quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Times de que Gostamos: Wolfsburg 2008-2009

Depois de um tempo parada, a coluna “Times de que Gostamos” volta com tudo nesta semana, tratando do surpreendente time do Wolfsburg, da temporada 2008-2009, que contou com os artilheiros Grafite e Edin Dzeko e foi campeão alemão.


Time: Wolfsburg

Período: 2008-2009

Time base: Benaglio; Riether, Barzagli, Simunek (Ricardo Costa/Madlung), Schäfer; Josué, Hasebe (Pekarik), Gentner, Misimovic; Grafite e Dzeko. Téc.: Felix Magath

Título: Campeonato Alemão

Então virgem de títulos nacionais, o Wolfsburg, clube administrado pela Volkswagen, conquistou, na temporada 2008-2009, a Bundesliga. Com um ataque avassalador (o melhor do torneio, com 80 gols, 54 deles marcados pela grande dupla formada por Grafite e Edin Dzeko) e uma defesa equilibrada (a terceira melhor, com 41 gols sofridos), o Wolfsburg fez partidas avassaladoras e, com totais méritos, levantou a Salva de Prata.

Apesar de todos estes predicados, o título não foi conquistado com facilidade, tendo sido disputado até a última rodada, ponto a ponto, com o Bayern de Munique. Após um início titubeante, os Lobos emplacaram e, entre as rodadas 19 e 28, conquistaram 10 vitórias seguidas, incluindo um sonoro e inesquecível 5x1 contra o Bayern de Munique, ocasião em que Grafite marcou, após jogada individual incrível, de calcanhar.
Arqueiro seguro, o suíço Diego Benaglio (foto) garantiu onze clean sheets em favor do time no campeonato. Tendo jogado 31 das 34 partidas da Bundesliga, firmou-se como um dos pilares do time, uma das boas referências dos Lobos. Boa saída do gol, recuperação e reflexos muito apurados fizeram do goleiro um verdadeiro paredão.

No miolo de zaga, o torcedor viu algumas formações diferentes, todas muito seguras, entretanto, um jogador foi sempre certeza. Andrea Barzagli (foto abaixo), atualmente na Juventus, jogou todos os jogos do Wolfsburg na temporada. Zagueiro rápido e dono de ótimo tempo de bola, foi a principal referência do setor. Seus parceiros variaram; Jan SimunekRicardo Costa e Alexander Madlung alternaram-se. Embora inferiores em qualidade técnica, em relação ao italiano, todos demonstravam muita consistência. Destaque para Ricardo e Madlung, que também foram importantes no ataque, marcando três gols cada.

As laterais alviverdes tiveram duas opções de estilo de jogo extremamente seguro. Do lado direito, Sascha Riether era um jogador de qualidade técnica razoável, sem nenhuma deficiência acentuada. Apesar de, normalmente, ficar mais restrito às obrigações defensivas (podendo atuar como volante), também atacava com qualidade, tendo marcado dois gols na temporada.

Do outro lado, Marcel Schäfer (foto) foi sinônimo de regularidade e eficiência. Tendo atuado em todos os jogos do Campeonato Alemão, foi responsável por importantes oito assistências. O reconhecimento pelo bom trabalho de Riether e Schäfer veio com convocações para a Seleção Alemã. Contratado na janela de inverno, Peter Pekarík foi opção muito utilizada no lado direito, transferindo Riether para o meio-campo em algumas ocasiões

Na contenção, contestado pelo torcedor brasileiro – que o achava limitado para defender a Seleção Brasileira –, Josué (foto) era unanimidade nos Lobos, sendo, inclusive, o capitão do time. Trabalhando incansavelmente, foi o cão de guarda da defesa e peça vital para a construção inicial dos ataques da equipe.

Em uma linha um pouco mais adiantada, o japonês Makoto Hasebe fez parceria extremamente sólida e criativa com o alemão Christian Gentner. Jogadores muito corretos, desempenhavam muitas funções na equipe. Sem a bola, ajudavam na recomposição defensiva – sobretudo Hasebe –; com a bola levavam a equipe à frente, fazendo a transição da bola entre os setores defensivo e ofensivo. Não por acaso, Gentner teve números excelentes, tendo marcado quatro gols e provido impressionantes 10 assistências.

Armando o time e com excelente chegada ao ataque, Zvjezdan Misimovic (foto) era o jogador mais técnico e habilidoso da equipe. Sua facilidade para invadir a área adversária, assistir seus companheiros e finalizar, tanto com a bola parada quanto com a pelota rolando, tanto de perna direita (sua preferida) quanto com a perna esquerda, o tornaram uma arma extremamente imprevisível e letal. Na temporada 2008-2009, conferiu sete tentos e 20 (!) assistências.

