quarta-feira, 14 de maio de 2014

Times de que Gostamos: San Lorenzo 2001-2002

Depois de trazer à memória o revolucionário time do Barcelona da temporada 2010-2011, do treinador Pep Guardiola, falo um pouco sobre o grande San Lorenzo, do início do século XXI.

Em pé: Saja, Serrizuela, Michellini, Collocini, Tuzzio, Ameli.
Agachados: Aldo Paredes, Raúl Estévez, Walter Erviti, Romeo, Leandro Romagnoli.








Time: San Lorenzo

Período: 2001-2002

Time Base: Saja; Serrizuela (Esquivel), Coloccini (Morel Rodríguez), Ameli (Capria), Paredes; Tuzzio (Pusineri), Michelini (Zurita), Erviti (Chatruc), Romagnoli; Estévez (Astudillo) e Bernard Romeo (Alberto Acosta). Téc. Manuel Pellegrini/Rúben Insúa

Conquistas: Copa Mercosul, Torneio Clausura e Copa Sul-Americana.


Um dos cinco gigantes do futebol argentino – junto com Boca Juniors, Independiente, Racing Club e River Plate –, o Club Atlético San Lorenzo de Almagro é o único que nunca conquistou a Copa Libertadores da América e, até o ano de 2002 (pois a final da Copa Mercosul de 2001 aconteceu em janeiro de 2002), o clube sequer sabia o que era conquistar um torneio internacional.

Com uma equipe muito jovem e talentosa, e com um estilo de jogo bem “argentino” – ao mesmo tempo extremamente técnico e “catimbado” – os argentinos conseguiram, por fim, conquistar um título internacional. E não só um.  Em 2002, o clube, após vitória por 4x0 contra o Atlético Nacional de Medellín, na Colômbia, apenas empatou em casa e sagrou-se o primeiro campeão da recém-constituída Copa Sul-Americana (vale ressaltar que esta edição não contou com equipes brasileiras).

Neste período, o San Lorenzo pôde bater no peito e falar: “talento se faz em casa!”. Grandes jogadores como o goleiro Sebastian Saja (foto), o zagueiro Gonzalo Rodríguez, os meias Leandro Romagnoli e Walter Erviti e o atacante Guillermo Franco foram formados nas categorias de base do clube. A fase foi tão boa, que ótimos valores surgidos na base do clube, como Walter Montillo, que apareceu em 2002,  não tiveram muitas oportunidades no clube.

Ainda muito jovem, coube a Sebastian Saja a proteção da meta do Ciclón. Identificado com a torcida e dono de grandes reflexos – que, por vezes, proporcionavam defesas mágicas –, Saja tinha uma interessante peculiaridade. Além de ter se consagrado como grande pegador de pênaltis, o arqueiro também os cobrava, tendo ótimo aproveitamento. Em 2002, em prêmio concedido pelo jornal uruguaio El País, conquistou o prêmio de melhor goleiro da América. Em 2007, atuou no Grêmio.
Durante este período, a lateral direita do clube buenairense teve dois donos. Nos títulos do Torneio Clausura e da Copa Mercosul, o titular era Juan José Serrizuela. Atarracado, tinha boa condição atlética e atacava bastante, tendo, no forte chute de média distância, um de seus principais trunfos. Com sua saída para o Independiente, o paraguaio Celso Esquivel, mais afeito às tarefas defensivas, assumiu a condição de titular da equipe. Pelo lado contrário o titular foi Aldo Paredes (foto), jogador polivalente (podia atuar também na zaga e como volante) tinha muito senso tático e qualidade técnica. É o nono jogador que mais defendeu o clube, com 264 partidas e cinco gols marcados.

A zaga foi outro setor que sofreu modificações de um ano para o outro. Durante a disputa do Clausura 2001, o setor foi composto pelo jovem e cabeludo, Fabricio Coloccini (foto), e pelo experiente Horacio Ameli. O primeiro tinha grande vigor físico e enorme qualidade na bola aérea, já o segundo, mais baixo, possuía bom senso de posicionamento e qualidade nos desarmes. Com a saída de Coloccini, o argentino Diego Capria, famoso pelas potentes cobranças de faltas, assumiu a titularidade na Copa Mercosul. Já no título da Copa Sul-Americana, com a saída de Ameli (que foi para o Internacional), o jovem e vigoroso Gonzalo Rodríguez ganhou espaço na equipe. Outro que atuou no setor foi o paraguaio Morel Rodríguez, opção também para a lateral esquerda.

