quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Enfim, estourou: a temporada de afirmação de Luis Alberto

Há algum tempo, nas categorias de base do Sevilla, surgiu um meio-campista que muito prometia. Trazia consigo as marcas do estereótipo do jogador espanhol. Conduzia a bola com destreza, tinha capacidade para driblar e concluir. Construía assistências com perícia e anotava seus golzinhos com certa frequência. No entanto, Luis Alberto seguiu para o Barcelona B, depois para o Liverpool. Foi sendo emprestado, na sequência, para Málaga e Deportivo La Coruña (único clube em que foi relativamente bem) e não conseguia cumprir seu potencial. Eis que a Lazio apareceu em seu caminho e, depois de um início de poucas oportunidades, o espanhol conseguiu colocar sua carreira nos trilhos.


Foto: Cordon Press

Em 2016/17, sua primeira temporada vestindo a camisa biancocelesti, o andaluz não teve muitas oportunidades. Ainda que o treinador Simone Inzaghi já estivesse no clube, o meia teve escassas chances. Contudo, ao final da temporada teve algumas e foi bem. Na 32ª rodada, conseguiu extrair um gol dos nove minutos em que esteve em campo, contra o Genoa, garantindo um empate para a Lazio. Na 36ª, perante a Fiorentina, construiu dois gols, mas não evitou a derrota laziale. Não é que tenha terminado a campanha em alta, mas o camisa 18 mostrou serviço.

Esse trabalho foi especialmente importante quando se encaminhou o ano corrente. Isso porque tão logo se desenhou a temporada, a equipe da capital italiana perdeu Felipe Anderson, lesionado, Keita Baldé, negociado com o Monaco, e viu o recém-chegado Nani conviver com problemas físicos sem emplacar (não foi titular em nenhuma partida do Campeonato Italiano). Luis Alberto acabou se tornando titular, possivelmente mais por conta da necessidade do que motivado pelas convicções de Inzaghi. E deu muito mais certo do que qualquer um poderia supor, mesmo porque o jogador se mostrou inadaptado e frustrado no início de sua trajetória pela Lazio.

Foto: Denis Doyle/Getty Images
Se em janeiro de 2017, Inzaghi dizia que o jogador precisava ter paciência, em setembro já o considerava indispensável. "Luis Alberto, repito, tem habilidades importantes, ele pode fazer a diferença, mas os primeiros seis meses dificultaram a adaptação à nossa realidade, eu conversei com ele e seus agentes e fiz com que ele entenda isso. Antes de pensar em uma transferência deve provar algo para o Lazio", dizia o comandante do time romano. Oito meses mais tarde, já revelava que “ele é um jogador completo [...] nesse momento, não posso jogar sem ele”. Essa foi só mais uma demonstração do caráter efêmero do futebol.

A verdade é que mesmo que Simone tivesse algum problema com o espanhol, não teria como negar a qualidade do futebol que o jogador tem apresentado. Além dos gols de Ciro Immobile, é o talento de Luis Alberto que tem levado a Lazio adiante. O jogador tem sete assistências na temporada (para se ter a dimensão do que isso representa, deve-se ter em conta que, considerando as cinco principais ligas da Europa, Neymar tem 11 e os demais líderes nove) e mais seis gols.

Esse desempenho, aliás, parece ter vindo para ficar. A temporada do futebol italiano já passou da primeira metade, os Biancocelesti lutam por uma vaga na UEFA Champions League, e a forma do meia tem sido regular. O máximo de partidas que o atleta passou sem marcar ou assistir foram cinco, ainda no começo da temporada, somados três jogos da Serie A e outros dois da Europa League; Luis Alberto realmente saiu da água para o vinho com a mudança de temporada. Aos 25 anos, confirmou o que já se especulava desde sua juventude.

Assim, veio o reconhecimento merecido. Em novembro, foi convocado pela primeira vez para a Seleção Espanhola principal. O treinador da Fúria, Julen Lopetegui, já havia dirigido o meia nos escalões sub-19 e sub-21 e promoveu a estreia do meia em um amistoso contra a Costa Rica. Além disso, no último mês, o andaluz teve seu nome ligado a uma transferência ao Barcelona, dessa vez não mais para representar a equipe B, mas a principal. No entanto, a conclusão da contratação de Philippe Coutinho pelos catalães deve cessar, ao menos temporariamente, a procura por Luis Alberto.

Foto: Getty Images


Tudo isso é reflexo do desempenho recente do meia. Aliás, antes da interrupção do futebol na Velha Bota, em razão do inverno, o jogador voltou a mostrar porque está em evidência. Embora tenha sido ofuscado por Immobile, que, de forma espetacular, anotou um poker, indo às redes quatro vezes contra a SPAL, Luis Alberto fez um gol soberbo. Primeiro, matou a bola, que veio alta, majestosamente; acomodou-a em seus pés e livrou-se de alguns marcadores; ao final, executou o arqueiro rival com a frieza de um toque delicado no canto esquerdo da baliza.

