sexta-feira, 23 de junho de 2017

Henry no Barça: uma história cujo início completa 10 anos

Dois amigos, sentados em um bar de esquina, conversam: “quem foi o maior craque que você viu jogar no Arsenal?”, questiona um deles. Em meio a pensamentos que rondam figuras como Patrick Vieira e Dennis Bergkamp, uma certeza vem fácil à mente: “Thierry Henry”, responde o companheiro inquirido. Embora seja especulativo dizer isso, arrisco-me a revelar que essa será a resposta em 99% dos casos. Henry reinou no Arsenal. Ainda assim, em dado momento, decidiu que era a hora de respirar novos ares. Deixando seu protagonismo para trás, no dia 25 de junho de 2007, firmou pelo Barcelona.



Maior artilheiro da história do clube londrino, com 228 tentos anotados, o francês nunca deixou de manifestar seu profundo carinho e respeito pela agremiação. No entanto, naquela hora, as entrelinhas de sua transferência revelavam um objetivo muito evidente: vencer a UEFA Champions League

Pelo Arsenal, tivera a oportunidade mais clara em 2006, mas perdera justamente para o Barça, time que por anos tentou o contratar. O namoro, antigo, finalmente se tornou casamento em 2007. Sua despedida teve forte caráter emocional e foi repleta de sentimentos bons: da pura gratidão até a mais verdadeira adoração. Henry saiu deixando portas abertas. O próprio torcedor reconhecia que era justo o astro buscar o cumprimento de sua mais importante meta, mesmo porque muitas vezes ele havia tentado sua conquista representando os Gunners e não conseguira.

“É um sonho para todos vencer a Champions League e estou certo de que será o sonho do Barcelona a vencer novamente na próxima temporada [...] É a única coisa que não venci no Arsenal”, disse o atacante em sua chegada ao clube catalão.

Mantendo o histórico número 14 às costas, o craque chegou a um clube que ainda contava com Ronaldinho, Samuel Eto’o e Deco e via a estrela de Lionel Messi ficar cada vez mais evidente. Apesar disso, tudo saiu mal na primeira temporada do astro em Barcelona. Naquela que se confirmou a última temporada de Frank Rijkaard à frente do time, a queda de rendimento de alguns de seus principais craques foi notória. Internamente, o ambiente já não era bom.


O time terminou o Campeonato Espanhol em terceiro lugar e na Champions foi até as semifinais, sendo eliminado pelo Manchester United, que seria o campeão. Naquele momento, Henry chegou a ser considerado uma decepção, um desperdício de dinheiro e visão, uma vez que não era possível acomodar todos os grandes jogadores do clube no time titular. A despeito disso, tudo mudou em 2008/09, começava ali a trajetória que conduziria Pep Guardiola aos mais altos lugares nos rankings de melhores treinadores da atualidade.

Saíram Ronaldinho e Deco. Eto’o ficou por pouco, assumindo o compromisso de se entregar ao máximo. Assim, o time se reinventou. Com o camaronês no comando do ataque e Messi pela ponta direita, coube a Henry o papel de atacante pelo lado esquerdo. Afinal, sua contratação se justificou - e como. Mesmo sem ser referência, balançou as redes 26 vezes em 42 jogos, algumas delas de crucial importância. Demonstrou, cabalmente, que seu final ainda não chegara.

Pelo Campeonato Espanhol, sua primeira grande atuação aconteceu em dezembro de 2008, na 14ª rodada. Os Blaugranas recebiam o Valencia, que alinhava um ataque estelar: Joaquín, David Villa e Juan Mata. Ainda assim, os donos da casa não deram sopa para o azar e impuseram quatro bolas a zero. 

Sem Eto’o, Henry deu show particular, anotando três gols. Primeiramente, cumprimentou as redes de cobertura, após lançamento de Yaya Touré; a seguir, vindo da esquerda para o centro, recebeu bola de Aleksandr Hleb e fuzilou o brasileiro Renan; finalmente, como autêntico centroavante, finalizou com um toque bela jogada de Bojan.



Na disputa da Champions, foi vital nas oitavas de final, contra o Lyon. Após empate por 1 a 1 no fraco jogo de ida (tendo marcado o solitário gol do clube), fez os dois primeiros gols do triunfo catalão por 5 a 2 na volta. Nas quartas, na primeira mão contra o Bayern Münich, ajudou a dar enorme vantagem para o clube, assistindo Messi e fechando a goleada por 4 a 0. Contudo, nos jogos decisivos, sofreu com alguns problemas físicos. Ainda assim, esteve em campo para ver brilharem as estrelas de Eto’o e Messi. Finalmente levantou a “Orelhuda”.

Ao final da temporada, ainda teve tempo de reafirmar seu grande momento. Palco melhor não poderia haver: o estádio Santiago Bernabéu. Avassaladora, a primeira versão do Barcelona de Guardiola atropelou o Real Madrid: 6 a 2 - Henry marcou duas vezes. O primeiro veio em corrida por trás da defesa Merengue, em enfiada de bola de Messi; e o segundo em movimentação semelhante, dessa vez lançado por Xavi, o maior astro daquela noite especial.

