segunda-feira, 21 de julho de 2014

Craques das Copas: 1974

Finalizando a série sobre os grandes Craques das Copas, depois de tratar de Pelé e Kempes, destaques de 1970 e 1978, falo sobre outros dois jogadores monumentais, Johan Cruyff e Franz Beckenbauer, o líderes do Carrossel Holandês e o da campeã Alemã.




1974 – JOHAN CRUYFF

Ficha técnica

Nome: Hendrik Johannes Cruiff

Data de nascimento: 25 de abril de 1947

Local de nascimento: Amsterdã, Holanda

Carreira: Ajax (1964-1973), Barcelona (1973-1978), Los Angeles Aztecs (1979-1980), Washington Diplomats (1980-1981), Levante (1981), Ajax (1981-1983), Feyenoord (1983-1984)

Títulos: Campeonato Holandês (1965-1966, 1966-1967, 1967-1968, 1969-1970, 1971-1972, 1972-1973, 1981-1982, 1982-1983), Copa da Holanda (1966-1967, 1969-1970, 1970-1971, 1971-1972, 1982-1983), UEFA Intertoto Cup (1968), UEFA Champions League (1970-1971, 1971-1972, 1972-1973), UEFA Super Cup (1972), Mundial Interclubes (1972), pelo Ajax, Campeonato Espanhol (1973-1974), Copa del Rey (1977-1978), pelo Barcelona, Campeonato Holandês (1983-1984), Copa da Holanda (1983-1984), pelo Feyenoord


Maior jogador da história do futebol holandês, e segundo maior do século XX, segundo eleição da FIFA, que elegeu Pelé o maior de todos, Johan Cruyff ultrapassou as barreiras do bom futebol. Revolucionário, foi o comandante do inolvidável “Carrossel Holandês”, o exemplo do monumental Totaalvoetbal (Futebol Total, em tradução livre). Líder do que mal treinado seria uma total desordem, Cruyff foi o expoente máximo de uma ideia de jogo em que todos têm uma função, mas não se restringem a ela, conseguindo alternar-se sem prejuízo tático, sendo Totais: podendo fazer qualquer função (exceto o goleiro, por motivos óbvios).

Além dos fundamentais fatores futebolísticos, Cruyff também era único fora das quatro linhas. Preferiu o separatismo insurrecionado catalão à ditatura madridista. Depois de elevar o Ajax ao patamar dos gigantes do futebol mundial, com três títulos europeus, aportou em Barcelona, onde continuaria a mostrar o brilhantismo de um jogador cuja característica capital era a precisa leitura de jogo, e onde, após a aposentadoria, faria mais revolução, como treinador.

Sua posição? A enigmática expressão “função-Cruyff” explica. Chamá-lo de atacante é insuficiente, contudo, também não se pode descrevê-lo como um jogador à defensiva. Estrela da companhia Total, fez de tudo e se tornou único. Ícone e protagonista do que poderia ter sido uma obra cinematográfica dramática. Em 1974, a Holanda merecia ser campeã, pela bola e pela proposta. Todavia, foi vitimada por uma forte e pragmática Alemanha. Um caso raro de vice que é mais lembrado que o campeão.

Na competição, o craque e capitão neerlandês atuou em todos os jogos, marcando três gols, dois contra a Argentina e um contra o Brasil. Sob sua direção, os holandeses escaparam da pancadaria Uruguaia, não saíram do zero contra a Suécia (em um jogo com muitas chances, apesar do placar) e golearam a Bulgária, na primeira fase. Na segunda, ajudou a Holanda a liderar com autoridade um grupo com Brasil, Argentina e Alemanha Oriental (que, ironicamente, tinha se superiorizado à sua irmã do ocidente, que bateria a Holanda, na final). E, ao final, juntou-se ao seleto grupo dos gênios sem Copa. Não disputaria outra.

