primeiro, contratado para substituir o grande Jack Charlton, irmão de Bobby e campeão da Copa do Mundo de 1966, tinha grande força no jogo aéreo, mas sofreu lesões que o impediram de atuar mais vezes pelo Leeds. Foi também importante com a Seleção Escocesa à época.

Seu companheiro, Hunter (foto) é outro jogador lendário dos Peacocks. 4º atleta que mais vezes entrou em campo pelo clube, com 726 aparições, era conhecido como Norman “Morde suas Pernas” Hunter, em razão de sua afeição por carrinhos, e dedicou 14 anos de sua vida ao Leeds. Em 1974 ainda foi eleito o primeiro PFA Player’s Player of the Year – prêmio oferecido pela associação profissional dos jogadores ao melhor jogador do ano.


Na proteção do meio-campo estava aquele que é considerado o jogador mais importante da história do Leeds United: o eterno capitão Billy Bremner (foto), lembrado como “Rei Bremner” pela torcida do clube. Excepcional nos desarmes e ótimo passador era o coração da equipe e o maior entusiasta da postura agressiva de Don Revie. 2º jogador que mais representou o Leeds, com 772 jogos, tinha até mesmo uma música em sua homenagem.

As arquibancadas sempre entoavam: "Little Billy Bremner is the captain of our crew, for the sake of Leeds United he would break himself in two, his hair is red and fuzzy and his body black and blue, as Leeds go marching on" (“O pequeno Billy Bremner é o capitão de nosso time, pelo bem do Leeds United ele se quebraria em dois, seu cabelo é vermelho e ondulado e seu corpo preto e azul, assim o Leeds marcha em frente”, em tradução livre). Foi eleito pelos torcedores o melhor jogador de todos os tempos do clube.

Assistindo seu líder, na temporada 1973-1974, o clube teve quatro opções que muito atuavam: Paul Madeley, Terry Yorath, Mick Bates e o experiente John Giles. O primeiro era um jogador multifuncional, que podia atuar em quase todas as posições da defesa e no meio-campo, sendo o 5º atleta que mais representou o Leeds, com 725 jogos, e uma espécie de 12º jogador do time, nos 17 anos em que o representou. Yorath, por sua vez, era conhecido como um jogador afeito ao trabalho duro e um excelente recuperador de bolas. Por essas qualidades, representou a Seleção do País de Gales em muitas oportunidades.

Bates, por outro lado, era mais técnico, melhor passador e um jogador com mais saída para o jogo, mas, especialmente em 1974, começou a sofrer muitas lesões e viu seu espaço ficar mais limitado. Por fim, Giles era o melhor deles, indiscutivelmente. Jogador dinâmico e excelente controlador de jogo era o termômetro do time, mas aos 33 anos não atuou tanto quanto em outras temporadas. Era considerado o parceiro perfeito de Bremner. É o 9º jogador que mais representou o Leeds, com 527 jogos, e o 6º maior artilheiro, com 114 gols.

Pela ponta direita atuou o 6º atleta que mais vestiu camisa do Leeds e o maior artilheiro da história do clube: Peter Lorimer (foto), escocês que jogou 703 jogos pelos Peacocks e marcou 238 gols. Tendo estreado pelo clube com apenas 15 anos, é lembrado por seus potentes e venenosos chutes e por precisos cruzamentos na área. Somadas suas duas passagens pelo clube, atuou 18 anos em Elland Road.


Do outro lado, pelo flanco esquerdo do ataque, a referência era Eddie Gray, irmão de Frank. Veloz e driblador, era o responsável maior por infernizar as defesas adversárias. 7º jogador com mais aparições pelo clube é outra lenda do Leeds. Suas performances levaram seu treinador a dizer em determinada ocasião que “quando ele joga na neve, não deixa pegadas”.Apesar disso, na temporada 1973-1974 muitas vezes viu de longe o time, em função de lesões. Por isso, em muitas ocasiões Don Revie alinhou dois centroavantes: o ídolo Allan Clarke e Mick Jones.

