domingo, 14 de julho de 2013

Dínamo de Zagreb x Hajduk Split: o derby eterno


Dou prosseguimento aos estudos dos Clássicos do Mundo, e hoje apresento ao leitor tudo sobre o maior clássico da Croácia. Dínamo de Zagreb x Hajduk Split, o derby eterno.


As origens deste clássico são distantes. Datam da década de 1920 quando o Hajduk Split, equipe fundada em 1911  (a mais antiga da Croácia)  na cidade de Split - situada no sul e banhada pelo Mar Adriático - começou a disputar o clássico contra o Gradanski, de Zagreb. Mas a rivalidade não é entre Dínamo e Hajduk? Sim. A questão é a seguinte: antes da Segunda Guerra Mundial o futebol croata (que disputava o campeonato iugoslavo) era dominado por duas equipes o Gradanski e o Hajduk. Com o fim da Guerra, ocorreu uma fusão, e Gradanski, Hask e Concórdia se tornaram Dínamo. E o clube herdou o escudo e as cores do Gradanski. Isso aconteceu em 1945.
Evolução dos emblemas do Dinamo de Zagreb

Marechal Tito
Os dois maiores clubes da Croácia, junto com Partizan Belgrado e Estrela Vermelha formavam o top four da Iugoslávia. Hajduk e Dínamo se tornaram respectivamente terceira e quarta força do futebol eslavo. O clube de Split conquistou nove vezes o campeonato iugoslavo contra quatro do Dínamo – embora somados os títulos dos clubes que ajudaram na sua formação o Dínamo tenha um total de 11 títulos –.


Franjo Tudman
Durante todo o período em que a Croácia pertenceu à Iugoslávia o Hajduk Split foi superior ao Dínamo Zagreb. A equipe contava com o apoio de Marechal Tito, mandatário Iugoslavo entre 1953 e 1980. Nascido na Croácia, filho de um croata e uma eslovena, Tito ajudou na expansão do clube, que apesar de ser a segunda maior torcida da Croácia, angariou muitos torcedores ao longo da península balcânica. Apesar disso, com as dificuldades financeiras pelas quais o país passou após sua Independência em 1991, o Hajduk entrou em crise e viu seu rival ter uma evolução exponencial. Financiado por bons patrocinadores e apadrinhado pelo Presidente da Croácia – Franjo Tudman – o Dínamo passou a ser o ator central na Croácia.

Grande parte do ódio nutrido entre os rivais vem dessas relações extrafutebolísticas, com apoios políticos às equipes em diferentes períodos. Mas o fator central são as torcidas organizadas. Torcida, o grupo de ultras do Hajduk e Bad Blue Boys do Dínamo. Torcidas absurdamente inflamadas e um tanto quanto violentas. Prova disso foi a morte de um torcedor num clássico em 2003, que acabou com 39 detidos.  Curiosamente a torcida organizada do Hajduk tem o nome Torcida como em português, pois um croata na década de 50 ao viajar para o Brasil conheceu nossas torcidas e decidiu criar a do seu time. Outro fator, mas de menor importância é uma disputa entre Norte – privilegiado politicamente, economicamente e consequentemente futebolisticamente – e Sul – pobre, politicamente rejeitado e culturalmente negligenciado – da Croácia. Um jornalista croata chegou a chamar o clássico de o “jogo do imperialismo cultural”. Split é a segunda cidade mais populosa da Croácia e apenas a 15ª em PIB per capita. Zagreb lidera ambos os dados.
A torcida

Como já havia citado no texto Estrela Vermelha x Partizan: o derby eterno. A única situação em que torcedores dos rivais croatas abrandam sua relação é quando estão frente a frente com equipes Sérvias. Nem mesmo quando a Seleção Croata entra em campo a relação se abranda tanto quanto quando a disputa é contra rivais sérvios. Evidentemente isso se deve aos tempos de Iugoslávia e com a Guerra de Independência da Croácia (1991-1995).

Ingresso da semi-final da Copa da UEFA de 1984
Voltando aos terrenos do futebol croata, é dito no país que as cores da Croácia são Azul e Branco. Não por acaso os rivais tem essas cores, o Dínamo Zagreb é conhecido como os Azuis (Modri) e o Hajduk Split com os Brancos (Bili). Nos Campeonatos da Croácia quem tem a vantagem é o Dínamo, são 15 títulos contra seis do Hajduk. 21 títulos para a dupla em 22 anos de disputa. Na Copa da Croácia o Dínamo tem 12 títulos contra seis do Hajduk. Este só leva vantagem na Supercopa. São seis títulos contra cinco do Dínamo. No terreno internacional apesar de o Hajduk Split ter chegado três vezes as quartas de finais da Uefa Champions League, a última na temporada 94/95 e já ter sido semifinalista da Liga Europa (então chamada Copa da UEFA) em 1984, o Dínamo também leva a vantagem aqui, tendo vencido a Inter-Cities Fairs Cup (Precursora da Liga Europa) em 1967 contra o Leeds United.

Zambata
O confronto entre os rivais já aconteceu 189 vezes, são 78 vitórias do Dínamo de Zagreb, contra 64 do Hajduk, tendo ocorrido ainda 47 empates. Isso no total, considerando tanto o período Iugoslavo quanto o Croata. O maior artilheiro do confronto é Slaven Zambata que atuou no Dínamo nas décadas de 50, 60 e 70 com 12 gols. Na artilharia do confronto se destaca ainda o brasileiro naturalizado croata Eduardo da Silva, que, também pelo Dínamo, marcou oito gols no clássico. A maior goleada aconteceu em 1957 quando em Zagreb o Hajduk aplicou 6x0 no Dínamo.

23 jogadores já atuaram pelos dois clubes, que tradicionalmente tem os elencos formados majoritariamente por croatas. O nome mais conhecido do público brasileiro é o do meio-campo Niko Kranjcar que atuou um bom tempo no Tottenham e está no Dínamo de Kiev.

Uma outra curiosidade sobre o clube de Zagreb são os muitos nomes que teve. Já afirmado como Dínamo, em 1992 passou a se chamar, HASK Gradanski e em 1993 Croacia Zagreb. Mas a reação da torcida foi extremamente negativa a todas essas mudanças, e em 2000 o time voltou a se chamar Dinamo Zagreb

Luka Modric
Sem dúvida alguma que o momento é muito melhor para o Dínamo. A equipe é octacampeã e na última temporada o Hajduk sequer conseguiu o vice-campeonato. O time terminou em 4º lugar. Nos últimos tempos o Dínamo ainda revelou muitos jogadores, dentre eles o brasileiro Eduardo da Silva e os croatas, Modric, Corluka, Lovren, Kranjcar e Badelj. Do outro lado o Hadjuk foi o responsável pela formação do capitão da Seleção Srna e também por Nikica Jelavic. 


Atualmente as equipes têm as seguintes formações:
























Vale a pena ainda assistir ao documentário (em inglês) da ESPN, Football Rivalries:

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