Ao todo, envergou a camisa laranja 48 vezes, balançando as redes adversárias em 33 turnos. Único, foi capaz de desafiar prognósticos e a direção do Ajax. Ao final de sua carreira, quando já tinha 36 anos, viu-se rejeitado pelo Ajax, que, em função de sua idade, não quis renovar seu contrato. Desejando provar o contrário, fechou com o Feyenoord, grande rival do clube de Amsterdã. Lá, venceria o Campeonato Holandês e a Copa da Holanda, provando que não se podia duvidar de um gênio.

Para o jornalista Mauro Beting, “Cruyff reinventou a matemática do jogo. Redefiniu seus números. Renomeou suas posições. Reinou nos campos e nos bancos. Foi o maior não campeão mundial por uma Seleção. É um dos poucos que podem jogar em qualquer posição, em qualquer seleção de melhores de todos os tempos. É Cruyff. É craque.” 

1974 – FRANZ BECKENBAUER

Ficha técnica

Nome: Franz Anton Beckenbauer

Data de nascimento: 11 de setembro de 1945

Local de nascimento: Munique, Alemanha

Carreira: Bayern de Munique (1965-1977), Cosmos (1977-1980), Hamburgo (1980-1982), Cosmos (1983)

Títulos: Campeonato Alemão (1968-1969, 1971-1972, 1972-1973, 1973-1974), Copa da Alemanha (1965-1966, 1967-1968, 1968-1969, 1970-1971), UEFA Champions League (1973-1974, 1974-1975, 1975-1976), UEFA Winner’s Cup (1966-1967), Mundial Interclubes (1976), pelo Bayern de Munique, NASL (1977, 1978, 1980), pelo Cosmos, Campeonato Alemão (1981-1982), pelo Hamburgo, UEFA Euro (1972) e Copa do Mundo (1974), pela Alemanha


Se descrever Cruyff como um jogador de ataque é insuficiente, na mesma medida, tratar o gênio Franz Beckenbauer como um jogador defensivo também o é. Meio-campista de formação, sempre gostou de entremear os construtores de jogo da equipe. Completo em termos de qualidades futebolísticas, tinha uma capacidade de entender o jogo e interpretá-lo absolutamente fantásticas. Não fosse assim, talvez não tivesse compreendido que seu melhor lugar seria atuando na retaguarda, onde melhor poderia enxergar a cancha e ajudar sua equipe. Nascia ali o líbero, na maior e melhor acepção terminológica.

“Dono” do Bayern de Munique e da Seleção Alemã, o Kaiser, como ficou conhecido, fez nascer uma função que, diferentemente da de Cruyff, ganharia nome: líbero. Pela classe que tinha, Beckenbauer poderia ter atuado em qualquer lugar do campo. Era elegante e jogava com grande inteligência. Entendia o jogo como poucos entenderam. Sabia da importância da defesa, sem perder o apreço pelo ataque.

Nono atleta que mais vezes vestiu a camisa germânica, com 103 aparições, entre 1965 e 1977, marcou 14 gols. Na trajetória rumo ao bicampeonato mundial tudesco, não marcou gols, mas foi o esteio da equipe durante todas as partidas da competição. Desde a magra vitória na estreia contra o Chile, passando pela derrota para a Alemanha Oriental e chegando, por fim, à finalíssima, quando embateu forças com a fantástica Holanda.

Exemplo de sobriedade e refino, sempre valorizou o trabalho coletivo. Ao falar da atual campeã mundial, ressaltou a grandeza da equipe, como um todo. E sempre teve discernimento para tudo o que dissesse respeito ao riscado, às quatro-linhas. Não à toa passou com imenso sucesso por todos os postos do futebol. Ganhou a Copa do Mundo como jogador e treinador, presidiu o Bayern de Munique e dirigiu o Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2006, um total sucesso.

