quarta-feira, 23 de abril de 2014

Times que Gostamos: Everton 1984-1985

Na última semana, contei um pouco do que o melhor Benfica de todos os tempos mostrou ao mundo. Nesta, lembro o último grande time do Everton, o da temporada 1984-1985.


Em pé: Mountfield, Andy Gray, Trevor Steven, Graeme Sharp,Kevin Sheedy, Van Den Hauwe
Agachados: Gary Stevens, Southall, Ratcliffe, Bracewell, Peter Reid.



Time: Everton

Período: 1984-1985

Time base: Neville Southall; Gary Stevens, Derek Mountfield, Kevin Ratcliffe, Van Den Hauwe; Peter Reid, Paul Bracewell, Trevor Steven, Kevin Sheedy; Graeme Sharp e Andy Gray. Téc. Howard Kendall

Conquistas: Campeonato Inglês, FA Charity Shield e European Winner’s Cup.


Provavelmente o Everton mais vencedor de todos os tempos, o time da temporada 1984-1985 apresentava um estilo de jogo bem “inglês”, com um esquema tático 4-4-2 típico. Com defesa e meio-campo muito sólidos, meias de boa qualidade técnica pelos lados e atacantes de área eficientes, os Toffees abusavam das bolas alçadas na área e também dos contra-ataques rápidos, puxados pelos dois meias lateralizados – que, por vezes, alternavam posições com os atacantes.

Individualmente, destacaram-se o goleiro Neville Southall, o ótimo volante Peter Reid e os meias Trevor Steven e Kevin Sheedy, mas o que tornou, de fato, este time muito poderoso, foi seu conjunto. A equipe era de tal forma entrosada que parecia que os jogadores tinham nascido para jogar juntos, todos conscientes de suas funções e dispostos a ajudar o todo.

A única lamentação dos torcedores fica a cargo na tragédia de Heysel, na partida entre Liverpool e Juventus, quando Hooligans ingleses atacaram torcedores italianos. O porquê? Os clubes ingleses foram banidos das competições europeias por cinco anos, e o melhor Everton da história perdeu a grande chance de conquistar a maior honra europeia: a UEFA Champions League.

Como já falado, o gol dos azuis de Liverpool era defendido por Neville Southall (foto), goleiro galês e recordista de aparições por sua seleção, com 92 jogos. Dono de impressionantes reflexos, defendeu o Everton entre 1981 e 1998 e é, provavelmente, o maior goleiro do clube em toda a história. Suas notáveis atuações renderam-lhe, inclusive, o prêmio de melhor jogador do ano, em 1985, em votação feita pela Football Writers’ Association. É também o atleta que mais vezes defendeu o Everton, com impressionantes 750 partidas.

A zaga foi formada pelo também galês, e capitão, Kevin Ratcliffe (foto), e pelo inglês Derek Mountfield. O primeiro, cria da base do clube, tornou-se capitão aos 23 anos, pouco após ser fixado na defesa (em seu início de carreira era um medíocre lateral esquerdo). Ficou famoso por ser um zagueiro muito rápido e por gostar de um estilo de jogo duro, sendo um grande adepto dos carrinhos. Disputou 493 jogos pelo clube. Já Mountfield tinha a seu favor o forte jogo aéreo, ajudando a equipe tanto na defesa quanto no ataque. Em 106 jogos pelo Campeonato Inglês, marcou 19 gols.


