quarta-feira, 20 de maio de 2015

Por que o Sevilla vai tão bem na Europa League?

Favorito à conquista de seu tetracampeonato da Europa League, em um período de dez temporadas, o Sevilla desponta como a equipe de melhor desempenho na competição nos últimos tempos e nos leva ao questionamento uníssono: por que o clube andaluz vai tão bem na Europa League?




Manutenção de uma filosofia de trabalho

Como qualquer clube de médio porte, o Sevilla não tem condições financeiras para fazer frente ao poderio de equipes como Barcelona, Real Madrid, Chelsea, Paris Saint-Germain e Bayern de Munique, por exemplo. O que isso quer dizer? Duas coisas. Primeiro que a equipe não consegue manter seus destaques por muito tempo e segundo que os andaluzes tem poucas perspectivas de conquistas nacionais e, por isso, valorizam muito a Europa League.
Diferentemente dos clubes ingleses, por exemplo, que não enxergam grandes benefícios (sobretudo econômicos) na disputa da Europa League - situação que tende a se alterar no curto prazo, uma vez que a partir da presente temporada o campeão conquista também uma vaga na UEFA Champions League da temporada seguinte - o Sevilla sempre vislumbra a possibilidade da conquista de um título, algo que dificilmente conseguiria na Liga Espanhola e na Copa del Rey.

O clube andaluz entendeu que, a despeito da superioridade técnica de Atlético de Madrid, Barcelona e Real, é possível lutar por uma vaga na competição continental, onde disputa mormente com equipes de seu patamar ou inferiores. Assim, desde 2005-2006 (foto), vem vivendo campanhas de sucesso.

Outra característica importante não concerne à motivação e ao planejamento do clube, mas à forma como monta seus elencos. Como outros clubes da Europa, o Sevilla especializou-se no garimpo de talentos de mercados periféricos e raramente foge à esse padrão. Jogadores sul-americanos, espanhóis de destaque em equipes menores e de países europeus de menor expressão são os alvos habituais do time.
"Estou muito satisfeito com nosso trabalho e por nossos torcedores. Nós amamos essa competição. Agora nós precisamos aproveitar nosso sucesso e pensar na final," disse o treinador Unai Emery após a vitória contra a Fiorentina. 
Como o clube tem tido muita perícia nessa prática, inevitavelmente, tem sofrido com o êxodo de seus melhores jogadores. Assim, Julio Baptista, Daniel Alves, Adriano, Sergio Ramos, Jesus Navas, Álvaro Negredo, Seydou Keita, Alberto Moreno e Ivan Rakitic, por exemplo, ganharam mercado e partiram para equipes maiores. Não obstante, o Sevilla tem sabido, como poucos, lidar com essas circunstâncias, mantendo uma regularidade há anos.

Desinteresse de seus concorrentes

Como dito, algumas equipes não vêem grandes benefícios na disputa da competição, acima de tudo os ingleses, que em condições normais seriam rivais duríssimos. Por quê? A resposta mais evidente vem do lado financeiro.

No que toca às equipes inglesas, é mais lucrativo brigar por uma boa posição no campeonato nacional do que lutar por um título continental de segunda linha. O maior expoente disso tem sido, repetitivamente, o Tottenham. Na atual temporada, a quinta colocação da Premier League pagará ao quinto colocado £19,2 milhões (mais £55 milhões igualmente distribuídos entre todas as equipes), ao passo que a Europa League só concede £11 milhões a seu campeão.

Além desse fator, há outro de grande relevância que é o foco em outras competições. Nesta temporada, o Wolfsburg foi um bom exemplo. Vivos na disputa da DFB Pokal e segundos colocados com sobras na Bundesliga, os Lobos jogaram excelente futebol na temporada (como demonstra a goleada por 4x1 contra o Bayern de Munique), mas sucumbiram contra o Napoli, que muito oscilou em 2014-2015. Ao analisar os confrontos, percebe-se que, além de a equipe italiana ter jogado em altíssimo nível, o time não mostrou a qualidade de suas exibições do Campeonato Alemão (é no mínimo curioso um time capaz de golear o poderoso Bayern de Munique, sofrer pesada derrota para o Napoli, 4x1, em seus domínios).

