segunda-feira, 21 de julho de 2014

Craques das Copas: 1974

Finalizando a série sobre os grandes Craques das Copas, depois de tratar de Pelé e Kempes, destaques de 1970 e 1978, falo sobre outros dois jogadores monumentais, Johan Cruyff e Franz Beckenbauer, o líderes do Carrossel Holandês e o da campeã Alemã.




1974 – JOHAN CRUYFF

Ficha técnica

Nome: Hendrik Johannes Cruiff

Data de nascimento: 25 de abril de 1947

Local de nascimento: Amsterdã, Holanda

Carreira: Ajax (1964-1973), Barcelona (1973-1978), Los Angeles Aztecs (1979-1980), Washington Diplomats (1980-1981), Levante (1981), Ajax (1981-1983), Feyenoord (1983-1984)

Títulos: Campeonato Holandês (1965-1966, 1966-1967, 1967-1968, 1969-1970, 1971-1972, 1972-1973, 1981-1982, 1982-1983), Copa da Holanda (1966-1967, 1969-1970, 1970-1971, 1971-1972, 1982-1983), UEFA Intertoto Cup (1968), UEFA Champions League (1970-1971, 1971-1972, 1972-1973), UEFA Super Cup (1972), Mundial Interclubes (1972), pelo Ajax, Campeonato Espanhol (1973-1974), Copa del Rey (1977-1978), pelo Barcelona, Campeonato Holandês (1983-1984), Copa da Holanda (1983-1984), pelo Feyenoord


Maior jogador da história do futebol holandês, e segundo maior do século XX, segundo eleição da FIFA, que elegeu Pelé o maior de todos, Johan Cruyff ultrapassou as barreiras do bom futebol. Revolucionário, foi o comandante do inolvidável “Carrossel Holandês”, o exemplo do monumental Totaalvoetbal (Futebol Total, em tradução livre). Líder do que mal treinado seria uma total desordem, Cruyff foi o expoente máximo de uma ideia de jogo em que todos têm uma função, mas não se restringem a ela, conseguindo alternar-se sem prejuízo tático, sendo Totais: podendo fazer qualquer função (exceto o goleiro, por motivos óbvios).

Além dos fundamentais fatores futebolísticos, Cruyff também era único fora das quatro linhas. Preferiu o separatismo insurrecionado catalão à ditatura madridista. Depois de elevar o Ajax ao patamar dos gigantes do futebol mundial, com três títulos europeus, aportou em Barcelona, onde continuaria a mostrar o brilhantismo de um jogador cuja característica capital era a precisa leitura de jogo, e onde, após a aposentadoria, faria mais revolução, como treinador.

Sua posição? A enigmática expressão “função-Cruyff” explica. Chamá-lo de atacante é insuficiente, contudo, também não se pode descrevê-lo como um jogador à defensiva. Estrela da companhia Total, fez de tudo e se tornou único. Ícone e protagonista do que poderia ter sido uma obra cinematográfica dramática. Em 1974, a Holanda merecia ser campeã, pela bola e pela proposta. Todavia, foi vitimada por uma forte e pragmática Alemanha. Um caso raro de vice que é mais lembrado que o campeão.

Na competição, o craque e capitão neerlandês atuou em todos os jogos, marcando três gols, dois contra a Argentina e um contra o Brasil. Sob sua direção, os holandeses escaparam da pancadaria Uruguaia, não saíram do zero contra a Suécia (em um jogo com muitas chances, apesar do placar) e golearam a Bulgária, na primeira fase. Na segunda, ajudou a Holanda a liderar com autoridade um grupo com Brasil, Argentina e Alemanha Oriental (que, ironicamente, tinha se superiorizado à sua irmã do ocidente, que bateria a Holanda, na final). E, ao final, juntou-se ao seleto grupo dos gênios sem Copa. Não disputaria outra.

