segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Um início inesperado no Espanhol

Muito reforçados, Real Madrid e Barcelona chegaram para a presente temporada mais favoritos do que nunca ao título espanhol. Conquanto o Atlético de Madrid seja o atual detentor do título sua reformulação não nos permitia colocar os Colchoneros no mesmo patamar da dupla Barça-Real. Todavia, o início da temporada não só confirmou um enorme equilíbrio, como também mostrou a força de outras equipes e um titubeio do atual campeão da UEFA Champions League.



Luis Enrique, Neymar e uma nova defesa: a nova cara do Barça

Qual foi o maior problema do Barcelona (talvez até mesmo o único, em certo tempo) de Pep Guardiola? As dificuldades aéreas de sua defesa, que, não raro, via-se em apuros quando atacada pelo ar. Sob a batuta de Luis Enrique (foto), outro antigo ídolo Culé, esses problemas não mais tem sido vistos, ao menos não com tanta frequência. Contestado quando de sua contratação, Jérémy Mathieu tem dado conta do recado na zaga Blaugrana, que até agora detém a incrível marca de zero gol sofrido em seis jogos.

Na outra ponta, o ataque, o clube continua mostrando um impressionante poderio. Já são 17 gols, média de 2,83 tentos por jogo, a segunda melhor do torneio, três gols atrás do Real. Muito desse desempenho deve-se ao fator Neymar, que, muito mais confortável no campo do que jamais estivera sob o comando de Tata Martino, tem dialogado excepcionalmente bem com Lionel Messi e tem mostrado o que dele se espera. Já tem seis gols em cinco jogos no Campeonato.

Outro ponto que merece ser ressaltado é a rápida adaptação de Ivan Rakitic ao esquema catalão. Segundo o site Whoscored, o croata tem apresentado um apuramento de 91% de seus passes, o que, considerando o nível de dificuldade de seus passes, muitas vezes longos, demonstram seu enorme impacto na equipe. Além disso, Rakitic é quem mais passa a bola no campeonato, com média de 87 toques por jogo.

Por fim, vale ressaltar a meteórica ascensão de Munir El Haddadi, outro fruto das Canteras do Barça, e de Sandro Ramírez, novas e úteis opções para Luis Enrique. Resta aguardar pela liberação de Luis Suárez e ver qual impacto o uruguaio trará.

Real sofre com a perda de Ángel Di María

Megalomaníaco, Florentino Pérez não ficou satisfeito com a conquista de La Décima e foi ao mercado de transferências, de forma bombástica, como é habitual no clube Merengue. Contestado, Iker Casillas ganhou nova sombra: Keylor Navas, arqueiro de excelentes reflexos e que vive o melhor momento de sua carreira.

Apesar disso, foi o meio-campo o setor do time do treinador Carlo Ancelotti que se viu mais modificado. Saíram Xabi Alonso e Ángel Di María e entraram Toni Kroos e James Rodríguez (foto). Se o alemão tem sido um perfeito sucesso até o momento, ditando o ritmo da equipe, o colombiano ainda não conseguiu mostrar o desempenho dele esperado e, mais do que isso, não tem conseguido impor a movimentação e intensidade de jogo que o argentino, seu antecessor, alcançava.

Em função dessa necessária adaptação à uma nova formação, o time tem oscilado. Embora tenha conseguido golear com autoridade Deportivo La Coruña e Elche, também perdeu para o rival Atlético (no Santiago Bernabéu) e para a Real Sociedad. Talento não falta a James, mas suas características são diferentes das de Di María e algum esforço está sendo feito para que o craque se encaixe e o Real alcance seu potencial máximo.

Atlético sofre modificações, mas segue muito forte

Do time campeão espanhol na temporada passada, o treinador Diego Simeone não conta mais com a segurança do goleiro Thibaut Courtois, com o poder de fogo de Diego Costa, David Villa e Adrián e com a regularidade de Filipe Luís. Além disso, reservas úteis como Diego, Toby Alderweireld e José Sosa também deixaram a equipe. Essas baixas poderiam demonstrar que a última temporada Colchonera não passara de uma realidade efêmera, de um só ano.

