sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Kylian Mbappé, o novo diamante monegasco

Comparado a Thierry Henry, fantástico ex-atacante francês, um garoto talentoso e que inicia sua carreira com números excepcionais vem mexendo com o imaginário dos torcedores do Monaco. Kylian Mbappé tem feito de tudo um pouco no ataque monegasco. Com gols, grande velocidade e habilidade, é parte crucial no sucesso do ataque da equipe e tem sido um parceiro formidável para o experiente Falcao García; tudo isso com apenas 18 anos.



Desde que contratou o treinador Leonardo Jardim, o Monaco tem experimentado uma sensação especial: o prazer de ver o florescimento de jogadores jovens. Isso foi vivido com atletas como Fabinho, Anthony Martial, Tiemoué Bakayoko, Bernardo Silva e Thomas Lemar, dentre outros. A estrela da vez, o jogador que tem feito o torcedor do time alvirrubro se empolgar, é Kyllian Mbappé, filho de pai camaronês e mãe francesa e jogador que desde seu primeiro jogo vem quebrando marcas e chamando atenção.

As comparações com Henry encontram fundamento em vários fatos. Tudo começou em sua estreia como jogador profissional. Em dezembro de 2015, Mbappé se tornou o jogador mais jovem a vestir a camisa do Monaco (com 16 anos e 347 dias), batendo o recorde estabelecido previa e justamente por Thierry. Em fevereiro de 2016, foi a vez de, novamente, superar uma marca construída pelo ex-craque francês: tornou-se o mais moço atleta a balançar as redes pelo clube, anotando um tento contra o Troyes.

Desde que pisou nos gramados profissionais, Mbappé só viu sua carreira evoluir. Inicialmente, gozou de poucos minutos em campo – natural para alguém de sua idade. Na temporada 2015/16 somente foi titular quatro vezes e em apenas uma delas atuou durante os 90 minutos. Ao todo, entrou em campo em 14 ocasiões, marcando um tento e criando duas assistências; seu processo de maturação foi sendo feito com todo o cuidado necessário para potencializar seu desempenho e permitir que, quando fosse o momento, o garoto justificasse as oportunidades que vinha recebendo. Veio a temporada 2016/17 e com ela as esperadas provas do talento do jogador.

Opção pelos flancos em seus primeiros jogos com a camisa do Monaco, na atual temporada, o jogador vem sendo incorporado à última linha do ataque do clube, vindo da esquerda para o centro e atuando ao lado do capitão Falcao García – outra semelhança com Henry, que começou a carreira frequentando as beiradas do campo e aos poucos foi se aproximando do gol adversário.

Embora ainda não possa ser considerado titular da equipe, o garoto tem dado mostras regulares de sua enorme qualidade técnica. No ano atual, em 25 partidas já computa 12 tentos e oito assistências. Sua marca se torna ainda mais expressiva quando consideramos o número médio de minutos que o jogador precisa para balançar as redes: 93,3 – ou seja, média de aproximadamente um tento por partida.

É preciso destacar também alguns grandes momentos vividos pelo jogador. Na última partida do clube válida pela UEFA Champions League, marcou seu primeiro gol na competição continental, contra nada mais, nada menos, do que o poderoso Manchester City, de Pep Guardiola. Antes, no final de 2016, já havia marcado seu primeiro hat-trick, em encontro válido pela Copa da Liga Francesa, contra o Rennes, e, no início de fevereiro, voltou a fazê-lo, dessa vez na Ligue 1, contra o Metz. Com um gol e uma assistência, também foi vital na vitória do Monaco contra o modesto FC Chambly, pela Copa da França.

Segundo veiculou o periódico Mundo Deportivo, com a idade de Mbappé, Henry (quatro gols em 15 partidas), Lionel Messi (um em sete) e Cristiano Ronaldo (dois em 18) ostentavam números piores do que o garoto, o que não é pouca coisa. É interessante mencionar, igualmente, o bom desempenho do jogador com a camisa da Seleção Francesa Sub-19. O jovem tem sete gols marcados em 11 aparições com a camisa dos Bleus.