Estes fatores também explicam o sucesso recente de outros espanhóis, casos de Atlético de Madrid (que ainda não se encontrava no atual patamar), campeão em 2010 e 2012, Athletic Bilbao, finalista em 2012, e Espanyol, finalista em 2007. A exceção fica por contra do Valencia de 2004, que também mostrou-se uma equipe de ponta no Campeonato Espanhol, conquistando-o.

Vem mais um por aí?

Contando com um elenco equilibrado, com peças jovens e outras experientes, cujos grandes destaques tem sido o colombiano Carlos Bacca e os espanhóis Vicente Iborra, Vitolo e Aleix Vidal, o Sevilla fez ótimos jogos contra Borussia Monchengladbach, Villarreal, Zenit, que se sagrou campeão russo, e Fiorentina.

Atuais detentores do título e persistentes em uma proposta que tem tido sucesso, os comandados de Unai Emery entram na final de Varsóvia com indiscutível favoritismo. O Dnipro, seu rival, se mostrou uma grata surpresa na temporada, conseguindo com sobras a terceira posição no Ucraniano e eliminando o forte time do Napoli. Comandado por Evgen Konoplyanka, o time pode continuar surpreendendo, mas, cascudo, o Sevilla entrará em condição superior. Todavia, no futebol, muitas vezes, isso acaba não tendo qualquer reflexo e espera-se um grande jogo no dia 27 de maio.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Segurança em Manchester

Se a temporada dos rivais de Manchester não cumpre as expectativas do início da temporada, quando esperava-se que o City, então campeão inglês, brigasse pelo bicampeonato e o United, sob novo comando, retomasse o vitorioso caminho percorrido sob o comando de Sir Alex Ferguson. A despeito disso, a situação poderia ser pior, não fossem as brilhantes temporadas dos arqueiros rivais: Joe Hart, pelos Citizens, e David de Gea, pelos Red Devils.



Contestado durante boa parte da última temporada, chegando a perder, ocasionalmente, a titularidade para o desengonçado grandalhão Costel Pantilimon, Joe Hart deu a volta por cima na presente temporada. Parece justo dizer que muito disse se deve à contratação de Willy Caballero (foto). Referência no Málaga, onde foi comandado por Manuel Pellegrini, o goleiro argentino chegou ao Etihad Stadium ameaçando a titularidade do inglês, que respondeu à ameaça com brilhantes apresentações.

Com 13 clean sheets na Premier League – segunda melhor marca da competição –, o goleiro titular do English Team termina a temporada, ao lado de Yaya Touré e Sergio Agüero, como o grande destaque de uma equipe que começou bem a temporada, mas desandou entre os meses de março e abril, quando, em sete jogos, saiu quatro vezes derrotado.

O desempenho espetacular de Hart pode ser sintetizado por suas apresentações contra o Barcelona, na UEFA Champions League. Não obstante as duas derrotas – 2x1 no jogo de ida e 1x0 no de volta –, o placar poderia ter sido muito mais alargado, não fossem as brilhantes performances do inglês.

O Hart salvou tudo. Nós fizemos tudo para marcar mais gols, e o goleiro deles (Manchester City) jogou um grande jogo e nós só podemos parabenizá-lo,” disse Lionel Messi em entrevista coletiva após a eliminação dos Citizens da UEFA Champions League.

No total, considerando os goleiros dos melhores clubes da Premier League, Hart só fica atrás de de Gea no total de defesas no inglês, tendo brilhado em 73 ocasiões.



Falando em de Gea, o goleiro é o grande destaque individual de uma equipe que tem os talentosos Robin van Persie, Falcao García, Ángel di María e Juan Mata em seu elenco. Seus 10 clean sheets não parecem uma marca tão expressiva, mas não diminuem os feitos do espanhol, que merece todos os créditos pelos resultados do United na temporada. Autor de 76 defesas durante toda a Premier League, foi selecionado para o seleto grupo de seis melhores jogadores da temporada inglesa, junto de Diego Costa, Philippe Coutinho, Harry Kane, Alexis Sánchez e Eden Hazard, o grande vencedor.
Após a vitória contra o Newcastle, Ashley Young, companheiro do espanhol, foi enfático:

O David de Gea foi novamente magnífico essa noite. Foi uma vitória muito disputada. Sabíamos que precisávamos dos três pontos e conseguimos nossas recompensas.”

