segunda-feira, 6 de julho de 2015

A sorte de ter Aránguiz

Há algum tempo, o futebol brasileiro vem enfrentando a necessidade de uma mudança que se tornou tendência em todo o globo e, mais especificamente, no futebol europeu: a morte do “volante brucutu”. Função que chegou a ser cultuada durante um bom tempo, sobretudo pelo quesito “raça”, que via-se intrinsecamente atrelado a esse tipo de jogador, o volante limitado à marcação não mais é sustentável em um esporte em que, cada vez mais, registra-se a necessidade de que todos os jogadores de linha ataquem e defendam. Em meio à crise gerada pela necessidade de se reinventar, o futebol brasileiro ganhou um presente em 2014: o chileno Charles Aránguiz.



Não é de hoje que o volante (se é que pode-se qualificar o refinado jogador dessa forma) vem se destacando e sendo um dos grandes diferenciais do Internacional de Porto Alegre. Com ele, o Colorado ganhou uma infinidade de possibilidades. Com o chileno em campo, o clube tem um jogador de marcação, um exímio passador para qualificar sua saída de bola e um elemento surpresa que, muitas vezes, faz a diferença no placar. O camisa 20 do clube gaúcho é, hoje, um dos melhores exemplos do jogador “todo terreno”, o popular box-to-box.

Um dos grandes responsáveis pelo bom futebol desempenhado pela Seleção Chilena na Copa do Mundo de 2014, Aránguiz voltou a brilhar na Copa América recém-finda e logrou êxito ao ser campeão. Enquanto Arturo Vidal está em evidência nos gramados do Velho Continente, sendo cortejado pelas maiores potências de lá, aqui, bem ao lado, Aránguiz dá lições diárias ao futebol brasileiro, que não faz ideia da sorte que representa ter um jogador deste calibre e com suas características atuando em nossas, muitas vezes, fracas partidas.

"Sempre disse que sou um volante que gosto de chegar à área, mas sempre disse que se o treinador quiser que eu fique mais atrás, vou ficar. Não tenho problema, mas sou um volante que gosta de chegar ao ataque", revelou Aránguiz em abril deste ano.

Um dos reflexos cada vez mais evidentes de sua importância no Colorado foi a ascensão do garoto Rodrigo Dourado (foto), uma das maiores esperanças do futebol Canarinho para executar, em um futuro próximo, a função que é tendência mundial. Dourado tem bom passe, boa saída de bola e pegada na marcação, algo que faltou, notoriamente, à Seleção Brasileira. O curioso é que tanto Fernandinho quanto Elias (os titulares recentes da esquadra verde-amarela) têm como uma de suas aclamadas características a saída para o jogo – o que não foi visto na Copa América.

Voltando a Aránguiz, em pouquíssimo tempo o Brasil já se dava conta da qualidade que o jogador agregara ao Inter e grande parte dos torcedores dos outros clubes do país passaram a refletir sobre a necessidade de ter alguém como o chileno, uma peça capaz de destruir o jogo dos adversários e, com extrema perícia, construir o de sua própria equipe. Se Andrés D’Alessandro segue sendo o craque do Colorado, Aránguiz é, sem sombra de dúvidas, o cara que diferencia o futebol da equipe.

“(Vejo) Um crescimento enorme (em Charles Aránguiz). É um jogador que ganhou rapidamente a torcida brasileira, que é muito exigente. Ele é muito completo, pode jogar como volante e chegar à área, pode atuar na contenção. É muito funcional. Permite que o técnico use ele em qualquer lugar”, disse Jorge Sampaoli, treinador do Chile ao final de 2014.

A partir da chegada de Aránguiz, o futebol brasileiro voltou a olhar com atentos olhos para jogadores com suas características, figuras raras no mercado, mas existentes, como prova, por exemplo, Rafael Carioca, volante do Atlético Mineiro e atleta que mais passes acertou no Campeonato Brasileiro até o momento com 551.

Aos 26 anos, campeão da Copa América, semifinalista da Copa Libertadores da América e sondado por clubes como Arsenal, Chelsea e Manchester City, Aránguiz não deve permanecer no país por muito tempo, o que deveria ser motivo de tristeza, considerando a boa influência que seu estilo de jogo trouxe e traz para nosso futebol.

