terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Ingleses lutam intensamente pela Europa

Não é de hoje que é facilmente perceptível o alto nível da Premier League. Extremamente acirrada, a competição tem mostrado, ano após ano, sua força e competitividade e, nesta temporada, não tem sido diferente. Se a luta pelo título já se bipolarizou, restringindo-se à disputa particular entre Chelsea e Manchester City, a batalha pela classificação para as Copas Europeias está interessantíssima, trazendo consigo cinco fortes candidatos à três vagas, uma na fase de grupos da UEFA Champions League (reservada ao 3º colocado), outra na fase de mata-mata preliminar da mesma competição (4º) e uma na fase de grupos da Europa League (5º).



A evolução coletiva dos Gunners

As oito vitórias do Arsenal nos últimos 10 jogos retratam o bom momento que o clube vive na temporada. Apesar das derrotas para o Southampton no início do ano e para o rival Tottenham, há quase três semanas, o time do treinador Arsène Wenger revelou nesse período uma nova faceta. Antes muito dependente do brilho individual de Alexis Sánchez, os Gunners surpreenderam com um jogo coletivo, agradável de se ver e muito eficiente.

Com esse panorama desenhado, é necessário destacar a forma individual do espanhol Santi Cazorla (foto), que tem jogado grande futebol, sendo vital com muitos gols e assistências, além de ter se firmado como o grande organizador da equipe, ditando seu ritmo e ajudando no ganho de estabilidade. Com a grande forma de Cazorla, Mesut Özil ganhou um papel mais encostado à faixa canhota e voltou de lesão tinindo (marcou três gols e concedeu três assistências em seus últimos seis jogos). Outro que voltou de lesão em boa forma foi o veloz Theo Walcott.

O clube, que terá pela frente o Monaco na UEFA Champions League, terá de lidar com a ausência do participativo Aaron Ramsey, lesionado. Mas, com o aprimoramento do jogo de grupo do Arsenal, sua ausência não deverá acarretar tantos problemas. Nesse período vitorioso dos Gunners, o torcedor teve, ainda, a oportunidade de se familiarizar e apoiar dois jovens que vêm vivendo ótimo momento: o lateral direito Héctor Bellerín, de 19 anos, e o volante Francis Coquelin, de 23.

Em ótimo momento técnico e tático, a individualidade dos atletas do Arsenal também tem brilhado. Com o time coeso, neste momento, o Arsenal apresenta-se como o favorito à vaga direta na UEFA Champions League.

Desequilíbrio e instabilidade nos Red Devils

A grandeza do Manchester United é indiscutível. Grandes jogadores já passaram pelos Red Devils e, sobretudo nos últimos 20 anos, a equipe conquistou grandes glórias. Todavia, desde a saída de Sir. Alex Ferguson, o torcedor tem sofrido – e nessa temporada não tem sido diferente. Apesar dos assustadores gastos com reforços (dos quais o argentino Ángel Di María, comprado por cerca de £ 66MI, foi o mais caro), o clube se reforçou mal.

Com muitas opções ofensivas e enorme escassez de talento defensivo, o United oscila muito na temporada e raras vezes desempenha um futebol cuja qualidade chame a atenção. 

Mesmo contando com jogadores muito instáveis – e nada confiáveis – na defesa,  o treinador Louis van Gaal preferiu dispender a maior parte de seu orçamento nos homens de frente e, até o momento, os contratados Falcao García e Di María têm estado longe de sua melhor forma. Marcos Rojo, o principal homem contratado para a defesa, não apresenta nem sombra da segurança desejável no setor e, no meio, Daley Blind vive sobrecarregado na marcação.

Apesar disso, é impossível descartar o potencial bélico que a presença de jogadores do calibre de Robin van Persie, Wayne Rooney, Di María, Falcao e Juan Mata agregam ao time. E assim, mesmo sem encantar, os Red Devils vão seguindo em frente, fortes candidatos à uma vaga na melhor competição de clubes do mundo.

Em tempo, nem tudo tem estado abaixo das expectativas. O goleiro David de Gea parece, enfim, ter alcançado o potencial dele esperado quando de sua contratação. Com defesas fantásticas e cruciais para os planos da equipe, o espanhol tem sido o grande destaque do instável time de Manchester, capaz de acabar com o rival Liverpool e de empatar com o modesto Cambridge United.

