segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Barcelona x Real Madrid: El Clásico

Iniciado o novo ano, retomamos nossas atividades normais fazendo votos de que 2014 traga ainda mais emoções para nós amantes de Futebol. Este recomeço, traz consigo um término e um início. Hoje falaremos do gigantesco Clássico entre Barcelona e Real Madrid, El Clásico. Termina, ou se interrompe, aqui, a série de textos sobre os grandes Clássicos do Mundo. Ao todo contamos um pouco da história de 40 dos mais importantes dérbis do planeta. A partir da próxima segunda-feira, dedicaremos o dia para trazer ao leitor um especial sobre a Copa do Mundo, contando um pouco das seleções que estarão no Brasil neste ano.



Tido por muitos como o maior clássico do futebol mundial, El Clásico, é, indubitavelmente, o maior clássico da Espanha, e a gigantesca rivalidade que envolve o derby tem sua origem em fatores políticos

O Real Madrid é, historicamente, o time que representa tanto a capital espanhola, Madrid (foto), quando a realeza, que ainda persiste na atualidade. Já o Barcelona, por sua vez, representa a cidade de mesmo nome, segunda maior do país, e a Catalunha, região que pretende sua independência, há tempos.

Fundado oficialmente em 1902, o time Merengue tem suas origens ligadas à introdução do futebol em Madrid, feita, de forma majoritária, por estudantes da Instituición Libre de Enseñanza, alguns deles vindos, inclusive, das universidades inglesas de Oxford e Cambridge, ou seja, vindos do país criador do esporte. 

Leia também: Times de que Gostamos: Real Madrid 2001-2003

Após algumas fusões e divisões, e a partir de uma nova eleição do Conselho – comandada por Juan Padrós –, o Madrid Football Club foi fundado em 1902. Já a ligação com a Coroa Espanhola foi feita em 1920, quando o Rei Afonso XIII (foto) concedeu à equipe o título da realeza, permitindo a adição do nome “Real” ao time e o uso da Coroa no emblema.

Do outro lado da rivalidade, o Barcelona foi  criado em 1899, fruto da vontade do suíço Hans Gamper (que seria mais conhecido como Joan Gamper - foto). Em 1898, o helvético viajou para Barcelona a fim de visitar seu primo e apaixonou-se pela cidade. Lá, conseguiu trabalho na companhia ferroviária da cidade e desempenhou a função de colunista esportivo para dois jornais suíços. Estabelecido na cidade, ajudou na fundação da revista Los Deportes, a qual foi crucial para a fundação do Barça.
Bandeira da Catalunha, um
dos principais símbolos da região.

Ocorre que, em 1899, Joan decidiu que queria fundar uma equipe de futebol na cidade e anunciou sua intenção na revista. Com resposta extremamente positiva, onze jogadores apareceram e, em reunião no Gimnasio Solé, fundaram o Barcelona, que cresceu e se desenvolveu como um grande defensor da independência da Catalunha.

Esse é o quadro da rivalidade entre Merengues e Blaugranos: uma disputa entre os unificadores da Espanha, representados pelo clube da capital nacional, o Real Madrid, e uma das regiões de tendência separatista mais forte na Espanha, a Catalunha, representada pelo clube de sua capital, o Barcelona.

Zidane custou cerca de 75M
Evidentemente, com o passar do tempo, a rivalidade ganhou novos fatores. E um dos mais fortes é a diferença de estilo de jogo e postura de trabalho apresentados pelos clubes. Os culés, do Barcelona, firmaram-se historicamente como um clube formador, e não é de hoje que o clube mantém em seu elenco um grande número de jogadores formados em suas canteras. Em contraponto, o  Madrid sempre teve uma postura “gastadora” preterindo, muitas vezes, os jogadores criados em sua própria categoria de base.

Confira também: Times de que Gostamos: Barcelona 2010-2011

Outro fator que contribuiu para o agigantamento do derby foi a polarização que ocorreu no futebol espanhol com o passar dos anos e que é cada vez mais flagrante. Barcelona e Real Madrid são, disparadamente, os times de maior sucesso no país e essa disputa certamente fomenta a grande tensão vista nos encontros entre os rivais.

Real Madrid campeão da UEFA Champions League em 2002 - Em pé: César, Hierro, Helguera, Solari, Figo, Zidane. Agachados: Makelele, Michel Salgado, Roberto Carlos, Raúl e Morientes.

Aqui, é necessário ressaltar a superioridade do Real Madrid que venceu o Campeonato Espanhol 32 vezes, a Copa del Rey 18 vezes, a Supercopa da Espanha nove vezes, a UEFA Champions League nove vezes, a Copa da UEFA duas vezes, a Supercopa da UEFA uma vez e o Mundial de Clubes três vezes. Já o Barcelona sagrou-se campeão espanhol 22 vezes, da Copa del Rey 26 vezes, da Supercopa da Espanha 11 vezes, da UEFA Champions League quatro vezes, da Copa da UEFA quatro vezes e do Mundial de Clubes duas vezes.

Barcelona campeão da UEFA Champions League em 2006 - Em pé: Ronaldinho, Oleguer, Larsson, van Bommel, Eto'o e Victor Valdés. Agachados: van Bronckhorst, Iniesta, Belletti, Deco e Puyol.

Os rivais se enfrentaram 226 vezes, tendo sido o Real Madrid vencedor em 90 partidas, o Barcelona em 88, havendo, ainda, 48 empates. A equipe Catalã venceu tanto a primeira quanto a última partida entre os clubes. Em 13 de maio de 1902, o placar foi 3x1, já em 26 de outubro de 2013 os blaugranos venceram por 2x1, ocasião em que o brasileiro Neymar se destacou muito.