Bom marcador e bom passador, Aránguiz mostrou-se um jogador que destrói, joga e faz o time jogar, justamente o tipo de atleta de cuja falta tanto nos queixamos. Seu impacto excelente no Internacional e na Seleção Chilena deveriam ser exemplo para todos os clubes brasileiros, ditando a tônica do tipo de jogador que deveria ser trabalhado nas categorias de base.

Aránguiz não é alto e não é forte. No entanto, é um bom e leal marcador e um jogador capaz de fazer qualquer função do meio-campo. Nesse momento, o futebol brasileiro só tem o que agradecer, pois, diante de tanta falta de criatividade, e, mais do que isso, a falta de jogadores com uma real consciência tática, é uma sorte ter Aránguiz em nossos gramados.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Times de que Gostamos: Vélez Sarsfield 1994

Após lembrar o excelente time do Borussia Mönchengladbach, de meados da década de 70, período em que os Fohlen comandaram o futebol na Alemanha, trato do bom time do Vélez Sarsfield de 1994, que, treinado por Carlos Bianchi, conquistou a única Copa Libertadores da América de sua história.


Em pé: Trotta, Gómez, Sotomayor, Chilavert, Zandoná, Basualdo.
Agachados: Bassedas, Flores, Asad, Pompei, Cardozo.























Time: Vélez Sarsfield

Período: 1994

Time Base: Chilavert; Zandoná (Almandoz), Trotta, Sotomayor (Pellegrino), Cardozo; Gomez, Basualdo, Bassedas, Pompei ; Turu Flores e Asad. Téc.: Carlos Bianchi

Conquistas: Copa Libertadores da América e Intercontinental

Indiscutivelmente identificado e lembrado com carinho no Boca Juniors, o treinador Carlos Bianchi fez boa parte de sua interessante carreira como jogador no Vélez Sarsfield. Apesar disso, foi como comandante de El Fortín que El Virrey conquistou sua maior glória pelo clube.

Mostrando as características que o consagrariam como um dos maiores treinadores argentinos de todos os tempos, Bianchi montou um time extremamente organizado taticamente e capaz de mostrar diferentes estilos, jogando tanto tecnicamente quanto com a raça habitual dos Hermanos. Dessa forma, conseguiu avançar no Grupo 2, que continha Cruzeiro, Palmeiras e Boca Juniors, e seguir até a conquista do título da Copa Libertadores da América de 1994.

Durante o ano de 1994, o Vélez bateu grandes equipes como um Cruzeiro que tinha nomes como Dida e Ronaldo, o Junior de Barranquilla de Carlos Valderrama, o grande São Paulo de Telê Santana e um excepcional Milan, no Intercontinental, ao final do ano. Com uma equipe que mesclou a experiência de jogadores como José Luis Chilavert e José Basualdo com a juventude de Turu Flores e Christian Bassedas, o clube argentino conquistou seu único título da América, com bom futebol e uma pitada de sorte em disputas de pênaltis.

Defendendo a meta argentina, estava um dos melhores goleiros da década de 90, o polêmico paraguaio Chilavert. Em todos os aspectos o arqueiro era incomum. Robusto, desbocado, cobrador de faltas e pênaltis (foi durante muitos anos o goleiro com maior número de gols da história, ultrapassado recentemente por Rogério Ceni), era chamado de Buldogue e em alguma parte de sua carreira inclusive estampou o cão em suas camisas.

Embora seja lembrado por algumas confusões, que envolvem brigas com Faustino Asprilla e Diego Armando Maradona, Chilavert era um goleiro extremamente seguro e capaz das mais impensáveis defesas. Além disso, sempre se mostrou um líder. No Vélez foi ídolo, defendendo a equipe entre 1991 e 2001 e marcando 48 gols.

As laterais da equipe eram compostas por Flávio Zandoná e Raul Cardozo, ambos mais conhecidos pela capacidade de marcação do que propriamente pelo apoio ao ataque. O primeiro, que atuava pela direita, é lembrado pelo público brasileiro por ter agredido o então flamenguista Edmundo, no ano de 1995.

