sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Um Mönchengladbach prometedor

Historicamente um time forte e tradicional no cenário alemão, o Borussia Mönchengladbach sofreu um gradual processo de arrefecimento e já faz quase 20 anos desde seu último título relevante (a Copa da Alemanha, na temporada 1994-1995). Não restam dúvidas de que, dos times gloriosos de sua história, sobretudo o da década de 70 – cujo grande craque era o ex-treinador do Bayern de Munique, Jupp Heynckes – não resta mais nada senão a tradição e a história. Hoje, a vida do clube é muito mais dura. Entretanto, renovado e dando continuidade ao bom trabalho do técnico Lucien Favre, o clube pode reconstruir sua história.



Curiosamente, a pequena, mas importante, reformulação do time começou com a saída daquele que, possivelmente, era o melhor jogador do time na última temporada. Marc-André Ter Stegen, jovem e talentoso goleiro, partiu para o Barcelona. Todavia, o Borussia buscou, rapidamente, sua solução. Antes mesmo de confirmar a venda de seu arqueiro, em meados da última temporada o clube já havia fechado com o sucessor de Diego Benaglio: Yann Sommer (foto), que ainda é jovem (25), mas já possui muita experiência, proveniente do Basel. Nesse recomeço, o gol perdeu sua referência, mas não há motivos para desespero.

A defesa, uma das melhores da última Bundesliga (a quarta menos vazada), segue inalterada, sendo os laterais Tony Jantschke e Oscar Wendt, além dos zagueiros Martin Stranzl e Filip Daems (considerando também o espanhol Álvaro Domínguez), os principais esteios do time. Novidade no setor foi a chegada do lateral, polivalente, Fabian Johnson, norte-americano ex-Hoffenheim e que fez excelente Copa do Mundo. Contudo, o jogador, em função de sua versatilidade, tem sido opção pelos flancos no setor de meio.

Comandado por Favre desde 2011, quando com a presença do craque Marco Reus, alcançou a 4ª colocação no Campeonato Alemão, o Borussia fez campanhas sólidas nos últimos dois anos, mas não suficientemente boas para alcançar a classificação para a UEFA Champions League. Em 12/13, após perder seu grande craque, o clube foi oitavo colocado e, na última edição, sexto, colocação que o levou às eliminatórias da Europa League. Na competição continental, eliminou inapelavelmente o FK Saravejo, por 10x2 no placar agregado, e caiu em um grupo com FC Zürich, A. Limassol e Villarreal, contra quem conseguiu empate.

Aliás, falando em resultados, o clube já avançou de fase na Copa da Alemanha e, na Bundesliga, conquistou dois empates e uma goleada frente ao Schalke 04 (4x1).

E o setor determinante para esses resultados é o meio-campo, sobretudo com seus jovens. À Patrick Hermann, Granit Xhaka e Cristoph Kramer (campeão mundial), que já estavam no clube, se juntaram André Hahn (foto, à direita), jogador habilidoso, bom finalizador e grande destaque de um surpreendente Augsburg, e Thorgan Hazard, ótimo passador e controlador de jogo (irmão de Eden Hazard), que chega de empréstimo junto ao Chelsea. Além deles, outra novidade é o veloz Ibrahima Traoré (foto, à esquerda), vindo do Stuttgart.

Se o setor mais importante e sólido é o meio-campo, a cereja do bolo é o ataque. Mantidos, Raffael e Max Kruse (autores de 27 gols e 19 assistências juntos, na última temporada) dão esperança de que o ataque se mantenha operante. Baixas, Luuk de Jong e Juan Arango – que, apesar de bom jogador, está decadente – não devem fazer muita falta.

Mais equilibrados e com mais e variáveis opções, contando com muitos jogadores selecionáveis e até um campeão mundial, Die Fohlen (os potros) apresentam-se promissores para a temporada. Será o ápice de um trabalho que vai para sua quarta temporada? O tempo dirá. Até lá, vale a pena acompanhar o desenvolvimento do time, pelo futebol e por seus talentos individuais.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Chegou a sua hora, Roma?

A temporada 2013-2014 pode ter surpreendido os torcedores romanistas. Após um insosso sexto lugar no ano anterior, ficando fora de todas as competições europeias e mais de 20 pontos atrás da campeã Juventus, os Giallorossi contrataram o competente treinador Rudi García, que vinha de sólido trabalho no Lille, e, durante boa parte do ano, sonharam e lutaram pelo título. O justo segundo lugar permitiu novas e revigoradas expectativas para esta temporada.




Buscando sua reconstrução, no último ano, a Roma contratou jogadores de grande experiência para dar suporte à equipe, um velho conhecido do treinador francês e algumas apostas – duas delas, Mehdi Benatia e Kevin Strootman, com excelentes resultados. Apesar disso, algumas vezes faltaram peças de reposição e a equipe fraquejou nos momentos mais importantes da temporada, deixando-se atropelar pela Vecchia Signora.