Em 2008/09, Henry aconteceu, conquistou o Campeonato Espanhol, a UEFA Champions League e a Copa del Rey. Ganhou também lugar cativo na rica história do Barcelona. Mesmo que nada mais fizesse, já havia logrado o bastante.

Sua passagem pela Catalunha durou apenas mais uma temporada: 2009/10 não foi exatamente um ano bom para o francês. Embora tenha conquistado mais uma vez o campeonato nacional — levando também o Mundial de Clubes, a Supercopa da Espanha e a Supercopa da Europa —, sofreu com lesões, viu a ascensão de Pedro Rodríguez e sua estrela ficar mais apagada, sobretudo com o aumento da influência de Messi e a contratação de Zlatan Ibrahimovic. Fisicamente, entregara seu máximo no ano anterior. Dessa vez, em 32 jogos, marcou apenas quatro vezes.


Finda a aludida temporada, em acordo com a direção do Barça, deixou o clube um ano antes do final de seu contrato e foi embora para o New York Red Bulls, onde permaneceu até o final de sua carreira (exceto por um breve empréstimo ao Arsenal).

No Barcelona, Henry nunca foi a estrela maior da companhia, jamais obteve o estatuto que detinha no Arsenal. Porém, nunca esperou isso; sabia que seria mais um em uma constelação de craques. Ainda assim, entrou para a história dos Culés e conquistou seu maior objetivo, calou o Santiago Bernabéu e foi brilhante em vários momentos. Embora nunca tenha sido o Henry de Londres, em Barcelona ainda foi gigante.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

O que se pode esperar da Roma de Di Francesco?

Mais uma vez, a Roma bateu na trave. Na temporada 2016/17, terminou o Campeonato Italiano na segunda posição, vendo a Juventus triunfar. A falta de conquistas, bem como a evolução de alguns desgastes, levou o clube da capital a trocar de treinador: saiu Luciano Spalletti e chegou Eusebio Di Francesco. O ex-comandante do Sassuolo terá uma missão longe de ser confortável. A pressão por títulos e o fato de o time não contar mais Francesco Totti têm peso. Será também o primeiro trabalho do técnico à frente de uma equipe de maior porte. O que se pode esperar?



O trabalho desempenhado por Di Francesco nos Neroverdi foi espetacular e é dele que se extraem as impressões iniciais quanto ao futuro Giallorossi. Com 96 anos de história, o Sassuolo disputou apenas quatro temporadas na elite do futebol italiano, justamente as mais recentes. Nos últimos anos, tem vivido tempos positivos. Em 2007/08, sob o comando de Massimiliano Allegri, conseguiu acesso à segunda divisão, e em 2012/13 à primeira. Neste turno, liderado pelo responsável por conduzir a Roma em 2017/18.

Exceto por um período breve, entre janeiro e março de 2014, Di Francesco foi o treinador do clube da província de Modena entre 2012 e 2017. Foram cinco temporadas à frente do time – ou 209 partidas (83V, 54E e 72D), consolidando um trabalho, uma linha de pensamento. Anteriormente, como jogador, destacava-se pelo empenho e pelo jogo pelos flancos, em especial o esquerdo. Disso se retira a primeira de algumas características importantes do técnico: o especial apreço pelo sistema 4-3-3, com apelo pelo ataque pelas pontas.

Era facilmente perceptível a mentalidade ofensiva de seu Sassuolo. Os jogadores de frente contaram sempre com muita liberdade para expressar suas qualidades. Essa foi justamente uma das razões que conduziram à projeção de alguns atletas, como os atacantes Simone Zaza e Nicola Sansone. Foi também a veia ofensiva do lateral croata Sime Vrsaljko que levou o Atlético de Madrid a o contratar junto aos Neroverdi.

A despeito disso, quem mais se beneficiou dessa proposta de jogo foi o jovem e talentoso Domenico Berardi, winger canhoto que atua pela faixa direita. Velocíssimo, criativo e bom finalizador, aos 22 anos é uma das esperanças para o futuro do futebol italiano. Mesmo com a pouca idade, já disputou 159 jogos e anotou 59 tentos pela equipe. Não há dúvidas de que se trata de seu principal destaque. Curiosamente, Spalletti, conforme foi veiculado no site da UEFA, já elogiou Di Francesco, justamente pelo privilégio do jogo bem jogado:


"Di Francesco é um treinador que tornou o futebol italiano mais atraente com a equipe do Sassuolo", disse seu antecessor.

Apesar da mentalidade voltada para o ataque, o Sassuolo também sofreu para encontrar seu melhor equilíbrio defensivo. Nas quatro temporadas em que o clube disputou a Serie A, em apenas uma conseguiu ter saldo de gols positivo. Sua defesa foi sempre muito vazada, o que poderia ser ainda pior, não fosse a oportuna presença do goleiro Andrea Consigli, outro destaque da squadra.

