segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Futebol pelo Mundo: Bruxelas

Em uma parceria entre O Futebólogo e Doentes por Futebol, algumas matérias estão sendo realizadas in loco, trazendo ao amante do esporte bretão impressões e realidades do futebol, para além das fronteiras tupiniquins. O primeiro destino? Estádio Constant Vanden Stock, em Bruxelas!



A cidade de Bruxelas, capital da Bélgica e, de certa forma, da Europa – afinal é lá que está sediada a União Europeia – de forma alguma respira o futebol. Na terra natal do escritor Georges Simenon, autor da célebre série de histórias do comissário Jules Maigret, de Tim Tim e dos Smurfs, as ruas limpas e a rica presença do estilo Art Nouveau marcam muito mais a visita do turista do que o esférico mais apreciado do mundo dos esportes.

É raro ver lojas de artigos esportivos e ainda mais difícil notar pessoas trajando camisas ou cachecóis que remetam a seu time. No entanto, a cidade oferece um serviço de primeira linha para o amante do futebol ou para o simples torcedor, em uma experiência completa, com tudo o que se pode desejar. Ir ao Estádio Constant Vanden Stock, casa do Anderlecht, é programa para toda a família e oferece todo o conforto necessário ao torcedor.

Transportando-se




O estádio, como na maioria das cidades do mundo, fica consideravelmente longe do centro, o que não é problema. Usando, no máximo, duas linhas de metrôs ou uma de metrô e uma de ônibus chega-se, com no máximo meia hora e confortavelmente, ao destino. O único obstáculo para o turista pode ser o idioma. Na Bélgica fala-se, oficialmente, o francês, o holandês e o alemão – este, apesar de ser oficial, é pouco falado – e dificilmente notam-se placas em inglês.

No entanto, a suprema maioria das pessoas fala inglês e é extremamente receptiva a ajudar. Com um conhecimento superficial do inglês é extremamente fácil se deslocar na capital, como um todo, e a ida ao Estádio Constant Vanden Stock não é diferente. Mesmo as pessoas que não dominam o idioma inglês tentarão te ajudar e na “infalível” comunicação por gestos e palavras chave como “estádio”, “Anderlecht” ou “futebol” – que encontram semelhança mesmo em francês ou holandês – as pessoas provavelmente saberão te ajudar. Orientando-se antes, a chance de erro é ínfima.

A experiência fora do estádio




Chegando nas cercanias do Estádio, que fica enredado por um belo parque, logo notam-se incontáveis bares – a maioria deles com assentos confortáveis e com enormes televisores transmitindo outras partidas de futebol, ao melhor estilo Pub – barracas de cerveja com torneiras intermitentemente ativas e uma quantidade não menos relevante de barracas de comidas, como cachorros quentes e hambúrgueres.

Há também trailers vendendo produtos do Anderlecht e banheiros químicos nas ruas. O policiamento é pouco notado, exceto pelos isolamentos que são feitos nas ruas que envolvem o estádio.



O torcedor pode comprar ingressos pela internet e recebê-los em casa – se residir no país – ou pegá-los em um guichê na bilheteria do próprio estádio. Tudo muito tranquilo, sem grandes filas ou problemas. Se preferir, também é possível comprar os últimos ingressos antes do início da partida, correndo, evidentemente, o risco de não consegui-los. Se o torcedor precisar de informações para chegar ao guichê de retirada dos ingressos basta perguntar a algum policial ou aos Stewards, responsáveis pela segurança interna dos estádios e facilmente reconhecíveis.

Há também, como não poderia ser diferente, uma grande loja oficial do clube, vendendo toda a espécie de produtos – e aqui é o lugar onde há maior probabilidade de se ter que enfrentar filas, afinal muitos torcedores vão ao estádio dispostos a gastar! O clube dá conforto ao torcedor, que retribui nas compras, que vão desde simples chaveiros até grandes casacos. Outro ponto interessante é a distribuição gratuita de “guias” do jogo, recheados de informações sobre as duas equipes (infelizmente disponíveis, apenas, em francês e holandês).