Clarke (foto), terceiro maior goleador da história do clube com 151 gols, era um centroavante habilidoso. Apelido de “Sniffer” (“farejador”, em tradução livre) era a certeza de que nenhum jogo terminaria com o placar em branco, afinal “achava” oportunidades que ninguém mais percebia. Jones, por sua vez, era mais direto, um atacante veloz, que combinava muito bem com o estilo de Clarke.

Apesar de toda a controvérsia, Don Revie (foto) é um treinador que merece reconhecimento, pois montou um dos melhores times da história do futebol inglês. Após deixar o Leeds treinou por três anos a Seleção Inglesa. Além do comandante, havia peças importante na reserva, como os jovens atacantes Joe Jordan e Gary Liddell, além do polivalente defensor Trevor Cherry.


Ficha técnica de alguns jogos importantes nesse período:

13ª rodada do Campeonato Inglês: Leeds United 1x0 Liverpool

Estádio Elland Road, Leeds

Público 44.911

Gol: Mick Jones (Leeds)

Leeds: Harvey; Madeley, McQueen, N. Hunter, Cherry; Bremner, Bates, Yorath; Lorimer, A. Clarke e M. Jones. Téc.: Don Revie

Liverpool: Clemence; Lawler, Lloyd, T. Smith, A. Lindsay; E. Hughes, Cormarck, Toshack; Callaghan, K. Keegan, Heighway. Téc.: Bill Shankly


37ª rodada do Campeonato Inglês: Leeds United 2x0 Derby County


Estádio Elland Road, Leeds

Público 37.838

Gols: Bremner e Lorimer (Leeds United)

Leeds: Harvey; Reaney, N. Hunter, McQueen, Cherry; Bremner, Madeley, Giles, Yorath; Lorimer e Jordan. Téc.: Don Revie

Derby: Boulton; Webster, Todd, Nish, P. Daniel; S. Powell, Gemmill, Rioch (A. Hinton); R. Davies, Hector e Bourne. Téc.: Dave Mackay


41ª rodada do Campeonato Inglês: Leeds United 3x2 Ipswich Town

Estádio Elland Road, Leeds

Público 44.015

Gols: Clarke, Bremner, Lorimer (Leeds); Hamilton e Talbot (Ipswich Town)

Leeds: Harvey; Reaney, McQueen, N. Hunter, Cherry; Bremner, Madeley; Lorimer, A. Clarke, M. Jones e E. Gray. Téc.: Don Revie

Ipswich Town: Cooper; Burley, A. Hunter, Beattie, M. Mills; P. Morris, B. Hamilton, Talbot, R. Osborne; D.Johnson, e C.Woods. Téc.: Bobby Robson

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Porto continua sua “espanholização”, mas até quando?

No início da temporada 2014-2015, o Porto fez uma aposta interessantíssima para o comando de sua equipe. Após temporadas com Vítor Pereira (que chegou a ser bicampeão português) e Paulo Fonseca, criticados em boa parte de suas gestões, o clube do litoral noroeste lusitano apostou no, para muitos, desconhecido Julen Lopetegui, que, apesar da pouca experiência profissional, tem reconhecido trabalho com garotos. Não obstante, o time decepcionou na última temporada, e o comandante foi criticado.



A contestável “espanholização” portista

Campeão Europeu Sub-19 em 2012 e Sub-21 em 2013, com a Seleção Espanhola, Lopetegui trabalhou com uma enorme gama de talentos de sua pátria mãe, participando diretamente do desenvolvimento de alguns deles. Além disso, atento aos garotos, o comandante acompanhou detidamente os campeonatos e os jogadores de seu país, vislumbrando talentos e possibilidades de bons negócios. Assim, desembarcaram no Estádio do Dragão sete compatriotas seus: Adrián López (foto), Iván Marcano, Cristian Tello, Andrés Fernández, Óliver Torres, José Ángel e José Campaña.

