terça-feira, 10 de junho de 2014

Craques das Copas: 1930 e 2010

Com a aproximação do início da Copa do Mundo deste ano, surgem as especulações a respeito dos candidatos ao título e também a ser o grande craque da competição. Se a definição prévia de um craque, para o torneio deste ano, parece um a tarefa demasiado inglória, lembrar os antigos é bem mais fácil. Durante a Copa do Mundo, O Futebólogo falará dos grandes destaques do torneio da FIFA, desde seu início. Começamos, ao mesmo tempo, pela primeira e pela última Copa.


1930 – HÉCTOR SCARONE (URU)

Ficha técnica



Nome: Héctor Scarone


Data de nascimento/falecimento: 26/11/1898 – 4/4/1967

Local de Nascimento: Montevidéu, Uruguai

Carreira: Nacional-URU (1917-1926), Barcelona-ESP (1926-1927), Nacional-URU (1927-1932), Ambrosiana-Inter-ITA (1932-1933), Palermo-ITA (1932-1933) e Nacional-URU (1934-1939).

Títulos: Copa do Mundo (1930), Copa América (1917, 1923, 1924 e 1926), Ouro Olímpico (1924 e 1928), pelo Uruguai, Campeonato Uruguaio (1917, 1919, 1920, 1922, 1923, 1924, 1934 e 1939), pelo Nacional.

Quem pôde vê-lo não hesita em elogia-lo. Tratava-se de um jogador comparável a  verdadeiros fenômenos, como o hispano-colombiano-argentino Alfredo di Stéfano e o húngaro Ferenc Puskas. Ricardo Zamora, histórico goleiro espanhol – que nomeia o prêmio concedido ao melhor goleiro do Campeonato Espanhol – disse, certa vez, que o uruguaio foi o maior símbolo vivo do futebol. Já o craque italiano Giuseppe Meazza o qualificou como o “jogador mais fantástico” que viu jogar.

El Mago, como ficou conhecido, foi um gênio à frente de seu tempo. Na época da precariedade de treinamentos, já dominava com precisão impressionante todos os fundamentos de um jogador de frente. Cabeceava com extrema perícia (apesar da pouca estatura, 1,72m), finalizava com as duas pernas, cobrava faltas magistrais e, sobretudo, sabia driblar. Em epítome, Scarone unia eficiência e plasticidade de uma forma, possivelmente, nunca antes vista até aqueles tempos.

Sua rápida passagem pelo Barcelona, que ficara impressionado com o talento do jogador após a disputa de um amistoso, tem explicação extremamente plausível. No passado, atletas profissionais não podiam disputar os jogos olímpicos e, ciente disso, o uruguaio optou por manter sua condição de jogador amador, o que lhe possibilitou receber a láurea olímpica pela segunda vez. Entretanto, sua passagem pela equipe Blaugrana não foi esquecida, sendo o craque considerado a primeira grande contratação internacional do Barça.

Sobre a ocasião, mais tarde, Scarone falou: "Yo pensaba en mi patria, en que pronto vendrían las Olimpíadas y en que debía vestir la camiseta celeste. Pensé en Nacional, mi club de corazón, y decidí no firmar".

Na Copa de 1930, o craque disputou três partidas, a final contra a Argentina (4x2), a semifinal contra a Iugoslávia (6x1) e a partida contra a Romênia (4x0), pela fase de grupos, partida em que anotou seu único gol. Nesta competição, Scarone foi o campeão mais velho e também o jogador mais longevo a marcar um gol.

Apesar de não ter sido um grande goleador, as, ainda que imprecisas, estatísticas, revelam uma bela média de gols. Em 328 partidas em sua carreira, marcou 223 gols, média de 0,68 gols por jogo. Pela Seleção Uruguaia, é o terceiro maior artilheiro, com 31 gols, atrás, apenas, dos hodiernos Diego Forlán e Luis Suárez.

Em ranking feito pela IFFHS (Federação Internacional de História e Estatística de Futebol), Scarone ocupou a 40º posição na lista dos maiores de todos os tempos. Conquanto não posse um ponta, na configuração Charruá de então (2-3-5), o uruguaio também não era um centroavante, atuando entre o ponta direita e o centroavante.

2010 – ANDRÉS INIESTA (ESP)

Ficha técnica

Nome: Andrés Iniesta Luján

Data de nascimento: 11/05/1984

Local de Nascimento: Fuentealbilla, Espanha

Carreira: Barcelona (2002-).

Títulos: Copa do Mundo (2010), UEFA Euro (2008 e 2012), UEFA Euro Sub-19 (2002), UEFA Euro Sub-17 (2001), pela Espanha, Campeonato Espanhol (2004-2005, 2005-2006, 2008-2009, 2009-2010, 2010-2011 e 2012-2013), Copa del Rey (2008-2009 e 2011-2012), Supercopa da Espanha (2005, 2006, 2009, 2010, 2011 e 2013), UEFA Champions League (2005-2006, 2008-2009 e 2010-2011), Supercopa da UEFA (2009 e 2011), Mundial de Clubes (2009 e 2011) pelo Barcelona.

Apesar de não ter sido o eleito da FIFA para o prêmio de melhor jogador da Copa do Mundo de 2010, Iniesta foi o principal jogador da Campeã Espanha, não só pelo gol do título, mas por ter sido o principal responsável pela manutenção e rotação da bola no meio-campo espanhol. Curiosamente, o lance que melhor exemplifica a grande movimentação de Iniesta foi o gol do título hispânico, ocasião em que o jogador apareceu na condição de centroavante da equipe.

Enquanto Xavi regeu a orquestra espanhola, Iniesta solou. Sua função na equipe era múltipla. Criado como um meio-campista central, adaptou-se ao jogo versátil, flutuando por toda a faixa do meio-campo, da extrema esquerda à extrema direita. Brilhante tanto na condução quando na distribuição da bola, o espanhol foi a essência do estilo de jogo de sua Seleção.

Se no Barcelona sua magia é ofuscada pela genialidade de Lionel Messi, na Seleção Espanhola, Iniesta tem tido enorme destaque.

Hoje, Andrés ocupa a nona colocação na lista dos jogadores que mais representaram a Fúria. Desde sua estreia, em maio de 2006, disputou 97 partidas, anotando 11 gols. Na Copa do Mundo de 2010, que afirmou sua estrela, Iniesta jogou seis das sete partidas de La Roja, anotando dois gols, um contra o Chile, na fase de grupos e outro na finalíssima, no dramático minuto 118. Ao lado de Xavi, Bastian Schweinsteiger e Wesley Sneijder, formou o meio-campo da Seleção da Copa do Mundo.

Se a principal beleza do jogo da Espanha e do Barcelona é o toque de bola e o jogo coletivo, este jamais seria o mesmo sem o talento de Andrés Iniesta. Além do passe preciso, e precioso, o espanhol tem uma capacidade de leitura de jogo ímpar, domínio de bola excepcional e incrível habilidade.

Ao contrário da eleição oficial, nosso eleito para craque da Copa do Mundo de 2010 é Andrés Iniesta, uma vez que, além de ser um belíssimo jogador, atuou coletivamente como ninguém e, nas dificuldades, decidiu individualmente.


"Yo pensaba en mi patria, en que pronto vendrían las Olimpíadas y en que debía vestir la camiseta celeste. Pensé en Nacional, mi club de corazón, y decidí no firmar"

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