quarta-feira, 30 de julho de 2014

Times que Gostamos: Olympique de Marseille 1992-1993

Depois de falar do organizado time do Basel da temporada 2011-2012, que revelou  ao mundo a grande qualidade do meia suíço, Xherdan Shaqiri, trato do controverso, mas indubitavelmente bom, time do Olympique de Marseille, da temporada 1992-1993.


Em pé: F. Barthez, Sauzée, Desailly, R. Völler, Boli;
Agachados: Angloma, Abedi Pelé, D. Deschamps, A. Boksic, Eydelie, Di Meco.


Time: Oympique de Marseille

Período: 1992-1993

Time Base: F. Barthez; Angloma, Casoni (Eydelie), Boli, Di Meco; M. Desailly, D. Deschamps, Franck Sauzée, Abedi Pelé; Alen Boksic, Rudi Völler. Téc.: Jean Fernandez/Raymond Goethals

Conquista: UEFA Champions League

Muitas vezes esquecido por não ter enfrentado o São Paulo na Copa Intercontinental (jogo disputado antes da efetivação do Mundial de Clubes da FIFA), o Olympique de Marselha é o único clube francês que conquistou a UEFA Champions League na história. Todavia, um escândalo totalmente desnecessário e, de certa forma, inexplicável, manchou a conquista do clube, sua temporada e sua história.

Prestes a se tornar campeão francês e às vésperas da disputa da final da UEFA Champions League, agindo em nome da direção do Olympique, o meio-campista Jean-Jacques Eydelie contatou três atletas do Valenciennes FC com a intenção de convence-los a fazer um jogo fácil e não machucar nenhum dos atletas do Marseille, às vésperas da finalíssima continental. Detalhe, a vitória contra o Valenciennes não era vital para a conquista do título, posto que apenas adiantaria o resultado final e daria a oportunidade dos Phocéens pouparem jogadores.

O resultado? Com a delação de um dos jogadores do Valenciennes, o Marseille perdeu o título francês, sofreu o rebaixamento para a segunda divisão nacional, perdeu o direito de disputar a Copa Intercontinental, a UEFA Super Cup e também a UEFA Champions League seguinte. Como consolo, a equipe manteve o título continental. Em decorrência do escarcéu, o São Paulo enfrentou o Milan – vice-campeão europeu – em Tóquio, no final do ano.

Apesar de tudo, da vergonha e do vexame, algo não pode ser olvidado: a equipe do Olympique de Marselha tinha reconhecida qualidade. Não por acaso, ao fim de suas carreiras, quatro dos titulares possuíam o título da Copa do Mundo, Fabien Barthez, Didier Deschamps e Marcel Desailly (com a França, em 1998) e Rudi Völler (pela Alemanha, em 1990). 

Defendendo a meta marselhesa, Fabien Barthez (foto) era, apesar de jovem, uma das referências da equipe. Revelado no Toulouse, chegou ao Olympique no início da temporada 1992-1993. Apesar de ser muito lembrado por algumas falhas clamorosas, o arqueiro francês tinha ótimos reflexos e bom posicionamento. Depois da irrupção do escândalo, apesar de ter recebido muitas propostas, seguiu na equipe até 1995, quando partiu para o Monaco. Após uma passagem mal sucedida pelo Manchester United, retornou, em 2003, ao clube.

Pela lateral direita, o clube apostou em Jocelyn Angloma (foto), jogador que chegou em 1991 com a dura missão de substituir o experiente Manuel Amoros, que disputou as Copas de 1982 e 1986 e que, já experiente, passou a ser opção eventual, ficando, na maior parte do tempo, no banco de reservas. Rápido, bom no apoio e muito vigoroso, Angloma deu conta do recado. Pela faixa canhota, o titular foi Éric Di Meco. Jogador muito aplicado e, por vezes, excessivamente viril, protagonizou muitas jogadas violentas, durante sua carreira. Em eleição realizada em 2009, Amoros e Di Meco foram eleitos para o Dream Team do Olympique.


A zaga foi formada por uma dupla de jogadores de características parecidas. De um lado, Marcel Desailly (foto). Do outro, Basile Boli. Fortes fisicamente, bons no posicionamento e ótimos no jogo aéreo (apesar de nenhum dos dois ter grande estatura, 1,83m para Desailly e 1,80m para Boli) os franceses, de origens africanas, foram vitais para o sucesso do Marseille. Fosse impedindo, com muita categoria, os ataques adversários, ou balançando as redes rivais, o desempenho do duo foi de grande valia. Boli marcou o gol mais importante da história do clube, o do título da UEFA Champions League. Ademais, ambos representaram em muitas ocasiões a Seleção Francesa.