Fechando o time pelos lados da defesa, o clube contou com o lateral direito Gary Stevens (foto) e com o lateral esquerdo Pat van den Hauwe. Stevens, outra cria do clube, não conquistou um lugar na história do futebol pela beleza de seu futebol e sim por sua determinação e vigor físico, sendo importante também na Seleção Inglesa, pela qual disputou as Copas do Mundo de 1986 e 1990. Já van den Hauwe, belga de nascimento e jogador da seleção galesa, chegou ao clube em 1984 e ficou conhecido por ser temido pelos rivais na mesma medida em que era destemido em campo, sendo apelidado de “Psycho Pat”.
Pelo centro do meio-campo, jogaram o craque Peter Reid (foto) e Paul Bracewell. Reid foi um volante de classe. Se não era tão adepto ao jogo físico, tinha enorme capacidade de construção de jogo. Hábil e formidável passador, é mais um jogador  “eterno” do Everton. Contratado a baixo custo, veio com o estigma de contrair muitas lesões. Apesar disso, superou-se, foi eleito o melhor jogador do Campeonato de 1984-1985 pela federação dos jogadores profissionais da Inglaterra e defendeu o English Team na Copa do Mundo de 1986. Bracewell, por outro lado, resguardava um pouco mais a equipe, sendo mais defensivo. Todavia, também tinha boa qualidade de passe e só não foi à Copa do Mundo de 1986 por conta de uma fratura na perna.

Abertos pelos lados, não como wingers, mas como side midfielders, atuaram os habilidosos Trevor Steven  (foto) e Kevin Sheedy. O primeiro foi quem atuou pela direita, fazendo ótima dupla com Stevens e afirmando-se com um jogador extremamente útil. Trevor foi importante tanto no ataque, com sua enorme habilidade, quanto nas tarefas defensivas, ajudando na composição do meio-campo. É outro atleta que disputou as Copas de 1986 e 1990, além das Eurocopas de 1988 e 1992. Sheddy, pela esquerda, tinha características semelhantes às de Steven e era o cobrador de faltas e escanteios da equipe. Nascido em Gales, atuava pela Seleção da Irlanda.


Isolados na frente, o Everton contou com a dupla escocesa, Andy Gray (foto, à esquerda) e Graeme Sharp (foto, à direita). Gray atuou apenas entre 1983 e 1985, mas conseguiu um lugar na história dos Toffees. Conhecido por sua liderança e personalidade forte ajudou na afirmação de jovens jogadores e formou grande dupla com Sharp. Seus trunfos no campo era a qualidade nas bolas aéreas. No final da temporada, com a contratação de Gary Lineker, optou por sair do clube. Seu companheiro, por outro lado, defendeu o clube por longos 11 anos e é o segundo maior artilheiro da história do clube, com 159 gols. Sua principal característica também era o jogo aéreo. Mas, apesar disso, tanto Gray quanto Sharp, sabiam usar os pés com qualidade.


No banco de reservas a equipe teve um dos maiores treinadores de sua história, o inglês Howard Kendall (foto), ex-jogador do próprio clube. Com ele, o clube revelou e lapidou jovens que se tornariam grandes jogadores da história do Everton e conquistou grandes glórias. Além dele, haviam alguns jogadores que jogavam regularmente, casos dos competentes John Bailey, lateral esquerdo, do meio-campo Kevin Richardson e do meia-atacante Adrian Heath, que sempre marcava seus golzinhos. 

Ficha técnica de alguns jogos importantes nesse período:

Final da FA Charity Shield: Everton 1x0 Liverpool

Estádio de Wembley, Londres

Árbitro: Keith Hackett

Público 100.000

Gol: ’55 Grobbelaar (contra) (Everton)

Everton: Southall; Stevens, Mountfield, Ratcliffe, Bailey; Reid, Bracewell, Steven, Richardson; Heath e Sharp. Téc. Howard Kendall

Liverpool: Grobbelaar; Neal, Hansen, Lawrenson, Kennedy; Whelan, Nicol, Wark, Lee (Walsh); Kenny Dalglish e Ian Rush. Téc. Joe Fagan

Semifinal da UEFA Winner’s Cup: Everton 3x1 Bayern de Munique

Estádio Goodison Park, Liverpool

Árbitro: Erik Fredriksson

Público 49.476

Gols: ’48 Sharp, ’73 Gray e ’86 Steven (Everton); ’38 Hoeness (Bayern)

Everton: Southall; Stevens, Mountfield, Ratcliffe, van den Hauwe; Reid, Bracewell, Steven, Sheedy; Sharp e Gray. Téc. Howard Kendall


