quarta-feira, 4 de maio de 2016

A bonita história de Stiliyan Petrov

Pense o que você espera de um capitão de clube de futebol. Liderança, combatividade e técnica são alguns dos predicados que moldam um bom capitão, mas há outro, e talvez mais importante e raro, que não pode ser dispensado: paixão. Isso foi visto durante um bom tempo no Aston Villa – sim, aquele mesmo time que acaba de ser rebaixado da Premier League de forma vexatória – e tinha nome e sobrenome: Stiliyan Petrov, jogador búlgaro que representou as cores dos Villans entre 2006 e 2012, ano em que foi diagnosticado com leucemia.



Membro do time que trouxe os últimos verdadeiros dias de orgulho ao Villa Park, sobretudo na temporada 2009-2010, quando o clube foi bem na Premier League, terminando em sexto lugar, semifinalista da FA Cup e finalista da League Cup, o jogador se tornou ídolo do torcedor. Atleta de confiança de Martin O’Neill, seu treinador no Celtic e o responsável maior por sua transferência à equipe de Birmingham, o atleta possuía, além das citadas qualidades necessárias a um capitão, perícia na maioria dos fundamentos, ótimo posicionamento e muita dedicação; a porta de entrada para o coração do torcedor de qualquer clube e que lhe rendeu um lugar no Hall da Fama do Villa.

O volante também foi capitão da Seleção Búlgara durante longo período e se confirmou o jogador que mais vezes envergou o manto de seu país, com 106 aparições. A forma como conduziu sua carreira também transparece integridade. Após um breve início no pequeno Montana, de seu país, o jogador passou pelo CSKA Sofia, clube mais vitorioso da Bulgária, permanecendo por três anos e seguiu para o Celtic, onde atuou por outros sete, seguindo para o Aston Villa, em uma estadia de outros sete anos. Uma carreira, marcada por evolução e lealdade aos clubes.

Por mais que, nos tempos atuais, seja romântico aclamar um jogador por sua fidelidade com relação aos clubes em que atua, este ainda é um componente do futebol muito valorizado; afinal, quem não quer que os grandes jogadores de seu time do coração permaneçam no clube por vários anos?

Com sua força de vontade, Petrov superou três períodos de quimioterapia e curou-se; e aos 36 anos pretende dar ao torcedor de um de seus ex-clubes, carente de sorrisos e que vive à sombra de sucessos do passado, esperança de dias melhores. O búlgaro está se preparando para retornar aos gramados e voltar a vestir a camisa do Aston Villa.

Em um tempo em que o torcedor dos Villans, com profundo desprazer, brada os dizeres: “Proud History, What Future?” (“Orgulhosa história, que futuro?”, em tradução livre), uma parte da história do clube deseja voltar para ajudar na construção de um futuro melhor.



“Estou buscando um retorno ao futebol. Eu disse ao Aston Villa que estou pronto para começar uma pré-temporada com eles. Obviamente, eles sempre farão uma primeira observação. Eu recebi permissão para treinar com o Aston Villa Sub-21 pelos últimos quatro meses. 
Fizemos alguns testes nas últimas duas semanas e minha forma física está se aproximando daquela de quando me aposentei. Estou realmente empolgado e entendo que as probabilidades estão contra mim”, disse o jogador no dia em que inaugurou a Fundação Stiliyan Petrov, que busca ajudar pessoas como câncer.

Ainda não é certo o retorno do jogador e não é possível imaginar que tipo de resposta Petrov dará em campo, caso retorne. No entanto, nada disso muda o fato de que sua possível reintegração traz esperança ao torcedor e torna o atleta ainda mais vencedor do que já seria por sua carreira anterior e pela superação de um câncer.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Os impactos da iminente venda de Hummels

Parece questão de tempo o anúncio oficial da venda do zagueiro e capitão do Borussia Dortmund, Mats Hummels, ao rival Bayern de Munique. Após anos de especulações, as quais incluíram os mais diversos clubes e situações, parece certo que o destino do craque alemão será o clube bávaro, indiscutivelmente, uma grande perda para os aurinegros e algo que reafirma a superioridade do clube de Munique no cenário alemão, tendo levado anteriormente Robert Lewandowski e Mario Götze à Allianz Arena. Todavia, qual é o verdadeiro impacto da perda de Hummels para o Borussia?