No meio-campo, atuaram três volantes com boa pegada e técnica.  Com eficaz chegada ao ataque, Franck Sauzée, tinha um chute formidável finalizando com frequência de média distância, e sendo eficiente cobrador de faltas e pênaltis. Para se ter uma ideia melhor do desempenho do jogador, na temporada 1992-1993, marcou 18 gols. Também forte na marcação, Jean-Jacques Eydelie, peça-chave no escândalo, era importante para a estrutura da equipe. Completando o setor, Didier Deschamps (foto), atual treinador e ex-capitão da Seleção Francesa, já exercia sua influência no Olympique, onde também foi o capitão. Bom passador, era o esteio da equipe.

Mais à frente, desfilando dribles, desferindo precisos chutes de canhota e assombrando o público com sua imprevisibilidade, Abedi Pelé (foto) era a peça que tornava o jogo da equipe mais bonito e criativo. Sua rapidez de raciocínio proporcionou grandes momentos ao torcedor marselhês. Considerado o terceiro maior jogador africano de todos os tempos, o ganense foi eleito entre 1991-1993 o jogador africano do ano. Atualmente, é mais lembrado por ser o pai de Jordan e André Ayew, jogadores da Seleção Ganesa.

Finalizando as jogadas, a equipe dispunha de muito poder de fogo. Depois de perder Jean-Pierre Papin, seu grande craque, o clube contratou os eficazes Alen Boksic e Rudi Völler (foto). O primeiro, sérvio, foi o grande artilheiro da equipe na temporada. Rápido e muito técnico, anotou 29 gols. Já seu parceiro, alemão e mais experiente, se posicionava bem na área e se mantinha muito atento ao menor deslize das defesas adversárias. Além disso, tinha excelente poder de finalização, com atestaram seus 22 gols na temporada.

Na temporada, a equipe foi treinada primeiro pelo francês Jean Fernandez, ex-jogador do clube, e, posteriormente, pelo belga Raymond Goethals, extremamente vivido e experiente, e que, inclusive, chegou a treinar o São Paulo, na década de 80. Além disso, alguns jogadores reservas tiveram importância na temporada, sobretudo o multifuncional Bernard Casoni, e os meias Jean-Philippe Durand e Jean-Christophe Thomas.

Ficha técnica de algumas partidas importantes nesse período:

Grupo A da UEFA Champions League: Olympique 3x0 Club Brugge

Estádio Vélodrome, Marselha

Árbitro: Aron Schmindhuber

Público 29.000

Gols: ‘4 Sauzée, ’10 e ’25 Boksic (Olympique)

OM: Barthez; Angloma, Casoni, Desailly, Di Meco; Eydelie (Jean-Philippe Durand),  Deschamps, Thomas, Sauzée; Abedi Pelé, Alen Boksic (Jean-Marc Ferreri). Téc.: Raymond Goethals

Club Brugge: Verlinden; Disztl, Plovie, Verspaille, Borkelmans; van der Elst, Staelens, van der Heyden; Verheyen, Amokachi (Rudy Cossey), Dziubinski. Téc.: Hugo Broos

Grupo A da UEFA Champions League: Olympique 6x0 CSKA Moscou

Estádio Vélodrome, Marselha

Árbitro: Serge Muhmenthaler

Público 30.000

Gols:’5, ’34 e ’49 Sauzée, ’43 A. Pelé, ’71 Ferreri e ’79 Desailly (Olympique)

OM: Barthez; Angloma, Boli, Desailly, Di Meco; Deschamps, Durand, Sauzée (Eydelie), A. Pelé; A. Boksic e Rudi Völler (Ferreri). Téc.: Raymond Goethals

CSKA: Guteev; Mamchur, Minko, Kolotovkin, Mashkarin (Karsakov), Malyukov; Bystrov, Bushamanov (Grishin), Antonovich; Sergeev e Faizulin. Téc.: Gennadi Kostylev

Final da UEFA Champions League: Olympique 1x0 Milan

Estádio Olímpico, Munique

Árbitro: Kurt Röthslisberger

Público 64.400

Gol: ’44 Boli (Olympique)

