quarta-feira, 16 de abril de 2014

Times que Gostamos: Benfica 1960-1962

Após lembrar o recente time do Monaco finalista da UEFA Champions League na temporada 2003-2004, falo um pouco sobre o fantástico time do Benfica da década de 60, com ênfase no triênio 1960-1962.


Em pé: Angelo, Cruz, João, Cavém, Germano e Costa Pereira.
Agachados: Augusto, Eusébio, Águas, Coluna e Simões.
Time: Benfica

Período: 1960-1962

Time base: Costa Pereira; Mario João, Germano, Ângelo; Cruz, Cavém; Coluna, Eusébio, José Augusto (Santana), Simões e Águas. Téc. Béla Guttmann

Conquistas: Campeonato Português, Taça de Portugal e Bicampeonato da UEFA Champions League.


Um time eternizado por seus feitos. A equipe que bateu o Barcelona, dos craques húngaros Sándor Kócsis e Zoltán Czibor, do “multinacional” László Kubala (defendeu as seleções Tchecoslovaca, Húngara, Espanhola e Catalã) e do brasileiro Evaristo de Macedo, e o Real Madrid, de Di Stéfano e Ferenc Puskas, jamais poderá ser esquecida. O esquadrão, que quebrou a hegemonia Merengue na UEFA Champions League e esboçou a Seleção Portuguesa terceira colocada na Copa do Mundo de 1966, merece toda a glória possível.

Trabalhada para jogar como os húngaros de 1954, a equipe do Benfica do início da década de 60 assustou pela beleza e ousadia de seu futebol. Treinado por Béla Guttmann – treinador húngaro que “criou” Ferenc Puskas e Jószef Bozsik, no modesto Kispesti AC, e passou, dentre outros clubes pelo Milan, São Paulo e seleção húngara –, o escrete adotou o famoso esquema tático WM. Traduzindo-o para a atualidade seria uma espécie de 3-2-5. Impensável nos dias atuais? Talvez. Mas revolucionário à época.

Com intensa movimentação e a presença, sobretudo, de dois cracaços de bola, os moçambicanos Eusébio e Mário Coluna, o Benfica, à exemplo dos magiares de 54, trouxe ataque massivo e impressionante capacidade de confundir os adversários. Não fosse o Peñarol de Luis Cubilla e o Santos de Pelé, poderia ter sido ainda maior.

A meta Encarnada tinha o goleiro Costa Pereira (foto). Outro jogador nascido em Moçambique – ainda colônia lusa – defendeu o Benfica por treze anos (entre 1954 e 1967), sendo titular em 10 deles. Conquanto tenha se tornado uma figura extremamente representativa no clube, ficou notabilizado por alguns frangos históricos e clamorosos. O mais famoso deles é, provavelmente, o sofrido na final da UEFA Champions League de 1963, contra a Internazionale. Pela seleção portuguesa atuou 22 vezes. É corriqueiramente escolhido o melhor goleiro da história do clube.

A linha de defesa, composta pelo zagueiro direito Mario João, pelo zagueiro central Germano de Figueiredo (foto) e pelo zagueiro esquerdo Ângelo Martins apresentava uma qualidade impressionante – o que era imprescindível, dada a “ousadia” do esquema tático. Mário João começou sua empreitada no Benfica como meia-esquerda, treinado, então, pelo brasileiro Otto Glória. Com a chegada de Guttmann, foi colocado no lado da defesa Encarnada. Polivalente, podia jogar na direita ou na esquerda.

Germano de Figueiredo, um dos portugueses que figuraram  em uma lista de 60 melhores jogadores europeus dos últimos 50 anos, feita pela UEFA em 2004, ficou conhecido por seu primor técnico e classe, chegando a atuar no meio-campo e no ataque em várias ocasiões. Já Ângelo Martins, que é lembrado como “O Sarrafeiro”, era o menos sutil da defesa. Para os Benfiquistas o apelido é retrato de sua dedicação e de seu brio.