Com 1,78m de extrema velocidade, Mbappé impressiona pela objetividade de seu jogo. Embora tenha habilidade para, com seus dribles, costurar defesas e desmoralizar marcadores, seu objetivo é sempre o gol, seja criando ocasiões para seus companheiros ou finalizando (com ambos os pés, embora seja destro). Quando se vê frente a frente com os goleiros adversários, o francês não tem mostrado timidez, mas uma frieza incomum para alguém de tão tenra idade. É claro que fisicamente e em aspectos defensivos, ainda não está pronto, nada que não possa e deva ser trabalhado com o tempo.

“Ele é determinado e nunca desiste. Ele é o assunto da cidade e tem muito talento. Tem técnica, gols e assistências. Ele pode fazer o que quiser com a bola. Sei que as pessoas têm o chamado de ‘novo Thierry Henry’, mas não gosto desses rótulos. Ele precisa ser ele mesmo e apenas ser o melhor que puder”, disse Thierry Henry no início de fevereiro.

Como é de se esperar, tamanho desempenho não tem passado despercebido aos olhos dos maiores clubes do mundo e já se especula o interesse de outras equipes no futebol do talentoso jovem, cujo contrato com o Monaco vige até 2019. Segundo periódicos europeus, Mbappé já veria Real Madrid, Barcelona, Bayern de Munique, Arsenal e Borussia Dortmund muito atentos aos seus feitos recentes.

Atualmente uma verdadeira escola formadora e desenvolvedora de talentos, o Monaco vai revelando ao mundo, gradativamente, a figura de mais um atleta de enorme potencial técnico. Um jogador que tem habilidade, velocidade e faro de gol muito apurados; um talento raro. Pelas mãos de Leonardo Jardim, Mbappé vai se provando mais um diamante bruto, que tem no céu o limite de seu potencial.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Times de que Gostamos: Mallorca 2002-2003

Depois de trazer à memória o equilibrado e vencedor time do Stuttgart da temporada 2006/07, falo do Mallorca de Samuel Eto’o, que, na campanha de 2002/03, obteve sua consagração, após viver alguns dos melhores anos de sua história.


Em pé: Nadal, Niño, Leo Franco, Lozano, Poli, Eto'o;
Agachados: Riera, Álvaro Novo, Ibagaza, Cortés e Pandiani.

Time: Mallorca

Período: 2002-2003

Time base: Leo Franco; David Cortés, Fernando Niño, Miguel Nadal (Lussenhoff), Poli; Harold Lozano; Álvaro Novo, Ariel Ibagaza, Albert Riera; Samuel Eto’o e Walter Pandiani. Téc.: Gregorio Manzano

Conquista: Copa Del Rey

O resultado de anos de bons trabalhos

Tudo começou na temporada 1997/98. Com o retorno à La Liga e a contratação do treinador argentino Héctor Cúper, a sorte do Mallorca mudou; quando se esperava que o clube meramente lutasse contra o descenso, esse se mostrou capaz de grandes feitos: foi o quinto colocado no Campeonato Espanhol, à frente de boas equipes como Atlético de Madrid, Celta de Vigo e Valencia e chegou à finalíssima da Copa Del Rey. O Barcelona precisou das penalidades para se confirmar campeão da competição, após empate por 1x1 no tempo normal. Na sequência, o Mallorca venceu o próprio escrete catalão na Supercopa da Espanha (foto). Estava claro que aquele time daria trabalho.

Exceção feita ao ano de 2001/02, os anos que se seguiram colocaram o Mallorca como uma das boas equipes do cenário espanhol. Em 1998/99, por exemplo, ocupou a terceira posição do campeonato nacional, atrás apenas da supremacia da dupla composta por Barcelona e Real Madrid. Nem a saída de Cúper para o Valencia foi capaz de frear o progresso do clube, que em 2000/01 voltou a ficar em terceiro lugar em La Liga, à frente do Barça.

É interessante notar que desde o início do período de liderança do comandante Hermano, muitos atletas argentinos desembargaram nas Ilhas Baleares. Do Lanús, com o treinador, veio o goleiro selecionável Carlos Roa, que mais tarde seria substituído por um compatriota: Leo Franco. Pelo clube passaram, ainda, o talentoso baixinho Ariel Ibagaza, outro ex-jogador Granate, e o atacante Leonardo Biagini, campeão espanhol com o Atlético de Madrid, dentre outros.