OM: Barthez; Angloma (Jean-Philippe Durand), Boli, Desailly, Di Meco; Eydelie, Deschamps, Sauzée, Abedi Pelé; Alen Boksic, Rudi Völler (Thomas). Téc.: Raymond Goethals


Milan: Rossi; Tassotti, Costacurta, Baresi, Paolo Maldini; Rijkaard, Albertini, Donadoni (Jean-Pierre Papin); Massaro, Lentini, van Basten (Eranio). Téc.: Fabio Capello

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Reforçado, Chelsea promete

No retorno de José Mourinho ao Chelsea, muito se esperava da equipe. Apesar de ter permanecido nos calcanhares de Arsenal e Liverpool durante todo o Campeonato Inglês, o clube não teve fôlego para vencer o título, vendo, ao final, o Liverpool derrapar e o Manchester City despontar como o grande campeão. Apesar de ter marcado presença assídua na primeira metade da tabela, o Chelsea só liderou o Campeonato por seis rodadas (1ª e 25ª-29ª), expondo algumas fraquezas. Prontamente, o treinador português foi às compras e reforçou a equipe, que, agora, parece muito mais apta a brigar pelo título.


* Post nº 200 do blog!



Na última temporada, com três opções teoricamente qualificadas, o ataque dos Blues revelou-se a maior deficiência da equipe na temporada. Fernando Torres, Samuel Eto’o e Demba Ba deixaram uma pergunta na cabeça dos torcedores: por que não aproveitar o jovem Romelu Lukaku, ao invés de emprestá-lo? O desempenho do belga foi imensamente superior ao de seus concorrentes. Samuel Eto’o, o melhor deles, marcou apenas nove vezes na Premier League. Se compararmos este desempenho com o dos principais artilheiros das equipes que rivalizam com o time pelo título, a marca fica ainda pior.

No Manchester City, Sergio Agüero anotou 17 gols; no Liverpool, Luis Suárez marcou 31 tentos e Daniel Sturridge, 22; Wayne Rooney, do Manchester United (de fraca campanha), balançou as redes em 17 turnos. Até mesmo o contestado Olivier Giroud levou alegrias à torcida do Arsenal mais vezes que os centroavantes do Chelsea, com 16 gols. Além destes, Wilfried Bony (17), Edin Dzeko (16), Jay Rodríguez (15), Loic Remy (15), Rickie Lambert (13), Robin van Persie (12), Emmanuel Adebayor (11) e Christian Benteke (10) – citando apenas atacantes –, marcaram mais que os goleadores de Mourinho.  

Além dos nove gols de Eto’o, na Premier League, o clube comemorou, ainda, cinco tentos de Torres e outros cinco de Ba. O artilheiro da equipe, que chegou a jogar com André Schürrle como referência, foi o winger Eden Hazard, com 14 gols.

Para a função, pelo menos por enquanto, o clube mantém Torres e conta com o retorno de Lukaku. Todavia, estes ainda podem ser negociados. Isso porque, para o setor, a equipe disporá da força e luta de Diego Costa, artilheiro do Atlético de Madrid na última temporada, com 36 gols no total – 27 deles no Campeonato Espanhol. Ademais, Didier Drogba, experientíssimo e velho conhecido do torcedor, está de volta, devendo ser opção utilizável durante os jogos e, eventualmente, titular. Ídolo do Chelsea, apesar dos 36 anos, se for usado com sabedoria, pode ser vital para uma temporada exitosa. No último ano, pelo Galatasaray, o craque foi às redes 14 vezes, 10 pelo Campeonato Turco.

Além de ter se movimentado para corrigir seu maior problema, o time do bilionário Roman Abramovich trouxe o brasileiro Filipe Luís para assumir a titularidade da lateral esquerda, que sofrera com o declínio técnico de Ashley Cole e terminou com a titularidade de César Azpilicueta (que até foi muito bem, mas é, essencialmente, lateral direito), e também no meio-campo.

Com a saída do lendário Frank Lampard para o futebol norte-americano, Mourinho aproveitou uma oportunidade de mercado e contratou o espanhol Césc Fàbregas para compor a meia-cancha da equipe. Com isso, além de repor uma peça importante, ganhou um jogador versátil e com característica de jogo distinta da dos demais jogadores de que dispõe, podendo ser utilizado em várias funções do meio e, até mesmo, como “falso 9”, no ataque.