Destes, o único que de fato onerou os cofres azuis e brancos foi Adrián, possivelmente o jogador de quem mais se esperava, em função de seu bom desempenho no Atlético de Madrid, onde era uma espécie de 12º jogador. Além disso, da Espanha também vieram o argelino Yacine Brahimi e o brasileiro Casemiro.

O fato é que a maior parte desses jogadores não desempenhou papel importante na temporada portista. Adrián não foi sombra do jogador do Atleti, marcando um mísero gol em 18 jogos e sofrendo muitas lesões; Marcano foi um defensor sólido, mas sem grandes diferenciais e grande parte do tempo reserva; Tello foi bem. Ainda que não seja um craque, mostrou velocidade, marcou gols e assistiu seus companheiros; Fernández foi eterno goleiro reserva, atuando em apenas quatro jogos; José Ángel pouco atuou e foi preterido por zagueiros na ausência do lateral-esquerdo titular, Alex Sandro; Óliver Torres é outro que, como Tello, foi bem; Campaña representou mais o time B do Porto do que o principal.

O resultado: Férnandez foi emprestado ao Granada, onde jogará a temporada 2015-2016, Óliver retorna ao Atlético e Campaña à Sampdoria, José Ángel tem futuro absolutamente incerto e Tello (emprestado por mais uma temporada), Adrián e Marcano devem permanecer. Dos sete, três já saíram e quatro ficaram, estando três deles sem futuro garantido e não tendo correspondido às expectativas na temporada passada.

O curioso é que Brahimi e Casemiro (que retornou ao Real Madrid; foto), que também vieram da Espanha, foram, indubitavelmente, as melhores contratações do time na temporada, sendo, junto com Jackson Martínez e Danilo os melhores jogadores da temporada passada.

Conclui-se que parte representativa dos integrantes do projeto piloto não está mais no clube e não correspondeu às expectativas. O clube, corretamente – uma vez que o treinador teve que promover uma reconstrução radical do elenco –, segue apostando em Lopetegui, mas os resultados terão que aparecer para justificar a liberdade que o comandante vem tendo na condução de seu projeto.

A falta de resultados

Pode parecer imediatista (e é) dizer que Julen Lopetegui não conseguiu resultados com o Porto. A questão que se impõe é a de que em um país bipolar (dado o arrefecimento recente do Sporting, que só conquistou um Campeonato Português no século XXI) passar uma temporada sem qualquer título é algo preocupante – sobretudo quando se chega ao clube após um ano sem sucesso. Ou seja, tratando-se de duas campanhas sem glórias, com o Benfica, grande rival, dominando o país, a pressão é grande e um trabalho com ideias tão particulares e distintas do padrão histórico do clube passa a ser vista com reservas.

Sem resultados – leia-se títulos – Lopetegui não conseguirá sustentar sua posição no Porto, por mais paciência e crença em seu trabalho que Jorge Nuno Pinto da Costa, presidente do clube, possa ter em seu trabalho.

Para mais, resultados como a acachapante goleada sofrida contra o Bayern de Munique na UEFA Champions League, a eliminação da Taça de Portugal perante o rival Sporting e a falta de vitórias nos clássicos contra os Encarnados são outros elementos que aumentam a pressão da panela em que o treinador está nesse instante.

Polêmicas dentro e fora das quatro linhas

Durante o último ano, além de promover uma remodelagem drástica na equipe, que perdera algumas de suas peças mais importantes – o volante Fernando e os zagueiros Eliaquim Mangala e Nicolás Otamendi são bons exemplos – implementando sua ideia, Lopetegui teve que lidar com polêmicas no campo e nos bastidores.

Dentro das quatro linhas, internamente, o espanhol teve grandes problemas com o ídolo dos Dragões Ricardo Quaresma, experiente e habilidosíssimo winger da equipe. A principal razão seria a falta de comprometimento tático do jogador. A despeito disso, as rusgas entre treinador e atleta perduraram durante toda a temporada. Preterido no início da trajetória de Lopetegui, o português voltou a ser aproveitado (e bem) durante a temporada, mas uma sequência de substituições no final da temporada irritou o atleta que chegou a deixar de cumprimentar seu treinador em uma ocasião.