Apresentando muita consistência em sua melhor temporada pelo United, de Gea também foi elogiado recentemente por seu treinador após a vitória tangencial dos Red Devils contra o Crystal Palace.

“Ele fez uma grande defesa no momento mais importante, porque, naquele momento, o Crystal Palace poderia marcar seu segundo gol e seria muito difícil para nós voltarmos para o jogo,” disse Louis van Gaal (foto).

Outro elogio importantíssimo veio da grande referência do United nos últimos anos, Sir Alex Ferguson:

“No presente, o cara que é mais admirável para mim é David de Gea. Quando o contratamos ele era um garoto, mas ele tem um talento especial e estou muito feliz por esse menino, eu realmente estou,” disse seu ex-comandante.

Não restam dúvidas de que as temporadas de Joe Hart e David de Gea têm sido fantásticas, a despeito do não cumprimento das expectativas em cima de seus clubes. Amadurecidos, inglês e espanhol assumiram o protagonismo que deles se espera e brilharam como nunca em 2014-2015, trazendo muita segurança para a cidade de Manchester.



Futuro sem de Gea?

Contratado em meados de 2011, de Gea teve muitas dificuldades para se adaptar ao clube inglês, sobretudo em função da expectativa criada com a sucessão do ídolo Edwin van der Sar. Apesar de demonstrar regularmente sua qualidade, até a presente campanha, o espanhol cometia algumas falhas bobas e não transmitia a esperada segurança. Só em sua quarta temporada o goleiro de 24 anos conseguiu demonstrar sua grande categoria.

E seu desempenho não passou despercebido aos olhos de outros grandes clubes, o que tem agitado o mercado de transferências. O poderoso Real Madrid tem demonstrado vivo interesse em sua contratação, para promover a transição de Iker Casillas e manter seu gol entregue às salvadoras mãos de um atleta espanhol.

A perspectiva de sua saída é real e Louis van Gaal, embora ainda acredite em sua permanência já trabalha com a possibilidade de perdê-lo:

"Temos uma lista de goleiros que podem substituir o de Gea. Temos de estar preparados para isso. Queremos que ele fique e que possa assinar, mas para isso ele também tem de querer ficar no Manchester United. Ele precisa definir", disse.

Caso os Red Devils percam sua grande referência da atual temporada, Asmir Begovic ou Hugo Lloris (foto) poderiam ser contratados, conforme tem noticiado a imprensa britânica.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Sete jogadores que defenderam Barcelona e Juventus

Tradicionais como poucos clubes do mundo, Barcelona e Juventus contaram com poucos jogadores em comum em suas histórias. Alguns deles foram bem nos dois times, outros em apenas um deles, e há quem não tenha se feito notar. No entanto, não se pode negar que estamos tratando de um seleto e honrado grupo, afinal vestir camisas com o peso e a importância dos Bianconeri, maiores campeões italianos, e dos Blaugranas, segundos maiores campeões na Espanha, é uma glória para poucos. Selecionamos sete membros das belas histórias dos finalistas da UEFA Champions League 2014-2015.



1 – Michael Laudrup

Um dos maiores craques da história do futebol dinamarquês, provavelmente o maior, Michael Laudrup, excepcional passador, chegou à Juventus em 1985, após destacar-se no modesto KB, da cidade de Copenhagen, no Brondby – onde conquistou o prêmio de melhor jogador dinamarquês do ano, em 1982 –, e na Lazio, onde atuou entre 1983 e 1985, emprestado pela Vecchia Signora, que o havia contratado em 1983, mas desejava que seu novo prodígio (à época com 19 anos) se integrasse ao futebol itálico em outra equipe e encarava uma restrição ao número de estrangeiros – só dois eram permitidos e os Bianconeri já contavam com o polonês Zbigniew Boniek e com o francês Michel Platini.

A transferência, avaliada em $1 Milhão, para a Bota representou, à época, a transferência mais cara de um jogador dinamarquês em toda história.

