quinta-feira, 21 de abril de 2016

Times de que Gostamos: AZ Alkmaar 2008-2009

Após rememorar o ótimo time do Tottenham do início dos anos 80, que, com uma pitada de talento argentino, conquistou títulos e se mostrou uma das melhores equipes inglesas em um período de fartura de qualidade no país, trato do bom time do AZ Alkmaar da temporada 2008-2009, que subverteu a ordem estabelecida por PSV Eindhoven, Ajax e Feyenoord e conquistou o título holandês.



Time: AZ Alkmaar

Período: 2008-2009

Time base: Romero; Jaliens, Moisander, Moreno, Pocognoli; de Zeeuw, Schaars, Mendes da Silva, Dembelé, Martens; El Hamdaoui. Téc.: Louis van Gaal

Conquista: Campeonato Holandês

No início da temporada 2008-2009, a Holanda vinha de um tetracampeonato do PSV Eindhoven, clube que ainda havia feito boas apresentações na UEFA Champions League e que à época contou com jogadores como os brasileiros Gomes e Alex, além de outras figuras importantes, como Philip Cocu, Mark van Bommel e Park Ji Sung. O jejum de Ajax e Feyenoord prolongava-se. No entanto, quem realmente jejuava era Louis van Gaal. Outrora comandante de poderosos times de Ajax e Barcelona, o treinador estava em Alkmaar desde 2005, sem nada conquistar; aos poucos deixando os holofotes.

A despeito de tudo isso, 2008-2009 confirmou-se uma das mais atípicas temporadas da história do futebol holandês. Primeiro porque teve um campeão de fora do trio que domina a competição; segundo porque o trio sequer foi capaz de levar um de seus membros à segunda posição, que foi ocupada pelo Twente. Com um time jovem (o segundo mais novo, atrás do Ajax e com média de idade de 22,8 anos) e cheio de vontade de crescer, van Gaal montou uma defesa intransponível e apostou suas fichas em um goleador implacável.

A retaguarda foi de longe a melhor da Eredivisie, sofrendo apenas 22 gols, e Mounir El Hamdaoui o goleador máximo, com 23 – um a mais do que um certo jovem uruguaio chamado Luis Suárez. Além disso, defendendo a meta do clube, o argentino Sergio Romero liderou o ranking de clean sheets, passando incríveis 19 partidas sem sofrer gols. Assim, o clube voltou ao posto máximo do futebol holandês, algo que não acontecia desde a temporada 1980-1981, último e o único ano em que o clube havia se sagrado campeão da Eredivisie.

Como dito, a meta da equipe da cidade de Alkmaar era defendida pelo argentino Sergio Romero (foto). Então uma grande promessa da albiceleste, o arqueiro havia chegado na temporada anterior, contratado junto ao Racing e não foi a inicial opção em seu primeiro ano. Todavia, com 21 para 22 anos e medalhista olímpico, o jogador tomou a titularidade do experiente Joey Didulica e não decepcionou. Embora esteja claro que o goleiro não figura no rol dos melhores do mundo, mesmo sendo a primeira opção de sua seleção, Romero tem qualidades e mostrou-as em seu primeiro clube no Velho Continente.

Pelo lado direito da defesa, a titularidade foi do polivalente Kew Jaliens, jogador que podia desempenhar qualquer das funções do setor defensivo e que possuía características mais defensivas. Com passagem pela Seleção Holandesa, tanto principal quanto sub-21, não acrescentava muito ofensivamente, mas cumpria bem o seu papel, protegendo o flanco destro e balanceando a defesa. Pela faixa esquerda da retaguarda, o belga Sébastien Pocognoli era a referência. Então um jovem jogador revelado pelo Genk e já membro da seleção de seu país, tinha maior vocação ofensiva que Jaliens, tendo anotado três gols na temporada. 

Completando o ferrolho defensivo de van Gaal, uma dupla de zagueiros duros, mas detentores de bom trato da bola, era fundamental às pretensões do clube de Alkmaar: o finlandês Niklas Moisander (23 anos; foto) e o mexicano Héctor Moreno (20) – curiosamente ambos canhotos e não muito altos. Com bom posicionamento, impulsão e capacidade para sair jogando, a dupla mostrou muita segurança e a prova maior disso foi o futuro de ambos, com transferências para Ajax e Espanyol, na sequência de suas carreiras. 

Outra peça que muitas vezes atuou na defesa central foi o holandês Kees Luijckx, ex-jogador da seleção sub-21 de seu país e que tinha menos talento e mais força e estatura que seus concorrentes.

No meio-campo, fazendo a proteção do mesmo e ajudando na transição entre defesa e ataque, comumente o clube utilizou uma dupla de jogadores de boa qualidade: Stijn Schaars (foto), o capitão da equipe, e Demy de Zeeuw, ambos atletas com extensa passagem pela Seleção Holandesa. O primeiro era uma verdadeira fortaleza, com muita pegada na marcação, estilo durão e muita personalidade, mas também bom passe e um bom chute de longa distância; o segundo, mais leve, dava melhor saída de bola ao time e auxiliava muito na organização do mesmo. 