Como a defesa não era tão protegida, cabia a Fernando Cruz uma atenção especial ao setor. Mais um jogador conhecido pela polivalência, podia atuar na lateral esquerda ou ainda mais recuado na defesa central. É difícil explicar o que seria no futebol atual. Um volante? Talvez.

Falando em versatilidade, ao lado de Cruz atuou um dos jogadores mais híbridos da história. Domiciano Cavém, era aquele atleta que todo técnico deseja. Atuava no meio-campo, ofensivo ou defensivo, no ataque, ao centro ou pelas pontas, e, ainda, na lateral direita – sempre com qualidade. Em mais de 400 jogos marcou mais de 100 tentos. Conta-se que era supersticioso. Certa vez sonhou que, se mantivesse a barba, venceria a partida seguinte. Até sua morte teria se arrependido de não ter atuado na final da UEFA Champions League, de 1963, com barba.

Mais à frente, havia um apoteótico quinteto difícil de explicar. Mario Coluna (foto à direita), “o monstro sagrado” seria o regente da ópera Encarnada. Capitão português em 1966, foi o motor do Benfica. O jogo elegante e os passes precisos marcaram o atleta que, além de tudo, é ainda lembrado por sua força no vestiário, exercendo notável liderança.

Pelos lados do ataque jogaram José Augusto, pela direita, e António Simões, pela esquerda. O primeiro jogava muito aberto, tendo como características principais o bom cruzamento e a forte bola aérea. Do outro lado, Simões – que foi apelido de “Rato Mickey” – notabilizou-ser por ser um grande driblador e o principal assistente do time.

"Sobraram" dois: Eusébio (foto à esquerda) e José Águas (foto à direita). O gênio e o artilheiro. Os dois maiores artilheiros da história das Águias. Águas, artilheiro por essência, fazia gols de todos os tipos. Pelo Benfica foram 377 em 379 jogos. Já Eusébio, maior jogador português de todos os tempos, era a verdadeira magia. O “Pantera Negra” é lenda. Era rápido, driblador, forte e artilheiro. Entretanto, tudo isso junto não descreve com precisão o maior de todos os lusos.  Em 440 jogos marcou 473 gols. Eusébio, que faleceu neste ano, é mito.

No banco de reservas, além do inovador e interessantíssimo treinador Béla Guttmann (foto) haviam alguns jogadores muito importantes. Para a defesa, José Neto, para o meio-campo, Joaquim Santana e para o ataque, José Torres (estes dois últimos ganhariam a titularidade nos anos seguintes), um verdadeiro poste de 1,91m que, ao fim de sua passagem no Benfica, confirmou-se um dos maiores artilheiros da história do clube com 226 gols em 259 jogos.



Ficha técnica de alguns jogos importantes nesse período:

Final da UEFA Champions League de 1960-1961: Benfica 3x2 Barcelona

Estádio Wandkorf, Berna

Árbitro: Gottfried Dienst

Público 26.732

Gols: ’31 Águas, ’32 Rammalets (contra), ’55 Coluna (Benfica); ’21 Kocsis e ’75 Czibor (Barcelona)

Benfica: Costa Pereira; Mário João, Germano, Ângelo; Cruz, Neto; Santana, Coluna, Eusébio, Cavém,  José Augusto, Águas. Téc. Béla Guttmann

Barcelona: Ramallets; Foncho, Gensana, Grácia; Verges, Garay; Luis Suárez, Kocsis, Kubala, Czibor e Evaristo. Téc. Enrique Orizaola

Replay do Mundial de Clubes de 1961: Peñarol 2x1 Benfica

Estádio Centenario, Montevidéu

Árbitro: José Praddaude

Público 60.241

Gols: ’35 Eusébio (Benfica); ‘5 e ’40 José Sasía (Peñarol)

Peñarol: Luis Maidana; W. Martínez, Cano, Gonçalves, Walter Aguerre; E. González, Cubilla; Ernesto Ledesma, Juan Joya, Alberto Spencer, José Sasía. Téc. Roberto Scarone

Benfica: Costa Pereira; Ângelo, José Neto, Humberto Fernandes; Cruz, Cavém; Coluna, Simões, José Augusto, Eusébio, Águas. Téc. Béla Guttmann

Quartas de finais da UEFA Champions League de 1961-1962: Benfica 6x0 Nuremberg

Estádio da Luz, Lisboa

Árbitro: Gino Rigato

Público 55.000

Gols: ‘3 Águas, ‘4 e ’55 Eusébio, ’21 Coluna, ’63 e ’78 José Augusto (Benfica)

Benfica: Costa Pereira; Mário João, Germano, Ângelo; Cruz, Coluna; Cavém, Simões, José Augusto, Eusébio e Águas. Téc. Béla Guttmann.

