quarta-feira, 18 de junho de 2014

Times de que Gostamos: Liverpool 1976-1978

Depois de tratar da excelente equipe da Fiorentina, do período entre 1995-1997, comandada por Rui Costa e Gabriel Batistuta, falo do grande time do Liverpool das temporadas 1976-1977 e 1977-1978, quando os Reds conquistaram seus dois primeiros títulos da UEFA Champions League.


Acima: Alan Hansen, John Toshack, Joey Jones, Ray Clemence, Phil Thompson, Graeme Souness;
Ao centro: Joe Fagan (Treinador), Kenny Dalglish, David Fairclough, Ray Kennedy, David Johnson, Phil Neal, Ronnie Moran (Treinador);
Abaixo: Jimmy Case, Ian Callaghan, Tommy Smith, Bob Paisley (Manager), Emlyn Hughes, Steve Heighway,  Terry McDermott.


Time: Liverpool

Período: 1976-1978

Time base: Ray Clemence; Phil Neal, Phil Thompson, Emlyn Hughes, Joey Jones (Tommy Smith); Ian Callaghan (Graeme Souness), Jimmy Case, Terry McDermott, Ray Kennedy; Kenny Dalglish (Steve Heighway), David Fairclough (Kevin Keegan). Téc. Bob Paisley

Títulos: Bicampeonato da UEFA Champions League, Campeonato Inglês (1976-1977), FA Charity Shield (1977) e UEFA Super Cup (1977).

Segundo clube inglês, e terceiro britânico, a conquistar a principal glória da Europa  – antes Manchester United e Celtic já haviam conquistado o título –, o Liverpool foi o primeiro clube do Reino Unido a conquistar o bicampeonato da UEFA Champions League. Curiosamente, o feito foi logo, nas duas temporadas seguintes, repetido pelo Nottingham Forest.

O final da década de 70 dos Reds coroou um trabalho que começou no final dos anos 50, sob o comando do mítico Bill Shankly (foto). O escocês, vindo do Huddersfield Town, mudou os rumos da história do clube. Quando assumiu o emprego, o Liverpool encontrava-se há cinco temporadas na segunda divisão. Com alguns métodos de treinamento em certa medida revolucionários (que merecem análise própria), a equipe, que tinha obtido bons resultados no início do século XX e conquistado um Campeonato Inglês na década de 40, reassumiu seu posto na Primeira Divisão e aos poucos retomou sua senda de vitórias.

Shankly, adorado pelos torcedores do Liverpool, foi também o autor da célebre frase: “Algumas pessoas acreditam que futebol é questão de vida ou morte. Fico muito decepcionado com essa atitude. Posso garantir que futebol é muito, muito mais importante.”. Apesar do sucesso, em 1974 o treinador resolveu deixar a equipe e indicou Bob Paisley, um de seus assistentes desde o início de seu trabalho, para sua sucessão. Repetindo seu “mentor”, Paisley continuou levando o clube às alturas, o que culminou com as glórias do fim da década de 70 e dos anos 80.

A meta do clube foi defendida pelo arqueiro Ray Clemence (foto) tido pelo próprio clube – conforme descrição em seu site oficial – como o maior goleiro de todos os tempos no clube. Contratado em 1967, junto ao Scunthorpe United, envergou a camisa do Liverpool pela primeira vez em 1968. Ao todo, defendeu os Reds em 665 partidas. Pela Seleção Inglesa, onde lutava bravamente com Peter Shilton pela titularidade, atuou 61 vezes. Seus trunfos principais eram sua grande concentração e assombrosos reflexos. Na final da UEFA Champions League de 1977, em chute de Uli Stielike, fez uma defesa fundamental para o título do clube.

