sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Schneiderlin pode ser fundamental ao Everton

Na última quinta-feira (12), foi confirmada a saída do volante francês Morgan Schneiderlin do Manchester United para o Everton. Cria do Strasbourg e com passagem marcante pelo Southampton, o jogador chegara ao clube mancuniano em meados de 2015, mas nunca conseguiu mostrar o futebol que o levou a Old Trafford e à Copa do Mundo de 2014. De casa nova, pode reencontrar seu futebol e, mais que isso, ser importantíssimo na estabilização do irregular Everton.



Renovação de uma parceria

Antes de se transferir para o Manchester United, Schneiderlin atuou durante sete temporadas no Southampton. No clube do sul inglês, viveu de tudo um pouco. Das dificuldades enfrentadas na terceira divisão ao paraíso que é atuar na Premier League, desenvolveu-se e se confirmou um dos jogadores mais interessantes de sua posição em toda a liga. A boa leitura de jogo, capacidade de distribuição de jogo e combatividade tornaram o atleta alvo de muitas equipes, sobretudo após sua chegada à Seleção Francesa, às vésperas da Copa do Mundo de 2014.

Schneiderlin foi contratado pelos Red Devils para, ao lado de Bastian Schweinsteiger, equilibrar uma equipe que desandou após a saída do icônico e lendário Sir Alex Ferguson. Seu fracasso, contudo, ficou evidente com pouco tempo. Além de não se confirmar opção habitual no onze inicial de Louis van Gaal, sempre que esteve em campo revelou forma abaixo das expectativas criadas nos tempos de Southampton.

Seu último treinador nos Saints e atual comandante do Everton, o holandês Ronald Koeman, ciente disso, buscou seu velho conhecido e lhe insere em um novo contexto, em tese, muito confortável para a recuperação do atleta. O último ano em que esteve em alto nível foi sob seu comando, atuando em equipe que não convive com a pressão naturalmente existente no Manchester United.



Treinando um time capaz de vitórias convincentes como um 3x0 no Southampton, na 20ª rodada, ou um triunfo frente ao Arsenal, por 2x1 na 16ª, de empatar em casa com o fraquíssimo Swansea City e de ser massacrado pelo Chelsea, Koeman sabe que precisa tornar seu time mais estável e muito disso passa pelo aumento da qualidade de seu meio-campo. Fora dos planos de José Mourinho, Schneiderlin se apresenta como uma grande possibilidade nesse sentido.

Alternativa ao envelhecido Gareth Barry

Ainda que se trate de uma grande referência do Everton, um dos jogadores mais regulares de toda a Premier League nos últimos anos, o volante Gareth Barry já não consegui impor o ritmo do jogo em todas as partidas em que atua e constantemente chega atrasado nas ações em que é chamado a trabalhar. Aos 35 anos, já não consegue ser tão influente e os Toffees não possuíam outro atleta capaz de exercer a função que o jogador conseguia fazer com qualidade em outros tempos.

Sem as melhores condições físicas nessa temporada, o irlandês James McCarthy é mais agressivo no combate e menos tático que seu companheiro inglês; por sua vez, o senegalês Idrissa Gueye, para muitos o grande destaque da equipe na temporada, também apresenta esse perfil, ainda que se diferencie no modo como atua.

Não havia ninguém no elenco do azul de Liverpool capaz de exercer a exata função de Barry (foto), que, podendo ser preservado em algumas partidas, tende a atuar melhor quando for o escolhido. Não se trata também de dizer que Gueye e McCarthy não são bons jogadores, muito pelo contrário, a questão que se impõe é a diferença de papeis exercidos por cada um dos meio-campistas do clube.

Quem também pode crescer com a chegada de Schneiderlin é o garoto Ross Barkley, outrora visto como grande esperança do clube, mas que vive péssima fase em sua carreira. Tendo uma contenção mais funcional, agressiva e, ao mesmo tempo, com boa saída de bola, o setor ofensivo pode ganhar, e muito.

"Só quero jogar futebol. Quero deixar minha marca nesse clube e fazer de tudo para colocar o Everton onde ele pertence. Estou mais faminto do que nunca e preparado para comer futebol novamente", disse Schneiderlin em sua apresentação ao clube.

Necessidade de mostrar futebol

A mudança de ares também representa para Schneiderlin a chance de se colocar no radar da bola, voltando a ser lembrado. Desde 2015, não atua pela Seleção Francesa, embora tenha ganhado convocações no período. Em uma temporada e meia com a camisa do Manchester United, disputou 50 partidas, mas esteve em campo em apenas 3.343 minutos, ou seja, uma média de 66/jogo.

É grande a diferença entre esse período e aquele em que vestiu a camisa dos Saints (foram 257 jogos, média de 77 minutos/partida no total; em sua última temporada no clube, disputou 30 partidas, com média de 84 minutos por encontro).

Para dar sequência a sua carreira por um caminho mais sólido, Schneiderlin terá que mostrar bom futebol. Caso contrário, só verá sua trajetória decair. Sua saída do Manchester United é muito oportuna, pois faz com que o jogador volte a ser opção regular de uma equipe, sem que tenha ficado à margem por período demasiado longo. Entretanto, é certo que o francês precisa mostrar a qualidade de outrora, o que só torna a aposta do Everton mais frutífera.

A probabilidade de sucesso de um negócio em que ambos os interessados – clube e jogador –precisam um do outro para melhorar suas projeções futuras é muito maior do que aquela que se apresenta quando a balança está desequilibrada (ou o clube não precisa tanto do atleta, ou o atleta não precisa tanto do clube).

A contratação de Schneiderlin pelo Everton é aposta sólida e tem todos os componentes para dar certo: diminuição da pressão sofrida no Manchester United, presença de uma influência positiva e que conhece o jogador (o treinador Koeman), necessidade do clube de um jogador da posição do contratado e obrigação do atleta de dar uma resposta em campo, para sua carreira e toda a equipe.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...