quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Ben Woodburn, uma esperança em vermelho

Pensar em pontas galeses de grande talento é tarefa fácil. Rapidamente, vêm à mente os nomes de Ryan Giggs e Gareth Bale, ambos criados no futebol inglês. Vindo de contexto semelhante, Ben Woodburn, uma das promessas em quem o treinador do Liverpool, Jürgen Klopp, mais deposita esperanças, vai construindo sua trajetória, sempre vestindo vermelho: ora o da tradicional camisa dos Reds e, desde o início de setembro último, o de sua seleção nacional.



Aos 17 anos, Woodburn vive um sonho: chegou ao clube aos oito anos e depois de impressionar o comandante alemão do Liverpool na pré-temporada de 2016/17, o galês — inglês de nascimento —passou a integrar o grupo de atletas profissionais. Sua estreia não tardou, ocorreu logo em novembro daquela campanha. Embora tenha durado pouca mais de um minuto, serviu para fazer o garoto entender que, de onde viera aquela oportunidade, nasceriam outras, a se manter seu foco e desempenho nos treinamentos. Foram mais oito partidas naquele ano, o que inclui dois jogos completos na FA Cup.

A maturidade de seu jogo foi dando confiança a Klopp para utilizá-lo. Tal processo tem sido comedido, parcimonioso, sem queimar etapas. O treinador germânico reconhece que está diante de um talento imenso, mas também tem a consciência de que é preciso paciência com o garoto. Há, ainda, outro lado a ser considerado: hoje o Liverpool conta com muitas alternativas de qualidade para exercer as funções que Woodburn pode fazer (gente da qualidade de Philippe Coutinho, Sadio Mané ou Mohamed Salah), o que não quer dizer que seu desenvolvimento será retardado.

Para todos os efeitos, o nome do jogador já está na história dos Reds. Em 29 de novembro de 2016, Woodburn se tornou o jogador mais jovem a marcar um gol pelo clube. Tinha 17 anos e 45 dias, quando balançou as redes em vitória contra o Leeds United, na League Cup. Para assegurar o recorde, o atacante teve de superar ninguém menos que Michael Owen, aquele centroavante que ficou conhecido no final dos anos 90 como Golden Boy e que se cansou de marcar gols em Anfield Road.

Nós nos damos a liberdade de o educar e ensinar nos treinamentos, e então ele jogará sempre que for necessário. Todos conhecemos histórias de garotos absurdamente habilidosos, e por causa de uma ou duas coisas, especialmente por conta de impaciência, as coisas mudam. Tenho, no mínimo, 50% de responsabilidade por seu desenvolvimento, o resto é do jogador, família e tudo o mais. Sabemos qual é a nossa responsabilidade e estamos realmente prontos para viver com ela e ajudá-lo. Isso não quer dizer que ele não possa começar agora, ou amanhã. Sim, ele pode”, refletiu JK em entrevista veiculada pelo Liverpool Echo.

O fato é que, sem ter a fartura atualmente desfrutada pelos frequentadores de The Kop, a Seleção Galesa iniciou o processo de integração do atacante e colheu frutos imediatos. Deixando o banco de reservas contra Áustria e Moldávia, o garoto marcou em sua estreia pelos Dragons (assegurando vitória contra os austríacos, pela margem mínima) e, no segundo jogo, proveu assistência para Hal Robson-Kanu cumprimentar as redes. Foram dois jogos, com um tento e um passe para gol. É pouco? Não, tanto que o prodígio ajudou a recolocar o País de Gales na zona de repescagem para a Copa do Mundo de 2018.

Depois desses jogos, os holofotes voltaram a ser colocados em cima da figura de Woodburn. Não poderia ser diferente. Com muita personalidade, deu seus primeiros e importantes passos com a camisa de gales. Mais que isso: foi decisivo.


No campo, pouco importa que seja destro e atue preferencialmente pelo lado esquerdo. A qualidade que tem para manejar a bola com os dois pés permite tanto que o garoto vá à linha de fundo, como também que a carregue em direção ao centro, para finalizar — tudo isso conforme a sorte e o desenho de cada partida. Seu estilo de jogo permite que se pense no futuro do atleta com muita esperança, pois Ben é rápido, consegue vencer disputas de corpo, não desiste com facilidade e ainda tem muita habilidade para fazer a escolha mais acertada no curso das jogadas.

Nessa temporada, ainda não foi utilizado em partidas oficiais do Liverpool, mas como Klopp pontuou, está pronto para entrar quando for necessário. A chegada do versátil Alex Oxlade-Chamberlain, por certo, torna ainda mais acirrada a disputa por um lugar nos Reds. Entretanto, é cada dia mais evidente o fato de que, quando menos esperarmos, Woodburn estará integrando o onze inicial liverpuldiano; personalidade, qualidade técnica e margem para evolução não faltam.

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