Some-se à chegada de atletas argentinos a contratação de jovens valores de outras equipes espanholas (Samuel Eto’o e Álvaro Novo) e a revelação de outros talentos imberbes (Albert Luque, que saiu para o Deportivo La Coruña em 2002, e Albert Riera). Por fim, havia também a presença de jogadores experientes como Miguel Ángel Nadal, ex-Barcelona, e, para a temporada vitoriosa de 2002/03, a referência de um goleador implacável: Walter Pandiani, ex-Deportivo.

O ano da consagração

O time de 2002/03 herdou uma base composta por ótimos jogadores e, sob o comando de Gregorio Manzano, mostrou um jeito de jogar de bela irresponsabilidade. Contando com a velocidade de seus meias, a criatividade de Ibagaza e a incrível proficiência da dupla formada por Eto’o e Pandiani, viveu dias de vitórias e derrotas impensáveis.

Com a presença de apenas um marcador de ofício no meio-campo, o Mallorca costumeiramente se expunha muito durante as partidas, mas pressionava seus adversários com impressionante ímpeto. O título da Copa Del Rey foi, evidentemente, o ponto mais alto da temporada 2002/03. No entanto, há partidas mais importantes no curso da campanha do que propriamente a final, contra o modesto Recreativo Huelva.

Após eliminar o modesto UDA Gramenet, e passar pelos tradicionais Hércules e Valladolid, Los Bermellones tiveram pela frente nada mais, nada menos, do que o Galáctico Real Madrid.

Na capital do país, o Mallorca safou-se com um empate por 1x1, já em seu território... O 4x0 que assegurou ao clube passagem para as semifinais da Copa não poderia ter sido imaginado nem pelo mais otimista dos torcedores da equipe, que viram Eto’o e Pandiani revelarem todo o seu poder de fogo no encontro.

Adiante, teve pela frente outra equipe muito forte: o Deportivo La Coruña, que, em 1999/00, havia sido campeão espanhol. Enfrentando jogadores da estirpe de Mauro Silva, Jorge Andrade, Diego Tristán, Roy Makaay e de seu velho conhecido Luque, o clube balear se superiorizou novamente. Venceu fora de casa por 3x2 e segurou um empate por 1x1, em casa.

No Campeonato Espanhol, todavia, fez uma campanha irregular, terminando na nona colocação. No certame, foi capaz de vencer o Barcelona por 2x1, no Camp Nou, e perder por 4x0, em casa; de golear o Real Madrid por 5x1, no Santiago Bernabeu, e ser derrotado pelos mesmos 5x1 no seu estádio, em verdadeira montanha-russa de emoções.

O importante, no entanto, foi o título da Copa Del Rey, o mais relevante de toda a história centenária do clube. Além dessa glória, a equipe somente venceu títulos da segunda e terceira divisões do país e uma Supercopa da Espanha. Não há dúvidas: a temporada 2002/03 consagrou um período muito bom do clube, que será sempre lembrado.

Após a conquista, entretanto, o Mallorca viu seu elenco começar a deixar o clube. Para a temporada 2003/04 perdeu Ibagaza e Álvaro Novo (Atlético de Madrid), Lozano (Pachuca), Pandiani (Deportivo) e Riera (Bordeaux); e em 2004/05 foi a vez de Eto’o (Barcelona) se despedir.

O time que fez história

Contratado pelo Mallorca com apenas 21 anos, o argentino Leo Franco (foto) foi o goleiro titular do time na temporada 2002/03. Sua chegada ao clube, contudo, aconteceu na campanha de 1998/99, em que somente representou a equipe B. Arqueiro seguro, sem grandes virtudes e, ao mesmo tempo, defeitos, cresceu com o clube, vivendo de perto todo o progresso da equipe, sua evolução e ápice. Franco permaneceu defendendo as cores do Mallorca até o final da temporada 2003/04, quando partiu para o Atlético de Madrid, e computa um total de 161 jogos pelos baleares.

Lateral com boa projeção ofensiva, David Cortés foi o responsável pela proteção do lado direito da defesa do clube. Contratado no início da temporada 2002/03, era ainda muito jovem e possuía invejável fôlego, o que o tornava figura importante na construção de jogo de Los Bermellones. Até sua saída, em 2006, foi sempre titular, alcançando a marca de 132 partidas.