Nota-se, com clareza, o bom trabalho do clube. Ir ao estádio do Anderlecht não engloba apenas a partida. É uma experiência muito mais complexa, em que notam-se claramente, e em grande número, pais com filhos pequenos, mulheres (inclusive sozinhas), grupos de adolescentes e pessoas idosas. Há conforto e segurança. Como não desfrutar?

A experiência dentro do estádio

Após passar pelas catracas, o torcedor tem à sua disposição bares dentro do estádio e em seu entorno – na parte externa. E nas arquibancadas é respeitado o assento marcado. Quaisquer problemas na localização dos mesmos são facilmente resolvíveis perguntando aos Stewards – e não se deve hesitar em questioná-los, afinal uma de suas funções é exatamente ajudar os torcedores a se instalarem em seus respectivos assentos.

O único ponto negativo é o pequeno espaço entre as fileiras de cadeiras, que dificultam o trânsito das pessoas. No entanto, isso é uma tendência mundial e as pessoas não se irritam por ter, eventualmente, que se levantarem para ceder a passagem ao próximo.



O jogo

Atual tricampeão belga, o Anderlecht tem apresentado nos últimos anos um futebol bonito e de boa qualidade. Ainda que não consiga ter bons desempenhos na UEFA Champions League – não estando no mesmo patamar dos grandes clubes da Europa –, opta por um estilo de jogo muito aberto, privilegiando o talento. Já o Oostende, rival da partida, onde atua o brasileiro Fernando Canesin Matos, também tenta, na medida de suas limitações técnicas, mostrar um futebol ofensivo.

Les Mauves et Blancs, como é conhecido o clube da capital, apresentou um esquema tático que flutuou entre o manjado 4-2-3-1 e o 4-1-4-1. À frente de uma tradicional defesa com quatro homens (Anthony Vanden Borre, Chancel Mbemba, Olivier Deschacht e Fabrice N’Sakala), os jovens Leander Dendoncker (19) e Youri Tielemans (17) mostraram impressionante inteligência tática e maturidade, o que possibilitou, muitas vezes, o avanço de Tielemans para a linha dos meias, compostas pelos velozes Andy Nájar (21), pela direita, e Frank Acheampong (21), pela esquerda, e pelo inteligente Dennis Praet (20). No comando do ataque, Aleksandr Mitrovic (20), mostrou impressionante frieza e bom trabalho de pivô, assistindo aos meias.

Pelo lado do Oostende, os destaques ficam a cargo do brasileiro, que muito procurou o jogo, do atacante brigador Elimane Coulibaly e dos volantes Andile Jali e Sebastien Siani, donos de boa saída de bola.

O placar de 3x0 para os donos da casa, gols de Mitrovic e Praet (2), mostrou a superioridade do Anderlecht, que, no momento é quinto colocado, quatro pontos atrás do Club Brugge, líder da competição.


A torcida

Participativa, cantando quase em todos os 90 minutos do jogo, a torcida do Anderlecht dá um show à parte e mostra muito carinho com seus jogadores, sempre entoando seus nomes em seus acertos e apoiando-os em momentos de dificuldades. Até mesmo o nome de Fernando Canesin, que já deixou o clube, foi cantado quando o jogador foi substituído, tendo sido, ainda, aplaudido de pé. Outra demonstração desse carinho é o apelido dado pela torcida ao atacante Mitrovic, o “Mitrogol”.

Usando ritmos comuns no futebol, o que inclui uma reformulação da música “Aquarela do Brasil”, os torcedores são incansáveis e demonstram muita noção de seu papel, vaiando incessantemente jogadores “cai-cai” e demonstrando sua desaprovação com um início de confusão que ocorreu dentro dos gramados entre Mitrovic e o goleiro Didier Ovono, do Oostende.


A saída

Como a chegada, a saída do estádio foi absolutamente tranquila, com transportes muito eficazes e em grande número.

O veredito

Embora o futebol não seja a “praia” dos moradores da cidade de Bruxelas, ele está presente e é muito bem tratado. Uma ida ao Estádio Constant Vanden Stock é programa para se ir sozinho, com amigos, com familiares ou com filhos – ou seja, com qualquer companhia ou, ainda, só. O bom futebol de um time recheado de jovens valores também agrada, deixando a experiência ainda mais interessante.

O amante do futebol que tiver a oportunidade de viajar à Bruxelas não se decepcionará.

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