Zandoná não era titular absoluto e disputava a posição com Héctor Almandoz, cujas características eram semelhantes, sendo ambos marcados pela raça e uma certa catimba. Cardozo, por outro lado, jogador que atuou entre 1986 e 1999 no Vélez, possuía mais recursos técnicos, mas também tinha como ponto mais forte sua qualidade defensiva.

O miolo de zaga da equipe, um de seus setores mais fortes, era composto pelos fortes e vigorosos Roberto Trotta (foto), capitão do time, e Víctor Hugo Sotomayor. Altos para a época, viris e fortes fisicamente, eram suscetíveis ao recebimento de muitos cartões, mas intimidavam, como poucos, os atacantes rivais. Durante sua carreira, Trotta ficou famoso pelo recorde de 17 cartões vermelhos no Campeonato Argentino, mas também é lembrado por sua liderança e por inaugurar o marcador no Intercontinental, contra o Milan.

Como um primeiro volante, logo à frente da defesa, o Vélez contou com a proteção de Marcelo El Negro Gómez, revelado no próprio clube e que representou cores de El Fortín durante sete anos. Outro jogador de forte poder de marcação, aos 24 anos, tinha muita vitalidade e poder de marcação, mas cometia muitas faltas.

Em uma segunda linha de meio-campistas, ajudando tanto o setor defensivo quanto o ofensivo, José Basualdo (foto) era o jogador mais técnico da equipe. Experiente, o jogador já havia ultrapassado a casa dos 30 anos, disputado torneios com a Seleção Argentina e atuado no exterior (onde representou o Stuttgart) quando ajudou o Vélez a conquistar a Libertadores. Sua capacidade de ligar defesa e ataque, com um bom passe e visão de jogo o tornavam a grande referência do meio argentino. Antes do término da Copa Libertadores, Basualdo foi à Copa do Mundo dos Estados Unidos.

Auxiliando-o, havia a presença de Christian Bassedas, à época um jovem de 21 anos. Talentoso com a bola no pé, dono de bom passe e muita noção tática, podia atuar em qualquer posição do meio-campo e até mesmo como líbero. Cria da casa, atuou 10 anos no Vélez e depois seguiu para o Newcastle United, tendo atuando, ainda, pela Albiceleste. 

Como a figura mais avançada de um meio-campo raçudo e pegador, o Vélez tinha Roberto “Tito” Pompei, outro jogador revelado nas categorias de base do próprio time. É lembrado por sua função como enganche e por ter convertido o último pênalti do título da Copa Libertadores, contra o São Paulo, em pleno Morumbi. Como era muito bem protegido por seus companheiros de meio-campo, Pompei tinha liberdade para se deslocar por toda a faixa ofensiva do meio-campo, auxiliando os atacantes e complicando a vida das defesas adversárias.

O ataque da equipe do bairro de Liniers era formado por uma dupla jovem, formada por José Óscar “Turu” Flores (foto) e Omar “El Turco” Asad. Outros dois pratas da casa, os atacantes formavam uma dupla muito completa e eficiente. Flores é lembrado por sua habilidade e por um movimento característico (uma espécie de “quebra” da cintura) com as pernas que desmontava marcações inteiras e desestabilizava rivais. Em 181 jogos pelo clube, marcou 56 vezes. Posteriormente, mudou-se para o futebol espanhol, onde defendeu Las Palmas, Deportivo La Coruña, Real Valladolid, Mallorca e Murcia.

Asad, por outro lado, era famoso por seu faro de gol apuradíssimo. Vice-artilheiro da Copa Libertadores de 1994, foi eleito o melhor jogador da final do Intercontinental do mesmo ano, marcando o tento do título argentino. Apelidado em função de suas origens, o jogador era forte e letal na área adversária. “El Turco” atuou durante toda a sua breve carreira no Vélez, encerrando-a em 2000, em função de problemas de lesões. Em 145 jogos, marcou 31 gols, o que parece pouco, mas é compreensível em função da quantidade e gravidade dos problemas com os quais conviveu.