Mais experiente e contando com a saída de Boniek, Laudrup retornou em 1985, logo após a conquista da primeira UEFA Champions League da Juventus, compartindo o meio-campo com Platini. Na primeira temporada ao lado do craque gaulês, Laudrup brilhou, conquistando a Copa Intercontinental e o Campeonato Italiano. Não obstante, com muitas lesões, não foi bem em 1986-1987, viu Platini se aposentar e, nas duas temporadas seguintes não conseguiu assumir sozinho o protagonismo dele esperado. Era chegada a hora da partida. 151 jogos e 35 gols depois de sua chegada. Próximo destino? Barcelona!

Comandado por Johan Cruyff, Laudrup viveu os melhores anos de sua carreira. Com títulos e atuando ao lado de jogadores da estirpe de Romário, Hristo Stoichkov, Ronald Koeman, Pep Guardiola, José Bakero e Txiki Begiristain. Como possuía grande visão de jogo e fantástica qualidade de passe, o dinamarquês representava tudo o que seu treinador mais prezava, assumindo, por fim, uma condição de protagonismo que não conseguiu em Turim.

Pela equipe catalã atuou 216 vezes e marcou 55 gols, conquistando uma Copa del Rey, quatro Campeonatos Espanhóis, duas Supercopas da Espanha, uma UEFA Champions League e uma Supercopa da UEFA. Não obstante seu sucesso, Laudrup se desentendeu com Cruyff e, em 1994, mudou-se para Madrid, onde defendeu o rival maior do Barça.



2 – Thierry Henry

Cria do Monaco, Henry atuou por Barcelona e Juventus em momentos absolutamente distintos e que refletem os diferentes desempenhos alcançados.

Destaque do time monegasco, o francês desembarcou em Turim aos 21 anos, por aproximadamente £10,5 Milhões e permaneceu apenas seis meses na Bota. Ainda em formação, não jogava como centroavante, mas como um atacante de lado de campo e não se destacou. No total, disputou 19 jogos pela Juve e marcou três gols, sendo logo vendido ao Arsenal, onde teve desempenho de tal forma bom que não é preciso comentar.

Consagrado, após oito temporadas no clube londrino, o centroavante franco se readaptou à sua primeira função no Barcelona e foi muito bem. Contratado por €24 Milhões, demorou um pouco a se adaptar ao novo clube e à nova-velha função.

Na Espanha, em função da presença de Samuel Eto’o, Henry atuou pelo flanco canhoto do ataque e, após uma temporada de adaptação (que, não impediu o jogador de ser o maior artilheiro do time na temporada, com 19 gols), voou em 2008-2009, ajudando o Barça a conquistar a UEFA Champions League e o Campeonato Espanhol.

Antes de se desligar do clube, em 2009-2010 começou a vivenciar seu declínio físico, mas, ainda assim, ajudou a equipe a conquistar outro Campeonato Espanhol, a Supercopa da Espanha, a Supercopa da UEFA e o Mundial Interclubes. No todo, atuou 121 vezes pelos Blaugranas, marcando 49 gols e seu nome na história do clube.



3 – Edgar Davids

Sempre lembrado por integrar um inesquecível time do Ajax, que conquistou a Europa em 1995, Edgar Davids é ídolo na Juventus. Todavia, um detalhe curioso antecedeu sua chegada à Turim: uma passagem obscura e de pouco destaque pelo rival Milan.

Técnico, grande marcador, brigador e excelente passador, com a camisa da Vecchia Signora, o holandês, de origem surinamesa, ganhou a alcunha de Pitbull.

Contratado em 1997, por £5,3 Milhões, foi, até 2004, o motor de um meio-campo excelente. Na Juve, Davids compartiu o setor com figuras emblemáticas como Zinedine Zidane, Antonio Conte, Didier Deschamps, Angelo Di Livio e Pavel Nedved, dentre outros.

Com o alvinegro, conquistou três Campeonatos Italianos, duas Supercopas da Itália e uma UEFA Intertoto. Em 2002-2003, chegou perto, mas não conseguiu conduzir a equipe à sua terceira taça da UEFA Champions League. O meio-campista totalizou 243 jogos pela equipe italiana, marcando 13 gols. Em janeiro de 2004, deixou o clube, rumando para o Barcelona.