A intromissão dos sólidos Saints

Surpreendentemente, após o desmanche ocorrido na última janela de verão europeia, com a saída de peças estruturais da equipe que tanto se destacou em 2013-2014 (Dejan Lovren, Luke Shaw, Adam Lallana, Ricky Lambert e Calum Chambers) e, sobretudo de seu treinador, Mauricio Pochettino, o Southampton conseguiu se reinventar nas mãos de seu novo comandante, Ronald Koeman.

Apesar de não marcar tantos gols (são 38 tentos em 26 jogos), os Saints apresentam um futebol ofensivo e, ao mesmo tempo, seguro defensivamente (se consolidando como a melhor defesa do Campeonato Inglês, tendo sofrido 19 gols). Do goleiro Fraser Forster ao centroavante  e artilheiro da equipe – Graziano Pellè (foto) – todos os jogadores têm muita consciência do papel que exercem no campo e, assim, alguns deles evoluíram enormemente.

Nas laterais, Nathaniel Clyne e Ryan Bertrand se afirmaram como grandes válvulas de escape e estão em grande forma física e técnica. O zagueiro e capitão José Fonte vive o melhor momento de sua carreira e o volante Victor Wanyama tem demonstrado grande segurança no meio-campo. Apesar disso, o clube vive seu pior momento na temporada, demonstrando grande instabilidade e vendo seus grandes destaques na temporada oscilarem (sobretudo Pellè –que vive jejum de nove rodadas sem gols na Premier League – e o meia Dusan Tadic). Três derrotas, cinco vitórias e dois empates são os números do Southampton nos últimos dez jogos. Não está muito ruim, mas já esteve melhor e, para chegar à Champions, o time terá de retomar seu rumo.

Em relação à temporada passada, preocupa muito a queda de rendimento do ótimo volante Morgan Schneiderlin, um dos pilares da equipe. Além disso, o clube tem vivido dificuldades com a já ressaltada instabilidade de suas peças de ataque, que se estende, ainda, a Eljero Elia, Filip Djuricic e Sadio Mané. Outro problema é a não recuperação do excelente atacante Jay Rodriguez, lesionado desde a temporada passada. O alerta está ligado: para conseguir os êxitos desejados, o Southampton terá de retomar a excelente forma da primeira metade da temporada.

A recuperação e mudança tática dos Reds

Após um início de temporada extremamente instável com a saída de Luis Suárez, a lesão de Daniel Sturridge, a eliminação da UEFA Champions League na fase de grupos e a dificuldade em encaixar os novos (e muitos) reforços, o treinador Brendan Rodgers optou por uma mudança estrutural na equipe. Com um 3-6-1 variando para um 3-4-3, bastante incomum, o irlandês do norte transformou os rumos da temporada dos Reds.

Volante de origem, o alemão Emre Can recuou para a zaga. Pelos flancos, os laterais de origem perderam espaço. Glen Johnson, Javier Manquillo, José Enrique e Alberto Moreno (o mais utilizado deles) viram a ascensão do garoto Jordan Ibe e do sérvio Lazar Markovic, que têm ocupado com frequência o setor. Com uma peça a mais no miolo de zaga, o setor ganhou mais segurança e, com os “ponteiros”, mais velocidade.

Além disso, com mais peças circulando entre as faixas de meio-campo defensivo e ofensivo, o Liverpool ganhou compactação, permitindo, inclusive a enorme evolução de Phillipe Coutinho (foto), grande destaque da equipe no momento. As seis vitórias, três empates, e apenas uma derrota nos últimos dez jogos mostram que o time vive excelente momento – o melhor da temporada – e corre atrás de um grande prejuízo acumulado no primeiro turno.

Mais encorpado e seguro, com o melhor entrosamento de algumas peças e o retorno de Daniel Sturridge, o Liverpool chegou ao bloco de frente e é um candidato que não se pode descartar, na luta pelas vagas nas competições europeias.

