segunda-feira, 14 de julho de 2014

Craques das Copas: 1970 e 1978

No último post da série, tratei dos Craques das Copas de 1966 (Bobby Moore e Eusébio) e 1982, (Paolo Rossi e Rummenigge) nesta falo dos grandes destaques de 1970 e 1978, Pelé e Mario Kempes.




1970 – PELÉ

Ficha técnica

Nome: Édson Arantes do Nascimento

Data de nascimento: 23 de outubro de 1940

Local de nascimento: Três Corações (MG), Brasil

Carreira: Santos (1956-1974) e New York Cosmos (1975-1977)

Títulos: Campeonato Paulista (1958, 1960, 1961, 1962, 1964, 1965, 1967, 1968, 1969, 1973), Torneio Rio São Paulo (1959, 1963, 1964, 1966), Taça Brasil (1961, 1962, 1963, 1964, 1965), Torneio Roberto Gomes Pedrosa (1968), Taça Libertadores da América (1962 e 1963), Mundial de Clubes (1962 e 1963), Supercopa (1968), Recopa (1968), pelo Santos, NASL (1977), pelo Cosmos, Copa do Mundo (1958, 1962, 1970), pelo Brasil

O que falar do maior de todos os tempos? Como descrevê-lo? Completo? É pouco. Fenômeno? Insuficiente. A única forma de contar o que era Pelé é aceitar que ele foi mais do que qualquer outro. É incomparável. Genial, o eterno camisa 10 do Santos e da Seleção Brasileira, sabia fazer tudo. Tanto é assim, que é mais fácil listar as coisas que não fez (como um gol do meio-campo) do que o oposto. Era veloz com a bola e com o pensamento, possuía altivo trato da bola e grande capacidade de leitura de jogo sem ela. Sabia decidir. Marcava gols (seus 1.281 tentos não dão permissão para dizer o contrário). Sua estrela era tanta que, depois de deleitar os Santos,  só podia mesmo brilhar no Cosmos.

Nas palavras de João Almeida Moreira, escritor luso, “nunca vai morrer o jogador que se não tivesse nascido homem teria nascido bola (frase do saudoso Armando Nogueira) e cujo universo ultrapassa o futebol com o dos Beatles o da música ou o da Coca-Cola o das bebidas! Tem de ler a frase de seguida, sem vírgulas, porque a grandeza de Pelé não permite paragens ou hesitações, apenas um ponto de exclamação no fim. Pelé, aliás devia escrever-se Pelé!”

Não há como discordar do fato de que Pelé é o maior de todos. Até a FIFA e a revista France Football se renderam à grandeza do Rei do Futebol. Em Copas, porém, sua realeza só atingiu a máxima altivez em 1970. Em 1958, foi um fantástico membro da esquadra de Didi. Em 1962, machucou-se e, quase em um ato de solidariedade, permitiu ao mundo o encanto dos dribles de Garrincha. Em 1966, fracassou junto com seus companheiros. Inigualavelmente brilhante, sentia falta de, como estrela maior, levar o Brasil ao topo. Veio a Copa de 1970.

Flanqueado por grandes craques, figuras da estirpe de Gerson, Rivelino e Tostão, Pelé não foi o capitão do escrete, mas, tecnicamente o foi. Figurinha carimbada em todos os seis jogos da Seleção – seis vitórias, diga-se – foi, naturalmente, eleito o grande craque da competição. Quatro foram seus gols (um contra a Tchecoslováquia, dois contra a Romênia e um contra a Itália, na final), mas o gênio talvez tenha ficado mais marcado pelos tentos que não marcou: do centro do campo contra a Tchecoslováquia e dando um dos dribles mais fantásticos da história no fenomenal arqueiro polaco-uruguaio, Ladislao Mazurkiewicz.
A enormidade de seus feitos é tão expressiva que, até hoje, 43 anos desde o fim de sua trajetória com a Seleção, apenas Rivelino, Roberto Carlos e Cafu defenderam a amarelinha mais vezes que Pelé e, como se não bastasse, nem a existência dos fantásticos Romário e Ronaldo foi capaz de tomar-lhe a artilharia histórica da Seleção. Seus 95 gols, em 115 jogos, são, até hoje, inigualáveis. Pelé é inigualável.

