segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Lodeiro e o protagonismo em Seattle

Apesar dos altos e baixos que caracterizam sua carreira, não se pode dizer que o uruguaio Nicolás Lodeiro não é um bom jogador e não tem uma carreira sólida. O meia surgiu muito bem no Nacional-URU, não alcançou o potencial dele esperado no Ajax, foi importantíssimo em vários momentos para o Botafogo e teve dificuldades para ter sequência em Corinthians e Boca Juniors. Alguma inconstância sempre o impediu de ser elevado a outro patamar de qualidade, nada que lhe tenha diminuído a frequência de seus chamados à Celeste Olímpica. Veio 2016 e o atleta decidiu arriscar: optou por uma empreitada à MLS, perante aquela que talvez seja a mais apaixonada das torcidas norte-americanas; buscou uma tentativa de ser o que nunca conseguiu: protagonista.



Quis o destino – sempre imprevisível – que justamente quando se viu sem suas maiores estrelas, Oba-Oba Martins, negociado com o futebol chinês, e Clint Dempsey, que sofre com um problema cardíaco, além do técnico responsável por toda a revolução futebolística vivida no clube, Sigi Schmidt, o Seattle Sounders, finalmente, conquistasse a glória máxima na MLS, a MLS Cup (título concedido ao vencedor do encontro entre os campeões das Conferências Leste e Oeste). Se há alguém a quem, individualmente, pode ser atribuída responsabilidade pelo êxito inédito, ao menos dentro das quatro linhas, esse é Lodeiro.

O uruguaio assumiu as rédeas do meio-campo dos Sounders e levou a equipe de Washington à frente. É bem verdade que desembarcou em um clube bem estruturado e dono de uma sólida base, já calejado, tetracampeão U.S. Open Cup e preparado para buscar a glória máxima. Nada que diminua seu papel instrumental.

10 às costas, Lodeiro tem revelado o que sempre foi esperado dele, desde seu aparecimento e afirmação, ainda no Uruguai. De acordo com o site Whoscored, o jogador, de 27 anos, tem oferecido uma média de 2,6 passes para gol por jogo, tendo distribuído cinco assistências em 19 partidas. Segundo dados fornecidos pela própria liga, após o All-Star Break criou também o maior número de chances da competição, com 37. No entanto, foram seus gols, que mudaram seu patamar de importância na equipe: oito, a maior parte em partidas decisivas.

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Na temporada regular, o meio-campista balançou as redes quatro vezes. Com ele em campo, o Seattle Sounders só perdeu duas de 13 partidas – vencendo sete. Foi nos playoffs, entretanto, que sua estrela brilhou mais intensamente. Autor de três gols nas quartas de finais e de um nas semifinais, Nicolás foi o líder técnico de um time que tem no cubano Ossie Alonso sua liderança moral, e no jovem Jordan Morris seu goleador.

Aliás, a temporada dos Sounders pode ser dividida em dois períodos. Anterior e posterior à aquisição de Lodeiro. Antes da incorporação do meia, o clube havia disputado 21 partidas, com 12 derrotas, seis vitórias e três empates.


Eleito pela MLS a contratação do ano, quando chegou aos Estados Unidos, o uruguaio encontrou momento difícil, mas foi assertivo: “gosto de vencer”

Meses depois, com o clube recuperado, a conversa mudou completamente de figura: “tenho a possibilidade de fazer história nesse clube, que nunca foi campeão, e quero fazer parte disso”. Como desejou o meia, a história foi escrita.

Na final, vencida nos pênaltis contra o Toronto FC, do italiano Sebastian Giovinco, Lodeiro converteu sua penalidade, mas não brilhou. Nada que tire os méritos de sua contribuição para a conquista.

É claro, por mais que venha evoluindo, o futebol norte-americano ainda não apresenta nível suficientemente bom para ser comparado com aquele enfrentado pelo jogador nas outras equipes que defendeu, o que, certamente, tem grande influência em seu bom desempenho. No entanto, também não se pode negar que o jogador tem feito o que sempre se esperou dele.

Vestindo verde e azul, Lodeiro se encontrou na MLS. Sua boa técnica tem sido vista e a capacidade para decidir, somente percebida em ocasiões esparsas durante sua trajetória, é mostrada constantemente. A escolha feita pelo uruguaio pode tê-lo distanciado do futebol do mais alto nível, porém o inseriu em um contexto novo, a princípio desafiador (por que, não?) e inovador. Em Seattle, o uruguaio encontrou o protagonismo.

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