Para este ano, a única baixa relevante sofrida pelo clube da capital italiana foi Benatia, vendido ao Bayern de Munique, por um vultoso montante. Além dele, vale a ressalva quanto às saídas do lateral esquerdo Dodô, jogador muito irregular, por empréstimo à Internazionale, e do experiente Rodrigo Taddei. Por outro lado, mais de dez atletas chegaram ao clube.

Para suprir a saída de seu importante zagueiro, agora bávaro, desembarcaram no clube o grego Konstantinos Manolas (foto), que fez ótima Copa do Mundo, o italiano Davide Astori, comumente convocado, e o promissor Mapou Yanga-Mbiwa, que se encontrava inadaptado no Newcastle. Estes dois últimos chegam por empréstimo.

A lateral esquerda, setor mais irregular da Roma na última temporada – que contou com Federico Balzaretti e Dodô, como jogadores naturais da função, mas que também se viu ocupada pelo lateral direito Vasilis Torosidis e pelo zagueiro Leandro Castán –, ganhou novas alternativas.

Experiente, Ashley Cole (foto) chega do Chelsea após uma temporada fraca. Entretanto, um exemplo pode ser usado a seu favor. Quando o lateral direito Maicon chegou do Manchester City, muitos consideraram sua carreira terminada e, apesar disso, o que se viu foi o brasileiro dando a volta por cima. Além do inglês, o grego José Holebas também é novidade. Por fim, Urby Emanuelson, que se acostumou a atuar no meio-campo nos últimos anos, mas é lateral esquerdo de origem, também é outra opção.

No meio-campo, que ficou carente com a lesão de Strootman, Miralen Pjanic e Daniele De Rossi ganharam novos companheiros. O belga Radja Nainggolan foi contratado em definitivo após um período de empréstimo e o experiente Seydou Keita chegou sem custos, vindo do Valencia. Em uma temporada longa, a presença destes dois reforços promete ser vital.

O setor ofensivo também ganhou novas alternativas. Foram feitas quatro apostas. Meio-campistas ofensivos, os promissores Salih Ucan, turco que chega por empréstimo junto ao Fenerbahçe, e Leandro Paredes, argentino emprestado pelo Boca Juniors, são alternativas de criatividade e imprevisibilidade. Além disso, permitem um giro maior do elenco, mantendo peças chave, como Gervinho e Francesco Totti, melhor condicionados ao longo da temporada.

Dentro da grande área, a Roma ganhou ainda a presença do promissor atacante paraguaio Antonio Sanabria, ex-Sassuolo e com passagem pelo Barcelona-B. A grande contratação da equipe, no entanto, foi o argentino Juan Iturbe (foto), jogador de 21 anos, ex-Porto e que esteve emprestado ao Hellas Verona, na última temporada. Rápido, insinuante, driblador e bom finalizador, promete dar muitas alegrias ao torcedor romanista.

Ao todo, são 12 novidades e apenas três perdas relevantes, evidenciando um saldo de nove jogadores a mais e deixando claro que agora os Giallorossi têm um elenco consideravelmente melhor composto e encorpado. Neste início de temporada, em dois jogos, o clube já soma duas vitórias.

Mas não é só o fato de a Roma estar melhor que pesa em seu favor. Há que se considerar também o que fizeram seus rivais. A Juventus perdeu seu treinador e pouco contratou, ficando mais marcada pela abundante verba despendida na contratação de Álvaro Morata do que propriamente pela qualidade de seus negócios. Contudo, não perdeu peças chave, ressalvando-se a saída do atacante Mirko Vucinic.

Internazionale e Milan fizeram bons negócios, como o zagueiro Nemanja Vidic ou o goleiro Diego López (foto), mas vivem um momento de reconstrução, ainda não se encontrando no mesmo patamar da equipe da capital. Sua rival, a Lazio, também não empolga, tendo como principal novidade o zagueiro holandês Stefan de Vrij, destaque na Copa do Mundo.

Além desses clubes, vale ressaltar o Napoli – que também tem poucas novidades, sendo o atacante espanhol Michu e o meia holandês Jonathan De Gúzman, ambos vindos do Swansea City, as mais animadoras delas – e a Fiorentina, que aposta suas fichas no irregular alemão Marko Marin, vindo de empréstimo junto ao Chelsea. Pouco para lutar pelo título.