No comando do ataque, os Lobos tinham uma dupla de eficiência raras vezes vista. Dificilmente, no início da temporada, alguém poderia prever o nefasto efeito que Grafite e Edin Dzeko (foto) trariam para as defesas adversárias. Centroavantes, brasileiro e bósnio nadaram contra a corrente em um futebol em que cada vez menos se veem jogadores de área. Todavia, seu encaixe foi quase perfeito. Se Dzeko representou a técnica, Grafite era a velocidade e o faro de gol apurados. Em um aspecto, ambos eram muito bons: o oportunismo. Ao final da temporada, o brasileiro foi o artilheiro do Campeonato, com 28 gols em 25 jogos (!), e o bósnio o vice, com 26 tentos.

A coesão da equipe, baseada em um esquema tático 4-1-3-2, se deu em função do ótimo trabalho desempenhado pelo experiente treinador Felix Magath (foto) – com vitoriosa passagem pelo Bayern de Munique e, como jogador, pela Seleção Alemã –, comandante de gênio extremamente forte e de escolhas, por vezes, esdruxulas. Durante a temporada 2008-2009, foi perfeito no comando do Wolfsburg, levando-o ao inédito, e até hoje único, título nacional. Além dos titulares, contou com algumas peças importantes durante a temporada, casos do polivalente defensor Cristian Zaccardo, do meia-atacante Ashkan Dejagah e do atacante nipônico Yoshito Okubo.  


Ficha técnica de alguns jogos importantes nesse período:

14ª rodada do Campeonato Alemão: Wolfsburg 4x1 Stuttgart

Volkswagen Arena, Wolfsburg

Árbitro: Helmut Fleischer

Público 26.897

Gols: ’51 e ’76 Grafite, ’79 e ’85 Dzeko (Wolfsburg); ’17 Lanig (Stuttgart)

Wolfsburg: Benaglio; Riether (Zaccardo), Ricardo Costa, Barzagli, Schäfer; Josué, Hasebe (Krzynowek), Gentner, Misimovic; Grafite e Dzeko (Caiuby). Téc.: Felix Magath

Stuttgart: Lehmann; Boulahrouz, Tasci, Delpierre, Magnin; Lanig, Hitzlsperger, Élson, Simak (Boka/Ljuboja); Cacau e Mario Gómez. Téc.: Armin Veh

24ª rodada do Campeonato Alemão: Wolfsburg 4x3 Schalke 04

Volkswagen Arena, Wolfsburg

Árbitro: Peter Sippel

Público 30.000

Gols: ’25, ’74 e ’84 Grafite e ’44 Dzeko (Wolfsburg); ‘9 Westermann, ’76 Jones e ’90 Kuranyi (Schalke 04)

Wolfsburg: Benaglio; Pekarik, Madlung, Simunek, Schäfer; Barzagli, Josué, Gentner (Hasebe), Misimovic (Dejagah); Grafite (Okubo) e Dzeko. Téc.: Felix Magath

Schalke 04: Schober; Rafinha, Westermann (Latza), Krstajic, Höwedes, Kobiashvili (Pander); Jones, Rakitic; Farfán, Sánchez (H. Altintop) e Kuranyi. Téc.: Fred Rutten

26ª rodada do Campeonato Alemão: Wolfsburg 5x1 Bayern de Munique

Volkswagen Arena, Wolfsburg

Árbitro: Thorsten Kinhöfer

Público 30.000

Gols: ’44 Gentner, ’63 e ’66 Dzeko, ’74 e ’77 Grafite (Wolfsburg); ’45 Luca Toni (Bayern)

Wolfsburg: Benaglio (Lenz); Pekarik (Dejagah), Barzagli, Simunek, Schäfer; Josué, Riether, Gentner, Misimovic; Grafite (Okubo) e Dzeko. Téc.: Felix Magath

Bayern: Rensing; Lell, Breno, Lúcio (Ottl), Lahm (Borowski); van Bommel, Zé Roberto, Schweinsteiger (Sosa), Ribery; Podolski e Toni. Téc.: Jürgen Klinsmann

32ª rodada do Campeonato Alemão: Wolfsburg 3x0 Borussia Dortmund

Volkswagen Arena, Wolsfburg

Árbitro: Lutz Wagner

Público 30.000

Gols: ’15 e ’85 Dzeko e ’47 Grafite (Wolfsburg)

Wolfsburg: Benaglio; Riether, Madlung, Barzagli, Schäfer; Josué, Hasebe (Pekarik), Gentner, Misimovic (Schindzielorz); Grafite e Dzeko. Téc.: Felix Magath

Borussia Dortmund: Weidenfeller; Owomoyela, Felipe Santana, Subotic, Dedê; Kehl, Sahin, Hajnal (Boateng), Blaszczykowski (Kringe); Nelson Valdez (Zidan) e A. Frei. Téc.: Jürgen Klopp

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