segunda-feira, 15 de agosto de 2016

André Gomes e o desafio de ser um meia Culé

Mesmo antes da chegada de Pep Guardiola ao Barcelona, o clube catalão já era conhecido pela capacidade que seus meio-campistas possuíam para passar a bola. Na última temporada, todas as principais alternativas do meio Culé conseguiram mais de 85% de aproveitamento neste fundamento. Essa é a realidade que André Gomes, recém-chegado ao Barça, terá pela frente em 2016-2017. Embora seja reconhecidamente talentoso, o médio português terá muito o que aprimorar para disputar posição no Camp Nou.



Dos jogadores de maior destaque do Valencia na última temporada, André Gomes chegou a Barcelona após fazer uma Euro 2016 apenas regular, a despeito do título. Embora tenha feito bom ano com seu antigo clube, não é fácil entender o que os catalães viram em seu novo contratado, que terá que se provar. Mesmo nos Valencianistes, o jogador já mostrava que seu aproveitamento nos passes, algo extremamente cobrado no Barça, não é tão preciso.

Em 30 partidas, André ofereceu 1278 passes, com acerto de apenas 80,7%. O desempenho não é bom nem quando comparado com o de outros de seus companheiros. Enzo Pérez (87%), Dani Parejo (85%) e Javi Fuego (85%), obtiveram melhores números. Sequer é possível dizer que o jogador errou muito porque tentou muitas vezes toques arriscados – foram apenas 23 passes-chave e três assistências.

Defensivamente, o desempenho de André Gomes também não chama atenção. O meia conseguiu apenas 24% de aproveitamento nas recuperações de bola. Até mesmo Arda Turan, meio-campista turco do Barça que, visivelmente, não se adaptou ao clube catalão se superiorizou nesse atributo na última temporada, com 45% de aproveitamento.


Na Euro 2016, seu desempenho estatístico até foi mais interessante, mas não muito. André alcançou 82% de aproveitamento nos passes, ao passo que Danilo (90%), Willian Carvalho (89%), João Moutinho (87%), Adrien Silva (86%), João Mário (86%) e Renato Sanches (85%), todos jogadores do meio luso, obtiveram melhor aproveitamento nos passes. Embora tenha começado a competição como titular, perdeu a posição em razão de um pequeno problema físico na partida contra a Polônia e foi reserva nos jogos decisivos contra País de Gales e França, possivelmente as melhores partidas de seu selecionado no torneio.

Parece evidente que André Gomes não chega para disputar a titularidade. Neste momento, seu desempenho está muito distante do de seus concorrentes em atributos determinantes para o bom andamento coletivo blaugrano. Apesar disso, o luso já mostrou lampejos de genialidade em muitas ocasiões, com muita qualidade na condução de bola, visão de jogo e nas finalizações, provavelmente a razão que levou o clube a contratá-lo. Aos 23 anos, ainda é jovem, mas precisará de maior regularidade para se tornar opção realmente útil ao treinador Luis Enrique.

Ivan Rakitic, por exemplo, até não mostrava percentual de acerto de passes tão alto quando chegou ao Barça vindo do Sevilla, 80% nas temporadas 2012-2013 e 2013-2014, mas isso se justificava. Na primeira destas campanhas, o croata criou 100 oportunidades de gol (10 assistências) e na segunda 78 (novamente 10 assistências).

A postura de André, contudo, deve ter animado os torcedores. Além de ter optado pelo Barça em detrimento do Real Madrid, mostrou humildade em sua apresentação:

"Quero continuar a crescer, quero aprender. Há muitos jogadores de referência. Tenho perto de 23 anos e tenho tempo para tornar-me um jogador melhor, é o que espero (...) Cada clube tem a sua personalidade e penso que o FC Barcelona é mais parecido comigo”.

A contratação não é ruim para os catalães, mas é um negócio que dificilmente trará impacto no curto prazo. Todavia, considerando o valor pago ao Valencia (€35 MI), é possível que se encontrasse negócios mais interessantes no mercado. Em um time que já conta com jogadores absurdamente talentosos no ataque, a margem para o risco no meio-campo não é grande. Lionel Messi, Neymar e Luis Suárez são os grandes criadores de oportunidades do time e portanto as peças a quem se dá maior possibilidade de erros de passe.

Por isso, André Gomes precisará evoluir. De seu talento ninguém duvida, mas seu nível de concentração terá de ter uma melhora significativa. Só assim, arriscará menos e quando o fizer nos veremos diante de ocasiões calculadas e provavelmente acertadas. Fundamentalmente, na troca de passes e nas movimentações comuns e constantes, o português precisará mostrar maior acurácia: este é seu maior desafio.

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