Na bola, poucos tiveram sua qualidade técnica. Menor é o número daqueles que entenderam o jogo como ele. Foi craque. Só não foi eleito o craque da Copa de 74 porque, no meio do caminho, havia um Cruyff.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Times que Gostamos: Basel 2011-2012

Após falar do vitoriosíssimo time da Inter de Milão de José Mourinho, trato do excelente time do Basel, da temporada 2011-2012, supercampeão na Suíça e que fez bom papel na UEFA Champions League, revelando ótimos talentos para o futebol europeu.


Em pé: Alexander Frei, Xhaka, Streller, Abraham, F. Frei, Sommer;
Agachados: Dragovic, Cabral, Park, Steinhofer, Shaqiri


Time: Basel

Período: 2011-2012

Time Base: Yan Sommer; Steinhofer, Abraham, Dragovic, Joo-Ho Park; Xherdan Shaqiri, Benjamin Huggel (Cabral), Granit Xhaka, Fabian Frei (Valentin Stocker); Alexander Frei e Marco Streller. Téc.: Heiko Vogel

Conquistas: Campeonato Suíço e Copa da Suíça

Equilibrado, o time do Basel da temporada 2011-2012 foi um daqueles exemplos raros de boa, e sábia, mistura de jogadores jovens e experientes na mesma equipe. De um lado novos talentos, como Xherdan Shaqiri, Granit Xhaka e Yann Sommer, do outro, figuras experimentadas, como Benjamin Huggel, Marco Streller e Alexander Frei. No campo, um futebol de boa gestão da bola, muita movimentação e técnica levou a equipe ao sonho, pena que na hora da decisão a equipe tenha dormido no ponto.

Classificada para a UEFA Champions League, mas, desafortunadamente, sorteada para o mesmo grupo de Manchester United e Benfica – além do modesto Otelul Galati, da Romênia – a equipe estava fadada ao insucesso. Lutaria pela terceira colocação para descer à Europa League. Doce e saboroso engano. Na segunda fase da melhor competição de clubes do mundo, não se viu o Manchester United (!). Com um empate na Inglaterra, e uma vitória em seus domínios, o Basel se superiorizou aos Red Devils, passando à fase seguinte junto com o Benfica.

Como se não tivesse feito suficiente sucesso, na partida de ida das oitavas-de-final, frente ao poderoso Bayern de Munique, os RotBlau voltaram a surpreender. Com gol solitário do capitão Streller, os suíços bateram os bávaros, mas sonharam alto demais, e quanto mais alto se vai... Sim, a volta à realidade foi dolorosa. 7x0 para o Bayern, na Alemanha. Entretanto, o grande valor da equipe não poderia ser desconsiderado em decorrência de uma tragédia desse tamanho, e não o foi. Prova maior disso foi a contratação de Shaqiri pelos bávaros, ao final da temporada. Estava mais que provado que o clube tinha muita qualidade.

Hoje desmontado, o time pode ser visto perambulando mundo à fora, sobretudo no futebol alemão. Do time base de 2011-2012, apenas Streller e Fabian Frei seguem no time. Sommer (Borussia Mönchengladbach), Steinhofer (1860 Munich), Dragovic (Dynamo Kyiv), Abraham (Hoffenheim), Park (Mainz 05), Huggel (aposentado), Xhaka (Borussia Mönchengladbach), Shaqiri (Bayern) e A. Frei (aposentado), deixaram o clube.

Para defender a meta, a equipe contava com o jovem arqueiro Yann Sommer (foto), então com 23 anos. Responsável por suceder o argentino Franco Constanzo, e já jogador de destaque nas Seleções sub-16, 17, 19 e 21  da Suíça, tinha como trunfos principais o bom posicionamento, reflexos rápidos e eficiência para defender pênaltis. Na temporada 2011-2012 foi importantíssimo ao defender duas penalidades da final da Copa da Suíça, sempre com muito bom humor, fazendo caras e bocas, e apontando cantos, para atrapalhar seu oponente.


