quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Dezembro de 2012, o fim de um campeonato único nos pontos corridos


Em nenhum outro ano o Campeonato Brasileiro reuniu a série de acontecimentos desta última edição. Segundo melhor aproveitamento de um campeão nos pontos corridos (considerando a disputa com 20 equipes); melhor aproveitamento do segundo colocado, junto com a campanha do Grêmio em 2008, aproveitamento superior inclusive ao de alguns dos últimos campeões; desempenho exemplar do campeão da Copa Libertadores da América; campeonato fraco de um clube, o Santos, pela ausência de seu craque, Neymar, servindo a seleção; recorde de manutenção de técnicos; o rebaixamento de um dos grandes; a presença de grandes estrelas do futebol mundial; uma arbitragem em crise. Isto para resumir brevemente o campeonato. Trago uma análise das últimas 38 rodadas da elite do futebol brasileiro.


 A disputa nas cabeças foi acirrada

Atlético Mineiro e Vasco protagonizaram a primeira das lutas pelo título. Entre a quarta rodada e a décima quinta, foram estas as equipes que brigaram nas cabeças, sempre observadas por um time que foi comendo pelas beiradas, o Fluminense. A partir da décima sexta rodada, o Galo passou a brigar com o tricolor carioca. Uma briga que se prolongou até a 35ª rodada e que sofreu, ao final, com a intromissão do Grêmio.  O Vasco caiu drasticamente durante a competição. Chegou a ficar sete rodadas sem saber o que é vencer. Uma série de fatores contribuíram para isso. O desmanche do time, a crise financeira por que passa a equipe, a crise técnica de alguns jogadores, algumas contusões e algumas questões políticas tiraram o Vasco inclusive da disputa pela Libertadores. O Grêmio encaixou um belo meio-campo com Fernando, Souza, Elano e Zé Roberto e ameaçou levar o vice do Atlético. Sob a batuta de Luxemburgo e na iminência do fechamento do Estádio Olímpico o time se uniu à torcida e fez uma bela campanha na reta final. O São Paulo, mesmo dividido com a disputa da Copa Sul-Americana, cresceu imensamente. Com as vindas do zagueiro Rafael Tolói e do técnico Ney Franco e a volta do volante Wellington o clube acordou, mas para título já era tarde. Já Atlético e Fluminense são facilmente simplificados. Foi a disputa do futebol mais bonito do campeonato com o brilhantismo das jogadas de R49 e Bernard contra o pragmatismo e a eficiência do time do artilheiro e craque do campeonato Fred. Contra os grandes o Atlético mostrou sua força, contra os pequenos tropeçou, foi essa a principal diferença entre as equipes.

Um flerte fatal

Não foi só lá em cima que a disputa foi boa. No rebaixamento, todas as equipes entre o 20° e o 9° lugares na classificação final flertaram em algum momento com o rebaixamento. E a briga foi até a rodada final. É verdade que só havia sobrado uma das vagas, mas esta era indesejada por três equipes, Portuguesa, Bahia e Sport. O time de Recife foi-se, abraçando os já rebaixados Palmeiras, campeão da Copa do Brasil, Atlético-GO e Figueirense. Os três últimos foram a cara do desespero o campeonato inteiro. Futebol fraco, falta total de organização, um amontoado de jogadores de baixa qualidade, problemas políticos, no caso do Palmeiras e do Figueirense, que rompeu com o principal investidor da sua equipe o empresário Eduardo Uram. Já o Sport viveu um ano muito conturbado, muitos técnicos trocados e uma alta rotatividade de atletas, mas na parte final do campeonato se acertou com a chegada do técnico Sérgio Guedes e de atletas como o lateral Cicinho e o meia Hugo.  Mas o Campeonato não perdoa, balançou sem se apoiar em nada, cai mesmo.

