quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Ainda que breve, início de D. Costa surpreende até quem apostou em seu sucesso

O Bayern de Munique anunciou a contratação de Douglas Costa pouco após a eliminação da Seleção Brasileira da Copa América, ocasião em que o atleta desperdiçou uma cobrança penal. Com o mal momento da Canarinho e o fato de Douglas atuar no obscuro futebol ucraniano, o público brasileiro recebeu com muita estranheza e descrédito a notícia da negociação do brasileiro com uma equipe do porte do clube bávaro. Pouco depois, após poucas partidas, Douglas surpreende com seu desempenho.



Certamente, durante a última temporada, Pep Guardiola sentiu a falta de um atleta com características e posicionamento semelhantes ao dos de suas grandes estrelas: Franck Ribery e Arjen Robben. Com a saída de Xherdan Shaquiri para a Internazionale, o Bayern ficou carente em seu elenco e sofreu em ocasiões cruciais, como na eliminação da UEFA Champions League, contra o Barcelona.

Faltava um jogador com velocidade e imprevisibilidade e o treinador espanhol viu em Douglas Costa a resposta para o preenchimento dessa lacuna. Vale a lembrança de que José Mourinho também tentou levar o brasileiro para o Chelsea.

Mesmo assim, um histórico nublado no Shakhtar Donetsk não acabou com a dúvida do público. Era preciso que o winger mostrasse futebol onde ele realmente importa: dentro das quatro linhas, o que rapidamente o atleta vem conseguindo.

Atuando como titular da equipe alemã, que não tem podido contar com Ribery, que está lesionado, Douglas começou com tudo a sua trajetória na nova equipe. Após chamar atenção nas partidas amistosas do Bayern, o brasileiro entrou com tudo na Bundesliga. Em dois jogos, Douglas marcou um gol, proveu duas assistências e participou diretamente de outro tento bávaro. Algumas de suas estatísticas comprovam o seu bom início. 



O atleta acertou 83% de seus passes e conseguiu 71% de acerto nas recuperações de bola que tentou, o que demonstra a sua adesão à mentalidade coletiva bávara. Além disso, finalizou nove vezes (sendo o terceiro que mais vezes bateu a gol na Bundesliga), cinco de dentro da área e quatro de fora, o que deixa claro que o brasileiro não sentiu o peso da camisa do Bayern e se adaptou muito rapidamente.

A antes inimaginável titularidade da cria do Grêmio no mais vencedor dos clubes alemães começou a tomar contornos de realidade, pois embora o atleta tenha conseguido um lugar no onze inicial de Guardiola apenas em função da lesão do francês Ribery, seu desempenho vem sendo bom e tem chamado a atenção pela consistência e por estar sendo decisivo.



"O Bayern fez uma ótima aquisição com o jovem Douglas Costa. Ele pode jogar tanto pela ponta direita quanto pela esquerda. Ele tem a visão necessária para ter sucesso jogando centralizado também. Nos próximos dias, ele vai receber um monte de elogios pelo seu desempenho, mas é o nosso trabalho ajudá-lo a permanecer com os pés no chão", disse o treinador.


É prematuro constatar se o atleta dará certo e fará valer os €30 Milhões gastos em sua contratação, mas é certo que até o mais otimista dos brasileiros e torcedores do Bayern não acreditava que o jogador se encaixaria como uma luva no time tão precocemente.

Aos 24 anos, o habilidoso atleta dá mostras de evolução como profissional, tendo agregado novas qualidades - coletivas na sua maioria.

Tem valido a pena acompanhar o futebol de Douglas Costa. Em breve poderemos tirar algumas conclusões mais concretas sobre o negócio, e até lá resta-nos acompanhar os passos de um jogador cuja transferência gerou desconfianças e críticas e que, em seu início de trajetória, vem surpreendendo a todos, até os que acreditavam em seu futebol.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Paciente e veloz, Manchester City começa bem a temporada

Na temporada 2014-2015, a Premier League contou com um início avassalador do Chelsea, que com a criatividade de Cesc Fàbregas, o poder de Diego Costa e a evolução de Eden Hazard praticamente liderou a competição de ponta a ponta. Nas primeiras três rodadas, os Blues conquistaram três vitórias, com direito a um fantástico 6x3 contra o Everton. Em 2015-2016, o time que assumiu esse posto foi o Manchester City, que venceu West Bromwich e Chelsea, por 3x0, e o Everton, por 2x0. Com oito tentos marcados e nenhum sofrido, os Citizens vêm mostrando grande futebol. Será que o time é capaz de repetir os feitos do Chelsea?