Saída de bola


Grande parte do trabalho de pressão que o Borussia exerce desde os tempos de Jürgen Klopp, o que, a despeito de algumas alterações temporada após temporada e desde a chegada de Thomas Tuchel ao comando do clube, dá a tônica do sucesso recente dos aurinegros, passa pela fundamental capacidade de começar esse trabalho lá atrás. Uma vez que a pressão do clube funciona, a saída de bola precisa ser rápida para o contragolpe ser mortal e Hummels é essencial para a eficácia de tal ideia de jogo.

Extremamente técnico e bom passador, o zagueiro alemão foi até hoje certeza de boa saída de bola no clube. É comum vê-lo rompendo a linha da meia-cancha, avançando, fazendo lançamentos longos e se apresentando para o jogo. Além de confundir os adversários, que não esperam que um zagueiro avance tanto, quebra uma etapa na construção de jogo, que, em grande parte das equipes, só começa a partir do meio-campo.

Com a iminente saída de Hummels, o Borussia Dortmund perde algo que o caracteriza e o diferencia. Toda a estrutura de jogo do clube ficará comprometida com a ausência do jogador.

Liderança


Ademais, o clube perderá aquele que hoje é considerado, indiscutivelmente, seu maior ídolo e referência. Afirmado capitão do time desde a aposentadoria do volante Sebastian Kehl e tendo ganhado ainda maior importância com a ida do importante Roman Weidenfeller ao banco de reservas, suplantado por Roman Bürki, Hummels certamente foi até hoje um exemplo a ser seguido dentro do clube.

Tendo tido inúmeras oportunidades de deixar o clube e, ainda assim, seguido no clube que o deu oportunidades verdadeiras no futebol, o jogador ganhou o respeito de todos, de dentro e de fora do clube alemão. Além disso, ver o jogador em campo, sempre transmitiu grande segurança ao torcedor do clube, posto que estamos falando de um dos melhores do mundo, uma referência da posição.


A relação entre clube e torcida, no entanto, já está abalada, o que ficou demonstrado com a última manifestação da claque que sempre esteve a seu lado: “Capitão abandonando o barco. Quanto antes melhor!”, sinalizou uma irritada e decepcionada muralha amarela (foto acima).

Dificuldade de encontrar bons substitutos


No entanto, o ponto mais dramático da despedida que se aproxima será a dificuldade de repor a saída de um dos pilares do time. Para muitos, estamos falando simplesmente do melhor zagueiro do mundo e é certo que ainda que não o seja, está dentre os cinco melhores e que os demais membros deste seleto grupo encontram-se em equipes do mesmo patamar ou superior ao do Borussia Dortmund.

Muito tem sido dito sobre a possível contratação de Niklas Süle (foto) pelos aurinegros, mas trata-se de uma aposta. O jogador tem apenas 20 anos e representa o Hoffenheim, clube com pretensões muito inferiores e uma história indiscutivelmente menor. Além disso, chegaria com o peso de manter a estabilidade de uma das melhores defesas do mundo. É claro que no elenco do Borussia ainda há boas opções, mas nenhuma está nem de perto e nem de longe próxima de ter a qualidade do atual capitão.

Não é prudente duvidar do fato de que o Borussia Dortmund pode descobrir uma grande promessa e moldar um “novo Hummels”, como demonstra sua recente história, mas é fato que esta é uma tarefa dificílima e que deve estar preocupando o treinador Thomas Tuchel. Parece evidente o fato de que jogadores consagrados da qualidade de Jérôme Boateng, Sergio Ramos ou Giorgio Chiellini sequer serão cogitados, logo é difícil prever como o clube vai superar a praticamente selada saída de seu ídolo.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Seleções de que Gostamos: Turquia 2002

Após rememorar o esquadrão polonês da Copa do Mundo de 1982, falo da surpreendente Turquia de 2002, terceira colocada no Mundial disputado em Japão e Coreia do Sul.


Em pé: Rustu; Alpay, Davala, Ilham, Korkmaz, Sukur;
Agachados: Fatih, Basturk, Tugay, Emre, Penbe.