Ainda assim, a princípio, deverão ser notadas características dos Neroverdi na Roma. Foi isso o que se pode extrair de sua entrevista coletiva ao ser anunciado o novo treinador Giallorossi:

“Quero criar entusiasmo, ataque e a formação 4-3-3 [...] Quase sempre joguei no 4-3-3. Prefiro uma defesa com quatro homens, e só usei três atrás quando foi absolutamente necessário. Para crescer, um treinador precisa saber transmitir sua filosofia para o elenco. Por agora, a defesa com quatro homens é a base para essa Roma”, revelou.

Tal ideia poderá ser importante para a afirmação de uma nova identidade no clube. Muitas vezes, Spalletti utilizou uma defesa com três zagueiros na última temporada. Em grande medida, isso se deveu ao fato de que possuía um trio de beques de alto nível – Antonio Rüdiger, Federico Fazio e Konstantinos Manolas – e laterais ofensivos – Bruno Peres e Emerson Palmieri. É muito pouco provável que isso volte a acontecer, até porque, para além da visão de Di Francesco, a Roma deve perder ao menos um de seus defensores: Manolas e/ou Rüdiger.

No meio-campo, deve ser privilegiada a presença de um trivote, padrão básico adotado pelo treinador Rudi García, mas que foi suprimido na Roma de Spalletti. Isso significa que, provavelmente, um volante se postará à frente da primeira linha de defesa (Daniele De Rossi), enquanto outros dois, imediatamente postados à frente, com tarefas ofensivas e defensivas, ajudarão a dar consistência ao time – papel a ser desempenhado por Kevin Strootman e Radja Nainggolan sobretudo, mas que poderá também ser atribuído ao jovem Leandro Paredes.

No comando do ataque, Edin Dzeko segue sendo a referência, podendo ser contratada alguma alternativa ao bósnio.

Isso nos leva a um ponto chave: as pontas. É notório o fato de que Mohamed Salah está de saída. Por essa razão, inicialmente, Di Francesco só terá à disposição Stephen El Shaarawy e Diego Perotti para a missão. É pouco. Evidentemente, contratações serão feitas e são necessárias para que o treinador consiga explorar da melhor maneira seu estilo de jogo. Nenhum dos dois citados é tão agressivo quando Berardi (foto), por exemplo. E é justamente o garoto um dos atletas que estariam na mira do clube da capital.

Além dele, também atletas do Neroverdi, o experiente zagueiro Francesco Acerbi, o jovem meio-campista Lorenzo Pellegrini (formado na Roma, que detém cláusula de recompra) e o atacante Grégoire Defrel, artilheiro do Sassuolo na temporada com 16 gols, estariam na mira da Roma. Por hora, certa é a chegada do polivalente defensor mexicano Héctor Moreno, ex-PSV Eindhoven, que pode atuar na zaga, pela lateral esquerda e como volante.

Chegamos, pois, a outra chave da temporada da Roma: a atuação do espanhol Ramón Rodríguez Verdejo, o Monchi, novo diretor esportivo, ex-Sevilla. O dirigente traz consigo a esperança de obtenção de boas e baratas oportunidades no mercado de transferências, o que pode verdadeiramente mudar os rumos da equipe, como foi com os Rojiblancos nos últimos anos, encontrando atletas de baixo custo em mercados periféricos e os negociando por fortunas.

Outro ponto que merece consideração é o desenvolvimento de jovens, figuras como a do brasileiro Gerson (foto), do lateral Abdullahi Nura e de outros garotos da base romanista. Trata-se de um trabalho importante e necessário, na medida em que têm sido formados bons valores — os quais nem sempre recebem a devida atenção. Nos últimos anos, a equipe Primavera conquistou o Campeonato Italiano da categoria (2015/16) e a Coppa Italia (2017). Essa foi uma das fundações do trabalho de Di Francesco no Sassuolo e é uma das principais demandas da direção da Roma.

Como atleta, o novo treinador Giallorossi obteve seu maior destaque justamente representando o grená da capital e, por isso, conhece o time e é identificado. Ele estava lá quando a equipe conquistou, pela última vez, o título nacional (2000/01) e conhece a pressão vivida no estádio Olimpico di Roma. Foi escolha pensada e chega credenciado por um trabalho de qualidade. Suas ideias são claras, razão pela qual é possível esboçar expectativas. No entanto, maiores conclusões só aparecerão quando se encerrar a janela de transferências e se souber quais serão as peças disponíveis para o italiano.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Victor Lindelöf, o novo xerife do Manchester United

Ao longo de sua carreira, o treinador José Mourinho comandou sólidas duplas de zagueiros. No Porto, teve Jorge Costa e Ricardo Carvalho; em seu primeiro estágio no Chelsea, o mesmo Carvalho e John Terry; na Inter, Walter Samuel e Lúcio; e, no Real Madrid, Sergio Ramos e Pepe. A despeito disso, desembarcou em um Manchester United que, desde as saídas de Rio Ferdinand e Nemanja Vidic, sofre com problemas na zaga. Buscando mudar tal panorama, não foi econômico, gastou logo £32 milhões em Eric Bailly e, agora, mais £30 milhões na contratação de Victor Lindelöf, ex-Benfica.



