segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

As metamorfoses de Azpilicueta

César Azpilicueta chegou ao Chelsea em 2012, então um atleta promissor, com histórico longo em equipes de base da Seleção Espanhola e tendo tido algum êxito em sua passagem pelo futebol francês, em que defendeu o Olympique de Marselha. À época, o jogador basco chegou para compor elenco, disputando posição com Branislav Ivanovic (por vezes zagueiro), na lateral direita dos Blues. Quatro temporadas depois, completamente adaptado à capital inglesa e titular absoluto do clube, o atleta mostra várias facetas e se confirma uma peça incrivelmente útil.



Por formação, Azpilicueta é lateral direito. Este fato é incontestável. Todavia, a realidade do jogador começou a mudar já na temporada 2013/14, sua segunda no clube. Sem poder contar com o melhor de Ashley Cole, lateral esquerdo histórico do clube, mas que já dava mostras indiscutíveis de queda de performance tanto técnica quanto física, e tendo emprestado Ryan Bertrand ao Aston Villa, o Chelsea precisou apostar no improviso de Azpilicueta pelo flanco canhoto.

Adaptação pelo outro lado

À primeira vista, a experiência não foi sempre um sucesso. Em seus anos iniciais de Chelsea, por vezes, o jogador mostrou alguma inconsistência, com falta de confiança e concedendo espaços aos seus adversários. No entanto, a mudança veio para ficar e Azpilicueta se tornou, efetivamente, um lateral esquerdo. Mesmo tendo no pé direito sua maior capacidade, transformou-se em um marcador duro e responsável. 

A maior prova do sucesso da aposta feita pelo clube, então treinado por José Mourinho, veio na temporada 2014/15. Cole efetivamente deixou o clube, rumando para a Roma; Bertrand também partiu definitivamente, para o Southampton. Assim, ciente do desequilíbrio de seu elenco, o Chelsea foi ao mercado e fez uma contratação que confirmou uma realidade a todos: o improviso de Azpi chegara ao fim. Direto do Vicente Calderón, chegara um campeão espanhol e vice da UEFA Champions League: o lateral esquerdo Filipe Luís.

Não obstante, o que se viu foi o brasileiro constantemente deixado de lado, disputando partidas menores e de copas nacionais e o espanhol mantendo a titularidade. Por mais que tenha sido difícil compreender essa escolha – sendo certo que o torcedor do Chelsea nada pode afirmar acerca do futebol de Filipe, tamanha foi sua pouca presença no time – o fato é que Azpilicueta deu conta do recado e o Chelsea foi campeão. Com muito mercado, o brasileiro preferiu retornar ao Atlético de Madrid. Para a temporada 2015/16, do surpreendente Augsburg, veio o ganês Abdul Baba Rahman.

Contudo, o lateral africano encontrou sorte ainda pior que a de Filipe Luís. Mostrando notórias dificuldades para se adaptar ao ritmo e às exigências físicas da Premier League, passou má impressão quando esteve em campo, o que manteve Azpi pelo lado canhoto. Nem mesmo a assustadora queda de forma técnica de Ivanovic foi capaz de levar o espanhol de volta às origens, uma vez que a entrada possível de Baba era também temida. Após uma temporada de fracasso total para os Blues, ficou claro que Azpilicueta (um dos poucos que se salvaram) já não poderia ser visto como um lateral direito, embora ainda exercesse a função em ocasiões esparsas.

Novo treinador, nova função

Foi então que Antonio Conte chegou ao Chelsea para colocar a casa em ordem, como era esperado, pretendendo acertar, primeiramente, o setor defensivo. Assim, optou por reforçar o que precisava de melhoras e manter o que vinha dando certo. Assim sendo, Azpilicueta começou a temporada 2016/17 como lateral esquerdo.

No entanto, após ligeira queda de forma da equipe, com derrotas pesadas e importantes para Liverpool e Arsenal, mudanças precisaram ser feitas; o time estava deficiente em criação e contenção. Veio a atualmente elogiada opção por três zagueiros, com a adoção do esquema 3-4-3. Adivinhem o que aconteceu? Azpilicueta deixou a lateral esquerda. Não para voltar à função de seu início de carreira, mas para exercer a zaga, normalmente mais à direita, em nova mutação.

Desde a mudança, na Premier League o clube disputou oito partidas e venceu todas. Vale menção ao fato de que nesse meio, foram registradas acachapantes vitórias contra Leicester (3x0), Manchester United (4x0), Everton (5x0) e êxitos vitais contra Tottenham (2x1) e Manchester City (3x1). Mesmo reposicionado, indiscutivelmente, Azpi continua sendo um pilar para o Chelsea – agora líder da competição –, cada vez mais elogiado.

“Azpi é um jogador fantástico, porque ele pode jogar em funções diferentes. Penso que a função em que ele está atuando agora é perfeita para ele. Ele está jogando muito bem, porque é rápido, tem boa técnica e bom posicionamento. É um jogador inteligente. Ele pode desempenhar diferentes papeis, mas penso que essa função (na zaga) é perfeita para ele, disse, recentemente, Antonio Conte ao The Guardian. 

Individualmente, César tem vencido uma média de 52% das bolas que disputa, acertado 89% de seus passes e sido exitoso em 47% de seus desarmes. No clube, só não consegue mais interceptações que o volante N’Golo Kanté, com 24 até o momento.

Hoje já não é mais possível definir César Azpilicueta em razão de sua posição. Tendo iniciado a carreira como lateral direito, passado grande parte dela pelo lado esquerdo e estando agora a brilhar no miolo de zaga, a única certeza que se tem em relação ao espanhol é a de que o mesmo tem se mostrado um ótimo defensor. Embora tenha passado por algumas dificuldades em seu início no Chelsea, o jogador se encontrou e hoje é peça fundamental para um elenco que vem mostrando força dentro e fora de casa e tem chances reais de conquistar, novamente, o título inglês.

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