quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Davy Pröpper chega ao Brighton para liderar uma dura missão

O futebol holandês passa por um período claro de transição, com o processo de mudança de gerações, deixando para trás as figuras que conduziram a Oranje ao vice-campeonato mundial em 2010 e promovendo o ingresso de caras novas. Nesse sentido, um jogador que tem ganhado espaço desde 2015 é o meio-campista Davy Pröpper. Para dar continuidade a sua afirmação, o jogador aceitou o desafio de ser a principal referência técnica de uma equipe de modestas pretensões em um dos contextos mais competitivos do planeta bola.



Ausente da disputa da primeira divisão inglesa desde a temporada 1982/83, o Brighton & Hove Albion retorna com uma missão bem clara: evitar o rebaixamento. Para isso, tem buscado reforços importantes, escolhendo-os com muito cuidado.

Entrando em sua quarta temporada no clube, o treinador Chris Houghton sempre soube que seria preciso encorpar seu elenco. Para isso, antes de contratar Pröpper já havia assinado com o goleiro Mathew Ryan, titular da meta da Seleção Australiana, e de outras peças importantes como o experiente lateral esquerdo do selecionado austríaco, Markus Suttner, ex-Ingolstadt, e do meio-campista alemão Pascal Groß, que tem passagem por equipes de base da Seleção Alemã e também chega do Ingolstadt.

“Gostaríamos de começar a temporada e terminar a janela de transferências com um elenco que sintamos ser capaz de fazer o suficiente”, falou o comandante ao Sky Sports.

A despeito disso, a contratação que traz maior impacto é, indiscutivelmente, a do meia holandês. Formado no Vitesse, foi referência do time que, treinado por Peter Bosz (atualmente no Borussia Dortmund), alcançou a quinta colocação na Eredivisie, em 2014/15, e carimbou sua passagem para Eindhoven, onde representou o PSV, por duas temporadas. 

No último ano, marcou seis tentos e criou sete assistências, em 34 jogos no holandês. Sua melhor campanha no país, contudo, foi na temporada 2015/16, em que alcançou a marca de 10 gols e seis assistências. Vale lembrar que o atleta foi contratado para substituir Georginio Wijnaldum, que fora vendido ao Newcastle, e se saiu bem.

Versátil, Pröpper não é craque, mas se trata de um jogador completo e que pode ser meia central ou ofensivo, organizando o jogo tanto em posicionamento mais recuado quanto mais próximo do ataque. Além disso, tem algo que pode ser muito importante para o Brighton: um potente chute de longa distância, capaz de tirar o time de apuros, eventualmente. O holandês não é o jogador que deixará a cancha com percentuais de aproveitamento de passes de 85%, 90%, mas, inserido em um clube que provavelmente se preocupará primeiramente em se defender, isso não importa tanto.

“Será muito difícil, mas penso que iremos bem (...) Sou um meio-campista box-to-box, que pode atacar e defender e penso que meu passe é bom”, disse o meia ao Sky Sports.

Importante notar também a influência de seu jogo em termos defensivos. Na edição 2016/17 da Eredivisie, o atleta fez 1,5 desarme por jogo em média e 1,4 interceptação, o que se encaixa na descrição oferecida pelo próprio, com um todocampista

O fato é que: em decorrência de suas qualidades para organizar o jogo, ditar o ritmo das ações e se oferecer como alternativa a seus companheiros, o meia chega com a missão de ser referência para o time. Dessa forma, a experiência é uma aposta pessoal para a própria carreira do jogador. Caso se saia bem, permanece no radar da Seleção Holandesa e cria a possibilidade de uma transferência para um centro maior.

O negócio se apresenta bom para as duas partes: o Brighton recebe um jogador, que, aos 25 anos, tem experiência e motivação para ser bem-sucedido na Inglaterra, e Pröpper ganha a oportunidade de se destacar no mais alto nível. Os valores envolvidos na negociação também não foram exorbitantes (aproximadamente €13 milhões), ou seja, estão dentro da realidade vivida pelos Seagulls.

Depois de superar um período de profunda instabilidade, com muitos acessos e descensos, desde 2011/12 o clube do sudeste inglês conhece uma realidade de segurança: habitualmente mais próxima da chegada à Premier League do que de eventual retorno à League One. O time bateu na trave algumas vezes na tentativa de chegar à elite. Foi terceiro colocado da Championship em 2015/16, sexto em 2013/14 e quarto em 2012/13. Conhece as dificuldades existentes para chegar a esse nível e, certamente, tem ciência do quão dura será a luta pela permanência no mais alto nível do futebol no país. 

Para isso, foi ao mercado com cautela e a princípio encontrou boas soluções. Pröpper, que foi também a contratação mais cara da história do time, apresenta-se como a melhor delas. Resta saber se isso será o suficiente.

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