segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Colo-Colo x Universidad de Chile: o Superclássico do Chile

Na última semana, contei um pouco da história do Derby della Mole, entre Juventus e Torino. Nesta trago histórias do maior clássico do futebol chileno, entre Colo-Colo e Universidad de Chile.




Vem da capital chilena o maior clássico futebolístico do país. Além de ser a maior cidade do Chile, o principal centro urbano, financeiro, cultural e administrativo da nação, Santiago (foto), bela urbe cercada pela Cordilheira dos Andes e destino turístico cada dia mais comum ao público brasileiro, é a casa dos dois maiores clubes do país, Colo-Colo e Universidad de Chile, Albos e Azules, Cacique e León.

O Colo-Colo foi o primeiro dos rivais a ser fundado. Isso se deu em 1925. Nesta ocasião, um grupo de jogadores do Club Deportivo Magallanes, liderados por David Arellano (foto) e insatisfeitos com as más condições de trabalho oferecidas, buscaram os diretores da equipe pleiteando seus direitos, sendo a principal demanda o recebimento de um salário fixo. Negados todos os pedidos, os referidos jogadores se encontraram no bar Quitapenas e, posteriormente, na casa de David e decidiram criar um novo clube para jogarem. Após alguma discussão acerca do nome que a equipe possuiria (Independiente, O’higgins e Arturo Prat foram algumas opções), ficou decidido que o clube se chamaria Colo-Colo, em menção honrosa ao heroi indígena da tribo Mapuche.

A seu tempo, o Club Universidad de Chile foi fundado em 1927, resultado da união forçada entre Club Náutico e Federación Universitaria. Esta se deu em função da necessidade imposta pela Liga Central de Football para incorporá-la à Associação de Futebol de Santiago. Seus fundadores estudavam na Universidad de Chile (foto), com quem o clube guardou relações até 1980, quando o reitor da universidade e então presidente do clube (ambos os cargos designados pelo ditador Augusto Pinochet) optou por desvincular da Universidade o clube de futebol, criando uma entidade de direito privado (a CORCFUCH) para gerir a equipe.

Sendo as duas equipes da capital, a rivalidade se criou em função da disputa pela hegemonia da localidade. Contudo, com o passar do tempo, a disputa se acirrou, afinal as duas equipes passaram a ser as mais bem sucedidas do país. Ou seja, a rivalidade passou a ser pela hegemonia nacional, e não só local.

A primeira vez em que os rivais se enfrentaram foi em 9 de junho de 1935 e teve vitória do Colo-Colo pelo placar de 3x2. Apesar disso, a primeira partida oficial entre as equipes aconteceu apenas em 1938, ocasião em que os Albos do Colo-Colo massacraram os Azules de La U, por 6x0. No total, os rivais estiveram frente a frente em 220 partidas, e a vantagem é dos Caciques. São 96 vitórias do Colo-Colo contra 62 vitórias da Universidad de Chile. Aconteceram ainda 62 empates.

Nos títulos, o abismo entre os rivais é ainda maior. O Colo-Colo é o maior vencedor do Campeonato Chileno e da Copa do Chile. No campeonato, são 29 títulos e na Copa 10. Já a Universidad de Chile conquistou 16 campeonatos nacionais e quatro copas. Há que se considerar ainda que o Colo-Colo nunca foi rebaixado para a segunda divisão do país, já La U não teve a mesma sorte, já tendo frequentado a segunda divisão. 

Ademais, os Caciques já conquistaram a Copa Libertadores da América (foto acima) em uma ocasião (em 1991, sendo o único time chileno a alcançar tal glória) e a Recopa Sul-americana. Já a Universidad de Chile sagrou-se campeã da Copa Sul-Americana de 2011 (foto abaixo).

O clássico é sem dúvida a partida mais acalorada do país. Apesar disso, não são tantos os registros de violência entre torcedores, aqui as brigas mais lembradas aconteceram entre os próprios jogadores, geralmente nascidas de provocações de um dos lados, como um caso acontecido em 1996, quando o jogador Albo Vergara marcou um gol e gritou na cara do goleiro Sergio Vargas; ou em 2005, quando o mesmo se repetiu, desta vez envolvendo dois jogadores conhecidos do futebol brasileiro, o meia Jorge Valdivia (que provocou) e o goleiro Johnny Herrera (que sofreu a provocação).

Voltando o foco aos campos, cabe lembrar alguns jogadores detentores de recordes no clássico. O jogador que mais disputou-o foi o ex-goleiro Cacique Misael Escuti (foto à direita), com 37 partidas disputadas entre 1946 e 1964. Já o maior artilheiro vem dos azules. É o ex-atacante Carlos Sanchez, autor de 16 gols entre 1956 e 1969.

60 jogadores já defenderam ambos os clubes. Os destaques ficam por conta do ex-atacante Leonel Sanchez (foto à esquerda), que defendeu La U entre 1953-1969 e o Colo-Colo entre 1969-1970, sendo o segundo maior artilheiro do clássico com 13 gols, e um dos grandes destaques da atualidade da Universidad de Chile, o meio-campista Charles Aránguiz

Um ponto em que se destacam os dois clubes é a revelação de grandes talentos. Das canteras do Colo-Colo saíram grandes jogadores como Arturo Vidal (foto à esquerda), Jorge Valdivia, o meio-campista Matías Fernandez e o goleiro Cláudio Bravo. 

Já a base da Universidad de Chile revelou o craque Marcelo Salas (foto à direita) e o histórico – e já citado – Leonel Sanchez. As novas apostas da base das equipes são o atacante Juan Ignácio Duma (Universidad de Chile) e o winger Ariel Páez (Colo-Colo).

Alguns brasileiros atuaram pelos clubes, destaques para o meia Marquinhos, formado no Flamengo, para o zagueiro Paulão saído da base do Cruzeiro e com passagem pelo Benfica (pelo lado do Colo-Colo) e para o meia Arílson (foto à esquerda) ex-Grêmio (pela Universidad do Chile). Contudo, os rivais chilenos são mais lembrados pelos jogadores que vieram ao futebol brasileiro do que o contrário.

Exemplos recentes são o volante Maldonado, os meias Valdivia e Fierro, o zagueiro González, o lateral esquerdo Mena (foto à direita), o lateral direito Figueroa e o goleiro Johnny Herrera.

No momento, a liderança do Campeonato Chileno é da Universidad Católica. La U ocupa a 4ª colocação, e o Colo-Colo a 13ª.

Abaixo as escalações atuais das equipes:




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