quarta-feira, 17 de junho de 2015

Times de que Gostamos: Borussia Mönchengladbach 1974-1977

Após lembrar o fantástico time do Estrela Vermelha, da temporada 1990-1991, trato do grande Borussia Mönchengladbach de meados da década de 70, que, comandado pelo histórico Udo Lattek, ditou o ritmo do Futebol Alemão.


Em pé: Jensen, Wimmer, Wittkamp, Heynckes, Schäffer, Klinkhammer.
Agachados: Danner, Simonsen, Del'Haye, Kleff, Vogts, Köppel, Bonhof


Time: Borussia Mönchengladbach

Período: 1974-1977

Time Base: Kleff (Kneib); Vogts, Stielike (Schäffer), Wittkamp, Klinkhammer; Wimmer, Bonhof, Danner (Wohlers/Kulik), Jensen (Köppel); Allan Simonsen e Jupp Heynckes. Téc.: Hennes Weisweiler e Udo Lattek

Conquistas: Tricampeonato Alemão e Copa da UEFA

O início da década de 70 revelou um quadro até então desconhecido no panorama do futebol mundial. O Bayern de Munique, hoje uma potência global, conquistou o tricampeonato europeu e pela primeira vez em sua história dominou as ações no cenário germânico, com uma esquadra poderosíssima, composta por jogadores da categoria de Paul Breitner, Sepp Maier e do inesquecível Franz Beckenbauer. No entanto, na esfera doméstica, seu lugar foi destituído por outra equipe de veloz evolução: o Borussia Mönchengladbach.

Com três títulos alemães, em sequência, entre 1974 e 1977, uma UEFA Cup e um vice-campeonato europeu, os Fohlen interromperam a hegemonia de seus rivais bávaros e consagraram uma equipe fortíssima, cuja qualidade era tão grande que permitia uma série de variações táticas e dificultava uma boa leitura de jogo por parte de seus rivais. Curiosamente, o trabalho em Gladbach foi iniciado por Hennes Weisweiler e continuado por Udo Lattek, o grande responsável pela montagem das engrenagens do poderoso Bayern do início da década.

Leia também: Times de que Gostamos: Bayern de Munique 1973-1976

Nas quatro linhas, havia, sobretudo, dois jogadores que se destacavam como os grandes pilares da equipe: na defesa, Berti Vogts, defensor multifuncional e reconhecido por sua determinação e virilidade; e no ataque, Jupp Heynckes, atacante completo e prolífico, um verdadeiro craque.

Se no início da década, o time já havia conquistado um título alemão, quando ainda contava com o excepcional Günter Netzer – que foi vendido ao Real Madrid em 1973 –, em meados do referido período, o time alcançou sua melhor forma e foi dominante.

No início do período vitorioso, ainda sob o comando de Weisweiler, o Borussia tinha em sua meta o arqueiro Wolfgang Kleff (foto), que, como é comum da Alemanha, era muito bom. Com mais de 300 jogos pela equipe, foi titular entre 1969 e 1976 e chegou a ganhar oportunidades na Seleção Alemã, no entanto, como concorria com o mito Sepp Maier, não chegou a ter muitas chances. Em meados da década de 70, Kleff foi substituído por Wolfgang Kneib, goleiro contratado junto ao modesto SV Wiesbaden e que disputou 112 partidas pelo Borussia no Campeonato Alemão, entre os anos de 1976 e 1980.

O setor defensivo era um dos pontos mais fortes da equipe, mas é difícil defini-lo. Todos os membros do setor possuíam qualidades que lhes permitiam atuar em qualquer região da retaguarda e até mesmo do meio-campo. Figuras dotadas de grande inteligência, Berti Vogts (foto), Uli Stielike, Hans Klinkhammer, Hans-Jürgen Wittkamp, Frank Schäffer e Horst Wohlers tinham suas características próprias, mas possuíam uma incomum versatilidade.

Vogts, campeão mundial em 1974, era opção pela lateral direita, pela zaga central e como líbero; Stielike (foto) começou sua carreira na zaga central e se transformou em um brilhante meio-campista e líbero, passando, posteriormente pelo Real Madrid e atuando durante uma década pela Seleção Alemã; Klinkhammer atuava pela lateral esquerda, mas também se encaixava na zaga; enquanto Wittkamp, Schäffer e Wohlers eram grandes opções tanto para a zaga. como líberos ou na contenção, atuando como volantes. Todos tinham em comum a qualidade para ler o jogo, o que permitia aos treinadores Weisweiler e Lattek promoverem muitas alterações táticas, conforme a necessidade.

Vale a lembrança de que Vogts, jogador afamado por ter parado Johan Cruyff na final da Copa do Mundo de 1974, defendeu apenas o Borussia Mönchengladbach em toda a sua carreira, entre 1965 e 1979.

Na prática, o time atuava em um diferenciado 3-4-3, mas é arriscado cravar este como o esquema tático predominante naquela grande equipe, que podia atuar em um 4-3-3, um 5-2-3, um 5-3-2, ou até mesmo em um 4-4-2 tradicional, dada a qualidade de seus jogadores e suas mentalidades.

O meio-campo contava com outras figuras muito inteligentes e versáteis. Titular da Seleção Alemã de 1974, Herbert Wimmer (foto) era um construtor de jogo que podia atuar em qualquer das faixas do meio-campo e fazia o papel de coadjuvante como poucos, sempre com interminável fôlego, que lhe rendeu o apelido de “Pulmão de Ferro”.