Antes de mais nada, é preciso ressaltar que as opções que Mou dispõe atualmente não são desprezíveis. No entanto, não são suficientes para um dos maiores clubes do planeta. Em especial, destaca-se o citado marfinense Bailly, contratado na última temporada, junto ao Villarreal. Veloz, bom nos desarmes e antecipações, muito provavelmente será o escolhido para compor a titularidade com Lindelöf. Chris Smalling, Phil Jones, Marcos Rojo e Daley Blind devem permanecer como alternativas.

Diante disso, é preciso destacar as razões que conduzem à conclusão de que o beque sueco, de apenas 22 anos, chega com status de titular.

Desde o início de sua carreira, Lindelöf é trabalhado com cuidado, considerado um diamante bruto. Seu primeiro grande destaque ocorreu na disputa da Euro Sub-21 de 2015. Na oportunidade, foi um paredão. Sua nação foi finalista contra Portugal e era notoriamente menos talentosa que a equipe lusitana.

Atuando como lateral direito, mas com atribuições eminentemente defensivas, foi um dos responsáveis por parar o talentoso ataque da Seleção das Quinas. Tratava-se de uma geração que alinhava figuras como Bernardo Silva, João Mário, William Carvalho, Raphaël Guerreiro e Ivan Cavaleiro. No tempo regular e na prorrogação, o zero não saiu do placar e a partida foi para os pênaltis. Na hora da decisão, Lindelöf converteu a quinta e derradeira cobrança. Foi campeão. Logo, conquistou seu espaço no Benfica.

Com a pesada camisa dos Encarnados, afirmou-se em momento difícil. Vivia-se período de transição. O treinador Jorge Jesus deixara a equipe, tendo sido substituído pelo jovem Rui Vitória. Contratado junto ao Vitória de Guimarães, viu-se sem alternativas para a retaguarda. Lisandro López e Luisão perderam quase toda a temporada 2015/16, lesionados. Não havia outra alternativa senão a aposta no jovem sueco.

Sua estreia oficial pelo Benfica já acontecera em 2013, mas Lindelöf atuara em apenas três partidas sob a tutela de Jesus. Antes, também representara o modesto Västerås, de seu país, tendo ganhado suas primeiras oportunidades como titular ainda com 16 anos.

Voltando ao Benfica – e suas dificuldades na temporada 2015/16 –, o fato é que o clube lisboeta só perdeu duas vezes tendo o jovem em campo: contra Porto, na 22ª rodada do Campeonato Português, e Bayern Münich, na quartas-de-final da UEFA Champions League. Conquistou, pois, o campeonato nacional e a Taça da Liga.

A temporada 2016/17 seguiu na mesma toada. Com o retorno do capitão Luisão, o garoto passou a fazer dupla com o brasileiro e foi titular durante toda a campanha. Foi muito sólido, compondo, pois, a melhor defesa do Campeonato Português. O Benfica concedeu apenas 18 gols, em 34 partidas no certame. De forma pouco usual, marcou um gol solitário no ano, justamente contra o rival Sporting CP e em cobrança de falta. Voltou a ser campeão português, somando, ademais, a conquista da Taça de Portugal (no início da temporada, já havia conquistado a Supertaça).

Lindelöf nunca teve problemas com adaptação a cenários pouco amistosos. Da estreia como profissional aos 16 anos, ao aproveitamento habitual no Benfica diante de necessidades, demonstrou sempre confiança e personalidade. Apareceu bem em momentos importantes. Isso é exatamente o que o Manchester United precisa: segurança. O beque sueco falha pouco. Talvez por essas razões tenha ganhado o apelido de Iceman – homem de gelo.

Fisicamente imponente, raramente é batido em situações de mano a mano, superiorizando-se, também, na bola aérea. Sua calma quanto tem a bola nos pés igualmente impressiona. Está longe de ser afobado. Considerando apenas o Campeonato Português, em 2016/17 obteve sucesso em 47% de seus desarmes, 59% das disputas aéreas e 90% dos passes.


“Victor [Lindelöf] é um jovem jogador muito talentoso, que possui um grande futuro. A última temporada mostrou que necessitávamos de mais opções no elenco e Victor é o primeiro desta janela. Tenho certeza que o grupo o receberá bem”, disse José Mourinho ao site oficial do Manchester United.

