segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Ferencváros x Ujpést: o grande clássico da Hungria


Continuando a minha busca para entender tudo o que ronda os Clássicos do Mundo, trago hoje a história do maior clássico da Hungria, Ferencváros x Ujpést.




A despeito de serem clubes centenários, a rivalidade entre os Fradi (nome usado em referência ao Ferencváros) e o Lilák (o Ujpést) não é tão remota quanto os próprios clubes. O Ferencváros, maior vencedor do futebol Húngaro, foi fundado em 1889 no nono distrito de Budapeste. Já o rival Ujpést é mais antigo, tendo sido fundado em 1885, na, então existente, cidade de Ujpést.

Mas como entender uma rivalidade de cerca de 60 anos levando em consideração os mais de 110 anos de cada uma das equipes? É preciso contar um pouco da história de cada um dos clubes. Nos primórdios do futebol húngaro, no início de sua era-moderna (a partir de 1901), disputavam nas cabeças o Ferencváros e o MTK Budapest. Estas eram as duas melhores equipes do futebol magiar (húngaro). A situação foi muito parelha durante muitos anos, até que veio o octacampeonato do MTK, o qual acirrou a rivalidade. Nesse momento, o Ferencváros angariou muitos torcedores das classes mais baixas do país, pois o clube nasceu numa região de população muito patriótica, enquanto que o seu grande rival à época, o MTK, consolidou-se como um time da burguesia moradora do centro e alheia ao nacionalismo.

O Ujpést só venceu seu primeiro campeonato na temporada 1929-30. Veio então a Segunda Guerra Mundial. E um pouco por falta de interesse e engajamento político, tanto o Ferencváros quanto o Ujpést passaram ao comando de um grupo de direita, que inclusive apoiou o Nazismo quando ocorreu a invasão germânica em 1944. Nesse momento começou a ruir a rivalidade entre Ferencváros e MTK. 

Considerada uma equipe “indesejável” por sua veia burguesa ligada ao antigo regime o MTK foi dissolvido pelo governo, retomando as suas atividades em 1949, ressuscitado pela polícia secreta, ÁVH, com a instauração do regime comunista, sem, contudo voltar à rotina de conquistas e sendo esquecido.

Mas ainda não é nesse momento que de fato se fortalece a rivalidade entre Ferencváros e Ujpést. Isso porque entre meados das décadas de 40 e 50 surgiu o maior esquadrão Húngaro de todos os tempos. A equipe do Budapeste Hónved comandada por Puskas (foto), Kocsis e Czibor que serviu de base para a fantástica Seleção da Hungria vice-campeã da Copa do Mundo de 1954 e considerada até hoje, junto com as Seleções Holandesa em 1974 e Brasileira de 1982 os perdedores que mais mereceram ganhar uma Copa do Mundo. Esse esquadrão do Honvéd ficou conhecido como “Os Poderosos Magiares”.

Mas infelizmente a equipe durou pouco. Em 1956 a equipe estava nas oitavas de final da Copa Europeia, atual UEFA Champions League, quando aconteceu a Revolução Húngara com a invasão na União Soviética. Os jogadores do clube decidiram não retornar ao seu país. A partida decisiva foi disputada na Bélgica e os craques húngaros foram para outras equipes da Europa.

Nesse momento surgiu de fato a rivalidade entre o Ferencváros e o Ujpést, este já incorporado à cidade de Budapeste em 1950. Após o final da Segunda Guerra Mundial o Ujpést passou a ser conduzido pelo Ministério do Interior no País. Dessa forma conseguiu muitos investimentos e na década de 60 se firmou como segunda força do futebol húngaro. E daí veio a relação de ódio entre os clubes. Com o aumento dos investimentos do Ujpést, a massa da população, opositora do pesado regime instaurado, associou-se ainda mais ao Ferencváros que passou a ser mais do que nunca o clube de preferência nacional.


Mesmo fortemente apoiado pelo povo, o Ferencváros passou por anos de poucas conquistas. E pior, viu o crescimento fantástico do Ujpést. Apesar de ter tido conquistas espaças a equipe nunca voltou a ter anos de fato gloriosos. Na atualidade quem domina o futebol húngaro é o Debrecen com seis conquistas nos últimos 10 anos.

Apesar do momento atual o Ferencváros segue sendo o maior vencedor do país. São 28 títulos nacionais, 20 copas da Hungria e quatro Supercopas. Já o Ujpést tem 20 títulos nacionais, oito copas da Hungria e duas Supercopas.

Da temporada 1957-58 para cá aconteceram 112 jogos, 45 vitórias do Ferencváros, 36 vitórias do Ujpést e 31 empates.

Cabe ainda contar algumas curiosidades. O Ferencváros tem uma relação tão estreita com sua torcida que lhe reservou a camisa 12 da equipe, a qual não é usada. Além dessa a camisa 2 foi “aposentada” também em homenagem ao ex-jogador Tibor Simon que dedicou 14 anos de sua carreira ao clube e foi assassinado em 2002 aos 36 anos. Dentre os jogadores revelados recentemente pelos Fradi o mais famoso é Tozser (foto) que atualmente joga no Genoa. Atualmente a Seleção Húngara possui apenas um jogador dos rivais, o atacante Böde do Ferencváros

Uma última curiosidade fica a cargo de um brasileiro folclórico que passou pelo Ujpést, Túlio Maravilha atuou em 2002 pela equipe. Em seis jogos, seis gols.

Abaixo as atuais escalações das equipes:


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