Como dito no princípio, a equipe argentina tinha o grande Carlos Bianchi na chefia. Não obstante, à época, o comandante era apenas um promissor treinador, que ainda não possuía grandes glórias. Com um estilo de garra, técnica e catimba, que consagrou sua carreira, o Virrey fez seu primeiro grande trabalho, aumentando ainda mais a idolatria que o clube já possuía em si. Além dele, o banco de reservas contava com jogadores úteis como o zagueiro Maurício Pellegrino, que mais tarde faria história com a camisa do Valencia, e os meio-campistas Claudio Husain e Patricio Camps.



Ficha técnica de alguns jogos importantes nesse período:

Grupo 2 da Copa Libertadores: Vélez Sarsfield 2x0 Cruzeiro

Estádio El Fortín, Buenos Aires

Árbitro: Eduardo Dluzniewski

Gols: ’14 Trotta e ’29 Asad (Vélez)

Vélez: Chilavert; Almandoz, Trotta, Sotomayor, Cardozo; Gómez, Basualdo, Bassedas, Camps; Tutu Flores (Pompei) e Asad (Husaín) Téc.: Carlos Bianchi

Cruzeiro: Dida; Paulo Roberto, Luizinho, Célio Lúcio, Nonato; Ademir (Catê), Cleisson (Toninho Cerezo), Douglas, Luís Fernando, Roberto Gaúcho; e Ronaldo. Téc.: Ênio Andrade

Semifinal da Copa Libertadores: Vélez Sarsfield 2(5)x1(4) Atlético Junior

Estádio El Fortín, Buenos Aires

Árbitro: Iván Guerrero

Público 45.000


Gols: ‘4 Bassedas e ’12 Turu Flores (Vélez); ’18 Valenciano (Atlético)/ Trotta, Chilavert, Zandoná, Pompei e Basualdo converteram seus pênaltis; Turu Flores perdeu (Vélez); Valenciano, Mendoza, Carlos Valderrama, MacKenzie converteram seus pênaltis; Méndez e Ronald Valderrama desperdiçaram (Atlético)

Vélez: Chilavert; Zandoná, Trotta, Sotomayor, Cardozo; Gómez, Basualdo, Bassedas, Pompei; Turu Flores e Asad (Fernández). Téc.: Carlos Bianchi

Atlético Junior: Paso; Méndez, Mendoza, Cassiani, Briasco (R. Valderrama), Grau; Galeano, C. Valderrama, Víctor Pacheco; Valenciano e Araújo (MacKenzie). Téc.: Julio Comesaña

Final da Copa Libertadores: São Paulo 1(3)x0(5) Vélez Sarsfield

Estádio Morumbi, São Paulo

Árbitro: Ernesto Filippi

Público 92.560

Gol: ’33 Müller (São Paulo)/ André Luiz, Müller, Euller converteram seus pênaltis; Palinha perdeu (São Paulo); Trotta, Chilavert, Zandoná, Almandoz, Pompei converteram seus pênaltis (Vélez)

São Paulo: Zetti, Vítor (Juninho Paulista), Gilmar, Júnior Baiano, André Luiz; Válber, Axel, Cafu, Palinha; Müller e Euller. Téc.: Telê Santana

Vélez: Chilavert; Zandoná, Trotta, Pellegrino, Cardozo; Almandoz, Gómez, Basualdo (Pompei), Bassedas; Turu Flores (Husaín), Asad. Téc.: Carlos Bianchi

Final do Intercontinental: Vélez Sarsfield 2x0 Milan

Estádio Nacional, Tóquio

Árbitro: José Torres Cadena

Público 47.886

Gols: ’50 Trotta e ’57 Asad (Vélez)

Vélez: Chilavert; Almandoz, Trotta, Sotomayor, Cardozo; Gómez, Basualdo, Bassedas, Pompei; Turu Flores, Asad. Carlos Bianchi

Milan: Rossi; Tassotti, Baresi, Costacurta, Maldini; Desailly, Donadoni, Albertini, Boban (Simone), Savicevic (Panucci); Massaro. Téc.: Fabio Capello

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Arsenal: o goleiro chegou, falta o centroavante

O ano de 2006 marcou o último grande time do Arsenal. Vice-campeões da UEFA Champions League, os Gunners tinham, nas duas pontas de sua escalação, grandes referências, que com o tempo se perderam. Na meta estava Jens Lehmann e no ataque Thierry Henry. Após anos de insucessos e luta para repor seus ídolos, o Arsenal fechou com Petr Cech e terá um goleiro a altura de sua pretensão. Agora falta o centroavante. Mas vamos por partes.