Apesar de cara, a contratação é pertinente. É sempre arriscado fazer comparações, mas Lindelöf chega ao Manchester United para ajudar o clube a voltar a viver dias de glória, tempos como aqueles em que contava com os mencionados Ferdinand e Vidic. Seu estilo, tranquilo e técnico, completa o de Bailly, mais agressivo. José Mourinho ganha um jogador jovem, firme e talentoso. Renova, portanto, sua esperança de montar mais uma dupla de zaga histórica.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Times de que Gostamos: Internazionale 1963-1965

Após rememorar o time do Liverpool que, em 2004/05, protagonizou o milagre de Istambul, lembro a histórica Internazionale da década de 60, a qual consagrou o Catenaccio e conquistou a Europa.


Em pé: Sarti, Facchetti, Guarneri, Tagnin, Burgnich, Picchi;
Agachados: Jair, Milani, Suárez, Mazzola, Corso


Time: Internazionale

Período: 1963-1965

Time base: Sarti; Burgnich, Picchi, Guarneri, Facchetti; Bedin (Tagnin), Suárez; Jair, Mazzola, Peiró (Milani), Corso. Téc.: Helenio Herrera

Conquistas: Campeonato Italiano (1964/65), Copa dos Campeões (1963/64 e 1964/65) e Intercontinental (1964 e 1965)

Grandes times podem ser lembrados por uma infinidade de peculiaridades: um técnico especial, craques, títulos ou, ainda, inovações. A Internazionale de Milão da década de 60 foi um pouco disso tudo. Comandada pelo rigoroso Helenio Herrera, adepto de uma forma de pensar bem estabelecida, que primava pela máxima eficiência em detrimento do espetáculo, tornou famoso o Catenaccio. Como o futebol é um fenômeno global e em permanente evolução, não se pode atribuir a criação de tal sistema a Herrera. Porém, é fato que o mesmo ganhou fama pelas suas mãos.

A eficiência do Catenaccio

Quando o treinador argentino de nascimento desembarcou em Milão, tudo mudou na vida do clube e de todos os que nele trabalhavam. Como relatou o autor Jonathan Wilson em sua obra A Pirâmide Invertida, o comandante queria mandar em todos os setores da equipe. Até mesmo a faceta privada das vidas dos atletas foi alvo de sua intervenção. Herrera queria controlar as horas de sono e a alimentação de seus comandados; as concentrações que antecediam as partidas tomaram os jogadores de suas famílias. Os resultados, no entanto, vieram.

O culto à fantasia e à beleza, defendido por muitas filosofias do futebol, foi suprimido. Militarizou-se o esporte. Tudo era estudado, pensado, metódico. Apesar disso, a mudança de estilo pela qual passou a Inter não foi imediata. O terceiro lugar obtido em seu primeiro Campeonato Italiano, pressionou o técnico e o levou a mudar sua linha de trabalho. Conforme reproduzido no aludido livro, Herrera reconheceu a necessidade de aumentar a eficiência da equipe. Na ocasião, disse:

“Eu tirei um meio-campista e o coloquei atrás dos zagueiros, liberando o lateral esquerdo para atacar [...] No ataque, todos os jogadores sabiam o que eu queria: futebol vertical em grande velocidade, não mais do que três passes para chegar à área adversária. Se você perde a bola verticalmente, não é um problema; mas, se perder jogando lateralmente, você paga com um gol”[i].

Estava ali caracterizado o Catenaccio. Na retaguarda, havia a presença do líbero e capitão Armando Picchi, responsável pela saída de bola na defesa e pela cobertura dos defensores. Com isso, pelo lado esquerdo Giacinto Facchetti tinha liberdade para atacar. Seu trabalho era facilitado pelos retornos do brasileiro Jair, o meio-campista pelo lado direito, que ocasionalmente retornava à defesa, “empurrando” os defensores, de forma a permitir a cobertura do ofensivo ala esquerda.

Dessa forma, caracterizou-se, de forma única, um estilo. No entanto, ele não se diferenciava apenas pela inteligência tática. O que a muitos irritou foi o fato de que acima de tudo estava o ideal de vitória. Para o alcançar, valia tudo, inclusive exacerbada agressividade.

É claro, nem tudo era negatividade. O clube contava com o talento do espanhol Luis Suárez, que veio do Barcelona junto com o treinador e era o principal construtor do jogo italiano, e, sobretudo de Sandro Mazzola, o grande destaque individual daquela equipe. O time era extremamente funcional e talentoso, por isso, marcou época, com incontáveis conquistas. No entanto, em algum momento o estresse e o desgaste emocional o levaram ao final do fantástico ciclo, que terminou por nomear aquela equipe como La Grande Inter.

Os títulos conquistados

Com essa mentalidade e forma de jogar, a Internazionale conquistou o título italiano de 1962/63. Vale lembrar que se tratava de um período de intenso equilíbrio no futebol da Velha Bota. Na primeira temporada de Herrera no comando Nerazzurri, a campeã foi a Juventus, glória que levou a Vecchia Signora à disputa da Copa dos Campeões de 1961/62. No certame, chegou às quartas de finais, mas foi eliminada pelo Real Madrid, finalista vencido.