Ex-companheiro de Cortés no modesto Extremadura, o lateral-esquerdo Poli também foi contratado no início da temporada 2002/03 e logo se tornou titular. Jogador de carreira menos notável, viveu seu melhor momento justamente no Mallorca, tendo o representado em 104 jogos, até 2005. Quem também atuou muitas vezes pelo setor foi o veterano Miquel Soler, ex-jogador de Barcelona, Atlético de Madrid e Real Madrid, com passagem pela Seleção Espanhola. Não obstante, a despeito de sua superior qualidade, aos 37 anos já não tinha fôlego para disputar todos os jogos e foi na maior parte do tempo importante reserva.

Por sua vez, o miolo de zaga contou com uma dupla experiente. De um lado, atuou o excelente beque e capitão da esquadra Miguel Nadal (foto), de extensa trajetória com as camisas de Mallorca, Barcelona e da Seleção Espanhola; do outro o seguro Fernando Niño. Dupla que carregava entrosamento de longa data, tendo a parceria começado em 1999, possuía muito entendimento e se destacava pela firmeza, seriedade e força no jogo aéreo. Em especial, Nadal, conhecido como El Loco, possuía qualidade para atuar em qualquer posição da defesa, mas, aos 36 anos, não conseguiu atuar em tantas partidas. Tal situação permitiu ao zagueiro argentino Federico Lussenhoff muitos minutos em campo.

Como volante solitário, o colombiano Harold Lozano foi um muro no meio-campo balear. Com 1,92m de muita força física, era peça vital na garantia de segurança aos zagueiros e organização do setor defensivo. A despeito disso, seu período no Mallorca foi muito curto, tendo durado apenas uma temporada. Contratado junto ao Valladolid (clube em que havia sido treinado por Gregorio Manzano), logo seguiu para o Pachuca. Quem também atuava pelo setor, entrando no decorrer de quase todas as partidas para reforçar a defesa, era o experiente espanhol Marcos, formado no clube e de longa estadia no Sevilla.

Logo adiante, uma linha de três meias exercia múltiplas funções. Abertos pelos flancos, Álvaro Novo (pela direita) e Albert Riera (pela esquerda), tinham missão importante na criação de jogadas para seus dois atacantes, mas também funções defensivas fundamentais, uma vez que precisavam retornar à defesa quando a equipe era atacada para auxiliar Lozano, os laterais e zagueiros a se proteger. Jovens à época, deram conta do recado com perfeição. Seu papel era também importante para garantir maior liberdade ao tridente ofensivo que tanto brilho revelou naquele ano.


Como seu principal criador, Manzano contou com a genialidade de um baixinho argentino. Há jogadores que, curiosamente, parecem ter nascido para defender algumas camisas. Essa situação se confirmou na figura de Ariel Ibagaza (foto), que brilhou intensamente pelos muitos anos em que representou as cores do Mallorca. Habilidoso, veloz, dono de visão de jogo privilegiada e ótimo cobrador de faltas, El Caño é um dos maiores ídolos da história do clube. 

Na ponta final do time, uma dupla de ataque extremamente goleadora era certeza de muita alegria para a torcida dos Bermellones. Com impressionante velocidade, imprevisibilidade e empilhando gols, o camaronês Samuel Eto’o (foto) se confirmava ali no Mallorca o grande craque que se consagraria posteriormente com as camisas de Barcelona e Inter de Milão.

Complementando-o, mais centralizado no comando do ataque, o uruguaio Walter Pandiani fez exatamente o que dele se esperava: marcou muitos tentos. Ameaça constante no jogo aéreo, El Rifle viveu em 2002/03 uma das melhores temporadas de sua carreira.

Enquanto o africano marcou 19 gols no vitorioso ano, o sul-americano foi às redes 18 vezes.

Por fim, como alternativa frequente para o ataque, o Mallorca contou com a velocidade do baixinho Carlitos, jogador que entrava em praticamente todas as partidas do clube e que marcou importantes seis gols na campanha em comento. Por mais que não tenha sido tão influente em 2002/03, é figura histórica do clube, tendo sido o autor do gol que confirmou o acesso do clube à primeira divisão em 1997, dando início a um dos melhores períodos da história do clube balear.

