quarta-feira, 3 de julho de 2013

Terá Felipão ressuscitado o espírito da Seleção Brasileira?


Na Copa das Confederações vimos depois de muito tempo uma empatia entre a Seleção Brasileira e o Torcedor. Muitos creditam o afastamento do torcedor ao afastamento da própria Seleção Brasileira, que por conta de um contrato realiza a suprema maioria de seus jogos fora do país. Pode até ser. Mas o que não se pode negar é o fato de que com o retorno do treinador Luiz Felipe Scolari o torcedor tem visto uma equipe com muito mais disposição e vontade de vencer do que víamos nos tempos de Mano Menezes. Busco apresentar algumas atitudes do novo-velho treinador brasileiro que podem ter alavancado essa mudança nas apresentações da Seleção.


Dar continuidade ao que estava certo

Mano Menezes treinou o selecionado Canarinho no período de julho de 2010 até novembro de 2012. Dificilmente um trabalho de dois anos seria tão ruim que não houvesse o que aproveitar. E de fato houve um setor que trabalhou em nível de razoável para bom na “Era Mano”. A defesa.

O atual treinador do Flamengo promoveu o ingresso de David Luiz a Seleção, afirmou Thiago Silva como
liderança no elenco e definiu Daniel Alves e Marcelo como seus laterais. Felipão, reconhecendo isso, e não tendo a prepotência de querer mudar tudo a sua volta manteve este setor intocado favorecendo o futebol do Brasil.

Impor sua presença e seu modo de trabalho

Há uma característica que marca toda a trajetória de Felipão: a imposição de sua presença, seu modo de trabalho. Foi assim na sua primeira passagem pelo Brasil quando não convocou Romário para a Copa de 2002, da mesma forma na seleção portuguesa, quando barrou medalhões como Vítor Baía, Fernando Couto e Figo (que por merecimento retornaria). E isso tem uma explicação lógica.

Felipão é conhecido por montar sempre elencos coesos. Ou seja, jogadores que não se adaptem a forma de trabalho adotada por ele estão fora. Em compensação, aqueles que se enquadram, mesmo que não possuam extrema qualidade ganham o gosto de Felipão.

O treinador adorou quando Lucas, mesmo contundido se juntou a delegação brasileira em Londres. Em compensação ficou bem pouco impressionado com atitudes de Ramires e Ronaldinho Gaúcho. Por mais que a qualidade destes seja indiscutível, em termos de grupo, há um benefício quando se convocam jogadores que “abraçam a causa” da Seleção. Foi o caso, por exemplo, de Leandro Damião, centroavante do Internacional, que está longe de ter indiscutível qualidade, mas pela dedicação ganhou o gosto de Felipão.

Deixar algumas birras de lado

Outro ponto positivo da gestão de Felipão foram algumas escolhas. Ele deixou de lado o fato de Hernanes ter sido expulso contra a França na gestão anterior e voltou a convocá-lo. Deixou de lado a fama de “nervosinho” de Marcelo e o manteve, confiou em Fred, que foi testado em várias ocasiões, mas apesar do clamor popular feito em torno dele, nunca havia se firmado na seleção. 

Trouxe nomes jovens como Fernando e Bernard, pelo futebol, desconsiderando a falta de experiência e ainda optou por jogadores de sucesso na Europa e que não eram lembrados no Brasil como Dante e Filipe Luis. Em suma Luiz Felipe parece ter alcançado uma maturidade em alguns aspectos, coisa que já lhe faltou em outros momentos.  

Definir prioridades

Logo de cara nosso atual treinador definiu seu goleiro, Júlio César, e também que a seleção teria um primeiro volante de marcação e usaria um centroavante. Definidas essas prioridades, restou buscar o volante e o centroavante ideais. Após alguns testes Luiz Gustavo e Fred ganharam as vagas, mas o mais importante foi que desde o início de seu novo trabalho o técnico treinou a equipe com a mesma formação tática. Sem dúvida alguma, com essa definição é muito mais fácil adequar os jogadores ao jogo brasileiro.



Felipão, não parecia o nome ideal para o Brasil, mas com trabalho está conseguindo o apreço da mídia e dos torcedores. Falta ainda um ano para a Copa do Mundo. O medo de um fracasso no Mundial parece ter se dissipado. Com a conquista da Copa das Confederações batendo a poderosa Espanha, voltamos a vencer grandes seleções. E é assim que continuamos, agora muito mais satisfeitos, na esperança de sermos o 7º anfitrião campeão em 2014.

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