Muito criticado, sobretudo em função de suas fracas participações na UEFA Champions League (que vêm sempre sendo azaradas, com sorteios trágicos), o treinador Manuel Pellegrini viveu um tempo de grande incerteza entre os meses de maio e julho. Embora tenha conquistado a Premier League e a League Cup em 2013-2014, o chileno gastou muito dinheiro na formulação do time para 2014-2015 e não obteve êxitos. Além disso, com a incerteza acerca do futuro de Pep Guardiola no Bayern de Munique, os rumores de sua saída foram intensificados.

As chegadas de Eliaquim Mangala, Fernando e Wilfried Bony não foram de grande valia no último campeonato. Além disso, jogadores como Edin Dzeko, Stevan Jovetic tiveram desempenho muito abaixo do esperado, sobretudo em função de lesões, o capitão Vincent Kompany fez uma temporada ruim e o time foi extremamente dependente de Yaya Touré. No fim das contas, Pellegrini recebeu um voto de confiança da direção do City e teve seu contrato renovado até o final da temporada 2016-2017.

Com o ânimo novo, Pellegrini fez uma avaliação muito precisa de seu elenco. Quando Kompany estava em má forma, não havia substitutos à altura. Mangala não passava confiança e tampouco Martín Demichelis o fazia. Assim, o time gastou. Após temporada soberba no Valencia, registrando partidas memoráveis contra Barcelona e Real Madrid, Nicolás Otamendi (foto) chegou ao Etihad Stadium por £31 Milhões e com a promessa de pôr fim à insegurança na defesa do City.

Leia também: De patinho feio a referência: a trajetória de Otamendi

Outro ponto explorado pelo treinador foi a falta de imprevisibilidade de suas opções ofensivas. Embora sejam habilidosos e passem bem a bola, Samir Nasri e David Silva não combinam velocidade e drible, características muito importantes na desconstrução das defesas adversárias. Essa figura poderia ser Jesús Navas, mas o espanhol tem se insinuado menos em relação aos tempos de Sevilla. Com isso em mente, o chileno buscou Raheem Sterling, pela milionária cifra de £43 Milhões. Além do impacto trazido pela qualidade do jogador, outro reflexo esperado é a evolução de Silva, que terá mais um jogador de velocidade para servir, e de Nasri, que terá que se mostrar mais regular para conseguir uma vaga no time titular.

É evidente que os valores dispendidos assombram, mas, ao menos, os negócios deverão se mostrar cirúrgicos, uma vez que não são meras transações milionárias feitas por um dirigente megalomaníaco, mas sim um fortalecimento do elenco, que se desfez de jogadores como Dzeko e Jovetic, além de ter feito caixa com as vendas de Álvaro Negredo, Matija Nastasic e Karim Rekik, que já não integravam o elenco.

Além disso, para a posição de Touré, que eventualmente terá problemas e não poderá atuar, chegou Fabian Delph (foto) um dos jogadores ingleses que mais evoluíram nas últimas duas temporadas, chegando à Seleção Inglesa. Delph destaca-se pela movimentação e intensidade que agrega ao time, justamente as características mais importantes do marfinense. Para mais, o City tem agora um jogador que dá outras possibilidades, pois Delph pode atuar de diversas formas na faixa central do meio-campo. Diferentemente dos outros, este teve valor mais módico: £8 Milhões.

Confira: A grande chance de Delph

De plano já se pode dizer: Sterling (foto) chegou, vestiu a camisa do clube e ganhou a titularidade. Otamendi ainda aguarda a liberação de sua licença de trabalho e deverá ser titular – embora Mangala faça um início formidável de temporada – e Delph é uma opção que deverá ser muito utilizada durante a temporada. Apesar dos gastos, o mercado do City foi sólido e os resultados estão sendo vistos em campo.