Ficha técnica de alguns jogos importantes nesse período:

Quartas de finais da Copa Del Rey 2002-2003: Mallorca 4x0 Real Madrid

Estádio Son Moix, Mallorca

Árbitro: Jesús Téllez Sánchez

Público 20.000

Gols: ‘7 Niño, ’30 e ’35 Eto’o e ’48 Pandiani (Mallorca)

Mallorca: Leo Franco; Cortés, Niño, Lussenhoff, Soler; Harold Lozano (Robles); Álvaro Novo, Ariel Ibagaza (Marcos), Albert Riera; Samuel Eto’o (Carlitos) e Walter Pandiani. Téc.: Gregorio Manzano

Real Madrid: César Sánchez; Miñambres, Helguera, Pavón, Raúl Bravo; Cambiasso (Morientes), McManaman, Celades, Zidane (Solari); Raúl e Portillo. Téc.: Vicente Del Bosque

Semifinais da Copa Del Rey 2002-2003: Deportivo La Coruña 2x3 Mallorca

Estádio Riazor, La Coruña

Árbitro: Víctor Esquinas Torres

Público 17.800

Gols: ’38 e ’80 Pandiani e ’81 Eto’o (Mallorca); ’89 Tristán e ’90 Makaay (Deportivo)

Mallorca: Leo Franco; Cortés, Lussenhoff, Soler, Poli; Harold Lozano (Robles); Álvaro Novo, Ariel Ibagaza, Albert Riera; Samuel Eto’o (Carlitos) e Walter Pandiani (Marcos). Téc.: Gregorio Manzano

La Coruña: Juanmi; Manuel Pablo, Jorge Andrade, Donato, Capdevilla; Mauro Silva, Duscher (Acuña), Sergio (Scaloni), Amavisca (Makaay); Tristán e Luque. Téc.: Irureta

Final da Copa Del Rey 2002-2003: Mallorca 3x0 Recreativo Huelva

Estádio Marínez Valero, Elche

Árbitro: Eduardo Iturralde González

Público 38.800

Gols: ’20 Pandiani e ’73 e ’84 Eto’o (Mallorca)

Mallorca: Leo Franco; Cortés, Niño, Nadal, Poli; Harold Lozano; Álvaro Novo, Ariel Ibagaza (Marcos), Albert Riera; Samuel Eto’o (Campano) e Walter Pandiani (Carlitos). Téc.: Gregorio Manzano

Recreativo: Luque; Merino (Arpón), Pereira, Loren, Pernía; Camacho, Javi García, Bermejo (Xisco), Viqueira, Benítez (Joãozinho); Molina. Téc.: Lucas Alcaraz

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Um alento chamado Wilfred Ndidi

A diferença entre as temporadas 2015/16 e 2016/17 do Leicester City não poderia ser maior. Do título da Premier League à luta contra o rebaixamento, hoje os Foxes vivem momento delicado e sofrem a dor lancinante da perda. A saída de N’Golo Kanté não foi reposta à altura e o clube não conseguiu se reequilibrar com a chegada de Nampalys Mendy e a frustrada tentativa de adaptação de Daniel Amartey. Ciente disso, a direção azul buscou na Bélgica uma nova alternativa e a encontrou. Wilfred Ndidi chegou do Genk e, ainda que esteja longe de mostrar o desempenho de Kanté, vem se destacando.



Com o frescor da juventude (20 anos), capacidade de, com suas pernas longas (que lhe rendem o apelido de “polvo”), trabalhar incansavelmente em prol do coletivo e confiança para desenvolver seu jogo, o volante nigeriano mal desembarcou no King Power Stadium e já começou a ser utilizado. Contudo, o momento para tanto dificilmente poderia ser pior.

Seu primeiro jogo no Campeonato Inglês foi contra o poderoso Chelsea, líder da competição, e com o Leicester na incômoda 15ª colocação. O inevitável aconteceu e os Blues bateram, facilmente, os Foxes, 3x0.

A este insucesso se seguiram mais quatro derrotas; Ndidi ainda não conheceu o sabor da vitória na Premier League. Diante disso, poder-se-ia pensar que é uma loucura dizer que o clube se tornou mais forte com o ingresso do jovem meio-campista.