Com esse quadro, é difícil prever o que acontecerá nesta temporada da Serie A, mas é certo que a Roma brigará nas cabeças. Será que, após 13 temporadas, os Giallorossi voltarão ao topo? Será que chegou a sua vez, Roma? Dentro de aproximadamente nove meses saberemos. Resta-nos acompanhar a evolução do time de Rudi García.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Times que Gostamos: Atlético de Madrid 1995-1996

Na última semana, lembrei o excelente time do PSG do período entre 1992 e 1994, que contou com o talento de jogadores como Ginola, Weah e Valdo. Nesta trato do excelente time do Atlético de Madrid da temporada 1995-1996, que conquistou, surpreendentemente, o título do Campeonato Espanhol.


Em pé: Molina, Vizcaíno, Caminero, Roberto, Delfí Geli, Penev.
Agachados: Simeone, Solózabal, Muñoz, Pantic, Kiko.


Time: Atlético de Madrid

Período: 1995-1996

Time base: Molina; Delfí Geli, Santi, Roberto Solozábal, Toni Muñoz; Juan Vizcaíno, Diego Simeone, M. Pantic e José Caminero; L. Penev e Kiko. Téc.: Radomir Antic

Conquistas: Campeonato Espanhol e Copa del Rey

14º colocado no Campeonato Espanhol de 1994-1995, o Atlético de Madrid jamais poderia figurar entre os postulantes ao título da temporada seguinte. Contudo, rapidamente esse panorama começou a se modificar. Comandado pelo sérvio Radomir Antic, que, após ter tido um fraco desempenho no Real Madrid entre 1991-1992, reencontrou-se no modesto Oviedo, o clube deixou para trás a pecha de bom time no papel, com resultados fracos em campo, e conseguiu um inédito, inesperado e mágico doblete.

Com uma defesa forte, um meio-campo bem estruturado e uma dupla de ataque entrosada, os colchoneros, tal qual uma fênix, ressurgiram das cinzas e conquistaram um título que não vinha há 19  temporadas (o Campeonato Espanhol). A relevância desta temporada é tamanha, que, desde então, o clube só voltou a ganhar a Copa del Rey em 2012-2013 e o Campeonato Nacional em 2013-2014, em jornada memorável.

Além da representatividade natural que uma temporada como essa traz consigo, o ano ainda ficou marcado por uma invencibilidade de 12 jogos, no começo do Campeonato, que começou com a arrasadora vitória por 4x1, frente à Real Sociedad, e pela superioridade sobre Barcelona (contra quem venceu a Copa del Rey) e Real Madrid (que terminou o torneio fora da zona de competições continentais e com 17 pontos de diferença para o Atleti).

Arqueiro de longa carreira e de grande representatividade no cenário hispânico, José Francisco Molina (foto) foi o responsável pela manutenção imaculada da meta alvirrubra. Com 17 clean sheets na liga, assegurou para si um lugar na convocação para a Euro 1996. Torcedor declarado do clube, defendeu-o entre 1995 e 2000, quando, com a queda do time para a Segunda Divisão, foi vendido ao Deportivo La Coruña. Suas atuações transformaram-no em peça chave na trajetória, ajudando a equipe a firmar-se como a melhor defesa do torneio, concedendo apenas 32 gols em 42 jogos. Com a Fúria esteve, ainda, na Copa do Mundo de 1998 e na Euro 2000.

Catalão e maturado no Barcelona B, Delfí Geli foi o lateral direito titular do esquadrão rojiblanco. Curiosamente, o jogador começou sua carreira atuando como atacante e só foi deslocado para a faixa direita da defesa no período em que atuou no Albacete. No outro flanco, Toni Muñoz (foto), que passou mais de uma década no time, era a referência. Jogadores de razoável qualidade técnica, os laterais eram discretos e, raramente, marcavam gols. Entre 1992 e 1993, ambos chegaram à Seleção Espanhola.

Ídolos do clube, Roberto Solozábal (foto) e Sanitago Denia, o Santi, formaram a zaga do Atlético. O primeiro, capitão do time, foi um defensor de boa qualidade técnica. Cria do próprio clube, sempre demonstrou uma liderança muito forte. Aos 20 anos, estreou pelo Atleti e, aos 21, já jogava pela Seleção Espanhola. Foi também o capitão do ouro olímpico, em Barcelona.  Seu ciclo no clube se encerrou em 1997. Santi, por sua vez, chegou em 1995, aos 21 anos e, de plano, foi ganhando a titularidade do experiente e ídolo Juanma López. Ambos também contabilizaram passagens pela Fúria. Hoje, Santi é o treinador da Seleção Espanhola Sub-17.


Fazendo o trabalho sujo no meio-campo e marcando gols importantes, Juan Vizcaíno e Diego Simeone (foto) montaram uma parceria muito dura, com estilo de jogo aguerrido e intenso. Vizcaíno era o mais recuado dos jogadores de meio-campo, sendo o principal pilar da equipe e responsável pelo maior número de desarmes (e faltas) da equipe. Por outro lado, o argentino Cholo Simeone era um jogador impetuoso, mas bom com a bola nos pés. Cabia a ele a transição da bola entre os setores de defesa e ataque. 

