quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Times de que Gostamos: Feyenoord 1969-1970

Na última semana, tratamos do excelente time do Werder Bremen da temporada 2003-2004, dos artilheiros Ivan Klasnic e Aílton. Nesta, o foco é o primeiro campeão da UEFA Champions League vindo da Holanda, o Feyenoord.


Em pé: Jan Boskamp, Eddy Treytel, Joop Van Daele, Rinus Israel, Theo Laseroms, Matthias Maiwald, Abraham Geilman, Wilhem Van Hanegem.
Sentados: Henk Wery, Dick Schneider, Franz Hasil, Theo Van Duivenbode, Wim Jansen, Coen Moulijn, Piet Romeijn and Ove Kindvall


Time: Feyenoord

Período: 1969-1970

Time BaseTime Base: Graafland (Treytel); Romeijn (Haak), Israel, Laseroms, Duivenbode; Jansen, Hasil, Van Hanegem; Wery, Kindvall e Moulijn. Téc.: Ernst Happel

Conquistas: UEFA Champions League e Mundial de Clubes

Primeiro campeão europeu vindo da Holanda, o Feyenoord do final dos anos 60 e do início da década de 70 já mostrava um estilo de jogo semelhante ao que o mundo veria em 1974, com a Seleção Holandesa do craque Johan Cruyff.

Comandada pelo austríaco Ernst Happel, o primeiro treinador a conquistar a UEFA Champions League por dois clubes diferentes na história – também venceu com o Hamburgo –, a equipe mostrava muita criatividade, habilidade e já experienciava lampejos do famigerado Futebol Total, que afamou a Laranja Mecânica.

Misturando gerações, em uma época de transição, o time encontrou uma forma de jogar muito interessante e inteligente. A soma de um setor defensivo limitado, mas correto e sólido, com um meio-campo extremamente criativo e um ataque insinuante gerou, como resultado, a vitoriosa equipe de Roterdã do final da década de 60, que culminou com a glória continental em 1970.

A meta do Feyenoord foi defendida durante muitos anos por Eddy Graafland (foto), um dos maiores goleiros da história da Holanda. Tendo atuado oito anos no Ajax e 12 no rival de Roterdã, é lembrado como grande defensor de pênaltis. Apesar disso, com a chegada do jovem Eddy Treytel, em 1968, foi relegado à reserva, sem, contudo, deixar de ser um jogador extremamente influente. Apesar da sua condição de suplência, aos 36 anos, Graafland teve papel vital na campanha da UEFA Champions League, tendo disputado o jogo final e, com brilhantes defesas, parado o ataque do Celtic, que havia sido campeão em 1967. Com o título, aposentou-se. Por seu turno, Treytel permaneceu defendendo o clube até 1979.

Pelo lado direito da defesa, o clube tinha a presença de Piet Romeijn, jogador que disputou mais de 250 jogos pelo clube e é lembrado por sua força, imposição física e dedicação. Basicamente, era um marcador. Do lado oposto, Theo van Duivenbode (foto) era a referência. Cria do Ajax, onde foi treinado por Rinus Michels, tinha boa técnica e eficiência nos passes. Curiosamente, foi dispensado do clube da capital holandesa com a desculpa de que não possuía “espírito vencedor”. O tempo provou o engano. Tanto Romeijn quanto Duivenbode chegaram à Seleção Holandesa no período. 

Diferentes – porém complementares – Rinus Israel (foto), ou Ijzeren Rinus (Rinus de Ferro), e Theo Laseroms, o “Tanque”, formaram aquela que deve ser lembrada pelos torcedores do Club aan de Mass – o Clube da Massa – como a melhor de sua história. Líder por natureza, Rinus tinha técnica e ótima leitura de jogo, sendo muito útil na construção das jogadas de ataque do time. Por sua vez, Laseroms era mais afeito ao trabalho sujo, sendo (apesar de menos técnico) mais seguro e intransponível na bola aérea. Os dois são outras peças deste lendário time do Feyenoord que vestiram a camisa da Laranja Mecânica; Israel foi, inclusive, figura importante do escrete holandês na Copa de 1974.

Na meia-cancha, o alvirrubro contou com os préstimos de três jogadores talentosíssimos e capazes de desempenhar qualquer papel no setor. Companheiros também na Seleção Neerlandesa, Wim Jansen e Willem van Hanegem (foto) firmaram um trio fantástico com o internacional austríaco Franz Hasil. Na teoria, Jansen era o meia mais central, sendo o responsável central pela contenção, enquanto van Hanegem, pela esquerda, e Hasil, pela direita, tinham total liberdade para criar.