Pelas laterais, atuaram Phil Neal (foto), pela direita, e Joey Jones, pela esquerda. O primeiro é, “apenas”, o recordista de títulos pelo clube, com 22 triunfos. Grande marcador – apelidado de “Sr. Consistência” –, foi contatado em 1974 e permaneceu no clube até 1985. Curiosamente, também está marcado por ser o segundo defensor com maior número de gols pelo clube, tendo anotado 59 tentos, em 650 jogos. Já Jones, galês, não foi tão grandioso na história do Liverpool, tendo sido, normalmente, titular, mas revezando-se com o experiente Tommy Smith e com o jovem Alan Hansen. Apesar de ter atuado apenas entre 1975 e 1978, pelo estilo descontraído e pelo jogo duro, é muito querido pelo torcedor dos Reds.
O capitão Emlyn Hughes (foto) compunha a defesa central com o jovem Phil Thompson. Já falecido, Hughes foi um zagueiro central de muito boa técnica. Tendo atuado no início de sua carreira na lateral esquerda e, pouco após, no meio-campo, com o tempo se afirmou na zaga.  Apelidado de “Cavalo doido”, disputou 665 partidas pelo clube, entre os anos de 1967 e 1979, quando, após sofrer grave lesão no joelho, deixou o clube. Thompson, curiosamente, também iniciou sua carreira futebolística no meio-campo, tendo sido transformado em zagueiro por Shankly. Com a saída de Hughes, assumiu a braçadeira de capitão. Disputou 477 partidas pelo clube.

Pelo centro da linha de quatro meio-campistas, Jimmy Case, cria do próprio Liverpool, era a principal peça da contenção vermelha. Marcador muito duro, e mentalmente determinado, também ficou conhecido pelo poderosíssimo poder de finalização de longa e média distância. Nas 269 partidas em que esteve em campo, anotou 46 gols. A seu lado, atuou um meio-campista que poderia ser comparado aos atuais box-to-box, ou área-a-área. Dono de qualidades defensivas e ofensivas, Terry McDermott (foto) foi um perfeito controlador de meio-campo.  Vindo do Newcastle em 1974, se firmou na equipe, permanecendo até 1982, disputando 329 jogos e marcando 81 gols, alguns deles muito importantes, como um na final da UEFA Champions League de 1976-1977 e outros três na final da UEFA Super Cup.

Pelos flancos do meio campo aturam dois jogadores muito importantes. Na faixa destra, jogou simplesmente o jogador que mais vezes vestiu a camisa do Liverpool. Ian Callaghan (foto) e Liverpool são quase sinônimos. Tendo atuado por 18 anos no clube, viveu toda a evolução da equipe, saindo da segunda divisão inglesa para o título europeu. Conhecido por ser dotado de todas as boas qualidades de um meio-campista, além de ter sido um gentleman, era amado pelos torcedores e recebeu apenas um cartão em sua carreira inteira. Trata-se, sem sombra de dúvidas, de um jogador icônico. Ao todo, disputou 857 jogos pelo clube. 

Pelo lado esquerdo, havia a presença de Ray Kennedy, que começou no centro do ataque, mas foi convertido em meia-esquerda, por Bill Shankly. Com muito poder de ataque, marcou 72 gols em 393 jogos pelo clube. Outro que atuou no flanco foi Steve Heighway, jogador de grande habilidade e velocidade. Por vezes, com Heighway em campo, Kennedy jogou no ataque.

No ataque, três peças marcaram o time. Na primeira temporada, o clube tinha a grande presença do artilheiro Kevin Keegan. Matador por essência, rápido e grande entusiasta, o antigo meio-campista se tornou um centroavante excelente. Entre 1971 e 1977 jogou 323 partidas e marcou 100 gols. Após o primeiro título europeu, partiu para o Hamburgo. Para seu lugar, foi contratado o legendário Kenny Dalglish (foto). Solidário, habilidoso e carismático,  marcou uma era no clube. Nos 515 jogos que disputou, marcou 102 gols. Outros atacantes que muito atuaram foram David Fairclough e David Johnson, peças importantes, que anotaram muitos e vitais gols.