A meu ver, falta, ainda, um zagueiro de boa qualidade, uma vez que o clube conta, apenas, com John Terry, Gary Cahill e o jovem Kurt Zouma – além de uma eventual possibilidade de improviso do lateral Branislav Ivanovic –, pelo setor. Especula-se que Torres possa ser envolvido em negociação com o Atlético de Madrid, que levaria o zagueiro Miranda para o clube londrino, o que, se consumado, seria um negócio de grande valia para a equipe.

Para mais, a outra novidade significativa para o clube é o retorno de empréstimo do grande goleiro Thibaut Courtois, que deverá se revezar na titularidade com o ídolo Petr Cech, de quem é visto como sucessor. Não restam dúvidas de que o Chelsea 2014-2015 está melhor que o anterior, e, conhecendo bem os trabalhos de José Mourinho, o clube virá com tudo para a conquista de títulos. É esperar para ver o encaixe dos jogadores, mas, a princípio, o início de temporada dos Blues é animador.  

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Craques das Copas: 1974

Finalizando a série sobre os grandes Craques das Copas, depois de tratar de Pelé e Kempes, destaques de 1970 e 1978, falo sobre outros dois jogadores monumentais, Johan Cruyff e Franz Beckenbauer, o líderes do Carrossel Holandês e o da campeã Alemã.




1974 – JOHAN CRUYFF

Ficha técnica

Nome: Hendrik Johannes Cruiff

Data de nascimento: 25 de abril de 1947

Local de nascimento: Amsterdã, Holanda

Carreira: Ajax (1964-1973), Barcelona (1973-1978), Los Angeles Aztecs (1979-1980), Washington Diplomats (1980-1981), Levante (1981), Ajax (1981-1983), Feyenoord (1983-1984)

Títulos: Campeonato Holandês (1965-1966, 1966-1967, 1967-1968, 1969-1970, 1971-1972, 1972-1973, 1981-1982, 1982-1983), Copa da Holanda (1966-1967, 1969-1970, 1970-1971, 1971-1972, 1982-1983), UEFA Intertoto Cup (1968), UEFA Champions League (1970-1971, 1971-1972, 1972-1973), UEFA Super Cup (1972), Mundial Interclubes (1972), pelo Ajax, Campeonato Espanhol (1973-1974), Copa del Rey (1977-1978), pelo Barcelona, Campeonato Holandês (1983-1984), Copa da Holanda (1983-1984), pelo Feyenoord


Maior jogador da história do futebol holandês, e segundo maior do século XX, segundo eleição da FIFA, que elegeu Pelé o maior de todos, Johan Cruyff ultrapassou as barreiras do bom futebol. Revolucionário, foi o comandante do inolvidável “Carrossel Holandês”, o exemplo do monumental Totaalvoetbal (Futebol Total, em tradução livre). Líder do que mal treinado seria uma total desordem, Cruyff foi o expoente máximo de uma ideia de jogo em que todos têm uma função, mas não se restringem a ela, conseguindo alternar-se sem prejuízo tático, sendo Totais: podendo fazer qualquer função (exceto o goleiro, por motivos óbvios).

Além dos fundamentais fatores futebolísticos, Cruyff também era único fora das quatro linhas. Preferiu o separatismo insurrecionado catalão à ditatura madridista. Depois de elevar o Ajax ao patamar dos gigantes do futebol mundial, com três títulos europeus, aportou em Barcelona, onde continuaria a mostrar o brilhantismo de um jogador cuja característica capital era a precisa leitura de jogo, e onde, após a aposentadoria, faria mais revolução, como treinador.

Sua posição? A enigmática expressão “função-Cruyff” explica. Chamá-lo de atacante é insuficiente, contudo, também não se pode descrevê-lo como um jogador à defensiva. Estrela da companhia Total, fez de tudo e se tornou único. Ícone e protagonista do que poderia ter sido uma obra cinematográfica dramática. Em 1974, a Holanda merecia ser campeã, pela bola e pela proposta. Todavia, foi vitimada por uma forte e pragmática Alemanha. Um caso raro de vice que é mais lembrado que o campeão.