Há outros destaques na equipe romana. Imparável, Immobile desponta como o maior artilheiro do futebol europeu na temporada; Lucas Leiva recuperou o futebol que o levou ao Liverpool há uma década; Sergej Milinkovic-Savic segue se desenvolvendo em um dos meias mais completos do momento; e o goleiro Thomas Strakosha é cada vez mais seguro. Mas é Luis Alberto quem mais chama atenção, porque quando já era tratado como “eterna promessa”, e ninguém mais dava nada por sua carreira, apareceu jogando futebol de primeira qualidade. Hoje, o sucesso da equipe passa indiscutivelmente por seus pés, e não é impossível imaginá-lo disputando uma Copa do Mundo.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Os Three Degrees: um trio e uma luta históricos

Os anos 60 presenciaram o surgimento de um famoso trio de soul music nos Estados Unidos. Composto por Fayette Pinkney, Shirley Porter e Linda Turner, apareceu, em 1963, o The Three Degrees. Mais lembrado pela famosa When will I see you again, a tríade de vozes negras chegou ao topo das paradas na América e no Reino Unido; marcando seu nome na história da música. Poucos anos depois, em 1978, o futebol conheceu os seus próprios Three Degrees, importantes não só por suas qualidades técnicas, mas por aquilo que significaram dentro e fora de campo.


Foto: Divulgação/ West Bromwich Albion


Quem caminha hoje nas ruas de Londres se depara com uma cidade multicultural. Adentrar o transporte público da capital inglesa é estar na presença de brancos, árabes, indianos, negros, asiáticos, de pessoas das mais diversas tribos e estilos. Essa situação, contudo, não se verifica por todo o país e, certamente, em 1978 era ainda menos palpável. Até o referido ano, sequer o futebol conseguia refletir isso.

Entretanto, essa foi a época em que começaram a se somar os exemplos de resistência que seriam fundamentais para a evolução da sociedade inglesa em sua relação com o futebol e para a diminuição da discriminação e do abuso. Enquanto Viv Anderson se tornava o primeiro negro a vestir a camisa da Seleção Inglesa, no West Bromwich um trio também cumpria o seu papel. Começava-se, ali, a pavimentar o caminho para que jogadores como Sol Campbell, David James, Ashley Cole ou, mais recentemente, Marcus Rashford pudessem brilhar no English Team.

Foto: Rex
Naquele 1978, o lateral Brendon Batson chegou ao WBA para completar o trio formado ainda pelo ponta Laurie Cunningham e o centroavante Cyrille Regis. O primeiro nascera na caribenha Granada, o segundo era inglês de nascimento e o terceiro vinha da Guiana Francesa. Foram somente o segundo trio de jogadores negros a vestir, simultaneamente, a camisa de um clube inglês - anteriormente, o West Ham havia alinhado outros três. A parceria durou apenas uma temporada, já que Cunningham partiu com moral para o Real Madrid (foi o primeiro inglês a o fazer) ao final da temporada 1978/79, mas o que representaram ficou eternizado. A alcunha de Three Degrees acabou atribuída pelo treinador da equipe à época, Ron Atkinson.

Ser um futebolista negro no contexto inglês do final dos anos 70 era um desafio daqueles. Como o Guardian indicou em 2016, aquela geração precisava “se fazer de surda” para ignorar gritos como “Coon” ou “Zulu”, além de ignorar arremessos de todo tipo de coisa – incluindo-se bananas. Dentro do campo, os jogadores mostraram o que valiam. Em mais um ano de dominância do Liverpool e perseguição do Nottingham Forest, os Baggies terminaram o Campeonato Inglês com a terceira colocação, com o segundo melhor ataque e a terceira defesa mais sólida.

Regis foi eleito o jogador jovem do ano pela Associação dos Jogadores Profissionais – PFA e, junto a Cunningham, lembrado como um dançarino da bola, pela ginga e estilo de jogo, integrou a seleção do torneio. Este, por sinal, foi também o primeiro jogador negro a representar a Seleção Inglesa Sub-21.

Foto: Bob Thomas/Getty Images
Nenhum dos três acabou tendo uma carreira proeminente com o English Team, mas deixaram sua marca no futebol inglês. Ao final de sua carreira, Batson teve um cargo executivo na PFA e ainda hoje segue firme na batalha para extirpar o racismo do mundo da bola. Em 2015, quando entrevistado pelo Express & Star, questionou: “Por que parece haver pouco envolvimento [negro] na direção [dos clubes] ou pouco interesse dos jogadores negros quando 25 por cento dos jogadores profissionais são negros?”. Uma pergunta pertinente e para a qual se tem muitas respostas, nenhuma delas plenamente satisfatória.

Em outra entrevista, dessa vez concedida ao Guardian, o ex-lateral também deixou claro o nível de hostilidade vivido naqueles tempos, o que incluía xingamentos vindos de sua própria torcida. “O que me chocou quando cheguei ao West Brom foi o volume [...] O barulho e o nível de abuso eram incríveis [...] Mas era tão comum, que você acabava se acostumando [...] Era um sinal dos tempos. Não me lembro de levar isso tão a sério ou chorar. Lidamos com isso. Não era um novo fenômeno para nós”.

O absurdo era tanto que os jogadores chegaram a receber ameaças de morte. Mas nada disso tirou deles a sensação de pertencimento ao esporte. Cunningham, talvez o mais perseguido, fosse porque era o mais talentoso ou simplesmente por ter se casado com uma mulher branca, acabou tendo um final de vida trágico e precoce. Aos 33 anos, quando defendia o Rayo Vallecano, faleceu em um acidente de carro.