A boa fase de Kane nos Spurs

Outro time muito irregular, o Tottenham encontrou no jovem prata da casa Harry Kane (foto) seu ponto de estabilidade. Na temporada, contando com a confiança do treinador Mauricio Pochettino (ex-Southampton) e com a má fase de seus concorrentes, Emmanuel Adebayor e Roberto Soldado, Kane firmou sólido pacto com as redes adversárias e tem aterrorizado os goleiros rivais. Nos últimos quatro jogos válidos pela Premier League, o garoto, de 21 anos, anotou seis gols e conferiu uma assistência.

No entanto, nos últimos jogos o jovem inglês tem levado o time nas costas, uma vez que o dinamarquês Christian Eriksen, outro jogador de grande destaque do time, tem feito atuações muito apagadas nas partidas recebtes. Falta aos Spurs uma referência no meio-campo. 

Recheado de jogadores de talento, mas muito irregulares, o clube londrino tem alternado muito. Entretanto, sua forma recente é boa: em 10 jogos, o Tottenham conquistou cinco vitórias, empatou três jogos e perdeu dois, chegando também à final da Capital One Cup.

Sem dúvidas, com o treinador argentino – responsável pela descoberta do ótimo volante Ryan Mason –, o Tottenham tem sido muito superior ao time da temporada passada, mas segue vendo sua forma oscilar. Não obstante, se Kane continuar on fire, é impossível duvidar do potencial da equipe, candidata real à chegada à alguma das competições continentais.

Em resumo, Arsenal e Liverpool vivem momento de ascensão; o Manchester United e o Tottenham vivem em uma gangorra constante, oscilando demais; e o Southampton teve início fantástico de temporada, sofreu queda de rendimento nas últimas partidas, mas tem potencial para se reerguer. Com o panorama demonstrado, resta-nos acompanhar as 12 rodadas finais da Premier League, que prometem um embate intenso pelas vagas na UEFA Champions League e na Europa League. 

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Os últimos suspiros do Parma

Os anos 90 marcaram uma época de um brilho alviverde intenso no futebol brasileiro. Recheado de grandes estrelas, dentro e fora das quatro linhas, o Palmeiras foi durante algum tempo o time a ser batido. Conduzido ora por Rivaldo, Djalminha ou Alex, o clube paulista sagrou-se Bicampeão Brasileiro, Campeão da Libertadores, da Copa Mercosul, da Copa do Brasil e do Torneio Rio São Paulo, além do Tricampeonato Paulista. Todavia, o encanto desta esquadra só foi possível graças ao dinheiro de uma empresa parceira do clube: a Parmalat.


Do outro lado do Oceano Atlântico, na mesma década, um clube modesto e sem grande expressão ameaçava os grandes e históricos times na Itália. Igualmente financiado pelo dinheiro da Parmalat, os Gialloblú conquistaram seus primeiros títulos importantes. Com figuras da estirpe de Hernán Crespo, Lilian Thuram, Paolo Canavarro, Gianluigi Buffon (foto) ou Juan Sebastian Verón, o selecionado venceu a Copa da Itália, a Supercopa da Itália, a UEFA Cup (duas vezes!), a Supercopa da Europa e a Winner’s Cup, além de ter se sagrado vice-campeão do Campeonato Italiano em uma ocasião.

A despeito disso, a Parmalat faliu e os investimentos no futebol findaram-se. A partir da quebra da empresa, enquanto o Palmeiras conheceu as dificuldades da Segunda Divisão, o Parma retomou seu lugar de clube de pouca expressão no cenário nacional e internacional, sendo, igualmente, rebaixado à Série B, posteriormente.

Com a falência da Parmalat, os times brasileiro e italiano nunca mais voltaram a ser os mesmos, mas a vida do Parma tornou-se, seguramente, pior que a do Palmeiras. Falido junto com a empresa, o clube foi rebatizado e, desde então, parou de realizar relevantes investimentos. O retorno à pequenez era um impacto óbvio, mas a chegada ao estágio atual não era esperada. O clube anunciou nesta semana não ter capacidade financeira para suportar os custos de sua próxima partida, que deveria acontecer contra Udinese, no próximo domingo (22) e foi adiada.

Há pouco mais de 10 anos, com a falência da empresa e da equipe, o jornalista Fillipo Maria Ricci, da Gazzetta Dello Sport, disse à BBC: “O clube cresceu grandemente sob a titularidade da Parmalat, e em seguida caiu pelas tabelas se tornando um “clube normal” por muitas temporadas, mas realmente parecia que voltaria, a despeito das vendas de grandes nomes como Buffon, Thuram, Crespo e Veron.”