A contenção dos Cuervos, no título do Torneio Clausura, foi composta por Eduardo Tuzzio, Pablo Michelini e Walter Erviti (foto). O primeiro, apesar da falta de velocidade, era implacável na marcação, sendo o “volante-volante”. Um pouco mais à frente, Michelini (capitão da equipe) e Erviti tinham as grandes qualidades comuns aos volantes argentinos. Raçudos, técnicos e grandes passadores, funcionavam como os pulmões da equipe. Tuzzio foi o primeiro a deixar a equipe, logo após o título argentino. Seu substituto  foi Lucas Pusineri, conhecido como El Motorcito. Após o título da Copa Mercosul, Erviti e Pusineri também se despediram do clube, abrindo espaço para José Chatruc e Cristian Zurita.

Na criação a equipe contou com todo o talento de Leandro Romagnoli (foto), um dos grandes ídolos da história do Ciclón. Pequenino, Pipi, jogava como um autêntico camisa dez argentino. Driblador e insinuante, ganhou a idolatria do torcedor. Contando suas duas passagens pelo clube, Romagnoli já é o quinto atleta que mais vezes defendeu o San Lorenzo. Em 323 partidas marcou 34 gols. Destaque da Seleção Argentina na base, nunca conseguiu chances reais na principal.

O ataque também mudou muito durante esse período. Nos títulos de 2001, o ataque foi formado pelo habilidoso e rápido Raúl Estevez – que passou, sem sucesso, pelo Botafogo – e pelo centroavante Bernardo Romeo (foto), que, considerando suas três passagens pelo clube, marcou 99 gols, afirmando-se como o nono maior artilheiro da história do San Lorenzo. Em 2002 a dupla deixou o clube, para Boca Juniors e Hamburgo, respectivamente. Coube ao experiente Alberto Acosta (homônimo do ex-jogador do Náutico), sexto maior artilheiro da história do clube, com 123 gols, e ao rápido Rodrigo Astudillo o comando do ataque na Copa Sul-Americana.

Além do principal responsável pela evolução do San Lorenzo, o treinador chileno Manuel Pellegrini, o clube teve também outros bons valores no banco, casos do experiente meio-campista Leandro Rodríguez e dos atacantes Guillermo Franco e Loco Abreu (foto). Em 2002, houve troca no comando da equipe e Rubén Dario Insúa, ex-jogador do próprio San Lorenzo assumiu o clube, dando continuidade ao trabalho de Pellegrini.

Ficha técnica de alguns jogos importantes nesse período:

Final da Copa Mercosul de 2001: San Lorenzo 1(4) x 1(3) Flamengo

Estádio Nuevo Gasómetro, Buenos Aires

Árbitro: Oscar Ruiz

Público 42.000

Gols: ’11 Leandro Machado (Flamengo); ’22 Estevez (San Lorenzo); Romagnoli, Pusineri, Saja, Capria marcaram de pênalti para o San Lorenzo e Petkovic, Andrezinho, Edson marcaram para o Flamengo; Acosta, Serrizuela, Juan, Cassio e Roma desperdiçaram suas cobranças.

San Lorenzo: Saja; Serrizuela, Ameli, Paredes; Franco (Pusineri), Michelini, Erviti, Romagnoli; Estevez (Rodríguez) e Acosta. Téc. Manuel Pellegrini

Flamengo: Júlio César; Édson, Juan, Fernando (André Bahia), Cássio; Leandro Ávila, Jorginho, Rocha (Andrezinho), Petkovic; Roma e Leandro Machado (Jackson). Téc. Carlos Alberto Torres

Final da Copa Sul-Americana de 2002: San Lorenzo 0x0 Nacional de Medellín

Estádio Nuevo Gasómetro, Buenos Aires

Árbitro: Epifano González

Público 40.779

San Lorenzo: Saja;  Zurita, Gonzalo Rodríguez, Morel Rodríguez, Paredes; Esquivel, Herrón, Chatruc (Cordone), Romagnoli; Astudillo (Luna) e Acosta (Cabrera). Téc. Rubén Insúa

Nacional de Medellín: Velásquez; Calle, Vanegas, Guzmán, Díaz; Chará, Moreno (Rambal), Toro e Grisales; Restrepo e Echeverría (Rentería). Téc. Alexis García 

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