Na competição, o craque e capitão neerlandês atuou em todos os jogos, marcando três gols, dois contra a Argentina e um contra o Brasil. Sob sua direção, os holandeses escaparam da pancadaria Uruguaia, não saíram do zero contra a Suécia (em um jogo com muitas chances, apesar do placar) e golearam a Bulgária, na primeira fase. Na segunda, ajudou a Holanda a liderar com autoridade um grupo com Brasil, Argentina e Alemanha Oriental (que, ironicamente, tinha se superiorizado à sua irmã do ocidente, que bateria a Holanda, na final). E, ao final, juntou-se ao seleto grupo dos gênios sem Copa. Não disputaria outra.

Ao todo, envergou a camisa laranja 48 vezes, balançando as redes adversárias em 33 turnos. Único, foi capaz de desafiar prognósticos e a direção do Ajax. Ao final de sua carreira, quando já tinha 36 anos, viu-se rejeitado pelo Ajax, que, em função de sua idade, não quis renovar seu contrato. Desejando provar o contrário, fechou com o Feyenoord, grande rival do clube de Amsterdã. Lá, venceria o Campeonato Holandês e a Copa da Holanda, provando que não se podia duvidar de um gênio.

Para o jornalista Mauro Beting, “Cruyff reinventou a matemática do jogo. Redefiniu seus números. Renomeou suas posições. Reinou nos campos e nos bancos. Foi o maior não campeão mundial por uma Seleção. É um dos poucos que podem jogar em qualquer posição, em qualquer seleção de melhores de todos os tempos. É Cruyff. É craque.” 

1974 – FRANZ BECKENBAUER

Ficha técnica

Nome: Franz Anton Beckenbauer

Data de nascimento: 11 de setembro de 1945

Local de nascimento: Munique, Alemanha

Carreira: Bayern de Munique (1965-1977), Cosmos (1977-1980), Hamburgo (1980-1982), Cosmos (1983)

Títulos: Campeonato Alemão (1968-1969, 1971-1972, 1972-1973, 1973-1974), Copa da Alemanha (1965-1966, 1967-1968, 1968-1969, 1970-1971), UEFA Champions League (1973-1974, 1974-1975, 1975-1976), UEFA Winner’s Cup (1966-1967), Mundial Interclubes (1976), pelo Bayern de Munique, NASL (1977, 1978, 1980), pelo Cosmos, Campeonato Alemão (1981-1982), pelo Hamburgo, UEFA Euro (1972) e Copa do Mundo (1974), pela Alemanha


Se descrever Cruyff como um jogador de ataque é insuficiente, na mesma medida, tratar o gênio Franz Beckenbauer como um jogador defensivo também o é. Meio-campista de formação, sempre gostou de entremear os construtores de jogo da equipe. Completo em termos de qualidades futebolísticas, tinha uma capacidade de entender o jogo e interpretá-lo absolutamente fantásticas. Não fosse assim, talvez não tivesse compreendido que seu melhor lugar seria atuando na retaguarda, onde melhor poderia enxergar a cancha e ajudar sua equipe. Nascia ali o líbero, na maior e melhor acepção terminológica.

“Dono” do Bayern de Munique e da Seleção Alemã, o Kaiser, como ficou conhecido, fez nascer uma função que, diferentemente da de Cruyff, ganharia nome: líbero. Pela classe que tinha, Beckenbauer poderia ter atuado em qualquer lugar do campo. Era elegante e jogava com grande inteligência. Entendia o jogo como poucos entenderam. Sabia da importância da defesa, sem perder o apreço pelo ataque.

Nono atleta que mais vezes vestiu a camisa germânica, com 103 aparições, entre 1965 e 1977, marcou 14 gols. Na trajetória rumo ao bicampeonato mundial tudesco, não marcou gols, mas foi o esteio da equipe durante todas as partidas da competição. Desde a magra vitória na estreia contra o Chile, passando pela derrota para a Alemanha Oriental e chegando, por fim, à finalíssima, quando embateu forças com a fantástica Holanda.

Exemplo de sobriedade e refino, sempre valorizou o trabalho coletivo. Ao falar da atual campeã mundial, ressaltou a grandeza da equipe, como um todo. E sempre teve discernimento para tudo o que dissesse respeito ao riscado, às quatro-linhas. Não à toa passou com imenso sucesso por todos os postos do futebol. Ganhou a Copa do Mundo como jogador e treinador, presidiu o Bayern de Munique e dirigiu o Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2006, um total sucesso.

Na bola, poucos tiveram sua qualidade técnica. Menor é o número daqueles que entenderam o jogo como ele. Foi craque. Só não foi eleito o craque da Copa de 74 porque, no meio do caminho, havia um Cruyff.
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