quinta-feira, 10 de novembro de 2016

A recuperação de Immobile

A temporada 2013/14 do futebol italiano trouxe à memória algo que já vinha ficando muito antiquado: a dupla de ataque. Vestindo a Maglia Granata do Torino, Ciro Immobile e Alessio Cerci encantaram a Europa. O sétimo lugar no Campeonato Italiano só foi possível em função dos importantes 22 gols do primeiro e dos 13 do segundo. Como era de se esperar, a esquadra de Turim ficou pequena para o talento demonstrado por ambos. Foi nesse contexto que Immobile chegou ao Borussia Dortmund, clube que sofrera a perda de Robert Lewandowski. No entanto, a transferência representou o início de uma fase fraquíssima para o italiano, que só agora começa a melhorar.




Enquanto esteve na Alemanha, Immobile nunca conseguiu se ambientar. Na campanha de 2014/15, em 34 partidas foram apenas 10 gols – isso, lembremos, atuando como a principal referência de um time que contava com jogadores da qualidade de Marco Reus, Pierre-Emerick Aubameyang, Henrikh Mkhitaryan ou Shinji Kagawa. Não há como contestar: o italiano foi um flop, um erro de €18,5 milhões. Jamais conseguiu se adaptar à velocidade e precisão dos contragolpes do jogo aurinegro. Diante disso, para a temporada 2015/16, os alemães não tiveram dúvidas: logo o cederam ao Sevilla, em uma tentativa de reduzir o impacto financeiro negativo da aposta.

Na Andaluzia, seguiu longe da sorte. Em apenas 15 jogos, persistiu mostrando falta de confiança e a perda de seu faro de gol – foram apenas quatro gols. Ainda assim, o Sevilla comprou o atacante e o repassou ao Torino. A intenção era óbvia: se o atacante, hoje com 26 anos, não havia conseguido se adaptar ao futebol alemão e ao espanhol, não havia alternativa melhor do que devolvê-lo ao lugar em que mostrou, pela primeira vez, forma fulgurante; à equipe que o levou à Seleção Italiana.

Ainda assim, por mais que tenha melhorado, o atacante não foi capaz de apresentar o tino para o gol de outrora. Nas 14 partidas do Campeonato Italiano que disputou, Immobile foi às redes cinco vezes, criando outras quatro assistências. Entretanto, seguia sem confiança, como evidenciou o desperdício de uma cobrança penal contra a Lazio, na 28ª rodada da competição. Curiosamente, seria com a camisa Biancocelesti, que o goleador voltaria a viver bom momento.

Contratado junto ao Sevilla por €8,5 milhões para substituir Miroslav Klose, o jogador foi uma aposta, mas vem dando muito certo. Comandado pelo ex-atacante Simone Inzaghi (que atuou durante muitos anos na própria equipe), Immobile é a principal referência de um time que abusa do talento de jogadores como Keita Baldé, Felipe Anderson e Sergej Milinkovic-Savic e faz ótima campanha. Em 12 partidas, os Laziali têm seis vitórias, quatro empates e apenas duas derrotas.

Por sua vez, nos mencionados 12 encontros, Immobile balançou as redes nove vezes, respondendo por 39% dos tentos da equipe da capital italiana e apresentando média de 0,75 gol por jogo. Há dúvidas de que o jogador voltou a viver ótimo momento?

Outro reflexo disso se viu com seu retorno às ações representando a Squadra Azzurra. O atacante foi à Euro 2016, mas esteve em campo em apenas 89 minutos. Com a troca de comando no selecionado – saída de Antonio Conte e chegada de Giampiero Ventura –, bem como com sua transferência à Lazio, o atleta entrou nas partidas das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018 contra Israel e Espanha e marcou contra a primeira seleção. Na sequência, em encontro contra a Macedônia, foi titular e balançou as redes duas vezes.

Em 2016/17, Immobile voltou a cheirar gol; voltou a ser chamado de Bomber – com justiça. É certo que muito disso se deve à confiança depositada por Inzaghi em seu sabido talento. No final de outubro, em entrevista coletiva após a vitória contra o Sassuolo, o comandante elogiou o atacante:

“Eu realmente o queria no meu time. Não o conhecia como pessoa, mas desde que chegou, mostrou muita disposição nos treinamentos. Ele marcou nove gols e tira o máximo do que seus companheiros lhe dão. Também estou muito satisfeito com o que faz durante a semana”, revelou Simone Inzaghi.

A falta de adaptação ao futebol de outros países e a outras equipes ficou clara no caso de Immobile, o que não é um fenômeno incomum ou que possa ser atribuído como uma peculiaridade do goleador. 

Não obstante, falamos de futebol, um esporte em que nunca é possível duvidar de renascimentos. O momento do atacante italiano parece certamente nos conduzir à conclusão de que estamos diante de um desses casos. Recomeçando, o camisa 17 da equipe romana revela a cada jogo que o futebol mostrado nos tempos de Torino não foi obra do acaso e tenta provar que aquela já longínqua temporada 2013/14 não foi um ponto fora da curva de sua carreira.

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