Além disso, os dois tinham como característica o fato de serem “elementos surpresa”, como provam os três gols do espanhol e os 12 do Hermano, no Campeonato Espanhol. Hoje, os volantes repetem a parceria no comando técnico da equipe. Simeone é o treinador e Vizcaíno um de seus assistentes.

Embelezando o jogo rojiblanco, Caminero (foto) e o sérvio Milinko Pantic tinham características de jogo, em certa medida, semelhantes. Criativos, velozes, habilidosos e bons finalizadores eram os jogadores de maior qualidade técnica da equipe. O espanhol foi eleito o jogador espanhol do ano e, curiosamente, devido à sua grande técnica, ao final de sua carreira (já decaindo fisicamente), terminou-a como líbero. Juntos, marcaram 19 gols no Campeonato Espanhol: 10 do eslavo – perito em cobranças de falta – e nove para o hispânico.

Na frente, o time contou com dois grandalhões: o búlgaro Lubos Penev e o espanhol Kiko Narváez (foto). Curiosa e contrariamente ao que se poderia pensar, uma dupla de altíssima qualidade. Apesar de seu 1,89m, Kiko, que ficou notabilizado por sua comemoração típica, “o arqueiro”, era dono de ótima técnica, habilidade e velocidade, sendo excelente tanto na criação de gols quando marcando-os. Ficou imortalizado por ter marcado o tardio gol do título olímpico da Espanha, em 1992. 

Penev, de 1,88m, era o centroavante de fato, mas tinha ótima qualidade técnica. Grande perícia nas finalizações, tanto com o pé canhoto quanto com a cabeça, fizeram dele o artilheiro do time no Espanhol, com 16 tentos.

Apesar da enorme qualidade dos jogadores do time, nenhuma conquista teria sido possível sem o treinador Antic (foto), a começar pelo fato de ter “descoberto” Pantic, seu compatriota, que estava abandonado no Panionios. A injeção de confiança conferida pelo comandante em seus jogadores levou-os a entender que qualidade não era o que lhes faltava. Além disso, o técnico contou com as preciosas participações do interminável Tomás, referência da equipe e já aos 36 anos, do versátil Roberto Fresnedoso e do jovem atacante argentino Leonardo Biagini, vitais para o sucesso do time.

Ficha técnica de alguns jogos importantes nesse período:

17ª rodada do Campeonato Espanhol: Valencia 0x1 Atlético

Estádio Mestalla, Valencia

Árbitro Celino Gracia Redondo

Gol: ’88 Caminero (Atlético)

Valencia: Zubizarreta; Otero, Camarasa, Engonga (Patxi Ferreira), E. Romero; José Ignacio, Mazinho (Arroyo), Fernando, Mendieta; Pepe Gálvez (Viola) e Pedrag Mijatovic. Téc.: Luis Aragonés

Atlético: Molina; Delfí Geli, Santi, Solozábal, Toni Muñoz; Vizcaíno, Simeone, Pantic (Roberto), Caminero; L. Penev (L. Biagini) e Kiko (López). Téc.: Radomir Antic

Final da Copa del Rey: Atlético 1x0 Barcelona

Estádio La Romareda, Zaragoza

Árbitro: Manuel Díaz Veja

Público 37.000

Gol: ‘102 Pantic (Atlético)

Atlético: Molina; Geli, Santi, Solozábal, Muñoz; Vizcaíno (Biagini), Simeone, Pantic, Caminero; Penev (López) e Kiko (Roberto). Téc.: Radomir Antic

Barcelona: Busquets; Celades (Ferrer), Popescu, Nadal, Sergi; Guardiola, Amor, Figo (Prosinecki), Bakero (Roger); Hagi e Jordi Cruyff. Téc.: Johan Cruyff

37ª rodada do Campeonato Espanhol: Barcelona 1x3 Atlético

Estádio Camp Nou, Barcelona

Árbitro: José Prados García

Gols: ’10 Roberto, ’48 Vizcaíno e ’87 Biagini (Atlético); ’25 Cruyff (Barcelona)

Barcelona: Busquets; Abelardo, Popescu, Nadal (Bakero), Sergi; Amor, De la Peña, Figo, Roger (Kodro), Hagi (Cuéllar); Jordi Cruyff. Téc.: Johan Cruyff

Atlético: Molina; Geli, Santi, Solozábal, Muñoz (López); Vizcaíno, Roberto, Pantic, Caminero (Q. Fortune); Penev (Biagini) e Kiko. Téc.: Radomir Antic
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