Nuremberg: Strick; Wenauer, Hilpert, Derbfuss; Wild, Reisch, Müller; Zenger, Strehl, Morlock, Flachenecker. Téc. Herbert Widmayer

Final da UEFA Champions League de 1961-1962: Benfica 5x3 Real Madrid

Estádio Olímpico, Amsterdã

Árbitro: Leo Horn

Público: 61.257

Gols: ’25 Águas, ’33 Cavém, ’50 Coluna, ’63 e ’69 Eusébio (Benfica); ’18, ’23, ’40 Puskas (Real Madrid)

Benfica: Costa Pereira; Mário João, Germano, Ângelo; Cruz, Cavém; Coluna, José Augusto, Simões, Eusébio e Águas. Téc. Béla Guttmann

Real Madrid: Araquistáin; Casado, Santamaría, Miera; Felo, Pachín; Di Stéfano, Del Sol, Tejada, Gento, Puskas. Téc. Miguel Muñoz  

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Elas vêm aí: Itália e Japão

Na última semana a série “Elas vêm aí” falou um pouco sobre as seleções de Inglaterra e Irã, nesta, o foco são as seleções de Itália e Japão.




ITÁLIA

Time base: Buffon; Maggio (Abate), Barzagli (Bonucci/Ranocchia), Chiellini (Ogbonna/Astori), Criscito;  Thiago Motta, Montolivo, Pirlo, Candreva (Marchisio); Cerci (Osvaldo), Balotelli. Téc. Cesare Prandelli

Grupo: D. Com Costa Rica, Inglaterra e Uruguai

Expectativa: Deve passar de fase, briga com Inglaterra e Uruguai por duas vagas.

Histórico: Disputou 17 Copas do Mundo. Tetracampeã Mundial e 26ª colocada no último mundial.

Em 2006, coube a Cannavaro a honra
de levantar a taça do tetra italiano.
Uma das seleções mais fortes da história do futebol, a Itália chega ao Brasil vivendo bom momento. Depois do fracasso da Copa de 2010 – quando sequer avançou às oitavas de finais –, a Squadra Azzurra renovou-se e já colheu frutos, sendo, de forma surpreendente, vice-campeã da última Eurocopa.

Se ainda conserva a presença de jogadores experientes, como o goleiro Gianluigi Buffon e o regista Andrea Pirlo, também traz a jovialidade de nomes como o volante Marco Verratti, o veloz atacante Lorenzo Insigne, o matador Mario Balotelli e o polivalente Mattia De Sciglio.

A meta italiana segue sendo dominada pelo “mito” Gigi Buffon, jogador que mais vezes vestiu a imponente camisa itálica, com 139 aparições. Não, ele não é o mesmo goleiro que viveu absurda forma técnica na última década, mas ainda tem muita qualidade debaixo das traves. Seus reflexos ainda respondem muitíssimo bem e ele é um dos ícones da equipe. Seus reservas devem ser os bons Federico Marchetti e Salvatore Sirigu, titulares de Lazio e PSG, respectivamente. Entretanto, pode haver uma surpresa. O jovem arqueiro do Genoa, Mattia Perin, esteve na última convocação e pode figurar entre os selecionáveis.

A zaga é, como bem conta a história italiana, um dos pontos fortes da equipe. Apesar disso, há indefinição quanto aos titulares. Nas últimas competições oficiais disputadas pela seleção, o trio da Juventus, Giorgio Chiellini, Andrea Barzagli e Leonardo Bonucci, se revezou no time principal – quando não jogaram os três. Hoje novas peças tem sido testadas e podem aparecer na equipe titular o zagueiro Nerazzurri Andrea Ranocchia e os canhotos David Astori e Angelo Ogbonna.