Surpresas e decepções

Corinthians e Botafogo x Internacional e Santos. O Timão surpreendeu a todos no campeonato. Não se esperava que o campeão da Libertadores fizesse algo no campeonato. Deu prioridade à disputa continental, mas ao seu término, fez grandes jogos no brasileiro, jogou algumas vezes um futebol muito bonito, e se preparou de forma exemplar para a disputa do Mundial no Japão. Provou que é possível jogar bem sem ter grandes ambições no campeonato. O Botafogo não chega a ser uma surpresa pelo bom arsenal de frente que possui (Seedorf, Fellype Gabriel, Andrezinho, Lodeiro, Vítor Junior, Elkeson, Bruno Mendes, etc.). Mas uma equipe com uma defesa tão fraca como a alvinegra pode sofrer muito. Exceção feita ao goleiro Jefferson, a defesa é muito ruim. Laterais fracos, Lucas (uma heresia ter chegado à seleção) e Márcio Azevedo e zagueiros nada confiáveis, Antônio Carlos, Fábio Ferreira, Brinner. Apesar disso Oswaldo de Oliveira, revelou bons valores da base alvinegra e conseguiu levar a equipe, numa campanha irregular a uma boa colocação ao fim do campeonato. Por sua vez Inter e Santos deprimiram seus torcedores. O Santos contratou muitos jogadores jovens e apostas, mas sucumbiu à falta de Neymar. E o Inter, detentor da maior folha salarial do país, com astros como D’alessandro, Forlan e Juan, entre brigas internas, fez um campeonato horrível. Elenco rachado e apostas erradas levaram a equipe colorada a ter como maior feito nesta época (como os portugueses se referem às temporadas) a briga na despedida do Estádio Olímpico do rival Grêmio.

Interferências externas

Farei breve menção à fúnebre qualidade da arbitragem brasileira. O site placarreal.com.br tentou definir como seria o campeonato sem tantos erros de arbitragem. Mas essa não é a melhor solução. Erros eventuais sempre acontecerão, mas nessa temporada ocorreram erros graves em todas as rodadas. Se não há uma “máfia do apito” baseada em teorias da conspiração, é necessário ao menos que um treinamento sério seja dado aos árbitros. O lugar deles, com todo respeito à classe, é serem coadjuvantes, e bons coadjuvantes.




Seleção do Campeonato

Trago em minha mui humilde opinião a seleção do campeonato e sua justificativa.




Goleiro: Diego Cavalieri (Fluminense). Foi o “Fred de luvas”. O que o artilheiro fazia na frente dos goleiros o goleiro fez na frente dos atacantes.



Zagueiro: Réver (Atlético Mineiro). Junto com Leonardo Silva a dupla foi muito segura e ainda marcou muitos gols importantes para o Atlético.

Zagueiro: Leonardo Silva (Atlético Mineiro).

Lateral Direito: Marcos Rocha (Atlético Mineiro). Dentre a falta de opções, o lateral do Galo foi o melhor, tem boa técnica, mas ainda peca na defesa.

Lateral Esquerdo: Carlinhos (Fluminense). Regular como poucos jogadores de todas as posições campeonato.


Volante: Jean (Fluminense). Retomou o grande futebol de temporadas atrás no São Paulo. Foi a consistência do meio tricolor carioca.

Meia: Zé Roberto (Grêmio). Um garoto de 38 anos.


Meia: Ronaldinho Gaúcho (Atlético Mineiro). Craque das artes plásticas, muitos gols e o recorde de assistências do campeonato.

Meia: Bernard (Atlético Mineiro). A revelação do Galo fez de tudo. 11 gols e 11 assistências o credenciam ao lugar nessa seleção.

Atacante: Neymar (Santos). Gênio. 14 gols em 17 jogos. Aplausos dos adversários. Nada mais a declarar.

Atacante: Fred (Fluminense). Artilheiro do Campeonato, líder do campeão, temor dos adversários e craque do campeonato.

Um comentário :

  1. Interessante!Minha seleção também ficaria muito parecida com esta!

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