Com o ingresso de Bacary Sagna na lateral-direita, que possui características mais defensivas que Pablo Zabaleta, o titular da última temporada, o lateral-esquerdo Aleksandar Kolarov ganhou liberdade para atacar e tem feito uma “dobradinha” excelente com Sterling. O bom Branislav Ivanovic, lateral-direito do Chelsea, sofreu como nunca quando enfrentou a dupla. Outro ponto interessante, é a função mais cerebral que David Silva tem desempenhado, afirmando mais uma vez seu grande forte: o passe.

Leia mais: O pragmático e mau início do Chelsea

Outras observações pertinentes são os crescimentos técnicos de Mangala (foto) e Fernandinho. O brasileiro tem sido um leão à frente da defesa dos Citizens, com bom posicionamento e boa saída de bola, nada semelhante àquele jogador que disputou a Copa América com a camisa da Seleção Canarinho.

Com três rodadas disputadas, o City tem o melhor ataque e a melhor defesa da Premier League e mostra um estilo envolvente. Os meio-campistas não se desfazem da bola, mas a maturam de forma objetiva, construindo ataques perigosíssimos e explorando a velocidade de Sterling, Navas e Agüero. Coletivamente, o time acertou 69% dos chutes ao gol (melhor índice até o momento), tem o melhor percentual de acerto de passes, com 88%, é o clube que mais vezes passes acertou, com 1417 e o segundo que mais chances de gol criou (atrás do surpreendente Swansea).

O Manchester City manteve Manuel Pellegrini e confiou no comandante para fazer novas e caras contratações. Até o momento está valendo a pena. O time começou bem e, enquanto os rivais ainda se acertam, os Citizens já começaram a acumular a famosa “gordura”. É prematuro tirar conclusões, mas é certo que o clube brigará pelo título - com grandes chances de êxito.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Times de que Gostamos: Montpellier 2011-2012

Após contar um pouco sobre o Celtic, primeiro campeão britânico da UEFA Champions League, trato sobre um time recente que surpreendeu: o Montpellier da temporada 2011-2012 que saiu da Ligue 2 para, em pouco tempo, conquistar a Ligue 1.


Em pé: Utaka, El Kaoutari, Mbiwa, Giroud, Bedimo, Pitau;
Agachados: Jourdren, Bocaly, Belhanda, Cabella, Dernis.

Time: Montpellier

Período: 2011-2012

Time Base: Jourdren; Bocaly, Hilton, Yanga-Mbiwa, Bedimo; Saihi (Stambouli), Estrada (Marveaux); Camara (Cabella), Belhanda, Utaka; Giroud. Téc.: René Girard

Conquista: Campeonato Francês


O início da segunda década do presente século trouxe novas e inesperadas emoções ao futebol francês. Primeiramente, com o time do Lille, então treinado por Rudi García e que contou com a excelente forma de jogadores como Yohan Cabaye, Gervinho e, principalmente, de Eden Hazard, e posteriormente com o Montpellier. Se em 2011 o Lille conquistou seu primeiro título francês desde o longínquo ano de 1954, em 2012 o Montpellier sagrou-se campeão pela primeira vez.

Comandado por René Girard, que assumiu o clube após uma longa passagem como treinador de equipes de base da França, o MHSC montou uma equipe equilibrada e muito talentosa. Com um esquema 4-2-3-1, o time tinha peças com distintos estilos de jogo e bem capacitadas. Além disso, no comando do ataque, Olivier Giroud viveu temporada fantástica, tendo sido, ao lado do brasileiro Nenê, o artilheiro máximo da Ligue 1, com 21 tentos.