Cech põe fim à espera por um grande goleiro

O torcedor dos Gunners, que se acostumara com a segurança de David Seaman e, posteriormente, com a de Lehmann, passou anos convivendo com os sobressaltos e as falhas de uma incrível sucessão de nomes medianos em sua meta. Manuel Almunia, Lukasz Fabianski, Wojciech Szczesny, Vito Mannone e Damián Martínez não corresponderam a altura da história do clube londrino em momento algum. Isso chegou a levar Lehmann a retornar ao clube após ter se despedido dos gramados, na temporada 2010-2011.

Dos nomes citados, o que desempenhou o papel mais digno foi, sem dúvidas, Szczesny, o que, não obstante, não impediu que a direção do clube continuasse sua busca por um titular confiável para sua meta. Para a temporada 2014-2015, a contratação de David Ospina (foto), que havia feito excelente Copa do Mundo com a Seleção Colombiana, parecia ser uma tentativa definitiva para o clube, uma vez que o goleiro vinha em bom momento e já possuía uma boa experiência.

Apesar disso, o sul-americano demorou meia temporada para assumir a meta dos Gunners (em função de lesão, sobretudo) e embora tenha vivido grandes momentos, não se confirmou um arqueiro à altura de lendas como Seaman e Lehmann. Isso fez o clube buscar em um de seus grandes rivais a solução: Petr Cech. Destruidor de recordes e ídolo dos Blues, equipe que defendeu durante onze anos, o tcheco chega para ser a referência tão aguardada para a meta e para ajudar o clube a dar o salto de qualidade, voltando a lutar pelo título inglês e não apenas por uma vaga na UEFA Champions League.
“Estou realmente entusiasmado por me juntar ao Arsenal Football Club e mal posso esperar para começar a pré-temporada. Eu tenho o mesmo comprometimento com o futebol, a mesma motivação e a mesma fome que tinha no início de minha carreira e eu amo os desafios trazidos pelos melhores jogadores que você enfrenta na Premier League. Quando o Arsène Wenger me falou sobre suas ambições para o clube e como ele me viu como parte de seu time, minha decisão foi clara”, disse Cech em sua primeira entrevista ao site oficial do Arsenal como jogador do time.
Para os supersticiosos fica um dado curioso: Cech chega ao Arsenal com praticamente a mesma idade que Lehmann tinha quando de sua contratação. Hoje, o tcheco tem 33 anos. Em 2003, o alemão chegou aos 32, mas, em novembro daquele ano, completou 33.

Ainda falta um goleador

Na outra ponta da escalação, ainda falta um jogador que decida partidas sozinho e seja o ponto de desafogo da equipe, uma grande referência. Os últimos três anos do Arsenal contaram com a referência de Olivier Giroud, centroavante francês canhoto que havia se destacado no Montpellier. Embora o jogador não seja um atleta de baixa qualidade, como muitos insistem em dizer, não é figura para ser titular em um clube com as pretensões dos Gunners. Basta comparar seu desempenho com o de figuras recentes como Robin van Persie e Thierry Henry (foto).

Na última temporada, a chegada de Alexis Sánchez deu alento ao torcedor, que voltou a ver um atleta altamente decisivo vestindo a camisa de seu clube. No entanto, embora marque muitos gols, o chileno não é o matador que o time precisa e que o torcedor se acostumou a ter.

Giroud é um bom jogador, mas é claramente inferior aos centroavantes dos clubes que concorrem com o Arsenal pelas primeiras posições do Campeonato Inglês. O Chelsea tem Diego Costa; o Manchester United tem Robin van Persie e Wayne Rooney; e o Manchester City tem Sergio Agüero.