Chamado para ajudar na reconstrução de um novo Barça, comandado por Frank Rijkaard, Davids aceitou o desafio, dividindo o meio campo hispânico com Philip Cocu, Xavi, Luis García e Ronaldinho Gaúcho. Ao final da temporada 2003-2004, com o vice-campeonato espanhol assegurado, retornou à Itália, onde defendeu a Internazionale. Nos poucos meses em que permaneceu na Catalunha, Davids jogou 18 partidas e anotou um tento.



4 – Juan Pablo Sorín

Consagrado com a camisa da Seleção Argentina, Sorín teve uma carreira em clubes recheada de altos e baixos. Após um início fulgurante com a camisa do Argentinos Juniors, Juampi chegou à Juventus com status de grande promessa. Capitão dos Hermanos na conquista do Mundial Sub-20 de 1995, o lateral esquerdo chegou à Turim no mesmo ano, mas fracassou. Aos 20 anos, não pareceu muito simples a mudança para a Itália e logo em 1996 retornou ao futebol argentino, onde voltaria a viver grandes dias com a camisa do River Plate.

Sorín disputou apenas dois jogos pela Juve.

Após a conquista de inúmeras glórias com a camisa dos Millonários, Sorín teve excelente passagem pelo Cruzeiro e voltou a ficar bem cotado no cenário esportivo mundial. Com isso, em 2002 começou sua tríade de empréstimos. Primeiro à Lazio, onde sofreu com lesões e não se adaptou, depois ao Barcelona, onde desempenhou bom papel, e por último ao PSG, antes de mudar-se em definitivo para o Villarreal.

Na Catalunha, permaneceu a segunda metade da temporada 2002-2003, disputando 15 partidas e marcando um gol apenas. Embora não fosse um bom momento para o clube como um todo – tendo terminado La Liga na sexta posição –, o argentino manteve-se em alta.



5 – Gianluca Zambrotta

Campeão Mundial com a Itália, Zambrotta foi um dos ícones da Juventus no início da última década e um dos melhores e mais úteis laterais do mundo no período.

Contratado junto ao Bari em 1999, o italiano era opção pelas duas laterais, como meio-campista pelos flancos e, até mesmo, como volante. Enquanto conservou sua excepcional condição física, foi um grande jogador. Na Juve permaneceu sete anos, conquistando dois Campeonatos Italianos, uma UEFA Intertoto e duas Supercopas da Itália.

Não obstante, com o escândalo do Calciopoli, ao final da temporada 2005-2006, a equipe de Turim foi rebaixada para a segunda divisão e teve que conviver com uma debandada. Um dos atletas que deixaram a equipe foi Zambrotta, que partiu para Barcelona. O italiano deixou a Juve com 294 jogos disputados e 11 gols marcados.

Na Catalunha, foi regularmente titular e até conseguiu destacar-se nas duas temporadas que lá permaneceu. A despeito disso, já havia passado de seu auge e em 2008, com a contratação de Daniel Alves pelo Barça, voltou para a Itália, onde defendeu o Milan até o final de sua carreira. No total, Zambrotta defendeu os Blaugranas em 80 partidas, marcando três gols e conquistando a Supercopa da Espanha de 2006.



6 – Lilian Thuram

Um dos melhores defensores de seu tempo e da história do futebol francês, o zagueiro Lilian Thuram, guadalupense de nascimento, chegou à Turim com um currículo respeitável. Com muitos títulos pelo Parma (de onde foi contratado em 2001, por 80.000 milhões de Liras), uma Copa da França pelo Monaco e a gloriosa Copa do Mundo de 1998, da qual foi, indubitavelmente, um dos protagonistas, foi contratado em 2001 e formou um dos setores defensivos mais fortes da história do futebol.

Ladeado pelo goleiro Gianluigi Buffon, o craque Fabio Cannavaro, Ciro Ferrara, Paolo Montero, Gianluca Pessotto, Mark Iuliano, o tratado Zambrotta, e outros jogadores de menor, porém boa, qualidade, Thuram marcou época e ajudou a fazer da equipe alvinegra um adversário respeitadíssimo e, provavelmente, formando o melhor setor defensivo de seu tempo, rivalizando com o do rival Milan.