Se a zaga é um dos pontos fortes, não se pode dizer o mesmo das laterais. Pelo lado direito as opções são o burocrático Ignazio Abate e o ofensivo, que tem dificuldades defensivas, Christian Maggio. Já pela canhota o melhor especialista da função é Domenico Criscito, que tem um passado conturbado, tendo sido investigado por manipulação de resultados. Quem também tem atuado na função é o jovem e polivalente Mattia De Sciglio, que não tem nenhuma qualidade destacável, mas também não tem grandes deficiências. Outro que ganhou chances recentemente foi o experiente Manuel Pasqual, da Fiorentina. As laterais são possibilidades ainda abertas.

Última escalação da Itália
Já o meio campo é outro ponto poderoso da equipe. Recheado de “volantes que sabem jogar”, o setor apresenta boa marcação, passe de curta e longa distância muitíssimo qualificado e boa criatividade. Contudo, não é dos mais rápidos. Mais recuado Thiago Motta disputa uma vaga com Daniele De Rossi. Mais à frente, Riccardo Montolivo e Pirlo são certezas. Com a temporada instável de Claudio Marchisio, a última vaga da meia-cancha deve ficar com Antonio Candreva, que atua, majoritariamente, pelo lado direito.

No ataque, a titularidade de Mario Balotelli é outra certeza. Apesar de controverso, o atacante milanista é indiscutivelmente talentoso e se tornou uma das referências da equipe. Já seu companheiro é uma incógnita. Caso Giuseppe Rossi se recupere a tempo de jogar o mundial deve ser o companheiro de Balotelli. Se o atacante da Viola não retornar, disputam uma vaga dois jogadores de características muito distintas. Alessio Cerci é a possibilidade de velocidade e habilidade, já Pablo Osvaldo é mais afeito ao jogo na área adversária, sendo um verdadeiro matador. Jogadores como Stephan El Shaarawy, Sebastian Giovinco e até o veterano Alberto Gilardino correm por fora.

Apesar de algumas indefinições, a Itália trará uma equipe equilibrada à Copa do Mundo. Com solidez defensiva, poder de controle do meio-campo e um ataque – num dia bom – muito perigoso, pode surpreender (embora nunca seja surpreendente uma boa participação em mundiais da Tetracampeã mundial).



JAPÃO

Time base: Kawashima; Uchida (Sakai), Yoshida, Konno, Nagatomo; Hasebe, Yamaguchi (Endo); Okazaki (Kyotake), Honda, Kagawa; Osako (Kakitani). Téc. Alberto Zaccheroni

Grupo: C. Com Colombia, Costa do Marfim e Grécia.

Expectativa: Briga por vaga nas oitavas de finais.

Histórico: Disputou quatro Copas do Mundo. 9º colocado no último mundial.


Em 2006,  a seleção foi treinada por Zico.
Escola que evoluiu absurdamente nos últimos 30 anos, o Japão tem melhorado ano a ano.  Conhecido por ter jogadores muito velozes e com bom senso tático, tem também, hoje, jogadores extremamente técnicos. Sob o comando do italiano Alberto Zaccheroni, ex-treinador de Milan, Inter e Juventus, a equipe mostrado notória evolução.

Se hoje não conta mais com os talentosos Hidetoshi Nakata e Shunsuke Nakamura, vê nos pés de Keisuke Honda e Shinji Kagawa sua maior esperança. Além disso, atualmente, a grande maioria dos titulares nipônicos atua na Europa, provando a perceptível evolução japonesa.

Puxando a escalação da nação asiática, Eiji Kawashima será o goleiro titular. Desde 2010 no futebol belga (primeiro no Lierse e agora no Standard Liége), é presença certa na seleção desde 2008 e acumula 54 jogos. Não é muito alto (1,85m), por outro lado é bem ágil. Os outros dois arqueiros japoneses, salvo algum problema inesperado, serão Shüsaku Nishikawa e Shüichi Gonda, os quais atuam no futebol local, por Urawa Red Diamonds e FC Tokyo, respectivamente.

