segunda-feira, 24 de março de 2014

Elas vêm aí: Gana e Grécia

Na última semana falei dos selecionados Norte-Americano e Francês, dos craques Landon Donovan e Franck Ribery, respectivamente. Nesta, apresento um pouquinho do que os ganeses e os gregos trarão de melhor à Copa do Mundo.




GANA

Time base: Kwarasey (Dauda); Inkoom (Opare), Boye, Mensah (Akaminko), Afful; Essien, Muntari, Asamoah, Kevin-Prince Boateng (C. Atsu/A. Ayew); Waris e Gyan (J. Ayew). Téc. Kwesi Appiah

Grupo: G. Com Alemanha, EUA e Portugal.

Expectativa: Pode surpreender e avançar às oitavas de finais.

Histórico: Disputou as Copas de 2006 e 2010. 7ª colocada no último mundial.

Fortalecida pelo retorno de jogadores importantíssimos, casos de Michael Essien, Kevin-Prince Boateng e dos irmãos André e Jordan Ayew – que haviam abdicado de atuar pela seleção –, o escrete ganesa tem a chance de repetir o ótimo desempenho de 2010, quando foi o sétimo colocado no mundial da África do Sul.
Em 2010, Gana ficou "por uma mão"
de chegar às semifinais
Nas duas Copas em que esteve, Gana foi além da fase de grupos. Apesar disso, na que se aproxima, caiu num grupo muito difícil, com o favoritismo absoluto da seleção alemã e uma suposta superioridade de Portugal, afinal o país conta com a grande fase do melhor jogador do mundo - Cristiano Ronaldo - assim, é difícil fazer quaisquer previsões sobre o desempenho das Black Stars no torneio.

No gol, reside a primeira indefinição da seleção africana. Adam Kwarasey, do Stromsgodset, da Noruega e Fatau Dauda do Orlando Pirates disputam a titularidade. O primeiro foi o preferido nos últimos amistosos, ao passo que o segundo atuou nas partidas decisivas das eliminatórias, as quais garantiram a classificação ganesa à Copa. Já a vaga de terceiro goleiro da equipe está entre Stephen Adams, do Aduana Stars – de Gana – e Brimah Razak do Córdoba, da terceira divisão da Espanha. O gol é um dos pontos fracos da equipe.

A lateral direita é outra posição em que há dúvida. Samuel Inkoom, que esteve na última Copa do Mundo e defende o Platanias da Gécia, e Daniel Opare, ex-jogador do Real Madrid Castilla e atualmente no Standard Liége, disputam a posição. O segundo pode também atuar também pela lateral esquerda, como aconteceu na vitória por 6x1 contra o Egito, na última fase de eliminatórias para a Copa do Mundo. Já a titularidade do lado esquerdo deve ser de Harrison Afful, do Esperance da Tunísia.

A dupla de zaga deverá ser formada por John Boye e Jonathan Mensah, jogadores de Rennes e Evian, respectivamente. Tecnicamente fracos e, grande parte das vezes, reservas em suas equipes, devem chegar ao Brasil sem ritmo de jogo e são certeza de sustos aos torcedores. Quem pode ganhar uma das vagas é Jerry Akaminko, atleta do Eskisehirspor da Turquia. Este é, ao menos, titular em sua equipe.

Última escalação de Gana
O meio-campo, setor mais poderoso da equipe, tem um bom leque de opções. A contenção conta com a qualidade técnica dos experientes Michael Essien – que, apesar de não ser mais o grande jogador de anos atrás, ainda tem bom valor – e Sulley Muntari, ambos jogadores do Milan. Outra possibilidade para esse setor é Emmanuel Badu, jogador da Udinese, que traria mais vitalidade ao setor combativo do meio-campo.

Mais à frente, Kwadwo Asamoah, da Juventus e Kevin-Prince Boateng, do Schalke 04, devem ser os construtores do jogo ganês. O primeiro possui boa habilidade e muita velocidade, sendo uma boa válvula de escape pelo lado esquerdo. Já Boateng, com seu retorno à seleção, deve retomar a titularidade, afirmando-se como o cérebro da equipe. Força, aproximação com o ataque e ótima técnica fazem dele o jogador mais interessante do selecionado. 

Concorrem por uma vaga de titular no meio-campo o jovem velocista Christian Atsu, que pertence ao Chelsea e está emprestado ao Vitesse, e André Ayew, filho de Abedi Pelé, que atua, geralmente, pelo lado esquerdo do ataque.

Na frente, têm jogado o rápido e habilidoso Majeed Waris e o matador e capitão Asamoah Gyan, que tem, pela seleção, 30 gols e 10 assistências em 64 jogos. Waris, de 22 anos, atua no Valenciennes mas pertence ao Spartak Moscow, já Gyan defende o Al-Ain. A principal alternativa aos dois é Jordan Ayew, irmão de André e que está emprestado pelo Olympique de Marselha ao Sochaux.