Cyrille, por sua vez, é outro que deixou esse plano muito cedo. Aos 59, tinha problemas cardíacos e faleceu no último 14 de janeiro. Sua importância, contudo, foi ressaltada pela ocasião. Ex-atacante do Manchester United, Andy Cole revelou em seu Twitter que ficou “devastado” com a notícia e que “seu herói, seu pioneiro, o homem por trás da razão pela qual eu quis jogar futebol faleceu”. O atacante, como seus companheiros, tornou-se exemplo. Em memória à grandeza do ex-jogador, o Guardian arrematou:

Foto: PA/Empic Sport
“Se você era mais ou menos da mesma idade do Regis, há alguma chance de que você tenha crescido amando a música de Marvin Gaye, Aretha Franklin, Otis Redding, John Coltrane e Jimi Hendrix. E, se era assim que você se sentia, era fácil conceber a chegada de jogadores negros, com o sentimento de que eles poderiam ter algo a adicionar ao jogo inglês”.

Não há sombra de dúvidas a respeito da contribuição do jogador negro no futebol. Se a intenção for mencionar apenas os craques que marcaram o esporte, pode-se começar por Leônidas da Silva, passar por Eusébio e George Weah e chegar aos dias de Neymar. Porém, ainda há alguma resistência em aceitar tal fato.

O racismo é real. É contra ele, um inimigo que parece muitas vezes invisível, que Brendon luta. É também pela memória da corajosa resistência de Regis e Cunningham que se deve brigar. Em breve, haverá uma estátua no The Hawtorns, casa do West Bromwich, em homenagem aos Three Degrees. Esta servirá para eternizar a gloriosa passagem do trio pelas West Midlands, mas também se prestará ao papel de lembrete constante do significado e da força de sua luta.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Os anos dourados do Anderlecht

Em tempos posteriores ao desfecho do famoso “Caso Bosman”, é difícil imaginar um contexto de emergência de novas superpotências no futebol. Excetuados os casos em que há injeção brutal de dinheiro por algum investidor, existe uma tendência de que os clubes mais ricos e estruturados se mantenham como tal e que aqueles de menor poderio financeiro, por melhor que seja seu planejamento, lutem apenas por algumas temporadas esporádicas de sucesso. Assim, times holandeses, portugueses, franceses e outros, de países de ainda menor cultura futebolística, perderam espaço no cenário do futebol europeu. Contudo, nem sempre foi assim. Houve um tempo em que o Steaua Bucareste, o Celtic ou o Estrela Vermelha conseguiam lutar por glórias continentais. Nesse período, vindo da Bélgica, o Anderlecht viveu grandes dias.


Foto: Desconhecido


Dentre as várias máximas ou jargões populares no mundo da bola, talvez um dos que mais se mostre verdadeiro, com casos que comprovam sua aplicabilidade, seja o de que os rivais se puxam uns aos outros. Não raro, os momentos de crise de um se refletem em seu antagonista, sendo o contrário, referente aos bons momentos, também verdadeiro. Nesse sentido, os anos 70 foram fundamentais para o estabelecimento do futebol belga. Nesse período, Club Brugge e Anderlecht chegaram ao topo na Europa.

Até a temporada 1982/83, o maior êxito futebolístico ao nível dos clubes da terra dos Waffles havia sido o vice-campeonato da Copa dos Campeões, em 1977/78. Na oportunidade, o Brugge perdeu a finalíssima para o Liverpool, com gol do King, Kenny Dalglish. Eram tempos de sucesso do futebol nos Países Baixos e os flamengos eram treinados por Ernst Happel, campeão europeu em 1970, com o Feyenoord. Porém, já ali o Anderlecht havia conquistado duas Recopas Europeias e, na sequência, uma dupla de Supercopas da UEFA. Em solo doméstico, as honras também ficavam repartidas entre os dois times, com algumas intromissões do Standard Liège.

As primeiras glórias e a imposição contra gigantes

No entanto, não foram só técnicos vitoriosos que acabaram seduzidos pelo promissor e crescente futebol belga. As equipes vencedoras do Anderlecht, em meados da década de 70, contavam com astros. Ex-Ajax e titular da Seleção Holandesa mais impressionante de todos os tempos, a de 1974, Arie Haan representava os Mauves et Blancs, assim como o maior destaque da Oranje no Mundial de 78, Rob Rensenbrink.

Foto: Football Magazine
Entre a segunda metade da década de 70 e a primeira de 80, o Anderlecht mostrou força contra os maiores da Europa. Na Recopa de 1976, a disputa até não foi tão dura, perpassando Rapid Bucareste, Borac Banja Luka, Wrexham e Sachsenring Zwickau antes do West Ham, na final. Entretanto, em 1978, a parada foi mais pesada. Depois de passar fácil pelo Lokomotiv Sofia, o clube suou para eliminar o Hamburgo, de Kevin Keegan e Felix Magath, o Porto e o Twente, dos selecionáveis Arnold Mühren e Frans Thijssen (que fariam sucesso na Inglaterra). Tudo isso para se superiorizar ao Austria Vienna na finalíssima.

Ainda assim, a prova maior de que o Anderlecht tinha um escrete poderoso foram as disputas da Supercopa da UEFA. Em 1976, os belgas até perderam a partida de ida por 2 a 1, mas na volta foram impetuosos, alcançando o título com uma goleada de 4 a 1. O adversário? O Bayern de Munique tricampeão da Copa dos Campeões da UEFA, de Franz Beckenbauer, Sepp Maier, Gerd Müller e companhia. Sempre decisivo, Rensenbrink anotou dois tentos nos bávaros.