Pela Juve, disputou 204 jogos, marcou um gol e conquistou dois Campeonatos Italianos e duas Supercopas Italianas.

Como Zambrotta, em 2006 deixou a Itália e rumou para o Barcelona. Aos 34 anos, nunca conseguiu se firmar como titular absoluto, mas foi peça importante em função de sua experiência e versatilidade, que o permitia atuar pela lateral direita também. Com o fim de seu contrato, descobriu um problema cardíaca e encerrou sua carreira.

Pela equipe catalã entrou em campo 58 vezes, sem marcar e, tal como Zambrotta, conquistou a Supercopa da Espanha de 2006.



7 – Zlatan Ibrahimovic

Controverso na mesma medida em que é goleador, o falastrão sueco chegou à Juventus em 2004, após trajetórias bem sucedidas no Malmo, de seu país, e no Ajax. Alto, forte, habilidoso e excepcional finalizador, Ibrahimovic mal chegou à Turim (por €16 Milhões) e já ganhou lugar no time titular, ganhando a vaga do goleador David Trezeguet, que sofreu muitas lesões em 2004-2005 e, claro, marcando gols. Em sua primeira temporada foram 16.

Em sua segunda temporada, manteve a titularidade mas, dessa vez, diminuindo o espaço do astro Alessandro Del Piero. Não obstante, sua marca não foi tão boa quanto a anterior, com o sueco marcando 10 gols.

Como Zambrotta e Thuram, deixou o clube com o Calciopoli, mas diferentemente não foi para o Barcelona. Por €24 Milhões, desembarcou em Milão, onde defendeu por três temporadas a Inter. Pela Juventus, desconsiderando os títulos que foram retirados da equipe, não conquistou taças, tendo representado a equipe 92 vezes e marcado 26 gols.

Mais adaptado ao futebol italiano, fez excelentes três temporadas pela Inter, conquistando o tricampeonato italiano. Assim, por incríveis €46 Milhões, mais os serviços de Samuel Eto’o, foi contratado pelo Barcelona, onde nunca foi o mesmo. Comandado por Pep Guardiola, que sempre prezou por um estilo de jogo móvel, o sueco sofreu e não se adaptou.

Constantemente substituído e insatisfeito, deixou o clube após uma única temporada, todavia, com conquistas. Um Campeonato Espanhol, duas Supercopas da Espanha, uma Supercopa da UEFA e um Mundial de clubes foram o saldo da temporada 2009-2010, na qual o artilheiro disputou 45 jogos e marcou 22 gols.



Atualmente, a Juventus conta em seu elenco com o uruguaio Martin Cáceres, que teve passagem apagadíssima pelo Barcelona na temporada 2008-2009, sendo, nos anos seguintes, emprestado à Juve e ao Sevilla, clube para o qual vendeu-o e de onde a equipe italiana o contratou em definitivo, em 2012.


terça-feira, 12 de maio de 2015

Vender Shaqiri foi um erro

Conhecido por suas invenções e inovações táticas, Pep Guardiola pode ter cometido um deslize gravíssimo na última janela de transferências: vender Xherdan Shaqiri para a Inter de Milão. Evidentemente, o suíço-kosovar não é um grande craque, mas um jogador de grande utilidade e versatilidade. As ausências de Arjen Robben e Franck Ribery deixaram bem clara uma lacuna grave no elenco do Bayern – sobretudo nas partidas contra o Barcelona.



Hoje, o que se percebe taticamente no time bávaro são algumas variações táticas no setor de defesa, com recuos eventuais de Xabi Alonso para compor uma linha de três beques e liberar os alas e também com a fixação de um dos laterais na primeira linha da defesa, formando, também, uma linha de três defensores e liberando o ala contrário para avançar, como Pep já fazia nos tempos de Barcelona, prendendo Eric Abidal de forma a conceder maior liberdade aos avanços de Daniel Alves.

