quarta-feira, 30 de abril de 2014

Times de que Gostamos: Barcelona 2010-2011

Depois de lembrar do grande Everton da temporada 1984-1985, que contou com grandes jogadores como o goleiro Southall e o atacante Andy Gray, trato do fantástico Barcelona da temporada 2010-2011, o time que praticou com a máxima eficiência as ideias do treinador Guardiola.


Em pé: Messi, Abidal, Pedro, Busquets, Piqué e Valdés.
Agachados: Daniel Alves, Iniesta, Villa, Xavi e Puyol.


Time: Barcelona

Período: 2010-2011

Time base: Valdés; Daniel Alves, Puyol, Piqué, Abidal; Busquets, Xavi, Iniesta; Pedro, Messi e Villa. Téc. Pep Guardiola.

Conquistas: Campeonato Espanhol, Supercopa da Espanha e UEFA Champions League.


Um time revolucionário. Como a Hungria de Gustzáv Sebes e a Holanda de Rinus Michels, o time do Barcelona da temporada 2010-2011 queria jogar o Futebol Total (Totaalvoetbal). Domínio do jogo, posse de bola, precisão dos passes, movimentação e inversões de posições caracterizaram estas equipes e Pep Guardiola, que foi pupilo de Johan Cruyff, que foi pupilo de Michels, queria isso para seu time.

O antigo camisa 4 do clube catalão retornou à equipe, na condição de treinador do time principal (antes havia treinado o Barcelona B), em 2008 e de cara abriu mão de duas de suas maiores estrelas. Ronaldinho Gaúcho e Deco viram a porta dos fundos se abrir e deixaram o clube. Samuel Eto’o, outro que fora inicialmente preterido, permaneceu por mais uma temporada. Aquele time, que tinha ainda o craque francês Thierry Henry, era fantástico e conquistou tudo o que era possível, mas não tinha a cara de Guardiola. O mesmo pode ser dito da temporada sequente, quando o sueco Zlatan Ibrahimovic chegou em negociação que envolveu a ida de Eto’o para a Inter de Milão.

Foi em 2010-2011, com a chegada de David Villa, que o clube alcançou o ponto ideal para o treinador. Renascia ali o “falso 9”, algo que os húngaros já utilizavam em 1954, por intermédio de Nándor Hidegkuti, e os holandeses de 1974 também, com Cruyff. Messi, o escolhido, começara a jogar na posição que consagraria. O que o argentino, Xavi e Iniesta jogaram nesta temporada foi algo inimaginável. O Barça foi total e para a temporada também ser faltou, apenas, o título da Copa do Rei. Independentemente disso, este time será sempre lembrado pela revolução que provocou.

No gol havia a presença do goleiro Victor Valdés (foto). Contestado por grande parte da crítica mundial, que entende que um time como o Barcelona merece um goleiro melhor, é cria do clube, tem identificação com o que o clube representa (até mesmo em termos políticos), é um bom goleiro e conseguiu se adaptar ao que Guardiola desejava. Valdés participava do jogo, recebendo muitas bolas recuadas e conseguindo trabalhar decentemente com os pés. Para muitos o ponto fraco do time, era importante para a composição da equipe e a aplicação do estilo de jogo desejado.

Os laterais do time, Daniel Alves (foto, à direita) pela direita e Eric Abidal (foto, à esquerda) pela esquerda, tinham funções diferentes no time. O brasileiro possuía enorme liberdade para avançar e quando o fazia, Abidal, cujas funções eram mais restritas à defesa, recuava, formando uma linha de três zagueiros com Carles Puyol e Gerard Piqué e mantendo, assim, o balanço do setor. Dani foi também uma das principais válvulas de escape do time, iniciando a construção ofensiva da equipe com frequência e eficiência.
A dupla de zagueiros, formada por Puyol e Piqué, também se enquadrou no estilo de jogo do time. Com boa capacidade técnica, os dois participavam muito do jogo e o time não tinha qualquer receio de recuar a bola para os dois. O principal problema do setor – que perdura até hoje – eram as bolas altas que sempre causavam dificuldades.


Fazendo importante papel à frente da defesa, outro canterano foi muito importante para o balanço da equipe. Sergio Busquets, jogador muito contestado, trouxe ao Barça uma boa combinação de imposição física, bom posicionamento e qualidade de passe. Evidentemente, que estava longe de ter a capacidade de gerir o jogo, mas foi muito importante para a formatação tática do time. Logo à frente dele, havia as sublimes presenças de Xavi (foto, à esquerda) e Andrés Iniesta (foto, à direita). 