Em 1978, a vitória foi mais apertada, mas teve ainda um sabor melhor. Como mencionado, o Liverpool vencera o Club Brugge na final da principal competição do continente. Contudo, os Reds não foram páreo para os Mauves et Blancs na Supercopa. Em Bruxelas, o brilhante goleiro Ray Clemence foi batido três vezes, subjugado por Franky Vercauteren, Van der Elst e Rensenbrink. Jimmy Case até marcou um gol, deixando a final em aberto. Em Anfield Road, todavia, a vitória inglesa pela margem mínima de 2 a 1 não foi suficiente para evitar o bicampeonato roxo e branco. Em 1978, Bruxelas comemorou duas vezes: o insucesso do Club Brugge e o êxito do Anderlecht.

Naquela altura, o clube era comandado por Raymond Goethals, o treinador que comandara a Bélgica ao terceiro lugar na Eurocopa de 1972 e que seria, até os dias atuais, o único belga a ter conquistado a Copa dos Campeões, liderando o Olympique de Marseille, em 1992/93. Voltemos, porém, aos anos 70 e 80. Ali, devia ser especialmente bom torcer para o Anderlecht, que jogava um futebol atraente, competitivo e vitorioso.

Troca de influências: sai o carrossel, entra a máquina

Foto: BT
O império de Rensenbrink durou até 1980, quando o astro holandês partiu para uma empreitada no incipiente futebol norte-americano. Acabava um ciclo, mas não cessaram os bons fluídos bruxeleses. Se antes os belgas contaram com astros da era mais mágica da Holanda, nos anos 80 foram os fabulosos dinamarqueses que deram as caras. Em 1979 veio o primeiro de vários: Kenneth Brylle, atacante que marcaria um dos gols mais importantes da história do clube.

No ano seguinte, desembarcou o escandinavo de maior destaque: Morten Olsen. Um dos mais importantes líberos da história do futebol, era o comandante das ações dos Mauves et Blancs. Em 1982, chegaram o lateral Henrik Andersen e o meia Per Frimann, e, em 1983, outro astro: Frank Arnesen. Além dos dinamarqueses, outro jogador marcante que passou pela capital belga foi o espanhol Juan Lozano, que em 83 deixaria a equipe para representar a alva camisa do Real Madrid. Assim, era possível imaginar a continuidade da senda de vitórias, o que aconteceu.

Na campanha de 1980/81, o Anderlecht venceu o Campeonato Belga e, embora só tenha voltado a o fazer em 1984/85, viveu dois anos mágicos nesse ínterim, consumando a maior conquista de sua história. Em 1982/83, havia sido vice-campeões nacionais, classificando-se para a disputa da Copa da UEFA. Evidentemente, não se tratava de uma glória o segundo lugar belga, mas a chegada à dita competição continental ampliava o horizonte do time.

A cereja do bolo: título inapelável

Foi assim que começou a caminhada para mais uma vitória roxa e branca. O primeiro passo foi simples: fácil passagem pelos finlandeses do KPT Kuopio, 6 a 1, no placar agregado. Na sequência, o somatório das mãos da segunda fase também sinalizou seis gols para os belgas, mas, dessa vez, foram concedidos três tentos. O adversário? Novamente o Porto. Freguês? Naquela época, sim. Na Bélgica, o Anderlecht chegou a vencer por 4 a 0.

Na terceira fase, o clube voltou a passear. Dessa vez, vitimou os iugoslavos do Sarajevo: 6 a 2 no combinado dos dois encontros. Detalhe: aquele time contava com um grande craque, Safet Susic, astro histórico do Paris Saint-Germain. Veio, então, o Valencia, que ainda tinha em seus quadros a estrela de Mario Kempes. Avassaladores, os bruxelenses venceram em casa e fora: avançaram às semifinais, com um 5 a 2 no somatório. Na última fase antes da final, o Anderlecht reafirmou sua força, vencendo os tchecos do Bohemians, 1 a 0 fora e 3 a 1 em casa.


Porém, nas finais o desafio seria mais espinhoso. Primeiro, porque se tratavam dos jogos mais decisivos, cercados por mais tensão, e, segundo, em razão de o adversário ser o Benfica. O histórico esquadrão de Eusébio contava com a classe de Fernando Chalana, o Asterix de Lisboa, ou Chalanix, para a torcida encarnada. Foi aí que entrou a estrela de Brylle. Em Heysel, coube ao camisa 9, de cabeça, garantir a vantagem marginal que se provou fundamental para o inédito título que viria a seguir. Os Mauves et Blancs venceram a partida de ida por 1 a 0. No Estádio da Luz, o empate por 1 a 1 elevou o clube ao lugar mais alto no pódio. Depois de Sheu inaugurar o marcador para as Águias, Lozano, como Brylle, testou a bola para o fundo das redes. O Anderlecht vencia a Copa da UEFA.

Os últimos capítulos

Foto: Allsport UK
Essa história ainda teria mais um capítulo importante. No ano seguinte, de volta à competição conquistada, o Anderlecht, já com Arnesen em seu elenco, voltou a ser finalista, mas dessa vez perdeu para o Tottenham.