A lateral direita apresenta uma curiosa realidade. As três principais opções do técnico Zaccheroni, atuam na Alemanha e têm relativo destaque. Atsuto Uchida, do Schalke 04, é o melhor deles. Rápido e com boa chegada à linha de fundo é uma peça importante tanto na saída de jogo quanto nos avanços laterais ao ataque. Os outros dois, Hiroki Sakai – do Hannover – e Gotoku Sakai – do Stuttgart – são também escolhas válidas, mas apesar de serem também muito velozes, não tem tanta qualidade técnica. Quem também pode aparecer é o experiente Yuichi Komano, que já defendeu a seleção 79 vezes e atua no Jubilo Iwata. Pelo lado esquerdo não há mistério. Yuto Nagatomo, da Inter de Milão, é titular absoluto e um dos melhores jogadores japoneses, sendo muito efetivo no apoio ao ataque.

A dupla de zaga promete fortes emoções ao torcedor nipônico. De um lado joga Maya Yoshida, do Southampton. Do outro Yasuyuki Konno, do Gamba Osaka. Um alto e o outro baixo – 1,89m e 1,78m. Ambos deficientes com a bola nos pés e muito inseguros. Ao menos, detém algum entrosamento. Alternativas não menos fracas são Masato Morishige e Masahiko Inoha. O primeiro foi autor de um dos gols da última partida do Japão contra a Nova Zelândia, por 4x2.

O meio-campo é o melhor setor da equipe. Apesar de não apresentar forte marcação, seus componentes tratam bem a bola. Mais recuados devem ser titulares Makoto Hasebe, capitão da equipe e jogador do Nuremberg, e Yasuhito Endo. Bom passe e posicionamento são seus trunfos. Caso o treinador opte por uma formação mais marcadora, a opção mais indicada é Hajime Hosogai, ex-Bayer Leverkusen e atualmente no Hertha Berlim.
Última escalação do Japão.

Imediatamente à frente, o técnico italiano mandará a campo uma linha de três meias. Pela direita jogará Shinji Okazaki, o mais fraco e contestado deles. Apesar disso, tem ótima média de gols pela seleção e tem respondido muito mais do que seu concorrente, Hiroshi Kyotake, do Nuremberg – notoriamente mais talentoso. Veloz, Okazaki, que defende o Mainz 05, já marcou 11 gols na atual edição da Bundesliga.

Centralizando o jogo e atuando como cérebro da equipe, Keisuke Honda, do Milan é quem melhor gere a bola japonesa. Com bom passe, visão de jogo e ótima finalização (atributo raro nos jogadores nipônicos) é o jogador da seleção que vive o melhor momento técnico. Pela direita atuará o instável Shinji Kagawa, destaque no Borussia Dortmund e decepção no Manchester United onde, só nos últimos jogos, começou a se destacar.

A “camisa 9” está vaga. Yuya Osako, do Munique 1860, e Yoichiro Kakitani foram as opções mais utilizadas nas últimas partidas da seleção. Contudo, não se pode descartar as presenças do contestado Ryoichi Maeda e do grandalhão Mike Havenaar, avançado do Vitesse. Outra possibilidade real é o avanço de Okazaki para a posição de centroavante com a entrada de Kyotake pelo lado do campo.

Cada vez melhor o Japão, tentará repetir os feitos das Copas de 2002 e 2010, quando avançou as oitavas de finais e se consolidou como nono colocado.


quarta-feira, 9 de abril de 2014

Times que Gostamos: Monaco 2003-2004

Depois de lembrar do interessante time do Braga, da temporada 2010-2011, rememoro um time que bateu em gigantes europeus e por pouco não conquistou a maior glória de sua história, o Monaco da temporada 2003-2004.


Em pé: Ibarra, E. Cissé, Roma, Morientes, Zikos, Bernardi.
Agachados: Givet, Giuly, Rothen, Rodríguez e Evra.
Time: Monaco

Período: 2003-2004

Time base: Roma; Ibarra, J. Rodríguez (Squillaci), Givet, Evra; Edouard Cissé, Bernardi, Zikos (Plasil), Rothen; Giuly e Morientes (Prso). Téc. Didier Deschamps

Conquistas: Nada.