Na prática, todos faziam de tudo, demonstrando uma capacidade de entendimento do jogo que poucos jogadores demonstraram na história do futebol. Apesar de van Hanegem, conhecido como De Kromme (o encurvado) mostrar, usualmente, maior habilidade que seus companheiros, os outros dois se equiparavam a ele com sua enorme qualidade de passe e visão de jogo.

À frente, um poderoso trio de atacantes de características distintas assombrava os marcadores adversários. Ao infernal Coen Mouljin (foto), cotado por muitos como o maior jogador da história do Feyenoord (onde atuou por 17 anos) e membro da Seleção Holandesa de todos os tempos eleita por Johan Cruyff, juntaram-se a velocidade e destreza de Henk Wery e a fome de gols e instinto devorador do matador sueco Ove Kindvall. Sobre Mouljin, diz-se que jogava com instinto e há quem se arrisque a falar que, individualmente, o craque era comparável ao mito Cruyff.

Wery era uma flecha pelo flanco destro; Mouljin era o showman do lado esquerdo; e Kindvall, pelo centro, protagonizava as cenas de maior êxtase nas arquibancadas. Um trio de qualidades que, combinadas, parecia ter o encaixe perfeito. Coube ao goleador escandinavo – que já se tornara o primeiro artilheiro estrangeiro do Campeonato Holandês – a autoria do gol do título mais celebrado pelo torcedor do Feyenoord, o da UEFA Champions League.

Orientando a equipe, tal como um maestro, Ernst Happel (foto) elevou a orquestra Feyenoord ao patamar dos gigantes do futebol europeu. Se já era, nacionalmente, um grande time na década de 60, obtendo muitos êxitos, se confirmou gigante na esfera continental na temporada 1969-1970. O austríaco conferiu sua marca ao time projetado pelo treinador Ben Peeters e criou um time dos sonhos: sólido defensivamente; criativo no meio; impetuoso no ataque. Em síntese: um escrete eterno.


Ficha técnica de alguns jogos importantes no período:

Oitavas de finais da UEFA Champions League: Feyenoord 2x0 Milan

Estádio De Kuip, Roterdã

Árbitro: Hans-Joachim Weyland

Público 62.782

Gols: ‘6 Jansen e ’81 van Hanegem (Feyenoord)

Feyenoord: Treytel; Romeijn, Israel, Laseroms, Duivenbode; Jansen, Hasil, van Hanegem; Wery, Kindvall e Moulijn. Téc.: Ernst Happel

Milan: Cudicini; Maldera; Anquilletti, Schnellinger, Rosato, Santin; Fogli (Rognoni); Sormani; Prati, Lodetti, Combin (Golin). Téc.: Nereo Rocco

Semifinal da UEFA Champions League: Feyenoord 2x0 Legia Varsóvia

Estádio De Kuip, Roterdã

Árbitro: Kevin Howley

Público 63.000

Gols: ‘3 van Hanegem e ’31 Hasil (Feyenoord)

Feyenoord: Treytel; Haak, Israel, Laseroms, Duivenbode; Jansen, Hasil, van Hanegem; Wery, Kindvall e Moulijn. Téc.: Ernst Happel

Legia: Grotynski; Stachurski, Trzaskowski, Zygmunt; Z. Blaut, B. Blaut, Zmijewski; Brychczy Pieszko, Denya, Gadocha. Téc.: Edmund Zientara

Final da UEFA Champions League: Feyenoord 2x1 Celtic

Estádio Giuseppe Meazza, Milão

Árbitro: Concetto Lo Bello

Público 53.187

Gols: ’30 Tommy Gemmell (Celtic); ’31 Israel e ‘117 Kindvall (Feyenoord)

Feyenoord: Graafland; Romeijn (Haak), Israel, Laseroms, Duivenbode; Jansen, Hasil, van Hanegem; Wery, Kindvall e Moulijn. Téc.: Ernst Happel

Celtic: Williams; Hay, McNeill, Brogan, Gemmell; Murdoch, Auld (Conelly); Johnstone, Hughes, Wallace, Lennox. Téc.: Jock Stein

Um comentário :

  1. Parabéns ! Sou nostágico torcedor do futebol Holandes desde a Copa de 1978 na Argentina ,quando eu tinha 7 anos ,vi os jogos daquela copa já sem Cruiff ,seu craque maior . O futebol holandes é um exemplo de futebol ofensivo.
    Grande abraço .

    ResponderExcluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...