Derrota à parte, consolidava-se um período de glórias para os belgas. Nem o obscuro, decisivo e assumido pagamento de £27.000 libras ao árbitro Emilio Guruceta Muro, responsável pelo apito na decisiva semifinal do certame, contra o Nottingham Forest, foi capaz de macular o brilho que aquele time emanava. Em 1986, 10 atletas do roxo e branco mais famoso do planeta foram à Copa do Mundo, sete belgas e três dinamarqueses. Entretanto, exceção feita à final da Recopa de 1990, perdida para a Sampdoria, o time não mais chegou tão próximo de um título continental.

Se o presente registra apenas campanhas pífias do Anderlecht em terreno europeu, com o clube se destacando apenas na revelação de talentos, a memória gravou na eternidade sua força. Com toque holandês e, após, dinamarquês, os Mauves et Blancs escreveram páginas que não se apagam na história do futebol.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Promessa hoje, realidade amanhã? – Versão 2017

Mais um ano terminou e, como sempre acontece, uma porção de bons jogadores jovens se apresentaram ou se firmaram mundo afora. Como em todos os anos, desde 2012, O Futebólogo traz um elenco de respeito, com algumas das melhores novidades de 2017. 



1 – Kylian Mbappé (Monaco-FRA/PSG-FRA)
19 anos. É indiscutível o fato de que o atacante Kylian Mbappé foi a melhor novidade que despontou no último ano. Ele já havia estreado na temporada 2015/16, mas só foi explodir na última campanha, sobretudo após a virada do ano. Bateu recordes de precocidade (de estreia como profissional e de primeiro gol marcado) e formou dupla de ataque poderosa com o colombiano Falcao García. O francês mostrou técnica, frieza e faro de gol. Também revelou certa versatilidade, sendo útil pelos flancos ou mais próximo ao gol adversário. Foi comparado a Thierry Henry e garantiu sua passagem para o Paris Saint-Germain, clube em que segue brilhando.

2 – Arthur (Grêmio-BRA)
21 anos. Sua primeira aparição foi em 2015, mas a verdade é que o volante só se afirmou no time titular do Grêmio no curso do ano de 2017. Rapidamente, ganhou a alcunha de “Iniesta brasileiro” e conquistou seu primeiro chamado à Seleção Brasileira. A alusão ao craque espanhol não poderia ser por outro motivo senão as qualidades de Arthur. O garoto demonstrou no ano que terminou capacidades raras, de leitura do jogo, desarmes limpos e de passes precisos. O treinador da Canarinho se impressionou com o que viu: “Vi jogando com naturalidade em um momento extremamente importante da temporada, com o nível de concentração muito alto”. Fisicamente, o meio-campista ainda não está preparado para o mais alto nível, mas futebol, que é o mais importante, Arthur mostrou – e muito.

3 – Tom Davies (Everton-ING)
19 anos. Tom Davies apareceu como um tornado na Inglaterra. Embora seja outro atleta que estreou em 2015/16, o meio-campista só foi ganhar destaque no último ano. A ocasião, para tanto, dificilmente poderia ser mais desafiadora. Era janeiro de 2017 quando o jogador brilhou intensamente em partida contra o Manchester City. O Everton bateu o time treinado por Pep Guardiola por 4 a 0. Davies foi o motorzinho do time, com impressionante dinâmica de jogo, gol marcado e prêmio de melhor em campo. Fez-se um estardalhaço ao redor do jogador. Porém, como todo o time dos Toffees, em crise em 2017/18, o garoto caiu de rendimento. Seu potencial, contudo, ficou muito evidente.

4 – Douglas Luiz (Vasco-BRA/Girona-ESP)
19 anos. Quando 2017 começou, era difícil saber o que esperar do Vasco da Gama. Sem muito dinheiro em caixa, o clube acabou apostando em alguns garotos da base. Douglas foi um deles, mas durou muito pouco. É bem verdade que já havia estreado e atuado em 15 jogos no ano de 2016, em um contexto complicado, de pressão e maus resultados. Porém, seu maior destaque foi percebido somente no ano seguinte. É mais um que se destaca pelo ritmo que imprime às partidas, além da boa técnica e qualidade nos passes. Acabou sendo vendido ainda muito cedo ao Manchester City e repassado, por empréstimo, ao Girona.

5 – Kepa Arrizabalaga (Athletic Bilbao-ESP)
23 anos. Durante muito tempo a meta do Athletic Bilbao foi defendida por Gorka Iraizoz, jogador que foi ídolo e referência no País Basco. Isso fez com que o espaço para o surgimento de um jovem goleiro fosse pouco. Assim, Kepa teve que passar por Ponferradina e Valladolid antes de ganhar chances reais no gol dos Leones. Quando assumiu, todavia, não mais saiu. Destacou-se pelos reflexos, a boa saída com os pés e o alto nível de concentração. Logo, foi chamado à Seleção Espanhola (treinada por Julen Lopetegui, que anteriormente já havia o convocado para equipes de base) e, com as negativas do Manchester United em vender David De Gea, foi alçado a alvo do Real Madrid.

6 – Ezequiel Barco (Independiente-ARG)
18 anos. Se o muito bem treinado time do Independiente campeão da Copa Sul-Americana de 2017 tinha um destaque individual esse era Ezequiel Barco. Apesar da pouca idade, El Demonio demonstrou personalidade de veterano no curso da competição. Driblando, enfrentando seus adversários no um contra um e não se eximindo da tarefa de cobrar o pênalti que garantiu o troféu para o Rey de Copas, firmou-se como uma das maiores revelações da América do Sul. Tem sido abordado pelo Atlanta United e pode, em breve, jogar a MLS.