Seleção: Turquia

Período: 2002

Time base: Rüştü; Fatih, Alpay, Korkmaz, Penbe; Davala, Tugay, Bastürk, Emre; Şaş e Şükür. Téc.: Şenol Güneş

Conquistas: Terceiro lugar da Copa do Mundo de 2002

Em 2002, após dificuldades para se classificar para a Copa do Mundo, o Brasil foi sorteado para um grupo que não prometia trazer grandes dificuldades. O mundo mal sabia que dali poderia sair uma das grandes surpresas do primeiro, e até hoje único, campeonato mundial já disputado na Ásia.

Com um time que mostrava força e talento, impulsionado pelos êxitos do Galatasaray, que havia vencido a UEFA Cup em 2000, a Turquia brilhou e conseguiu um excepcional terceiro lugar, vencendo, por fim, a anfitriã Coreia do Sul, que lá chegara com méritos, mas também em razão de equívocos de arbitragem. Para chegar ao mundial, os turcos alcançaram a segunda colocação do Grupo 4 das eliminatórias europeias, ficando atrás da Suécia e à frente de Eslováquia, Macedônia, Moldávia e Azerbaijão. No entanto, foi necessário um play-off para tanto.

Sem grandes dificuldades, a Turquia bateu a Áustria, com um placar agregado de 6x0 e carimbou seu passaporte para Japão e Coreia. Começava a ser escrita ali uma bela e nova página da Copa do Mundo, que só havia contado com a participação dos Ay Yildizlilar – as Estrelas Crescentes – em 1954. Nomes como Yildiray Bastürk, Hasan Şaş, Emre Belözoğlu ou Rüştü Reçber começavam ali a ganhar maior notoriedade.

Leia também: Times de que Gostamos: Galatasaray 1999-2000

A estreia, contra o Brasil, ficou muito lembrada pela curiosa cena em que Rivaldo simulou lesão, mas mostrou, contra qualquer prognóstico, que o país chegara para brilhar. A derrota por 2x1 só foi consumada aos 87 minutos, com gol de pênalti de Rivaldo, marcado em falta que aconteceu fora da área.

Na sequência, um empate contra a Costa Rica e uma vitória contra a China levaram a Turquia à fase eliminatória da competição. Nas oitavas de final, coube à equipe euroasiática eliminar o Japão, dono da casa, por 1x0; nas quartas só o gol de ouro parou os surpreendentes senegaleses que faziam bonito, mas pararam na competência turca, em novo 1x0. Foi então que vieram as semifinais e um velho algoz reapareceu: o Brasil.

Como se fosse regra, o placar das semifinais também registrou 1x0, mas dessa vez para a Canarinho. Os valentes turcos, que em seu desespero chegaram a protagonizar cena curiosa, perseguindo Denílson, caíram, mas na sequência conquistaram o merecido terceiro lugar.

Defendendo a meta turca estava o icônico Rüştü Reçber (foto). Recordista de jogos com a camisa de sua seleção, com 120 partidas, o goleiro deixou a Copa do Mundo como um dos grandes destaques. Sua aparência peculiar, com longos cabelos e pintura de guerra, trazia um pouco de folclore a sua carreira, mas a verdade é que o jogador foi muito bem no torneio e ganhou um lugar na seleção do mesmo, junto ao mito alemão Oliver Kahn. Ídolo no Fenerbahçe, foi contratado pelo Barcelona após o Mundial, mas, a despeito de seu bom posicionamento e reflexos, não foi bem.

Pela lateral direita, o dono da posição era Fatih Aykel, mas não se engane ao pensar nisso como algo absoluto. Em algumas ocasiões, a composição defensiva turca se reformatava e passava a defender com três defensores, levando o jogador a atuar em função mais resguardada e, em outros turnos, era o contrário que ocorria. Trazendo entrosamento do Galatasaray, Fatih avançava pelo flanco e quem ocupava sua posição era Ümit Davala (foto), também jogador afeito ao trabalho pelo lado direito, mas mais ofensivo.

