quarta-feira, 26 de março de 2014

Times de que Gostamos: Braga 2010-2011

Depois de lembrar a melhor Lazio de todos os tempos, trato de um time que evoluiu muito nos últimos 10 anos e que chegou perto de viver sua melhor temporada da história em 2010-2011, o Braga.


Em pé: Artur Moraes, Paulão, Alberto Rodríguez, Miguel García, Custódio, Vandinho.
Agachados: Paulo César, Alan, Sílvio, Lima e Hugo Viana.


Time: SC Braga

Período: 2010-2011

Time base: Artur Moraes (Felipe); Silvio, Paulão, Alberto Rodríguez, Elderson; Vandinho (Custódio), Leandro Salino, Hugo Viana (Márcio Mossoró); Alan, Lima, Matheus (Paulo César). Téc. Domingos Paciência

Conquista: Nenhuma

Portugal, o país que tem tradicionalmente três forças no futebol – Benfica, Porto e Sporting –, passou a conviver com uma espécie de “quarta força” nos últimos 10 anos: o Braga, da cidade de igual nome. Garimpando nomes desconhecidos (ou pouco conhecidos) do futebol brasileiro e completando a equipe com alguns jogadores locais, o time começou a mostrar suas garras na temporada 2009-2010, quando foi vice-campeã portuguesa, ficando atrás do Benfica.

Apesar disso, foi na temporada 2010-2011 que a equipe chegou perto de viver sua melhor temporada da história. Conquanto não tenha ido tão bem no Campeonato Nacional – terminando em quarto lugar –, os bracarenses nunca se esquecerão da excelente campanha do clube na Liga Europa, em que chegou à final e perdeu para o Porto, de Falcao García.

A equipe lusa também viveu bons momentos na UEFA Champions League (apesar de ter sofrido derrota acachapante para o Arsenal em Londres, 6x0). Na fase preliminar, eliminou um forte Sevilla, na Espanha, e na, fase de grupos, embora não tenha ido adiante, venceu o Arsenal em sua casa. Muito “arrumadinho” taticamente, o time de Domingos Paciência será sempre lembrado pela ótima temporada, uma das melhores da história do clube.

No início da temporada, o gol do Braga foi defendido pelo goleiro Felipe, hoje no Flamengo. Mal tecnicamente e lesionado em parte do tempo, bateu um recorde negativo da equipe, sofrendo 11 gols em três jogos e foi para a reserva. Quem assumiu o posto foi Artur Moraes (foto), ex-Cruzeiro e Roma. E o arqueiro deu conta do recado, arrumando a defesa bracarense e destacando-se com defesas de grandes reflexos. Sua grande performance o levou ao Benfica na temporada seguinte.

A dupla de zaga, rebatedora, foi formada na maior parte das vezes pelo brasileiro Paulão, formado no Atlético Mineiro e hoje no Real Betis, e pelo peruano Alberto Rodríguez (foto). Ainda que não fosse uma defesa tecnicamente forte, fazendo o simples e sendo eficiente na bola aérea, a dupla se destacou. Prova disso foram suas transferências posteriores. Outro zagueiro que muito atuou na temporada foi o brasileiro Moisés, ex-Cruzeiro e Flamengo, o qual, tendo características semelhantes às de seu titulares, não comprometia.

Nas laterais os titulares eram o português Sílvio (foto), pela direita, e o nigeriano Elderson pela esquerda. Ofensivos, os alas eram ótimas opções na saída de bola e início da criação ofensiva da equipe da região do Minho. Outra alternativa muito utilizada por Paciência foi a opção por Sílvio na lateral esquerda, com a entrada do português Miguel García pela direita.

A meia-cancha, tinha um volante de contenção fixo à frente da área e dois meio-campistas centrais à frente, ditando o ritmo da equipe. Vandinho (foto), o capitão da equipe, era o cão de guarda à frente da defesa. Com excelente senso de marcação e boa saída de bola, o brasileiro, que foi formado no Internacional, se tornou ídolo da equipe, defendendo-a em 213 partidas. Na sua ausência, atuou o português Custódio, formado no Sporting CP e também muito forte na marcação.

Movimentando o meio-campo, a equipe contou com o multifuncional Leandro Salino (acima na foto), ex-Ipatinga e Flamengo, e com o excelente armador português Hugo Viana (abaixo na foto). O brasileiro dava movimentação à equipe, circulando por toda a faixa central do campo. Já o luso foi o principal criador do time. Seu bom passe, tanto curto quanto longo, e sua qualidade na bola parada foram grandes trunfos da equipe. Quem também atuou nessa função foi Márcio Mossoró, craque do Paulista de Jundiaí campeão da Copa do Brasil em 2005.