É claro que a contratação de um camisa nove de grande categoria não será uma tarefa fácil e nem, tampouco, barata, mas de vital importância para a desejada evolução do clube, que não conquista a Premier League desde a temporada 2003-2004. Assim, é possível pensar em nomes como Edinson Cavani e Robert Lewandowski, que estiveram abaixo das expectativas em seus clubes – chegando a ter atritos com seus treinadores – e já mostraram diferenciais que deixam claro que sua contratação terá poucas chances de se tornar um erro.
Giroud não é ruim, mas não é o suficiente

Outro nome que poderia ser uma boa opção para Arsène Wenger é o do francês Karim Benzema. O que pode parecer um delírio, diante da excelente forma do atacante nas últimas temporadas, não pode ser visto como algo impossível, uma vez que, segundo noticiou o periódico espanhol Mundo Deportivo, Rafa Benítez, novo treinador do Real Madrid, estaria considerando a possibilidade de transformar Cristiano Ronaldo em seu centroavante, deixando Benzema como segunda opção. Sendo um dos melhores jogadores de sua posição no mundo, certamente o banco de reservas não é algo que agradaria ao francês.

Para mudar de patamar de uma vez por todas, o Arsenal não pode deixar de contratar um centroavante da melhor qualidade, ainda que isso signifique o gasto da maior parte de seu orçamento.

O restante do elenco não é perfeito, mas não apresenta necessidades urgentes

É evidente que a contratação de um goleiro e a eventual busca de um centroavante de alta qualidade não tornam o Arsenal o clube perfeito, mas isso não evitaria que o clube mudasse para um patamar há muito esperado por seu torcedor.

Na retaguarda, os dois zagueiros titulares, Laurent Koscielny e Per Metersacker não são primorosos, mas não são ruins, e ainda há Gabriel Paulista, jogador que tem sido elogiado por Wenger. As laterais possuem jogadores com diferentes qualidades, e que estão, na pior das hipóteses, na média do campeonato. Héctor Bellerín, Mathieu Debuchy, Calum Chambers, Kieran Gibbs e Nacho Monreal são todos úteis.

O meio-campo tem opções para todos os gostos. Há volantes de muita força, como Francis Coquelin e Mathieu Flamini, e há jogadores de ótimo trato da bola, casos de Mikel Arteta, Jack Wilshere e Aaron Ramsey. À frente, Santi Cazorla mostrou impressionante versatilidade na última temporada e se tornou opção para praticamente todas as posições da meia-cancha.

Mesut Özil é genial, mas precisa deixar de ser irregular. Possivelmente, com uma assessoria melhor no ataque e com uma temporada sem lesões, o alemão pode brilhar. Especula-se ainda, que o chileno Arturo Vidal poderia ser contratado, agregando ainda mais qualidade ao meio-campo

Pelas pontas, Alexis Sánchez (foto) mostrou exatamente o que se esperava dele: velocidade, habilidade e capacidade de decisão. Junte-se ainda jogadores que, se não são craques – longe disso –, possuem qualidades, como Tomás Rosicky, Alex Oxlade-Chamberlain, Theo Walcott e Olivier Giroud, e tem-se um elenco com um interessante leque de opções.

Embora não se descarte a necessidade de algumas contratações, como por exemplo a de um zagueiro e de um lateral-esquerdo, estas estão longe de ser uma necessidade vital.

Além da contratação de um centroavante de ponta, o torcedor do Arsenal só precisa torcer por mais uma coisa: o fim de uma sina de lesões que assola o clube há tempos. Com todas as suas peças disponíveis, Wenger tem um ótimo elenco nas mãos.

Com Cech, o Arsenal dá mais um grande passo rumo à retomada de seu status histórico, o de favorito às conquistas na Inglaterra. Ainda falta um pouco para o clube atingir esse nível, mas a conclusão do pagamento do Estádio Emirates, e as recentes contratações de Özil, Sánchez e Cech mostram que o clube tem mudado sua política de contratações e feito investimentos de peso. O caminho para a retomada de um passado de glórias está traçado, o clube só precisa segui-lo e torcer para que as contingências da temporada não o coloquem em uma encruzilhada.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Juventus movimenta mercado e vira incógnita para 15-16

Todo sucesso traz consigo inevitáveis consequências – boas ou ruins. De 2011 a 2015, a Juventus conquistou o tetracampeonato italiano, uma Coppa Italia e duas Supercopas Italianas. Nesses anos, no entanto, sem maior sucesso além-fronteiras, o clube nunca esteve tão em evidência como agora (com o vice-campeonato da UEFA Champions League), tornando-se um dos maiores focos de interesse da presente janela de transferências.



