segunda-feira, 8 de agosto de 2016

O recomeço de Wellington

Passaram-se muitos anos desde que o Fluminense acertou a venda de Wellington Silva ao Arsenal. Então, o habilidoso e veloz atacante era tido como um dos maiores talentos brasileiros em potencial. Negociado aos 16, aguardou a chegada da maioridade para, por fim, voar a Londres. Não obstante, sua trajetória, que prometia muito sucesso e evolução, teve seu curso desviado e o jogador foi esquecido, passando várias temporadas emprestado a clubes espanhóis e ao Bolton. Por fim, retornou há pouco ao Flu, tendo nova oportunidade de se firmar.



Atacante de lado de campo, o brasileiro teve problemas para ser aproveitado em solo inglês. Sem conseguir a licença de trabalho necessária ao desempenho do futebol na Terra da Rainha, foi sendo repassado a clubes espanhóis, na expectativa de conseguir o passaporte do país e passar a poder atuar no futebol bretão. Finalmente, em 2015, o conseguiu, após rodar por Levante, Alcoyano, Ponferradina, Real Murcia e Almería, sem destaque.

Apesar disso, só retornou ao Emirates Stadium para ser novamente repassado a outra agremiação, desta vez ao Bolton. Cansado de esperar por oportunidades no clube londrino, em julho último Wellington negociou sua saída em definitivo, um ano antes do fim de seu vínculo, e fechou contrato com o Fluminense, por quatro temporadas.

Leia também: Dupla de volantes é grande diferencial no Furacão

Em seu reinício no Tricolor Carioca fica claro que o jogador não evoluiu como se esperava, mas segue mostrando talento acima da média e pode vir a ser muito útil a seu clube. Assim também tem pensado Levir Culpi, treinador que o elogiou recentemente:

“Me surpreende até certo ponto porque eu não conhecia o Wellington. É interessante que alguns jogadores são carismáticos. A torcida comprou o Wellington. Ele representa o torcedor e faz um golaço desse. É muito bom”, disse o treinador após ver o jogador marcar um belo gol na vitória do Flu contra a Ponte Preta.



Outro ponto que deve estar sendo positivamente considerado é a dedicação e entrega do jogador nas partidas, tanto ofensiva quanto defensivamente, fazendo a recomposição quando seu time é agredido. Seu mapa de calor na partida contra o Internacional não deixa margem para dúvidas. Wellington (que devido à presença do lateral direito Wellington Silva abandonou o uso de seu sobrenome) está se esforçando para agarrar sua oportunidade. Isso é algo que Levir preza muito, como comprova seu histórico.

Reprodução: Footstats.net
De volta a seu lar, o jogador tem recebido o apoio que muitas vezes lhe faltou durante os últimos anos, encontrou um técnico disposto a apostar em seu futebol mesmo sem conhecê-lo bem e um clube cuja tática lhe permite um bom encaixe.

Tendo recebido suas primeiras oportunidades aberto pelo flanco esquerdo, o jogador mostrou ser capaz de exercer bem a função, ajudando o lateral esquerdo William Matheus e os meio-campistas e atacantes tricolores, com constante movimentação e proatividade. É também relevante mencionar que Wellington executou cinco desarmes em menos de duas partidas completas, número extremamente representativo para um atleta de sua posição.

Aos 23 anos, ainda é jovem, a despeito de já ter passado por vários clubes. Soa um pouco dramático tratar sua volta ao Brasil como recomeço, mas essa é a exata realidade. Embora pouco antes de enviá-lo ao Bolton, Arsène Wenger tenha se referido a Wellington como um atleta “criativo, perigoso e veloz”, dizendo-se crente de que ele se daria muito bem no futebol inglês, o comandante dos Gunners nunca pareceu nutrir real interesse em aproveitá-lo. Tendo desperdiçado cinco anos de carreira, o jogador voltou a seu ponto de partida e tenta agora recomeçar.

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