Nesse ano, o Campeonato Italiano teve outro vencedor, o Milan. Na competição continental de 1962/63, os Rossoneri foram os vencedores. Apesar disso, o título nacional foi para o outro lado de Milão. Enfim a Inter chegava à Copa dos Campeões. Era a primeira de sua história. E a equipe foi estreante indigesta.

Na fase preliminar da Copa dos Campeões de 1963/64, a Inter eliminou o Everton, com a sua marca: 1 a 0. O suficiente. Resultado construído com gol de Jair, na partida de volta. A seguir, vitimou o Monaco, nesse turno se impondo mais: 4 a 1, no agregado. Após magra vitória em casa (1 a 0), venceu por 3 a 1 na volta, que, diga-se, aconteceu em Marselha. O time seguia na toada de seus princípios. Não importava que a vitória viesse com um ou mais gols de diferença, desde que viesse.

Nas quartas de finais, a vítima foi o Partizan. A vida da Inter foi mais tranquila. Na ida, em Belgrado, venceu por 2 a 0; na volta, 2 a 1. Naquela altura, o Milan, que disputava o torneio na condição de atual campeão caía. Mais uma vez o Real Madrid eliminava uma equipe italiana. Vieram as semifinais: de um lado se alinhavam Borussia Dortmund e Inter; do outro Zürich e Real. Um empate por 2 a 2 na Alemanha e uma vitória por 2 a 0 em casa asseguraram o lugar interista na final. Do outro lado, o Real Madrid vinha sedento pelo retorno ao pódio (pela última vez conquistado em 1960). Fez 8 a 1 no placar agregado contra os suíços.

A final em Viena colocou frente a frente duas equipes de estilos antagônicos. Com estrelas do porte de Alfredo Di Stéfano, Francisco Gento e Ferenc Puskás, os Merengues eram só ataque, enquanto a Inter chegava com seu estilo matreiro. Na partida, valeu a estrela de Mazzola, autor do gol que abriu a contagem em favor dos Nerazzurri e daquele que selou o destino do troféu, pela segunda vez consecutiva: Milão, mas dessa vez para o outro lado – 3 a 1. Sofrendo marcações individuais, os astros madrilenos mal viram a cor da bola.

No mesmo ano, a equipe somou o mesmo número de pontos do Bologna no Campeonato Italiano e teve que disputar uma partida decisiva. Perdeu e ficou com o segundo lugar, mas voltou à Copa dos Campeões, afinal era o último vencedor.

Em mais uma campanha em que se viu a marca do Catenaccio, a Inter chegou à final do certame continental de 1964/65. Na primeira fase, eliminou o Dinamo de Bucareste, sem margem para questionamentos. Em casa, goleou os romenos por 6 a 0; na volta, desnecessária, jogou para o gasto: 1 a 0.

Na sequência, teve adversário duro, o Rangers, campeão escocês. Na ida, a vitória veio por 3 a 1. Contudo, a volta foi mais dura. Os italianos perderam por 1 a 0. Cientes da vantagem que possuíam, embora tenham sofrido o gol solitário do jogo aos sete minutos do primeiro tempo, aguentaram-se; fizeram aquilo que de melhor faziam. Tudo isso para na eliminatória seguinte, as semifinais, mostrar que também existia talento na equipe. Mas havia, igualmente, malandragem.

O adversário seguinte foi o Liverpool, do treinador Bill Shankly. No mítico Anfield Road, os Reds foram superiores, inapelável 3 a 1. Aos três minutos de jogo já haviam aberto o placar, entraram com tudo. Entretanto, a Inter foi ao jogo de volta sem tempo para brincadeiras e com o árbitro ao seu lado. Aos 10 minutos do primeiro tempo já havia balançado as redes duas vezes, em ocasiões controversas. Primeiro, em cobrança direta de falta que deveria ter sido batida em dois toques e a outra com o atacante Joaquín Peiró roubando a bola do goleiro inglês. Mais tarde, Facchetti deu o golpe fatal no esquadrão inglês. 3 a 0 e volta à final, dessa vez em casa.

No San Siro, a Inter mediu forças com o poderoso Benfica, de Eusébio e Mário Coluna. As condições de jogo eram ruins, o que prejudicava muito mais os portugueses. Jair abriu o placar pouco antes do final do primeiro tempo. No segundo, o Benfica perdeu seu goleiro, Costa Pereira, lesionado e foi obrigado a mandar o zagueiro Germano defender a meta, ficando com apenas 10 atletas em campo. No entanto o placar não se alterou. Novamente a Inter conquistou a Europa.

Em casa, retornou ao pódio, somando três pontos a mais do que o Milan. É bom que se diga que tanto em 1964 quanto em 1965, o clube venceu o Intercontinental, as duas vezes contra o Indepediente. Todavia, passou a sofrer maiores modificações para as temporadas seguintes. E o clima foi se deteriorando. O ato final daquele time não tardaria.