Tévez e o Boca: final anunciado há tempos

Ainda não é oficial, mas segundo tudo o que tem sido especulado pela imprensa global é questão de tempo o retorno de Carlitos Tévez ao seu querido Boca Juniors. Apesar de ser chocante a realidade, afinal causa muita estranheza um jogador decidir voltar a seu país de origem e disputar um campeonato tecnicamente inferior no auge de sua carreira, em seu esplendor, a conexão dos jogadores formados no clube Xeneize com a instituição muitas vezes ganha contornos distintos do esperado.

Tévez nunca escondeu que desejava voltar a vestir o azul e o amarelo que lhe deram tudo o que tem. Além disso, sempre deixou clara sua intenção de fazê-lo antes do final de sua carreira, enquanto ainda tivesse condições de contribuir com muita qualidade para eventuais sucessos do clube. Esse é Carlitos, um jogador que segue a estirpe de Juan Román Riquelme, que também voltou a La Bombonera em seu auge, aos 29 anos, após conduzir o modesto Villarreal à semifinal da UEFA Champions League de 2006-2007.

Embora tenha sido sempre sabido o desejo de Tévez, com apenas mais um ano de contrato com o clube de Turim, esperava-se que o argentino permanecesse até o final de seu vínculo.

Nesse momento, a praticamente consumada saída do goleador traz consigo uma necessidade de reposição e será dificílimo para a Juve encontrar uma peça que substitua o camisa 10 por um valor razoável, como os aproximados €10 Milhões que levaram o Apache à Juventus – prova disso são os especulados €19 Milhões pagos por Mario Mandzukic, bom atacante, mas que não tem de forma alguma a qualidade e o impacto de Tévez.

Carlitos decidiu jogos sozinho durante os últimos anos e a equipe italiana terá que buscar uma peça com essa capacidade, ou conformar-se em, mais do que nunca, praticar um jogo coletivo.

O possível desmanche de um grande meio-campo

Após os sucessos Bianconeros, muito foi dito sobre a brilhante construção do meio-campo, feito pela diretoria da Juventus. Andrea Pirlo, Claudio Marchisio, Arturo Vidal e Paul Pogba, juntos, custaram apenas €12,5 Milhões aos cofres italianos, todo este valor dispendido na negociação do chileno.

Donos de excelentes qualidades, nas últimas temporadas, Marchisio, Vidal e Pogba provaram sua qualidade tanto na esfera doméstica quanto na continental. Além disso, Pirlo demonstrou que ainda tinha muito futebol para jogar até o termo de sua carreira. Com isso, os quatro passaram a ficar em evidência no mercado de transferências atual.

Enquanto Vidal, que faz boa Copa América com a Seleção Chilena, tem sido ligado fortemente ligado a uma transferência para o Arsenal, que teria oferecido £21,3 Milhões por seus serviços, Pogba tem sido cortejado por praticamente todos os clubes do grupo dos maiores e mais ricos do planeta, esquadras do porte de Real Madrid, Barcelona, Manchester City, Chelsea e Paris Saint-Germain.

Marchisio, o menos badalado dos nomes do meio-campo alvinegro, teve seu nome cogitado em Arsenal e Liverpool. Fugindo a regra, Pirlo, que já está com 36 anos, pode se transferir para o futebol norte-americano, onde defenderia o New York City, juntando-se aos astros Frank Lampard e David Villa.

É evidente que nem todos os jogadores devem deixar Turim, mas é provável que ao menos dois deixem o Juventus Stadium, algo que poderia ser decisivo para as pretensões futuras da equipe, que tem no meio-campo seu setor mais consistente.

Ciente desse perigo, a direção Bianconera tratou de comprar o restante dos direitos de Roberto Pereyra (foto) junto à Udinese, mantendo-o no clube. Embora não tenha o nível de seus concorrentes, o argentino, mostrou qualidades na última temporada e sua permanência é um ponto positivo.