A realidade da época mostrava que nos últimos anos da parceria, a Parmalat já não vivia seus melhores dias, mas respirava por aparelhos. Se não podia manter suas estrelas, ao menos segurava-se o suficiente para não brigar contra o rebaixamento, dando esperanças de uma recuperação, ainda que tardia.

Se antes da falência total da empresa parecia que o clube “voltaria”, após a quebra, essa impressão apagou-se. E 2015 apresenta a agonia maior do clube. Sem pagar salários há aproximadamente seis meses (segundo informou o site ESPNFC), o clube viu seu grande ídolo, Antonio Cassano (foto), rescindir seu contrato com a equipe e buscou o empréstimo de jogadores de outras equipes para não ter que arcar com os ordenados ou ter responsabilidade reduzida com os mesmos.

Assim, chegaram o uruguaio Cristian Rodríguez (foto), o português Silvestre Varela e o italiano Antonio Nocerino ex-Atlético de Madrid, Porto e Milan, respectivamente.

Afundado na última posição do italiano, com miseráveis 10 pontos em 23 partidas, o Parma voltará à segunda divisão. É inevitável. E o preocupante é que, dos problemas da equipe, o desportivo parece o menor. À beira de uma nova falência, uma vez que seu proprietário, Giampietro Manenti, não tem conseguido honrar com quaisquer compromissos do clube, o time corre sério risco de ser esquecido e até mesmo encerrado.

Se não for revendido ou receber um belo impulso financeiro, a grande equipe dos anos 90 e início do século XXI dificilmente resistirá. Sua história, no entanto, persistirá indelevelmente marcada na memória do amante do futebol, que sempre se lembrará dos feitos incríveis do pequeno endinheirado que assombrou os grandes italianos durante pouco mais de uma década.

Atualização (21/02/2015 às 17:55)

Más notícias para os adeptos do Parma. O twitter BBC Sport informa que o Parma foi declarado insolvente e foi, automaticamente, rebaixado. Todos os jogos restantes da  temporada serão creditados como vitórias por 3x0 para o oponente.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Times que Gostamos: Atlético Nacional 1989

Após tratar do excelente time do Espanyol 2005-2007, vice-campeão da UEFA Cup e laureado com uma Copa del Rey, volto-me para o futebol sul-americano, onde, em 1989, o Atlético Nacional sagrou-se o primeiro campeão colombiano da competição.


Em pé: Gildardo Gómez, Ricardo Pérez, Andrés Escobar, Francisco Cassiani, Tréllez, René Higuita e Níver Arboleda;
Agachados: Alexis García, Jaime Arango, Leonel Alvarez e Luis Fernando Herrera.


Time: Atlético Nacional

Período: 1989

Time Base: Higuita; Herrera, Perea, Andrés Escobar, Gómez; Pérez, Leonel Álvarez, Alexis García, Jaime Arango; Arboleda e Tréllez. Téc.: Francisco Maturana

Conquista: Copa Libertadores da América

A despeito de ter, supostamente, se favorecido do dinheiro do tráfico de drogas, sobretudo vindo do afamado traficante Pablo Escobar, o Atlético Nacional, equipe da cidade de Medellín, formou no final dos anos 80 e início da década de 90 um time poderosíssimo. Dono de ótimas qualidades defensivas, o clube desfrutava enormemente do talento de seus meio-campistas e de seus atacantes.

A base de Los Verdolagas seria, ainda, importantíssima para aquela que é conhecida como a maior geração do futebol colombiano de todos os tempos - a do início dos anos 90 - , à qual a equipe de 2014 foi comparada. Se os grandes craques da Seleção Cafetera eram Carlos Valderrama, Freddy Rincón e Faustino Asprilla, estes só alcançavam tal protagonismo em função da enorme influência de figuras como Andrés Escobar, Leonel Álvarez e Luis Herrera – isso sem falar no treinador Francisco Maturana, que deixaria o clube para comandar a Seleção.

Que amante do futebol nunca viu uma famosa defesa em que o goleiro pula tal qual um escorpião? O responsável pelo memorável e arriscado movimento era ninguém menos do que René Higuita (foto), arqueiro titular do Atlético Nacional.