A queda em Lisboa

Em 1965/66, a Inter voltou a fazer boa campanha na Europa, parando para o Real Madrid, nas semifinais e conquistou o Campeonato Italiano. Isso poderia indicar que tudo estava bem, mas os protagonistas da Grande Inter sabiam que aquilo não duraria muito. O baque mais forte ocorreu em 1966/67.

Aos trancos e barrancos, a Inter chegou a mais uma final da Copa dos Campeões. Eliminou o Torpedo Moscou (1 a 0 no agregado), o Vasas da Hungria (4 a 1), o Real Madrid (3 a 0) e o CSKA Sofia (o 2 a 2 no agregado obrigou a disputa de uma terceira partida, vencida pela Inter, por 1 a 0). Na final, contudo, teve pela frente um time que não tinha medo de nada. Se os italianos partissem para a agressividade, receberiam na mesma moeda; se quisessem se defender a todo custo, seriam massacrados pela potência dos ataques adversários. O Celtic, treinado por Jock Stein, estava preparado para tudo.

Mesmo tendo aberto o placar, a Internazionale sucumbiu perante a coragem dos escoceses. Nem o fato de ter aberto o placar, aos sete minutos, bastou. Em Lisboa, uma equipe destinada a fazer história o fez. O Celtic virou o jogo e conquistou o título. Ganhou, pois, a alcunha de Lisbon Lions, os Leões de Lisboa. E a Inter caiu em desgraça.

Na última temporada de Herrera sob o comando Nerazzurri, 1967/68, terminou o italiano em quinto lugar. A Grande Inter, que mostrou seu maior brilho entre 1963 e 1965, morrera. Um ciclo brilhante acabara.

Os craques de La Grande Inter

Entre 1963 e 1965, a Inter sofreu poucas alterações em sua equipe. Havia uma base muito bem estruturada. No gol, atuava Giuliano Sarti. Embora fosse excelente goleiro, era discreto, fazia seu papel silenciosamente, sempre bem posicionado. Também não se limitava às tarefas peculiares da defesa da meta, era importantíssimo para a organização defensiva do time. Foi ídolo também na Fiorentina e chegou a defender a Juventus.

A defesa tinha um formato peculiar. Em tese, possuía três peças, mas na prática podiam ser até cinco. Pela direita, posicionava-se Tarcisio Burgnich, La Roccia. Marcador duro, sério e de muito trabalho coletivo, o italiano, contratado junto ao Palermo, entregava-se de corpo e alma, tendo representado a equipe em 467 jogos. Mais ao centro, a referência era Aristide Guarneri. Defensor com o selo italiano, era incansável, destacava-se nos critérios físicos do jogo e também possuía técnica, a qual ficava evidente em antecipações, desarmes e capacidade de interpretar as situações que cada jogo impõe. Nunca recebeu um cartão vermelho e representou o Nerazzurri em 335 partidas.

Pela esquerda se postava um dos grandes destaques do time e peça fundamental para o funcionamento do Catenaccio: Facchetti (foto). Atacante em sua formação como atleta, o italiano, um dos ícones de sua geração e dos maiores ídolos da história do futebol da Velha Bota, transformou-se em um lateral esquerdo fantástico. Veloz, inteligente, agressivo e bom finalizador, fez dobradinha excepcional com Mario Corso, o meia pelo flanco canhoto. Ao final de sua carreira, era o jogador com mais partidas pela Inter em todos os tempos, com 634 jogos. Contudo, foi ultrapassado por Giuseppe Bergomi e Javier Zanetti.

Atrás desse trio, como líbero, atuava o elegante Armando Picchi. Gênio tático e defensor completo, era o capitão da equipe e, possivelmente, o atleta mais importante para o funcionamento do coletivo interista. O italiano chegou como lateral direito, mas suas características levaram Herrera a o reposicionar, naquela que foi uma das mudanças posicionais mais interessantes de todos os tempos.

Na proteção do meio-campo, duas foram as peças que mais atuaram no período. Primeiro, jogou Carlo Tagnin, que já era muito experiente e estava em final de carreira. No entanto, ainda teve tempo de ser fundamental para a equipe, em especial na Copa dos Campeões de 1963/64, quando foi o responsável pela marcação sobre Di Stéfano, na final. Seu substituto foi Gianfranco Bedin, há época um garoto de 20 anos, que se tornou referência com o tempo, atuando em mais de 300 partidas pela equipe milanista. Ambos se destacavam nos critérios físicos e eram fortes marcadores.

À frente, distribuindo o jogo, atuava o espanhol Luis Suárez (foto), um jogador com a marca do futebol de seu país: elegante, dotado de excepcional visão de jogo, passador fantástico. Quando chegou a Milão, já era consagrado, tendo brilhado com a camisa do Barcelona. Foi o cérebro da equipe e, como havia sido treinado por Herrera no clube catalão, contava com sua inteira confiança. Embora não tenha sido o capitão, era um dos porta-vozes do comandante no campo. Conquanto tenha disputado mais de 200 jogos pelo Barça, ainda teve tempo de vestir a camisa da Inter em 328 jogos.