Todavia, o treinador argentino realizou um excepcional trabalho de reconstrução de seu elenco e a equipe segue muito bem. Para o ataque chegaram os velozes e habilidosos Alessio Cerci e Antoine Griezmann (foto), além do poderoso centroavante Mario Mandzukic. A lateral esquerda ganhou duas peças de boa qualidade, Cristian Ansaldi e Guilherme Siqueira e o gol recebeu duas competentes opções, Miguel Ángel Moyá, experiente e ex-Getafe, e Jan Oblak, jovem e ex-Benfica. Além destes nomes, outros como o do atacante Raúl Jiménez chegaram e aumentaram sensivelmente o número de opções de que dispõe Simeone.

Embora Cholo siga jogando a responsabilidade de vencer o campeonato para Barcelona e Real Madrid, as movimentações do time, o bom futebol e seus resultados têm deixado evidente que os Rojiblancos brigarão mais uma vez pelo título nacional.

Valencia, Sevilla e Celta surpreendem

Outrora forças importantes do futebol espanhol, Valencia e Sevilla, há muito não tem mostrado força para brigar pelo título nacional, o que traz tanta surpresa para a qualidade de seu início atual. O clube da Costa do Mediterrâneo foi vendido para Peter Lim, empresário de Singapura, e apostando no treinador português Nuno Espírito Santo, que fez belo trabalho no Rio Ave, na última temporada, tem conquistado resultados importantes e jogado belo futebol.

No momento, destacam-se, individualmente, o atacante Paco Alcácer, artilheiro da equipe, os meias André Gomes e Dani Parejo, que tem se mostrado excelentes criadores de jogo e também bons marcadores e o zagueiro Nicolás Otamendi.
Já o clube andaluz, que perdeu Rakitic para o Barça, fez contratações baratas e conseguiu muitas peças por empréstimo. No ataque, Carlos Bacca segue sendo um artilheiro implacável e novas opções de velocidade, como Gerard Deulofeu, Aleix Vidal e Denís Suarez, têm dado ótima movimentação à equipe, que segue segura atrás, sobretudo, após fechar em definitivo com Stéphane Mbia. Na criação, a principal esperança é o encaixe de Éver Banega, jogador de conhecida qualidade técnica e bom passe. Atual campeão da Europa League, é time para se manter sob observação.

Se Valencia e Sevilla surpreendem, o que dizer do Celta de Vigo, atual sexto colocado com o mesmo número de pontos do Real Madrid? Sem seu maior talento da última temporada, o brasileiro Rafinha, que retornou ao Barcelona, as principais referências de frente do time passaram a ser o habilidoso mais inconsistente Nolito e o argentino Augusto Fernández, que tem acertado uma média de 91,5% de seus passes por jogo.

Outros jogadores em quem o treinador Eduardo Berizzo – ex-jogador do clube – aposta são os chilenos Fabián Orellana e Pablo Hernández, este ex-comandado de Berizzo, no O’Higgins-CHI, atletas de boa movimentação e habilidade. Com opções leves, o clube galego pode causar muitos problemas durante a temporada.

É certo que dificilmente, o campeonato sairá das mãos de Barcelona, Real Madrid e Atlético de Madrid, mas a disputa por competições europeias promete ser ferrenha e estes clubes demonstraram capacidade para trazer problemas aos três favoritos. Além disso, antes do início do campeonato, quem poderia prever um início tão diferente e inusitado?

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Uma história diferente na Bundesliga

Possuidora de 145.000 habitantes (a 55ª maior cidade germânica) e dona do menor rio da Alemanha (com cerca de 4 quilômetros), Paderborn, cidade fincada a cerca de 100 Km de Dortmund e quem tem no Squash seu esporte mais destacado, começou a viver um sonho futebolístico esse ano.