Além deles, outra figura comumente vista pelo setor foi o holandês-cabo-verdiano David Mendes da Silva, jogador que pode ser considerado um híbrido de Schaars e de Zeeuw, por suas características, e foi, de forma exagerada, comparado a Frank Rijkaard no início de sua carreira. 

Em meio a tanta marcação, havia também espaço para criatividade, brilho e dribles, características que tinham nome e sobrenome no AZ: Maarten Mertens. Meia-atacante belga criado no Anderlecht, destacava-se pela capacidade que possuía para desconstruir defesas, marcar gols e colocar seus companheiros em condições de fuzilar as metas adversárias. Versátil, atuava pelos dois flancos, e podia jogar mais centralizado, se necessário fosse. 2008-2009 foi possivelmente sua melhor temporada na carreira, tendo o jogador marcado sete gols e criado 10 assistências em 32 partidas válidas pela Eredivisie.

Muitas vezes, quem acompanhava Mertens na criação era outro belga, este mais jovem: Mousa Dembelé, que a despeito de ter se afirmado como meio-campista central no decorrer de sua carreira, atuava mais à frente. Aos 20 anos, o jogador foi responsável por importantes 10 gols em 23 partidas no Campeonato Holandês. Ali já se notava nele um excelente domínio de bola, capacidade de passe e de aproximação ao ataque, para marcar gols.

No entanto, se o time precisasse mesmo de gols, a figura a ser chamada era a do marroquino Mounir El Hamdaoui (foto). Goleador máximo do time e da Eredivisie em 2008-2009, com 23 tentos (além de oito assistências), o jogador parecia estar encantado, tamanha sua importância para a equipe e capacidade para estufar as redes adversárias. Então com 23 anos, o jogador estava revelando sua melhor forma, algo que ainda não havia mostrado e não voltaria a mostrar, ao menos não com tanta eficiência. Na temporada em análise, o jogador foi eleito o melhor do campeonato, o que deixa, acima de qualquer suspeita, evidenciado seu ótimo momento.

Organizando a impenetrável defesa do time e criando a melhor atmosfera possível para seu artilheiro brilhar, estava o já experiente Louis van Gaal (foto), provando que não estava acabado e que ainda escreveria novas páginas importantes na história do futebol. O treinador contou também com outras peças importantes durante a competição, como foram os casos do defensor polivalente Gill Swearts, do lateral Simon Poulsen, do meia Nick van der Velden, do italiano Graziano Pellè e do brasileiro Ari.
























Ficha técnica de alguns jogos importantes nesse período:

3ª rodada da Eredivisie: AZ Alkmaar 1x0 PSV Eindhoven

AFAS Stadiom, Alkmaar

Árbitro: Pieter Vink

Público 16.258

Gol: ’82 Martens (AZ Alkmaar)

AZ: Romero; Jaliens, Moisander, Moreno, Swearts; Schaars (Martens), de Zeeuw, Mendes da Silva, Dembelé, van der Velden; El Hamdoui. Téc.: Louis van Gaal

PSV: Isaksson; Marcellis, Bréchet, Maza (Nijland), Zonneveld; Timmy Simons, Édison Méndez, Affelay, Bakkal (Culina), Dszudszák; Koevermans (Lazovic). Téc.: Huub Stevens

10ª rodada da Eredivisie: AZ Alkmaar 3x0 Twente

AFAS Stadiom, Alkmaar

Árbitro: Pieter Vink

Público 16.493

Gols: ’36 e ’58 Ari e’40 El Hamdaoui (AZ)

AZ: Romero; Swearts (Koenders), Moisander, Moreno, Pocognoli; de Zeeuw, Mendes da Silva, van der Velden, Martens; El Hamdaoui (Holman) e Pellè (Ari). Téc.: Louis van Gaal

Twente: Boschker; Hersi (Janssen), Douglas, Wielaert, Braafheid; Tioté (Wellenberg), Stam, Brama; Denneboom (Huysegems), NKufo, Elia. Téc.: Steve McClaren


12ª rodada da Eredivisie: AZ Alkmaar 2x0 Ajax

AFAS Stadiom, Alkmaar

Árbitro: Roelof Luinge

Público 17.149

Gols: ’22 de Zeeuw e ’50 Ari (AZ)

AZ: Romero; Swearts, Moisander, Moreno, Pocognoli; Schaars, de Zeeuw, Mendes da Silva, Martens; Ari (Holman) e El Hamdaoui. Téc.: Louis van Gaal

Ajax: Vermeer; Oleguer, Lindgren (Sno), Vermaelen, Vertonghen; Enoh, van der Wiel, Emanuelson; Kennedy (Gabri), Sulejmani (Leonardo) e Luis Suárez. Téc.: Marco van Basten

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