Cena de um dos últimos clássicos.

Por mais que a rivalidade seja cercada por fatores políticos, disputas de título e diferenças de estilo de jogo e gestão, há um fato na história que mudou para sempre a relação entre os rivais. O ano era 1953 e os dois clubes disputavam a contratação do craque Alfredo Di Stéfano (foto).

Após alguma controvérsia entre os rivais, o Millonários (onde jogava) e o River Plate (dono de seu passe), o craque acertou com o Barcelona, mas, ao chegar a Espanha para acertar os últimos detalhes de seu contrato, o presidente do Real Madrid, Santiago Bernabéu, convenceu-o a mudar-se para Madrid. Não obstante, a controvérsia não parou por aí. 

Obviamente, o Barcelona ficou insatisfeito com o desfecho do negócio, e, após muita discussão (envolvendo os clubes, a Liga e até a FIFA), ficou decidido que o argentino iria para a Espanha com um contrato de 4 anos e atuaria metade desse período por cada um dos clubes. O Barça não aceitou a condição e Di Stéfano fez história no Real Madrid.

Ao todo, 33 atletas jogaram nos dois clubes. Destes, dois destacam-se como verdadeiros “Judas” para as torcidas dos clubes onde jogaram primeiramente. O primeiro foi Luis Enrique, um dos grandes destaques do futebol espanhol na década de 90, que atuou pelo Real Madrid entre 1991 e 1996 e pelo Barcelona entre 1996 e 2004. Detalhe importante: o jogador chegou à Barcelona sem custos. 

O outro nome importante é o do português Luís Figo, que defendeu os Blaugranos entre 1995 e 2000 (foto à direita) e os Merengues entre 2000 e 2005 (foto à esquerda), mas, nesse caso, as cifras envolvidas na negociação foram milionárias, cerca de €60M.

Curiosamente os dois maiores artilheiros de El Clásico são argentinos, Di Stéfano e Lionel Messi, ambos com 18 gols, por Real Madrid e Barcelona, respectivamente. Já os dois jogadores que mais vezes atuaram no confronto representaram o Madrid: Manuel Sanchís (foto), com 43 partidas, e Francisco Gento com 42. Do lado Azulgrana o mais assíduo é o meio-campo Xavi Hernández, que contabiliza 39 jogos e está próximo de se tornar o recordista máximo.

Outro dado que merece menção é o percentual de espanhóis que torcem para os dois clubes. Segundo pesquisa do Centro de Investigaciones Sociológicas, feita em 2007, o Real Madrid tem a preferência de 32% dos torcedores do país, contra 25% do Barcelona. O terceiro colocado é o Valência com 5%.

Dois fatos recentes merecem, ainda, atenção. Em 2002, Barcelona e Real Madrid se encontraram nas semifinais da UEFA Champions League, e deu Madrid no placar agregado, 3x1 (foto). Na final os Merengues bateram o Bayer Leverkusen. O outro fato, aconteceu em 2005 quando o Barcelona impôs 3x0 ao Real Madrid em pleno Estádio Santiago Bernabéu (casa dos madrilenhos) e Ronaldinho Gaúcho foi aplaudido de pé pelos torcedores rivais, fato que só havia acontecido anteriormente com o craque Diego Armando Maradona.

Falando em craques é vital rememorar alguns dos vários jogadores fantásticos que passaram pelos clubes. Em sua história, o Barcelona contou com os préstimos dos fantásticos Laszlo Kubala, Johan Cruyff (foto), Michael Laudrup, Hristo Stoichkov, Gheorghe Hagi, Romário, Maradona, Johan Neeskeens, Rivaldo, dentre outros. Já o Real Madrid teve Di Stéfano, Didi, Raúl González, Ferenc Puskas, Fernando Redondo, Roberto Carlos, Clarence Seedorf, Zinedine Zidane, dentre outros. Isso sem contar os jogadores geniais que passaram pelos dois clubes, como os brasileiros Evaristo de Macedo e Ronaldo.

Já que falamos em brasileiros, é preciso lembar que muitos deles fizeram parte dos elencos dos rivais. Do lado Merengue, passaram pelo elenco principal Canário, Cicinho, Didi, Emerson, Evaristo, Fernando, Flávio Conceição, Júlio Baptista, Júlio César, Kaká, Ricardo Rocha, Roberto Carlos, Robinho, Ronaldo, Sávio, Vítor e Zé Roberto. Atualmente, o clube tem os brasileiros Casemiro e Marcelo.

Já o Barça teve os brasileiros Aloísio, Belletti, Bio, Edmilson, Evaristo, Fábio Rochemback, Fausto, Geovanni, Giovanni, Henrique, Keirrison, Lucio da Silva, Marinho Peres, Maxwell, Rafinha Alcântara, Rivaldo, Roberto Dinamite, Romário, Ronaldinho, Ronaldo, Silva, Sonny Anderson, Sylvinho e Vasconcelos. No elenco atual estão Adriano, Daniel Alves e Neymar.

O Barcelona é o atual campeão espanhol e também lidera a liga nesta temporada, ao lado do Atlético de Madrid. O Real Madrid foi o último vice-campeão, é atualmente o terceiro e, no momento, a rivalidade também traduz-se na disputa pessoal de Cristiano Ronaldo e Lionel Messi pelo posto de melhor jogador do mundo.

Abaixo as atuais escalações das equipes: 





              

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