No flanco canhoto da defesa, na maior parte do tempo o titular foi Ergun Penbe, referência histórica do Galatasaray, clube que defendeu por 13 anos. Jogador inteligente, possuía bom senso de posicionamento e tranquilidade para sair jogando, sendo também alternativa para outros setores. Seu concorrente era também jogador do Galatasaray. Hakan Ünsal, era mais ofensivo que Penbe e ficou marcado por ter sido o autor do chute que originou a pitoresca simulação de Rivaldo, ainda na partida de estreia da Copa do Mundo, sendo expulso e perdendo espaço.

A zaga era composta por grandes referências: Bülent Korkmaz e Alpay Özalan. O primeiro dedicou uma carreira inteira ao Galatasaray, com 19 anos. Conhecido como “O Guerreiro”, era mais um jogador de forte personalidade e que exercia importante influência sobre os companheiros. Não era alto, mas posicionava-se bem e tinha impressionante vigor físico. Compensando sua baixa estatura, Alpay foi um parceiro que tinha no jogo aéreo uma de suas grandes forças. Outro jogador turco eleito para a Seleção da Copa do Mundo de 2002, foi um jogador de sucesso, tendo atuado por Besiktas e Fenerbahçe e tido boa passagem pelo Aston Villa.

Quem também apareceu em alguns turnos pelo setor foi Ümit Özat, jogador polivalente e que podia fazer qualquer das posições da defesa turca, inclusive na contenção, como volante.

No meio-campo, pelo centro duas eram as referências. O meio-campista Tugay Kerimoğlu (foto), muito lembrado por suas extensas passagens por Galatasaray e Blackburn, era o coração do time. Extremamente técnico e bom passador, o jogador podia atuar em qualquer posição do meio, mas em geral desempenhava função mais defensiva, coordenando as ações do time de trás e sendo sempre uma alternativa para desafogar a equipe.

Próximo a si atuava o habilidoso Yildiray Bastürk, bom criador de jogadas, habilidoso e que finalizava bem de fora da área, havia sido vice-campeão da UEFA Champions League poucos antes do início da Copa do Mundo, representando as cores do Bayer Leverkusen, e vivia grande momento.


Pelos lados do meio-campo, atuavam o já citado Davala, jogador de enorme vocação ofensiva e velocidade, que proporcionava importantes arrancadas pelo flanco direito, e Emre Belözoğlu (foto), atleta extremamente técnico, pela esquerda. Emre era tão temperamental quanto inteligente e capaz de decidir um jogo. Ainda muito jovem à época, 21 anos, o jogador tinha um passe extremamente qualificado e grande espírito de luta. Cria do Galatasaray, dividiu a Turquia em 2008, quando retornou ao país após sua jornada no Newcastle, mas para o rival Fenerbahçe.

No ataque, atuando na “extinta” função de segundo atacante, Hasan Şaş (foto) confirmou-se um dos maiores destaques da Turquia. Outro ex-jogador do Galatasaray e também eleito para a seleção do torneio, o carequinha era um atleta que muito se movimentava por todo o setor do ataque – embora tivesse mais facilidade de atuar pela esquerda –, destacando-se por sua velocidade e habilidade no drible.

A seu lado, atuou o capitão do time: Hakan Şükür. Maior artilheiro da história da Seleção Turca, do Campeonato Turco e o jogador de seu país com maior número de gols marcados na UEFA Champions League, era um centroavante típico, um goleador com presença de área, boa finalização e posicionamento – além de deter grande liderança. Curiosamente, no Mundial só balançou as redes em uma ocasião, destoando do restante da equipe.

O treinador da equipe era Şenol Güneş, ex-jogador importantíssimo para a história do Trabzonspor e que à época havia obtido alguns êxitos no comando do próprio clube, levando-o a dois vice-campeonatos turcos, algo extremamente relevante, sobretudo considerando a supremacia de Galatasaray, Fenerbahçe e Besiktas no país. Outros jogadores foram importantes na campanha como foram os casos do defensor Emre Aşik e dos atacantes Nihat Kahveci, Arif Erdem e Ilhan Mansiz, que curiosamente foi o artilheiro da Turquia na Copa, com três tentos.