Outro jogador que chega para ficar é Sami Khedira, internacional alemão que estava no Real Madrid. Valendo-se de seu histórico de bom negociador, o clube italiano fechou a contratação do consistente volante sem custos, algo que deve ser extremamente valorizado.

No entanto, embora tenha mais capacidade física e defensiva que seus concorrentes, não tem em seu leque de qualidades uma saída para o jogo mais incisiva, dando menos fluidez ao setor, se comparado a Vidal, Pirlo, Marchisio, Pogba e até mesmo a Pereyra. Khedira foi um excelente negócio, mas não é um jogador que substitui precisamente seus companheiros, demandando alguma adaptação.

A despeito disso, é óbvio que eventuais vendas de seus craques – exceção feita a Pirlo – renderão alguns milhões aos cofres italianos, que terão meios de reformular a equipe, o que é sempre bom, mas traz consigo algum risco.

Novo ataque: por que não dar uma chance a Berardi?

Além de Khedira e Pereyra, a Juventus assegurou os serviços de dois atacantes que podem agregar muito à equipe. Jovem destaque do Palermo, Paulo Dybala chega à Juve cercado de expectativas. Autor de 13 gols e 10 assistências nos 34 jogos que disputou pelo Campeonato Italiano 2014-2015, o argentino de 21 anos foi contratado por aproximadamente €30 Milhões, deixando claro que sua aposta constitui uma grande esperança de que seu futebol desabroche em Turim e que o canhotinho consiga substituir Tévez, assumindo o protagonismo na equipe.


Mandzukic, por outro lado, é uma tentativa da equipe de voltar a ter um centroavante decisivo, que, se bem servido, poderá fazer a diferença para a equipe. Brigador, alto e forte, o croata traz à equipe o que Fernando Llorente conseguiu em ocasiões esparsas. Na última temporada, Mario marcou 20 gols em 43 jogos e não conseguiu alcançar o nível que o Atlético de Madrid esperava dele. Não foi o substituto ideal de Diego Costa. Ainda assim, é um jogador em quem vale apostar.

Os negócios da Juve para o ataque (Dybala e Mandzukic) transparecem algo com clareza: o clube fez apostas para o setor ofensivo. Enquanto Dybala é apenas um garoto em ascensão, Mandzukic é um goleador que busca voltar a sua melhor forma. Com isso em mente, porque a Juventus preteriu o também garoto Domenico Berardi?

Cria do Sassuolo, o italiano chegou a ser contratado em regime de co-propriedade pela Juventus, seguindo em seu clube originário nas últimas duas temporadas. Aos 20 anos, o jovem já pode dizer que tem marcas muito expressivas atuando na Serie A.

Em 103 jogos, já marcou 42 gols e proveu 28 assistências. Em 2013-2014, marcou 16 vezes em 29 jogos; e em 2014-2015 foram 15 tentos em 32 encontros. Ainda muito jovem, o versátil atacante – que pode atuar por ambas as pontas e pelo centro do ataque, preferindo, todavia, o lado direito – já tem experiência no futebol italiano e números excelentes.

A despeito disso, o clube preferiu vender o restante de sua parte por £8,8 Milhões ao Sassuolo, seguindo com uma preferência de recompra para o final da temporada 2015-2016. Não terá Berardi provado o suficiente para fazer valer a aposta da Juventus?



Apesar de seu reinado na Itália nos últimos anos e de seu sucesso recente na UEFA Champions League, a Juventus passa a ser uma incógnita para a temporada 2015-2016. Provavelmente sem seu maior craque e sem alguma (s) referência (s) do meio-campo, a equipe passará por um profundo reajuste nos setores de meio e ataque, o que certamente traz consigo algumas dúvidas sobre o novo encaixe Bianconero

É possível que a equipe se modifique e até mesmo evolua, porém, nesse momento, com a ebulição de incontáveis especulações, é temerário fazer quaisquer afirmações. O certo é que: após sucessivos êxitos, a Juventus movimenta o mercado e vira uma boa incógnita para a temporada 2015-2016.
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