Ofensivos, os laterais Markus Steinhöfer e Joo-Ho Park (foto) ajudavam muito o ataque da equipe. O primeiro, dono do flanco direito, frequentemente chega à linha de fundo, provendo boas assistências para os atacantes e permitindo que Shaqiri, que jogava mais avançado pelo flanco, pudesse se aventurar pelo centro do campo, em movimento que lhe é peculiar. Já o lateral esquerdo também avançava muito à frente. Além disso, tinha como característica as finalizações de média distância. Apesar de bons com a bola, os dois alas frequentemente deixavam espaços na defesa.

Em que pesem os espaços deixados pelos laterais, esse problema era diminuído por uma qualidade comum aos dois zagueiros titulares: a velocidade. Jogadores de correto trato com a bola, o argentino David Abraham fez sólida dupla com o austríaco Aleksandar Dragovic (foto), ambos detentores de muita vitalidade. Bons no jogo aéreo, também foram responsáveis por gols importantes na temporada, como na partida contra o vice-líder do Campeonato Suíço, o Luzern, ocasião em que Abraham marcou.

Compondo o centro do campo, atuaram dois jogadores de diferentes características. Mais restrito à marcação, o experiente Benjamin Huggel foi o principal jogador de contenção da equipe. Apesar disso, não era limitado à essa função. O volante sabia avançar no terreno e finalizava com qualidade à distância. Além do mais, era comumente o escolhido para bater os pênaltis da equipe. Também no setor, mas um pouco mais avançado, o talentoso Granit Xhaka (foto), hoje titular da Seleção Suíça, era o principal construtor de jogo. Técnico e dotado de boa visão de jogo, era vital para a circulação da bola. 

Opção aos dois, Adilson Cabral também era presença frequente na equipe titular. Apesar de mudar a característica do time, sendo um atleta de condução de bola, dava maior movimentação à equipe.

Pelos lados, jogavam jogadores completamente diferentes. Pela direita, insinuante, habilidoso, dono de ótimo de chute e extremamente ofensivo, Xherdan Shaqiri (foto) era peça chave da equipe. Além de ter grande qualidade individual, o jovem também era o ponto de desafogo da equipe, que sempre o procurava. Sua marca? A conhecida condução de bola da direita para o centro do campo buscando ângulo para seu potente chute de canhota. Do outro lado, Fabian Frei era um jogador mais tático. Bom passador, não era incisivo como Shaqiri, mas equilibrava o meio-campo da equipe. A opção mais aguda para a faixa canhota era o meia Valentin Stocker, outro reserva comumente usado.

Avançados, os experientes Alexander Frei (foto, à dir) e Marco Streller (foto, à esq.) eram os responsáveis pelos gols. Apesar de ambos serem considerados centroavantes, suas díspares características os completavam. Mais móvel e dono de excepcional chute, sendo, inclusive, um dos principais batedores de faltas da equipe, Frei (que é o maior artilheiro da história da Seleção Suíça, com 42 gols) foi o grande artilheiro da temporada, com 33 gols. Seu companheiro, apesar do tamanho (1,96 m), não era um jogador fraco tecnicamente, muito pelo contrário. Além de grande cabeceador (e capitão da equipe), tinha uma perna esquerda de muita qualidade. Para mais, desempenhava um papel de pivô vital para a equipe, criando muitas situações de gol para seus companheiros. Na temporada, marcou 18 gols.

Com muito planejamento, o Basel, que havia sido treinado durante duas temporadas pelo alemão Thorsten Fink, apostou em seu antigo auxiliar, Heiko Vogel (atualmente na base do Bayern de Munique), para dar continuidade ao trabalho. Escolha acertadíssima, como mostraram os resultados. Além disso, o clube tinha úteis opções no banco de reservas. Como Cabral e Stocker (foto), opções já tratadas, os meias Gilles Yapi Yapo e Scott Chipperfield, além do atacante Jacques Zoua, eram muito importantes para a equipe.