Ficha técnica de alguns jogos importantes nesse período:

Oitavas de final da Copa do Mundo de 2002: Japão 0x1 Turquia

Estádio Miyagi, Rifu

Árbitro: Pierluigi Colina

Público 45.666

Gol: ’12 Davala (Turquia)

Japão: Narazaki; Matsuda, Miyamoto, Nakata; Myojin, Toda, Nakata, Inamoto (Suzuki), Ono; Nishizawa, Alex (Ichikawa/Morishima). Téc.: Philippe Troussier

Turquia: Rustu; Alpay, Korkmaz, Ünsal; Davala (Nihat), Fatih, Tugay, Basturk (Ilhan), Penbe; Sas (Tayfur), Sukur. Téc.: Senol Gunes

Quartas de final da Copa do Mundo de 2002: Senegal 0x1 Turquia


Estádio Nagai, Osaka

Árbitro: Óscar Ruiz

Público 44.233

Gol: ’94 Ilhan (Turquia)

Senegal: Tony Silva; Coly, Diatta, Diop, Daf; Bouba Diop, Cissé, Diao; Camara, Diouf, Fadiga. Téc.: Bruno Metsu

Turquia: Rustu; Fatih, Alpay, Korkmaz, Penbe; Davala, Tugay, Emre (Arif), Basturk; Sas, Sukur (Ilhan). Téc.: Senol Gunes

Semifinal da Copa do Mundo de 2002: Brasil 1x0 Turquia

Estádio Saitama, Saitama

Árbitro: Kim Milton Nielsen

Público 61.058

Gol: ’49 Ronaldo (Brasil)

Brasil: Marcos; Lúcio, Edmílson, Roque Júnior; Cafu, Gilberto Silva, Kléberson (Belletti), Roberto Carlos; Edílson (Denílson), Rivaldo e Ronaldo (Luizão). Téc.: Luiz Felipe Scolari

Turquia: Rustu; Fatih, Alpay, Korkmaz, Penbe; Davala (Izzet), Tugay, Emre (Ilhan), Basturk (Arif); Sas, Sukur. Téc.: Senol Gunes

Decisão do terceiro lugar da Copa do Mundo de 2002: Coreia do Sul 2x3 Turquia

Estádio Daegu, Daegu

Árbitro: Saad Mane

Público 63.483

Gols: ‘1 Sukur e ’13 e ’32 Ilhan (Turquia); ‘9 Lee Eul-Yong e ’93 Song Chong-Gug (Coreia do Sul)

Coreia do Sul: Lee Woon-Jae; Yoo Sang-Chul, Hong Myung-Bo (Kim Tae-Young), Lee Min-Sung; Song Chong-Gug, Park Ji-Sung, Lee Young-Pyo, Lee Eul-Yong (Cha Du-Ri); Seol Ki-Hyeon (Choi Tae-Uk), Ahn Jung-Hwan, Lee Chun-Soo. Téc.: Guus Hiddink

Turquia: Rustu; Fatih, Alpay, Korkmaz, Penbe; Davala (Buruk), Tugay, Emre (Unsal), Basturk (Tayfur); Ilhan, Sukur. Téc.: Senol Gunes

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Times de que Gostamos: AZ Alkmaar 2008-2009

Após rememorar o ótimo time do Tottenham do início dos anos 80, que, com uma pitada de talento argentino, conquistou títulos e se mostrou uma das melhores equipes inglesas em um período de fartura de qualidade no país, trato do bom time do AZ Alkmaar da temporada 2008-2009, que subverteu a ordem estabelecida por PSV Eindhoven, Ajax e Feyenoord e conquistou o título holandês.



Time: AZ Alkmaar

Período: 2008-2009

Time base: Romero; Jaliens, Moisander, Moreno, Pocognoli; de Zeeuw, Schaars, Mendes da Silva, Dembelé, Martens; El Hamdaoui. Téc.: Louis van Gaal

Conquista: Campeonato Holandês

No início da temporada 2008-2009, a Holanda vinha de um tetracampeonato do PSV Eindhoven, clube que ainda havia feito boas apresentações na UEFA Champions League e que à época contou com jogadores como os brasileiros Gomes e Alex, além de outras figuras importantes, como Philip Cocu, Mark van Bommel e Park Ji Sung. O jejum de Ajax e Feyenoord prolongava-se. No entanto, quem realmente jejuava era Louis van Gaal. Outrora comandante de poderosos times de Ajax e Barcelona, o treinador estava em Alkmaar desde 2005, sem nada conquistar; aos poucos deixando os holofotes.