No gol, havia a presença de Geoffrey Jourdren (foto), que ainda hoje defende o clube. Atualmente o nono jogador que mais vezes defendeu-o, com 271 jogos, o arqueiro é uma bandeira do clube. Curiosamente, é baixo para os padrões atuais, com 1,81m, mas destaca-se como um goleiro veloz, com bons reflexos e ótima elasticidade. Na temporada 2011-2012, Jourdren disputou 35 partidas e conseguiu a importante marca de 15 clean sheets. Com passagens pelas Seleções Francesas Sub-16, 17, 18, 19, 20 e 21, nunca atuou pela principal.

As laterais possuíam dois jogadores de características mais conservadoras. Pela direita, Garry Bocaly, outro atleta com extenso currículo nas seleções de base da França, viveu na vitoriosa temporada 2011-2012 sua melhor  no Montpellier. Em 37 partidas, proveu quatro assistências – durante as outras 93 só criou uma assistência – e foi um dos jogadores mais regulares da campanha. Do lado esquerdo, o titular era Henri Bedimo, outro jogador sem grandes diferenciais, mas muito regular. Em 2011-2012, disputou 41 jogos, marcou um gol e proveu quatro assistências. Enquanto Bocaly era opção para a zaga central, Bedimo era possibilidade para o meio e o ataque, como winger, sempre pelo flanco canhoto.

zaga – a melhor do campeonato francês  e um dos setores mais fortes do time , era composta pela juventude de Mapou Yanga-Mbiwa (foto) e pela experiência do brasileiro Hilton. Apesar da pouca idade, 22 para 23 anos, o primeiro foi extremamente sólido, tendo sido o capitão do time e um dos maiores destaques. Com “apenas” 1,84m foi peça-chave no sucesso do time, mostrando rapidez e boa técnica. Já Hilton, que à época já havia atingido os 34 anos, foi igualmente importante. Baixo, assim como seu companheiro (1,82m), tinha ótima noção de cobertura e muita força física. Ambos marcaram um gol durante a temporada.

À frente da defesa, com a missão de protegê-la, a dupla de volantes formada pelo tunisiano Jamel Saihi (que ainda hoje atua no Montpellier) e o chileno Marco Estrada mostrou muita sintonia e eficiência. O primeiro era mais duro na marcação, enquanto o segundo tinha mais categoria na saída de bola e a distribuía com mais eficiência. Canhoto, o sul-americano era ainda o responsável pelas bolas paradas e possuía um venenoso chute de média distância. Além dos dois, o técnico René Girard usou muitas vezes o então garoto Benjamin Stambouli (que também atuou na zaga) e o experiente Joris Marveaux (que segue no clube), ambos fortes marcadores.

Leia também: Times de que Gostamos: Lille 2010-2011

Versátil e veloz atacante, Souleymane Camara, quinto jogador que mais vestiu a camisa do Montpellier na história, terceiro maior artilheiro e outro nome que ainda hoje defende a equipe francesa, foi o ponta pelo lado direito da equipe em 2011-2012. Na campanha da Ligue 1, disputou 33 jogos, marcou nove gols e concedeu sete assistências. Com qualidade na maioria dos fundamentos necessários a um atacante, o senegalês foi importantíssimo para o título.

Pela faixa central do meio-campo ofensivo, o jovem marroquino Younes Belhanda (foto) foi quem ditou o ritmo da equipe. Com muita habilidade, visão de jogo e qualidade para se aproximar do ataque, o camisa 10 foi o maestro da equipe, flutuando por todo o setor ofensivo. Terminou a vitoriosa temporada como vice-artilheiro da equipe, com 13 gols e seis assistências, em 31 jogos.


Como winger pelo lado esquerdo, o nigeriano John Utaka foi a grande referência. Outro atleta dotado de grande velocidade e destacada habilidade, o africano viveu uma das fases mais constantes e consistentes de sua carreira no Montpellier. Forte no um-contra-um, era quem dava uma boa dose de imprevisibilidade à equipe. No ano, jogou 40 jogos, marcou oito gols e proveu quatro assistências.