Com o meio-campo e o ataque compensando a fragilidade defensiva da seleção ganesa, é totalmente pertinente pensar que os africanos podem ser uma das surpresas positivas da competição. Com uma mescla de jogadores experientes e vitoriosos com outros muito jovens, a seleção pode dar liga. Quem sabe não surpreende como em 2010?




















GRÉCIA

Time base: Karnezis; Torosidis, Sokratis, Siovas (Manolas/Papadopoulos), Holebas; Katsouranis, Tziolis (Karagounis), Maniatis (Kone); Salpingidis, Samaras e Mitroglou. Téc. Fernando Santos

Grupo: C. Com Colômbia, Costa do Marfim e Japão.

Expectativa: Pode avançar às oitavas de finais.

Histórico: Foi às Copas de 1994 e 2010. 25ª colocada no último mundial.

Seleção conhecida pelo seu pragmatismo, jogando, na maior parte das vezes, futebol esteticamente feio, a Grécia conseguiu pela primeira vez em sua história se classificar para duas Copas do Mundo consecutivas.
Em 1994 os gregos disputaram sua primeira
Copa do Mundo.

Com uma equipe experiente e num grupo extremamente equilibrado, os gregos tem a chance de, pela primeira vez em sua história, avançar às oitavas de finais da Copa do Mundo. Contando com a boa fase do artilheiro Konstantinos Mitroglou, autor de 24 gols em 27 jogos na temporada, a equipe tem consistência tática para bater de frente contra qualquer de suas rivais na fase de grupos.

A meta grega deverá ser defendida pelo arqueiro Orestis Karnezis, que pertence à Udinese e está emprestado ao Granada. Aos 28 anos, e com passagem destacada pelo Panathinaikos, é reserva em seu clube, tendo disputado, apenas seis jogos nesta temporada. Seus concorrentes à posição são Alexandros Tzorvas, Panagiotis Glykos, Michalis Sifakis e Stefanos Kapino. Destes, Tzorvas e Sifakis são os que mais defenderam a seleção, e são, por isso, os principais candidatos à reserva na Copa do Mundo.

As laterais estão definidas. Pelo lado direito a titularidade será de Vasilis Torosidis, reserva de Maicon na Roma. Apesar de não ser nenhum craque, é muito eficiente e versátil. Comumente chega à linha de fundo e marca seus golzinhos. Na temporada anotou dois gols e deu duas assistências. Pode atuar na lateral esquerda e também na meia direita. Pelo flanco canhoto atuará José Holebas, do Olympiacos. Bom no ataque e fraco na defesa é uma boa arma de ataque da defesa, mas também pode ser um vilão, deixando muitos espaços no setor defensivo.

Embora não tenha grande qualidade técnica, a dupla de zaga grega é segura. Sokratis Papastathopoulos, defensor do Borussia Dortmund, é titular absoluto da seleção. Firme na marcação e bom no jogo aéreo é a principal referência da defesa helênica. Seu companheiro mais frequente é Dimitros Siovas do Olympiacos. Canhoto e dono de respeitáveis 1,92m, se dá melhor com a bola pelo alto do que pelo chão. As outras opções, Konstantinos Manolas e Avraam Papadopoulos, são melhores tecnicamente que Siovas, contudo tem alguns pontos contra sua escalação. Manolas ainda é muito jovem – tem 22 anos – e pode sentir o peso de uma Copa do Mundo. Já Papadopoulos vem de uma lesão no ligamento cruzado.

Última escalação da Grécia
O meio-campo demonstra o porque de a seleção grega ser tão burocrática e jogar um jogo “feio”. O interminável Konstantinos Katsouranis e seus companheiros – Giannis Maniatis e Alexandros Tziolis – são todos volantes de contenção. Seu jogo é muito mais ligado à destruição das jogadas adversárias do que à criação de jogadas de ataque, o que deixa a equipe muito pouco criativa. Dois jogadores que podem melhorar esse aspecto da equipe são o “ancião” Georgios Karagounis, de 37 anos, e Panagiotis Kone, meio-campista do Bologna, atletas de características ofensivas.

O ataque, composto por três jogadores, terá a presença de Dimitros Salpingidis pelo lado direito, Georgios Samaras pelo lado esquerdo e Mitroglou no centro. Salpingidis, o mais habilidoso dos três é quem tem mais facilidade para circular pelo ataque e criar chances concretas de gol. O grandalhão Samaras exerce, muitas vezes, a chamada “função tática”, ajudando a impedir os ataques adversários no seu lado. Apesar disso, possui boa técnica, bom faro de gol e muita disposição. Já Mitroglou, recém-transferido para o Fulham, é quem possui a atribuição de marcar gols, o que tem feito muito bem. Sua excelente capacidade de finalização e bom posicionamento, são seus principais trunfos.

Com um atacante em excelente fase e uma equipe bem postada a Grécia pode conseguir a inédita passagem de fase. Seu grupo, apesar da teórica superioridade da Colômbia, é muito imprevisível e todas as equipes tem possibilidades.


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