A despeito de tudo isso, 2008-2009 confirmou-se uma das mais atípicas temporadas da história do futebol holandês. Primeiro porque teve um campeão de fora do trio que domina a competição; segundo porque o trio sequer foi capaz de levar um de seus membros à segunda posição, que foi ocupada pelo Twente. Com um time jovem (o segundo mais novo, atrás do Ajax e com média de idade de 22,8 anos) e cheio de vontade de crescer, van Gaal montou uma defesa intransponível e apostou suas fichas em um goleador implacável.

A retaguarda foi de longe a melhor da Eredivisie, sofrendo apenas 22 gols, e Mounir El Hamdaoui o goleador máximo, com 23 – um a mais do que um certo jovem uruguaio chamado Luis Suárez. Além disso, defendendo a meta do clube, o argentino Sergio Romero liderou o ranking de clean sheets, passando incríveis 19 partidas sem sofrer gols. Assim, o clube voltou ao posto máximo do futebol holandês, algo que não acontecia desde a temporada 1980-1981, último e o único ano em que o clube havia se sagrado campeão da Eredivisie.

Como dito, a meta da equipe da cidade de Alkmaar era defendida pelo argentino Sergio Romero (foto). Então uma grande promessa da albiceleste, o arqueiro havia chegado na temporada anterior, contratado junto ao Racing e não foi a inicial opção em seu primeiro ano. Todavia, com 21 para 22 anos e medalhista olímpico, o jogador tomou a titularidade do experiente Joey Didulica e não decepcionou. Embora esteja claro que o goleiro não figura no rol dos melhores do mundo, mesmo sendo a primeira opção de sua seleção, Romero tem qualidades e mostrou-as em seu primeiro clube no Velho Continente.

Pelo lado direito da defesa, a titularidade foi do polivalente Kew Jaliens, jogador que podia desempenhar qualquer das funções do setor defensivo e que possuía características mais defensivas. Com passagem pela Seleção Holandesa, tanto principal quanto sub-21, não acrescentava muito ofensivamente, mas cumpria bem o seu papel, protegendo o flanco destro e balanceando a defesa. Pela faixa esquerda da retaguarda, o belga Sébastien Pocognoli era a referência. Então um jovem jogador revelado pelo Genk e já membro da seleção de seu país, tinha maior vocação ofensiva que Jaliens, tendo anotado três gols na temporada. 

Completando o ferrolho defensivo de van Gaal, uma dupla de zagueiros duros, mas detentores de bom trato da bola, era fundamental às pretensões do clube de Alkmaar: o finlandês Niklas Moisander (23 anos; foto) e o mexicano Héctor Moreno (20) – curiosamente ambos canhotos e não muito altos. Com bom posicionamento, impulsão e capacidade para sair jogando, a dupla mostrou muita segurança e a prova maior disso foi o futuro de ambos, com transferências para Ajax e Espanyol, na sequência de suas carreiras. 

Outra peça que muitas vezes atuou na defesa central foi o holandês Kees Luijckx, ex-jogador da seleção sub-21 de seu país e que tinha menos talento e mais força e estatura que seus concorrentes.

No meio-campo, fazendo a proteção do mesmo e ajudando na transição entre defesa e ataque, comumente o clube utilizou uma dupla de jogadores de boa qualidade: Stijn Schaars (foto), o capitão da equipe, e Demy de Zeeuw, ambos atletas com extensa passagem pela Seleção Holandesa. O primeiro era uma verdadeira fortaleza, com muita pegada na marcação, estilo durão e muita personalidade, mas também bom passe e um bom chute de longa distância; o segundo, mais leve, dava melhor saída de bola ao time e auxiliava muito na organização do mesmo. 

Além deles, outra figura comumente vista pelo setor foi o holandês-cabo-verdiano David Mendes da Silva, jogador que pode ser considerado um híbrido de Schaars e de Zeeuw, por suas características, e foi, de forma exagerada, comparado a Frank Rijkaard no início de sua carreira. 