Como falado, por trás disso tudo estava o treinador Bob Paisley (foto). Além de ter participado de toda a recuperação do Liverpool, o técnico comandou com muita perícia um processo de renovação na equipe. Com ele, atletas como Graeme Souness e Alan Hansen apareceram para garantir a sucessão da equipe. No caso dos dois citados os substituídos foram os já muito experientes Emlyn Hughes e Ian Callaghan. Indubitavelmente, Paisley é, ao lado de Shankly, um dos maiores treinadores da história do clube.


Ficha técnica de alguns jogos importantes nesse período:

Final da UEFA Champions League de 1976-1977: Liverpool 3x1 Borussia Mönchengladbach

Estádio Olímpico, Roma

Árbitro: Robert Wurtz

Público 57.000

Gols: ’28 McDermott, ’64 Smith e ’82 Neal (Liverpool); Simonsen (Borussia)

Liverpool: Ray Clemence; Phil Neal, Tommy Smith, Emlyn Hughes, Joey Jones; Ian Callaghan, Jimmy Case, Terry McDermott, Ray Kennedy; Steve Heighway e Kevin Keegan. Téc. Bob Paisley

Borussia: Kneib; Berti Vogts, Hans-Jürgen Wittkamp, Klinkhammer; Bonhof, Schäfer, Wohlers (Hannes), Stielike, Wimmer (Kulik); Jupp Heynckes e Allan Simonsen. Téc. Udo Lattek

Final da Charity Shield de 1977: Liverpool 0x0 Manchester United

Estádio Wembley, Londres

Árbitro: Styles

Público 82.000

Liverpool: Ray Clemence; Phil Neal, Phil Thompson, Emlyn Hughes, Joey Jones; Ian Callaghan, Jimmy Case, Terry McDermott, Ray Kennedy; Kenny Dalglish e David Fairclough. Téc. Bob Paisley

Manchester United: Alex Stepney; Jimmy Nicholl, Brian Greenhoff, Martin Buchan, Arthur Albiston; Steve Coppell, Gordon Hill, Sammy Mcllroy, Jimmy Greenhoff (David McCreery); Stuart Pearson, Lou Macari. Téc. Dave Sexton

Final da UEFA Super Cup de 1977: Liverpool 6x0 Hamburgo

Estádio Anfield, Liverpool

Árbitro: Ulf Eriksson

Público 34.931

Gols: ’21 Thompson, ’40, ’55, ’56 Mc Dermott, ’86 Fairclough, ’88 Dalglish (Liverpool)

Liverpool: Ray Clemence; Phil Neal, Phil Thompson, Emlyn Hughes, Tommy Smith; Steve Heighway (David Johnson), Jimmy Case, Terry McDermott, Ray Kennedy; Kenny Dalglish e David Fairclough. Téc. Bob Paisley

Hamburgo: Rudi Kargus; Hans-Jürgen Ripp, Peter Hidien, Manfred Kaltz, Peter Nogly; Horst Bertl, Klaus Zaczyk (Steffenhagen), Felix Magath; Kevin Keegan, Ferdinand Keller (Kurt Eigl) e Georg Volkert. Téc. Arkoç Özcan

Final da UEFA Champions League de 1977-1978: Liverpool 1x0 Club Brugge

Estádio Wembley, Londres

Árbitro: Charles Corver

Público 92.500

Gol: ’64 Dalglish (Liverpool)

Liverpool: Ray Clemence; Phil Neal, Phil Thompson, Emlyn Hughes, Alan Hansen; Graeme Souness, Jimmy Case (Steve Heighway), Terry McDermott, Ray Kennedy; Kenny Dalglish e David Fairclough. Téc. Bob Paisley

Club Brugge: Birger Jensen; Fons Bastijns, Edi Krieger, Georges Leekens, Gino Maes (Jos Volders); Julien Cools, René Vandereycken, Dany De Cubber, Jan Simoen; Lajos Ku (Dirk Sanders) e Jan Sorensen. Téc. Ernst Happel

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...