“O Ricardo Quaresma é um dos jogadores de quem sinto mais orgulho esta época pela evolução que teve (...) É um jogador mais completo e melhor, e isso é mérito dele”, Lopetegui chegou a dizer, diminuindo o clima de animosidade com Quaresma.

Além disso, fora das quatro linhas, nos bastidores, Lopetegui teve contratempos com Jorge Jesus e Marco Silva, então comandantes benfiquista e sportinguista, respectivamente, e sempre se mostrou muito queixoso em relação às arbitragens, algo que aumentou, substancialmente, as críticas que sofreu durante a temporada.

No decorrer do último ano, restou claro que o trabalho do espanhol esteve longe de uma sonhada e bem-vinda calmaria.

Boas contratações e mais espanhóis para 2015-2016, mas até quando?

Mantido no comando do Porto, Lopetegui vem “reinventando a reinvenção” para a temporada 2015-2016. Saiu Casemiro, chegou o jovem e promissor francês Giannelli Imbula (até agora o grande negócio do clube; foto), além dele desembarcaram no Dragão alguns talentos portugueses, casos de Sérgio Oliveira, recontratado após um período no Paços Ferreira, André André, que fez ótima temporada no Vitória de Guimarães, também tendo passagens pelas divisões inferiores do próprio Porto, e Danilo Pereira, talento que ganhou inclusive oportunidades na Seleção Portuguesa, recentemente. Além deles também foi contratado o experiente Maxi Pereira, que cruzou a linha da rivalidade azul e vermelha.

Para mais, Lopetegui aposta novamente em seus compatriotas. O primeiro contratado foi o atacante Alberto Bueno, cria do Real Madrid que na última temporada marcou 17 gols em 36 jogos no Campeonato Espanhol, pelo Rayo Vallecano, chegando a anotar um poker contra o Levante. O jogador mostrou bom futebol, mas, aos 27 anos, é uma aposta. O segundo, e mais importante, contratado é o ídolo da nação hispânica, Iker Casillas (foto).

Aos 34 anos e com uma história belíssima, o goleiro certamente chega para assumir a titularidade, até porque Fabiano, a primeira opção na temporada passada, foi emprestado ao Fenerbahçe. Apesar de ter um passado fantástico, os últimos anos de Casillas foram muito irregulares e cercados de pressão, que certamente diminuirá em relação à vivida no Real Madrid. Com motivação renovada, o goleiro pode voltar a ser o diferencial de uma equipe e, certamente, Lopetegui confia nisso.

O ponto crucial da análise é o fato de o Porto estar se empenhando muito para dar continuidade ao projeto de Lopetegui, que precisará, necessariamente, conquistar títulos em 2015-2016. Há pressão por resultados, há críticas e não há tranquilidade para o trabalho, Em um clube com as pretensões do Porto, a hora de esperar acabou e os êxitos precisam vir.

Por isso, a aludida “espanholização” por que passa o Porto é um negócio com condição, que, se descumprida, será desfeito. Se não conseguir resultados, o inexperiente treinador dificilmente conseguirá permanecer na bonita cidade lusa. Para todos os efeitos, ficamos por aqui com uma frase de Julen Lopetegui, proferida em abril deste ano, em entrevista ao periódico espanhol Marca:
"Todos os processos têm o seu tempo de maturação. Quando acreditas no que fazes, sabes que há outras opiniões, mas tratas de seguir o teu caminho e fixas-te nas tuas convicções. Claro que as críticas estão inerentes a esta profissão, ainda para mais num grande clube como o FC Porto. Há que lidar com elas com naturalidade, e nalguns casos até são uma fonte de energia. Há algumas em que nem reparas e outras que te fazem refletir e ajustar coisas, ainda que essas sejam em menor número".
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