Dono de enorme elasticidade e de grandes reflexos, era também notado por sua irresponsabilidade. Se hoje o mundo reverencia as saídas providenciais de Manuel Neuer, deixando a meta para decidir uma jogada, há quase 30 anos, Higuita já o fazia, atuando mormente como um líbero. Além disso, o colombiano ficou marcado por cobrar faltas e pênaltis, sendo o quarto goleiro que mais gols marcou gols, com 41, atrás de Rogério Ceni, José Luis Chilavert e Dimitar Ivankov. Higuita é ainda o 9º jogador que mais vezes defendeu a Seleção Colombiana.

Pela lateral direita, o alviverde colombiano contava com Luis Chonto Herrera (foto), considerado o melhor jogador colombiano de sua posição na história. Atleta completo, tinha na explosão sua grande marca, embora também fosse técnico e, com o tempo, tenha se transforamdo em um marcador respeitável. Na faixa canhota, El Rey de Copas contava com Gildardo Gómez. Lateral que também podia desempenhar a função de zagueiro e que marcou presença na Seleção Colombiana que disputou a Copa do Mundo de 1990, era mais um marcador, porém peça vital para o balanço da equipe.

A zaga do esquadrão colombiano tinha a combinação perfeita de qualidades. De um lado, a força e a potência do paredão Luis Carlos Perea, atleta de grande experiência e influência na Seleção Colombiana, que representou 78 vezes, sendo o 5º que mais vezes defendeu-a. Do outro lado, um beque de enorme técnica, El Caballero del Fútbol – como ficou conhecido –, Andrés Escobar (foto). Calmo e dono de inata liderança, a qual foi descobrindo com o decorrer de sua carreira, era muito talentoso. Tristemente, marcou um gol contra crucial para a eliminação da Seleção Colombiana na Copa do Mundo de 1994 e, pouco após desembarcar em seu país, foi assassinado. Há época, o defensor estava próximo de assinar contrato com o Milan.

Na meia-cancha, agregando proteção aos defensores e liberdade aos meias e atacantes, José Ricardo Pérez era o cão de guarda da equipe. Marcador implacável, era a peça de sustentação do esquema alviverde, tendo também representado a Colômbia na Copa do Mundo de 1990. Seu parceiro de contenção era um jogador que aliava técnica e raça como poucos. Cabeludo, Leonel Álvarez (foto) era uma figura ímpar, que ajudava a organizar a equipe tanto tática quanto psicologicamente, com enorme influência. É o terceiro jogador que mais vezes representou a Colômbia, com 101 jogos.

Habilidosíssimo, Alexis García (foto) era o capitão da equipe e o jogador mais querido do torcedor. Principal criador do time, destacava-se nas esferas do drible e do passe, mas impressionava por sua influência na equipe – outro ponto cujo ressalte é vital, em relação à toda a equipe, é a personalidade detida pela maioria dos membros da esquadra. Seu companheiro de setor e por vezes atacante era Jaime Arango, atleta que se destacava por sua velocidade e que, dessa forma, possibilitava um casamento ideal de características no setor de criação.

O ataque era composto pelo poderosíssimo John Jairo Tréllez (foto), detentor de imponente 1,93m. Curiosamente, ao contrário do que se poderia pensar, o colombiano destacava-se por sua velocidade (angariando o apelido de La Turbina). Seu parceiro mais usual foi Níver Arboleda, jogador habilidoso e bom finalizador. Todavia, Albeiro Usuriaga, grandalhão de 1,92m, também atuava com frequência, tendo marcado importante gol na final da Copa Libertadores da América, contra o Olimpia.

Orquestrando a equipe, Francisco Maturana (foto) tinha papel vital. Fosse no campo ou fora dele, o comandante era importante para a manutenção da coesão de um ambiente recheado de egos de grandes jogadores. Ex-jogador do próprio Atlético Nacional, o comandante conhecia todo o funcionamento da equipe, montando-a com perfeição e gerindo-a com igual acurácia. Suplementarmente, o comandante teve a seu serviço outros jogadores de grande valia, casos do meia Luis Alfonso Fajardo (muitas vezes titular) e dos defensores John Carmona e Francisco Cassiani.          