Com mais de 107 anos de existência (mas, desde 1985, com a atual organização) sem sequer uma temporada na Primeira Divisão, o SC Paderborn 07 foi o segundo colocado na 2.Bundesliga 13-14 e garantiu seu passaporte para a realização de seu maior sonho, tornando-se o 53º time diferente a chegar ao escalão principal do futebol germânico. Paderborn, a cidade conhecida por apostar nas bicicletas como principal meio de transporte (como demonstram os 1.900 estacionamentos de bicicletas na Benteler Arena – estádio do Paderborn) e por sua calmaria, que proíbe a prática de partidas nas noites de sexta-feira, ganhou um novo e grande motivo para preferir a euforia à tranquilidade.

Depois de bater na trave na temporada 2011-2012, quando foi comandado por Roger Schmidt – recém-contratado pelo Bayer Leverkusen, após exitosa campanha pelo Red Bull Salzburg recheada de títulos e recordes –, e viver um temporada insossa em 12-13 – sob o comando de Stephan Schmidt, treinador jovem que chegara do Wolfsburg Sub-19 –, o clube contratou o ex-atacante alemão André Breitenreiter, outra jovem aposta, 40 anos, para conduzir a última temporada.

Sob seu comando, o clube adquiriu um estilo de jogo um pouco irresponsável, mas eficiente. O 2º melhor ataque da competição e a 12ª melhor defesa deixam clara a tônica do estilo de jogo ofensivo do Paderborn, capaz de vitórias incríveis como um 6x1 frente ao Fortuna Düsseldorf, fora de casa, e derrotas acachapantes como os dois 4x0 contra Energie Cottbus e Karlsruher. Individualmente, seu grande destaque foi Elias Kachunga (foto) atacante criado pelo Borussia Mönchengladbach e com passagens pelas Seleções de Base da Alemanha, nos escalões Sub-17, 18, 19, 20 e 21.

As 10 assistências e seis gols do atacante alemão de origens congolesas não fizeram dele o maior artilheiro da equipe, cargo entregue à Mahir Saglik e Alban Meha (autores de 15 e 12 gols, respectivamente), mas o tornaram o jogador mais perigoso da equipe. O que, certamente, verifica-se nesta temporada. Com cinco rodadas da Bundesliga disputadas, o clube somou oito pontos e ocupa a sétima posição na tabela, três pontos atrás do líder, o Bayern de Munique, muito disso em função dos três gols de Kachunga.

O mais interessante é que, não fosse a última partida, derrota por 4x0 para o próprio Bayern, o clube poderia estar na liderança, condição que viveu na quarta rodada, após vencer o Hannover e fazer história com um belo e inesperado gol de Moritz Stoppelkamp, em chute há 83 metros de distância do gol.

Sem um orçamento relevante ou grandes estrelas, o Paderborn vai marcando sua primeira passagem pela Primeira Divisão positivamente. Segundo o site Transfermarkt, seu elenco vale 22,35 milhões de euros, aproximadamente 4% do valor da equipe do Bayern de Munique ou 6,5% em relação ao Borussia Dortmund, segundo a mesma fonte. Nem esta enorme barreira está sendo capaz de impedir a realização de uma boa campanha pelo clube, que, inclusive, bateu o tradicionalíssimo Hamburgo, por 3x0, fora de casa.


Poderá resistir até o final? Não há como precisar. Mas, da mesma forma, ninguém em sã consciência apostaria que o modesto e destemido Paderborn traria, tão rapidamente, seu impacto, mostrando suas cartas. A sétima colocação e o gol há 83 metros de distância indicam que não se deve duvidar do time.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Fulham vive um inferno sem fim

Time tradicional no cenário inglês e, nos últimos tempos, um dos mais estáveis dentre os clubes médios, o Fulham, desde o vice-campeonato da Europa League, em 2010, encontra-se em queda livre. O que não se esperava era uma descida tão brusca como a que tem se desenhado nessa temporada, na Segunda Divisão. Desmanchado e absolutamente sem qualquer cara, o dono do charmoso estádio Craven Cottage tem que se cuidar para não descer ainda mais.




