segunda-feira, 1 de maio de 2017

O que Mahmoud Dahoud pode entregar ao Dortmund?

Meio-campista germano-sírio, Mahmoud Dahoud se transformou nas últimas duas temporadas no talento mais empolgante do Borussia Mönchengladbach. Após a saída de Christoph Kramer para o Bayer Leverkusen, em 2015/16, firmou parceria importante com Granit Xhaka e, com a saída deste para o Arsenal e retorno daquele em 2016/17, manteve-se cumprindo bom papel. Por isso, o Borussia Dortmund, que vive temporada de altos e baixos, foi atrás de futebol. No entanto, o que de fato pode o jogador acrescentar à esquadra de Thomas Tuchel?



Aos 21 anos, Dahoud se transformou na principal engrenagem do jogo dos Potros. É por meio de seus pés que é feita a saída de bola, recebendo-a da zaga e distribuindo-a à frente. Impressiona a capacidade que tem para ler o jogo, antever jogadas e manter a fluidez de seu time. Embora recupere bolas, tarefa de qualquer meio-campista central, não é essa a função que desempenha com maior perícia; seu jogo é muito mais ligado à construção do que à destruição.

É bom que se diga, além disso, que, embora não seja perito nas tarefas meramente defensivas, o novo contratado aurinegro se mostra adaptado ao jogo de marcação pressão, característica que define o estilo de seu novo clube desde os tempos de Jürgen Klopp. A contratação é, portanto, cirúrgica. 

Sem que se cometa o ato de crueldade de uma comparação, o Dortmund buscou em Dahoud o preenchimento de uma carência que ficou evidente nessa temporada: procurou alguém capaz de exercer o papel que anteriormente cabia ao talentosíssimo Ilkay Gündogan, negociado ao final da temporada 2015/16 com o Manchester City. E, diante disso, faz-se necessário um alerta: pode ser que Dahoud demore a se encaixar, como aconteceu quando o próprio Gündogan chegou ao Westfalenstadion, para suprir carência deixada por Nuri Sahin.

Sem a referência de Gündogan, quem mais caiu de produção na presente campanha foi o jovem Julian Weigl, muitas vezes preso nas proximidades da zaga do clube, mantendo posse de bola estéril e tendo dificuldade para construir de trás o jogo – verdadeiramente ficando “encaixotado”.

Embora outros atletas tenham mostrado capacidade para executar o papel que o germano-turco fazia, casos de Gonzalo Castro e Raphaël Guerreiro, nenhum deles conseguiu exercer tal função com a excelência necessária. Também nos compete mencionar o fato de que dois atletas que poderiam ajudar nessa missão perderam a maior parte da temporada lesionados: Sahin e Sebastian Rode.

Dahoud vem para atuar, provavelmente, como um box-to-box, especialmente útil para acelerar a transição da defesa para o ataque, potencializando, pois, o desempenho dos velozes e criativos jogadores de frente, mormente, Marco Reus, Ousmane Dembélé e Pierre-Emerick Aubameyang. É interessante perceber também a qualidade que demonstra na condução de bola e a habilidade que possui no trato desta. Apresenta-se, indiscutivelmente, como um jogador raro. Assim, se necessário for, consegue se livrar de um marcador antes de distribuir a bola, sua função-chave. No Gladbach, Dahoud joga e faz o time jogar; é isso que se espera de seu período em Dortmund.

Na temporada 2016/17, considerando apenas a Bundesliga, tem 25 partidas disputadas, apresentando média de 2,8 desarmes por jogo e 1,7 interceptações. Seu percentual de acerto de passes médio é de 81%, o atleta marcou dois gols e criou seis assistências, sendo, por conseguinte, o recordista de seu time nesse quesito.

Também é justo comentar que, além de os aurinegros terem percebido com muita acuidade um de seus maiores problemas na temporada, mantiveram seu modus operandi – não buscaram no mercado um jogador já estabelecido e experiente, mas uma nova promessa para lapidar. O próprio fato de ter a contratação sido selada antes do final da temporada indica sabedoria da parte da direção do clube.

“Mo Dahoud é um meio-campista central empolgante e altamente talentoso, que temos acompanhado de perto há alguns anos [...] Ele já provou que pode jogar no mais alto nível”, disse o diretor do Borussia Dortmund Michael Zorc, após o anúncio da contratação.

Por “apenas” €12 milhões, o clube assegurou uma belíssima contratação. Internacional alemão nos escalões sub-18, 19 e 21, “Mo” Dahoud ainda aguarda seu primeiro chamado à Nationalelf, o que certamente não tardará; o passo que dá adiante firmando pelo Dortmund também indica nesse sentido. É muito provável que em algum momento, o treinador Joachim Löw use a futura dupla formada por Weigl e Dahoud, aproveitando-se de seu talento e do entrosamento que virá.

Como foi a contratação de Dembélé ao final da última temporada, a iminente chegada do sírio de nascimento ao Westfalenstadion é motivo de alegria para a Muralha Amarela. Seu estilo de jogo se encaixa à proposta de seu contratante, seu talento é indiscutível e a margem para evolução enorme. Como sempre, recomenda-se cautela na inclusão do jogador nos planos imediatos da equipe, porém, o negócio tem todos os componentes necessários para se confirmar, em breve, um sucesso.

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