segunda-feira, 29 de maio de 2017

O renascimento de Asier Illarramendi

Era julho de 2013 e o mundo se perguntava: quem era aquele jovem volante em quem o Real Madrid depositava tanta fé, a ponto de pagar €32 milhões por seus préstimos? Cria da Real Sociedad, Asier Illarramendi era um jogador que acabara de fazer sua primeira temporada como titular pelo clube basco. No entanto, mostrara talento e possuía um histórico positivo envergando a camisa da Seleção Espanhola Sub-21. A despeito disso, Illarra não foi bem com a camisa Merengue e retornou à casa que o formou. Recuperou-se. Voltou a atuar em altíssimo nível.



Poucos se lembram, mas Illarramendi fora em 2013 figura fundamental para a conquista da Euro Sub-21 da Fúria. É normal que tenha sido assim. Atuando a sua frente estavam jogadores da estirpe de Thiago Alcántara, Koke, Isco e Álvaro Morata. Naquela final, contra a Itália, de Marco Verrati e Lorenzo Insigne, o volante foi o perfeito cão de guarda. Completou sete desarmes, liderando tal estatística, e foi ao lado de Thiago o meio-campista que mais passou a bola no encontro. Na ocasião, conseguiu também não cometer uma falta sequer. Dias depois, o jogador, então com 23 anos, chegou ao Madrid.

Apesar disso, o clube da capital espanhola, à época dirigido por Carlo Ancelotti, possuía um elenco rico e extremamente qualificado. A disputa por um lugar em um meio-campo que contava com Xabi Alonso, Sami Khedira, Luka Modric ou Isco era brutal. Illarra até atuou muitas vezes em sua primeira temporada (49), mas normalmente saiu do banco (22 vezes) ou foi substituído no curso das partidas (12). Não se destacou.

Em seu segundo ano, viu Alonso rumar para o Bayern de Munique e chegarem James Rodríguez e Toni Kroos. A vida do basco continuou difícil na equipe. Sem possuir a elegância, criatividade e confiança de seus competidores, fez mais uma temporada discreta. Dos 41 jogos que fez, ingressou no curso de 26 deles e, quando foi titular, deixou a cancha antes do final dos 90 minutos em três oportunidades. Seu jogo foi sempre muito tímido.

Dizer que Illarramendi foi mal no Real Madrid pode soar exagerado. Todavia, é indiscutível que o interregno em que teve no Santiago Bernabéu sua casa foi marcado pela discrição e é difícil não haver contestação quando se despejam mais de 30 milhões de euros por um atleta “discreto”.

Pelo bem de sua carreira, retornou à Real Sociedad para a disputa da temporada 2015/16. O valor dispendido pelos Txuriurdin ajuda a explicar como foi a trajetória do volante na capital espanhola: €15 milhões, menos da metade do que o Madrid havia pago para contar com seu futebol.

Individualmente, o jogador teve impacto rápido em sua volta para casa. Titular absoluto, reconstruiu sua reputação. Reforjou a imagem que havia deixado evidente em 2013, naquela Euro Sub-21. Em 2015/16 alcançou média de 3,1 desarmes por jogo e 3,5 interceptações, foi dos melhores volantes da temporada e, seguramente, o melhor jogador da Real Sociedad.

Entretanto, a equipe viveu ano de muitos altos e baixos. A princípio, lutou contra o rebaixamento. Recuperou-se somente na virada para o segundo turno, quando, entre as rodadas 22 e 25 emplacou quatro vitórias consecutivas. Foi um ano para se esquecer. A despeito disso, depois de tanta tempestade, uma hora caracterizada pelo desempenho individual apenas regular e, em outra, pela fraqueza do coletivo, vieram tempos de calmaria.

A temporada 2016/17 reafirmou o que levou o jogador a ganhar o status de potencial Galáctico. Novamente, Illarra foi titular em toda a temporada. Conservou as estatísticas do ano anterior, em seus exatos termos. Porém, seu impacto na equipe foi maior. O time fechou o ano em uma honrosa 6ª posição, com vaga para a Europa League.

O meio-campista foi um dos melhores de sua posição em La Liga. Aos 27 anos, mostrou-se mais maduro, preparado. Não foi só um volante, teve papel importante na conexão entre defesa e ataque. Foi também o terceiro jogador do time que mais minutos teve no Campeonato Espanhol. Renasceu, finalmente.

“Pessoalmente, acabo [a temporada] contente. Fiz um bom ano, como toda a equipe. Quando assinei com a Real [Sociedad], a princípio as coisas não saíram bem, mas esse ano demos um pouco mais [...] Este ano encontramos a estabilidade que nos fazia falta, quanto ao jogo e à dinâmica”, disse Illarramendi em entrevista concedida ao periódico Mundo Deportivo, no último domingo (28).

Em números absolutos, incluindo todas as equipes do Espanhol, foi o sétimo jogador que mais desarmes tentou na temporada, com 79, e o segundo em interceptações, 113. Ao mesmo tempo, foi o quinto atleta que mais passes acertou, 1843. Sua participação, ativa, foi fundamental para que se voltasse a ver alegria nos rostos dos torcedores no Estádio Anoeta.

Assim, os louros vieram: eleito por seu torcedor o grande destaque da temporada, conquistou chamado de Julen Lopetegui para a Seleção Espanhola principal. O treinador, vale ressaltar, foi seu comandante naquela Euro Sub-21.

Fundamental para a Real Sociedad, Illarramendi recuperou a confiança em seu futebol em 2016/17. Em casa, tudo tem saído mais fácil e natural para o volante. Sua importância vai além das tarefas defensivas que desempenha e sua presença faz o jogo basco se desenvolver. É ele quem mais bolas recupera e por quem a pelota mais passa durante as partidas. Ele: o renascido Asier Illarramendi.

Um comentário :

  1. Olá, Wladimir! Me chamo Victor Hugo Martins e mantenho um projeto de cobertura da Real Sociedad no Brasil no facebook (https://www.facebook.com/rsobrasil/), blog (https://rsobrasil.wordpress.com/) e twitter (@brasil_rso), e gostaria de, além de elogiar seu trabalho, também compartilhar seu texto, com os devidos créditos, em minha página no facebook. Estou autorizado? Um abraço!

    ResponderExcluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...