7 – Carlos Soler (Valencia-ESP)
21 anos. Carlos Soler despontou em um momento complicado, uma verdadeira fogueira. O ano de 2016/17 do Valencia foi muito ruim. Houve muitas trocas de treinadores, resultados ruins e atuações inconsistentes. Pior contexto dificilmente poderia existir para se lançar um prospecto. No entanto, o atleta deu conta do recado e se salvou em meio ao naufrágio Che. Em 2017/18 tudo mudou. O comandante Marcelino Toral assumiu a causa valenciana e os morcegos, à exemplo da Fênix, ressurgiram das cinzas. Soler, jogador extremamente hábil na condução da bola e perito em sua distribuição, tem sido titular nessa volta, embora tenha passado a atuar pelo lado direito da meia cancha.

8 – Federico Chiesa (Fiorentina-ITA)
20 anos. Esse sobrenome não deixa margem para dúvidas: Federico Chiesa é filho de Enrico, importante nome do futebol italiano nos anos 90 e 2000. Diferentemente do pai, o filho prefere cair pelo flanco direito do ataque do que de habitar a pequena área adversária, sendo mais eficaz na construção de jogadas do que na finalização das mesmas. No entanto, também já registra uns golzinhos e se firmou como titular da Viola. Recentemente, também estreou pela Seleção Italiana, que não vive bom momento, mas tem no garoto uma esperança.

9 – Kai Havertz (Bayer Leverkusen-ALE)
18 anos. Quem acompanha o futebol de perto, provavelmente, deve ter se deparado com a notícia de que o Bayer Leverkusen deixou um atleta de lado, para a partida contra o Atlético de Madrid, pela UEFA Champions League, por conta de estudos. Esse é Kai Havertz, uma das joias da BayArena. Jogador mais novo a vestir a camisa do clube em todos os tempos, o meia se destaca, sobretudo, pela inteligência com a qual coloca seus passes para seus companheiros. É comparado a Mesut Özil e já registra cinco assistências na temporada 2017/18, em 14 jogos. Em 2016/17 também ofereceu cinco passes para gols, assinando ainda outros quatro tentos, em 24 jogos de Bundesliga.

10 – Wendel (Fluminense-ITA/Sporting-POR)
20 anos. Wendel é mais um volante de muito futuro que apareceu no futebol brasileiro em 2017. Com impressionante regularidade para alguém tão jovem, tornou-se o termômetro de um Fluminense irregular e recheado de garotos. Ainda que não seja primoroso em desarmes, consegue muitas interceptações e tem fôlego invejável. Além disso, mostra qualidade com a bola nos pés para se sair bem quando apertado pela marcação adversária. Wendel, no entanto, tem mais características de infiltração do que de controle da bola. É outro atleta que acaba de deixar o futebol brasileiro.


11 – Patrik Schick (Sampdoria-ITA/Roma-ITA)
21 anos. A temporada 2016/17 de Patrik Schick revelou, aos poucos, um atacante possante na Sampdoria. Demorou para engrenar, ficando muitas vezes na reserva de Luis Muriel e Fabio Quagliarella, mas gradualmente o tcheco foi mostrando seu valor (e que valor). Embora seja alto, não deixa de ter qualidade com a bola nos pés, tendo uma finalização poderosa com a perna canhota. Ao final da temporada, foi disputado a tapa por vários clubes, chegou a fazer exames médicos na Juventus, mas acabou assinando com a Roma, clube em que ainda tenta se firmar.

12 – Kasper Dolberg (Ajax-HOL)
20 anos. Um dos grandes destaques do Ajax na campanha que levou os Godenzonen ao vice-campeonato da Europa League 2016/17, o atacante dinamarquês despontou no último ano como um goleador prolífico. Somadas as partidas da competição continental e o Campeonato Holandês, fez 22 gols em 42 jogos, além de ter contribuído com sete assistências. É alto (1,87m), tem mobilidade e finaliza muito bem. Como o próprio clube, faz uma temporada irregular em 2017/18, mas já mostrou ter futebol para chegar ao mais alto nível.

13 – Manuel Locatelli (Milan-ITA)
20 anos. Meio-campista que busca construir o jogo vindo de uma posição inferior, Locatelli surgiu em 2015/16, mas só ganhou espaço de verdade no ano que se seguiu. Inspirado em Andrea Pirlo, dá dinâmica ao jogo Rossoneri e tem grande valia na transição defesa-ataque. Sua principal virtude é o passe, o que não faz do atleta alguém inútil no combate, muito pelo contrário. Apesar disso, tem oscilado bastante, aliás, como o próprio Milan.

14 – Matheus Fernandes (Botafogo-BRA)
19 anos. Sim, o ano de 2017 do Botafogo não terminou como o torcedor alvinegro esperava. A classificação para a Copa Libertadores da América era um objetivo realista e até esperado, mas acabou não sendo consumada. Contudo, a Estrela Solitária teve muito do que se orgulhar no ano. A boa campanha na dita competição continental, é, sem dúvidas, um dos motivos. Junto a ela, as performances de um jovem e talentoso volante: Matheus Fernandes. Com excelente leitura do jogo, mostrou-se extremamente eficaz na recuperação da bola, tanto nos desarmes quanto nas antecipações. É mais um ótimo volante a despontar no Brasil em 2017.