Além dele, havia a presença do bom Rainer Bonhof (atual vice-presidente do clube) outro jogador capaz de fazer todas as funções do meio-campo. Sua rapidez e qualidade de passes, tanto curtos quanto longos, auxiliava na fluidez do jogo da equipe, que tinha no jogador ainda uma ótima alternativa para decidir partidas: a boa finalização de média distância.

Por fim, normalmente, o meio-campo dos Fohlen tinha Dieter Danner, jogador que não tinha a mesma qualidade de seus companheiros, mas fazia papel semelhante, com qualidade. É também lembrado pelas várias lesões com as quais conviveu em sua carreira.

À frente, no ataque, estava o maior craque da esquadra: Heynckes (foto). Habilidoso, rápido e goleador, atuava em qualquer faixa do ataque. Terceiro maior artilheiro da história do Campeonato Alemão, atrás de Gerd Müller e Klaus Fischer, é lembrado por muitos como o maior jogador da história do clube e foi o grande nome da conquista da UEFA Cup de 1975, marcando um hat-trick na final, contra o Twente. 

No total, atuou mais de 400 vezes pelo clube, marcando quase 300 gols, que o colocam com o maior artilheiro da história do clube. Além disso, é outro campeão mundial de 1974, todavia sem grande protagonismo.

Pelo lado esquerdo do ataque, Allan Simonsen foi um parceiro e um jogador brilhante. Dinamarquês, foi eleito, em 1977, o melhor jogador do mundo, recebendo o Balon D’or, prêmio oferecido pela revista France Football. Veloz e técnico, saia-se muito bem atuando pelas pontas e era um assistente muito eficaz. 

Além dele, em grande parte do tempo, o Borussia teve Henning Jensen, outro dinamarquês, na frente – especificamente, pelo lado direito. Outro jogador habilidoso, marcava muitos gols e era peça chave na rotação constante dos atacantes da equipe. Em 1976, foi vendido ao Real Madrid.

No comando da equipe, Weisweiler foi o responsável por montar a estrutura do mais vitorioso time que os Fohlen já tiveram em sua história, ao passo que Udo Lattek  (foto) garantiu que o excepcional time continuasse evoluindo, o que fez com brilhantismo. Além disso, os treinadores contaram com alguns jogadores úteis, além dos já citados. O defensor Wilfried Hannes, os meias Herbert Heindenreich, Christian Kulik e Horst Köppel e o atacante Kalle Del’Haye compunham com grande qualidade o elenco germânico.

Ficha técnica de alguns jogos importantes nesse período:

Final da UEFA Cup 1974-1975: Twente 1x5 Borussia Mönchengladbach

Diekman Stadion, Enschede

Árbitro: Paul Schiller

Público 21.000

Gols: ‘2 e ’86 Allan Simonse, ‘9, ’50 e ’60 Jupp Heynckes (Borussia); Epi Drost (Twente)

Twente: Groß; Drost; Ierssel, Overweg, Oranen; Bos (Mühren), Thijssen, Pahlplatz (Achterberg), van der Vall; Jeuring e Zuidema. Téc.: Antoine Kohn

Borussia: Kleff; Vogts, Wittkamp, Surau (Schäffer), Klinkhamer; Wimmer (Köppel), Bonhof, Danner; Jensen, Simonsen e Heynckes. Téc.: Hennes Weisweiller

8ª rodada do Campeonato Alemão 1975-1976: Borussia Mönchengladbach 4x1 Bayern de Munique

Bökelbergstadion, Mönchengladbach

Árbitro: Ferdinand Biwersi

Público 34.500

Gols: ’15 Stielike, ’56 Simonsen, ’64 Danner e ’81 Jensen (Borussia); ’75 Marek (Bayern)

Borussia: Kleff; Vogts, Wittkamp, Stielike (Köppel), Klinkhammer; Wimmer, Bonhof (Schäffer), Danner; Jensen, Simonsen e Heynckes. Téc.: Udo Lattek

Bayern: Maier; Kapellmann (Weiß), Schwarzenbeck, Beckenbauer, Horsmann; Schuster, Zobel, Dürnberger; Torstensson, Wunder, Rummenigge (Marek). Téc.: Dettmar Cramer

13ª rodada do Campeonato Alemão 1976-1977: Borussia Mönchengladbach 2x0 Schalke 04

Bökelbergstadion, Mönchengladbach

Árbitro: Herbert Lutz

Público 34.500

Gols: ’38 Wittkamp e ’78 Heynckes (Borussia)

Borussia: Kneib; Vogts, Schäffer, Wohlers, Klinkhammer; Wittkamp, Köppel (Hannes), Bonhof; Simonsen, Heynckes, Del’Haye (Heindenreich).Téc.: Udo Lattek

Schalke 04: Maric; Sobieray (Gede), Rüssmann, Fichtel, Thiele; Lütkebohmert (Kremers), Bongartz, Oblak; Abramczik, Fischer, Kremers. Téc.: Rausch

Final da UEFA Champions League de 1976-1977: Liverpool 3x1 Borussia Mönchengladbach

Estádio Olímpico, Roma

Árbitro: Robert Wurtz

Público 57.000

Gols: ’28 McDermott, ’64 Smith e ’82 Neal (Liverpool); Simonsen (Borussia)

Liverpool: Ray Clemence; Phil Neal, Tommy Smith, Emlyn Hughes, Joey Jones; Ian Callaghan, Jimmy Case, Terry McDermott, Ray Kennedy; Steve Heighway e Kevin Keegan. Téc. Bob Paisley

Borussia: Kneib; Vogts, Wittkamp, Klinkhammer; Bonhof, Schäffer, Wohlers (Hannes), Stielike; Wimmer (Kulik) Heynckes e Simonsen. Téc. Udo Lattek

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