quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Duplas históricas: Edílson e Luizão

2017 chegou com novidades para os leitores do blog. A partir desse ano, iniciamos a coluna “Duplas Históricas”, que tem como objetivo relembrar grandes duplas da história do futebol mundial. Parcerias de zagueiros, volantes, meias e atacantes passam a ganhar espaço e ser lembradas. Sugestões, como sempre, serão bem aceitas. Começando os trabalhos, rememoramos uma dupla que fez as torcidas de Guarani e Corinthians vibrarem muito: Edílson e Luizão.



Um atacante baiano, endiabrado, dono de rara habilidade, malemolência e muita ginga circula por todo o setor de ataque enquanto outro, paulista, letal como poucos daqueles que se apresentaram no Brasil, fica a espreita de uma oportunidade para fuzilar as metas rivais.

Capetinha e Matador, Edílson e Luizão primeiro, e brevemente, encontraram-se no Guarani, em 1992. A rapidez de tal momento se deveu, basicamente, ao grande desempenho mostrado pelo primeiro, que logo se transferiu ao Palmeiras, onde conquistou suas primeiras glórias. No período, o Porco era patrocinado pela Parmalat e tinha, além de vários craques nos campos, o treinador Vanderlei Luxemburgo no banco. 1993 também significou período de mudança para Luizão, que foi emprestado ao Paraná Clube, com o objetivo claro de ganhar mais experiência.

Curiosamente, a dupla poderia ter dado alegrias justamente ao maior rival do clube em que mais brilharam. Em 1995, após passagem sem muito destaque pelo Benfica, Edílson retornou ao Verdão (que mais tarde seria alvo de sua zombaria), tudo isso para partir para o Kashima Reysol em 1996, ano em que Luizão chegou ao Palestra Itália. Em seu retorno ao Brasil, o Capetinha assinou com o Corinthians e de cara brilhou, conquistando seu segundo título do Campeonato Brasileiro, e, mais do que isso, sendo o melhor jogador do certame. Faltava-lhe, contudo, um grande parceiro. Esse chegou em 1999, após rodar por Deportivo La Coruña e ser vitorioso no Vasco da Gama.

Luizão aportou no Parque São Jorge em 1999, para consolidar, em definitivo, seu nome na história do futebol brasileiro e, para isso, contou com o auxílio de seu velho companheiro. Sob a batuta de Marcelinho Carioca, grande astro do futebol brasileiro nesse ano, Edilson pôde mais uma vez abusar de sua marcante individualidade e contou com um companheiro cuja capacidade para marcar gols estava à altura da de seus próprios dribles.

Edílson e Luizão fizeram parceria memorável com a camisa do Timão. De estilos distintos e complementares, confirmaram-se uma das melhores duplas de ataque de seu tempo, rompendo, inclusive, a fronteira do Brasil, como bem deve se recordar o Real Madrid, derrotado pelo clube paulistano no Mundial de Clubes de 2000.

Embora assistisse também, Edílson marcava muitos gols, os quais, somados aos de Luizão, construíram enorme fama para a dupla e levaram glórias ao Corinthians. Juntos, pelo Timão conquistaram o Campeonato Paulista de 1999, o Brasileiro do mesmo ano e o Mundial de Clubes de 2000. É claro: havia um elenco estelar por trás da dupla, mas nada disso teria sido possível sem a eficiência e brilho destilados por um atacante que desmoralizava zagueiros e de outro que deixava goleiros sem ação.

Apesar disso, a dupla se separou em 2000, quando, após a eliminação corintiana da Copa Libertadores da América, Edílson brigou com a equipe e partiu para o Flamengo. Esse movimento não foi, todavia, o final da parceria; o melhor estava por vir.



Mantendo-se em alto nível, Edílson e Luizão passaram a ser figurinhas carimbadas com a camisa da Seleção Brasileira, mesmo porque havia questões preocupantes no que concernia à forma física de Rivaldo e Ronaldo. Após disputarem muitas partidas no período entre as Copas do Mundo de 1998 e 2002, a dupla, que se conheceu no Guarani e mostrou máxima eficiência no Corinthians, viajou ao Japão e à Coreia do Sul; Capetinha e Matador foram úteis reservas da Seleção Brasileira (Luizão sofreu penalidade, inexistente, é verdade, na partida contra a Turquia) que, comandada por Luiz Felipe Scolari, levantou a Copa do Mundo pela 5ª vez em sua história.

É triste perceber que após o torneio, nenhuma das carreiras evoluiu e a dupla não voltou a se encontrar. Luizão seguiu para o Hertha Berlin, onde passou dois anos e, após, retornou ao Brasil, rodando por vários clubes e vivendo de gols cada vez mais escassos e lampejos de seu velho e fatal faro de gol. Seus últimos bons momentos foram com a camisa do São Paulo, em 2005, quando conquistou o título da Copa Libertadores da América – seu segundo –, e em 2006, com a conquista da Copa do Brasil, pelo Flamengo.



Já a queda de Edílson foi mais acentuada. Após a Copa do Mundo, ainda voltou a representar o Flamengo, retornou ao Kashima Reysol, e representou Vitória, Al Ain, São Caetano, Vasco, Bahia e Taboão da Serra, sempre por curtos períodos e com desempenho bem inferior ao demonstrado em seus anos gloriosos.

Apesar disso, por tudo o que fizeram, Edílson e Luizão marcaram, individualmente, seus nomes na história dos grandes jogadores do futebol brasileiro e, juntos, formaram uma das melhores duplas de ataque do país. De tantas camisas e movimentos polêmicos em suas trajetórias, os jogadores fizeram mais do que o suficiente para jamais serem esquecidos.

Edílson – Edílson da Silva Ferreira – 17 de setembro de 1970

Carreira: Tanabi (1991), Guarani (1992), Palmeiras (1993/1994; 1995), Benfica (1995), Kashima Reysol (1996/1997; 2002), Corinthians (1998/2000), Flamengo (2000/2001; 2003), Cruzeiro (2002), Vitória (2004; 2007), Al Ain (2005), São Caetano (2005), Vasco (2006), Bahia (2010), Taboão da Serra (2016)

Títulos: Campeonato Brasileiro (1993, 1998, 1999), Torneio Rio-São Paulo (1993), Campeonato Paulista (1993, 1994, 1999), Mundial de Clubes (2000), Copa dos Campeões (2001), Campeonato Carioca (2001), Copa Sul-Minas (2002), Campeonato Baiano (2004), E.A.U. Cup (2005), Copa do Mundo (2002)

Luizão – Luiz Carlos Bombonato Goulart – 14 de novembro de 1975

Carreira: Guarani (1992; 1994/1995), Paraná Clube (1993); Palmeiras (1996/1997); Deportivo La Coruña (1997/1998), Vasco (1998/1999), Corinthians (1999/2001), Grêmio (2002), Hertha Berlin (2002/2004), Botafogo (2004), São Paulo (2005), Santos (2005), Flamengo (2006), São Caetano (2007/2008), Guaratinguetá (2009), Rio Branco (2009), Boca Ratón (2016)

Títulos: Campeonato Paranaense (1993), Campeonato Paulista (1996, 1999, 2001, 2005), Campeonato Carioca (1998), Copa Libertadores da América (1998, 2005), Torneio Rio-São Paulo (1999, 2002), Campeonato Brasileiro (1999), Mundial de Clubes (2000), Copa do Brasil (2002, 2006), Copa do Mundo (2002)

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