O ataque contou com três peças de diferentes características. Pela direita, a arma da equipe foi o brasileiro Alan (à direita da foto). Velocíssimo e com muita facilidade em buscar a bola no meio-campo e conduzi-la ao ataque, foi um dos melhores jogadores da equipe na temporada. Do outro lado, o destaque também era brasileiro. Matheus, hoje no Dnipro da Ucrânia, era também muito veloz, mas, diferentemente de Alan, agregava mais ofensividade à equipe, sendo mais contundente e agudo. Já Lima (à esquerda da foto), atualmente no Benfica, era o matador, o “homem gol”. 

Quem atuou muitas vezes neste ataque foi o também brasileiro Paulo César, que, quando estava em campo, revezava-se na função de centroavante com Lima.

Além do competente treinador Domingos Paciência (foto), o banco de reservas contou com algumas peças de qualidade. Na primeira metade da temporada, o clube contou com o uruguaio cerebral Luis Aguiar, que, embora já não vivesse grandes dias, tinha muito talento. Além dele, jogadores como o volante Andrés Madrid, o meia-atacante Hélder Barbosa e os centroavantes Meyong e Élton (ex-Vasco) compunham com qualidade o elenco bracarense.



Ficha técnica de jogos importantes nesse período:

Play-off de classificação para a UEFA Champions League: Sevilla 3x4 Braga

Estádio Ramón Sánchez Pizjuán, Sevilla

Árbitro: Nicola Rizzoli

Público 31.350

Gols:  ’31 Matheus, ’58 ’85 ’90 Lima (Braga); ’60 Luis Fabiano, ’84 Jesús Navas e ’90 Kanouté (Sevilla)

Sevilla: Palop; Konko (José Carlos), Fazio, Escudé, Dabo (Álvaro Negredo); Zokora, Cigarini (Renato), Jesús Navas, Diego Perotti; Luis Fabiano e Kanouté. Téc. Álvarez

Braga: Felipe; Sílvio, Moisés, Alberto Rodríguez, Elderson; Vandinho, Leandro Salino, Luís Aguiar (Lima); Alan, Paulo César (Paulão), Matheus (Élton). Téc. Domingos Paciência

Fase de Grupos da UEFA Champions League: Braga 2x0 Arsenal

Estádio AXA, Braga

Árbitro: Viktor Kassai

Público 14.809

Gols: ’83 e ’90 Matheus (Braga)

Braga: Felipe; Miguel García, Moisés, Alberto Rodríguez, Elderson; Vandinho (Hugo Viana), Leandro Salino, Luís Aguiar (Andrés Madrid); Alan, Lima (Élton), Matheus. Téc. Domingos Paciência

Arsenal: Fabianski; Eboué, Squillaci, Djourou, Gibbs; Denilson, Wilshere, Fabregas (Nasri), Rosicky; Walcott (Vela) e Bendtner (Chamakh). Téc. Arsène Wenger

Semifinal da Liga Europa: Braga 1x0 Benfica

Estádio AXA, Braga

Árbitro: Martin Atkinson

Público 25.384

Gol: ’19 Custódio (Braga)

Braga: Artur Moraes; Miguel García, Paulão, Alberto Rodríguez, Sílvio; Custódio, Hugo Viana, Márcio Mossoró (Kaká); Alan, Lima (Leandro Salino), Meyong (Hélder Barbosa). Téc. Domingos Paciência

Benfica: Roberto; Maxi Pereira, Luisão, Jardel, Fábio Coentrão; Javi García, César Peixoto (F.Jara), Carlos Martins (A. Kardec) , Nico Gaitán; Saviola (F. Menezes) e Cardozo. Téc. Jorge Jesus

Final da Liga Europa: Porto 1x0 Braga

Estádio Aviva, Dublin

Árbitro: Carlos Velasco Carballo

Público 45.391

Gol’44 Falcao García (Porto)

Porto: Hélton; Sapunaru, Rolando, Otamendi, A. Pereira; Fernando, Guarín (Belluschi), João Moutinho; Hulk, Falcao, Varela (James Rodríguez). Téc. André Villas-Boas


Braga: Artur Moraes; Miguel García, Paulão, Alberto Rodríguez (Kaká), Sílvio; Vandinho, Custódio, Hugo Viana (Márcio Mossoró); Alan, Lima (Meyong), Paulo César. Téc. Domingos Paciência 

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