Ficha técnica de alguns jogos importantes nesse período:

Semifinal da Copa Libertadores da América (Jogo de Volta): Atlético Nacional 6x0 Danubio

Estádio Atanasio Girardot, Medellín

Árbitro: Carlos Esposito
Público 40.000

Gols: ‘9 Alexis García, ’34, ’35, ’62 e ’79 Usuriaga, ’87 Arboleda

Atlético Nacional: Higuita; Villa, Perea, Escobar, Gómez; Fajardo (Arboleda), Leonel Álvarez, Alexis García, Arango; Felipe Pérez e Alveiro Usuriaga. Téc.: Francisco Maturana


Danubio: Zeoli; Luis da Luz, Daniel Sánchez, Fernando Kanapkis, Eber Moas (Juan Góñez), Cabrera; Suarez (Osvaldo Streccia), Gustavo Dalto, Edgar Borges, Ruben Pereira; Rubén da Silva. Téc.: Ildo Maneiro

Final da Copa Libertadores da América (Jogo Final): Atlético Nacional 2(5)x(4)0 Olimpia

Estádio El Campín, Bogotá

Árbitro Juan Carlos Loustau

Público 60.000

Gols: ’46 Miño (contra) e ’65 Usuriaga (Atlético Nacional) / Escobar, Usuriaga, Trellez, Higuita e Álvarez marcaram suas penalidades; Alexis García, F. Pérez, Gómez e Perea desperdiçaram (Atlético Nacional) – Benítez, Chamas, Mendoza, Amarilla marcaram suas penalidades; Almeida, González, Guasch, Balbuena e Sanbria desperdiçaram (Olimpia)

Atlético Nacional: Higuita; Carmona, Perea, Escobar, Gómez; Fajardo (Arboleda), Álvarez, García, Arango (F. Pérez); Usuriaga e Tréllez. Téc.: Francisco Maturana

Olimpia: Almeida; Minõ, Chamas, Sanabria, Krausemann; Rafael Bobadilla (Balbuena), Gustavo Benítez, Jorge Guasch; Raúl Amarilla, G. Neffa (González) e A. Mendoza. Téc.: Luis Cubilla

Final do Mundial de Clubes: Milan 1x0 Atlético Nacional

Estádio Nacional, Tóquio

Árbitro: Erik Fredriksson

Público 60.228

Gol: ‘118 Evani (Milan)

Milan: Galli; Tassotti, Costacurta, Baresi, Maldini; Rijkaard, Ancelotti, Diego Fuser (Evani), Donadoni; Massaro (Marco Simone) e van Basten. Téc. Arrigo Sacchi

Atlético Nacional: Higuita; Luis Herrera, Francisco Cassiani, Andrés Escobar, Gilardo Gomez; José Pérez, Leonel Álvarez, Alexis García, Jaime Arango; John Tréllez e Niver Arboleda (Usuriaga) e (Gustavo Restrepo). Téc. Francisco Maturana

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

10 anos desperdiçados

Há 10 anos, um time brasileiro de garotos até 17 anos apresentava um contingente enorme de promessas de futuro brilhante. Campeã do Sul-Americano Sub-17 e Vice-Campeã do Mundial da mesma categoria – perdendo para um time fortíssimo do México, que contava com figuras da qualidade de Carlos Vela e Giovani dos Santos – a Seleção Brasileira apresentava talentos de qualidade rara e que, muito rapidamente, despontaram em suas equipes. Contudo, uma década depois, quando os futuros craques estariam com suas carreiras consolidadas, o panorama é outro. Poucos foram bem sucedidos, ficando a maioria muito abaixo das expectativas.




Quem, em 2007, pensasse no meio-campo daquela Seleção Sub-17 de 2005 teria certeza do brilhantismo do futuro que os aguardava. Denílson, o capitão, representava as cores do Arsenal; Anderson, eleito o craque do Mundial, chegava ao poderoso Manchester United; Celsinho e Ramón atuavam no futebol russo, em Lokomotiv Moscou e CSKA, respectivamente.