Ficha Técnica de alguns jogos importantes nesse período:

Fase de Grupos da UEFA Champions League: Basel 2x1 Manchester United

Estádio St. Jakob Park, Basel

Árbitro: Björn Kuipers

Público 36.000

Gols: ‘9 Streller e ’84 A. Frei (Basel); ’89 Phil Jones (Manchester)

Basel: Sommer; Steinhofer, Abraham, Dragovic, Park; Shaquiri (Stocker), Cabral, Xhaka (Chipperfield), F. Frei; A. Frei (Kusunga) e Streller. Téc.: Heiko Vogel

Manchester United: De Gea; Smalling, Ferdinand, Vidic (Evans), Evra; Jones, Park (Macheda); Nani, Giggs, Young (Welbeck); Rooney. Téc.: Alex Ferguson

Oitavas de final da UEFA Champions League: Basel 1x0 Bayern de Munique

Estádio St. Jakob Park, Basel

Árbitro: Nicola Rizzoli

Público 36.000

Gol: ’86 Stocker (Basel)

Basel: Sommer; Steinhofer, Abraham, Dragovic, Park; Shaqiri (Zoua), Huggel, Xhaka, F. Frei (Stocker); A. Frei (Cabral) e Streller. Téc.: Heiko Vogel

Bayern: Neuer; Rafinha, Boateng, Badstuber, Lahm; Tymoshchuk, Toni Kroos (Olic); Robben, Alaba, Ribery (Thomas Müller); M. Gómez. Téc.: Jupp Heynckes

23ª rodada do Campeonato Suíço: Basel 3x1 Luzern

Estádio St. Jakob Park, Basel

Árbitro: Patrick Graf

Público 30.261

Gols: ’28 Abraham, ’78 e ’81 A. Frei (Basel); ’68 Ohayon (Luzern)

Basel: Sommer; Steinhofer, Abraham, R. Kovac, P. Degen (Park); Stocker, Huggel (Yapi-Yapo), Cabral (Xhaka), F. Frei; A. Frei e Streller. Téc.: Heiko Vogel

Luzern: Zibung; Thiesson, Sarr, Puljic, Lustenberger; A. Wiss (Hyka); Nelson Ferreira, Renggli (Winter), Kukeli, Daniel Gygax (Ohayon); D. Lezcano. Téc.: Murat Yakin              

Final da Copa da Suíça: Basel 1(4)x 1(2) Luzern

Estádio De Suisse, Berna

Árbitro: D. Wermelinger

Público 30.100

Gols: ’55 Huggel (Basel); ’67 Puljic (Luzern)

Basel: Sommer; Steinhofer, Abraham, Dragovic (R. Kovac), Park; Shaqiri, Huggel (Yapi-Yapo), Xhaka, Stocker (Zoua); A. Frei e Streller. Téc.: Heiko Vogel

Luzern: Zibung; Stahel, Puljic, Sarr, Lustenberger; Wiss, Nelson Ferreira (Ohayon), Renggli, Hochstrasser (Gygax); A. Winter, D. Lezcano (Hyka). Téc.: Murat Yakin

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Craques das Copas: 1970 e 1978

No último post da série, tratei dos Craques das Copas de 1966 (Bobby Moore e Eusébio) e 1982, (Paolo Rossi e Rummenigge) nesta falo dos grandes destaques de 1970 e 1978, Pelé e Mario Kempes.




1970 – PELÉ

Ficha técnica

Nome: Édson Arantes do Nascimento

Data de nascimento: 23 de outubro de 1940

Local de nascimento: Três Corações (MG), Brasil

Carreira: Santos (1956-1974) e New York Cosmos (1975-1977)

Títulos: Campeonato Paulista (1958, 1960, 1961, 1962, 1964, 1965, 1967, 1968, 1969, 1973), Torneio Rio São Paulo (1959, 1963, 1964, 1966), Taça Brasil (1961, 1962, 1963, 1964, 1965), Torneio Roberto Gomes Pedrosa (1968), Taça Libertadores da América (1962 e 1963), Mundial de Clubes (1962 e 1963), Supercopa (1968), Recopa (1968), pelo Santos, NASL (1977), pelo Cosmos, Copa do Mundo (1958, 1962, 1970), pelo Brasil