Embora o trio formado por Camara, Belhanda e Utaka fosse a opção mais utilizada para a linha dos meio-campistas de Girard, havia outras duas opções de muita qualidade no elenco: o garoto Rémy Cabella (foto) e o experiente Geoffrey Dernis, que sofreu alguns problemas de lesões que o impediram de atuar mais durante a campanha. O habilidoso Cabella foi opção a Camara e Belhanda, sendo utilizado com grande frequência. Por sua vez, o canhoto e bom finalizador Dernis foi muito escolhido pelo lado esquerdo, na vaga de Utaka.

No comando do ataque (o segundo melhor do campeonato, atrás apenas do PSG), Olivier Giroud (foto) foi absoluto. Alto, forte fisicamente e dono de uma boa finalização de perna esquerda, o francês está longe de ser um craque, mas viveu ano iluminado em 2011-2012. De todos os jeitos, Giroud marcou gols. De cabeça, canhota, direita, em rebotes, de pênalti e de fora da área. No total, o artilheiro do Montpellier na temporada marcou 25 gols e criou 12 assistências, em 42 jogos.

Responsável pela montagem do time, René Girard construiu uma equipe extremamente equilibrada com custo muito baixo. Havia força, mas havia técnica, havia drible, mas havia velocidade. O Montpellier da temporada 2011-2012 deu, acima de tudo, uma lição de jogo coletivo. Quem foi o grande destaque individual da equipe? Difícil apontar, uma vez que cada jogador só alcançou seu desempenho porque o restante contribuiu de forma extremamente eficaz. A prova do sucesso do time foi o êxodo dos jogadores, que se seguiu, nas temporadas 2012-2013 e 2013-2014.

Ficha técnica de alguns jogos importantes nesse período:

2ª rodada do Campeonato Francês: Lille 0x1 Montpellier

Estádio Nord Lille Métropole, Lille

Árbitro: Ruddy Buquet

Público 16.304

Gol: ’71 Giroud (Montpellier)

Lille: Landreau; Debuchy, Chedjou, Basa, Béria (Souaré); Mavuba, Balmont, Obraniak (Rodelin); Pedretti (Payet), Sow, Hazard. Téc.: Rudi García

Montpellier: Pionnier; Bocaly, Hilton, Mbiwa, Bedimo; Saihi, Estrada; Dernis (Camara), Belhanda, Utaka; Giroud. Téc.: René Girard

20ª rodada do Campeonato Francês: Lille 1x0 Lyon

Estádio La Mosson, Montpellier

Árbitro: Stéphane Lannoy

Público 18.889

Gol: ’62 Giroud (Montpellier)

Montpellier: Jourdren; Bocaly, Hilton, Mbiwa, Bedimo; Stambouli (Estrada), Marveaux; Dernis (Koita), Cabella, Utaka (Ait Fana); Giroud. Téc.: René Girard

Lyon: Lloris; Fofana, Gonalons, Umtiti, Kolodziejczak; Kallstrom, Grenier, Ederson (Lacazette), Michel Bastos; Briand (Pied) e Lisandro López. Téc.: Rémi Garde

24ª rodada do Campeonato Francês: PSG 2x2 Montpellier

Estádio Parc des Princes, Paris

Árbitro: Tony Chapron

Público 44.398

Gols: ’41 Alex e ’88 Hoarau (PSG); ’45 Belhanda e ’82 Utaka (Montpellier)

PSG: Sirigu; Bisevac, Alex (Lugano), Sakho, Maxwell; Motta, Sissoko, Matuidi (Pastore); Ménez, Gameiro (Hoarau) e Nenê. Téc.: Carlo Ancelotti

Montpellier: Jourdren; Bocaly, Hilton, Mbiwa, Bedimo; Saihi (Marveaux), Estrada (Stambouli); Camara, Belhanda (Cabella), Utaka; Giroud. Téc.: René Girard

37ª rodada do Campeonato Francês: Montpellier 1x0 Lille

Estádio La Mosson, Montpellier

Árbitro: Fredy Fautrel

Público 27.649

Gol: ’90 Ait Fana (Montpellier)

Montpellier: Jourdren; Bocaly, Hilton, Mbiwa, Bedimo; Saihi, Stambouli; Camara (Ait Fana), Cabella, Utaka; Giroud. Téc.: René Girard