Bayern: Pfaff; Eder (Rummeniegge), Augenthaler, Willmer (Beierlorzer), Pflüger; Nachtweih, Lerby, Matthäus, Dremmler, Kögl; Hoeness. Téc. Udo Lattek

Final da UEFA Winner’s Cup: Everton 3x1 Rapid Viena

Estádio De Kuip, Rotterdam

Árbitro: Paolo Casarin
Público 38.500

Gols: ’57 Gray, ’72 Steven, ’85 Sheedy (Everton); ’83 Krankl (Rapid)


Everton: Southall; Stevens, Mountfield, Ratcliffe, Bailey; Reid, van den Hauwe, Steven, Sheedy; Gray e Sharp. Téc. Howard Kendall


Rapid: Konsel; Lainer, Weber, Brauneder, Garger; Kienast, Hrstic, Weinhofer (Panenka); Kranjcar, Krankl e Pacult (Bröss). Téc. Otto Baric 

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Elas vêm aí: México e Nigéria

Depois de contar um pouco do que Itália e Japão, dos craques Andrea Pirlo e Keisuke Honda,  trarão à Copa do Mundo, falo dos selecionados mexicano e nigeriano.




MÉXICO

Time base: Ochoa (Muñoz); Aguilar, Rafa Márquez, D. Reyes (F. Rodríguez), H. Moreno (Valenzuela), Layún (Guardado); Luís Montes, Medina, H. Herrera (Peña); Chicharito e O. Peralta (G. dos Santos). Téc. Miguel Herrera

Grupo: A. Com Brasil, Camarões e Croácia.

Expectativa: Briga com a Croácia pela segunda vaga.

Histórico: Participou de 14 Copas do Mundo. 14ª colocada no último mundial.

Em 1986, os mexicanos ficaram em 6ºlugar
Seleção que tem sido uma pedra no sapato da Seleção Brasileira nos últimos tempos, o México só se deu bem em Copas quando sediou-as. Tanto em 1970, quanto em 1986, os mexicanos terminaram a competição na sexta posição.

Hoje, a Seleção aposta seu sucesso em uma base formada por jogadores nacionais e azeitada pelos destaques mexicanos que atuam fora do país. Bons jogadores como o meia-atacante Giovani dos Santos e o lateral/meia-esquerda Andrés Guardado, podem acabar ficando de fora do time titular, que segue capitaneado pelo experiente Rafa Márquez, ex-Barcelona.

No gol há indefinição. Guillermo Ochoa, do Ajaccio, é quem mais vezes defendeu o selecionado Tricolor e, hoje, disputa a condição de titular com dois goleiros mais experientes, que, no entanto, não jogaram tantas vezes pela Seleção. Moisés Muñoz, do América, seria uma alternativa ligada ao entrosamento, uma vez que boa parte da defesa mexicana deverá ser composta por jogadores de seu clube. Correm por fora, mas com chances, José Corona, do Cruz Azul e, em último caso, Alfredo Talavera, do Toluca.

Nas laterais há uma certeza e uma dúvida. Pelo lado direito, há a confiança de que Paul Aguilar, do América, será o titular e só uma lesão o tomará o posto. Já o lado esquerdo não está fechado. Miguel Layún, também do América, é o favorito à posição, tendo disputado a grande maioria dos últimos jogos do México, mas a experiência e grande qualidade técnica de Andrés Guardado, hoje no Bayer Leverkusen, não pode ser descartada. Todos estes laterais tem como principal característica o ataque, avançando sempre e muito, uma vez que, como veremos, a tendência é que o treinador Miguel Herrera escale a equipe com três zagueiros.

Última escalação do México
Como dito, a zaga deve ser composta por três atletas. Das três vagas só uma está preenchida, a do capitão Rafa Marquez, zagueiro de reconhecida qualidade técnica e liderança. Quatro outros defensores disputam as duas vagas restantes, os beques do América Juan Carlos Valenzuela e Francisco Rodríguez e os “estrangeiros” Diego Reyes, do Porto, e Héctor Moreno, do Espanyol. A favor dos defensores do América há o já ressaltado entrosamento. Moreno é, contudo, o mais capacitado tecnicamente e Reyes o mais jovem e rápido.