Nascido para jogar futebol, o jogador que tudo fazia, sempre será o maior. A inesquecível Copa de 1970 – a primeira vista em cores no Brasil – consolidou o óbvio, para que não houvesse qualquer margem para duvidar do indubitável. Pelé é o maior jogador de futebol de todos os tempos, afinal, como o gênio holandês Johann Cruyff afirmou: “posso ser um novo Di Stéfano, mas não posso ser um novo Pelé. Ele é o único que ultrapassa os limites da lógica”, frase corroborada por Ferenc Puskas, comandante da inigualável Hungria de 1954: “o maior jogador de todos os tempos foi Di Stéfano. Eu me recuso a classificar Pelé como jogador. Ele está acima de tudo.

1978 – KEMPES

Ficha técnica

Nome: Mario Alberto Kempes Chiodi

Data de nascimento: 15 de Julho de 1954

Local de nascimento: Belle Ville, Argentina

Carreira: Instituto (1973), Rosario Central (1974-1976), Valencia (1977-1980), River Plate (1981), Valencia (1981-1984), Hércules (1984-1986), First Vienna (1986-1987), Sankt Polsten (1987-1990), Kremser SC (1990-1992), Fernández Vial (1995), Pelita Jaya (1996)

Títulos: Copa del Rey (1978-1979), UEFA Winner’s Cup (1980), UEFA Super Cup (1980), pelo Valencia, Campeonato Argentino (1981), pelo River Plate, Copa do Mundo (1978), pela Argentina

Líder da primeira  conquista Hermana, Mario Kempes era um centroavante que bem cabia na camisa 10 argentina. Artilheiro nato, que ficaria conhecido como El Matador, foi à sua primeira Copa com apenas 19 anos. No mundial de 1974, no qual sua Argentina terminaria com a oitava colocação, o já astro do Rosario Central jogou todos os jogos de sua Seleção, contudo, sem grande destaque, sem marcar gols. Parecia estar se guardando.

Rapidíssimo, e muito habilidoso, o cabeludo avançado albiceleste, tinha ótima condução de bola e sabia decidir sozinho um jogo. Não fazia o estilo “centroavante paradão”, muito pelo contrário. Evidentemente não foi monumental como Diego Maradona seria – inclusive ofuscando-o no mundial de 1982 – mas fez o que gerações argentinas aguardaram com imódica ansiedade: conduziu a Seleção Argentina ao título da Copa do Mundo, e mais do que isso. Levou a equipe ao título jogando em casa, algo que nem o excepcional Brasil de 1950 conseguira.

Artilheiro do Campeonato Espanhol nas últimas duas temporadas europeias que precederam o mundial de 1978, Kempes chegava ao torneio em ponto de bala. Terceiro maior artilheiro da história do Valencia, com 145 gols, marcara 52 gols nas duas últimas edições de La Liga. Com tal forma, não poderia ser diferente. O atacante teria de se assumir como a principal referência da equipe e o fez. Ainda que a camisa 10 lhe tenha chegado acidentalmente (tendo os números sido entregues na ordem alfabética), a mítica camisa parecia destinada a ele.

O curioso é que, em função de ter sido o único selecionável que atuava fora da Argentina e de o país viver uma forte ditadura militar, teve que ter sua convocação “explicada” pelo treinador César Luis Menotti, que, sucintamente, disse: “ele é forte, tem habilidade, abre espaços e chuta com força. Ele é um jogador que pode fazer uma diferença e pode jogar na posição de centroavante.” Outro fato curioso, mas um tanto mais folclórico, foi o de que, durante a Copa, enquanto manteve seu bigode o artilheiro não marcou. A dica de tirá-lo foi mais um dos valiosos toques do treinador.

Durante o mundial, Kempes passou a primeira fase em branco. Jogando na capital Buenos Aires, o craque demorou a despertar, mas, quando o fez, foi vital. Balançou as redes, pela primeira vez (e pela segunda) em Copas, na primeira partida da segunda fase, contra a Polônia dos craques Grzegorz Lato e Zbigniew Boniek (na sua Rosário). 2x0. Dois de Kempes. Contra o Brasil, voltaria a passar em branco, em um empate sem gols. Seus quatro tentos finais estavam bem guardados e seriam bem gastos. Primeiro na necessária (e suspeita?) goleada por 6x0 contra o Peru e depois na finalíssima contra a Holanda, dois em cada jogo, que lhe asseguraram a artilharia da Copa e o prêmio de melhor do torneio.

O hoje comentarista esportivo, foi ídolo no El Gigante, no Mestalla e no Monumental de Nuñez. Se sua grande categoria não basta para coloca-lo no patamar de Alfredo Di Stéfano, Maradona e Lionel Messi, seus feitos asseguram um lugar eterno na história do futebol argentino.



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