sexta-feira, 31 de julho de 2015

Carpi: um time para acompanhar de perto

Fundado em 1909, falido em 1999, refundado em 2000, e sequencialmente bem-sucedido nas últimas seis temporadas, com quatro acessos, o modesto Carpi, da cidade de igual nome, localizada na província de Modena, chegou à Primeira Divisão Italiana pela primeira vez em sua história na temporada 2014-2015. Com um elenco remodelado, com muitos jogadores sem custos e alguns emprestados (dentre eles alguns brasileiros), o clube merece atenção.



Uma história recente de muito sucesso

Se no final do último século o Carpi parecia condenado à eternidade nas divisões inferiores do futebol italiano, o término da primeira década do presente século presentou a segunda maior cidade da região, que conta com aproximadamente 65.000 habitantes, com um time de futebol competitivo e em progressão importante e impressionante.

Cidade de Carpi
Não obstante, o sucesso da equipe só foi possível com a entrada dos investimentos, ainda que não muito vultuosos, de Stefano Bonacini, dono da marca de roupas Gaudi e proprietário do clube. A grande escalada da equipe começou na temporada 2009-2010, quando os Biancorossi conseguiram o acesso à quarta divisão.

A partir daí, o clube foi só sucessos: subida à terceira divisão em 2010-2011 e à segunda em 2012-2013. Após uma temporada de adaptação na segundona, o clube conseguiu novo e inédito acesso. Com todas as honras e o título de campeão na bagagem, a pequena esquadra, cujo estádio tem capacidade para pouco mais de 4.000 pessoas, chegou, enfim, à Serie A.

“Estou muito orgulhoso de ter o Carpi na liderança da Serie B, o time da cidade que eu governo. Nunca se esqueça que em 2012 nós fomos atingidos por um terremoto de 5,8 de magnitude e todos nós, 70.000 pessoas juntas, superamos isso. Alguns definem o Carpi Football Club como um milagre, disse o prefeito da cidade, às vésperas de um clássico contra o Modena, em dezembro de 2014.
Um título com sobras

Com uma equipe jovem, com média de 23 anos de idade, o Carpi não deu sopa para o azar e fez uma campanha fantástica na segunda divisão. O prematuro acesso, ainda em abril, só mostra o quão forte o time foi, mesmo tendo pisado no freio ao final da competição, com duas derrotas, três empates e apenas uma vitória nos últimos seis jogos.

Terceiro melhor ataque da competição (com 59 gols marcados) e, de longe, a melhor defesa (com apenas 28 gols sofridos), os Biancorossi fizeram nove pontos a mais em relação ao Frosinone, segundo colocado (ambos conseguiram acesso direto à Serie A), e terminaram o ano com uma vantagem de 21 pontos em relação ao oitavo colocado e último time convocado à disputa dos play-offs.

O clube não tomou conhecimento de equipes mais tradicionais, como Pescara, Bologna, Bari, Livorno e Catania e foi soberano na competição, campeão do primeiro turno e do segundo. Vitórias como um 5x0 frente o Pescara, na casa do rival, demonstram quão forte o time foi, o que só foi possível devido à força do jogo coletivo e a algumas importantes individualidades.

No gol, emprestado pelo Milan, o brasileiro Gabriel (foto), lembrado por sua não tão boa participação nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, foi um paredão. Depois de ganhar a disputa pela posição com o croata Ivan Kelava, emprestado pela Udinese, o jovem arqueiro formado no Cruzeiro disputou 39 partidas e conseguiu assombrosos 23 clean sheets, o que quer dizer nada mais nada menos que o goleiro só foi vazado em 16 partidas, sofrendo 23 gols.

Além dele, foram destaques o zagueiro Simone Romagnoli, criado no Milan e com passagens pela Seleção Italiana Sub-21, que chegou a marcar três gols na campanha, o lateral-esquerdo Riccardo Gagliolo, o ponta-esquerda Antonio di Gaudio, desde 2010 no clube, e o centroavante ítalo-nigeriano Jerry Mbakogu, autor de 15 gols e sete assistências no torneio.

Após o maior e inédito feito da história do clube, seu proprietário falou sobre a expectativa de jogar a primeira divisão, em entrevista à Gazzetta dello Sport:

“(Imagino a Serie A) Muito difícil. Mas temos que ver o que faremos, ser provincial é um valor, não um limite. Agora eu só posso dizer que vou usar o mesmo critério de expansão e filosofia: ‘não dê uma mordida maior do que a que você consegue mastigar’”.



A reformulação do elenco e as peças verde-amarelas

Para sua primeira temporada na primeira divisão, os Falconi não contarão com Gabriel, que retornou ao Milan apenas para ser repassado ao Napoli. Não obstante, o clube trouxe, por empréstimo, o experiente e bom Zeljko Brkic, ex-Udinese. Embora tenha demonstrado nas últimas temporadas ser um goleiro confiável e de qualidade, com lesões, perdeu espaço para o grego Orestis Karnezis e para o promissor garoto Simone Scuffet, tendo disputado parte da última temporada pelo Cagliari.

Apesar disso, a perda do goleiro é praticamente um dos únicos problemas do treinador Fabrizio Castori, que tem recebido muitos reforços, dentre jogadores jovens e experientes. Para a zaga, por exemplo, chegou o argentino Nicolás Spolli, ex-Catania, que esteve emprestado à Roma. Outro nome conhecido que chega aos Biancorossi é o do meio-campista Andrea Lazzari, atleta que recentemente representou Cagliari, Fiorentina e Udinese.

Para nós, brasileiros, há ainda outras novidades que aumentam a curiosidade quanto a um dos caçulinhas da Serie A: a contratação de alguns de nossos conterrâneos, sobretudo para os lados do campo. Para a lateral-direita, chegou Wallace (foto), ala formado no Fluminense, pertencente ao Chelsea e que na última temporada representou, muito bem, o Vitesse; pelo outro lado, Gabriel Silva, ex-Palmeiras, e Raphael Martinho, ex-Paulista, Catania e Hellas Verona, são as bolas da vez.

Por fim, após passagem inexpressiva e até mesmo digna de piada pelo Palmeiras, o winger Ryder Matos chega para reforçar o ataque do time.

Em 2015-2016, o Carpi mandará suas partidas no Estádio Alberto Braglia, localizado em Modena e com capacidade para pouco mais de 20.000 pessoas. Seguindo a mesma proposta financeira dos últimos anos, com contratações sem custos ou por empréstimo, o clube tentará a sorte em um novo e muito mais duro patamar. As pretensões do clube são modestas e seu proprietário sabe disso. A permanência na primeira divisão já seria um grande motivo para comemorações. No entanto, como é possível duvidar de uma equipe que apresenta uma escalada tão rápida? Certo mesmo é o fato de que, ao menos por curiosidade, vale a pena acompanhar os passos dos Falconi.

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