Nas últimas partidas, o meio-campo afirmou dois titulares e consagrou uma dúvida. Luis Montes e Juan Carlos Medina, jogadores de León e América, respectivamente, solidificaram seus lugares no time titular. A dúvida é sobre o terceiro elemento, que pode ser Carlos Peña ou Hector Herrera. O primeiro, jogador do León, embora não tenha a qualidade de seu “rival”, vive um momento extremamente superior e traz consigo o entrosamento com Luis Montes. Já Herrera, que chegou ao Porto como a grande esperança para o lugar de João Moutinho, vive uma temporada muito instável. Todas as opções tem atuado mais ao centro, permitindo os avanços dos laterais da equipe.

No ataque parece não haver dúvida e a equipe deve ir a campo com os artilheiros Chicharito Hernández, do Manchester United, e Oribe Peralta, do León. Pela seleção, a dupla soma 51 gols em 88 jogos, boa média.

Apesar dessa tendência nacional, muitos jogadores foram testados no último ano e novidades podem aparecer. Certa mesma é a ausência do excelente atacante Carlos Vela, da Real Sociedad, como já afirmado pelo próprio jogador. Resta saber como e se haverá o encaixe de bons jogadores como Giovani dos Santos, atualmente no Villarreal.

Entrosada e comprometida, a seleção mexicana tem condições de avançar de fase na Copa. Tudo dependerá, sobretudo, do que fizer na partida contra os croatas.


NIGÉRIA

Time base: Enyeama (Ejide); Ambrose, Oboabona, Egwuekwe (Omeruo), Elderson; Mikel, Onazi (Mba); Musa, Moses, Oduamadi; Emenike. Téc. Stephen Keshi

Grupo: F. Com Argentina, Bósnia e Irã.

Expectativa: Briga pela classificação às Oitavas de Finais.

Histórico: Disputou quatro Copas. 27ª colocada no último mundial.


Em 1998, Jay Jay Okocha era um dos
grandes destaques.
Renovado, o selecionado nigeriano está passando por um processo de reconstrução. Desde o fracasso na Copa Africana de Nações de 2012 – quando sequer se classificou para a disputa –, o técnico Stephen Keshi tem testado muitos jogadores. Os principais destaques da seleção são ainda muito jovens e talvez não estejam prontos para o grande desafio que representa a Copa do Mundo. Apesar disso, os africanos já obtiveram êxitos. Na Copa Africana de Nações de 2013, a Nigéria conquistou seu terceiro título do torneio.

Como sempre, os nigerianos trarão um jogo de muita velocidade e luta, mas, certamente, alguns jogadores ainda estarão “verdes”. Victor Moses, Ahmed Musa, Ogenyi Onazi e Oboabona, são exemplos  de jogadores ainda muito jovens (todos com no máximo 23 anos).  

Para o gol a equipe vem com uma dúvida. Vincent Enyeama ou Austin Ejide? Os dois arqueiros tem se revezado na posição e o titular só será definido às vésperas da Copa. Enyeama, goleiro do Lille, é mais experiente e tem melhores reflexos, mas é relativamente baixo (1,82m). Já Ejide, que atua no futebol israelita, tem alguns centímetros a seu favor (1,90m). O terceiro goleiro deverá ser Chigozie Agbin, do Gombe United, da própria Nigéria.

As laterais deverão ser compostas pelo zagueiro do Celtic Efe Ambrose, do lado direito, e pelo ala do Monaco, Elderson Echiéjilé. O primeiro é um defensor, ficando restrito às funções de resguardo, sendo, na prática um zagueiro direito. Já Elderson é muito ofensivo, sendo útil na saída de bola da equipe, na aproximação com meias e atacantes. Caso opte por um lateral direito de ofício, Keshi poderá escalar Kenneth Omeruo, jovem de 20 anos que pertence ao Chelsea, mas está emprestado ao Middlesbrough.