O primeiro era quem ditava o ritmo do time. Excepcional passador, dono de ampla visão de jogo e capacidade de fazer o time se movimentar, foi o motor do time. Já Iniesta, até guarda algumas semelhanças com Xavi, como o bom passe, mas seus trunfos são a habilidade ímpar e a intensa movimentação. Craque.

Contestado, Pedro Rodríguez se firmou na equipe nesta temporada. Com habilidade considerável, velocidade, faro de gol apurado e muita movimentação, foi peça muito importante na criação do “falso 9”. Se Messi pôde ter liberdade para circular por todo o ataque, muito se deveu a dedicação de Pedrito que não raro trocava de posição com o gênio argentino. 

Outra surpresa foi a posição desempenhada por David Villa. Depois de ter Samuel Eto’o, Zlatan Ibrahimovic e Thierry Henry, esperava-se que Villa atuasse como centroavante. Contudo, o espanhol fixou-se no lado esquerdo do ataque, marcou muitos gols e contrariando aqueles que diziam que tinha problemas pessoais com Messi (foto), fez excepcional dupla com Lionel.

E havia Messi. Driblador e decisivo. Solidário e individualista. Sobretudo letal. Na temporada, o argentino marcou 57 gols e proveu 34 assistências. 12 destes tentos na UEFA Champions League. No time que melhor executou a proposta de Guardiola (foto), Messi foi o protagonista da peça.

Havia, ainda, no banco de reservas, além do revolucionário treinador, ótimos jogadores. Para a zaga e o meio-campo Javier Mascherano. Para a lateral esquerda Adriano e Maxwell. Como opção de meio-campo o volante malinês Seydou Keita e para o ataque os móveis Ibrahim Afellay e Bojan Krkic. Um selecionado para ficar para a história. 

Ficha técnica de alguns jogos importantes nesse período:

Final da Supercopa da Espanha: Barcelona 4x0 Sevilla

Estádio Camp Nou, Barcelona

Árbitro: Fernando Teixeira Vitienes

Público 67.414

Gols: ’14 Konko (contra), ’25, ’43 e ’90 Messi (Barcelona)

Barcelona: Valdés; Daniel Alves, Piqué, Abidal, Maxwell; Busquets, Keyta, Xavi (Adriano); Pedro (Villa), Messi, Bojan (Iniesta). Téc. Guardiola

Sevilla: Palop; Konko, Navarro, Escudé, Dabo; Zokora, Romaric (Cigarini), Alfaro (Perotti), Jesús Navas, Diego Capel (Luis Fabiano); Álvaro Negredo. Téc. Álvarez

13ª rodada do Campeonato Espanhol: Barcelona 5x0 Real Madrid

Estádio Camp Nou, Barcelona

Árbitro: Eduardo Iturralde González

Público 98.772

Gols: ’10 Xavi, ’18 Pedro, ’55 e ’58 Villa e ’90 Jeffrén (Barcelona)

Barcelona: Valdés; Daniel Alves, Puyol, Piqué, Abidal; Busquets, Xavi (Keyta), Iniesta; Pedro (Jeffrén), Messi e Villa (Bojan). Téc. Guardiola

Real Madrid: Casillas; Sergio Ramos, Ricardo Carvalho, Pepe, Marcelo (Arbeloa); Xabi Alonso, Khedira; Di María, Özil (L. Diarra), Cristiano Ronaldo; Benzema. Téc. José Mourinho

Semifinal da UEFA Champions League: Real Madrid 0x2 Barcelona

Estádio Santiago Bernabéu, Madrid

Árbitro: Wolfgang Stark

Público 71.567

Gols: ’76 e ’87 Messi (Barcelona)

Real Madrid: Casillas; Arbeloa, Albiol, Pepe, Sergio Ramos, Marcelo; Xabi Alonso, L. Diarra; Di María, Özil (Adebayor) e Cristiano Ronaldo. Téc. José Mourinho

Barcelona: Valdés; Daniel Alves, Piqué, Mascherano, Puyol; Busquets, Keita, Xavi; Pedro (Afellay), Messi, Villa (Sergi Roberto). Téc. Guardiola

Final da UEFA Champions League: Barcelona 3x1 Manchester United

Estádio Wembley, Londres

Árbitro: Viktor Kassai

Público 87.695

Gols: ’27 Pedro, ’54 Messi e ’70 Villa (Barcelona); ’34 Rooney (Manchester United)

Barcelona: Valdés; Daniel Alves (Puyol), Piqué, Mascherano, Abidal; Busquets, Xavi, Iniesta; Pedro (Afellay), Messi e Villa (Keyta). Téc. Guardiola

Manchester United: van der Sar; Fábio (Nani), Ferdinand, Vidic, Evra; Carrick (Scholes), Park, Valencia, Giggs; Rooney e Chicharito. Téc. Alex Ferguson


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