O que falar do maior de todos os tempos? Como descrevê-lo? Completo? É pouco. Fenômeno? Insuficiente. A única forma de contar o que era Pelé é aceitar que ele foi mais do que qualquer outro. É incomparável. Genial, o eterno camisa 10 do Santos e da Seleção Brasileira, sabia fazer tudo. Tanto é assim, que é mais fácil listar as coisas que não fez (como um gol do meio-campo) do que o oposto. Era veloz com a bola e com o pensamento, possuía altivo trato da bola e grande capacidade de leitura de jogo sem ela. Sabia decidir. Marcava gols (seus 1.281 tentos não dão permissão para dizer o contrário). Sua estrela era tanta que, depois de deleitar os Santos,  só podia mesmo brilhar no Cosmos.

Nas palavras de João Almeida Moreira, escritor luso, “nunca vai morrer o jogador que se não tivesse nascido homem teria nascido bola (frase do saudoso Armando Nogueira) e cujo universo ultrapassa o futebol com o dos Beatles o da música ou o da Coca-Cola o das bebidas! Tem de ler a frase de seguida, sem vírgulas, porque a grandeza de Pelé não permite paragens ou hesitações, apenas um ponto de exclamação no fim. Pelé, aliás devia escrever-se Pelé!”

Não há como discordar do fato de que Pelé é o maior de todos. Até a FIFA e a revista France Football se renderam à grandeza do Rei do Futebol. Em Copas, porém, sua realeza só atingiu a máxima altivez em 1970. Em 1958, foi um fantástico membro da esquadra de Didi. Em 1962, machucou-se e, quase em um ato de solidariedade, permitiu ao mundo o encanto dos dribles de Garrincha. Em 1966, fracassou junto com seus companheiros. Inigualavelmente brilhante, sentia falta de, como estrela maior, levar o Brasil ao topo. Veio a Copa de 1970.

Flanqueado por grandes craques, figuras da estirpe de Gerson, Rivelino e Tostão, Pelé não foi o capitão do escrete, mas, tecnicamente o foi. Figurinha carimbada em todos os seis jogos da Seleção – seis vitórias, diga-se – foi, naturalmente, eleito o grande craque da competição. Quatro foram seus gols (um contra a Tchecoslováquia, dois contra a Romênia e um contra a Itália, na final), mas o gênio talvez tenha ficado mais marcado pelos tentos que não marcou: do centro do campo contra a Tchecoslováquia e dando um dos dribles mais fantásticos da história no fenomenal arqueiro polaco-uruguaio, Ladislao Mazurkiewicz.
A enormidade de seus feitos é tão expressiva que, até hoje, 43 anos desde o fim de sua trajetória com a Seleção, apenas Rivelino, Roberto Carlos e Cafu defenderam a amarelinha mais vezes que Pelé e, como se não bastasse, nem a existência dos fantásticos Romário e Ronaldo foi capaz de tomar-lhe a artilharia histórica da Seleção. Seus 95 gols, em 115 jogos, são, até hoje, inigualáveis. Pelé é inigualável.

Nascido para jogar futebol, o jogador que tudo fazia, sempre será o maior. A inesquecível Copa de 1970 – a primeira vista em cores no Brasil – consolidou o óbvio, para que não houvesse qualquer margem para duvidar do indubitável. Pelé é o maior jogador de futebol de todos os tempos, afinal, como o gênio holandês Johann Cruyff afirmou: “posso ser um novo Di Stéfano, mas não posso ser um novo Pelé. Ele é o único que ultrapassa os limites da lógica”, frase corroborada por Ferenc Puskas, comandante da inigualável Hungria de 1954: “o maior jogador de todos os tempos foi Di Stéfano. Eu me recuso a classificar Pelé como jogador. Ele está acima de tudo.