A zaga, a princípio será formada por outros dois jogadores de pouca experiência. Godfrey Oboabona, do Rizespor da Turquia – e que foi alvo de Arsenal e Newcastle na última janela de verão –, e Azubuike Egwuekwe, que atua no futebol local tem sido as escolhas preferidas do treinador. O primeiro tem mais velocidade e mobilidade, já o segundo mais posicionamento e um forte jogo aéreo (possui  1,95m). Entretanto, se Omeruo for o escolhido para jogar na lateral direita, Ambrose pode ser deslocado para a defesa, ganhando a vaga de Egwuekwe.

Última escalação da Nigéria
Iniciando as jogadas ofensivas da equipe e destruindo as adversárias, a Nigéria conta com uma dupla de muita força e vitalidade. Apesar dos 26 anos, John Obi Mikel, do Chelsea, é um dos jogadores mais experientes da equipe e uma das grandes referências. Volante alto, impõe-se no meio-campo, tendo boa qualidade nos desarmes. A seu lado deve jogar Ogenyi Onazi, da Lazio. Mais móvel que Mikel, o jovem de 21 anos, tem qualidade na transição do meio-campo para o ataque e muita disposição. Contudo é, às vezes, violento. A principal alternativa para o setor é Sunday Mba do CA Bastia, da segunda divisão francesa.

Mais à frente jogará um tridente que combina velocidade, habilidade e muita movimentação, mas é, por vezes, excessivamente individualista e peca muito nas finalizações. Pela direita há a presença de Nnamdi Oduamadi, jogador do Milan e que está emprestado para o Varese. Pelo centro, Victor Moses, jogador do Chelsea, emprestado ao Liverpool, que viveu altos e baixos no clube londrino e é agora reserva na terra dos Beatles. Pela esquerda atua o mais promissor dos três, Ahmed Musa, atacante do CSKA, que anotou sete gols na atual edição do Campeonato Russo. Outros jogadores que podem aparecer nessas funções são Brown Ideye, do Dynamo de Kiev, e o experiente Victor Obinna, atualmente no Chievo.

No centro do ataque, a não ser que ocorra alguma lesão, o titular será Emanuel Emenike, centroavante do Fenerbahçe, que atuou no Spartak Moscou. Forte como um tanque, o atacante vive bom momento. Na temporada, em 34 jogos, marcou 15 gols e criou oito assistências. Quem ganhou oportunidades recentemente e pode ocupar o lugar de Emenike, caso este não possa jogar, foi o experiente atacante do Newcastle, Shola Ameobi.

Em evolução, é difícil determinar o que se poderá esperar do time nigeriano. Como dito, velocidade e força não faltarão. Num grupo com equipes, de certa forma, imprevisíveis – Bósnia e Irã – tudo é possível.


sexta-feira, 18 de abril de 2014

Agora vai, Vélez?

Desde o final da primeira década do século XXI, muito se espera do Vélez Sarsfield. O título do Torneio Clausura de 2009, consagrou uma equipe que apostou fortemente nas categorias de base e colheu frutos. Naquele ano, o clube contava em seu elenco com jogadores do nível de Nicolás Otamendi, Fernando Tobio, Marco Torsiglieri, Iván Bella, Ricky Álvarez e Jonathan Cristaldo. Todos formados no Estádio José Amalfitani.




Então, o Vélez já era comandado por Ricardo Gareca (foto), que treinou a equipe entre 2009 e 2013 e
que também traria para o time outros jovens de valor como o lateral direito Gino Peruzzi, o volante Lucas Romero, os meias Federico Freire e Agustín Allione, e os atacantes Ezequiel Rescaldani e Ramiro Cáseres. Estes, com o suporte de jogadores experimentados, como o zagueiro Sebá Domínguez, os laterais Fabián Cubero e Emiliano Papa, o volante Leandro Somoza e o meio-campista Federico Insúa e de outras contratações pontuais, como Juan Martínez e Maxi Morález, ajudaram o clube a voltar a figurar entre os gigantes na Argentina. Contudo, na Copa Libertadores tem deixado a desejar.