Além disso, pensando no banco de reservas da equipe, que contava com ninguém menos do que Renato Augusto (foto), que, em 2008, se mudaria para o futebol alemão – isso sem falar em Kerlon (o “foquinha”), que, lesionado, não atuou no mundial mas foi o artilheiro do título Sul-Americano e em 2008 já representava as cores da Internazionale de Milão – fica clara a certeza do sucesso da geração. Tínhamos uma riqueza imensa de talentos, os quais deveriam ser peças para o futuro da Seleção Brasileira principal, certo?

Deveriam, mas não foram. Destes meio-campistas todos, os únicos que chegaram a vestir a camisa Canarinha principal foram Anderson e Renato Augusto e, ainda assim, poucas vezes. O ex-meia do Grêmio, que passou quase oito anos no Manchester United, não é chamado desde 2008, enquanto Renato não veste a Amarelinha desde 2011.

Dentre os demais, Denílson é o único que conseguiu uma carreira sólida. Tendo atuado em mais de 150 jogos pelo Arsenal, o volante retornou em 2011 ao São Paulo, seu clube originário, onde é titular. Entretanto, o jogador não evoluiu o quantum esperado e suas chances de convocação são muito pequenas – no ano passado, chegou a ver seu companheiro de contenção, o volante Souza, ser chamado.

O verdadeiro drama fica a cargo do desperdício absoluto de três jogadores que demonstravam enorme talento: Ramón, Kerlon e Celsinho. O primeiro, cria do Atlético Mineiro, demonstrava incrível inteligência e habilidade. Dono de raciocínio rapidíssimo, com 16 anos estreou pelo profissional do Galo e em pouco tempo estava no futebol russo, onde fez barulho em seu início – mas só no início. Há uma frase proferida pelo presidente do CSKA que relata com perfeição o que se tornou a carreira do prodígio:

“Penso que Ramón está acabado no futebol. Ele é um jogador talentoso, mas as pessoas como ele acabam tomando cerveja no balcão de um bar, comentando as glórias do passado.” O detalhe? O brasileiro tinha 22 anos quando a frase foi proferida e, desde sua saída, sua carreira só decaiu, com o jogador rodando por uma infinidade de clubes, sem sucesso. Seu porto atual é o Araxá.

Kerlon (foto) e Celsinho têm carreiras ainda piores, futebolisticamente falando. O primeiro, nunca conseguiu se firmar no Cruzeiro, muito em decorrência de muitas e graves lesões. Entretanto, ainda assim, conseguiu uma transferência para o futebol italiano, onde só conseguiu uma enorme quantidade de empréstimos, todos infrutíferos. Hoje, está sem clube, depois de atuar na terceira divisão do Futebol Japonês e ser rejeitado por um clube da NASL (uma espécie de segunda divisão do Futebol Norte-Americano).

Celsinho, por sua vez, até conseguiu atuar mais vezes no futebol europeu, todavia, igualmente, sem sucesso. Com passagens pelo futebol russo, português e romeno, não se deu bem em seu retorno à Portuguesa, clube que o criou, e hoje está no Londrina, onde é destaque. Não obstante, sua carreira é enormemente inferior ao que foi possível projetar em 2005.

Daquele time, é possível dizer que o único que correspondeu às expectativas foi o lateral esquerdo Marcelo (foto), que há anos desempenha carreira sólida no Real Madrid. Dentre os demais, destacam-se ainda o zagueiro Sidnei, que apesar de não se firmar em clube algum (tem seus direitos ligados ao Benfica, que, constantemente, o empresta), efetivamente joga e, atualmente, está no Deportivo La Coruña e o volante Maurício, desde 2010 no Terek Grozny, da Rússia.

O restante, figuras como Leyrielton, Bruno Mezenga ou o zagueiro Samuel, caiu no absoluto ostracismo. Terá sido por falta de qualidade técnica que a maioria dos talentos dessa geração não vingaram? Não. Falta de planejamento de carreira e auxílio (muitas vezes psicológico) soam como uma explicação muito mais adequada. Imagine as cifras que estes jogadores recebem em uma idade tão tenra e o impacto que isso tem em suas vidas - na grande maioria das vezes, levadas em ambientes impróprios ao adequado desenvolvimento dos garotos.

10 anos depois, fica a reflexão. No Brasil, há muito talento, mas o mesmo precisa ser devidamente trabalhado (o que implica investimento), para que, quando de seu aguardado auge, não esteja, há muito, na lata de lixo.
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