15 – Lucas Paquetá (Flamengo-BRA)
20 anos. Polivalência e entrega são os adjetivos que melhor descrevem um garoto que foi crescendo no curso da temporada do Flamengo. Em alguns momentos ofuscado pela expectativa e os milhões despejados pelo Real Madrid na contratação de Vinícius Júnior, Lucas Paquetá terminou o ano de 2017 como titular do rubro-negro, com ótima participação na fase decisiva da Copa Sul-Americana. Aberto pelos flancos ou improvisado como falso 9, mostrou técnica e garra. Ajudou os laterais flamenguistas na recomposição defensiva e revelou ser alguém com quem se pode contar.

16 – Dayot Upamecano (Red Bull Salzburg-AUT/RB Leipzig-ALE)
19 anos. A política de contratações do RB Leipzig não é mistério para ninguém. Com um scout forte, o clube, que conta com alguns “irmãos” mundo afora, tem primado pela descoberta de bons e jovens valores. Um dos mais recentes é o zagueiro Dayot Upamecano. Formado no Valenciennes e com passagem pelo Red Bull Salzburg, desembarcou na Alemanha em janeiro de 2017 e logo ganhou minutos com o treinador Ralph Hasenhüttl. Embora não seja grandalhão (1,85m), vai bem no jogo aéreo e se destaca por critérios técnicos como o passe, os desarmes e interceptações.

17 – Franck Kessié (Atalanta-ITA/Milan-ITA)
21 anos. Meio-campista marfinense que se inspira em Yaya Touré e Michael Essien, Franck Kessié começou a se destacar no futebol europeu com a camisa do Cesena. No entanto, foi só em 2016/17, representando a Atalanta, que o jogador decolou. Embora ainda não seja um jogador marcado pela regularidade, é um daqueles médios que sabem fazer de tudo um pouco. Ainda sofre com falhas de concentração em alguns momentos das partidas, mas tem técnica e, embora não tenha maestria no passe, sai-se bem também nesse departamento. Seu contributo defensivo, no que diz respeito à recuperação de bola, ainda pode melhorar.

18 – Amine Harit (Nantes-FRA/Schalke 04)
20 anos. Pouca gente apostaria que o Schalke 04 frequentaria assiduamente o topo da tabela da Bundesliga quando se desenhou seu início. O clube havia contratado um treinador jovem demais, perdera referências e contratara pouco – mas bem, como ficou provado. Após fazer ótima temporada sob o comando do português Sérgio Conceição no Nantes, o marroquino Amine Harit partiu para os Azuis Reais e tem sido titular. Driblador, tem sido fundamental, sobretudo por sua capacidade de vencer os marcadores e desconstruir defesas por meio de sua habilidade.

19 – Milan Skriniar (Sampdoria-ITA/Inter-ITA)
22 anos. Para muitos o melhor zagueiro do futebol italiano na primeira metade da temporada 2017/18, Milan Skriniar vem em crescente. Na campanha anterior, vestindo a camisa da Sampdoria, o eslovaco cavou lugar na equipe titular e nunca mais saiu. Zagueiro de imposição física, forte jogo aéreo e que passa muita segurança ao torcedor, vive momento impressionante e formou dupla sólida com o brasileiro Miranda. Também se destaca pela qualidade e calma na saída de bola.

20 – Wilfred Ndidi (Genk-BEL/Leicester-ING)
21 anos. Quando o Leicester, então campeão inglês, viu-se sem seu esteio, sua formiguinha, parecia ser impossível encontrar alguém que atenuasse a falta de N’Golo Kanté. Entretanto, Wilfred Ndidi chegou, vindo do Genk, e tem jogado futebol de primeira qualidade. Embora não tenha as mesmas características ou desempenho de seu antecessor, o nigeriano ocupou seu lugar e a torcida dos Foxes não tem tido do que reclamar. O corpo esguio e as passadas largas escondem um jogador poderoso no desarme e no jogo aéreo.

21 – Paulinho (Vasco-BRA)
17 anos. Outro jogador lançado recentemente pelo Vasco da Gama, Paulinho tem se revelado uma grata surpresa. Embora tenha apenas 17 anos, o atacante se comportou bem nas oportunidades que teve (foi decisivo em ao menos duas ocasiões) e aparece como um jogador a ser observado em 2018, mesmo porque pode atuar em várias posições distintas no setor ofensivo. Seu destaque inicial se deu com a camisa da Seleção Brasileira Sub-17, no Sul-Americano da categoria.

22 – Mattia Caldara (Atalanta-ITA)
23 anos. Embora não seja propriamente um garoto, Caldara só atingiu nível destacável em 2016/17. Apesar de ter demorado a mostrar seu potencial, quando o fez, o zagueiro italiano não deixou margem para dúvidas. Forte no jogo aéreo e nas roubadas de bola, ganhou holofotes e foi contratado pela Juventus, mantendo-se em Bergamo por mais uma temporada, emprestado. Não tardará a ganhar suas primeiras convocações para representar a Squadra Azzurra.