Lille: Landreau; Debuchy, Chedjou, Basa, Digne; Mavuba, Balmont (G. Bruno), Pedretti (Joe Cole); Payet (Roux), Túlio de Melo, Hazard. Téc.: Rudi García

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

O pragmático e mau início do Chelsea

Ao longo da especial carreira de José Mourinho, muitos adjetivos foram atribuídos à pessoa do português. Dentre palavras de indistinto caráter positivo ou negativo, uma, em especial, tem interpretação aberta, já tendo sido usada tanto de forma elogiosa quanto pejorativa em relação ao Special One: o pragmatismo. Na pele da Internazionale, por exemplo, Mou montou uma equipe vencedora com essa característica. Por outro lado, no Real Madrid ela foi bem menos eficaz e gerou grande atrito com o elenco. Após uma temporada vitoriosa no Chelsea, o pragmatismo ataca novamente e, no início da presente temporada, de forma negativa.



Mais marcação e individualidade, menos criatividade

Ao final da última temporada, Mourinho chegou a afirmar sua crença na evolução técnica de Oscar, revelando esperar que o atleta consiga atingir um pico de crescimento semelhante ao que Eden Hazard conseguiu na temporada 2014-2015. No entanto, para isso o brasileiro terá que ter mais liberdade no campo, explorando mais a sua veia criativa em relação a sua aplicação tática. O que não foi exatamente visto nas partidas da pré-temporada e na estreia da Premier League, contra o Swansea.

"Tenho o pressentimento de que o Oscar vai ter a mesma evolução que Hazard teve neste ano, na próxima temporada. Ele nunca teve uma pré-temporada na sua vida (...) Mas agora vai ter, exatamente por estar lesionado e não poder jogar a Copa América", disse Mourinho em maio deste ano.

Além disso, o jogador deve rivalizar com Ramires por uma vaga no time titular, o que em nada agrada ao torcedor dos Blues. Isso foi visto na final da FA Community Shield e na última partida, contra o Manchester City (vale a ressalva de que Oscar não foi opção para o último encontro em função de lesão). Ramires não apresenta recursos técnicos que acrescentem algo ao setor ofensivo do Chelsea, deixando-o mais destruidor, aumentando as dificuldades para desmontar as defesas adversárias e diminuindo o fomento à Diego Costa.

Além disso, nas partidas iniciais, Willian e Eden Hazard até têm promovido interessantes trocas de posição, mas têm apresentado um jogo muito individualista, que não vem tendo resultado prático. Apesar disso, esse tipo de atitude não é exatamente estranha ou condenável, uma vez que ambos são melhores na condução da bola do que na distribuição da mesma. Falta um atleta com essas capacidades - poderia ser Oscar.

A experiência prática também já deixou claro que Cesc Fàbregas não é essa figura. O jogador espanhol atua com muito mais eficiência no setor de construção inicial, descendo até a defesa e iniciando as tramas do clube londrino. Fàbregas foi utilizado como camisa 10 durante a temporada passada, mas nunca foi o mesmo.

O curioso é a falta de interesse na contratação de alguém com o perfil do criador. Alguns nomes com os de Isco e Koke (foto) até foram especulados no clube, mas as especulações que têm sido mais trabalhadas são as de jogadores de defesa, com a contratação recente de Baba Rahman e a tediosa novela envolvendo o zagueiro John Stones. 

As demais opções que o Chelsea tem para o setor - Juan Cuadrado, Victor Moses, Bertrand Traoré e Kenedy (que ainda não assinou contrato oficialmente) - primam mais pela individualidade do que pela criatividade, não preenchendo a lacuna do elenco azul e confirmando que nesse momento o estilo de jogo do Chelsea é baseado em marcação e individualidade e carente em criatividade.

Os rivais se reforçaram, o Chelsea estagnou

Sendo criatividade a palavra em foco é clara a vantagem dos rivais do Chelsea. No Arsenal, ainda que não sejam tão constantes, Mesut Özil e Santi Cazorla são atletas criativos e donos de qualidade grande na distribuição de bola. Já o Manchester City tem David Silva, cuja performance tende a melhorar com a parceria com Raheem Sterling, e busca a contratação de Kevin De Bruyne, belga desprezado pelo Chelsea. 