Na linha de meio-campo, há uma versão sofisticada do “trivote”, nome comumente utilizado para descrever uma formação com três meio-campistas defensivos. Todavia, diferentemente da ideia que se tem do trio, os meias bávaros não limitam-se à marcação – longe disso. Xabi Alonso, Philipp Lahm, Thiago Alcântara ou Bastian Schweinsteiger fazem de tudo. Excelentes passadores, conseguem criar bastante, fomentam o ataque e também destroem. São atletas dinâmicos.

Completando o time – ao menos a equipe ideal – Robben e Ribery agregam velocidade e imprevisibilidade pelos flancos, decidindo jogos e ajudando Robert Lewandowski na tarefa de marcar gols. Além disso, há a vital presença de Thomas Müller (foto), este sim “o” faz tudo da equipe, a engrenagem crucial. Peça útil pelos flancos, como “falso 9” ou no meio-campo, o alemão movimenta-se incansavelmente, oferece uma riqueza imensa de opções aos seus companheiros e desmonta as marcações adversárias.

Assim, com toda a equipe disponível, o Bayern de Munique é um time assustadoramente letal. Não obstante, as ausências de Robben e Ribery aleijam a equipe. Sem eles, a equipe mantém sua excelente gestão da posse de bola, mas perde seu diferencial. Não há ninguém no atual elenco bávaro que exerça com um mínimo de semelhança as funções de holandês e francês. Esse alguém era Shaqiri.

Espere um momento? Não seria Mario Götze essa figura? A resposta é taxativamente negativa. E logo será explicada. Com o baixinho atarracado que hoje representa as cores da Internazionale, o Bayern tinha uma opção para ambos os flancos, com velocidade e características semelhantes às dos craques do time de Guardiola. Poder-se-ia arguir que o suíço ansiava por mais minutos e que desejava sair. Nesse caso, sendo sua permanência impossível, o time deveria ter buscado alguma alternativa no mercado, de forma a não permanecer tão refém de suas estrelas. Os rumores recentes de um interesse no brasileiro Felipe Anderson (foto) indicam a percepção do erro.

Guardiola e a direção do Bayern pecaram, e o futebol não perdoa erros. Prova disso foram as lesões concomitantes de Robben e Ribery. Sem eles, o Bayern mostrou um jogo pragmático e sucumbiu diante da riqueza do futebol imprevisível do famigerado trio “MSN”, formado por Lionel Messi, Neymar e Luis Suárez.

O que acontece com Götze?

Contratado após brilhantes temporadas com o Borussia Dortmund, onde recebeu o rótulo de “Messi Alemão”, Mario Götze até chegou a viver bons momentos com a camisa do Bayern, mas estes foram uma gota no oceano. Além de um problema de desmotivação, o garoto – sim, Mario ainda é muito jovem – não se encaixa no estilo de jogo do Campeão Alemão.

Camisa 10 natural, dono de excelente trato da bola, habilidade e criatividade, não dispõe dos atributos físicos e do dinamismo necessários para atuar na linha de meio-campo bávara e não tem velocidade para ser escalado pelos flancos. Uma alternativa algumas vezes utilizada foi sua colocação na função de “falso 9”, mas a presença de Lewandowski, camisa 9 natural, impede esse uso.

No Borussia Dortmund, atuando pelo centro de uma linha de meio-campistas mais avançados, o “3” do afamado esquema 4-2-3-1, Götze tinha tempo para pensar, liberdade para criar e encostar nos outros meias e no centroavante. Da forma como o Bayern se formata, não tem se encontrado e, não raro, deixa-se abater e não mostra competitividade. Definitivamente, o alemão não é a solução para as ausências dos grandes e decisivos diferenciais do Bayern. Potencial, o garoto tem de sobra e, sobre isso, Franz Beckenbauer pode ter mostrado certa razão em suas últimas críticas:

"Ele está estagnado. Ele joga como um adolescente. Assim que perde a bola, ele abaixa a cabeça. É o momento de ele se tornar um adulto e explorar o seu potencial extraordinário," disse o Kaiser.

Falta ao Bayern um equilíbrio maior em seu elenco, sobretudo na linha de frente. Vender Shaqiri foi realmente um erro.
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