Então campeão da Copa da Liga da França, o Monaco começou a temporada 2003-2004 sem uma de suas referências. O zagueiro/volante Rafa Márquez fora vendido ao Barcelona. Todavia, de importante, foi a única perda do elenco monegasco. Em contrapartida, chegaram os bons jogadores Hugo Ibarra, Édouard Cissé e o artilheiro Fernando Morientes – que seria o principal goleador da equipe na temporada, com 22 gols.

Com um time que controlava bem as ações do meio-campo, tinha a velocidade e o talento de Ludovic Giuly (que sairia para o Barcelona no fim da temporada) e poder de fogo no centro do ataque com ótimas opções, o clube fez temporada surpreendente, sendo finalista na UEFA Champions League e terceiro colocado no Campeonato Francês (quatro pontos atrás do campeão Lyon).

O fortíssimo ataque da equipe ficou evidente em algumas goleadas na temporada. PSG (4x2), Lyon (3x0), Montpellier (4x0), Deportivo La Coruña (8x3), AEK Athens (4x0), Real Madrid (3x1) e Chelsea (3x1) testemunharam a efetividade do ataque alvirrubro.

No gol, Les Rouges et Blancs contaram com uma verdadeira bandeira do clube. Flavio Roma (foto), arqueiro italiano, defendeu o clube em mais de 200 jogos, entre 2001 e 2009 e, depois de rápida passagem pelo Milan, voltou à equipe, figurando, ainda hoje, no elenco. Contudo, agora é reserva.  Durante o seu período mais brilhante, em meados da última década, chegou a rejeitar uma saída para o Arsenal e a ganhar oportunidades na seleção italiana.

Pelo lado direito da defesa, os monegascos contaram com a boa forma do argentino Hugo Ibarra, um verdadeiro trator pelo lado. Com muita capacidade física, conseguia atacar e defender com eficiência, sendo uma boa alternativa para a saída de bola da equipe. Do lado oposto, o francês Patrice Evra (foto), então jovem, lançava-se ao ataque e queria jogar como ponta esquerda, pedido negado por seu técnico, o capitão da Seleção Francesa campeã mundial de 1998, Didier Deschamps. O tempo provou o acerto do treinador e Evra se firmou com um dos grandes laterais de sua geração.

No miolo de zaga o time tinha os seguros Julien Rodríguez e Gael Givet (foto). Formados no Monaco, os dois zagueiros tinham boa qualidade técnica e não eram dos mais altos (1,85m e 1,81m, respectivamente). Givet, que foi à Copa do Mundo de 2006, inclusive, começou sua carreira como lateral esquerdo, denotando ter alguma categoria.

Na destruição das jogadas adversárias e proteção à defesa, o time teve a presença do bom volante Edouard Cissé (foto). Com pernas longas e muito fôlego, constantemente aparecia como elemento surpresa e proferia potentes e bons chutes de média distância. A seu lado, fazendo a transição do meio campo para o ataque, atuaram o argentino Lucas Bernardi e o grego Akis Zikos. O primeiro tinha excelente visão de jogo, sendo muito importante na armação da equipe, já o segundo, ajudava a dar movimentação ao meio e tinha bom passe.

Liderando a criação do clube, Jerome Rothen (foto) desfilou categoria com sua excepcional perna esquerda. Habilidoso, rápido, e dono de uma capacidade de finalização excepcional – sendo peça vital na cobrança de bolas paradas – o francês foi uma das grandes estrelas do time. Não fossem algumas lesões e problemas extracampo poderia ter tido uma carreira fantástica. É, sem dúvida, um grande e desperdiçado talento. Podia jogar como um autêntico camisa 10 ou como ponta esquerda.

