segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Nova Inter precisará de tempo para se encaixar

No início de junho deste ano, a Inter de Milão teve 70% de seus direitos vendidos ao grupo chinês Suning, também gestor do Jiangsu, clube em que atuam Alex Teixeira e Ramires. Como era de se esperar, o time voltou a pensar grande e ter dinheiro para gastar no mercado de transferências europeu. Fazendo um bom garimpo, os Nerazzurri trouxeram jogadores de qualidade e apresentam um elenco interessante para 2016-2017.
























No ano passado, a equipe milanesa chegou a lutar pelo título italiano em um primeiro momento, quando a Juve se encontrava em fase de readaptação, após algumas mudanças no elenco. Todavia, perdeu força durante a competição e terminou-a em uma boa, porém insossa, quarta colocação. Apesar disso, é importante ressaltar que obteve a terceira melhor defesa da competição, sofrendo apenas 38 tentos, número inferior apenas ao alcançado por Juventus e Napoli, campeã e vice. Diante disso, a direção avaliou que não seria necessário fazer grandes buscas para o setor.

As únicas mudanças relevantes foram a saída de Alex Telles, lateral esquerdo cujo empréstimo acabou, e a chegada do também lateral Christian Ansaldi, para suprir sua saída e disputar posição com o instável Davide Santon. Alterações verdadeiras ocorreram nos setores de criação e ataque, estes, sim, necessitados. Na última campanha, a equipe foi apenas a sétima que mais gols marcou, com 50, muito distante dos 75 da Juventus, dos 80 do Napoli e dos 83 da Roma, trio que ficou a sua frente na tabela.

A defesa que já contava com bons jogadores, como Miranda, Jeison Murillo e Gary Medel, ganhou agora a companhia de jogadores criativos e que vivem bom momento em suas carreiras. Principal liderança técnica e comandante das ações ofensivas de um Sevilla tricampeão da Europa League, Ever Banega (foto) chegou sem custos para ser o termômetro da equipe. Cumprindo papel importante também na Seleção Argentina, o meia vive o melhor momento de sua carreira e foi disputado por outras equipes.

Para auxiliá-lo, o lado direito do meio-campo ganhou um belo reforço: Antonio Candreva. Conquanto não tenha vivido sua melhor temporada em 2015-2016 (mesmo marcando 10 gols em 30 partidas), o italiano é um jogador experiente e cuja técnica está acima de quaisquer suspeitas. Efetivo, bom finalizador e cruzador, é perigo certo pelo flanco destro.

Há, todavia, outras alternativas capazes de atuar nessa faixa do campo.

Cria do Santos, Gabriel Barbosa, o Gabigol, começou sua carreira como centroavante, mas passou a atuar pela ponta direita desde a chegada de Ricardo Oliveira ao clube da Baixada Santista. Canhoto, oferece outro tipo de jogo ao técnico Frank de Boer, que chega para substituir Roberto Mancini, após anos exitosos no comando do Ajax. O brasileiro tem facilidade na condução de bola e finaliza bem de média distância, se utilizando de um movimento característico, trazendo a bola da ponta para o centro e arrematando. Ainda é imprevisível a forma como o jovem será utilizado, mas a ponta direita é um setor em que poderá ser alocado.

Outra alternativa é João Mário. Contudo, o luso tem características muito distintas das de Candreva ou Gabigol. Com impressionante resistência física, capacidade para se movimentar, dar alternativas a seus companheiros e recompor o meio-campo, o jogador dá mais estabilidade e menos poder de fogo pelo setor. Não obstante, é muito versátil e dificilmente disputará posição por ali, devendo ser aproveitado pelo mais centralizado, auxiliando Banega.

“João Mário pode desempenhar vários papéis no meio-campo e o mesmo se aplica a Gabigol no ataque”, disse o treinador holandês em coletiva de imprensa.

Com a segurança de Medel, a criatividade de Banega, a resistência de João Mário, o talento de Gabigol e a efetividade de Candreva quem mais poderá crescer é o centroavante e capitão Mauro Icardi (foto), que passará a receber mais e melhores bolas para convertê-las em gols. É bom que se diga também que já havia alguns atletas de boa qualidade no Giuseppe Meazza, figuras como Rodrigo Palacio, Stevan Jovetic, Geoffrey Kondogbia ou Ivan Perisic.

A despeito de tudo isso, há poucas dúvidas de que o time precisará de tempo para se reconstruir. Quando se troca um setor inteiro – o de criação no caso – é muito difícil que se veja bom desempenho rapidamente. Dentre os recém-chegados, apenas Candreva tem experiência no futebol da Velha Bota e isso também tem seu peso. De Boer chegou há pouco mais de 20 dias e, portanto, dele nada se pode cobrar.

É difícil imaginar os Nerazzurri disputando o título com Juventus, Napoli e Roma já nesta temporada - até porque não começou bem o torneio, com uma derrota e um empate em dois jogos -, mas a aproximação do patamar destes deverá ocorrer. As contratações vêm sendo feitas nesse sentido e não houve perdas relevantes da temporada passada para esta.

A evolução da equipe tem tudo para ocorrer. Há qualidade técnica para isso. Vê-la deverá ser interessante, algo como acompanhar o renascimento de um gigante há um bom tempo adormecido.

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