segunda-feira, 5 de junho de 2017

O que Bernardo Silva oferece ao Manchester City?

Poucos dias após o final da Premier League, o Manchester City anunciou algumas novidades. Após se despedir de Willy Caballero, Bacary Sagna, Gaël Clichy, Pablo Zabaleta e Jesús Navas, foi confirmado o acerto com o português Bernardo Silva. Cria do Benfica, que se destacou com a camisa da Seleção Portuguesa Sub-21 antes de brilhar pelo Monaco, o meia de 22 anos chega ao Etihad Stadium por 50 milhões de euros. Assim, em um time que já conta com peças como Kevin De Bruyne e David Silva, o que se pode esperar do novo contratado dos Citizens?



Nas últimas três temporadas, Bernardo viu sua carreira decolar. Embora tenha laços com o Benfica que vão além da gratidão por ter sido formado em suas categorias de base, foi só quando se mudou para o Principado, que ganhou oportunidades. Sob o comando do também português Leonardo Jardim, em seis meses já se tornara peça importante para os monegascos. 

Atuando, na maior parte das vezes, pelo lado direito do meio-campo ofensivo, o atleta, que é canhoto, demonstrou porque era um talento digno do pagamento de 15 milhões de euros aos Encarnados, mesmo sem ter experiência. Em momento algum sentiu o peso de, com 19 para 20 anos, vestir a camisa 10 de um time que tem constantemente lutado pelo título francês e por uma vaga na UEFA Champions League.

Logo, já se conseguia entender o que Jardim buscara no atleta. Embora tenha sempre contado com jogadores talentosos para o meio e o ataque, faltava-lhe, como alternativa, alguém que, ao mesmo tempo, fosse ofensivo e tivesse características de armação. Jogadores como Yannick Ferreira Carrasco, Nabil Dirar, Thomas Lemar ou Anthony Martial, sempre mostraram qualidades, mas como pontas, atuando como flechas, sendo, pois, agudos. Embora Bernardo Silva possa desempenhar tal papel, não é assim que mais se destaca.

O futebol desempenhado pelo português no Monaco se assemelha àquele muitas vezes demonstrado por De Bruyne, tanto quando ainda envergava a camisa do Wolfsburg quanto em sua primeira temporada pelo City. Em muitas alternativas, o belga teve como missão clara a construção do jogo do jogo de suas equipes a partir do lado direito. Contudo, não é por ali que o camisa 17 consegue se expressar melhor. Por isso, praticamente não atuou pelo setor na temporada que se findou recentemente. 

O treinador Pep Guardiola sentiu falta de alguém capaz de armar o jogo a partir do lado. Não é que não tivesse bons ponteiros. Raheem Sterling e Leroy Sané fizeram boa temporada, Gabriel Jesus mostrou potencial para atuar pelo flanco e, em algumas ocasiões, até mesmo Navas teve bom papel. Todavia, nenhum desses jogadores oferece ao catalão o que o jogo de Bernardo é capaz de entregar. 

Guardadas as devidas proporções, evidentemente, o português chega para desempenhar papel semelhante àquele que Jadson executou no Corinthians de 2015, sob a batuta do treinador Tite. Embora seu jogo partisse do lado direito, o meia raramente buscava jogadas de linha de fundo, mas procurava o interior do campo. Quem fazia às vezes de ponteiro por seu flanco era o lateral Fágner, aproveitando dos espaços abertos por Jadson. É algo nesse sentido que os Citizens podem esperar de Bernardo Silva, ao menos em um primeiro momento.

Tratando-se de um jogador canhoto, a propensão do jovem para fazer incursões pela meia-cancha é ainda maior, mas, diferentemente de outros jogadores, de características mais incisivas, o luso procura muitas vezes o passe, e não a finalização. Embora marque muitos gols, Bernardo é também um formidável criador de jogadas. Na Ligue 1, foi o segundo jogador do Monaco a criar mais passes-chave (59), ficando atrás apenas de Lemar.

Com a parceria de atletas como David Silva e De Bruyne tende apenas a potencializar ainda mais seu conhecido talento e dá a seu treinador nova alternativa tática. Guardiola segue tendo em Sterling, Sané e Jesus jogadores de velocidade, com o recurso do drible, mas agora possui também, como possibilidade para a mesma faixa de campo, um construtor de jogo. Diferentemente de seus competidores, Bernardo não busca sempre a condução da bola, mas propõe tabelas e se movimenta tanto horizontal quanto verticalmente.

A princípio, o garoto não chega para ser titular absoluto. É esperado que aos poucos vá se firmando como o sucessor de Silva, que durante muito tempo atuou justamente como Bernardo, sendo um meia de criação, canhoto, pela direita. É claro, pode também se desenvolver em outras faixas do campo. Não é porque atuou sobretudo pelo flanco destro que não é capaz de atuar pelo centro ou pela esquerda, muito pelo contrário. Contudo, considerando o impacto e a reputação que já construiu no futebol, Bernardo ainda é visto como um meia que parte do lado direito.

Em breve conversa com Guardiola, Bernardo foi, inclusive, informado de que, em um primeiro momento, é assim que deverá ser utilizado.

“Falamos uma dezena de minutos depois da assinatura do meu contrato. Ele explicou-me um pouco o que queria de mim. Disse-me que teria de me adaptar ao campeonato, ao clube. E revelou-me a posição em que ele deseja que eu jogue. Ele vê-me na direita ou no meio. Posso jogar nas duas posições, mas penso que também poderei alinhar na esquerda se for preciso”, disse o jovem ao periódico português Record.

Pelo Monaco, disputou 147 partidas, marcando 28 gols e criando 17 assistências. São números extremamente representativos, sobretudo quando lembramos que o atleta tem apenas 22 anos. Sua mudança para o City representa um salto de qualidade. No Principado, foi brilhante, sobretudo em sua última temporada, conquistando a Ligue 1 e chegando às semifinais da UEFA Champions League. Entretanto, as pretensões dos azuis de Manchester são ainda maiores. Os Citizens são treinados por Guardiola e quando o catalão está no comando não se espera menos do que a luta por todos os títulos disputados.

É possível que o garoto precise de um tempo para se adaptar à nova realidade de sua vida. Também pode ser que tudo ocorra naturalmente, como o exemplo de Gabriel Jesus não nos deixa mentir. O certo é que o City passa a ter em Bernardo Silva uma alternativa tática dotada de grande técnica e perfil diferente do lá encontrado. O clube contrata, para mais, um atleta que pode render muitos anos de alegrias ao seu torcedor. 

De plano, já é possível avaliar o negócio como bom para todos as partes. Para o Monaco, clube conhecido por sua política de contratar jovens e os desenvolver, vender seus grandes destaques é parte do jogo, para Bernardo é a chance de afirmação no cenário mundial e para o City a oportunidade de tornar seu elenco ainda mais completo.

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