O Liverpool tem Philippe Coutinho e Roberto Firmino (brasileiro que mais assistências proveu nas últimas duas temporadas considerando as principais ligas europeias) e o Manchester United os espanhóis Ander Herrera e Juan Mata, que, embora atue pelo flanco, tem ótima visão de jogo e distribui muito bem a bola.

Além disso, todos os clubes fizeram boas contratações. O Arsenal conta agora com Petr Cech para a meta; o City tem Fabian Delph para o meio-campo e Sterling para o ataque; o Liverpool trouxe os bons e regulares Nathaniel Clyne e James Milner, além do forte Christian Benteke; e o United trouxe uma dupla de meio-campistas fortíssima, com Bastian Schweinsteiger e Morgan Schneiderlin, o lateral Matteo Darmian, e o winger Memphis Depay.

Por sua vez, o Chelsea apenas trouxe peças de reposição. Para o gol que perdeu Cech chegou Asmir Begovic; o ataque conta com Falcao García na vaga de Didier Drogba; e a lateral-esquerda alinha Baba Rahman (foto) no lugar de Filipe Luís. O fato de ter sido a melhor equipe da última edição da Premier League deveria ter estimulado o Chelsea a continuar crescendo, até mesmo porque os rivais vieram mais fortes para 2015-2016. Todavia, até agora o clube não trouxe novidades capazes de encorpar o elenco com qualidade, melhorando-o.

O time titular do Chelsea 2015-2016 é o mesmo da temporada 2014-2015. Seus fortes já foram exaustivamente trabalhados pelos treinadores rivais e o time tem mostrado um estilo de jogo previsível. Por vezes acusado de jogar pelo resultado, usando de quaisquer meios, Mourinho nem isso tem conseguido no início dessa nova campanha - o jogo tem sido pouco criativo e pouco eficaz. Considerando amistosos, o Chelsea disputou sete partidas, empatando três e perdendo quatro. Os rivais se reforçaram e o Chelsea estagnou.

O time precisa pensar em seu futuro

Duas realidades rapidamente percebidas no início da temporada foram o declínio físico e, consequentemente, técnico de John Terry e Branislav Ivanovic (foto). É evidente que, no caso da dupla, a piora pode se dar em função do pouco tempo de treinamento, com uma pré-temporada curta (o que poderia ser corrigido durante a temporada), mas, mesmo assim, os jogadores já não são garotos. 

Terry completará 35 anos ao final de 2015 e Ivanovic fez 31 anos. É certo que para que mantenham altos padrões de atuação por mais algum tempo, os atletas precisarão de substitutos eventuais, para serem preservados. 

Noutro giro, com o inevitável declínio físico que decorre dos anos, o lateral-direito poderia considerar a possibilidade de retornar ao miolo de zaga. Não obstante, com a chegada de Baba Rahman, César Azpilicueta volta a ser opção pela ala direita também, diminuindo a carga sobre o sérvio.

A questão é que com seis membros para a defesa, o clube dificilmente viverá uma temporada tranquila. Reforços na defesa são necessários e John Stones (foto), que atua tanto na zaga como na lateral-direita, realmente aparenta ser o reforço perfeito, apesar do preço alto que tem sido especulado. É muito difícil imaginar que, em 2015-2016, Terry e Ivanovic jogarão tantas partidas quanto na última temporada. 

Havia opções boas no próprio elenco, como os garotos Andreas Christensen, Tomás Kalas e Nathan Aké, mas o clube preferiu emprestá-los, buscando garantir-lhes mais experiência. Talvez fosse melhor ter mantido ao menos um deles.

Ainda estamos no início da temporada, mas a preocupação já permeia o íntimo dos torcedores azuis. Faltam pouco mais de 10 dias para o fechamento da janela de transferências europeias e o treinador José Mourinho ainda poderá buscar peças para o elenco, o que poderia reverter esse quadro a tempo de permitir ao clube uma temporada de sucesso. Resta-nos aguardar os atos finais do mercado.
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