quarta-feira, 4 de março de 2015

Times de que Gostamos: Estudiantes 1967-1970

Depois de tratar do Atlético Nacional, treinado por Francisco Maturana, deixo o futebol colombiano rumo ao argentino, onde, entre 1967 e 1970, o mundo viu o despertar do Estudiantes.


Em pé: Carlos Pachamé, Alberto Poletti, Oscar Malbernat, Ramón Aguirre Suárez, Raúl Madero e Néstor Togneri.
Agachados: Cristian Rudzky, Carlos Bilardo, Marcos Conigliaro, Eduardo Flores e Juan Ramón Verón.


Time: Estudiantes

Período: 1967-1970

Time Base: Poletti; Malbernat, Aguirre Suárez, Madero, Medina; Pachamé, Bilardo; Flores, Ribaudo, Conigliaro, Verón. Téc.: Osvaldo Zubeldía

Conquistas: Campeão Argentino (1967), Tricampeão da Copa Libertadores da América (1968-1970) e Campeão Mundial Interclubes (1968)

Como descrever uma equipe tão revolucionária e, ao mesmo tempo, afeita à um estilo de jogo exageradamente aborrecido? Para a obtenção de uma resposta precisa, teríamos que dirigir o questionamento ao treinador Osvaldo Zubeldía, já falecido.

Mentor da equipe que subverteu a ordem do futebol argentino – até os anos 60 amplamente dominado pelo quinteto Boca Juniors, River Plate, Racing, Independiente e San Lorenzo –, o comandante orquestrou uma equipe magnificamente bem treinada e campeã, que, não obstante, foi imensamente criticada durante sua existência.

Intruso na ordem criada no início dos anos 30 (nenhum clube de fora do “grupo dos cinco” havia conquistado o título do Campeonato Argentino), o Estudiantes ganhou notoriedade nos anos 60 - vale ressaltar que o Estudiantes conquistou a América antes de Boca Juniors, River Plate e San Lorenzo. Com uma equipe formada com um orçamento exíguo, apostando, em grande medida, no talento formado em casa, Los Pincharratas apresentaram ao mundo um novo estilo de jogo, primaz defensivamente e baseado mais em táticas e organização do que em talento.

Com o Estudiantes, o mundo passou a conhecer a concentração antes dos jogos, a famigerada “linha de impedimento” e as jogadas ensaiadas em cobranças de bolas paradas. A também afamada “catimba argentina” começou a ganhar espaço nesse momento, apesar da veemência com a qual era combatida pelas torcidas e meios de comunicação da época, que não admitiam a desvalorização do jogo técnico.

Assim era Zubeldía, o treinador que preteria o bom futebol em prol do melhor resultado, mas que desenvolveu novos e importantes conceitos futebolísticos, levando ao topo uma equipe pouco tradicional até então, e que se distinguiu de tudo o que havia sido praticado pela solidez defensiva e por seus meio-campistas e atacantes aguerridos. Todavia, obviamente, havia muito talento na equipe e o maior representante do bom futebol dos alvirrubros foi Juan Ramón Verón, La Bruja, que mais tarde seria mais lembrado como o pai de Juan Sebastián Verón, La Brujita.

Protegendo a meta argentina, o Estudiantes contava com o arqueiro Alberto Poletti (foto). Muito exigido de seu treinador nas saídas da meta, teve a obrigação de desenvolver ao limite extremo essa capacidade, bem como sua atenção, uma vez que, em caso de falha da linha de impedimento (que praticamente não falhava), tinha que entrar em ação, como um líbero. Debaixo dos postes, foi um goleiro correto e não ganhou tanto destaque, até porque era pouco exigido.

Poletti é mais lembrado pela fatídica derrota para o Milan no Intercontinental de 1969, quando, após praticar agressões de toda ordem, passou um mês na cadeia e sete meses banido dos campos (o banimento deveria ser vitalício, mas, com a saída do presidente militar Organía, o jogador foi perdoado). Entretanto, sobre esse fato, o goleiro recordou recententemente - em entrevista ao Diário AS - da intromissão de um oficial das Forças Armadas da Argentina, que teria dito aos jogadores que estes teriam que “Ganhar ou Morrer”, acirrando os ânimos da jovem esquadra, que não conseguiu se conter. Os defensores Luján Manera e Ramón Aguirre Suárez também sofreram punições, a despeito disso, menos severas.

A defesa, ponto de enorme destaque da equipe, era foi formada por quatro homens. Geralmente pelo lado direito (embora também fosse opção pelo flanco contrário), Oscar Malbernat (foto), o grande capitão da equipe, era a referência. Marcador de grande imposição física, liderança e, por vezes, útil no ataque, era um dos pilares da equipe. Pelo outro lado, ocupando a ala esquerda, José Hugo Medina era a referência. Embora fosse bom jogador, é outro que é mais lembrado por um incidente do que por sua própria qualidade. Na final do Intercontinental de 1968, contra o Manchester United, envolveu-se em polêmica com George Best e, após trocarem sopapos, ambos foram expulsos e tiveram e ser escoltados até seus vestiários.

Os zagueiros da equipe, responsáveis pela boa execução da linha de impedimento (junto com os laterais) tinham grande vitalidade. De um lado a firmeza e elegância de Raúl Madero; do outro a virilidade, ótima capacidade aérea e, em alguns momentos, truculência de Aguirre Suárez (foto). A dupla, complementar em características, era o pesadelo dos jogadores e treinadores rivais, afinal, por sua obra, os adversários tinham de ter atenção redobrada com seus passes, buscando evitar que seus atacantes ficassem em posição de impedimento, algo impensável até então.

