quarta-feira, 22 de março de 2017

A justa convocação de Timo Werner

Não é novidade para ninguém o fato de que o RB Leipzig surpreende na Alemanha. Se a luta pelo título parece ter ficado para trás e o clube perdeu parte do fôlego que mostrou nas primeiras rodadas da Bundesliga, uma vaga na UEFA Champions League ainda é provável e alguns de seus jogadores seguem se destacando. Nesse contexto, finalmente desabrochou o talento do garoto Timo Werner, que desde os tempos de Stuttgart revelava qualidade técnica acima da média, mas não conseguia grande brilho. Diante do que vem mostrando com a camisa dos Bullen, é mais do que justo seu primeiro chamado à Seleção Alemã.



O histórico do jogador já indicava que em algum momento a ocasião perfeita se apresentaria ao treinador germânico, Joachim Löw, e ele teria que convocar Werner. Subindo degrau por degrau a escadinha da Nationalelf, começando no Sub-15 e passando por Sub-16, 17, 19 e 21, o garoto mostra diferenciais técnicos há tempos. No entanto, sua vida no Stuttgart não era fácil e retardou o inevitável.

Profissional dos Roten desde a temporada 2013/14, Werner foi sempre tratado como uma joia pelo clube. Como tal, foi pouquíssimas vezes chamado a atuar durante os 90 minutos em sua primeira campanha. É justo dizer que àquela altura o jovem tinha apenas 17 para 18 anos. Ainda assim, conseguiu ter impacto na luta contra o rebaixamento a qual seu clube foi submetido. Foram quatro gols e cinco assistências, ou seja, participação direta em nove dos 49 gols que o clube marcou.

Então, o garoto não tinha espaço fixo na equipe, tendo sido utilizado por ambos os flancos do ataque e como referência.

Embora tenha ganhado mais minutos na temporada 2014/15, Werner seguiu sofrendo com a incapacidade do Stuttgart de fazer uma campanha minimamente segura. Ainda que tenha atuado mais em relação ao ano de sua estreia, o jovem mostrou ainda mais irregularidade e seu desempenho piorou. Continuando a ser substituído ou a ingressar nas partidas vindo do banco de reservas, marcou apenas três gols e construiu uma assistência, ainda sem ser alocado em definitivo em algum setor do ataque.

Nesse tempo, é bom que se diga, o jogador seguia mostrando excelente desempenho com a camisa da Seleção Alemã. Pelo escalão Sub-19, que representou entre maio de 2013 e julho de 2015, disputou 14 partidas e marcou 10 vezes, sempre utilizado como referência ofensiva. Por sua vez, com a equipe sub-21, que passou a representar em setembro de 2015, já são sete jogos disputados e três tentos anotados.

No entanto, o que estava anunciado aconteceu; nada que Timo tenha podido fazer evitou o inevitável. Em 2015/16, o Stuttgart foi rebaixado à segunda divisão, naquela que foi a campanha mais goleadora do garoto. Agora afirmado como referência de ataque, foi às redes seis vezes e construiu três assistências. Ainda assim, seguiu sendo substituído na maior parte das partidas.

Não havia mais como continuar em um clube que, por mais que o tenha recebido no longínquo ano de 2002 e proporcionado todas as condições para seu desenvolvimento, seguia atrasando sua evolução. A disputa da 2.Bundesliga certamente não seria o melhor para o jogador, que, enfim, foi vendido; por €10 milhões, o jovem acertou com o RB Leipzig, confiando em seu projeto, baseado no talento de atletas de pouca idade.

“Apesar de sua juventude, Timo Werner tem muita experiência na Bundesliga e já provou sua qualidade nesse nível. Ele é um jogador muito ambicioso, que está sempre buscando melhorar e pode impor problemas a qualquer adversário com sua velocidade. Sua contratação dará mais ainda mais qualidade e opções ao nosso ataque, disse o diretor esportivo do Leipzig, Ralf Raignick, na apresentação de Werner ao clube.

No clube novato, que tem apenas sete anos, a vida de Werner mudou completamente. Basta dizer que, com apenas 25 partidas disputadas, já marcou pelo clube o mesmo número de gols que anotou pelo Stuttgart em 103 encontros, 14.

Na companhia do excepcional assistente Emil Forsberg e do multifuncional Naby Keita, o garoto, hoje com 21 anos, finalmente conseguiu a necessária tranquilidade para poder desfrutar de seu futebol. A invencibilidade de 13 jogos que marcou o início da temporada do Leipzig deu confiança ao grupo, que mesmo tendo sofrido importante queda e ficado distante do título alemão ainda faz muito mais do que se esperava.

Veloz, persistente, dono de ótimo técnica e sempre preparado para oferecer alternativas a seus companheiros, Werner tem sido um homem de gelo à frente das balizas rivais. Sua capacidade para estar no lugar certo na hora certa, antecipar-se a seus marcadores, infiltrar em meio a eles e fuzilar os goleiros adversários tem estado em evidência; Joachim Löw, que tantos jovens já lançou na Seleção Alemã, não fechou seus olhos a tamanha qualidade.

Além disso, o garoto tem capacidade para, a longo prazo, encaixar-se com perfeição no esquema de Löw, pois embora seja referência, cai pelos dois flancos, movimenta-se intensamente e dá muitas alternativas a seus companheiros.

“Werner é um jogador jovem e interessante, com boa percepção. Ele é adaptável e, nessa temporada, tem jogado consistentemente no mais alto nível. Estou ansioso para o apresentar ao grupo e poder o observar de perto”, disse Joachim Löw, após a convocação do garoto.

Por sua técnica, ritmo, momento e pelo que oferece à Seleção Alemã, o chamado de Timo é quase óbvio, mas, acima de tudo, é justo; foi conquistado com os méritos de um jogador que é um dos protagonistas de uma das histórias mais impressionantes do futebol europeu nessa temporada e que finalmente tem entregado no profissional a capacidade que já se conhecia nas categorias de base.

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