Apesar disso, é facilmente perceptível a melhora do jogo da equipe com a presença de seu novo contratado. Bons exemplos disso vêm da FA Cup, competição em que Ndidi foi peça importante nas vitórias contra Everton (sua estreia pelo clube) e Derby County (em que anotou um tento), sendo válido mencionar que o nigeriano não esteve em campo na eliminação do clube do certame, contra o Millwall.

Leia também: O rápido impacto de Roberto Gagliardini

Com Ndidi, o meio-campo do Leicester ganhou maior consistência e o “buraco” deixado pela ausência de Kanté diminuiu sensivelmente. A circulação da bola e dinâmica do time também melhoraram, uma vez que, com a imponente presença do garoto, Danny Drinkwater – certamente o jogador que mais sofreu com a venda do francês – passou a ter um pouco mais de liberdade para construir o jogo.

Embora o seu percentual médio de acerto de passes não chame atenção, 72%, tal número somente reflete uma situação maior do que o próprio jogador. O Leicester não gere bem a bola (tem média de 71% de acerto na Premier League, sendo superior apenas ao Burnley) e essa já era a realidade da temporada passada. Seu jogo é direto, com muitos passes longos, e, consequentemente, muitos erros. Portanto, não é justo julgar o jogador pelo seu índice de acerto de passes, o qual, diga-se, era muito superior no seu tempo no Genk (79,5%).

“Ele se adaptou muito bem. Todos os seus companheiros estão muito felizes com seu desempenho. Eu estou feliz. Ele é jovem, mas tem uma personalidade muito boa”, disse o treinador Claudio Ranieri em entrevista coletiva.

Ademais disso, Ndidi é muito voluntarioso e não se omite do jogo; mostra clara disso é o fato de que finaliza 1,8 vezes por partida, em média. Na parte defensiva, também tem agregado muito valor. Com média de 3,2 desarmes por jogo, duas interceptações e 3,8 cortes, tem sido o principal destaque do time nesses quesitos.

Seu jogo aéreo também é muito forte, com o atleta vencendo 56% das disputas pelo ar, ajudando a neutralizar as ofensivas adversárias nesse tipo de ocasião e ganhando muitas segundas bolas. Isto é fundamental para o início rápido dos contragolpes que o Leicester tanto busca durante as partidas e que são a base fundamental de seu estilo. Tem-se, pois, mais um predicado utilíssimo que o atleta possui e que contribui para o desenvolvimento do jogo coletivo do clube.

Ndidi chegou ao clube em péssima fase, vestiu a camisa, foi ao campo e mostrou desempenho. É certo que sua contratação é um alento para o torcedor do Leicester, tão acostumado ao sofrimento e que viveu os melhores dias de sua vida na temporada passada, num verdadeiro conto de fadas. 

Com juventude, espírito de luta e proatividade, tem ajudado a dar esperança de recuperação, mesmo diante das enormes dificuldades vividas pelo clube. Ainda há 13 batalhas por disputar na Premier League, além da UEFA Champions League e mesmo diante desse contexto, hoje, é fácil dizer que qualquer sucesso dos Foxes passa pelo bom desempenho e impacto coletivo da incorporação de Ndidi ao time.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

O rápido impacto de Roberto Gagliardini

O início de temporada da Inter de Milão parecia promissor. A contratação de bons nomes para qualificar seu elenco e a chegada do treinador Frank De Boer – detentor de um tetracampeonato holandês – animavam o torcedor nerazzurri. No entanto, o que era para se provar um exitoso processo de reconstrução e retorno à luta por títulos se comprovou um grave erro. Instalou-se a instabilidade e logo o time trocou de treinador. Chegou Stefano Pioli, ex-Lazio, e a equipe cresceu de produção. Evoluiu muito também a partir de uma nova incorporação: Roberto Gagliardini, volante de ascensão meteórica na Atalanta.



É curioso pensar que até o início da atual temporada, Gagliardini, de 22 anos, só tinha disputado uma partida na primeira divisão italiana, justamente na última rodada da temporada 2015/16. É justo dizer, contudo, que na primeira parte do aludido ano o atleta esteve emprestado ao Vicenza, clube em que não chegou a se firmar. Formado na própria Atalanta, que o recebeu no já distante ano de 2001, só se tornou peça importante de La Dea a partir da temporada atual e isso não se deu imediatamente.