1978 – KEMPES

Ficha técnica

Nome: Mario Alberto Kempes Chiodi

Data de nascimento: 15 de Julho de 1954

Local de nascimento: Belle Ville, Argentina

Carreira: Instituto (1973), Rosario Central (1974-1976), Valencia (1977-1980), River Plate (1981), Valencia (1981-1984), Hércules (1984-1986), First Vienna (1986-1987), Sankt Polsten (1987-1990), Kremser SC (1990-1992), Fernández Vial (1995), Pelita Jaya (1996)

Títulos: Copa del Rey (1978-1979), UEFA Winner’s Cup (1980), UEFA Super Cup (1980), pelo Valencia, Campeonato Argentino (1981), pelo River Plate, Copa do Mundo (1978), pela Argentina

Líder da primeira  conquista Hermana, Mario Kempes era um centroavante que bem cabia na camisa 10 argentina. Artilheiro nato, que ficaria conhecido como El Matador, foi à sua primeira Copa com apenas 19 anos. No mundial de 1974, no qual sua Argentina terminaria com a oitava colocação, o já astro do Rosario Central jogou todos os jogos de sua Seleção, contudo, sem grande destaque, sem marcar gols. Parecia estar se guardando.

Rapidíssimo, e muito habilidoso, o cabeludo avançado albiceleste, tinha ótima condução de bola e sabia decidir sozinho um jogo. Não fazia o estilo “centroavante paradão”, muito pelo contrário. Evidentemente não foi monumental como Diego Maradona seria – inclusive ofuscando-o no mundial de 1982 – mas fez o que gerações argentinas aguardaram com imódica ansiedade: conduziu a Seleção Argentina ao título da Copa do Mundo, e mais do que isso. Levou a equipe ao título jogando em casa, algo que nem o excepcional Brasil de 1950 conseguira.

Artilheiro do Campeonato Espanhol nas últimas duas temporadas europeias que precederam o mundial de 1978, Kempes chegava ao torneio em ponto de bala. Terceiro maior artilheiro da história do Valencia, com 145 gols, marcara 52 gols nas duas últimas edições de La Liga. Com tal forma, não poderia ser diferente. O atacante teria de se assumir como a principal referência da equipe e o fez. Ainda que a camisa 10 lhe tenha chegado acidentalmente (tendo os números sido entregues na ordem alfabética), a mítica camisa parecia destinada a ele.

O curioso é que, em função de ter sido o único selecionável que atuava fora da Argentina e de o país viver uma forte ditadura militar, teve que ter sua convocação “explicada” pelo treinador César Luis Menotti, que, sucintamente, disse: “ele é forte, tem habilidade, abre espaços e chuta com força. Ele é um jogador que pode fazer uma diferença e pode jogar na posição de centroavante.” Outro fato curioso, mas um tanto mais folclórico, foi o de que, durante a Copa, enquanto manteve seu bigode o artilheiro não marcou. A dica de tirá-lo foi mais um dos valiosos toques do treinador.

Durante o mundial, Kempes passou a primeira fase em branco. Jogando na capital Buenos Aires, o craque demorou a despertar, mas, quando o fez, foi vital. Balançou as redes, pela primeira vez (e pela segunda) em Copas, na primeira partida da segunda fase, contra a Polônia dos craques Grzegorz Lato e Zbigniew Boniek (na sua Rosário). 2x0. Dois de Kempes. Contra o Brasil, voltaria a passar em branco, em um empate sem gols. Seus quatro tentos finais estavam bem guardados e seriam bem gastos. Primeiro na necessária (e suspeita?) goleada por 6x0 contra o Peru e depois na finalíssima contra a Holanda, dois em cada jogo, que lhe asseguraram a artilharia da Copa e o prêmio de melhor do torneio.

O hoje comentarista esportivo, foi ídolo no El Gigante, no Mestalla e no Monumental de Nuñez. Se sua grande categoria não basta para coloca-lo no patamar de Alfredo Di Stéfano, Maradona e Lionel Messi, seus feitos asseguram um lugar eterno na história do futebol argentino.