Pela direita do meio, jogava outra peça fundamental para o bom funcionamento do Catenaccio, o brasileiro Jair da Costa. Formado na Portuguesa, o atleta tinha muitas qualidades. Embora tivesse facilidade para driblar e muita velocidade, adaptou-se com perfeição às demandas coletivas da equipe. Como corria muito, sempre voltava para auxiliar no balanço defensivo, sobretudo para rearranjar a equipe, nos arroubos ofensivos de Facchetti. Também foi o responsável por muitos gols importantes, como o do título europeu, em 1965.

Pelo outro lado, com menos tarefas defensivas e maior influência pelo centro do que pelas pontas, Mario Corso era outro craque do setor ofensivo. Formidável cobrador de faltas, tinha uma perna esquerda especial. Comumente chegava à frente para marcar. Em 502 jogos, anotou 94 tentos. É o sexto atleta que mais vezes representou a Inter.

No ataque, atuava o jogador mais decisivo da squadra. Sandro Mazzola era o jogador mais decisivo da Grande Inter. Filho de Valentino Mazzola, uma das vítimas da Tragédia de Superga, que vitimou o time do Torino, tinha o futebol no DNA. Tratava-se de um atacante completo, possuía bom passe, drible e marcava gols, muitos gols. Aparecia em momentos importantes. Disputou um total de 565 jogos pelo clube, marcando 161 tentos. É o quarto atleta que mais defendeu a Inter e também o quarto maior artilheiro em todos os tempos.

Também no ataque, na condição de centroavante, o time contou com os préstimos do italiano Aurelio Milani. Além dele, como alternativa, utilizou-se durante um tempo o espanhol Joaquín Peiró. Ambos foram jogadores sem grande distinção técnica, mas que anotaram tentos importantes no período.

Ficha técnica de algumas partidas importantes no período:

Final da Copa dos Campeões de 1963/64: Internazionale 3x1 Real Madrid

Praterstadion, Viena

Árbitro: Josef Stoll

Público 71.333

Gols: ’43 e ’76 Mazzola, ’61 Milani (Internazionale); ’70 Felo (Real Madrid)

Internazionale: Sarti; Picchi; Burgnich, Guarneri, Facchetti; Tagnin; Jair da Costa, Mazzola, Luis Suárez, Corso; Milani. Téc.: Helenio Herrera

Real Madrid: Vicente; Isidro, Santamaría, Pachín; Muller, Zoco; Amancio, Felo, Di Stéfano, Puskás e Gento. Téc.: Miguel Muñoz

Final da Copa dos Campeões de 1964/65: Internazionale 1x0 Benfica

Estádio San Siro, Milão

Árbitro: Gottfried Dienst

Público 77.000

Gol: ’43 Jair da Costa (Internazionale)

Internazionale: Sarti; Picchi; Burgnich, Guarneri, Facchetti; Bedin; Jair da Costa, Mazzola, Luis Suárez, Corso; Peiró. Téc.: Helenio Herrera

Benfica: Costa Pereira; Cavém, Cruz, Germano, Machado; Neto; Augusto, Eusébio, Torres, Coluna e Simões. Téc.: Elek Schwartz

Jogo desempate do Intercontinental de 1964: Internazionale 1x0 Independiente

Estádio Santiago Bernabéu, Madrid

Árbitro: José Ortiz de Mendíbil

Público 25.000

Gol: ‘110 Corso (Internazionale)

Internazionale: Sarti; Picchi; Malatrasi, Guarneri, Facchetti; Tagnin; Domenghini, Peiró, Luis Suárez, Corso; Milani. Téc.: Helenio Herrera

Independiente: Santoro; Guzmán, Decaría, Paflik, Acevedo; Maldonado, Bernao; Suárez, Prospitti, Rodríguez, Savoy. Téc.: Manuel Giúdice

1º Jogo da Final do Intercontinental de 1965: Internazionale 3x0 Independiente

Estádio San Siro, Milão

Árbitro: Rudolf Kreitlein

Público 60.000

Gols: ‘3 Peiró, ’22 e ’59 Mazzola (Internazionale)

Internazionale: Sarti; Picchi; Burgnich, Guarneri, Facchetti; Bedin; Jair da Costa, Mazzola, Luis Suárez, Corso; Peiró. Téc.: Helenio Herrera

Independiente: Santoro; Guzmán, Navarro, Pavoni, Acevedo; Ferreiro, Bernao; De La Mata, Avallay, Rodríguez, Savoy. Téc.: Manuel Giúdice



[i] WILSON, Jonathan (2016). A Pirâmide Invertida. Campinas: Editora Grande Área, p. 201.
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