Embora já estivesse incorporado aos profissionais da equipe italiana desde o começo da campanha presentemente em disputa, só conseguiu seu primeiro jogo como titular na 7ª rodada do Calcio. Isso só voltou a se repetir a partir da 11ª rodada e, desde então, passou a ser sua realidade. Entre a rodada citada e o início das negociações com a Inter de Milão, Gagliardini foi sempre titular; e mais: transformou-se em peça fundamental, ao lado do marfinense Franck Kessie.

Com ele, a Atalanta, que perdera quatro de suas primeiras cinco partidas na competição, tornou-se surpresa e sensação no Campeonato Italiano. Aliás, nos jogos em que alinhou o volante em seu time titular, o clube de Bergamo sentiu o sabor da vitória em seis oportunidades, tendo sido derrotado em apenas uma e empatando outra. Sim, foram apenas oito partidas de Campeonato Italiano como titular. Diante disso, como é possível justificar uma transferência tão cara para a Inter de Milão (especula-se ter custado cerca de €25 milhões)?

Uma das explicações é certamente o fato de o jovem ter sido convocado pelo treinador Giampiero Ventura para as partidas da Itália contra Liechtenstein e Alemanha, o que, embora o jogador não tenha estreado, certamente o colocou em outro patamar. Selecionável, Gagliardini passou a custar mais caro. Entretanto, são suas qualidades a melhor justificativa para seu alto preço.

Volante alto (1,88m), desde que ganhou real espaço na Atalanta, Gagliardini vem demonstrando uma capacidade especial para fazer a precisa leitura do jogo e muita resistência física. Sua noção dos espaços do campo é privilegiada, o que lhe torna um jogador com muito destaque nas recuperações de bola, não somente em desarmes, mas também em interceptações. Sua aptidão para o jogo aéreo é também um diferencial, visto que permiti que sua equipe ganhe mais vezes as segundas bolas e comece, rapidamente, a construir seu jogo.

Conquanto não seja um mestre dos passes, também não se compromete nesse atributo, tendo uma saída de bola, embora simples, muito eficaz. Desde que chegou à Inter, em partidas de Campeonato Italiano, tem média de 85,5% de aproveitamento de passes, 3,2 desarmes e 3 interceptações por partida. Tais números, excelentes, têm lhe rendido absoluta titularidade na Beneamata e o jogador vem sendo uma das principais explicações para a evolução interista.

Desde que chegou a Milão, Gagliardini disputou cinco partidas, todas como titular, participando de quatro vitórias e uma derrota para a líder Juventus. Fazendo parceria ora com o croata Marcelo Brozovic ora com o francês Geoffrey Kondogbia, o italiano tem feito por merecer a titularidade e já começou a ganhar espaço no coração do torcedor, pela luta constante e espírito incansável. A melhora na dinâmica de jogo da Inter passa pela contratação do jogador, que pode não ter o nome dos primeiros contratados da temporada, mas já é muito mais importante que a maioria deles.

“[Gagliardini] Se tornará um meio-campista completo. Com quem ele se parece? Me lembra [Marco] Tardelli, pelo senso de posicionamento e desejo de atacar, embora Marco fosse mais ágil e rápido e Gagliardini tenha mais estatura e fisicalidade, disse Stefano Pioli em entrevista coletiva após a estreia de seu meio-campista.

A despeito de ter uma carreira de pouco mais de 100 partidas disputadas, majoritariamente na segunda divisão italiana, Gaglio mostra tranquilidade e maturidade raras, não sentiu o peso da camisa da Inter e muito menos o da responsabilidade de ajudá-la a se recuperar e buscar uma vaga em competições europeias da próxima temporada.

Se, a princípio, seu preço pareceu muito alto, desde que começou a atuar essa impressão vem se modificando. Gagliardini tem entregado futebol de primeira qualidade: técnica, física e até mesmo emocionalmente. A presença do novo camisa cinco interista vem estabilizando o meio-campo da equipe e ajudando outras peças, como a do português João Mário, a atuar melhor. Não há dúvidas de que o italiano foi uma contratação excelente, sobretudo em razão da rapidez com a qual conseguiu trazer impacto ao onze inicial da Inter de Milão.

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