23 – Presnel Kimpembe (PSG-FRA)
22 anos. Ser o reserva imediato de uma dupla de zagueiros como a formada pelos brasileiros Marquinhos e Thiago Silva não é tarefa fácil para ninguém. Essa foi a missão que caiu no colo de Presnel Kimpembe quando o Paris Saint-Germain decidiu negociar David Luiz com o Chelsea. E o francês correspondeu sempre que chamado, conquistando, ainda, convocação para representar Les Bleus. Zagueiro de boa técnica, tem ainda uma característica rara que pode lhe ser benéfica no curso da carreira: é canhoto.

24 – Wuilker Faríñez (Caracas-VEN/Millonarios-COL)
19 anos. A afirmação de Wuilker Faríñez em 2017 foi impressionante. Titular do Caracas desde 2015, em 2017 foi vice-campeão do Mundial Sub-20 com a Venezuela, o que, por si só, é um feito e tanto. Como se não fosse suficiente, tornou-se titular da seleção principal de seu país e conquistou destaque impressionante. Com grandes defesas, acabou sendo o principal nome venezuelano do último ano; quando esteve em campo nas partidas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018, a Venezuela empatou com Peru, Colômbia, Argentina e Uruguai, venceu o Paraguai e só perdeu para o Chile. Isso tudo com 19 anos. Em 2018, passará a representar as cores do Millonarios, da Colômbia. O curioso é que o arqueiro é bem baixo para os padrões atuais, tem apenas 1,81m.


25 – Harry Winks (Tottenham-ING)
21 anos. Após alguns anos aparecendo esporadicamente no time do Tottenham, Harry Winks finalmente se firmou como peça útil do time profissional dos Spurs, em 2017. Conhecido como Little Iniesta, o jogador se confirmou mais um jovem de talento bem trabalhado pelo treinador Mauricio Pochettino, chegando ao ponto de ganhar sua primeira convocação para a Seleção Inglesa principal. Meio-campista de boa leitura do jogo, consegue atuar como volante, meia-central ou como box-to-box, sempre se destacando pela precisão nos passes.

26 – Rodrigo Bentancur (Boca Juniors-ARG/Juventus-ITA)
20 anos. É bem verdade que já faz algum tempo que Rodrigo Bentancur está no radar da bola. A questão é que, em 2017, o jogador confirmou o que já se especulava a respeito de seu potencial técnico. O volante uruguaio é curioso. Tem 1,87m, mas apenas 72kg, não fazendo o estereótipo do volante-volante. De fato, ele não representa essa categoria de atletas mesmo. Quando a bola está nos pés de Bentancur é quase sempre bem tratada. Elogiado pelo treinador Massimiliano Allegri, vem ganhando muito espaço no meio-campo da Juventus.  Quando está em campo, torna-se o responsável pelo início das jogadas alvinegras. Há quem o compare, em razão de suas características, com o espanhol Sergio Busquets. É mais um que estreou por sua seleção nacional no último ano.

27 – Patrick Cutrone (Milan-ITA)
20 anos. Quando a temporada 2017/18 se desenhou, o Milan procurava um atacante. Assim, contratou o croata Nikola Kalinic e o português André Silva. A despeito disso, encontrou um projeto de Bomber em casa. Patrick Cutrone, que chegou às categorias de base rossoneri aos oito anos, provou-se um centroavante eficaz. Não é habilidoso ou rápido, mas mostrou instinto artilheiro, com muito bom posicionamento, sempre esgueirando uma oportunidade para fuzilar a baliza adversária. Das três alternativas goleadoras do Milan, é quem fez mais gols na primeira parte da campanha atual.

28 – Nicolás De La Cruz (Liverpool-URU/River Plate-ARG)
20 anos. Irmão de Carlos Sánchez, Nicolás De La Cruz foi peça importantíssima e capitão da Seleção Uruguaia, quarta colocada, no Mundial da categoria, em 2017. Na sequência, seguiu os passos de seu consanguíneo e firmou contrato com o River Plate. Meia de estilo cadenciado e bom toque de bola, pode atuar como segundo volante ou armador. Ainda não é titular dos Millonarios, mas deverá ganhar tal status com o passar do tempo.

29 – Matthijs de Ligt (Ajax-HOL)
18 anos. Apontado como reforço ideal para a defesa do Barcelona, Matthijs de Ligt foi lançado pelo treinador Peter Bosz no decorrer da temporada 2016/17 e logo ganhou status de titular absoluto. Imponente no jogo aéreo e confortável com a bola nos pés, fez dupla sólida com Davinson Sánchez (vendido ao Tottenham) e, sobretudo na disputa da Europa League, na qual o Ajax foi vice-campeão, comportou-se com a tranquilidade de um veterano. Já estreou pela Seleção Holandesa principal.

30 – Ryan Sessegnon (Fulham-ING)
17 anos. Tratado como um fenômeno pela imprensa inglesa, o lateral/meia esquerda se tornou titular do Fulham em 2016/17, com apenas 16 anos. Logo, começou a mostrar que tudo o que era dito a seu respeito era verdadeiro. Tecnicamente privilegiado, destaca-se pela veia ofensiva, anotando muitos gols e criando assistências. Em 52 de Championship, considerando-se também o início da campanha de 2017/18, já fez 12 tentos e criou sete passes para gols. É monitorado de perto por quase todos os gigantes do país. O tamanho de seu potencial? Ainda é difícil de ser medido.

E então, leitores, quem vocês adicionariam à lista?
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