O meio-campo, virtuoso na arte da gestão da bola, entendimento do campo e domínio das ações, era composto por Carlos Pachamé e Carlos Bilardo (foto). O primeiro era um volante incansável, raçudo e dotado de enorme poder de marcação. Por outro lado, Bilardo, embora também fosse afeito ao trabalho sujo, chamava a atenção por sua inteligência. Como poucos, o argentino sabia contemporizar situações, prender a bola, segurar o jogo e irritar os adversários. Outras características que o marcavam eram sua eficiência na cobrança de faltas e sua liderança, que o conferia um status de “treinador dentro do campo”.

Um pouco mais adiantado, Eduardo Flores dava muitas opções para a equipe, sempre com muita movimentação. Sua vocação ofensiva, rendeu ao Estudiantes muitos gols e assistências, uma vez que o jogador sempre buscava trabalhar a bola com seus três companheiros mais avançados – sobretudo com Verón (foto). Este, por seu turno, era o craque do time e é, possivelmente, o maior ídolo de todos os tempos dos alvirrubros. Habilidoso e veloz; e bom finalizador no ar e no solo, La Bruja era a grande referência de refino técnico da equipe, sempre atuando pela margem esquerda do ataque argentino.

O outro flanco era preenchido por Felipe Ribaudo, jogador que se destacava mais por sua dedicação na criação de oportunidades para seus companheiros do que propriamente por seus gols – embora seus seis tentos tenham sido importantíssimos na Copa Libertadores de 1968. Por fim, pelo centro, Marcos Conigliaro era a referência do ataque dos Pincharratas. Habilidoso e rápido, era quem tinha o melhor entendimento com Verón, destacando-se ainda com gols importantes – como o solitário tento do primeiro jogo do Intercontinental de 1968.

Além dos onze titulares, o treinador Osvaldo Zubeldía (foto) contou com alguns jogadores úteis durante o vitorioso período alvirrubro. Na defesa, Luján Manera era uma opção recorrentemente usada; no meio-campo Néstor Togneri era alternativa para reforçar a marcação e aumentar o controle do jogo; e no ataque Juan Miguel Echecopar destacava-se com gols importantes, sempre na condição de reserva imediato de quaisquer dos atacantes titulares

Ficha técnica de alguns jogos importantes no período:

Final da Copa Libertadores da América (Terceiro Jogo) de 1968: Estudiantes 2x0 Palmeiras

Estádio Centenário, Montevidéu

Árbitro: Cesar Orozco

Público 55.000


Gols: ’13 Ribaudo e ’81 Verón (Estudiantes)

Estudiantes: Poletti; Marbernat, Aguirre, Madero, Medina; Pachamé e Bilardo; Ribaudo, Flores, Conigliaro e Verón. Téc.: Osvaldo Zubeldía 

Palmeiras: Valdir de Moraes; Geraldo Escalera, Baldochi, Osmar e Ferrari; Suingue, Dudu e Ademir da Guia;  Servílio (China), Tupãzinho e Rinaldo. Téc.: Alfredo González 

Final do Mundial Interclubes de 1968 (Primeiro Jogo): Estudiantes 1x0 Manchester United

Estádio La Bombonera, Buenos Aires

Árbitro: Hugo Miranda

Público 66.000

Gol: ’27 Marcos Conigliaro

Estudiantes: Poletti; Malbernat, Aguirre, Madero, Medina; Togneri, Pachamé, Bilardo; Ribaudo, Conigliaro e Verón. Téc.: Osvaldo Zubeldía


Manchester United: Stepney; Foulkes; Burnes, Stiles, Dunne; Crerand, Sadler, Bobby Charlton; Willie Morgan, George Best e Dennis Law. Téc.: Matt Busby

Final da Copa Libertadores da América de 1969 (Segundo Jogo): Estudiantes 2x0 Nacional

Estádio La Plata, La Plata

Árbitro: Delgado

Público 55.000

Gols: ’22 Flores e ’37 Conigliaro (Estudiantes)

Estudiantes: Poletti; Malbernat, Aguirre, Madero, Togneri; Rudzky, Pachamé, Bilardo; Flores, Conigliaro, Verón. Téc.: Osvaldo Zubeldía

Nacional: Manga, Ubiña, Ancheta, Em.Alvarez, Mujica, Montero Castillo, Prieto, Espárrago, Cubilla, Garcia (Silveira), Morales. Téc.: Zezé Moreira

Final da Copa Libertadores da América de 1969 (Primeiro Jogo): Estudiantes 1x0 Peñarol

Estádio La Plata, La Plata

Árbitro: Robles

Público 40.000

Gol: ’87 Togneri (Estudiantes)

Estudiantes: Errea, Pagnanini, Spadaro, Togneri; Pachamé, Solari, Bilardo; Flores (Rudzki), Echecopar, Conigliaro, Verón. Téc.: Osvaldo Zubeldía


Peñarol: Pintos, Soria (González), Figueroa, Peralta, Martínez, Goncalves, Viera, Lamas (Cáceres), Acuña, E.Onega, Lamberck. Téc.: Osvaldo Brandão

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