Em 2010, liderou um grupo que tinha Cruzeiro, Colo-Colo e Deportivo Italia e foi eliminado já nas oitavas de finais para o Chivas Guadalajara que seria vice-campeão, perdendo a final para o Internacional. Em 2011, passou em segundo lugar em um grupo com Universidad Católica, Caracas e Unión Española, destruiu a LDU (5x0 no placar agregado), nas oitavas de finais e o Libertad nas quartas (7x2), mas caiu no gol fora de casa para o Peñarol, vice-campeão.

Em 2012, passou em primeiro enfrentando Deportivo Quito, Defensor e Chivas Guadalajara, bateu o Atlético Nacional nas oitavas de finais e foi eliminado na fase seguinte pelo Santos, nos pênaltis. Já no ano passado, quando firmou-se como um dos favoritos – com a contratação do volante Fernando Gago – também passou em primeiro em seu grupo, cujos adversários foram o Emelec, Peñarol e Deportivo Iquique. Mas, nas oitavas deu azar e enfrentou o ótimo time do Newell’s Old Boys (foto), sendo novamente eliminado.

Neste ano, o clube fez a melhor campanha da primeira fase da competição e enfrentará o Nacional do Paraguai na próxima fase. No Campeonato Argentino é o sétimo colocado, mas apenas quatro pontos distante do líder.

Apesar de não contar mais com o comando de Gareca, o time está, novamente, fortíssimo. O novo comandante não tem “nada de novo”. José “Turu” Flores, que foi o assistente técnico de Ricardo Gareca, assumiu o comando da equipe. A defesa segue a mesma dos últimos anos. O ótimo lateral esquerdo Emiliano Papa perdura como um dos destaques da equipe.

O meio-campo está renovado. Em relação ao time da última competição continental, deixaram o clube os volantes Fernando Gago e Francisco Cerro, o armador Federico Insúa e o meia Iván Bella. As soluções para o setor foram buscadas na própria equipe. Na cabeça de área o jovem Lucas Romero (foto) assumiu de vez a titularidade. Auxiliando-o, o clube tem atuado com Ariel Cabral – que já era peça importante na última temporada – e Hector Canteros, que retornou ao clube depois de uma temporada de empréstimo ao Villarreal. Outro que se firmou foi o habilidoso Agustín Allione, meia pela direita que começou a ser introduzido na equipe em 2013.

Já o ataque perdeu Facundo Ferreyra para o Shakhtar Donetsk, mas contou com a volta de Mauro Zárate, veloz atacante formado no próprio clube e que estava na Lazio.  Quem também retornou, foi o grandalhão Roberto Nanni, que, depois de se destacar no Cerro Porteño, estava no Atlante do México. A referência do setor segue sendo Lucas Pratto, centroavante que, apesar de grandalhão, tem boa mobilidade e faro de gol apurado.

Revigorado, o Vélez tentará, enfim, o sucesso que dele se espera há, no mínimo, cinco anos. Ainda há figuras experientes e emblemáticas na equipe, mas também há novidades. O clube tem demonstrado mais movimentação que em outras temporadas e, ao menos na primeira fase da Libertadores, foi avassalador. Em seis jogos conquistou cinco vitórias, perdendo, apenas, para os bolivianos do The Strongest, na altitude. Além disso, teve a segunda melhor defesa, concedendo apenas três gols.

Com uma defesa experiente, um meio-campo renovado e um ataque eficiente e poderoso, o Vélez voltou a ser um dos favoritos à conquista da América. Agora vai, Vélez?

Time base: S. Sosa; Cubero, Sebá Domínguez, Fernando Tobio (Cardozo), E. Papa; Lucas Romero, Ariel Cabral, Agustín Allione, Hector Canteros (Jorge Correa); Mauro Zárate e Lucas Pratto (R. Nanni). Téc. José Flores