Ao todo, envergou a camisa laranja 48 vezes, balançando as redes adversárias em 33 turnos. Único, foi capaz de desafiar prognósticos e a direção do Ajax. Ao final de sua carreira, quando já tinha 36 anos, viu-se rejeitado pelo Ajax, que, em função de sua idade, não quis renovar seu contrato. Desejando provar o contrário, fechou com o Feyenoord, grande rival do clube de Amsterdã. Lá, venceria o Campeonato Holandês e a Copa da Holanda, provando que não se podia duvidar de um gênio.

Para o jornalista Mauro Beting, “Cruyff reinventou a matemática do jogo. Redefiniu seus números. Renomeou suas posições. Reinou nos campos e nos bancos. Foi o maior não campeão mundial por uma Seleção. É um dos poucos que podem jogar em qualquer posição, em qualquer seleção de melhores de todos os tempos. É Cruyff. É craque.” 

1974 – FRANZ BECKENBAUER

Ficha técnica

Nome: Franz Anton Beckenbauer

Data de nascimento: 11 de setembro de 1945

Local de nascimento: Munique, Alemanha

Carreira: Bayern de Munique (1965-1977), Cosmos (1977-1980), Hamburgo (1980-1982), Cosmos (1983)

Títulos: Campeonato Alemão (1968-1969, 1971-1972, 1972-1973, 1973-1974), Copa da Alemanha (1965-1966, 1967-1968, 1968-1969, 1970-1971), UEFA Champions League (1973-1974, 1974-1975, 1975-1976), UEFA Winner’s Cup (1966-1967), Mundial Interclubes (1976), pelo Bayern de Munique, NASL (1977, 1978, 1980), pelo Cosmos, Campeonato Alemão (1981-1982), pelo Hamburgo, UEFA Euro (1972) e Copa do Mundo (1974), pela Alemanha


Se descrever Cruyff como um jogador de ataque é insuficiente, na mesma medida, tratar o gênio Franz Beckenbauer como um jogador defensivo também o é. Meio-campista de formação, sempre gostou de entremear os construtores de jogo da equipe. Completo em termos de qualidades futebolísticas, tinha uma capacidade de entender o jogo e interpretá-lo absolutamente fantásticas. Não fosse assim, talvez não tivesse compreendido que seu melhor lugar seria atuando na retaguarda, onde melhor poderia enxergar a cancha e ajudar sua equipe. Nascia ali o líbero, na maior e melhor acepção terminológica.

“Dono” do Bayern de Munique e da Seleção Alemã, o Kaiser, como ficou conhecido, fez nascer uma função que, diferentemente da de Cruyff, ganharia nome: líbero. Pela classe que tinha, Beckenbauer poderia ter atuado em qualquer lugar do campo. Era elegante e jogava com grande inteligência. Entendia o jogo como poucos entenderam. Sabia da importância da defesa, sem perder o apreço pelo ataque.

Nono atleta que mais vezes vestiu a camisa germânica, com 103 aparições, entre 1965 e 1977, marcou 14 gols. Na trajetória rumo ao bicampeonato mundial tudesco, não marcou gols, mas foi o esteio da equipe durante todas as partidas da competição. Desde a magra vitória na estreia contra o Chile, passando pela derrota para a Alemanha Oriental e chegando, por fim, à finalíssima, quando embateu forças com a fantástica Holanda.

Exemplo de sobriedade e refino, sempre valorizou o trabalho coletivo. Ao falar da atual campeã mundial, ressaltou a grandeza da equipe, como um todo. E sempre teve discernimento para tudo o que dissesse respeito ao riscado, às quatro-linhas. Não à toa passou com imenso sucesso por todos os postos do futebol. Ganhou a Copa do Mundo como jogador e treinador, presidiu o Bayern de Munique e dirigiu o Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2006, um total sucesso.

Na bola, poucos tiveram sua qualidade técnica. Menor é o número daqueles que entenderam o jogo como ele. Foi craque. Só não foi eleito o craque da Copa de 74 porque, no meio do caminho, havia um Cruyff.

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