Desde a perda do sonho continental, na final da Europa League da temporada 2009-2010 (foto), contra o Atlético de Madrid de Diego Forlán e Kun Agüero, o clube viu-se em uma constante queda. A princípio, considerando ser o clube londrino uma força de médio potencial, não foi de se estranhar sua oscilação, mas, o fracasso mais recente, na última temporada, com muitos investimentos – que, ao menos teoricamente, foram boas apostas – deixou clara a existência de um problema no time.

colocado, no Campeonato Inglês, em 2010-2011; em 2011-2012; 12º em 2012-2013; e 19º em 2013-2014, o Fulham protagonizou uma trajetória que mostra uma queda indiscutível. Nesse percurso, há um fato que, indubitavelmente, teve seu reflexo no time: a venda do clube. Apesar da notória evolução do time sob a direção do egípcio Mohamed Al Fayed, que comprou o clube em 1997, quando o Fulham encontrava-se na Terceira Divisão, e o transformou em uma equipe extremamente estável – conquistando, inclusive, a UEFA Intertoto em 2002 – sua relação com os torcedores nunca foi estável e, no início da última temporada, o clube foi vendido ao paquistanês Shahid Khan.

Apesar dos resultados, Fayed ficou marcado por ser uma figura controversa e por ter colocado uma estátua de Michael Jackson (foto) no estádio, em 2011, algo que os torcedores entenderam como uma mácula ao histórico Craven Cottage e que nunca perdoaram.

No olho do furacão, a temporada 2013-2014 começou com contratações de impacto. Selecionáveis, o goleiro holandês Maarten Stekelenburg e o volante inglês Scott Parker, chegaram como soluções. Além deles, o bom zagueiro Fernando Amorebieta, que vinha de temporadas bem sucedidas pelo Athletic Bilbao, e o forte centroavante Darren Bent, dentre outros, chegaram. Apesar disso, a temporada apresentou-se, desde o início, duríssima. Mal na tabela, o clube ainda contratou bons jogadores na janela de inverno.

O excelente centroavante grego Konstantinos Mitroglou, o ídolo Clint Dempsey, o experiente zagueiro Johnny Heitinga e o jovem e talentoso Lewis Holtby foram algumas novidades, que, contudo, nada conseguiram fazer. Durante a temporada, treinadores foram três: Martin Jol, René Meulensteen e Felix Magath. O inevitável rebaixamento veio e, com ele, suas consequências e drásticas mudanças.

Ashkan Dejagah, Pajtim Kasami, Mitroglou, David Stockdale, Damien Duff, John Arne Riise, o ex-capitão Brede Hangeland, Steve Sidwell, Heitinga, Georgios Karagounis e Stekelenburg são apenas alguns nomes que deixaram o clube. Dentre as novidades, pouco entusiasmantes, chamam a atenção o retorno de empréstimo do costarriquenho Bryan Ruiz e a compra do centroavante escocês Ross McComarck (foto), autor de 28 gols na última edição da Championship (pelo Leeds United) e de apenas dois nos oito jogos do time na temporada atual. Aliás, esse é o menor dos problemas. Nestes oito encontros, o Fulham somou um ponto e amarga a lanterna do campeonato, flertando com a Terceira Divisão.

Fayed se foi e com ele se foram os anos de estabilidade dos Cottagers. E o pior: o torcedor do Fulham ainda é obrigado a conviver com o enorme sucesso de seu grande rival, o Chelsea. Hoje, já é possível delimitar eras na história do clube: pode-se falar em “Era pré-Fayed”, “Era Fayed” e “Era pós-Fayed” e como um filho arrependido, o torcedor do Fulham deve ter um pensamento inquietante em sua mente: “eu era feliz e não sabia”. E tudo ainda pode piorar. Seguindo nessa trilha, o Fulham tem tudo para descer ainda mais, tornando o que parecia impossível de se pensar em 2010, a mais pura e infernal realidade do clube. 
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