Mais à frente, Deschamps apostou na velocidade de seu capitão, Ludovic Giuly (foto), e no faro de gol de Fernando Morientes (foto). Sempre pelo lado direito, o francês Giuly era uma bala. Habilidoso, participativo e bom finalizador, tinha também muita garra e se firmou como o principal referência deste grande time. Já o espanhol era o responsável pelos gols, o que fazia com muita eficiência.

Além do bom treinador Deschamps, hoje na Seleção Francesa, o banco de reservas tinha opções de grande valia. Para a zaga, Sebastien Squillaci.  Para o meio-campo, Jaroslav Plasil. E para o ataque, o poderoso atacante croata Dado Prso – autor de quatro gols contra o Deportivo La Coruña, na UEFA Champions League – o competente Shabani Nonda, oitavo maior artilheiro da história do time, e o jovem Emmanuel Adebayor

Ficha técnica de algumas partidas importantes nesse período:

Fase de Grupos da UEFA Champions League: Monaco 8x3 Deportivo La Coruña

Estádio Louis II, Monaco

Árbitro: Terje Hauge

Público 17.000

Gols: ‘2 Rothen, ’11 Giuly, ’26, ’30, ’45, ’49 Prso, ’47 Plasil, ’67 Cissé (Monaco); ’39 e ’52 Diego Tristán e ’44 Lionel Scaloni (Deportivo)

Monaco: Roma; Squillaci, J. Rodríguez, Givet, Evra (Ibarra); E. Cissé, Bernardi, Plasil (Zikos), Rothen; Giuly e Prso (Adebayor). Téc. Didier Deschamps

Deportivo: Molina (Munúa); Manuel Pablo (Munitis), Naybet, Jorge Andrade, Romero; Mauro Silva, Sergio (Pandiani), Scaloni, Amavisca; Valerón e Tristán. Téc. Irureta

Quartas de finais da UEFA Champions League: Monaco 3x1 Real Madrid

Estádio Louis II, Monaco

Árbitro: Pierluigi Colina

Público 18.000

Gols: ’45 e ’66 Giuly, ’48 Morientes (Monaco); ’36 Raúl (Real Madrid)

Monaco: Roma; Ibarra, J. Rodríguez, Givet, Evra; E. Cissé, Plasil, Rothen; Giuly (El Fakiri), Morientes (Adebayor) e Prso (Nonda). Téc. Didier Deschamps

Real Madrid: Casillas; Salgado (Raúl Bravo), Helguera, Mejía, Roberto Carlos; Borja (Solari), Guti (Portillo), Zidane, Figo; Raúl e Ronaldo. Téc. Carlos Queiroz

Semifinais da UEFA Champions League: Monaco 3x1 Chelsea

Estádio Louis II, Monaco

Árbitro: Urs Meier

Público 18.500

Gols: ’17 Prso, ’78 Morientes, ’83 Nonda (Monaco); ’22 Crespo (Chelsea)

Monaco: Roma; Ibarra, J. Rodríguez, Givet, Evra; Bernardi, Zikos, Rothen (Plasil); Giuly (Nonda), Morientes, Prso (E. Cissé). Téc. Didier Deschamps

Chelsea: Ambrosio; Melchiot (Hasselbaink), Desailly, John Terry, Bridge; Makelele, Lampard, Scott Parker (R. Huth), Gronkjaer (Verón); Crespo e Gudjohnsen. Téc. Claudio Ranieri

Final da UEFA Champions League: Monaco 0x3 Porto

Estádio Arena AufSchalke, Gelsenkirchen

Árbitro: Kim Milton Nielsen

Público 53.040

Gols: ’39 Carlos Alberto, ’71  Deco e ’75 Alenichev  (Porto)

Monaco: Roma; Ibarra, J. Rodríguez, Givet (Squillaci), Evra; E. Cissé (Nonda); Bernardi, Zikos, Rothen; Giuly (Prso) e Morientes. Téc. Didier Deschamps

Porto: Vitor Baia; Paulo Ferreira, Jorge Costa, Ricardo Carvalho, Nuno Valente; Costinha, Maniche, Pedro Mendes e Deco (Pedro Emanuel); Carlos Alberto (Alenichev) e Derlei (Benni McCarthy). Téc. José Mourinho