segunda-feira, 4 de junho de 2018

O esquecimento de Luke Shaw

Uma das novidades mais promissoras da Copa do Mundo de 2014 foi a inclusão do jovem lateral-esquerdo Luke Shaw no elenco da Inglaterra. Naquela oportunidade, o garoto tinha apenas 18 anos e vivera ascensão meteórica com a camisa do Southampton. Embora tivesse representado os Three Lions apenas duas vezes, viajou ao Brasil. Pouco depois, viveu mais alguns momentos importantes, com a conclusão de sua venda ao Manchester United.


Foto: Getty Images


Como é habitual no cenário do futebol inglês, as cifras envolvidas na transferência foram altas. Tratava-se de um jogador extremamente jovem, com enorme margem de evolução e já preparado para atuar em alto nível. Custou €37,5 milhões e se apresentou com a solução imediata para um problema do clube: a saída de uma de suas referências, Patrice Evra.

Titular… do departamento médico

Shaw chegou aos Red Devils depois da disputa do Mundial e logo foi tratado como titular pelo treinador Louis van Gaal. Mas seu período no estádio Old Trafford — conhecido como o Teatro dos Sonhos — logo virou um interminável pesadelo. Antes mesmo de estrear com a camisa do time mancuniano, sofreu lesão muscular na coxa. Perdeu os primeiros jogos da temporada 2014/15. Mal sabia que aquele era o início de um interminável azar.

Ainda no final de 2014, Shaw voltou a se machucar. Dessa vez, foi o tornozelo o vitimado. Em seu primeiro ano no United, foram quatro os problemas de ordem médica. Mas tudo bem, acontece, não é? Quando a campanha de 2015/16 se anunciou, renovou-se a confiança no talentoso ala.

Com a manutenção de van Gaal no comando do time, o espaço de Luke não foi tolhido. Ele foi titular nas cinco primeiras partidas da Premier League, nas partidas da última eliminatória que antecede a fase de grupos da Liga dos Campeões e também no jogo inaugural da dita fase, contra o PSV. Porém, o garoto sofreu novo e duro revés.

Na partida contra os holandeses, fazia bela jogada, vindo do flanco esquerdo para o centro do campo quando dividiu o lance com o zagueiro mexicano Héctor Moreno. Foi um lance feio, que ocasionou fraturas na tíbia e na fíbula de Shaw, tirando-o dos gramados por nove meses. Ele não voltou a atuar naquele ano.


Quando voltou a estar disponível para atuar, o treinador do clube já havia mudado. Com resultados apenas medianos, van Gaal deu lugar a José Mourinho. O português se encontrava no mercado depois de viver um final de trajetória no Chelsea muito ruim, sendo dispensado em dezembro de 2015. A princípio, Shaw até foi considerado uma opção regular de Mou. Tal realidade durou pouco.

Mudanças de comando, mais algumas lesões e críticas

A titularidade nos primeiros cinco jogos da Premier League 2016/17 voltou a significar pouco na carreira do jogador. Primeiro, vieram as críticas de seu treinador, que indicou que o atleta não estava mentalmente preparado para os jogos, que estava inseguro e isso vinha se refletindo em suas atuações. Após uma partida contra o Watford, em setembro de 2016, Mourinho criticou-o pela falta de ímpeto na marcação aos adversários.

Foto: Getty Images
Depois elas voltaram. As lesões. Primeiro, foi a virilha que o impossibilitou de atuar. Depois, uma lesão nos ligamentos do pé, já na 36ª rodada da Premier League. 

Esse problema, o deixou de fora do início da campanha de 2017/18 e chegou a ocasionar sua cessão temporária ao time b, do United. Depois de jogar apenas duas partidas pela League Cup, em dezembro de 2017 estreou na Liga dos Campeões e na Premier League, mas isso não significou uma guinada em sua carreira. Dessa vez, não foram mais os problemas físicos que complicaram sua vida.

Mesmo com Shaw em forma, Mourinho preferiu utilizar o improvisado Ashley Young como titular na lateral-esquerda. Algumas das poucas chances de Shaw na temporada acabaram sendo concedidas somente na falta de Young. A gota d’água para o jovem acabou sendo a partida contra o Brighton, na FA Cup. Na ocasião, foi sacado no intervalo. Mourinho justificou que precisava de alguém mais agressivo na oportunidade e que Shaw não vinha mostrando a confiança necessária para o jogo de alto nível.

O futuro ainda pode ser animador

Recentemente, Paul Scholes, ídolo do Manchester United, deu a entender que de fato não há lugar para Shaw em um time treinado por José Mourinho. Em entrevista à BT Sport, disse que às vezes um treinador entende que “há jogadores que não são para ele”. Esse seria o caso de Luke em Old Trafford.

O que causa mais espanto quando se pensa no caso de Luke Shaw é sua idade. O inglês tem apenas 22 anos. Seu contrato com o clube vige até o final da temporada 2018/19, mas tem sido dito que o jogador mudará de ares agora — mesmo porque o clube tem procurado novos laterais, sendo o brasileiro Alex Sandro o mais cotado. A verdade é que o lateral disputou mais partidas em dois anos com o Southampton do que em quatro pelo Manchester.

Ele precisa devolver sua carreira aos trilhos. Entre 2015 e 2017, só esteve com a seleção inglesa em dois momentos, atuando em três partidas. Foi atropelado na corrida para o Mundial de 2018, por Danny Rose e, mais uma vez, por Young — que passara os anos de 2014, 15 e 16 completamente esquecido pelos treinadores ingleses.

Pelo menos, há tempo para Shaw. É ainda muito jovem; seu potencial não foi esquecido. Dizem que depois da tempestade vem a bonança. Certamente é isso a que o lateral aspira.

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