Em meio a tanta marcação, havia também espaço para criatividade, brilho e dribles, características que tinham nome e sobrenome no AZ: Maarten Mertens. Meia-atacante belga criado no Anderlecht, destacava-se pela capacidade que possuía para desconstruir defesas, marcar gols e colocar seus companheiros em condições de fuzilar as metas adversárias. Versátil, atuava pelos dois flancos, e podia jogar mais centralizado, se necessário fosse. 2008-2009 foi possivelmente sua melhor temporada na carreira, tendo o jogador marcado sete gols e criado 10 assistências em 32 partidas válidas pela Eredivisie.

Muitas vezes, quem acompanhava Mertens na criação era outro belga, este mais jovem: Mousa Dembelé, que a despeito de ter se afirmado como meio-campista central no decorrer de sua carreira, atuava mais à frente. Aos 20 anos, o jogador foi responsável por importantes 10 gols em 23 partidas no Campeonato Holandês. Ali já se notava nele um excelente domínio de bola, capacidade de passe e de aproximação ao ataque, para marcar gols.

No entanto, se o time precisasse mesmo de gols, a figura a ser chamada era a do marroquino Mounir El Hamdaoui (foto). Goleador máximo do time e da Eredivisie em 2008-2009, com 23 tentos (além de oito assistências), o jogador parecia estar encantado, tamanha sua importância para a equipe e capacidade para estufar as redes adversárias. Então com 23 anos, o jogador estava revelando sua melhor forma, algo que ainda não havia mostrado e não voltaria a mostrar, ao menos não com tanta eficiência. Na temporada em análise, o jogador foi eleito o melhor do campeonato, o que deixa, acima de qualquer suspeita, evidenciado seu ótimo momento.

Organizando a impenetrável defesa do time e criando a melhor atmosfera possível para seu artilheiro brilhar, estava o já experiente Louis van Gaal (foto), provando que não estava acabado e que ainda escreveria novas páginas importantes na história do futebol. O treinador contou também com outras peças importantes durante a competição, como foram os casos do defensor polivalente Gill Swearts, do lateral Simon Poulsen, do meia Nick van der Velden, do italiano Graziano Pellè e do brasileiro Ari.
























Ficha técnica de alguns jogos importantes nesse período:

3ª rodada da Eredivisie: AZ Alkmaar 1x0 PSV Eindhoven

AFAS Stadiom, Alkmaar

Árbitro: Pieter Vink

Público 16.258

Gol: ’82 Martens (AZ Alkmaar)

AZ: Romero; Jaliens, Moisander, Moreno, Swearts; Schaars (Martens), de Zeeuw, Mendes da Silva, Dembelé, van der Velden; El Hamdoui. Téc.: Louis van Gaal

PSV: Isaksson; Marcellis, Bréchet, Maza (Nijland), Zonneveld; Timmy Simons, Édison Méndez, Affelay, Bakkal (Culina), Dszudszák; Koevermans (Lazovic). Téc.: Huub Stevens

10ª rodada da Eredivisie: AZ Alkmaar 3x0 Twente

AFAS Stadiom, Alkmaar

Árbitro: Pieter Vink

Público 16.493

Gols: ’36 e ’58 Ari e’40 El Hamdaoui (AZ)

AZ: Romero; Swearts (Koenders), Moisander, Moreno, Pocognoli; de Zeeuw, Mendes da Silva, van der Velden, Martens; El Hamdaoui (Holman) e Pellè (Ari). Téc.: Louis van Gaal

Twente: Boschker; Hersi (Janssen), Douglas, Wielaert, Braafheid; Tioté (Wellenberg), Stam, Brama; Denneboom (Huysegems), NKufo, Elia. Téc.: Steve McClaren


12ª rodada da Eredivisie: AZ Alkmaar 2x0 Ajax

AFAS Stadiom, Alkmaar

Árbitro: Roelof Luinge

Público 17.149

Gols: ’22 de Zeeuw e ’50 Ari (AZ)

AZ: Romero; Swearts, Moisander, Moreno, Pocognoli; Schaars, de Zeeuw, Mendes da Silva, Martens; Ari (Holman) e El Hamdaoui. Téc.: Louis van Gaal

Ajax: Vermeer; Oleguer, Lindgren (Sno), Vermaelen, Vertonghen; Enoh, van der Wiel, Emanuelson; Kennedy (Gabri), Sulejmani (Leonardo) e Luis Suárez. Téc.: Marco van Basten
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